AGOSTINHO, O PECADO ORIGINAL E A ASCENSÃO DO PEDOBATISMO

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 AGOSTINHO, O PECADO ORIGINAL E A ASCENSÃO DO PEDOBATISMO

Uma análise histórica e teológica sob a perspectiva credobatista

Introdução

Poucos teólogos moldaram a história do cristianismo ocidental tão profundamente quanto Agostinho de Hipona (354–430 d.C.). Sua influência sobre a doutrina da graça, da depravação humana, da predestinação e da natureza da Igreja atravessou a Idade Média, influenciou a Reforma Protestante e continua presente na teologia contemporânea.

Todavia, a influência de Agostinho não se limitou às questões soteriológicas. Sua formulação da relação entre pecado original e batismo exerceu papel decisivo no desenvolvimento do pedobatismo (batismo infantil) e da regeneração batismal no Ocidente.

Sob a ótica credobatista, esse desenvolvimento representa um dos mais significativos desvios da prática apostólica. O problema não reside na doutrina do pecado original em si, mas na solução sacramental proposta para sua remoção.

A questão central é simples:

O pecado é removido pelo sangue de Cristo mediante a fé ou pela administração do batismo?

A resposta a essa pergunta determinou séculos de prática eclesiástica.


O Batismo no Novo Testamento: Fé Antes do Sacramento

O padrão neotestamentário é extraordinariamente uniforme.

Em Atos dos Apóstolos, o batismo aparece invariavelmente associado à fé consciente e à conversão pessoal.

No Pentecostes (Atos 2), aqueles que receberam a palavra foram batizados.

Em Samaria (Atos 8), os que creram foram batizados.

O eunuco etíope foi batizado após professar sua fé.

Cornélio e sua casa receberam o Espírito Santo antes do batismo.

O carcereiro filipense creu e então foi batizado.

Em nenhum desses episódios o batismo aparece como instrumento de regeneração. Pelo contrário, ele funciona como sinal externo de uma realidade espiritual já iniciada pela ação divina.

A ordem apostólica é inequívoca:

pregação → fé → regeneração → batismo.

Essa sequência constitui um dos principais argumentos dos defensores do credobatismo.


Os Primeiros Séculos da Igreja

A literatura patrística dos séculos II e III revela uma situação mais complexa do que frequentemente se imagina.

Autores como o apologista Justino Mártir descrevem o batismo sendo administrado a pessoas que haviam sido previamente instruídas na fé.

Em sua Primeira Apologia, Justino apresenta candidatos ao batismo que passaram por ensino, arrependimento e profissão de fé.

Mais significativo ainda é o testemunho de Tertuliano (c. 160–220).

Em sua obra De Baptismo, Tertuliano manifesta reservas explícitas quanto ao batismo infantil, recomendando que ele fosse adiado até que a pessoa pudesse compreender conscientemente sua fé.

Sua objeção demonstra algo importante para o debate histórico: se o batismo infantil fosse uma prática universal e apostólica, dificilmente Tertuliano teria se sentido livre para questioná-la.

Isso não significa que o pedobatismo não existisse no século III. Evidências sugerem que ele já estava presente em algumas comunidades. Entretanto, os registros históricos indicam que sua universalização ainda estava longe de ocorrer.


Orígenes, Cipriano e o Desenvolvimento da Tradição

No século III encontramos testemunhos favoráveis ao batismo infantil em autores como Orígenes e Cipriano de Cartago.

Orígenes chega a afirmar que a Igreja havia recebido dos apóstolos a tradição de batizar crianças.

Todavia, historiadores observam que essa afirmação não constitui prova histórica conclusiva. Ela representa o testemunho de Orígenes sobre a tradição recebida em sua época.

Além disso, mesmo quando o batismo infantil aparece nesses autores, a fundamentação teológica ainda não possuía a estrutura sistemática que mais tarde seria desenvolvida por Agostinho.

É precisamente nesse ponto que ocorre a grande mudança.


A Controvérsia Pelagiana e a Formulação Agostiniana

O contexto decisivo para compreender Agostinho é sua luta contra o pelagianismo.

Pelágio negava que a queda de Adão tivesse corrompido profundamente a natureza humana.

Em resposta, Agostinho desenvolveu uma das mais vigorosas defesas da depravação humana da história da teologia.

Seu diagnóstico era essencialmente correto: a humanidade está caída e necessita da graça divina.

Entretanto, ao perguntar como a culpa adâmica é removida, Agostinho vinculou essa remoção ao sacramento do batismo.

Aqui reside o ponto de tensão com a perspectiva credobatista.

A solução agostiniana deslocou parcialmente o foco da obra consumada de Cristo para o rito sacramental administrado pela Igreja.


O Problema da Regeneração Batismal

A teologia de Agostinho contribuiu para consolidar a ideia de que o batismo não apenas simboliza a graça, mas efetivamente comunica graça.

Essa concepção produziu profundas consequências.

Se o batismo remove a culpa herdada de Adão, então surge inevitavelmente a preocupação com o destino das crianças que morrem sem recebê-lo.

Gradualmente, a urgência pastoral transformou-se em norma eclesiástica.

A partir desse momento, o batismo infantil deixou de ser uma prática periférica para tornar-se uma necessidade teológica.

Sob a perspectiva credobatista, esse processo representa uma mudança fundamental no significado do próprio batismo.

O que antes era visto como testemunho da fé passou a ser visto como instrumento de regeneração.


O Testemunho do Novo Testamento Contra a Eficácia Salvífica da Água

A crítica credobatista não se dirige à importância do batismo, mas à atribuição de poderes salvíficos à água.

O Novo Testamento atribui a purificação do pecado exclusivamente à obra de Cristo.

O sangue de Cristo purifica.

A cruz expia.

A fé recebe os benefícios da redenção.

O Espírito Santo regenera.

A água jamais recebe essas funções.

O apóstolo Paulo afirma que somos justificados pela fé.

O autor de Hebreus ensina que sem derramamento de sangue não há remissão.

João declara que o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado.

A regeneração é obra sobrenatural do Espírito Santo, não de um elemento físico.

O batismo aponta para essa realidade; não a produz.


A Reforma e a Permanência do Paradigma Agostiniano

A Reforma Protestante recuperou verdades fundamentais sobre a salvação pela graça mediante a fé.

Todavia, os principais reformadores permaneceram profundamente influenciados pela herança agostiniana.

Martinho Lutero, João Calvino e outros mantiveram o batismo infantil, ainda que reinterpretando seu significado.

Os anabatistas do século XVI foram os primeiros grupos da Reforma a defender explicitamente um retorno ao padrão neotestamentário de batizar apenas professos crentes.

Por essa razão, muitos historiadores enxergam o movimento anabatista como o principal precursor do moderno credobatismo batista.


Considerações Finais

A história do batismo infantil não pode ser reduzida a uma única causa nem atribuída exclusivamente a Agostinho. Evidências demonstram que a prática já existia antes dele.

Entretanto, é igualmente inegável que nenhum outro teólogo contribuiu tanto para fornecer ao pedobatismo sua fundamentação doutrinária clássica.

Sob a perspectiva credobatista, o erro decisivo de Agostinho consistiu em associar a remoção do pecado original ao sacramento do batismo.

A Escritura, porém, dirige nossa atenção para outro lugar.

Não para a água.

Não para o rito.

Não para o sacramento.

Mas para a cruz.

A esperança do pecador não repousa na água batismal, mas no sangue derramado pelo Filho de Deus.

O batismo possui enorme importância. Ele é uma ordenança dada por Cristo, um testemunho público da união do crente com seu Senhor e um símbolo visível da morte, sepultamento e ressurreição de Jesus.

Mas ele permanece sendo um testemunho da salvação, não sua causa.

Quando essa distinção é preservada, Cristo permanece no centro do evangelho e o batismo permanece no lugar que lhe foi designado pelos apóstolos.

Bibliografia recomendada

 

 

 

 

OVNIS a Origem Demoniaca

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 OVNIs e a Hipótese da Origem Demoníaca: Uma Análise a partir da Perspectiva Teológica

Resumo: O presente artigo examina o fenômeno dos Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) e das supostas abduções por entidades extraterrestres sob a ótica apresentada no documento Duivelse misleiding via UFO's), de Jay Howard e Piet Guijt. A partir de uma análise das narrativas de encontros de terceiro e quarto tipo, das mensagens transmitidas pelas entidades e das implicações cosmológicas e teológicas, argumenta-se que o fenômeno ufológico pode ser mais bem compreendido não como visitação interplanetária, mas como uma manifestação de entidades extra-dimensionais de natureza demoníaca, cujo objetivo seria desviar a humanidade da fé cristã.

Nota: a natureza demoníaca dos OVNIs é defendida por mim desde o fim da década de 1980 quando comecei a pesquisar sobre o assunto (C. J. Jacinto)


1. Introdução

Desde a segunda metade da década de 1940, o planeta Terra testemunhou um aumento exponencial no número de avistamentos de OVNIs. Paralelamente, cresceu vertiginosamente o número de relatos de contato físico e psíquico com seres de outros mundos, incluindo as chamadas "abduções" — os encontros de quarto tipo, nos quais indivíduos alegam terem sido submetidos a experimentos a bordo de naves espaciais (HOWARD; GUIJT, s.d.). O caso mais célebre, o suposto acidente de Roswell em 1947, alimentou teorias conspiratórias de que governos, especialmente o norte-americano, ocultariam a verdade sobre a visitação alienígena. Essa teoria é chamada de exopolitica, um artigo será elaborado posteriormente abordando este tema.

Contudo, uma análise mais profunda do fenômeno, conforme proposto por Howard e Guijt (s.d.), revela padrões que desafiam a hipótese extraterrestre convencional e apontam para uma origem muito mais antiga e espiritualmente perigosa.

2. O Perfil dos "Contactados" e a Conexão com o Ocultismo

Um dos achados mais significativos apontados por Howard e Guijt (s.d.) é a recorrência de um histórico de envolvimento com o ocultismo entre os chamados "contactados". Quase todos os relatos de encontros de terceiro e quarto tipo revelam que os indivíduos envolvidos possuíam, previamente ao evento, um profundo interesse ou participação em práticas ocultistas, espiritistas ou de bruxaria. Isso me faz lembrar da entidade demoníaca chamada de LAM que Aleister Crowley contatou no mesmo período das aparições de Arnold, LAM é muito parecido com as descrições de aliens tipo “grey”

O caso de Whitley Strieber, autor do best-seller Communion (1988), é emblemático. Strieber admitiu seu fascínio pelo oculto e experiências anteriores com bruxaria. De forma intrigante, relata que o título de seu livro — que significa "Comunhão" — lhe foi ditado por uma voz masculina profunda que falou através de sua esposa enquanto ela dormia, sugerindo, do ponto de vista bíblico, uma possível intervenção demoníaca na nomenclatura da obra (HOWARD; GUIJT, s.d.).

Outros relatos comuns incluem a prática de hipnose regressiva — método frequentemente utilizado para "recuperar" memórias de abdução, mas que, segundo diversos estudos, é uma fonte altamente suscetível a falsas memórias e sugestões —, uso de tabuleiros Ouija, escrita automática, trances mediúnicos e projeções astrais (HOWARD; GUIJT, s.d.).

3. As Características das Entidades e as Mensagens Transmitidas

As entidades mais comumente descritas nos relatos de abdução são os chamados "Cinzas" (Greys): seres de três a quatro pés de altura, com grandes cabeças, olhos amendoados e negros, corpos frágeis, sem orelhas aparentes e com uma boca mínima. Curiosamente, conforme notado por Howard e Guijt (s.d.), essas descrições são quase idênticas às de entidades reportadas em atividades ocultistas ao longo dos séculos.

As mensagens veiculadas por essas entidades seguem um padrão alarmante e anti-bíblico:

·         Negam a existência do Deus criador;

·         Negam a divindade de Jesus Cristo como único Salvador;

·         Promovem a reencarnação;

·         Afirmam que todas as religiões são iguais;

·         Endossam crenças do movimento Nova Era;

·         Advertem sobre um apocalipse iminente, oferecendo-se como salvadores da humanidade (HOWARD; GUIJT, s.d.).

O astrofísico francês Dr. Jacques Vallée, pesquisador do fenômeno há mais de três décadas, em sua obra clássica Passaporte para Magônia (1969), já havia observado que as características dos encontros com "alienígenas" são praticamente idênticas às atividades ocultistas reportadas ao longo da história humana. Vallée sugere que o fenômeno OVNI é, na verdade, uma versão do século XX de manifestações demoníacas que afligiram a humanidade em todas as eras (HOWARD; GUIJT, s.d.).

4. A Hipótese Extra-Dimensional e a Impossibilidade Científica da Vida Extraterrestre

Do ponto de vista científico, Howard e Guijt (s.d.) argumentam que a probabilidade de vida em outros planetas é estatisticamente insignificante. A chance de que as reações químicas elementares necessárias para sustentar a vida ocorram em um planeta já "hospitaleiro" é de 10 elevado à 415ª potência — um número tão astronômico que torna a hipótese praticamente impossível.

Ademais, mesmo que civilizações alienígenas existissem, as distâncias interestelares e a energia necessária para viagens interestelares tornariam a visitação inviável. A uma velocidade próxima à da luz, os ocupantes de uma nave seriam obliterados em frações de segundo devido às forças físicas envolvidas (HOWARD; GUIJT, s.d.).

Essas considerações levam os autores a propor que os OVNIs não são veículos tecnológicos de outras civilizações, mas manifestações extra-dimensionais — isto é, provenientes de uma dimensão espiritual, especificamente o "reino das trevas". A capacidade desses objetos de desaparecer instantaneamente de radares, de violar leis da física e de interagir diretamente com a mente humana seria explicável se forem entendidos como projeções demoníacas, possivelmente auxiliadas por manipulação molecular (HOWARD; GUIJT, s.d.).

5. A Natureza das "Abduções": Memórias Implantadas e Agendas Espirituais

A ausência quase total de testemunhas oculares independentes em casos de abdução (CE-IV) é um fato notável. Howard e Guijt (s.d.) sugerem que a maioria dessas experiências pode ser explicada pela inserção de memórias falsas por entidades demoníacas. Isso explicaria o caráter onírico e nightmaresco dos relatos, a impossibilidade de os abduzidos trazerem provas físicas das naves e a paralisia frequentemente descrita — não por força física, mas por controle mental.

A agenda subjacente, segundo os autores, não é científica ou de cooperação interplanetária, mas espiritual e predatória. As entidades buscam não apenas o corpo humano, mas o domínio sobre a mente e o espírito, agindo como "parasitas" espirituais que desejam habitar um "hospedeiro" humano (HOWARD; GUIJT, s.d.). O objetivo final é afastar as pessoas do Evangelho de Jesus Cristo, oferecendo uma falsa esperança de salvação através dos "irmãos do espaço" — uma engenhosa falsificação que o apóstolo Paulo já advertira quando descreveu Satanás como aquele que se disfarça de "anjo de luz" (2 Coríntios 11:14).

6. Considerações Finais: Uma Postura Cristã diante do Fenômeno

Diante dessa análise, Howard e Guijt (s.d.) propõem uma postura equilibrada para os cristãos: não se deixar abater por informações alarmistas ou teorias conspiratórias; não se envolver ou se expor ao fenômeno; e, acima de tudo, não temer, pois a proteção divina é assegurada para aqueles que vivem na vontade de Deus.

A Bíblia, conforme Romanos 8:38-39, garante que nem anjos, nem principados, nem potestades, nem qualquer outra criatura — incluindo, por extensão, "alienígenas" ou OVNIs — poderá separar o crente do amor de Deus em Cristo Jesus. A mensagem central do documento é clara: o fenômeno ufológico, por trás de sua aparência científica e tecnológica, constitui uma das mais sofisticadas estratégias de engano espiritual da era moderna, exigindo discernimento, firmeza doutrinária e confiança na unicidade de Jesus Cristo como Salvador.


Referências

HOWARD, J.; GUIJT, P. Duivelse misleiding via UFO's [Misleidão Diabólica através de OVNIs]. Tradução e adaptação de Piet Guijt. Publicado pela Stichting Promise. Disponível em: http://www.verhoevenmarc.be/PDF/duivelse-misleiding-UFOs.pdf. Acesso em: 2 jun. 2026.

VALLÉE, J. Passport to Magonia: From Folklore to Flying Saucers. Chicago: Henry Regnery Company, 1969.


Nota: Este artigo foi elaborado com base exclusiva nos argumentos e ideias apresentados no documento de Howard e Guijt, servindo como uma síntese acadêmica e teológica de sua proposta interpretativa sobre o fenômeno ufológico.

 

As Insondaveis Riquezas de Cristo

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                                AS INSONDÁVEIS

RIQUEZAS DE CRISTO

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C. J. JACINTO

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"A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada a graça de anunciar entre os gentios, por meio do Evangelho, as insondáveis riquezas de Cristo." — Efésios 3:8

 

 

 

I. O Apóstolo e a Sua Confissão

Uma das passagens mais sublimes do Novo Testamento encontra-se em Efésios 3:8, onde Paulo, movido pelo Espírito Santo, faz uma declaração de profundo peso teológico e existencial: "A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada a graça de anunciar entre os gentios, por meio do Evangelho, as insondáveis riquezas de Cristo." Em algumas traduções lemos também " riquezas incompreensíveis" — e ambas capturam a mesma realidade: há em Cristo uma superabundância que ultrapassa qualquer cálculo humano.

Nessas palavras, o apóstolo não está usando uma figura de linguagem retórica. O termo original grego — ἀνεξιχνίαστος (anexichniastos) — literalmente descreve aquilo que não pode ser rastreado até o fim, que não admite limites na investigação exaustiva. Estamos diante de um oceano sem margens visíveis. É aqui que Paulo nos convida a mergulhar — não como meros teólogos curiosos, mas como herdeiros redimidos de uma herança imensurável.

✦  Paulo não fala das riquezas de Cristo como algo distante ou abstrato. Ele as experimenta — e as anuncia como verdades que transformam o tecido da existência humana.

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II. O Que São Estas Riquezas?

As insondáveis riquezas de Cristo não se limitam a um único aspecto da salvação. Elas abrangem toda a extensão das consequências temporais e eternas da obra consumada de Cristo na cruz. São riquezas que falam de redenção, perdão, justificação, santificação e glorificação — uma cadeia dourada que vai da graça inicial até a glória final.

O peso teológico aqui é de superabundância espiritual, capaz de abranger todo o sentido existencial de uma pessoa. Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Colossenses 2:3). Isso significa que o crente não busca sentido, segurança ou futuro fora d’Ele — tudo está nele, por ele e para ele.

"Dou-lhes a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as arrebatará da minha mão." — João 10:28

Estas são promessas de garantia. Promessas de segurança, de salvação, de vida eterna, de glorificação. E o que torna tudo isso ainda mais extraordinário é que tais tesouros são concedidos gratuitamente — pela graça, mediante a fé — ao pecador que se arrepende e se converte ao Evangelho.

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III. A Riqueza Forense da Graça

As insondáveis riquezas de Cristo possuem um sentido soteriológico forense de especial magnitude: fomos perdoados e justificados perante o tribunal eterno de Deus. A graça não apenas cobre o pecador e o favorece por misericórdia — ela transborda além de qualquer medida proporcional ao débito humano. Somos ricos não porque merecemos, mas porque Cristo nos enriqueceu.

✦  Ser perdoado quando não merecíamos. Receber vida eterna quando não tínhamos direito a ela. Ter Cristo como luz e vida — isso não pode ser calculado em valores humanos. É uma riqueza que excede toda a capacidade de mensuração.

Em Efésios 2:1-7, Paulo nos revela que Deus é rico em misericórdia — e essa riqueza emana de uma fonte ontologicamente inesgotável. Não se trata de um Deus que distribui graça com parcimônia, mas de um Pai que age a partir de uma abundância que não conhece escassez. Por isso, a forma como essa realidade espiritual se torna experimental é pela fé e pela gratidão.

Paulo ainda nos fala de assentamento celestial, de vivificação, de ressurreição conjunta com Cristo — e de que somos abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais nos lugares celestiais (Efésios 1:3). Tudo isso possui valor histórico, temporal e atemporal, que nos leva do agora à eternidade — e pode ser desfrutado hoje pela fé.

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IV. A Totalidade Ontológica da Redenção

Compreendemos, portanto, que as insondáveis riquezas de Cristo constituem uma totalidade ontológica e salvífica, forense e participativa, escatológica — que inclui todos os regenerados de todos os séculos: passado, presente e futuro — no programa redentor do Deus Trinitário.

Há um alcance cósmico: novos céus, nova terra, imortalidade revestida de incorrupção, através de um corpo glorificado. A soma de todas essas coisas nos conduz a um cálculo praticamente infinito — impossível de receber um preço, um valor ou uma medida adequada.

"...para tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra." — Efésios 1:10

Você percebe esse movimento cristocêntrico? Toda a história, todo o cosmos, toda a escatologia se move em direção a Cristo. Todo joelho se dobrará, toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor (Filipenses 2:10-11). Isso é radical. Isso é revolucionário. Este é o movimento da plenitude que Deus estabelece através do seu Filho e de todos os redimidos alcançados pela obra consumada da cruz.

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V. A Esperança dos Santos

Paulo ora para que os crentes saibam "qual é a esperança dos santos, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos" (Efésios 1:18). Não se trata de mero consentimento teológico intelectual. As insondáveis riquezas de Cristo constituem algo muito mais radical e profundo: é a experiência plena de certezas absolutas em nossa posição em Cristo Jesus.

"Agora, pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus." (Romanos 8:1) "Justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo." (Romanos 5:1) Veja quanta riqueza inescrutável pode ser encontrada no Evangelho! O crente regenerado pode desfrutar plenamente dessas verdades já agora, em nosso tempo.

✦  Quanto mais o crente amadurece, quanto mais possui discernimento espiritual, mais vê em sua totalidade o quanto somos ricos em Cristo — e o quanto de coisas maravilhosas, impossíveis de imaginar agora, nos aguardam.

Estas insondáveis riquezas requerem do crente uma disposição de mergulhar mais e mais em Cristo — ter comunhão íntima com Ele, descobrir cada vez mais das grandiosidades que Nele se encontram. Não somente de modo intelectual, mas experimental: pois Cristo morreu, ressuscitou e ascendeu aos céus — e podemos ter comunhão com Ele agora e eternamente.

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VI. Paulo: O Testemunho Vivo

Paulo foi alguém que experimentou de perto a graça de Deus. Ele não merecia o perdão — era perseguidor implacável da Igreja de Cristo. Todavia, usa um superlativo autodepreciativo: "o mínimo de todos os santos". Em sua humildade radical, confessa-se como o menos merecedor, e por isso o mais grato.

Deus revelou a Paulo, pelo Espírito Santo, grandiosidades a respeito de Cristo, de sua obra e dos resultados da redenção. O apóstolo chegou a ser arrebatado ao terceiro céu, onde percebeu, sentiu e compreendeu realidades espirituais muito além da capacidade humana de imaginar. Paulo transcendeu praticamente todas as expectativas — e demonstrou, através de uma certeza absoluta, que o Evangelho consiste de realidades inabaláveis.

Foi com essa certeza que ele marchou para o martírio com firmeza intocável. Para Paulo, o Evangelho não era teoria — era a rocha sobre a qual toda a existência repousava. E essa também deve ser a nossa expectativa: viver de absolutos, ancorados nas insondáveis riquezas de Cristo.

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VII. A Igreja e o Testemunho

O Novo Testamento, mais precisamente as Epístolas de Paulo, nos ensina uma cristologia substancial da qual emana a verdadeira esperança. Deus, por meio de Cristo e do Evangelho, tem a resposta para o sentido existencial de cada ser humano.

Podemos passar por crises — e o mundo pode sofrer colapsos existenciais profundos — justamente porque a Igreja não tem dado testemunho adequado das insondáveis riquezas de Cristo. Não estamos representando Cristo ao mundo da maneira como deveria ser feito. A falha não está no Evangelho. A falha está no nosso testemunho.

✦  O Evangelho não perdeu seu poder. O que pode ter se enfraquecido é a convicção com que o proclamamos e o vivemos diante do mundo.

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Conclusão: Mergulhe nas Riquezas de Cristo

As grandezas de Deus não podem ser medidas. As insondáveis riquezas de Cristo — tudo que Deus tem em Cristo para nos dar — simplesmente não podem ser calculadas nem medidas. Mas podem, e devem, ser descobertas. Muitas dessas riquezas podem ser alcançadas através do estudo das Sagradas Escrituras, principalmente aquelas que revelam os grandes resultados e efeitos que o crente pode obter e experimentar através do que Cristo conquistou no Calvário.

Nossa redenção, nossa libertação, nossa transformação, a garantia da glorificação — coisas que vão além da nossa imaginação — Deus preparou para nós. Essas riquezas insondáveis estão acessíveis a cada um de nós.

Para isso, precisamos nos chegar mais a Cristo.

Ter mais dEle. Estar em Cristo. Viver em Cristo. Mergulhar na sua pessoa e na sua obra — não somente de modo intelectual, mas também experimental — de modo que possamos ter comunhão com a pessoa viva do Senhor ressurreto. Porque Cristo morreu, ressuscitou, ascendeu aos céus — e podemos ter comunhão com Ele agora e eternamente.

 

 

 

Amém.

 

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