VOCÊ É UM CRISTÃO ESPIRITUALMENTE SAUDÁVEL?
C. J. Jacinto
Todo cristão deve
possuir um conhecimento profundo e consistente das doutrinas cristãs,
especialmente aquelas consideradas essenciais. Como resultado, sua vida
espiritual será profundamente impactada, conduzindo-o a uma vida de piedade
mais intensa. Os sinais de alguém com discernimento espiritual são evidentes;
ele está enraizado nas verdades fundamentais do Evangelho.
Ademais,
compreendemos que o indivíduo com inclinação espiritual evolui e amadurece
gradualmente.
Consequentemente, em
sua jornada cristã, três aspectos se manifestam: inicialmente, o conhecimento
da palavra de Deus; em seguida, a compreensão dessa palavra; e, por fim, a
prática da palavra de Deus. Desta forma, distinguem-se as etapas de conhecer,
entender e praticar.
Um sábio
antigo, o primeiro teólogo sistemático da Igreja Primitiva, Lactâncio, ele
disse: “Não há um alimento mais doce para a alma do que o conhecimento da
verdade.”
Para que o
cristão trilhe o caminho da verdadeira piedade e alcance a saúde espiritual, é
imprescindível que se alimente da sã doutrina. Conforme Paulo afirma em sua
epístola, a sã doutrina é essencial, é o que convém para o pregador e para o
ouvinte (Tito 2:1). Esta é comunicada por meio de ministros e homens de Deus
que, utilizando o púlpito ou o ensino bíblico, proclamam e instruem sobre a sã
doutrina. O propósito central da sã doutrina é formar discípulos e cristãos com
saúde espiritual, promovendo seu crescimento e desenvolvimento.
Portanto, para
o cristão genuíno, o objetivo primordial e o critério fundamental é nutrir-se
da verdadeira doutrina. É imprescindível, por conseguinte, frequentar e ser
membro de uma igreja dedicada à pregação, ao ensino e à proclamação da
totalidade da verdade, ou seja, de todos os desígnios divinos. Em 2 Timóteo,
capítulo 2, versículo 15, o apóstolo Paulo apresenta as qualificações de um
obreiro aprovado por Deus: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como
obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da
verdade". A ênfase recai sobre o correto manejo da palavra da verdade.
Somente aquele que a maneja corretamente é considerado obreiro aprovado perante
Deus; todos os demais são considerados reprovados aos olhos do Pai Celestial,
do divino Filho Jesus Cristo e do Espírito Santo. O obreiro aprovado é aquele
que maneja corretamente a palavra da verdade, e nenhum outro.
Compreenda e
atente-se à minha recomendação: é crucial, mais do que nunca, que tenhamos
discernimento ao selecionar aqueles a quem ouvimos, escolhendo com cautela e
critério a comunidade religiosa que frequentamos. Seus líderes religiosos,
pastores e pregadores, devem estar dedicados a pregar a sã doutrina. A ausência
desta pregação resultará, inevitavelmente, em uma congregação cristã debilitada
e conseqüentemente apóstata. Esta questão é primordial e não pode ser
negociada. A escolha de pastores e pregadores não aprovados por Deus levará a
uma propagação de doutrinas contrárias à Sua vontade. Consequentemente, a saúde
espiritual genuína será impossível, pois esses líderes disseminarão
ensinamentos deturpados e prejudiciais á saúde espiritual de um cristão.
Assim,
entendemos que um obreiro precisa estar comprometido com a verdade e não
negociá-la. Deve defender os absolutos e nunca abraçar o relativismo, e muito
menos o pragmatismo. Há uma frase de Robert Govett, onde em um dos seus livros
preciosos, ele diz o seguinte: “Uma noção errada de uma verdade da escritura
afetará outra verdade, e em um sistema que tem uma relação de partes
conectadas, o deslocamento ou desarranjo de um prejudicará todas as outras partes.”
Esse é um princípio correto. Ninguém que começa fazendo mal uso das escrituras
chegará a conclusões verdadeiras.
Em tempos
de grande turbulência, um cristão que almeja o crescimento espiritual deve
selecionar cuidadosamente seus mestres. Estes devem ser reconhecidos, capazes
de interpretar e transmitir a palavra da verdade com precisão, como Paulo nos
exorta. Atualmente, muitos se posicionam como instrutores, seja no púlpito ou
por meio da leitura da Bíblia, mas carecem do conhecimento adequado para utilizá-la
corretamente. Empregam métodos interpretativos inadequados, recorrem a
ferramentas inapropriadas e partem de pressupostos equivocados. Tais abordagens
errôneas não conduzem à sã doutrina, mas sim ao erro doutrinário e às heresias.
Diante disso, o
obreiro desonesto demonstra total ausência de compromisso com a verdade. Os
pregadores que relativizam a fé, se afastam da verdade, assim como os
pregadores pragmáticos. Atualmente, são poucos os obreiros e pregadores que
genuinamente se dedicam à verdade. Portanto, é imperativo compreender que a
verdade não pode ser atenuada para agradar a cristãos com pouca profundidade
espiritual. A verdade não deve transigir com o erro. O obreiro aprovado, aquele
que verdadeiramente serve, não deve fazer concessões doutrinárias para
satisfazer os crentes de postura carnal. Tampouco deve relativizar conceitos
ortodoxos a fim de agradar aos que abandonaram a fé. O verdadeiro servo do
Senhor tem um único propósito: pregar a sã doutrina para ser aprovado aos olhos
do Senhor.
Quais são as
características de um indivíduo que exerce o ofício de obreiro e não é
considerado apto? Quais os principais aspectos podem ser apresentados para
definir um obreiro inadequado, bem como um cristão superficial? É possível
apresentar cinco pontos principais: primeiro, a leitura inadequada das
Escrituras; segundo, a citação imprecisa das Escrituras; terceiro, a
interpretação equivocada das Escrituras; quarto, a aplicação incorreta das
Escrituras; e quinto, a contradição aos ensinamentos das Escrituras. Tais
características distinguem-se tanto em obreiros que não demonstram aprovação
quanto em cristãos que não se dedicam à verdade. Não pode ser um cristão
piedoso e consagrado a verdade se não ama a doutrina saudável e não se dedica
em preservá-la com muito afeto no coração
A qualidade do
seu cristianismo se reflete no tipo de pregação e pregadores que você procura
ouvir ou que você aprecia. Se você se deleita com pregações inadequadas, e
pregadores que não manejam corretamente as Escrituras ou que não interpretam corretamente as
Escrituras, isso sugere uma fé superficial, com falta de discernimento e de
compromisso com a verdade e com os princípios do Evangelho.
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