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Compreendendo a Justificação através da obra de Cristo

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C J Jacinto

 

 

Há uma declaração de Paulo em Romanos no capítulo 3, versículo 23 e versículo 24, onde está escrito, porque todos os pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.

O conceito central que abordamos é a justificação. Somos justificados gratuitamente. A causa dessa justificação reside na graça, operada pela redenção em Cristo Jesus. Contudo, lamentavelmente, o termo "justificação" não é plenamente assimilado pela maioria dos cristãos. Essa lacuna de compreensão advém da escassez de debate sobre este tema tão precioso, largamente explorado pelo apóstolo Paulo em suas epístolas, notadamente na de Romanos.

Mas, o que é a justificação sob a ótica teológica do Novo Testamento? Ela constitui, primordialmente, uma manifestação abundante da graça divina. A própria viabilidade da salvação é intrinsecamente ligada à justificação. Em sua essência, a justificação significa, em primeiro lugar, a remoção da culpa decorrente da transgressão.

Essa simples definição nos permite apreender a profundidade e a relevância da obra que Jesus Cristo empreendeu no Calvário. Foi ali, na cruz, que Ele assumiu a nossa culpa, possibilitando assim que fôssemos justificados por meio da redenção que Ele nos ofereceu.

Deparamo-nos com uma passagem notável na Primeira Epístola Universal do Apóstolo Pedro, capítulo 2, versículo 24, onde se encontra a seguinte afirmação: "Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro para que mortos para os pecados pudéssemos viver para a justiça e pelas suas pisaduras fostes sarados."

Neste trecho, evidencia-se uma assertiva inequívoca de que Jesus Cristo assume sobre Si, no sacrifício da cruz, a carga dos nossos pecados. Em outras palavras, Ele se submete a uma sentença. A morte de Cristo na cruz representa uma sentença; o castigo que Lhe é imposto constitui uma punição. Essa punição, contudo, destinava-se a nós, e não a Ele, pois, na cruz, Ele não possuía pecado algum a carregar. Ele era justo e estava completamente isento de pecado. No entanto, observemos que Pedro declara: "Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados."

São, portanto, os nossos pecados que são suportados na cruz do Calvário. Jesus assumiu para Si esses pecados, os quais Lhe eram alheios. Caso Ele possuísse pecado, não poderia ser um Salvador perfeito, nem o Cordeiro de Deus. Ele, de fato, é o Cordeiro de Deus e o Salvador, por ser o Deus que se encarnou, e, ao encarnar-se, Ele preserva e manifesta Sua natureza de purificação total e completa, tornando-se, assim, um Salvador perfeito, e, por conseguinte, um sacrifício e uma oferta imaculados a serem apresentados diante de Deus.

Como, então, devemos definir apropriadamente a justificação? Referimo-nos àquela que Deus nos concede gratuitamente por intermédio de Jesus Cristo. A palavra "justificação", nos escritos de Paulo, e o conceito de "justificar-se", observáveis tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, possuem um significado legal e judicial preciso. Essa compreensão se estende a todo o contexto bíblico, não se restringindo apenas às Epístolas Paulinas, mas à totalidade das Escrituras. Os termos "justificar" e "justificação" estão intrinsecamente associados à noção de juízo, como se verifica em passagens como 1 Coríntios 4:3 e Deuteronômio 25:1.

Portanto, a justificação pode ser definida como a declaração de um indivíduo como justo por um tribunal. Quando se afirma que Deus justifica um homem, subentende-se que sua causa foi submetida a julgamento perante o tribunal divino e que, após a devida análise do caso, o acusado é declarado isento de qualquer falta e culpa, como se fosse integralmente justo e em perfeita conformidade com a Sua santa lei. Em uma acepção mais acessível, o termo "aceitação" coaduna-se significativamente com o sentido de "justificação".

Assim, torna-se imperativo compreender que a justiça divina só pode ser plenamente satisfeita por meio do sacrifício expiatório de Cristo. Foi Ele, na cruz do Calvário, quem ofereceu um sacrifício substitutivo, possibilitando a salvação da humanidade.

Tenho em minha biblioteca uma antiga revista, intitulada "Pregoeiro da Justiça". Nela, sublinhei e destaquei uma passagem marcante, para que eu sempre pudesse rememorar aquela grandiosa afirmação. Tal passagem declara: "Ninguém pode estar diante de Deus com uma consciência tranquila se a sua confiança repousa nos méritos de sua própria vida."

Trata-se de uma afirmação extraordinária que nos exorta a confiar em Cristo e não em nós mesmos. Não nos é lícito depositar nossa confiança em nossos próprios méritos ou em nossas obras, pois não são estes que nos justificam perante o tribunal divino. Quando, um dia, comparecermos diante do Senhor, seremos justificados aos olhos de Deus, não em virtude de nós mesmos, mas unicamente por intermédio de Cristo.

Compreendemos cabalmente que, no tocante à justificação, o que prevalece é a fé, a crença na obra perfeita que Jesus Cristo consumou em nosso favor, ao oferecer a Deus um sacrifício propiciatório, satisfazendo plenamente a justiça divina. Essa compreensão é veementemente corroborada por Paulo em sua epístola aos Efésios, capítulo 2, versículos 8 e 9, onde declara: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie."

No que concerne à salvação, a primazia, perante os desígnios divinos, recai sobre o que Cristo realizou por nós, e não sobre as nossas próprias ações. O olhar de Deus se dirige incessantemente ao sacrifício de Jesus. Ele encontrou plena satisfação na obra que Cristo empreendeu na cruz do Calvário, e não em nossas obras de justiça, as quais, embora possam servir para galardão, jamais constituem a base para a salvação.

Não somos justificados por mérito próprio, mas sim pela consumação da obra de Cristo. Sem esse sacrifício vicário, perfeito e definitivo, realizado na cruz do Calvário uma vez por todas, a justificação de um pecador seria intrinsecamente impossível.

 

 

As religiões de Caim e o Evangelho do Filho de Deus

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A religião humanista se desenvolveu depois da queda, ela é tem uma matriz em Caim e a sua oferta sem sangue. Essa tendência traz consigo a marca do esforço, o mérito, a glória do homem, a conquista pessoal do céu mediante o suor humano. Tudo isso é oposto do Evangelho. Na psicologia da religião humanista reside a crença no potencial humano, entender isso é fundamental para nossa época.  As comunidades terapêuticas, o gnosticismo, analise transacional, bioenergética, espiritualismo, transhumanismo, neoplatonismo, movimento New Age, teosofia e até mesmo o cientificismo e todas as religiões do mundo seguem o princípio de que o homem é essencialmente bom, ele é naturalmente bom, nesse contexto o homem projeta a salvação para si mesmo, suas conquistas, a superação, a auto-realização e nos casos mais extremos, a auto-divinização. Tudo feito pelo esforço próprio, tudo isso não passa de um processo expansivo da religião de Caim, que a civilização mundial adotou como caminho, nem mesmo o ateísmo foge dessa tendência, pois coloca toda a certeza na potencia do racionalismo humano para poder se sustentar, o evangelho é o contrario dessa tendência, nas Escrituras, o homem caiu, tornou-se impotente para a auto-salvação, o diagnostico é que ele é um pecador, destituído da graça, da glória e da presença de Deus, e é Cristo quem purifica o homem, justifica e santifica, é Cristo quem remedia a situação, a obra de Cristo e não as obras humanas, o sangue de Cristo e não o suor do pecador é quem concede reconciliação e restauração. A salvação, o perdão e a purificação de nossos pecados não ocorrem, senão exclusivamente através daquilo que Cristo fez, nunca vem do mérito dos filhos de Adão, mas tão somente da obra consumada e perfeita de Cristo na Cruz, esse é um absoluto bíblico inegociável, isso é evangelho!

 

C. J. Jacinto

 

A Diferença Entre Religião, Filosofia e Evangelho

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A religião pode te ensinar a moralidade, a filosofia pode te ensinar ética, tudo isso é muito bom, a sociedade precisa dessas coisas, ser um bom cidadão te livra da prisão. Mas o Evangelho é outro assunto, o evangelho é justificação diante de Deus, isso não se dá mediante ética ou moralidade. A justificação do homem perante Deus só é possível mediante a obra redentora de Cristo na cruz, assumindo nossas culpas e sofrendo nossa penalidade, é crendo em Cristo e na redenção que ele oferece pela morte que sofreu na cruz, que somos salvos da condenação eterna, isso não é religião ou filosofia, isso é Evangelho.  (C. J. Jacinto)

 

A JUSTIFICAÇÃO

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Considerando que a maioria das religiões dão enfase aos méritos humanos como a forma legitima de alcançar a justificação perante Deus na apresentação das boas obras que tais insistem em dar valor regenerativo e o poder de apagar os próprios pecados, muitas heresias se desenvolveram através dessa visão salvifica, que, não tem apoio nas Escrituras. A salvação pelos méritos proprios é uma ilusão, um erro, é um caminho puramente humanista, não tem resplado nas Escrituras, ofende a graça de Deus. A seguir, aprsento o capitulo 7 da magnifica obra de T. P. Simmons, na sua extraordinaria Teologia Sistematica (Publicada no Brasil pela Imprensa Palavra Prudente) considerando que o referente capitulo dessa obra sistematica reflete muito bem o ensino biblico sobre o tema, apresento aqui como um meio de não cairmos em heresias humanistas, mas fortalecer a fé na obra consumada e perfeita de Jesus na cruz.

A Justificação










A justificação é aquele ato instantâneo, divino, eterno, gracioso, livre e judi- cial, pelo qual, Deus, devido ao mérito do sangue e da justiça de Cristo, liberta um pecador arrependido e crente da penalidade da Lei. Restaurado ao favor de Deus e considerado como possuindo a justiça imputada de Jesus Cristo; em virtude de tudo disso ele é adotado e feito como filho.

I - O AUTOR DA JUSTIFICAÇÃO

Deus é o autor da justificação. O homem nada tem que ver com a sua justificação, a não ser o recebê-la através da que o Espírito Santo o habilita a exercer. A Escritura declara: “É Deus quem os justifica” (Romanos 8:33). E outra vez lemos: “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que em Cristo Jesus.” (Romanos 3:24).
De Cristo se pode dizer que nos justifica no sentido que Ele pagou o preço da redenção.

II    - A CAUSA E MOTIVO DA JUSTIFICAÇÃO DIFERENCIADOS

É apenas nos tribunais da terra que “causa” e “razão” encontram os usos aceitáveis como sinônimos. Num processo judicial uma “causa” significa a mes- ma coisa de “base” ou “razão” da ação. Em outros casos não devem ser con- fundidos e, principalmente, não devem ser confundidos com respeito à jus- tificação. Estritamente falando, a causa de uma ação é o agente, força motriz, base ou a razão pela qual, ou por causa de que, a ação é efetuada ou produzida. Na medida em que é adequado falar de uma causa mediata, ou causa relacio- nada, a referência aqui é a razão fundamental ou a causa originária. A razão básica, como usada aqui significa alicerce, base, aquilo sobre qual tudo tem o seu apoio principal.
Com estas definições diante de nós, estamos preparados para observar que o amor de Deus, acionando a Sua graça e misericórdia, é a causa de nossa justificação; enquanto a morte de Cristo e a expiação efetuada por essa morte, assim, é a razão básica, ou seja, a razão fundamental da nossa justificação. Que o amor de Deus é a causa da nossa justificação é claro nas duas passagens seguintes:
“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou... nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” (Efésios 2:4 e 6).
“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Romanos 5:8).
Mas Deus não poderia de forma consistente basear, ou fundamentar, a nossa salvação em Seu amor, porque o amor, agindo sozinho, não poderia ig- norar nossos pecados de forma consistente. A justiça de Deus, decorrente de Sua santidade, tinha que ser satisfeita. Assim, era necessário que o amor for- necesse uma base justa para a nossa salvação. Romanos 3:25 e 26 diz em lin- guagem bela e impressionante como essa base foi fornecida. Por amor, Deus enviou Cristo para morrer para que Ele pudesse salvar os pecadores e ainda ser justo. Cristo foi uma “propiciação”. A propiciação é aquilo que propicia. Propiciar é apaziguar, conciliar. Um esclarecimento poderoso deste apazigua- mento e conciliação que ocorre na justificação nos é dada em Salmos 85:10 “A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram.”
Qual a base fundamental desta reconciliação? Simplesmente o amor, mi- sericórdia ou graça de Deus? Não. Estes devem encontrar um alicerce, uma base justa, antes que eles possam se tornar eficazes no perdão do homem; senão a misericórdia violaria a verdade e a justiça de Deus iria ser anulada. O fundamento dessa reconciliação é a propiciação ou expiação feita por Jesus Cristo. As únicas pessoas que terão problema com esta declaração são aque- les que negam que Cristo prestou uma satisfação própria, real, completa, exata e absoluta à justiça retributiva pelo sofrimento de toda a penalidade da lei que os pecadores crentes merecem sofrer no inferno por seus pecados. Essas pessoas vão encontrar a base da justificação no amor e misericórdia soberanos de Deus ou em algo feito pelo pecador.

II       - OS MEIOS DA JUSTIFICAÇÃO

no sangue de Cristo é o meio de justificação. Estude Atos 13:89; Romanos 3:24-25 e 28; 5.1 e 9; Gálatas 2:16. É bom notar a partir dessas passagens que a pela qual somos justificados não é no amor, graça e mi- sericórdia de Deus, mas naquilo que o amor, a misericórdia e a graça de Deus forneceram, ou seja, o sangue de Cristo. Este fato explica melhor a discussão anterior.
Pela fé a justificação é aplicada e a torna pessoal ou experimental. É assim que chegamos ao gozo dos benefícios da morte expiatória de Cristo.
Fé, como estudamos anteriormente, não tem mérito em si, quando so- zinha. Não é uma mão cheia oferecendo algo, mas uma mão vazia recebendo algo. O exercício da vem da obediência interna. É por causa deste fato que a Escritura alude a “obediência da fé” (Romanos 16:26), a obediência ao Evangelho (Romanos 10:16: II Tessalonicenses 1:8; 1 Pedro 4:17) , “obediência à verdade” (I Pedro 1: 22)... e obedecendo “de coração à forma de doutrina a que fostes entregues.” (Romanos 6:17) Mas isso não é a obediência meritória. É total- mente sem mérito como é o ato de um mendigo em comer alimentos que têm sido dado a ele.
A justificação é pela fé, pelas seguintes razões:
Para que seja segundo a graça Romanos 4:16. A jactância pode ser excluída Romanos 3:27.
Porque pela somos identificados com Cristo da mesma forma que fomos identificados com Adão pelo nascimento natural. Atos 13:39 deve-se ler, “nEle”, em vez de “por Ele”; 1 Coríntios 1:30; 15:22; Efésios 2:5,6; Colossenses 3:3; I João 4:17. “A união com Adão e com Cristo é a base da imputação. Mas o paralelismo é incompleto. Enquanto o pecado de Adão é imputado a nós, porque é nosso; a justiça de Cristo é imputada a nós, simplesmente por causa de nossa união com Ele, de maneira nenhuma por causa da nossa justiça pessoal. No primeiro caso, a virtude é levada em conta, no outro não está. No pecado, nossos delitos estão incluídos; na justificação nossos merecimentos são excluídos. (H. B. Smith, Presbyterian Review, Revisão Presbiteriana, Julho 1881)
Porque a “opera pelo amor.” (Gálatas 5:6); é o meio pelo qual Cristo habita em nosso coração (Efésios 3:17-19; Gálatas 2:20); pelo qual somos progressivamente transformados na imagem de Cristo em nossas vidas (Romanos 1:17, 2 Coríntios 3:18.); e, portanto, estamos impedidos de converter “em dissolução a graça de Deus” ( Judas 4). “Assim Deus constituiu a alma que as afeições, e também a consciência, são afetadas e controladas pela fé; e a pureza de uma e integridade da outra, e a atividade de ambos, dependem daquilo que o homem crê; sendo isso verdadeiro, nenhuma mente pode evitar a convicção de que o princípio da fé, que Cristo colocou na base do sistema cristão é, sendo a natureza das coisas, o único princípio pelo qual os po- deres morais do homem podem ser trazidos para uma atividade feliz, harmoniosa e perfeita “( J. B. Walker, Philosophy Plan of Salvation, Filosofia do Plano de Salvação, pág. 177).
Não conflito entre Tiago e Paulo sobre a questão da justificação pela fé. Paulo usou a palavra grega “dikaioo” para significar “declarar, pronunciar alguém jus- to, com justiça, ou aquilo que ele deveria ser”, enquanto Tiago usou a mesma palavra para significar “mostrar, exibir, evidenciar alguém ser justo ou aquilo que ele deveria ser. Paulo diz que Abraão foi justificado, no sentido daquela definição que ele usa o termo, antes da circuncisão (Romanos 4:9,10), enquanto Tiago diz que Abraão foi justificado, no sentido daquela significação que ele usa o termo, quando se ofereceu Isaque. Referência ao Gênesis 17, revela que Abraão foi circuncidado um ano antes do nascimento de Isaque, que está registrado em Gênesis 21. Isaque tinha aproxima- damente 25 anos de idade na época de Abraão oferecer-lhe. Assim, é claro que Paulo e Tiago não estavam falando da mesma coisa.
Para outros casos em que a palavra grega é usada no mesmo sentido em que Tiago usa, veja Mateus 11:9 e 1 Timóteo 3:16. Além disso, note que Tiago afirma com Paulo que “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça” (Tiago 2:23).

II        - A NATUREZA DA JUSTIFICAÇÃO


1.   É INSTANTÂNEA
É um ato e não um processo. Ela ocorre e é completa no momento em que o indivíduo crê. Não admite graus ou fases. Do publicano se diz ter descido à sua casa justificado. Ele foi justificado completamente no momento em que colocou sua na obra propiciatória de Cristo.1 Refere-se à justificação do crente sempre no tempo passado. Em toda a Bíblia não o mais leve vislumbre de um processo contínuo na justificação.

2.     É ETERNA
Quando alguém é justificado, está justificado por toda a eternidade. A justifica- ção não pode jamais ser revogada ou revertida. É uma vez para sempre até a eterni- dade. Por essa razão Deus pergunta: “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?” (Romanos 8:33). Cristo pagou o resgate inteiro e fez a satisfação completa por todos os crentes; doutra maneira Cristo teria de morrer outra vez, ou então o crente cairia em condenação pelos seus pecados futuros. Mas lemos que a oblação de Cristo se fez uma vez (Hebreus 10:10), e que o crente “não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” ( João 5:24).
             
(Não esquecendo-nos que a Obra propiciatória de Cristo tem sua eficácia mesmo antes dos acontecimentos que se deram no Calvário. A Bíblia deixa claro que, antes do Calvário, a salvação se dava pela no Salvador que haveria de vir.)


Tendo a posição do crente em foco, ele passou o juízo. Foi julgado e absolvido completa e eternamente. Que Paulo ensinou uma justificação eterna e imutável mos- tra-se no fato de ele sentir-se responsável a defender sua doutrina contra os ataques dos que contenderiam que tal doutrina dava licença a pecar. Esta é a acusação que se faz hoje contra a doutrina que ora estabelecemos.
Finalmente lemos: “Porque com uma oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados.” (Hebreus 10:14). É verdadeiro que são os santificados considerados neste contexto, mas é aplicável aos justificados também; porque, santificados e justificados são um. Se os santificados são aperfeiçoados para sempre, assim são os justificados. A perfeição aqui é a de posição diante de Deus.

1.     É GRACIOSA E LIVRE
O pecador não merece nada das mãos de Deus, a não ser a condenação. Logo, a justificação é inteiramente de graça. Está assim estabelecido em toda parte na Escritura, exceto por Tiago que empregou o significado secundário do termo. No sentido primário do termo a justificação nunca é representada como sendo pelas obras ou obediência do homem. Veja Romanos 3:20; 4:2-6; Tito 3:5.
E, enquanto que a justificação é baseada na obra meritória e expiatória de Cristo, contudo, da parte de Deus, é livre e espontânea, desde que Deus não estava sob nenhuma obrigação de permitir a Cristo agir como nosso substituto.

2.     É SOMENTE JUDICIAL E DECLARATIVA
A justificação, no sentido primário, é um termo forense ou judicial. É um ato feito no tribunal celestial. Não faz o crente internamente justo ou santo. Fá-lo justo apenas quanto à sua posição. Muitos sempre confundem a justificação com a santifi- cação; mas tais não são a mesma coisa. Justificação é apresentada como o oposto de condenação, ao passo que santificação como o oposto de uma natureza pecaminosa. Veja Romanos 5:18.
1.   RESTAURAÇÃO AO FAVOR DE DEUS
A justificação não apenas liberta meramente o homem da penalidade da Lei: fá-lo à vista de Deus como um que nunca quebrou a Lei. A justificação torna o crente tão inocente perante Deus em relação à sua posição como Adão foi antes de cair.

2.     IMPUTAÇÃO DA JUSTIÇA DE CRISTO
As passagens seguintes ensinam que, na justificação, a justiça de Cristo nos é imputada ou dada: Romanos 3:22, 4:3-6, 10:4; Filipenses 3:9.
Que a justiça é o assunto nessas passagens é provado pelo fato de que Cristo é “para nós foi feito... Justiça” (1 Coríntios 1:30) e temos essa justiça “em” Cristo (2 Coríntios 5:21). É ainda provado por Romanos 5:18,19, onde é dito que temos recebido a justificação “por um ato de justiça” e “somos feitos justos” “pela obe- diência de um”, e Este “um” é, certamente, Jesus Cristo. Comenta D. B. Ford muito apropriadamente:
“Paulo não tem onde usar a frase exata: Deus imputa a nós a justiça de Cristo sem as obras, mas equivale à mesma coisa quando ele fala da justiça de Deus, que será nossa pela em Jesus Cristo, quando ele afirma que somos justificados gratuitamente e por graça pela redenção que em Cristo Jesus; quando afirma que ‘justificação de vida’ é através do ato justo e da obediência do segundo Adão; que a nossa em Cristo, pela qual somos justificados, é imputada a nós por jus- tiça; que Cristo é o fim da lei para a justiça; que ele é feito para nós justiça; e que nos tornamos a justiça de Deus nEle” (An American Commentary on the New Testament, Um Comentário Americano sobre o Novo Testamento).

Nas passagens dadas na discussão anterior é evidente que a justiça de Cristo é igual à obediência de Cristo. A chave para o significado da obediência de Cristo é dada em Filipenses 2:8 e Hebreus 5:8. Foi a obediência feita num estado de humi- lhação. Objeta-se por parte de alguns que, como homem, Jesus devia obediência à lei para si mesmo, por isso Ele não poderia obedecê-la para nós. É verdade que Jesus, como homem, devia obediência à lei, em respeito ao homem, mas, como Deus, Ele não devia obediência à lei, para com o homem. Como Deus, Jesus devia obediência às leis de justiça, como elas dizem respeito a um ser infinito. Nem Deus está isento de lei. Ele não pode desobedecer à lei, em respeito ao ser infinito (isto é, Ele não pode fazer o que é errado para Ele) e permanecer Deus. Mas Deus, sendo infinito e, portanto, independente, tem direitos e prerrogativas que não pertencem ao finito e dependente homem. Por exemplo, ao homem é ordenado não matar, mas Deus pode tirar a vida como Lhe agradar, porque Ele é o doador da vida. Ao homem é ordenado não julgar, mas Deus julga. Ao homem é proibido gloriar-se em si mesmo, mas a glória pertence a Deus essencialmente.
Portanto, quando Jesus trouxe divindade em união com a humanidade na encarnação, a divindade era voluntária e gratuitamente sujeita à lei de Deus para o homem. Isto foi verdadeiramente tão vicário e substitutivo como Sua morte na cruz. E foi necessário para fazer-nos positivamente justos. Não é suficiente que sejamos perdoados, desculpados. Isto, por si só, isentar-nos-ia do inferno, mas não teria nos dados direitos ao céu. Para ter direito ao céu, temos de ter o mérito positivo e perfeito de Jesus Cristo. Hebreus 10:14.

1.    ADOÇÃO DE FILHOS
Lemos: “Deus enviou Seu Filho... para remir os que estavam debaixo da Lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.” (Gálatas 4:4,5). É na base desta redenção que somos justificados. A adoção é o clímax da justificação. Cristo tomou nosso lugar; portanto, quando cremos nEle, tomamos Seu lugar como um filho. É assim que recebemos o direito de nos tornarmos filhos. A adoção é necessária para que sejamos “herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo” (Romanos 8:17), e para que tenhamos direito legal à herança “incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus” para nós (1 Pedro 1:4). Quando fomos justificados, já éramos filhos do diabo. Não podíamos ser ‘desnascidos’ como tais. Por isso tínhamos de ser transferidos da família do diabo para a de Deus por adoção. Tornamo-nos filhos experimentalmente pela regeneração, mas legalmente pela adoção. Regeneração e adoção não são as mesmas.

2.     LIBERDADE DA PENALIDADE DA LEI
As seguintes passagens afirmam este benefício: Romanos 6:14; 7:4-6; 10:4; 1 Coríntios 9:21; Gálatas 2:19, 5:18. O que essas passagens significam? Elas devem ser entendidas corretamente à luz do ensinamento neotestamentário como um todo.
1)  sentidos em que o crente está sob a lei de Deus e de Cristo

A.   Ele está sob a lei de Cristo quanto à prova de salvação em sua vida. João 14:24; 1 João 2:4.
B.  Ele está sob a lei de Deus enquanto o Espírito trabalha nele a justiça da lei. Romanos 8:4.
2)   sentidos em que o crente não está debaixo da lei Romanos

A.  Ele não está sob a lei com a pena que vem da mesma. Romanos 10:4; Gálatas 3:13. Cristo, por Sua morte, tendo cumprido as exigências da lei na íntegra para os crentes, encerrou o poder da lei para condenar. Por esta razão, o crente não pode nun- ca estar novamente em condenação e não tem os seus pecados cobrados dele como merecendo a pena da lei. João 5:24; Romanos 4:7, 8; 8:1, 33, 34. O crente não pode pecar com impunidade absoluta, pois Deus lida com ele debaixo da graça como um filho, e não como estando debaixo da lei. 1 Coríntios 11:31,32; Hebreus 12:7.
B.  Ele não está sob a lei como uma força externa forçando a sua obediência. Ele tem a lei escrita no seu coração (Hebreus 8:8-10; 10:16, 2 Coríntios 3:6.).
C.   Ele não está sob a lei no sentido de ter que ganhar com a lei uma justiça meritória. Ele a tem em Cristo através da fé, como foi assinalado.
D.  Ele não está sob a lei mosaica como um todo, nem qualquer parte dela, como tal, em qualquer sentido. A lei mosaica foi a lei de Deus para uma nação terrestre. Como tal, foi um ajuste da regra original e perfeita de justiça. Isso é mostrado no Sermão da Montanha, em que Jesus mostrou as bases de alguns dos preceitos da lei mosaica, mostrando o seu âmbito limitado. Que o crente não está sob a lei de Moisés é mostrado em 1 Coríntios 9:21. A lei de Cristo é simplesmente o reino perfeito e eterno da justiça nas mãos de Cristo.

2.    PAZ COM DEUS
Romanos 5:1. O crente tem paz com Deus por causa e pelo conhecimento de todos estes benefícios.