C. J. Jacinto
O primeiro capítulo do Evangelho de
Lucas retrata Maria, mãe de Jesus, como um modelo exemplar de piedade cristã. A
análise do perfil de Maria, conforme delineado por ela mesma e pelo evangelista
Lucas, revela-se de suma importância para o desenvolvimento espiritual, o
discernimento e a compreensão da fé. Ao examinarmos sua vida, somos convidados
a refletir sobre a essência da piedade, compreendendo o que significa ser um
homem ou mulher marcados por uma piedade que manifesta poder espiritual. Maria,
portanto, apresenta-se como um modelo significativo a ser seguido, um exemplo
perfeito de quem vive em obediência e submissão à vontade de Deus, o Santo e
Todo-Poderoso.
Analisando o perfil de Maria, apresentado no primeiro capítulo de Lucas,
podemos observar uma representação fiel do cristão segundo os ensinamentos
bíblicos. Ao longo deste estudo, aprofundaremos a análise da figura de Maria,
mãe de Jesus, e de seu exemplo de piedade, buscando compreender suas virtudes
espirituais e a forma como podemos aplicá-los em nossas vidas. Desejo
enfatizar, com convicção, que Maria personifica o perfil de um genuíno cristão bíblico,
conforme as normas estabelecidas pelas Escrituras. Ela se destaca como as que
estão entre as “santas mulheres que esperavam e Deus” (I Pedro 3:5),
prossigamos em esperar em Deus somente, pois aquele que está sentado no Trono
deve ser o centro da nossa bendita esperança
A presente análise visa aprofundar a
compreensão da espiritualidade de Maria, tendo como fonte primária o texto
conhecido como "O Cântico de Maria". A partir do primeiro capítulo de
Lucas 1, versículo 46, encontramos a declaração dela: "A minha alma
engrandece ao Senhor". Na análise do termo original grego, o verbo
"megaluno" revela um significado de exaltação ao Criador,
transcendendo qualquer criatura. Não ela sendo exaltada por homens, mas ela
exaltando ao Deus Todo-Poderoso. Isso implica em colocar Deus acima de todas as
coisas, reconhecendo a existência de um trono no universo, além do próprio
universo, do qual Deus é o soberano sobre todas as criaturas e sobre toda a
criação. Maria colocou Deus Santo e Trino além de todas as coisas, exaltando
ele acima de tudo, ninguém jamais pode desviar-se desse tão bendito caminho que
ela trilhou!
Em suma, "megaluno" expressa a
elevação de Deus à sublimidade e à plenitude, ou seja, acima de tudo. Significa
reconhecer a completa submissão ao Senhorio de Deus Pai Todo-Poderoso,
colocando-O em seu devido lugar. Ao proferir "A minha alma engrandece ao
Senhor", Maria direciona sua contemplação exclusivamente a Deus. Ponto fixo
da verdadeira devoção que não pode ser removido por ninguém. (Leia Hebreus 2:18
Salmos 22:19, 46:11, 60:11, 121:1 e 2, 124:8) Que possamos dar o mesmo grito apostólico:
“Mas alcançando o socorro de Deus ainda até os dias de hoje, permaneço dando
testemunho” (Atos 26:22)
Para aqueles que buscam seguir esse
modelo de espiritualidade, a orientação é semelhante: voltar o olhar para o
Senhor em sua soberania, para o Deus Todo-Poderoso. Após a consumação da obra
redentora de Jesus Cristo na Cruz do Calvário, em consonância com a epístola
aos Hebreus (12:2), somos chamados a contemplar a Cristo, autor e consumador da
nossa fé. A contemplação da soberania de Deus e de Seu trono inevitavelmente
nos conduz à contemplação de Cristo, que está à direita de Deus. Essa é a
direção integral de nossa contemplação. Esse é o caminho da verdadeira
espiritualidade bíblica. “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça”
(Salmo 17:15)
Compreendemos aqui a essência da verdadeira
espiritualidade cristã, conforme descrita nas Escrituras. O cristão genuíno,
aquele que experimentou a regeneração, volta seus olhos para Deus, com um único
propósito: glorificá-lo. Este é o cerne da vida cristã, que Deus seja exaltado
em cada aspecto de nossa existência - em nossos pensamentos, sentimentos,
ações, obras, momentos de reflexão e testemunho. O cristão bíblico busca
glorificar a Deus em tudo. Seu lema de vida é: "Deus seja glorificado em
nossa vida e em nosso viver".
Consideramos, portanto, as palavras de Maria
no versículo 47, onde se manifesta uma expressão de louvor cuja profundidade
transcende a capacidade de quantificação. Ali reside a essência da
espiritualidade e da qualidade de vida profunda que Maria possuía, ao declarar:
"O meu espírito exulta em Deus, meu Salvador." A palavra
"exulta", neste versículo, traduz a palavra grega "agaliao",
enquanto "Salvador" provém de "soter". Percebemos, assim, a
combinação do substantivo masculino "soter" com o verbo "agaliao",
expressando uma profunda espiritualidade que, como mencionado, não pode ser
totalmente apreendida em poucas palavras.
Consideremos a palavra "alegrou-se".
Que profunda expressão de gratidão emanava de Maria! Ela tinha um motivo para
se alegrar. Qual era sua alegria? A alegria da salvação. A alegria de ter em
Deus seu Salvador. Ela necessitava da salvação, assim como cada ser humano
necessita. Embora tenha sido um instrumento escolhido por Deus, Maria precisava
da misericórdia e da graça divina, como todos nós. Ela reconheceu essa verdade,
e essa percepção foi fonte de alegria. A misericórdia de Deus a alcançou, assim
como alcança cada um de nós. Essa alegria preencheu sua existência, a
consciência de ter sido agraciada pela graça e misericórdia de Deus. Deus a alcançou
através da salvação, e a salvação reside na alma que experimentou o perdão
divino. Maria recebeu o perdão, a graça e a misericórdia de Deus. Crendo e
aceitando essa realidade, Maria declarou que sua alegria residia em Deus, seu
Salvador. Regozijamo-nos diariamente pela misericórdia de Deus que nos
alcançou. Alegremo-nos pela grandiosa salvação que Deus nos concedeu por meio
de Cristo. Estas questões devem permear nossos corações, guiando-nos a uma vida
de constante gratidão a Deus. A emoção de Maria ao compreender ser agraciada
pela salvação de Nosso Senhor e Salvador era sublime. Uma alegria plena,
transbordante, emanava de seu coração, expressando palavras profundas. Seu
exemplo de fé e emoções serve como modelo, demonstrando os sinais evidentes de
nossa eleição e da promessa de vida eterna que Cristo nos oferece. Ele próprio
declarou: "Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância", e
também: "Eu lhes dou a vida eterna". A vivência espiritual e o
bem-estar só podem ser alcançados através de Deus, o Deus Trino, e Maria tinha
plena consciência disso. Ao chegarmos ao versículo 48, Maria declara que Deus
considerou a humildade de sua serva. Que momento singular! Ela se identifica
com esse papel, estabelecendo um contraste notável. Enquanto reis ocupavam
tronos em diversas monarquias ao redor de Israel, Maria se autodenomina serva.
Este é o título que encontramos para Maria no livro de Lucas e em todos os
evangelhos. Deus contempla a servidão de Maria. A palavra "servidão"
é um substantivo feminino, remetendo à palavra grega "doulos", da
qual Paulo também se identifica, em Romanos 1:1. Aqui reside a grande
maravilha: Maria se considera uma serva, alguém completamente submissa à
vontade divina. Não seria este um modelo de espiritualidade autêntica? Não
deveríamos buscar imitá-la? Certamente. Pois aqui temos uma mulher que se
declara serva, o testemunho dessa submissão pode ser parafraseada nestas
palavras: "Senhor, faça de mim o que queres, sou teu instrumento".
Assim como o poeta cria a maior poesia através de um simples instrumento, a
caneta e o papel, Deus toma Maria em suas mãos e a transforma em um exemplo
sublime de servidão, digno de nossa admiração e imitação, um modelo de
verdadeira e genuína espiritualidade a ser considerado por todo cristão. É
fundamental ponderar a posição de Maria, que, em sua humildade, se apresenta
diante do mundo. Maria, a Maria do cristianismo bíblico, a Maria do Novo
Testamento, a Maria dos Evangelhos, uma serva do Senhor. Ela não é a senhora de
seu destino e missão, Deus é Senhor sobre ela, e o senhorio soberano de Deus é
o centro da sua devoção e da sua vida.
A partir das declarações de Maria, podemos
discernir uma verdade fundamental: ela se sentiu contemplada por Deus. Essa
experiência me remete ao livro de Jó, capítulo 1, versículo 8, onde Deus atesta
a retidão, a piedade e a integridade de Jó. Assim como Jó era objeto da atenção
divina, Maria também o era. Deus observava a postura de Maria, mulher de grande
piedade, modelo a ser seguido, pois ela irradiava as virtudes que os cristãos
devem cultivar. Deus contemplava aquela que seria a mãe do Senhor, em virtude
de sua servidão, sua submissão e sua completa dedicação, tornando-se
instrumento nas mãos do Senhor para que o Messias viesse ao mundo. Assim Maria
é a serva do Deus Bendito, uma vida de disponibilidade em fazer a vontade do
Criador.
Da mesma forma, nós, cristãos, podemos
proclamar o Evangelho e levar Cristo ao mundo, sendo testemunhas de sua
ressurreição. Podemos apresentar Cristo ao mundo, demonstrando que Ele está
vivo e reina no trono celestial. Assim como Maria trouxe Jesus ao mundo,
podemos trazer Jesus ao coração dos outros através da proclamação do Evangelho
e do testemunho de nossa própria vida. E Deus, certamente, contempla aqueles
que trilham esse caminho, o caminho do testemunho. A dignidade humana reside na
contemplação divina, independentemente da opinião alheia. O olhar de Deus sobre
nós, e não a avaliação de outros, é o que verdadeiramente importa. A mais alta
honra é ser objeto da atenção do Senhor, e em nossos dias, a escassez de homens
piedosos e virtuosos é evidente. Para merecer a contemplação divina, é preciso
servir com humildade, submetendo-se à vontade de Deus, mesmo que isso implique
em riscos e sacrifícios. É a entrega absoluta, o instrumento da vontade divina
que nos eleva. Ainda mais notável é a afirmação de Maria de que todas as
gerações a proclamariam bem-aventurada. A razão para essa bem-aventurança
reside em sua condição de serva. A humildade e a disposição para servir ao
Senhor são qualidades de grande valor aos olhos divinos. Os anjos testemunham a
importância da humildade na vida de uma pessoa. Quanto maior a nossa
dependência do Senhor, mais Ele nos utiliza. A própria resposta divina a Paulo,
de que o poder de Deus se manifesta na fraqueza, ilustra essa verdade. Ao
reconhecer em Maria um exemplo de humildade, submissão e serviço, Deus a elegeu
como instrumento apropriado para a vinda do Messias.
A escolha divina é seletiva: Ele
escolhe os simples, os humildes, os servos e aqueles que se submetem à Sua
vontade. Ele escolhe aqueles que cultivam a virtude da humildade em seus
corações e a manifestam em suas vidas. Deus não busca aqueles que se exibem em
público, mas sim aqueles que buscam a Sua presença em particular. Ele não
procura aqueles que dependem da fama religiosa para se autopromoverem, mas sim aqueles
que, em submissão e serviço, buscam realizar a vontade divina, desconsiderando
a própria reputação. O que realmente importa é agradar a Deus por meio de uma
vida dedicada à concretização de Seus propósitos.
Ser um instrumento de Deus é não ter vontade
própria, não ser autossuficiente. Maria personificou essa condição. Ela não era
autossuficiente nem onipotente. Por isso, o Deus Todo-Poderoso utilizou sua
humildade e fraqueza para realizar obras extraordinárias. Deus opera dessa
maneira, realizando feitos notáveis por meio daqueles que se mostram simples e
disponíveis.
Todos os cristãos, aqueles que
genuinamente abraçam a fé, reconhecem sua própria humildade diante da grandeza
divina. Sabem que, embora suas palavras possam parecer limitadas, a mensagem do
Evangelho que carregam e proclamam é de uma grandiosidade incomensurável.
Compreendem que, por si sós, são incapazes de realizar qualquer obra de valor
duradouro.
Jesus, no Evangelho de João, capítulo
15, ao falar sobre a videira verdadeira, afirmou: "Sem mim, nada podeis
fazer". Essa verdade se estende a todos. Sem Deus, nada podemos alcançar.
Sem Deus, Maria, Paulo e Pedro não teriam cumprido seus propósitos.
Reconhecemos, portanto, nossa total dependência do Criador, em quem respiramos,
nos movemos e existimos. (Atos 17:28) É por meio Dele e da dependência de Sua
misericórdia que podemos atingir a plenitude espiritual e viver uma vida
piedosa. A vida piedosa, em sua essência, é a consequência natural de uma vida
guiada, controlada e repleta do Espírito Santo. Observamos, igualmente, a
humildade e a sinceridade de Maria. Notemos sua declaração: "Todas as
gerações me considerarão bem-aventurada". Qual a razão para essa ênfase numa
atenção universal? Ela mesma responde: "Porque o Todo-Poderoso fez em mim
grandes coisas". A iniciativa não partiu dela, mas da vontade divina. Deus
agiu por intermédio de Maria, que se tornou o instrumento para a realização de
seus grandiosos desígnios. Ela colocou em Deus o ponto nevrálgico central de
todo o milagre, não foi Maria quem fez o milagre, mas Deus quem fez grandes
milagres através de Maria. O grande Senhor trabalhando através de uma humilde
serva
Maria não atribuiu a si mesma a capacidade de
realizar grandes feitos para Deus. Ao contrário, ela reconheceu não possuir
forças próprias para tal. As grandes obras foram realizadas por Deus através de
Maria, pois, em sua humildade e entrega absoluta, ela se tornou o instrumento
escolhido por Ele. Assim, é fundamental compreendermos essa verdade, mantendo a
perspectiva correta, conforme revelada no texto em análise. A exegese cuidadosa
das declarações contidas no texto nos revela essa realidade. A minha alegria e
o regozijo do meu coração provêm da certeza de que Deus opera de maneira
extraordinária quando nos entregamos completamente a Ele, permitindo que
sejamos instrumentos de Sua graça para abençoar outras pessoas.
A manifestação da grandeza divina se revela
através da humildade, pois esta é o terreno fértil onde as sementes do poder
divino florescem. É na humildade que o amor resplandece com maior intensidade,
razão pela qual Cristo, o Redentor, veio como o Cordeiro de Deus que expia os
pecados do mundo. Na ocasião em que o homem buscou eleger um rei para Israel, a
escolha recaiu sobre Saul, homem de porte físico imponente e de grande
atrativo. Contudo, quando Deus selecionou um rei , a escolha foi recair sobre
um jovem desprezado aos olhos dos homens, um homem humilde que, na solidão dos
campos, pastoreava ovelhas. Seu nome era Davi. Aquele que se humilha para que
Deus seja exaltado experimentará as maiores e mais sublimes expectativas. Todo
instrumento que se entrega à ação divina tem a oportunidade de deixar um legado
espiritual significativo para o mundo.
Toda geração espiritualmente equilibrada terá como foco central a devoção a
Deus e a vivência diária da fé. A compreensão de que Deus é a fonte de tudo em
todos é fundamental. O sentimento mais nobre surge, desenvolve-se e prospera no
coração que acolhe essas verdades essenciais, pois este coração adentrou o
caminho da mais sincera devoção espiritual. Isso significa, acima de tudo, amar
a Deus com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente.
“Porque está escrito: Como eu vivo,
diz o Senhor, que todo o joelho se dobrará a mim, e toda a língua confessará a
Deus” (Romanos 14:11 veja também Isaias
45:23 e Filipenses 2:9 a 11)
É evidente, e qualquer pessoa atenta
perceberá, que Maria não busca protagonismo. Ela não almeja, nem exige, nem
procura desviar o foco para si mesma; antes, direciona toda a atenção ao
Senhor. Ele, Deus, é o centro de sua vida. Diante disso, podemos considerar
esta, sobre a pessoa de Maria, uma das declarações mais teocêntricas das
Escrituras Sagradas. Isso me remete a Colossenses, capítulo 1, versículo 18,
onde se afirma que em tudo Ele, Cristo, deve ter a preeminência. Maria, de
fato, conferiu a Deus a primazia em todas as suas ações. Ela abriu mão de
qualquer destaque pessoal, dedicando a Deus toda a sua vida, atenção e devoção.
Esse é, portanto, o caminho seguro para a prática da piedade cristã. É dessa
maneira que o cristão bíblico deve ser e permanecer.
É imprescindível que compreendamos essa
questão de forma definitiva. Maria, reconhecendo sua posição como criatura,
coloca-se humildemente perante Deus, o Criador. Ela é, portanto, o instrumento,
e Deus, Aquele que a utiliza. Essa reflexão evoca o Salmo 100, versículo 3,
onde o salmista declara: "Sabei que o Senhor é Deus; foi ele que nos fez,
e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio". Assim, podemos
entender Maria como instrumento de Deus, por ser sua criatura, sua serva.
Diante dessa realidade, Maria reconhece que a devoção não lhe é direcionada,
mas sim a Deus. Consequentemente, a vida de Maria é integralmente teocêntrica.
Do versículo 48 ao 54 do capítulo 1 de Lucas, fica evidente, de maneira clara e
concisa, a centralidade de Deus na vida de Maria. As evidências que se seguirão
demonstrarão que Maria dirige seu olhar inteiramente a Deus, ao Senhor, Suprema e Bendita
Majestade, de modo que a primazia e a preeminência pertencem única e
exclusivamente ao Deus Triúno.
Portanto, podemos discernir que Maria busca
orientar-nos a uma vida centrada em Deus. Ela o apresenta como a fonte
primordial, o agente principal e o soberano absoluto de todas as coisas. Seu
desejo é que adotemos essa centralidade divina, vivendo uma vida teocêntrica.
Observamos, assim, de maneira clara, que sua conduta visa direcionar nosso
olhar ao Senhor, reconhecendo-O como a fonte de tudo. Maria atribui a Ele toda
a honra e, em sua humildade, se coloca a serviço. Ela exalta a Deus como a
causa, o supremo, o onipotente, o administrador e o responsável por todas as
ações. Refletindo o versículo 48, ela declara que Deus contemplou sua
humildade. No versículo 49, atribui ao Poderoso as grandes coisas realizadas em
sua vida. No versículo 50, proclama a misericórdia divina que se estende por
gerações. No versículo 51, testemunha a ação de Deus com o braço forte. Ainda no
versículo 51, descreve Deus agindo na dispersão dos soberbos. No versículo 52,
relata a queda dos poderosos de seus tronos. No versículo 53, narra a exaltação
dos humildes e a partida dos ricos de mãos vazias. E, no versículo 54, declara
o amparo de Deus a Israel, seu servo. Evidencia-se, de forma concisa, que Maria
é totalmente teocêntrica, reconhecendo a constante atuação, o amparo e a
escolha de Deus. Maria é um exemplo de vida teocêntrica, e todo cristão bíblico
deve ter a Trindade Divina como o centro de sua vida, sua atenção e sua
teologia. Essa é a doutrina, a essência do ser um homem espiritualmente piedoso
e estritamente bíblico, tal como Maria foi. Antecipadamente, faço a suma, apresento Maria
como exemplo autêntico de piedade. O Novo Testamento oferece um retrato
detalhado de sua vida, revelando uma espiritualidade profunda. A verdadeira
espiritualidade cristã, aquela que emana da fé bíblica e da regeneração
espiritual, se manifesta em uma vida dedicada a Deus, como foi a vida de Maria.
Ela demonstrou submissão e serviço a Deus, qualidades que nos oferecem ricas e
valiosas lições. Essas características refletem a essência de uma
espiritualidade genuinamente bíblica e guiada pelo Espírito Santo, que inspirou
Lucas a registrar ensinamentos preciosos sobre a mãe de Jesus. Podemos aplicar
essas lições em nossas vidas, aprendendo que devemos direcionar nossa
existência completamente a Deus, que, em sua graça e misericórdia, nos utiliza
como instrumentos para a realização de seus propósitos, a fim de que a causa do
Evangelho seja promovida e a vontade divina se cumpra através de nós.
“Deus sempre e totalmente
engrandecido através de vasos frágeis que não desejam glórias ou grandeza para
si mesmas, mas desejam que todos olhem para as grandezas, majestade e poder de
Deus, que sejam todos os olhos fixos na soberania eterna e infinita do Deus
Triúno”

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