Mostrando postagens com marcador Pecado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pecado. Mostrar todas as postagens

A Condição do Homem Adâmico e a Graça de Deus

0 comentários





 

As Escrituras são precisas ao descrever a condição do homem pecador — aquele que se encontra em Adão. Em Efésios 2:1-10, encontramos o diagnóstico espiritual que define a humanidade como espiritualmente morta. Tal estado decorre do que o apóstolo Paulo estabeleceu em Romanos 6:23: "o salário do pecado é a morte". Somado a isso, em Romanos 3:10, afirma-se que não há um justo sequer.              
Consequentemente, essa morte espiritual implica uma separação absoluta entre o homem e Deus, vigente desde a Queda. Após a expulsão do Jardim do Éden, o primeiro casal passou a habitar um mundo inóspito, marcando o início de um distanciamento divino. É a partir desse cenário — fora do Éden — que se origina o berço da civilização como a conhecemos; uma civilização que é, em sua essência, inequivocamente adâmica. O homem, morto em suas ofensas e em seus pecados, pode mover-se, mas move-se em direção ao pecado, e não em direção à santidade. O homem que está morto em seus pecados, sob a condição de um morto espiritual — inativo, um cadáver —, é incapaz de responder aos impulsos divinos. A menos que o Espírito Santo trabalhe em sua consciência, ele é incapaz de responder ao chamado do Evangelho.


​Essa é uma condição precária: uma situação em que o homem se movimenta, tem vontade, impulsos e desejos, mas esses sentimentos sempre o levam para mais longe de Deus e o fazem responder aos próprios instintos da natureza adâmica. De modo que ele é incapaz, por si mesmo, de se achegar a Deus e até mesmo de compreender as coisas divinas.
​Isso porque, em Efésios 2:1-2, é dito que, além da morte espiritual sofrida em sua posição de homem adâmico, o príncipe da potestade do ar opera nos filhos da desobediência. Há um sistema operacional maligno que trabalha na consciência morta do homem, tornando a situação do homem adâmico aterradora e devastadora. Ele jaz em uma condição de morte espiritual."
É fundamental compreender que a raiz das mazelas da humanidade reside no pecado. Diante das constantes indagações sobre a prevalência do mal, das intrigas, do ódio, dos conflitos e das injustiças, a resposta bíblica é inequívoca: a natureza humana é pecaminosa, e esta é a causa primordial de todo sofrimento. A única solução definitiva para essa condição humana é a obra consumada e perfeita de Jesus Cristo na cruz do Calvário.

As Escrituras são claras quanto à fragilidade espiritual do homem. Em 1 João 5:19, somos advertidos de que o mundo inteiro jaz no maligno; em Apocalipse 12:9, vemos a descrição da antiga serpente que continua a enganar as nações; e, em 2 Coríntios 4:4, compreendemos que o deus deste século cega o entendimento dos incrédulos, impedindo que resplandeça sobre eles a luz do Evangelho.

Embora o humanismo, a psicologia e a filosofia tentem negar a existência do pecado, a Bíblia declara que todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus. O pecado é, portanto, a causa raiz de todos os males e traz consequências devastadoras. Diante desse cenário dramático e trágico, a resposta de Deus foi o sacrifício de seu próprio Filho. Por meio de sua justiça e misericórdia, Deus providenciou a única solução capaz de redimir a humanidade: o sangue de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A cruz é a resposta soberana ao pecado, e cabe ao homem, com responsabilidade, acolher essa verdade e responder ao Evangelho.
Torna-se evidente a razão pela qual as Escrituras são tão contundentes ao descrever a verdadeira natureza humana. As inclinações do homem são intrinsecamente corrompidas; a natureza adâmica é, em sua essência, voltada ao mal. O pecado constitui o fundamento de toda injustiça, iniquidade e morte. Tanto a dimensão biológica quanto a psicológica do ser humano encontram-se profundamente contaminadas pelo pecado, resultando, consequentemente, em sua condenação. Esta é a verdade revelada pelas Escrituras, a qual permanece absoluta, ainda que seja frequentemente refutada pela sociedade ou pelo homem natural. É lamentável observar que o pecado tem sido negligenciado, e por vezes omitido, até mesmo no seio de instituições que se autodenominam cristãs. Ao minimizarmos a gravidade do pecado, reduzimos, por extensão, a magnitude da obra redentora de Cristo na cruz. O pecado é uma realidade devastadora que exige enfrentamento e denúncia. Para a resolução desse dilema, não há outro caminho senão Cristo, conforme expresso em 2 Coríntios 5:17: "se alguém está em Cristo, nova criatura é". O homem necessita, impreterivelmente, nascer de novo. Após esse novo nascimento, impõe-se o dever de resistir constantemente à velha natureza adâmica. Esta é a resposta divina: crer em Cristo e, fortalecido por essa fé, rejeitar os impulsos da carne para viver em santidade e justiça.
 Deus tem uma resposta para o pecado — e a Sua resposta é radical. A natureza do pecado é gravíssima: não se trata apenas de uma ofensa contra um Deus santo, mas de algo que traz consequências devastadoras e eternas para o homem. Como podemos observar em Apocalipse, capítulo 20 (e 21), todo aquele que não for achado escrito no Livro da Vida será lançado no lago de fogo. Essa é a terrível consequência que o pecado trouxe para a humanidade. É por isso que, na cruz, manifesta-se a graça de Deus. A palavra "graça" vem do grego charis, raiz da qual também deriva a ideia de caridade, pois Deus é riquíssimo em misericórdia. Enquanto isso, o mundo e as religiões operam pelo sistema de mérito e esforço humano. O humanismo, as filosofias e as diversas religiões proclamam que o homem pode alcançar a eternidade por suas próprias forças. Correntes como o transumanismo e o extropianismo tentam atingir a imortalidade por meio da tecnologia. O homem busca essa imortalidade autônoma, mas tenta ignorar a verdadeira causa da morte eterna: o próprio pecado. Sem resolver a questão do pecado, o homem jamais alcançará a verdadeira vida eterna nem desfrutará do paraíso. Vemos o reflexo disso no cotidiano: por mais que a tecnologia e a ciência avancem, os presídios continuam cheios, os cemitérios seguem recebendo corpos, os leitos de hospitais permanecem lotados e as doenças se alastram. A ciência e o humanismo não conseguem remediar a ferida mais profunda da alma humana. Somente Cristo pode resolver o problema do pecado — e Ele o fez por meio da cruz.

 Todo ser humano nasce sob a condição de condenação, estando, por natureza, sujeito ao juízo divino. Contudo, a justiça de Deus manifesta-se através de Sua bondade, estabelecendo um caminho onde o homem pode ser absolvido de sua sentença. Essa bondade conduz o indivíduo à misericórdia divina, que, por sua vez, viabiliza o perdão dos pecados. Por isso, ao iniciar Seu ministério terreno, Jesus Cristo convocou a humanidade ao arrependimento. O arrependimento sincero, aliado à fé em Cristo, constitui a oferta de Deus para que todo aquele que crê receba a remissão de suas faltas e a promessa da vida eterna.
Conforme exposto anteriormente, a resposta definitiva de Deus à gravidade do pecado manifesta-se no sacrifício de Seu Filho unigênito, entregue à morte no Calvário. Na cruz, Jesus assumiu voluntariamente a condenação destinada ao pecador. A seriedade do pecado é evidenciada pela natureza do sofrimento e pela morte vicária de Cristo, que carregou sobre si as nossas transgressões e suportou as nossas dores. O sangue precioso, imaculado e divino derramado por nosso Senhor é a consequência direta do pecado; ao sofrer o juízo na cruz, Cristo imputou a Sua justiça a todos aqueles que n'Ele creem. Assim, na cruz do Calvário, operou-se a substituição penal: Jesus assumiu a nossa punição e, por meio da fé nesse sacrifício, Deus declara justo aquele que crê.

 Esta é uma mensagem de suma importância: o Evangelho não se limita a anunciar a salvação, mas também adverte acerca da condenação. De que maneira poderemos escapar de um juízo tão severo, caso negligenciemos a salvação que nos é oferecida por meio do sacrifício do Senhor Jesus Cristo na Cruz do Calvário? Como escaparemos, se desprezarmos tão grandiosa salvação?
Eis uma realidade espiritual fundamental: o pecado é uma gravíssima ofensa contra um Deus Santo. Hodiernamente, observa-se uma tendência preocupante de minimizar esse conceito, recorrendo a neologismos que visam suavizar sua natureza. É comum a substituição da palavra "pecado" por "problema", evitando-se, nos púlpitos, a exposição da malignidade inerente às transgressões. Se, no passado, o confronto com a natureza do pecado ofendia apenas os descrentes, hoje, paradoxalmente, a sua exposição gera desconforto até mesmo entre os cristãos. Vivemos tempos críticos, nos quais a negligência em abordar o pecado compromete a percepção da majestade e da santidade divinas, visto que o temor e a reverência a Deus estão intrinsecamente ligados à compreensão da gravidade da iniquidade. Portanto, é imperativo que proclamemos a natureza excessivamente maligna do pecado e suas consequências devastadoras, a fim de que Deus seja devidamente glorificado. Somente por meio do Evangelho de Cristo, Deus oferece a resposta plena e definitiva para a questão e o problema do pecado.

 

 

Pecado: sua natureza, essência e implicações teológicas

0 comentários

 



Introdução

Compreender o pecado exige mais do que uma definição moralista ou comportamental. Biblicamente e teologicamente, o pecado é um fenômeno profundo, estrutural e relacional, que envolve a ruptura do homem com o padrão divino, consigo mesmo, com o próximo e, sobretudo, com Deus. Este artigo organiza, de forma didática e rigorosa, o conceito de pecado a partir de seus fundamentos bíblicos, termos originais, tradições teológicas e implicações práticas, preservando a densidade conceitual necessária para um entendimento fiel às Escrituras.


1. A essência do pecado: desvio do padrão divino

A suma e essência do pecado podem ser descritas como um desvio do padrão divino. Não se trata apenas de atos isolados, mas de uma quebra da norma estabelecida por Deus para a vida humana.

Dentro da tradição cristã, há ênfases distintas:

  • No protestantismo clássico, especialmente na teologia da Reforma, o pecado é essencialmente descrença, incredulidade e falta de confiança em Deus.
  • No catolicismo romano, o pecado é frequentemente associado ao orgulho (superbia), entendido como a elevação da criatura contra o Criador.

Essas abordagens não são excludentes; antes, revelam dimensões complementares do mesmo problema espiritual.


2. O conceito hebraico de pecado

2.1 Errar o alvo: o conceito mais antigo

O termo hebraico mais antigo para pecado carrega a ideia de “errar o alvo”, indicando fracasso, desvio e perda do propósito. Esse erro possui uma natureza tripla:

  • Errar contra si mesmo
  • Errar contra o próximo
  • Errar contra Deus

O pecado, portanto, não é apenas vertical, mas também horizontal e interior.

2.2 Pecado como rebelião

Uma terminologia hebraica mais desenvolvida amplia o conceito, apresentando o pecado como revolta ou rebelião contra Deus. Aqui, o pecado assume seu significado pleno:

  • Iniquidade
  • Transgressão

Essa condição gera um homem ímpio, isto é, alguém cuja vida se encontra em desalinhamento contínuo com a vontade divina.


3. O conceito grego de pecado no Novo Testamento

O Novo Testamento aprofunda ainda mais a compreensão do pecado por meio de termos gregos específicos:

  • Hamartía (ἁμαρτία): desviar-se do padrão divino, errar o alvo estabelecido por Deus.
  • Parábasis (παράβασις): ultrapassar limites, ir além das fronteiras fixadas por Deus, violando conscientemente Seus mandamentos.
  • Anomía (ἀνομία): anomalia moral, vida sem lei, rejeição prática da ordem divina.

Esses termos demonstram que o pecado não é apenas ignorância, mas também quebra consciente, desordem moral e rebelião espiritual.


4. Perspectivas históricas da teologia cristã

4.1 Agostinho de Hipona

Para Agostinho, o pecado consiste em tudo aquilo que é contrário aos princípios divinos. Ele compreende o pecado como uma desordem do amor (ordo amoris), onde o homem passa a amar mais a criatura do que o Criador.

4.2 Tomás de Aquino

Tomás de Aquino descreve o pecado como uma espécie de enfermidade moral e espiritual, uma corrupção da reta razão iluminada pela lei divina.

4.3 Martinho Lutero e João Calvino

Para Lutero e Calvino, a descrença é a essência mórbida do pecado. O homem peca fundamentalmente porque não confia em Deus, preferindo apoiar-se em si mesmo.

4.4 O judaísmo

No judaísmo, o pecado é visto principalmente como atos específicos, e não como um estado ontológico de natureza caída. A ênfase recai mais sobre a prática do que sobre a condição interior herdada.


5. O pecado como natureza adâmica

Biblicamente, o pecado não se limita a ações isoladas. Ele é uma natureza inerente ao homem adâmico, que:

  • O faz errar o alvo
  • Produz escolhas erradas
  • Gera decisões equivocadas

Essa condição resulta em iniquidade, conduz o homem à impiedade e o coloca sob reprovação e condenação diante de Deus. Os atos pecaminosos são frutos de uma raiz mais profunda: a natureza caída.


6. Definições bíblicas de pecado

As Escrituras oferecem definições claras e complementares:

  • 1 João 3:4 – Pecado é transgressão da lei.
  • 1 João 5:17 – Toda injustiça é pecado.
  • Tiago 4:17 – Pecado é deixar de fazer o bem que se sabe que deve ser feito.
  • Romanos 14:23 – Tudo o que não provém da fé é pecado.

Esses textos revelam que o pecado envolve lei, consciência, fé e justiça.

O pecado levará o homem mais longe do que ele quer ir, o manterá por mais tempo do que ele quer ficar e lhe custará mais do que ele quer pagar.


7. Classificações do pecado

A. Pecados de comissão

Fazer aquilo que Deus claramente ordenou que não fosse feito.

B. Pecados de omissão

Deixar de fazer aquilo que Deus ordenou que fosse feito.

C. Pecados de presunção

Assumir o controle da própria vida sem buscar a vontade de Deus, inclusive nas chamadas “pequenas decisões” (Salmo 19:13).

D. Faltas secretas ou pecados de ignorância

Pecados cometidos sem plena consciência. Quando o crente anda na luz, esses pecados são cobertos pela graça, desde que haja obediência e confissão sincera (Salmo 19:12; 1 João 1:7).


8. Confissão, abandono e comunhão

A Escritura é clara quanto ao tratamento do pecado:

  • Confissão é necessária para a manutenção da comunhão com Deus (1 João 1:9).
  • Abandono do pecado é indispensável para experimentar misericórdia e restauração (Provérbios 28:13).

A graça não relativiza o pecado; ela o confronta, o perdoa e transforma o pecador.


Conclusão

O pecado, em sua essência, é uma rebelião contra Deus, um desvio do Seu padrão e uma condição profundamente enraizada na natureza humana caída. Compreendê-lo corretamente é indispensável para entender a gravidade da queda, a necessidade da redenção e a centralidade da graça em Cristo. Uma doutrina fraca do pecado inevitavelmente produzirá uma visão superficial da cruz; uma doutrina bíblica do pecado exalta, por contraste, a profundidade da obra redentora de Deus.

 

 

O artigo foi organizado por IA as idéias centrais e conceitos foram rascunhados e as anotações feitas por  C. J. Jacinto. O Artigo mantém todas as idéias centrais que foram rascunhadas e anotadas através de pesquisas pessoais anotadas ao longo dos anos. O ChatGPT atuou como um amanuense apenas organizando minhas anotações para desenvolver um artigo coeso de acordo com as informações enviadas.

 

A Arte de Vencer a Nós Mesmos - C. J. Jacinto

0 comentários

 





No início do capítulo 5 de Atos dos Apóstolos, somos apresentados à história de Ananias e Safira. Essa narrativa, presente no livro de Atos, apresenta um caso notável sobre o julgamento divino, direcionado a um casal que cometeu um pecado que, sob a perspectiva da visão pós-moderna e de muitos cristãos contemporâneos, pode parecer corriqueiro e desprovido de grande perigo, dada sua natureza aparentemente simples e inerente à condição humana: a mentira.  A questão central é que Ananias e Safira não mentiram aos homens, mas a Deus. O envolvimento nesse pecado, sem o devido discernimento, pode acarretar consequências espirituais severas. É crucial que desenvolvamos a capacidade de discernir quando as questões envolvem a Deus e quando se referem meramente aos homens. Essa distinção é essencial para evitar juízos e as duras disciplinas do Senhor. Portanto, este é um tema de extrema importância, que merece consideração e relevância na igreja contemporânea, pois a natureza do pecado permanece inalterada ao longo do tempo. O pecado continua sendo tão grave hoje quanto o foi na época de Ananias e Safira. O que mudou é a nossa percepção. A tendência à relativização, influenciada pelo pós-modernismo, tem minimizado a gravidade do pecado, levando, em alguns casos, os cristãos modernos a um estado de apostasia e perigo espiritual.

 Ananias e Safira eram um casal judeu convertido ao cristianismo, membros da igreja primitiva, liderada por Pedro e pelos apóstolos. O episódio deles é relatado a partir do versículo 5 do livro de Atos dos Apóstolos, uma narrativa de Lucas que oferece importantes lições para a atualidade. Considero apropriado referir-me a Atos como "Atos Históricos da Igreja", pois nele encontramos os primeiros registros de uma comunidade cristã em desenvolvimento, experimentando o poder, a graça e o juízo de Deus. A passagem de Ananias e Safira exemplifica essa dinâmica. O casal, como muitos outros, decidiu vender uma propriedade e depositar o valor aos pés dos apóstolos. Dentro desse contexto, podemos inferir que havia um voto associado a essa intenção de vender a propriedade, com os apóstolos como testemunhas. Assim, Ananias e Safira fizeram um voto a Deus, comprometendo-se a entregar o valor total da venda aos apóstolos para que estes o administrassem, auxiliando as viúvas e os órfãos que se juntavam à igreja em meio à intensa perseguição que a comunidade cristã enfrentava.
 Considerando o conhecimento prévio sobre a situação, Ananias e Safira, após prometerem aos apóstolos a venda de sua propriedade e a entrega do valor correspondente, possivelmente se depararam com uma quantia considerável. Observa-se, portanto, que, além da mentira, que pode ter sido um comportamento recorrente em suas vidas, surgiu neles a ambição de reter parte do dinheiro, sugerindo implicitamente a presença da avareza.
 Outro pecado pode ser observado na conduta de Safira. Ela estava ciente do acordo estabelecido com os apóstolos, de que todo o valor obtido com a venda de bens deveria ser entregue a eles. Contudo, ambos decidiram, em conjunto, enganar os apóstolos, retendo parte do dinheiro proveniente da venda.

Este ato revela mais um pecado, implícito na conduta de Safira, que se torna cúmplice do erro de Ananias. Em vez de adverti-lo sobre a injustiça e desonestidade da ação, ela simplesmente concordou e o apoiou. Dessa forma, Safira participou do engano e da trapaça, e, por conseguinte, sofreu o mesmo juízo.


A analogia com Adão e Eva, que também sofreram as consequências de suas ações, expulso do jardim, ilustra a gravidade da situação. Neste caso, a punição recaiu sobre ambos devido a diversos pecados revelados em uma análise mais profunda deste evento narrado por Lucas no capítulo 5 do livro de Atos. Devemos verificar o texto com mais profundidade, a narrativa lucana de Atos envolve uma serie de personagens históricos, Pedro e os apóstolos, os moços que sepultaram Ananias e Safira e respectivamente o casal já mencionado. Mas devemos atentar para as palavras de Pedro, pois há uma acusação, satanás encheu o coração de Ananias. Temos um agente invisível mas pessoal, o tentado estava a espreita rugindo como leão buscando quem possa tragar, Ananias e Safira eram as presas. O tentador agiu de modo sutil, é o personagem invisível, Ananias não percebeu sua ação e Safira também não, mas Pedro tinha discernimento e percebeu toda a manobra e astucia do diabo. É simplesmente trágico e perigoso quando não percebemos as táticas e as manobras sutis de Satanás, a falta de discernimento de Ananias se deu num contexto próprio, o pecado estava cegando o seu coração, todas as vezes que achamos que a pratica do pecado não tem conseqüências catastróficas, estamos sofrendo de cegueira espiritual.  Observai atentamente: Satanás, conhecendo as fraquezas, as falhas morais e os pecados não redimidos de Ananias, utilizou-os para a sua própria destruição e a de Safira. Percebe-se, portanto, que Satanás age, se apropria e se serve dos pecados alheios como instrumento para a ruína. Longe de ser admirável, tal ação é catastrófica. O que Satanás requer para a perdição de um indivíduo? Os seus próprios pecados. Assim, caso uma pessoa se entregue à lascívia, à desonestidade, à mentira, à trapaça ou a qualquer outra inclinação pecaminosa, e se esses pecados não forem confrontados com rigor e determinação, Satanás poderá deles se valer para a sua destruição. Essa é uma realidade devastadora e terrível. Foi o que Satanás fez com Ananias e é como ele atua para arruinar muitos outros: ele emprega os vícios como armas para a própria aniquilação.

 Assim, observamos Paulo empenhado na questão do homem velho, tratando-o com severidade e rigor, declarando a necessidade de crucificá-lo. Adicionalmente, recordamos as palavras de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, em Mateus, capítulo 16, versículo 24, onde nos instrui a tomar a nossa cruz e negar a nós mesmos, o que exige grande determinação para lidar com nossos pecados. A crucificação cumpre esse propósito.

 Diante da seriedade do assunto, conclamamos todos os eleitores a refletir com profunda ponderação. O caso envolveu indivíduos que professavam a fé cristã: duas pessoas, membros da igreja, participantes das escolas e reuniões, que recebiam ensinamentos. Este é um assunto de extrema importância. Nossa intenção é transmitir uma mensagem instrutiva, oferecendo orientações e conselhos. Devemos nos dedicar à mortificação da carne, extinguindo as obras carnais em nossas vidas, para que o "homem velho" seja sepultado e crucificado com Cristo. Somente através dessa morte, que experimentamos na cruz, podemos vivenciar a ressurreição de Cristo. A cruz, em Cristo, tem o poder de expiar nossos pecados e destruí-los. Devemos atentar para essas duas realidades. A cruz ainda exerce efeito sobre nossas vidas. Por isso, Jesus nos exorta a tomar a nossa cruz, o que implica em dificuldades e sofrimentos em relação ao nosso "homem velho", que periodicamente busca dominar nossas vidas. Considero de suma importância abordar novamente a questão dos pecados de Ananias e Safira, pois ambos mentiram ao Espírito Santo, ou seja, mentiram a Deus. A pergunta central é: o que os levou a essa mentira? A resposta, conforme o texto, é clara: o apóstolo Pedro afirma que Satanás preencheu seus corações, utilizando a avareza como instrumento. A cobiça de Ananias o impulsionou a apropriar-se indevidamente do que pertencia a Deus, isto é, parte do valor da venda de seus bens, consagrados a Ele.  Portanto, Ananias, dominado pela avareza, foi levado a mentir por amor ao dinheiro. Safira, testemunhando esses eventos, não demonstrou discernimento suficiente para evitar a influência maligna em suas vidas. Ao contrário, permitiram que Satanás agisse livremente, armando uma cilada que utilizou seus próprios pecados como isca para sua destruição.  Que o Espírito de Cristo nos conceda discernimento espiritual para compreender estes ensinamentos. Que, por meio destas palavras, Deus nos instrua, a fim de que reconheçamos nossas imperfeições, nossas faltas e nossos pecados, e a gravidade de incorrer no pecado deliberadamente, pois o juízo divino foi severo sobre Ananias e Safira. De certa forma, este é o efeito do pecado sobre a vida daqueles que não se arrependem. Essa é a reação de Deus em relação ao pecado, e devemos refletir sobre isso, pois, embora sejamos cristãos e sirvamos a Deus, devemos fazê-lo com devoção.

Se Ananias e Safira não fossem mentirosos, avarentos, trapaceiros e Safira não fosse cúmplice das coisas erradas, eles teriam discernimento acerca das manobras diabólicas e a seriedade de seus pecados e nunca iriam permitir que o diabo pudesse usar suas próprias iniqüidades como  arma para destruir eles mesmos! A ordem dada a nós é “Sujeitai-vos, pois a Deus, resisti ao diabo e  ele fugirá de vós” (Tiago 4:7)

 

Esse artigo é a transcrição resumida de um sermão pregado para um grupo de homens no Centro de Reabilitação Crer – Paulo Lopes - SC

A NATUREZA DE MEUS PECADOS

0 comentários

 


 

Adolphe Monod

 

Não há nenhum de nós que tenha a mínima ideia do horror e do crime do pecado diante de Deus. Sempre vivemos em uma atmosfera tão saturada de pecado, nesta terra que bebe a iniquidade como água e a come como pão, que não sabemos mais discernir esse pecado que nos cerca por todos os lados.

Aqui está, em poucas palavras, a minha experiência.

Encontramos na Bíblia estas palavras: "  Nós éramos outrora insensatos, desobedientes, extraviados, escravos de várias paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros  ."
Por muito tempo, foi-me impossível aceitar esta afirmação, que me parecia marcada por um manifesto exagero. Confesso que, mesmo com Deus, por sua graça, tendo voltado meu coração para Ele no dia que Ele havia marcado desde a eternidade, permaneci por muito tempo sem conseguir aceitá-la completamente.

Além disso  , confesso que desde então, até hoje, não consigo compreendê-la em sua plenitude; Não que eu não esteja convencido de que seja perfeitamente verdade, e que eu não perceba isso em minha experiência, a culpa é inteiramente minha. Foi lá que compreendi a necessidade de um testemunho existente diante, fora e acima de nós.

Aceito esta declaração como vinda de Deus, porque a encontro em sua Palavra, e oro para que ele complete a revelação de seu significado para mim por seu Espírito.

Eu vim, pela graça de Deus, —  não de ano para ano, as coisas não passam tão rapidamente, mas de um intervalo de vários anos para outro intervalo de vários anos  — para ver esta doutrina mais claramente, e para sentir sua verdade cada vez mais em meu próprio coração  ; e tenho certeza de que, quando este véu de carne cair, reconhecerei que é a pintura mais fiel e o retrato mais vivo que já foi desenhado do meu coração, quero dizer, do meu coração natural.

Peçamos a Deus que nos revele nosso estado de pecado, sem, contudo, pressioná-lo demais, porque ele sabe bem que se nos fizesse crescer mais rapidamente neste conhecimento do que no de sua misericórdia, cairíamos em desespero.