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♥ O amor Infinito ♥

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♥ O amor Infinito ♥

"Ameis uns aos outros"

De que maneira prática podemos julgar a verdade de uma afeição?
Existe um teste prático.


Se é o infinito que você ama, seu amor pode estreitar seu coração? Não, só pode aumentá-lo. Se o seu amor não alarga o seu coração, se o estreita em vez de abri-lo, então não é o amor verdadeiro, pois o verdadeiro amor deve abrir o coração a todo o universo e torná-lo infinito no sentido universal da palavra.
Cada vez que um amor, ou uma amizade, fecha você sobre si mesmo e o torna egoísta, é a você mesmo que você estando amando, não ama de modo infinito.

Existe perigo em amar?
Existe o perigo de não amar verdadeiramente!

O que devemos fazer quando vemos que o amor é uma armadilha?
Jamais devemos renunciar ao amor por causa dos perigos de amar, pelo contrário, devemos amar mais, amar mais sinceramente, mais profundamente, tentar entrar na verdade do amor e, por fim, começar a amar.
Devemos nos esforçar sempre para fazer do amor uma dádiva - uma dádiva de Deus. Nunca somos proibidos de amar. Só nos é pedido que amemos verdadeiramente. Na verdade, poderia ser dito: “Amar é dar a Deus”.

Maurice Zundel

 

Sobre o Amor

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John Wesley



Pregado em Savannah (USA)
20 de Fevereiro de 1736

'E ainda que distribuísse toda minha fortuna, para o sustento dos pobres; ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria'. (I Cor. 13:3)

(1) Existe uma grande razão para temer o que irá, de agora em diante, ser dito da maioria dos que estão presentes aqui; já que essa Escritura, tanto quanto todas aquelas que vocês ouviram antes, não teve proveito algum para vocês. Alguns, talvez, não foram sérios o suficiente para atenderem a ela; alguns que a atenderam, não acreditaram nela; alguns que acreditaram, pensaram que seria difícil praticarem-na, e então, ela foi esquecida, tão logo puderam; e, daqueles poucos que a receberam alegremente, por um tempo, alguns não tendo raiz de humildade e auto-abnegação, quando perseguidos, levantaram-se, por causa da palavra, e preferivelmente, a sustentarem-na, definharam. Mais ainda: mesmo os que atenderam a ela; os que acreditaram e os que se lembraram, receberam-na, tão profundamente, em seus corações, que ela criou raízes, tanto quanto suportou o calor da tentação, e começou a produzir os frutos; ainda que não todos os frutos da perfeição. As inquietações e prazeres do mundo, e o desejo de outras coisas, (talvez, não tivessem caído, até então) cresceu com a palavra e a sufocou.

            (2) Nem eu, que prego a Palavra de Deus, estou mais seguro desses perigos do que vocês que a ouvem. Eu, também, tenho de lamentar 'um coração mau da descrença'. E, quando quer que Deus permita que a perseguição se erga; ela seja apenas um relance de reprovação, eu sou o primeiro a ser afligido. Ou, se eu estou capacitado para apoiá-la, ainda assim, ele largaria as inquietações do mundo sobre mim, e o desejo de outras coisas (preferivelmente, a conhecê-lo e amá-lo), e eu certamente seria subjugado, e, tendo pregado para outros, eu mesmo seria um indivíduo abjeto.     

            (3) Por que, então, eu prego essa Palavra, afinal? Porque um desígnio do Evangelho foi confiado a mim; e, o que quer que eu venha a fazer amanhã, eu não sei; mas,  hoje, eu irei pregar o Evangelho. E, com respeito a você, minha incumbência é: "Filho do homem, eu o enviei a eles; e você deve dizer-lhes: 'Assim diz o Senhor teu Deus...'; quer ouçam, quer evitem ouvir".

(4)  Assim diz o Senhor Deus: 'Não importa quem tu sejas, deves guardar os mandamentos'. (com esse objetivo, 'acredita no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo'). Não desiste de te reunir, em conseqüência da maneira como alguns são'. Em segredo, igualmente, 'ora ao teu Pai que vê no oculto', e 'derrama teu coração diante dele'. Faça de minha palavra 'uma lanterna para teus pés, e a luz para teus caminhos'. Mantém isto, 'em teu coração, e em tua boca; quando tu te sentares em tua casa; quando tu caminhares; quando tu te deitares, e quando tu te levantares. 'Volta para mim, com jejum', também em oração; e, em obediência ao teu Redentor, comendo daquele pão e bebendo daquela taça; 'anuncie a morte do Senhor, até que ele venha'. Pelo poder que tens recebido do alto, por esses meios, faze todas as coisas que estão prescritas na Lei, e evita todas as coisas que são proibidas nelas. Sabendo  que, se afligires, em algum ponto, serás culpado de todos os outros'. 'Não te esqueças de fazer o bem, e distribuí-lo'; sim, enquanto tens tempo, faze todo o bem que puderes a todos os homens, Então, 'nega-te, toma a tua cruz diária'; e, se chamado  para isto, 'resista no sangue'. E, quando cada um de vocês puder dizer: 'Tudo isto eu tenho feito',  então, que ele diga a si mesmo, além disso, (palavras das quais, não somente alguém como Felix se estremeça; também a mais santa alma sobre a terra). 'Ainda que eu distribuísse toda minha fortuna, para o sustento dos pobres; ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria'.

Concerne grandemente a todos nós sabermos:

            I. O completo sentido daquelas palavras: 'Ainda que eu distribuísse toda minha fortuna, para o sustento dos pobres; ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado';

            II. O verdadeiro significado da palavra amor;

            III. Em que sentido ela pode ser dita, que 'sem amor, nada disso me aproveitaria'.


I

A respeito do primeiro: Deve-se observar que a palavra usada por Paulo significa propriamente dividir em pequenos pedaços, e, então, distribuir o que foi assim dividido; e, conseqüentemente, implica, não apenas, privar-nos, imediatamente de todos os bens mundanos que desfrutamos, tanto de um ataque de desagrado para com o mundo, quanto de um começo repentino de devoção, mas um ato de escolha, e esta escolha calmamente e firmemente executada. Ela pode implicar, também, que pode ser feita, não abrindo mão da vaidade, mas, partindo de um princípio correto, ou seja, de um objetivo de executar a vontade de Deus, e um desejo de obter Seu reino. Pode-se observar mais além que a palavra significa atualmente entregar uma coisa de acordo com a concordância; e, concordantemente, isto implica, como a palavra precedente, não uma ação precipitada e impensada, mas uma constituída com olhos abertos, e um coração determinado, concorde com a resolução tomada anteriormente. O sentido completo das palavras, entretanto, é esse: que ele que tem olhos para ouvir, que ouça:

'Embora eu dê todas as provisões de minha casa, para alimentar o pobre; embora eu aja assim, através de uma escolha madura e deliberação; embora eu passe minha vida, distribuindo isto a ele, com minhas próprias mãos, sim, e isto por um princípio de obediência; embora eu deva estar sujeito, pelo mesmo ponto de vista, não apenas à reprovação e vergonha, não apenas às algemas e  prisão, e tudo isto, através de minha própria ação e declaração continuada, não aceitando livramento, mas, mais do que isto, entregando-me à morte, — sim, a morte imposta, na maneira mais terrível para a natureza; ainda assim, apesar de tudo isto, se eu não tivesse amor (o amor de Deus, e o amor a toda humanidade, derramando0se por todo meu coração, através do Espírito Santo dado a mim'), nada disso me aproveitaria'.

II


Vamos inquirir o que esse amor significa — qual o verdadeiro significado desta palavra: Nós podemos considerá-la, tanto em suas propriedades quanto em seus efeitos: E não estaremos debaixo de possibilidade alguma de erro, se, afinal, não buscarmos o julgamento de homens, formos até o próprio nosso Senhor para um relato da natureza do amor; e os efeitos dele, ao seu Apóstolo inspirado.

O amor, que nosso Senhor requer, em todos seus seguidores, é o amor de Deus e homem — de Deus, por causa do homem; e do homem, por causa de Deus. Agora, o que é amar a Deus, a não ser alegrar-se nele. Regozijar-se na sua vontade, e desejar agradá-lo continuamente, para buscar e encontrar nossa felicidade nele, e  ansiar, dia e noite, por uma alegria mais completa no Senhor?

Quanto à medida desse amor, nosso Senhor nos tem falado claramente: 'você deve amar o Senhor seu Deus com todo o seu coração'. Que você não deve amar ou se deleitar em quem quer que seja, a não ser ele: Uma vez que ele nos tem ordenado, não apenas para amarmos o nosso próximo, ou seja, todos os homens, como a nós mesmos; — desejarmos e buscarmos a felicidade deles, tão sinceramente e firmemente como a nossa própria , — mas também para amarmos muitas das suas criaturas, no sentido mais estrito; deleitarmo-nos neles, alegrarmo-nos com eles: Apenas, em tal maneira e medida, como nós sabemos e sentimos; não para nos indispormos, mas para nos prepararmos para a alegria Nele. Assim, então, nós poderemos dizer que amamos a Deus com todo nosso coração.

Os efeitos ou propriedades do amor, o Apóstolo descreve em um capítulo, diante de nós. E todas essas sendo marcas infalíveis, por meio das quais, qualquer homem pode julgar por si mesmo, se ele tem esse amor, ou não; marcas estas, que merecem toda a nossa mais profunda consideração.

'O amor é paciente',  ou é longânime. Se você ama seu próximo, por causa de Deus, você irá suportar generosamente todas as suas fraquezas: se falta a ele sabedoria, você deverá ser misericordioso, e não menosprezá-lo. Se ele cair no erro, você irá suavemente esforçar-se para recuperá-lo, sem qualquer indelicadeza ou reprovação: se ele for surpreendido em uma falta, você irá trabalhar para recuperá-lo, no espírito de humildade: E, se, por acaso, isto não puder ser feito logo, você deverá ser paciente com ele; e esperar que Deus, possivelmente, o traga para o conhecimento e o amor da verdade. Em todas as provocações, tanto da fraqueza, ou da malícia dos homens, você deve mostrar-se como um padrão de gentileza e mansidão; e, sejam elas tão freqüentemente repetidas, não seja dominado pelo mau, mas supere o mal com o bem. Não permite que homem algum engane você com palavras vãs: Quem quer que não seja assim longânime, não tem amor!

Novamente: 'O amor é gentil'. Quem quer que sinta o amor de Deus e homem, derramando em seu coração, sente um desejo ardente e ininterrupto de buscar a felicidade de seu próximo. Sua alma derrete-se no desejo fervente que ele tem de continuamente promover isto; e fora da abundância do coração, sua boca fala. Em sua língua está a lei da delicadeza. A mesma delicadeza está impressa em todas as suas ações. A chama continua espalhando-se, mais e mais, em todas as circunstâncias de boa-vontade para com todos aqueles com que ele tem de conviver. De modo que, o que quer que ele pense ou fale; ou o que quer que ele faça, tudo segue a mesma finalidade — alcançar, de todas as maneiras possíveis, a felicidade de todas as criaturas. Não engane, pois, a sua própria alma: Quem quer que não seja assim gentil, não tem amor!

Mais ainda: 'O amor não sente inveja'. Isto, realmente, está implícito, quando é dito, 'O amor é gentil'. Já que gentileza e inveja são inconsistentes: eles não podem habitar conjuntamente; assim como a luz e a escuridão. Se nós desejamos sinceramente a felicidade de todos, nós não podemos ficar afligidos pela felicidade de alguém. O cumprimento de nosso desejo será como doce para nossas almas; muito longe de sofrermos por causa disso. Se nós estamos sempre fazendo todo o bem que podemos ao próximo, e desejando que pudéssemos fazer ainda mais, é impossível que lamentemos qualquer bem que ele receba: De fato, isto será motivo de muita alegria em nosso coração. Embora possamos adular a nós mesmos, ou uns aos outros, quem quer que sinta inveja, não tem amor!

Segue-se que 'o amor não trata com leviandade'; ou melhor, não é impulsivo ou apressado no julgamento: Já que este é, de fato, o verdadeiro significado da palavra. Quem ama seu próximo, pela causa de Deus, não irá facilmente receber uma opinião doentia de alguém para quem ele deseja todo bem, espiritual, ou temporal. E não poderá condená-lo, em seu coração, sem evidência; ou, através de uma evidência fraca, ou, tampouco, por qualquer que seja a evidência, sem, primeiro, se possível, tê-lo face a face, e deixá-lo falar por si mesmo. Cada um de vocês sabe que não se pode agir, a não ser dessa forma, com respeito a alguém a quem se ama ternamente. Porque aquele que não age assim, não tem amor!

Eu mencionarei apenas mais uma das propriedades desse amor: 'O amor não se ensoberbece'. Você não pode causar prejuízo a alguém que você ama: Por conseguinte, se você ama a Deus com todo seu coração, você não pode assim ofendê-lo, como a despojá-lo de Sua glória, tomando para si o que é devido a Ele somente. Se você possui tudo que você tem, e tudo que você tem, é dele, então, você nada tem. Ele é sua luz e sua vida; sua força e seu tudo; e você não é nada; sim, menos do que nada, diante dele. E se você ama seu próximo, como a você mesmo, você não será capaz de vangloriar-se diante dele. Mais ainda, você não será capaz de menosprezar quem quer que seja, mais do que odiar a ele. (Ao contrário, você irá considerar cada homem melhor do que si mesmo). Assim como a cera se derrete diante do fogo; assim, o orgulho se derrete diante do amor.Toda arrogância, do coração, palavras, ou comportamento, desaparece, onde o amor prevalece. Ele coloca abaixo o olhar soberbo daquele que alardeia sua força, e o faz como uma criancinha; acanhado de si mesmo, desejoso de ouvir, feliz por aprender, facilmente convencido, facilmente persuadido. E quem quer que esteja assim inclinado, por outro lado, que ele desista de toda esperança vã. Quem quer que assim se ensoberbeça, não tem amor!


III

Resta inquirir, em que sentido, pode ser dito que 'E ainda que distribuísse toda minha fortuna, para o sustento dos pobres; ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria'.

O principal sentido das palavras é, sem dúvida, este: que o que quer que façamos, e o que quer que soframos, se não formos renovados, no espírito de nossa mente, pelo 'amor de Deus que se derrama em nossos corações, pelo Espírito Santo que foi dado a nós',  nós não poderemos fazer jus à vida eterna. Ninguém o fará, a menos na virtude da aliança que Deus nos tem dado junto ao homem, no Filho de seu amor.

Mas, porque as verdades gerais estão menos aptas a nos afetarem, vamos considerar uma ou duas particularidades: com respeito ao que todos nós podemos fazer ou suportar, se nós não tivermos amor, nada disso terá proveito. Primeiro, que tudo, sem amor, nada se aproveitaria, de maneira a fazer a vida feliz; nem, em segundo lugar, para tornar a morte confortável.

(1) Em primeiro lugar: sem amor, nada poderia ser de proveito para tornar nossas vidas felizes. Pela felicidade, eu quero dizer, não o prazer débil e trêmulo, que talvez, comece e termine na mesma hora, mas tal estado de bem-estar, que contenta a alma, e dá a ela uma firme e duradoura satisfação. Mas que nada, sem amor, pode ser de proveito para nós, uma vez que nossa felicidade presente irá aparecer dessa simples consideração: você não pode ter escassez dele, em qualquer circunstancia simples, sem dor; e quanto mais você se afasta dele, maior será a dor.

Você tem carência de longanimidade? Então, quanto mais você se frustrar quanto a isso, mais frustrado você estará quanto à felicidade. Quanto mais os temperamentos opostos — raiva,  mau humor, vingança — prevalecerem, mais infeliz você será. Você sabe disso; você sente isto; nem poderá a tempestade ser acalmada; ou a paz alguma vez retornar à sua alma, a menos que a mansidão, gentileza, paciência, ou, em uma palavra, amor, tomem posse dela. Algum homem encontra em si mesmo, má vontade, malícia, inveja, ou qualquer outro temperamento oposto à delicadeza; então, a miséria lá se encontra; e quanto mais forte esse temperamento for, mais miserável ele será. Se disserem que o homem indolente pode comer sua própria carne, muito mais  o malicioso ou invejoso. Sua alma é do mesmo tipo do inferno ; —cheia de tormento, tanto quanto de maldade. Ele já tem o verme que nunca morre, e está se apressando para o fogo que nunca poderá ser extinto. Apenas como o grande abismo não está fixado entre ele e o céu; como já existe um Espírito pronto para ajudá-lo, em suas enfermidades; quem ainda está desejoso, se ele estender suas mãos, em direção aos céus, e lamentar sua ignorância e miséria, de purificar seu coração das afeições vis, de renová-lo no amor de Deus, e, então, conduzi-lo, através da felicidade presente, para a felicidade eterna. 

(2) Em segundo lugar: sem amor, nada poderia tornar a morte confortável.

Por confortável, eu não quero significar estúpida, ou insensível. Eu não poderia dizer que morreu, confortavelmente, aquele que morreu por apoplexia, ou por um tiro de canhão, não mais do que aquele que, tendo sua consciência endurecida, morreu tão indiferente, quanto os animais, do que aquelas bestas que perecem. Nem eu acredito que você invejaria o conforto de alguém que morresse louco. Mas, por uma morte confortável, eu quero dizer, uma passagem calma da vida, cheia, até mesmo, da paz e alegria racionais. E tal morte, toda a ação e todo o sofrimento, no mundo, não podem dar, sem amor.

Para tornar isto ainda mais evidente, eu não posso apelar para sua própria experiência; mas eu posso apelar, para aquilo que eu tenho visto, e para as experiências de outros. E eu vi duas pessoas morrendo, no que podemos chamar de uma maneira confortável; embora que não com o mesmo conforto; já que uma tinha mais amor do que a outra. Apesar de todo sofrimento, uma delas deu graças a Ele, por tudo, dizendo 'Todo o tempo será perdido, se não pensarmos no céu. Meu amado Salvador dominou todos os inimigos. Ele está comigo, e eu nada temo'.

Nelas pudemos observar que não havia mistura de qualquer paixão ou temperamento contrário ao amor; por conseguinte, não havia miséria; com o amor perfeito tendo lançado fora o que poderia ocasionar tormento. A ausência do amor obscurece a alma, e não existe nem paz, nem conforto nela. E quem quer que tenha a mesma medida de amor, sentirá a mesma paz, em seus momentos finais.

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Comentario do Autor do Blog: A falta de amor cristão é um grave erro que se perpetua em nossos dias. Infelizmente muita gente que se diz cristã apenas vive para "ferrar" com a vida alheia, essa apostasia dos sentimentos apenas sinaliza que muitos que professam a Cristo possuem mesmo é a marca de Caim.


Clavio J. Jacinto


PORQUE SER POBRE DE ESPIRITO?

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Pobres de Espírito (Mateus 5:3)

A primeira descrição que Cristo faz de um homem piedoso e cidadão do Reino, é que ele será pobre de espírito (Mateus 5:3) a questão da essência dessa descrição choca-se com o estilo de vida da cristandade moderna. O coração que ama as coisas espirituais não se prende ás coisas materiais. É verdade que temos aqui um amplo aspecto espiritual, interior, que parte do coração do homem regenerado, mas todo o sermão da montanha tem no seu todo, implicações interiores e exteriores, e isso de forma profunda de modo a impactar o homem de Deus. Nossa visão a respeito do Reino de Deus deve transcender a visão desse mundo passageiro.  Assim como nossa visão a respeito de Deus também deve transcender a visão que temos a respeito de nós mesmos. Aqui temos a ênfase cristalina do Mestre de Nazaré o Divino Salvador, da pobreza de espírito, todo o verdadeiro cristão é um mendigo, ele é um completo dependente da graça de Deus. Qualquer um que rejeite essa noção do ser espiritual deve rever seus conceitos, pois sai fé é um equivoco. Somos dependentes da graça e da providencia divina durante todo tempo, a seqüência é uma vida debaixo da soberania completa do Rei, sem esses fatores não há nenhuma realidade espiritual que possamos experimentar dentro do Reino de Deus. Simplicidade, humildade, desprendimento das coisas terrenas, uma mordomia sabia e sensata, a vida no seu todo como um sacrifício vivo de inteira dependência de Deus. Quem vive assim hoje? Somos chamados a viver dentro de um sistema glamorizado, empresarial, de ostentação, orgulho, disputas. O materialismo é a matiz que tinge a cor da cristandade da maioria dos professos de hoje. O perfil desse cristianismo pouco tem a ver com o estilo de vista de Cristo. Em Cristo há aquele contato permanente com os excluídos, com os fracos, com os doentes, com os descriminalizados,  até no ultimo instante Cristo está lá ao lado de um ladrão na cruz, ligar que a maioria rejeitaria, pela vergonha e pela encenação póstuma de que um ladrão não tem nada a oferecer, ainda mais um pregado em uma cruz. O pobre de Espirito é aquele que entende a miséria humana e estende a mão para tentar resgatar alguns das abissais condições que chega um ser humano. Se as riquezas desse mundo falarem mais alto do que o evangelho, então nosso coração ficará completamente surdo para a verdade. Cristo tinha sua alma apegada à dor humana, tinha seu coração repousado nas recamaras sangrentas do tormento humano, estava pregando ao rejeitado que rejeitava o evangelho, tocando nas feridas dos mortais. Uma alegria que flui das fontes superficiais das coisas desse mundo revela apenas o estado miserável da alma que a usufrui. Mas suas mãos eram puras, nenhum leproso espiritual tem o direito de tocar nas feridas emocionais alheia. Mas Cristo tinha mãos imaculadas e comissionou os seus seguidores a curar a humanidade caída, os filhos de Adão submersos das chagas do pecado, e ninguém mais que Cristo revelou de forma correta o quanto o homem sofreu emocional, espiritual , psicológico e fisicamente com a queda. Não podemos nos desviar desse caminho, é nele que vamos encontrar sempre as pegas daquele que decidimos seguir.  A pobreza espiritual é uma afronta a todo o ego auto-suficiente, é uma ofensa ao coração independente. Estejamos cientes dessa pobreza como condição espiritual fixa, pois ela é a nossa marca distintiva, estamos seguindo os passos de Cristo (I Pedro 2:21) então, a conclusão é que somos peregrinos que atravessam o caminho das coisas passageiras para ir de encontro ás coisas que permanecem.


CLAVIO J. JACINTO

Coragem

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Niilismo ou Esperança Cristã

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O escritor José Saramago certa vez escreveu que “A historia da humanidade era uma tragédia completa”. Ler um livro como “O Estrangeiro” de Albert Camus, é perceber como o curso do abismo da vida sem sentido é caudaloso em meio a humanidade. O Niilismo afeta o mundo moderno, a crença superficial tem sido o combustível que os niilistas usam para atacar a arruinar com a fé cristã, por outro lado é a firmeza na fé e as convicções fortes, o antídoto contra a tristeza da alma. Cristãos imaturos aprovam a bondade de Deus na benção e questionam o caráter de Deus nas aflições.  Nenhum livro mergulha mais profundo na dor humana do que o livro de Jó, e se queres entender o sacrifício de Cristo por nós, multiplique as dores de Jó milhões de vezes e então lance sobre Cristo, a partir daí, começarás a entender o que foi a obra cruz, porque a dor de Jó foi a dor de um homem, mas a de Cristo foi de todos os homens e por todos os homens. Aqui está a entrada para a espiritualidade verdadeira e o descanso na obra de Cristo e na pessoa bendita do Salvador. Devemos enfrentar a vida, as lutas, as nossas lagrimas serão enxugadas (Apocalipse 20:4) não é estranho e nem contraditório um cristão sofrer e chorar, não é uma contradição, porque a bíblia fala claramente sobre isso. Jesus Cristo e os apóstolos nunca se omitiram de falar sobre isso, aliás, não era somente um fato aceitável, como também uma condição aceitável. Na verdade, a fé e o descanso no Senhor deve nos conduzir para muito além do tempo presente, deve nos conduzir permanentemente para dentro dos propósitos de Deus na eternidade. Quando morre um ente querido salvo, não há perda, apenas separação de acordo com os níveis existenciais, quando há  dores emocionais e aflições e tribulações, algo está em processo dentro da nossa vida, Deus usa isso como método de  aprimoramento e crescimento espiritual.  Isso é difícil de compreender, portanto deve ser aceito com a fé. Tudo o que acontece por permissão de Deus e não por conseqüência de nossas escolhas e ações erradas, estão dentro da vontade soberana de Deus, testada está a sua fé por esse caminho sagrado, a luz da glória do evangelho resplandece mais por essa via, porque conseguindo ver a realidade espiritual além da física, é como ter os olhos sobre a escuridão da meia noite, com a convicção absoluta de que adiante está o resplandecer da aurora. Assim olhamos para a morte que nos rodeia, todavia o coração está fixo e irremovível na ressurreição e na vinda de Cristo. Enquanto que as aflições do tempo presente conduzem o coração ao vale das lagrimas, o mundo vindouro estabeleceu pra sempre a restauração de toda a beleza eterna. As flores murcham na primavera da vida  não nos campos celestiais. “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (II Coríntios 4:17) a leve tribulação da vida, por mais pesada que seja aos ombros de uma vida limitada pelas circunstancias terrenas, é a produtora do peso da glória eterna. Ela existe, a dor é a catapulta que lança as sementes das consolações eternas na Nova Jerusalém, é o arado que rasga a vida terrena, para que seja semeada as glórias celestiais, o mesmo tumulo que é cavado, para guardar o corpo de um salvo, também é o canteiro do florescimentos da imortalidade, é isso que Paulo está dizendo nessa passagem de II Coríntios. Você consegue ver que existe a tribulação permissiva para que haja a gloria necessária? Entendemos isso? Aqui não jaz uma filosofia de vida, são os fatos do Novo Testamento, fatos reais selados pela obra de Cristo e a sua ressurreição,. Dias atrás preguei em certo lugar e citei essa passagem de Paulo, estava pregando sobre um tema difícil, o sofrimento na vida humana e o propósito das aflições na vida do cristão. Não é fácil fazer uma abordagem temática sobre a teodiceia para a igreja pós moderna, cheia de gente atraída por um falso conceito sobre a dor e a vida cristã autentica, a sociedade hedonista e as filosofias que carregam esses aspectos, influenciou muitos pregadores e escritores, e de fato criou falsos ensinos, verdadeiras heresias sobre o sofrimento e a dor, de sorte que conheço muitas pessoas decepcionadas pela fé cristã, porque certos pregadores lhes ofereceram paliativos falsificados, placebos espirituais, prometendo a cura e a resolução dos problemas da vida em um toque de mágica, caso aceitassem a fé cristã. O que de fato não ocorreu, e de certa forma, se a pessoa ao se converter e tornar-se uma nova criatura, não tiver uma visão ampla das realidades espirituais contidas em Cristo, perecerá no caminho da decepção “Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que não se vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que não vêem são eternas” (II Coríntios 4:18). O verdadeiro cristão não pode fixar seus olhos nas aflições que passam, na dor inserida no mundo, nos sofrimentos momentâneos, o que passamos aqui, mesmo a de Jó, numa perspectiva do Novo Testamento, é uma leve e momentânea tribulação, isso pode ser muito ilógico para alguns, mas se medirmos as aflições da vida com a eternidade, elas são lapsos, fragmentos imediatos da existência, e nada mais que isso. Assim, somos chamados a ver o invisível, pelos olhos da fé, olhar para as consolações eternas, quando na janela da vida, lá fora vimos o frio das tribulações, devemos também olhar os campos que irão florescer quando gelo derreter. Se a tarde leva a luz do sol, e a escuridão chega sobre nossos olhos, fixemos os olhos na noite, pois sobre ela, nascerá a estrela da manhã. Quando a terra se fende com lamina do arado, ela tem o custo do suor do lavrador, que arando a terra, na força de seus braços, cava os sulcos e semeia o trigo, de certa forma, jogar sementes debaixo da terra é uma perda. Durante muitos anos, meu pau foi lavrador, quando chegava a época do plantio do feijão, aqueles grãos que dariam uma boa feijoada, era jogado debaixo da terra, isso não era uma perda? Porém com o passar do tempo, a semente germina, a planta cresce e floresce, há um processo até a frutificação e a maturação. Nenhum lavrador joga a semente debaixo da terra, e imediatamente chora sobre a cova, porque perdeu a semente, ele sabe que ela germinará e terá uma colheita abundante, sua fé repousa sobre uma plantação verdejante cheia de frutos, ainda que esteja diante dele uma terra cheia de covas escondendo sementes, é assim o repouso da fé, esse repouso não pode colocado sobre promessas humanas homens, nem mesmo sobre vãs filosofias, não pode ser colocada sobre as criaturas, deve sim ser colocada sobre as promessas do Novo Testamento, deve ser colocada sobre a pessoa do Bendito Salvador, nosso Senhor Jesus Cristo, pois em Cristo encontramos o balsamo para nossas feridas, Ele é a fonte que nos dá a água pura refrescante e cristalina, para saciar a nossa sede existencialista, sobre Cristo e somente sobre Ele deve repousar a nossa fé e a nossa confiança “tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6) “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Crosto que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dente os mortos” (I Pedro 1:3)

Conclusão: A vida tem sentido, ela não tem direção para quem não crê em Deus e em seus propósitos, mas ela tem sentido e direção para quem crê e confia em Cristo, para o incrédulo, o sentido da vida é viver e morrer, para o cristão o sentido da vida é servir e amar, primeiramente a Deus e depois ao próximo. Todo o materialismo reducionista propagado por quem acredita num universo mecânico, cego e fatalista, precisa abraçar o absurdo em absoluto, e por esse caminho ninguém jamais pode encontrar a verdadeira sabedoria.

Clavio J. Jacinto


A DOUTRINA DO AMOR DE DEUS E OS PECADORES

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Você já ouviu aquele jargão evangelístico “Deus odeia o pecado, mas ama os pecadores”? Ou ainda este “Jesus te ama”?  Será que podemos usar essas frases com objetivos evangelísticos? Será verdade que Deus odeia os ímpios e pecadores, ou será que Ele os ama? Primeiro deixe me responde que o método bíblico de evangelismo é proclamar que o homem é pecador e que deve se arrepender de seus pecados,  crendo na perfeita e consumada obra de Cristo na cruz. (Marcos 1:15, Mateus 21:31 e 32, Lucas 24:47, Atos 2:36 a 38 e 20:21 e II Timóteo 2;25 e 26).  A seguir vamos observar o cerne da questão desse artigo. A idéia de que Deus odeia todos os pecadores, tem sido promovida em nossos dias. Essa interpretação teológica afirma que é errado afirmarmos de Deus odeia os pecadores e não os ama. É lógico que a idéia se baseia em uma interpretação alguns textos das Escrituras, afinal de contas há muitas passagens que confirmam isso. Então se juntarmos todas elas, o resultado será de fato uma conclusão de que Deus, de alguma maneira, odeia todos os pecadores. Os principais textos que corroboram essa idéia são:  Salmos 5:5 e 6, 11:4 a 7, etc. Essa é uma idéia proclamada por  muitos calvinistas, e é motivada pela exaltação da santidade de Deus e a extrema pecaminosidade do homem,  esse é um tema um tanto polemico, primeiro porque muitos calvinistas com muito acerto exaltam a santidade e a soberania de Deus, cada pecado é uma ofensa contra de Deus e só vai existir pecado se existir pecadores. Por isso mesmo o ódio de Deus não deve se estender somente ao ato, mas também ao autor. Aqui estamos diante de um tema muito difícil, eu creio algumas frase e jargões como os citados acima, proclamados  com o intuito de evangelizar e amenizar a mensagem do evangelho estão completamente errados, nisso eu concordo plenamente com aqueles que afirmam que a igreja moderna adaptou a mensagem do evangelho, tornando-a bem suave para pregar sem ofender e tornar-la  agradável aos ouvidos dos homens perdidos. Concordo plenamente com isso. Temos que pregar que o pecado ofende que o inferno é uma realidade, e que o caminho da perdição é largo e a maioria dos homens irão para lá. Não há duvida de que isso raramente é pregado hoje. Mas o cerne da questão é:  Deus ama ou odeia os pecadores? Há passagens claras de que o homem foi alvo do ódio santo de Deus, (Êxodo 32:33 a 35, Levitico 10:1 a 7 etc.) há declarações explicitas de que o homem foi alvo do amor de Deus (João 3:16, Romanos 5:8 II Coríntios 5:19 a 21, Tito 3:4 I João 4:9 a 10, I João 4:19 ) Como conciliar esses opostos? . É certo afirmar que Deus odeia universalmente e incondicionalmente o homem pecador? A  resposta é  não! E vou explicar os motivos.
Primeiro: A bíblia afirma que Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho, alguns argumentam que o verbo está no passado; Amou. Porém  Deus não muda (Malaquias 3:6) então ele continua amando porque Deus é amor, veja bem, há um texto clássico sobre o assunto em I João 4:7 a 21. Nesse texto, João aborda o tema, e encontramos ali o ensino claro de que Deus é amor (Verso 8 e 16) o amor é de Deus (verso 7) Ele nos amou a nós (verso 9) nos amou (verso 10) nos amou primeiro (verso 19) Agora vejamos Romanos 5:8: “ Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” Quando Deus provou Seu o amor por nós? Em que condição esse amor foi provado? Quando a nossa condição espiritual era de miseráveis pecadores. Nessa condição Deus nos amou, então aqui temos uma prova irrefutável de que Deus ama uma pessoa na condição de perdido pecador.  Isso está muito claro, ainda que alguém creia na doutrina da eleição, ainda assim, a maneira como o amor de Deus alcança uma alma é em estado de pecaminosidade.  É claro que a nossa condição de miserabilidade não pode ficar de fora do assunto, a misericórdia e a longanimidade de Deus é um assunto vital aqui, Isaias 53:6 I Pedro 3:18 Tito 3:5 e Efésios 2:8 e 9 revelam que a graça de Deus nos alcançou e por isso a luz do evangelho ilumina o nosso coração.  Nós temos percepção de que somos amados  Deus por causa do seu amor, O Papai celestial deu o seu Filho para morrer por nós  e alcança a nossa miséria, cura nossa cegueira espiritual e nos alcança nos baixos níveis do vale das sombras da morte, lugar normal de um perdido nesse mundo(I João 3:16) Por isso mesmo, entendo que na condição de um deplorável perdido, o amor de Deus se manifestou a mim, de outra forma seria eu consumido pela sua ira justa (Lamentações 3;22) A base da clemência divina é o seu amor, a base da redenção é a sua graça, a base da sua longanimidade é a sua misericórdia.

Segundo. Há certas condições que de fato, o ódio de Deus recai sobre os homens e isso é uma verdade bíblica indiscutível, é bem provável que textos como Salmos 5:5 a 7 de encaixem perfeitamente nessas condições.  Não tenho duvida que em casos de estágios bem avançados de pecaminosidade, a paciência  e o amor de Deus se esgotam, e a punição torna-se irreversível. Deus não amou os que pereceram no dilúvio, isso é muito certo, eles pereceram debaixo da ira e do juízo de Deus, da mesma forma, os homens de Sodoma e Gomorra, eles pereceram debaixo do juízo e da ira de Deus, “Mas quero lembrar-vos que, como a quem já uma vez soube isto, que, havendo, o Senhor salvo um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu depois os que não creram”(Judas 1:5) aqui está a ira de Deus em operação contra a iniqüidade e seus praticantes, Judas também fala sobre os anjos caídos e Sodoma e Gomorra e as cidades vizinhas que foram alvos da ira divina (Veja Judas 1;6 e 7) Pedro também fala sobre os anjos caídos que não foram perdoados, o mundo antigo que sofreu o juízo divino do dilúvio e cita também Sodoma e Gomorra como alvo da ira santa do Senhor (II Pedro 2:4 a 6) aqui nesses casos temos a ira de Deus consumindo os pecadores. Mas nem sempre é assim, o Senhor envia Jonas a Nínive para proclamar arrependimento, e nesse caso houve uma reação dos ninivitas, eles se converteram de seus pecados, aqui vemos Romanos 5;8 em ação, amando os pecadores em uma situação de grande miséria espiritual. Assim ocorre conosco, se o amor de Deus não alcança um pecador,  como pode ele subsistir na impunidade? Será conduzido aos estágios mais terríveis de iniqüidade, nesse caso aplicam-se dois textos sobre isso:  Romanos 1:24 “Por isso também Deus os entregou as concupiscências de seus corações, a imundícia para desonrarem seus corpos entre si” aqui temos um estagio de iniqüidade em que o pecador é entregue a própria paixão pecaminosa e torna-se alvo do juízo e da ira de Deus, há outra passagem onde o estagio da iniqüidade humana alcança um nível tão imundo que  Deus retira sua misericórdia: “E por isso Deus enviará a operação do erro, para que crêem na mentira”(II Tessalonicenses 2:11) Assim entendemos claramente que em certas circunstancias, é verdade que Deus tira o seu amor do ímpio e a sua ira é aplicada.

Terceiro. Devemos entender que Deus não tem o pecador como amigo, ainda mesmo assim ama o pecador e isso está muito claro quando Paulo escreve aos Efésios :”e vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, segundo o curso desse mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência, entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne e dos pensamentos, e éramos por natureza filhos da ira como outros também. Mas Deus que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor que nos amou, estando nos ainda mortos em ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo”(Efésios 2:1 a 5) Olha a ênfase de Paulo “Pelo seu muito amor que nos amou” quando ele amou assim os pecadores mortos em ofensas em pecados? Quando eram miseráveis pecadores perdidos. Será que Deus mudou seus sentimentos para salvar o homem? Creio que não! Não há sombra de variação em seu caráter (Tiago 1:17) Por isso creio que não é aplicado o amor “Philo” no relacionamento do  Senhor com os pecadores impenitentes.  Nesse caso o único amor é o Ágape,  esse é o amor cujo teor celeste e divino nos capacita a amar os nossos inimigos (Mateus 5:44) e é exatamente dentro do sermão da montanha que encontramos o amor ágape (O mesmo amor de João 3;16) um amor capaz de amar o inimigo, e é exatamente esse tipo de amor aplicado ao Senhor com relação aos pobres pecadores. Quando Jesus ensina que devemos amar os nossos inimigos, ele está ensinando que é exatamente isso o que Deus faz com relação aos pecadores, eles são inimigos de Deus por causa dos pecados, cada um de nós também éramos pecadores separados da glória de Deus, foi através da reconciliação que a barreira da inimizade foi derrubada (Efésios 2:14). É exatamente isso que precisamos entender, todos éramos inimigos, e Deus nunca tem um pecador não regenerado como amigo, pelo contrario é um inimigo, é a redenção que abre o caminho da reconciliação, e de inimigos passamos a ser amigos de Deus (Leia atentamente Romanos 5:10 e 11, II Coríntios 5:18 e 19, Colossenses 1:20 e Efésios 2;16). Assim entendemos que o amor Philo nunca pode ser aplicado na relação entre um Deus santo e pecadores não redimido. Mas o amor ágape, é o amor de João 3;16 e de Mateus 5:44, é o amor misericordioso e complacente que é aplicado aos que estão em desgraça espiritual e são ofensivos com relação a santidade. Dessa forma, Deus ama sim o pecador, é errado dizer que Deus não nos ama, ele  amou a humanidade, e isso inclui a todos em todos os lugares e em todo o tempo (Apocalipse 1:5), seu caráter não tem sombra de variação, em todo o tempo ele continua amando de forma “agape” o pecador, até certo nível isso ocorre, como foi demonstrado acima. Porem há estágios avançados de iniqüidade que de fato o amor de Deus é retirado dos pecadores e o juízo e a ira divina recaem sobre eles.

Terminando assim o assunto, quero reiterar aqui a minha  posição de que não é correto usarmos termos como “Deus te ama” ou que “Deus  odeia o pecado mas ama o pecador” com fins evangelísticos, ou para adocicar a mensagem do evangelho. Tambem não é correto afirmar que Deus odeia todos os pecadores de uma forma absoluta. Com relação a evangelização, somos convocados a proclamar arrependimento, a falar sobre a seriedade do pecado, a gravidade do pecado e a periculosidade que ele apresenta, pois que aos pecadores nos é dito, que se insistirem em seus pecados, ouvirão de um Deus justo as palavras “Apartai-vos de mim  malditos, para o fogo eterno”(Mateus 25:41)

Soli Deo Glória

Autor: Clavio J. Jacinto


O Amor de Deus, Tal como diz as Escrituras

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O que o amor de Deus é: A base do amor de Deus é a sua justiça santa, portanto Ele pune e castiga suas criaturas, o amor de Deus se revela através de sua graça e sua misericórdia, e ganha plenitude completa na redenção, quando envia seu Filho para morrer por nós pobres pecadores. O amor de Deus também se revela na providencia e no cuidado com a criação e com as criaturas (Mateus 5:45) Deus é amor, disse João, e como o amor é rainha das virtudes do evangelho, Deus revela seu amor para conosco quando nos concede dádivas e proteção, supre nossas necessidades e deseja nos resgatar da maldição do pecado, Deus portanto é a essência do amor.

O que o amor de Deus não é: Quando a bíblia afirma que Deus é amor (I João 4:8)isso não significa que Ele tolera o pecado, não significa que Ele não se ira e que não tem repulsa contra blasfêmias e abominações. Somos chamados a considerar a bondade e a severidade de Deus (Romanos 11:22) Vimos nas Escrituras  que Cristo odeia falsas doutrinas (Apocalipse 2:6 e 15) Deus odeia o formalismo religioso (Amós 5:21) A bíblia fala sobre a ira do Cordeiro (Apocalipse 6:16) a ira de Deus faz parte de seu juízo santo (I Tessalonicenses 2:16) haverá um tempo em que a ira de Deus será consumada sobre esse mundo (Apocalipse 16:1 e 19:15) portanto o fato da bíblia declarar que Deus é amor, não significa que Ele é universalista e tolerante para com o pecado e com desobedientes e para com aqueles que rejeitam a Salvação pela graça em Jesus Cristo. Sendo amor, os que rejeitam a salvação ouviram o brado de Cristo: “apartai-vos de mim malditos, para o fogo eterno...”(Mateus 25:41)


Clavio J. Jacinto