JUÍZOS E JULGAMENTOS UNIVERSAIS

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JUÍZOS E JULGAMENTOS UNIVERSAIS

 


 

C. J. Jacinto

 

 

 

 

 

No Evangelho de João, capítulo 12, versículo 31, encontra-se uma declaração notável de Jesus Cristo: "Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo". Ao considerar essa passagem, somos remetidos ao livro de Gênesis, capítulo 3, versículo 23, onde, após a queda, Adão e Eva foram removidos de sua posição de autoridade e expulsos do jardim do Éden. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, essa remoção de autoridade é um tema recorrente, indicando um julgamento. A narrativa de Adão e Eva pode ser interpretada como um juízo que se estende a toda a humanidade, dado que Adão é considerado o ancestral de toda a humanidade. Consequentemente, a expulsão de Adão e Eva do paraíso implicou também a expulsão de sua descendência. As Escrituras Sagradas relatam que querubins foram postos para guardar a entrada do jardim, impedindo o retorno, até que, presumivelmente, o paraíso fosse removido e transportado para o terceiro céu. Essa ideia pode ser corroborada pelas epístolas de Paulo, especificamente em 2 Coríntios, capítulo 12, onde Paulo relata ter sido arrebatado até o terceiro céu, isto é, ao paraíso. Posteriormente, observaremos a existência de outro juízo universal registrado no Antigo Testamento. No livro de Gênesis, capítulo 6, é descrito o propósito divino de extinguir a civilização da época, motivado pela crescente rebelião e maldade da humanidade. Consequentemente, o dilúvio ocorreu, resultando na morte de todos, com exceção da família de Noé, que sobreviveu à catástrofe e adentrou em um novo mundo.

 

A Cruz

 No Novo Testamento, encontram-se menções de, pelo menos, quatro julgamentos universais. O primeiro deles, ocorrido há aproximadamente dois mil anos, foi o juízo da cruz.  Textos como 1 Pedro, capítulo 2, versículo 24, ilustram este evento: "levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas chagas, fostes sarados."  Na cruz do Calvário, no momento da morte de Jesus, Ele tomou sobre Si os nossos pecados, de modo que a ira divina, destinada a nós, recaiu sobre um substituto penal. Cristo sofreu a punição que nos cabia. A totalidade da ira de Deus, que nos era devida, foi direcionada a Cristo, de forma que todos aqueles que creem em Jesus e em sua obra redentora são aceitos por Deus através desta substituição. Embora o juízo da cruz tenha sido universal em seu alcance, e sua provisão destinada a toda a humanidade, a salvação é concedida exclusivamente àqueles que creem em Cristo. A morte de Cristo possui alcance universal, impactando toda a humanidade. Para aqueles que creem, ela representa a salvação; para os que não creem, ela se traduz em condenação. A obra redentora de Cristo na cruz do Calvário, consumada por meio de seu sacrifício, onde a ira e o juízo divinos recaíram sobre Ele, é clara nas Escrituras. Jesus, conforme registrado em João 3:36, afirmou: "Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus". Assim, para aqueles que rejeitam a fé em Cristo, sua morte não trará benefício salvifico algum, mas sim, no dia do juízo, serão responsabilizados por ela (João 12:48). A ordem de Cristo é “Ide pregai o Evangelho a toda a criatura” (Mateus 16:15)  Portanto, compreendemos que a morte de Cristo possui um alcance amplo, proporcionando benefícios a todos os homens. Contudo, é fundamental ressaltar que os efeitos redentores da morte de Cristo se concretizam na vida daqueles que se arrependem de seus pecados e creem no Evangelho. Estes reconhecem Cristo como Senhor e Salvador, sentindo a culpa de suas transgressões e compreendendo que Cristo suportou a condenação que lhes cabia. Através desse arrependimento, ocorre uma transformação espiritual, uma conversão ao Senhor. Essa mudança é tão profunda que aqueles que verdadeiramente experimentam a redenção e se convertem de seus pecados passam a viver uma vida de gratidão e amor a Cristo. Essa transformação espiritual é genuína para aqueles que verdadeiramente compreendem o significado da cruz.

As Nações

As Escrituras, notadamente os ensinamentos de Jesus Cristo, abordam a questão de um juízo futuro, digno de nossa atenção. Em Mateus, capítulo 25, versículo 31, e Mateus, capítulo 11, versículo 21, é mencionado um juízo sobre as nações. Considerando a abrangência deste juízo, que se estende a todas as nações, pode-se entendê-lo como um juízo universal específico, no qual todas as nações serão julgadas perante o Senhor.

 Não dispomos de detalhes precisos sobre a natureza desse juízo, nem sobre os critérios que o regerão. Entretanto, a distinção entre nações que se abriram para o Evangelho e aquelas que perseguiram a Igreja pode ser relevante. A perseguição histórica da Igreja por impérios e nações, bem como a aceitação ou rejeição do Evangelho, podem ser fatores considerados nesse julgamento. Ademais, no livro de Apocalipse, encontramos a menção de nações que caminharão sob a luz da Nova Jerusalém.(Veja Apocalipse 21:24,26 e 22:2) Assim, algumas nações, embora passando pelo juízo, permanecerão nos novos céus e na nova terra.

O Tribunal de Cristo

Em Romanos capitulo 14 e versículo 10 e II Coríntios capitulo 5 e versículo 10 temos a abordagem paulina acerca do tribunal de Cristo, nesse tribunal comparecerá os salvos, para prestar contas acerca de suas obras, é o acerto de contas da mordomia e dos dons, não é um tribunal para julgar, mas para premiar. Ali os redimidos receberão coroas e galardões, se forem dignos disso, esse acerto de contas deveria ser um assunto que nos traga responsabilidade e esperança. Considero um tipo de julgamento universal exclusivo para cristãos de todas as eras, mas reitero que não será para a punição de salvos, pois nenhuma condenação há para os que  estão em Cristo Jesus (Romanos 6:1)

O Grande Trono Branco

Outro grande julgamento do qual as escrituras mencionam e talvez aquele de maior relevância dentro da teologia do Novo Testamento é o juízo final. Lemos isso no livro de Apocalipse capítulo 20, versículo 11 ao versículo 15. Esse juízo final também será um juízo universal do qual comparecerão diante do trono branco todos os homens de todas as eras, desde o primeiro até o último homem, todos eles, todos aqueles que não têm o seu nome escrito no livro da vida, todos aqueles que não foram salvos pela, não foram salvos pela graça, todos aqueles que não responderam ao evangelho, mas seguiram na sua incredulidade, esses comparecerão perante o juízo final para serem condenados. De modo que ricos e pobres, grandes e pequenos, magistrados e ignorantes, todos eles estarão ali, frente a frente, com o rei dos reis e senhor dos senhores, do qual ele condenará todos aqueles que não estiverem escritos no livro da vida, e esses padecerão eternamente no lago de fogo, juntamente com todos os anjos e anjos caídos, juntamente com satanás e juntamente com todos os espíritos que se rebelaram contra o verdadeiro Deus e não e desprezaram completamente o sacrifício que Jesus Cristo apresentou e ofereceu ali na cruz do Calvário. Cada homem, portanto, que não estiver com o nome escrito no livro da vida, ele estará ali perante os juízos. Final, diante do trono do Deus Todo-Poderoso, juiz de todos, do qual irá julgar todos aqueles que rejeitaram o evangelho da graça, todos os que rejeitaram a Cristo, todos aqueles que simplesmente viveram a vida de acordo com as suas próprias concupiscências e ignoraram, rejeitaram e até atacaram o evangelho da graça e da glória de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Esse será um dia terrível, esse será um dia de assombro, esse será um dia em que toda a língua confessará e todo o joelho irá se dobrar perante Cristo confessando com o Senhor. Todavia, essa é uma confissão, não para serem salvos, essa é uma confissão irreversível do qual cada homem terá que prestar contas perante o Senhor. E também reconhecê-lo que ele é o Senhor digno de receber todo o respeito e todo o temor.  O escatológico Juízo Final, descrito nas Escrituras, notadamente em Apocalipse 20:11-15, constitui o ponto culminante da teologia do Novo Testamento. Este juízo universal abarcará todos os indivíduos de todas as épocas, desde o primeiro até o último, que comparecerão diante do trono branco. Aqueles cujos nomes não estiverem inscritos no livro da vida, isto é, aqueles que não foram alcançados pela graça divina e que rejeitaram o Evangelho, serão julgados e condenados. Diante do Juízo Final, estarão presentes, sem distinção, ricos e pobres, sábios e ignorantes, autoridades e cidadãos comuns, confrontando o Rei dos reis e Senhor dos senhores. A sentença recairá sobre todos aqueles que não tiverem seus nomes no livro da vida, e estes sofrerão a condenação eterna no lago de fogo, juntamente com os anjos caídos, Satanás e os espíritos que se rebelaram contra Deus, desprezando o sacrifício redentor de Jesus Cristo no Calvário. Portanto, todo indivíduo cujo nome não estiver escrito no livro da vida comparecerá perante o trono do Deus Todo-Poderoso, o Juiz de todos. Ali serão julgados aqueles que rejeitaram o Evangelho da graça, que negaram a Cristo e que viveram em desobediência, ignorando, rejeitando ou até mesmo opondo-se ao Evangelho da graça e da glória de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Este dia será de grande temor, um dia em que toda língua confessará e todo joelho se dobrará perante Cristo, reconhecendo-O como Senhor. Contudo, esta confissão será irrevogável e não garantirá a salvação, mas sim um reconhecimento da soberania de Cristo, no qual cada indivíduo prestará contas diante do Senhor.

Ver o Invisível: como o espiritismo e o ocultismo seduziram a cultura moderna

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Ver o Invisível: como o espiritismo e o ocultismo seduziram a cultura moderna

Vivemos em uma época fascinada pelo invisível. O homem moderno, que tantas vezes se apresenta como racional, científico e emancipado da superstição, paradoxalmente tornou-se profundamente seduzido por formas renovadas de espiritualidade, esoterismo e ocultismo. Aquilo que outrora era marginal, reservado a sociedades secretas, médiuns ou círculos espiritualistas, hoje se encontra disseminado em livros, filmes, redes sociais, terapias alternativas, discursos acadêmicos e até mesmo em ambientes religiosos. O invisível voltou a ser desejado — não como revelação divina, mas como experiência subjetiva, como poder interior, como expansão de consciência.

Essa sedução não aconteceu por acaso. Ela foi sendo construída ao longo da modernidade por meio de uma série de movimentos culturais, filosóficos e espirituais que, pouco a pouco, enfraqueceram a centralidade da verdade objetiva, da revelação bíblica e do discernimento moral. No lugar da fé histórica e revelada, instalou-se o fascínio pela experiência. No lugar da Palavra, o êxtase. No lugar do arrependimento, a curiosidade espiritual. E no lugar de Deus, muitas vezes, o próprio homem em busca de transcendência sem cruz.

O fenômeno do espiritismo moderno, em especial, desempenhou um papel decisivo nesse processo. Não se trata apenas de uma crença em espíritos ou na sobrevivência da alma após a morte, mas de um sistema cultural que reorganizou o imaginário ocidental em torno da possibilidade de comunicação com o além, da mediação espiritual, da relativização da morte e da crença em realidades ocultas acessíveis ao homem por técnicas, rituais ou disposições psíquicas. O espiritismo ofereceu ao homem moderno uma religião sem dogma rígido, uma transcendência sem juízo final, uma espiritualidade sem necessidade de redenção em Cristo. Essa fórmula, profundamente sedutora, encontrou terreno fértil em uma cultura que já desconfiava da ortodoxia cristã e ansiava por novas formas de experiência espiritual.

Ao lado do espiritismo, o ocultismo também avançou como uma corrente poderosa. O ocultismo não se limita a práticas explícitas de magia ou invocação; ele é, antes, uma cosmovisão. Trata-se da crença de que existem forças, energias, correspondências e conhecimentos secretos que podem ser acessados por iniciados, por métodos especiais ou por estados alterados de consciência. Essa visão reaparece sob novas roupagens em cada geração: astrologia repaginada, reencarnação popularizada, “energia do universo”, terapias vibracionais, mediunidade reinterpretada como sensibilidade, canalizações espirituais, xamanismo urbano, cultos à intuição e narrativas de autodeificação.

O que impressiona é que tudo isso se expandiu justamente em uma cultura que se autoproclama secularizada. A modernidade prometeu libertar o homem da religião, mas não o libertou da necessidade de transcendência. Em vez disso, apenas trocou a adoração do Deus vivo por uma espiritualidade difusa, fragmentada e profundamente enganosa. O ser humano continua desejando o invisível porque foi criado para Deus; porém, quando rejeita a verdade revelada, torna-se vulnerável a toda forma de ilusão espiritual. A fome permanece, mas o alimento é falsificado.

Essa dinâmica ajuda a explicar por que o ocultismo se tornou tão influente na arte, na literatura e no pensamento moderno. Muitos intelectuais, artistas e escritores passaram a ver no esoterismo uma alternativa ao materialismo árido e ao cristianismo tradicional. O invisível deixou de ser o domínio da revelação bíblica e passou a ser explorado como território de experimentação, transgressão e autoexpressão. A imaginação moderna foi colonizada por símbolos ocultistas, visões mediúnicas, cosmologias alternativas e narrativas espiritualistas. O sobrenatural deixou de apontar para Deus e passou a apontar para o “mistério” como valor em si mesmo — um mistério sem verdade, sem arrependimento e sem salvação.

Em muitos casos, essa sedução ocorreu por meio de uma linguagem aparentemente inocente. O espiritismo e o ocultismo raramente se apresentam, hoje, com o peso sombrio que possuíam em séculos passados. Eles se disfarçam de autoconhecimento, cura emocional, expansão da mente, sensibilidade espiritual, busca por sentido, conexão com o universo, reconciliação com ancestrais ou libertação de traumas. O vocabulário mudou, mas a essência permanece: a tentativa humana de acessar o invisível à parte da mediação estabelecida por Deus. Em termos bíblicos, trata-se da velha tentação do Éden: “sereis como Deus”. Conhecimento sem submissão. Poder sem santidade. Espiritualidade sem obediência.

A Escritura é extraordinariamente clara quanto a isso. Desde o Antigo Testamento, Deus proíbe terminantemente a consulta aos mortos, a adivinhação, a feitiçaria, os encantamentos e toda forma de mediação espiritual ilegítima (Deuteronômio 18:10–12; Isaías 8:19). Essas proibições não são meras expressões de um temor arcaico, mas revelações do perigo real envolvido em abrir-se a poderes espirituais que não procedem do Senhor. O problema não é apenas moral, mas ontológico: há um mundo espiritual real, e nem todo espírito é benigno. O Novo Testamento reforça essa advertência ao exortar os crentes a provar os espíritos (1 João 4:1), a rejeitar doutrinas de demônios (1 Timóteo 4:1) e a reconhecer que Satanás pode se transfigurar em anjo de luz (2 Coríntios 11:14).

Essa é precisamente uma das maiores tragédias da cultura moderna: ela deseja o sobrenatural, mas sem discernimento. Quer transcendência, mas sem verdade. Quer experiências espirituais, mas sem a santidade de Deus. Quer “ver o invisível”, mas recusa a luz da revelação bíblica que expõe a natureza do que está sendo visto. Em consequência, muitos confundem manifestação espiritual com autenticidade, intensidade emocional com presença divina, fenômeno com verdade, e mistério com sabedoria.

Esse mesmo padrão, infelizmente, não está restrito ao mundo secular. Em muitos ambientes religiosos contemporâneos, especialmente em contextos marcados pelo anti-intelectualismo, pelo sensacionalismo espiritual e pela exaltação de experiências subjetivas, percebe-se uma perigosa convergência com elementos do imaginário ocultista. Quando a fé deixa de ser regulada pela Escritura e passa a ser guiada por visões, “downloads espirituais”, revelações extrabíblicas, decretos proféticos e obsessão por sinais extraordinários, o terreno torna-se fértil para confusão espiritual. Nem toda linguagem “cristã” é biblicamente cristã. Nem toda experiência espiritual é obra do Espírito Santo.

A cultura moderna, portanto, não apenas foi seduzida pelo espiritismo e pelo ocultismo — ela foi reencantada por eles. E esse reencantamento é especialmente poderoso porque se apresenta como libertação, quando na verdade é escravidão; como iluminação, quando na verdade é engano; como profundidade, quando na verdade é afastamento da verdade revelada. O homem moderno acredita estar ampliando sua consciência, mas frequentemente está apenas se tornando mais vulnerável a formas refinadas de ilusão espiritual.

A resposta cristã a esse cenário não deve ser nem ingenuidade nem fascínio, mas discernimento. A igreja não pode competir com o ocultismo oferecendo sua própria versão de espetáculo espiritual. Também não pode se render ao silêncio, como se essas questões fossem secundárias. É necessário recuperar uma teologia robusta do mundo espiritual, firmada na suficiência das Escrituras, na centralidade de Cristo e na seriedade da batalha espiritual. O invisível existe, mas ele não deve ser explorado segundo a curiosidade humana; deve ser interpretado segundo a revelação de Deus.

Cristo não veio para satisfazer o apetite humano por experiências místicas. Ele veio para destruir as obras do diabo, reconciliar pecadores com Deus e conduzir os homens da mentira para a verdade. A fé cristã não é uma técnica de acesso ao invisível, mas submissão ao Deus que se revelou. Não é busca de poder oculto, mas rendição ao Senhor ressurreto. Não é curiosidade sobre espíritos, mas comunhão com o Espírito Santo segundo a Palavra. O cristianismo bíblico não ensina o homem a dominar o invisível; ensina-o a temer a Deus, discernir os espíritos e andar na luz.

Em um mundo hipnotizado por energias, sinais, vozes e revelações, a maior necessidade não é de mais experiências — é de mais verdade. O problema da modernidade não é que ela deixou de crer no invisível; é que ela passou a crer no invisível errado. E quando o invisível é buscado sem a cruz, sem a verdade e sem o senhorio de Cristo, o que se encontra não é libertação, mas engano sofisticado.

Ver o invisível pode parecer fascinante. Mas, sem discernimento bíblico, pode ser o primeiro passo para abraçar aquilo que Deus nos mandou rejeitar.


Bibliografia / Referência base

Giogio, S. Vedere l’invisibile (PDF analisado pelo usuário).
Documento utilizado como base temática para reflexão sobre a influência do espiritismo, do ocultismo e da busca moderna pelo invisível na cultura contemporânea.

 

 

Verdades que Incomodam

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O diabo usa meias verdades para fazer delas mentiras enormes, e o chamado divino das Escrituras é que devemos estar em todo tempo sóbrios e vigilantes.

O céu é um lugar de santos conservadores, no seu sentido mais bíblico é um lugar santo para redimidos que foram santificados por Cristo para viverem a santidade para a glória de Deus.

Um homem de Deus no exercício do ministério da pregação não está interessado em proclamar mensagem de conforto em uma era de apostasia, em tempos de perigos, sua ênfase será sempre a advertência, aos salvos para que fiquem alerta e aos incrédulos para que se arrependam

Erro doutrinário não é algo neutro, nos casos mais sérios, é contaminação espiritual, muitas heresias são destruidoras, não podemos lidar com isso de forma superficial, pois as conseqüências de muitas heresias e erros doutrinários são catastróficas

 

C.J. Jacinto

 

Ampliando Sua Visão do Mundo

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 Ampliando Sua Visão do Mundo

Cosmovisões

 


 

Acredito que, para o cristão inserido em uma sociedade com amplo acesso à informação, é imprescindível compreender o mundo contemporâneo. É fundamental, mais do que nunca, desenvolver uma percepção aprofundada e precisa do funcionamento dos sistemas que o compõem, a fim de entender a dinâmica da fé cristã em um mundo plural. A fé cristã, conforme apresentada no Novo Testamento e nos ensinamentos de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, não é uma alternativa entre outras religiões; essa é uma concepção equivocada, Cristo apresentou a fé nEle como único caminho (João 14:6). Jesus declarou ser o caminho, a verdade e a vida, o que implica que o único caminho para Deus é através de Cristo. Da mesma forma, a verdade se manifesta através de seus ensinamentos, dos ensinamentos de seus apóstolos e de sua própria pessoa. Não há múltiplas verdades, mas sim uma única verdade, que nos conduz ao absoluto: Cristo. Não há múltiplos caminhos, mas sim um único caminho, e o Senhor Jesus é esse caminho. Compreender isso é crucial. Ademais, é necessário reconhecer que o pensamento religioso e filosófico mundial é, em grande parte, estruturado em torno de cinco cosmovisões.    

 Compreender essas cosmovisões é essencial para fundamentar nossa compreensão da fé. É notável que, para uma mente menos atenta, a multiplicidade de religiões e filosofias no mundo contemporâneo possa parecer avassaladora, quase inumerável. Essa percepção é superficial, frequentemente, obstrui a compreensão aprofundada e precisa dos sistemas de crenças e do pensamento filosófico. Apesar da aparente diversidade de filosofias e religiões, uma análise comparativa e classificatória de suas essências revela que elas podem ser enquadradas em apenas cinco cosmovisões distintas. Neste estudo, exploraremos brevemente as seguintes filosofias, a fim de fornecer ao leitor uma visão geral de cada uma: o naturalismo, o panteísmo, o teísmo, o espiritismo e o politeísmo, e, por fim, o pós-modernismo. Cada uma dessas perspectivas apresenta conceitos distintos, de modo que uma religião ou crença específica pode ser enquadrada em uma dessas cinco cosmovisões.  

 Concluímos, portanto, que, embora existam inúmeras religiões, o sistema de crenças e filosofias pode ser analisado a partir de cinco cosmovisões principais. Da mesma forma, embora haja muitas filosofias, todas se encaixam em uma dessas categorias. Em suma, o sistema pode ser reduzido a cinco perspectivas fundamentais, em vez de milhares. Inicialmente, abordaremos o naturalismo. Essa corrente de pensamento engloba diversas vertentes filosóficas, como o ateísmo, o agnosticismo e o existencialismo, entre outras.

Naturalismo

No naturalismo, a realidade é concebida como exclusivamente material. Tudo o que existe é matéria, constituindo uma realidade unidimensional. Não há espaço para a existência de alma ou espírito, tampouco para um mundo espiritual. Deus, anjos e demônios são negados. A explicação da realidade reside nas leis naturais, justificando o nome "naturalismo". Qual a visão do naturalismo sobre o ser humano? Para o naturalismo, o homem é um produto casual do processo evolutivo biológico. Sua existência é puramente material, desprovida de alma ou imortalidade. O homem é, em essência, um animal, com a perspectiva de extinção da espécie humana. Em relação ao conceito de verdade, o naturalismo a define, em geral, como aquilo que pode ser comprovado cientificamente. Somente o que pode ser percebido pelos cinco sentidos é considerado real ou verdadeiro.

 Quanto aos valores, o naturalismo nega a existência de valores objetivos ou morais aboslutos (embora muitos neguem isso, o fato que tudo á reduzido a fenômenos químicos no cérebro e comportamento social evolutivo). A moralidade é vista como contextualizado no esquema evolutivo. Em uma perspectiva naturalista radical, também a moralidade se resume a reações químicas no cérebro ou a meros reflexos condicionados ao sistema social vigente. A moral social é entendida como um conjunto de preferências individuais ou comportamentos socialmente vantajosos, sujeitos a evolução e mudanças. Consequentemente, o naturalismo, em maior ou menor grau, pode levar ao relativismo e ao pragmatismo e em muitos sentidos ao endeusamento do homem e culto a personalidade, num estado materialista como foi a URSS Lênin foi venerado como uma divindade e Darwin e outros neo-ateus são ovacionados como profetas.

 

Panteísmo


Apresento, a seguir, uma análise da segunda cosmovisão, o Panteísmo. Essa corrente engloba diversas crenças, filosofias e religiões, como o Hinduísmo, o Taoísmo, o Budismo, o Espiritualismo e vertentes associadas ao movimento Nova Era. No que concerne à natureza da realidade, o Panteísmo a concebe primordialmente como espiritual. As demais dimensões seriam consideradas ilusórias, manifestações do que é conhecido como Maya. A realidade espiritual, o Brahman, é eterna, impessoal e incognoscível. A perspectiva panteísta pode ser resumida na ideia de que tudo é parte de Deus, ou que Deus está imanente em tudo e em todos. Com relação à natureza humana, o Panteísmo a considera uma expressão da realidade suprema. O ser humano é, em essência, um ser espiritual eterno e impessoal. A percepção da individualidade é entendida como uma ilusão. No que tange à verdade, o Panteísmo a identifica com a experiência de unidade com o universo. A verdade transcende a capacidade de descrição racional. O pensamento racional, tal como é concebido no Ocidente, seria insuficiente para apreender essa realidade. Em relação aos valores morais, a perspectiva panteísta, considerando a realidade última impessoal, propõe que não há distinção substancial entre o bem e o mal. Em vez disso, comportamentos considerados inadequados são aqueles que não reconhecem a unidade essencial do universo.

 

Politeísmo e Espiritismo


A terceira cosmovisão a ser considerada é a que se apresenta na confluência do Espiritismo e do Politeísmo. Qual a natureza da realidade sob essa perspectiva? No Politeísmo, o mundo é concebido como habitado por entidades espirituais e divindades, que influenciam e governam os eventos terrenos. Deuses, demônios e espíritos são considerados as forças motrizes por trás dos acontecimentos, tanto em escala cósmica quanto cotidiana. Embora os objetos materiais existam, eles são vistos como possuindo uma dimensão espiritual intrínseca, passíveis de interpretação dentro de uma cosmovisão espiritual. No que concerne à humanidade, o Politeísmo postula que os seres humanos são criações divinizadass, assim como todas as outras formas de vida. Frequentemente, grupos étnicos e sociedades estabelecem relações particulares com certas divindades ou espíritos, que atuam como protetores e, por vezes, punidores.
 No tocante à verdade, a compreensão do mundo natural é alcançada por meio de figuras como gurus, “channelings” feiticeiros e xamãs, que, por meio de visões e rituais, buscam revelar as ações e intenções das divindades, espíritos e demônios. Em relação aos valores morais, estes se manifestam através de tabus, considerados ações que podem provocar a ira ou o desagrado de diversas entidades espirituais. Tais tabus diferem da noção tradicional de bem e mal, pois a atenção deve ser igualmente dedicada a evitar a ofensa tanto de espíritos benevolentes quanto maléficos. Dessa forma, observa-se um dualismo, embora não necessariamente fundamentado em uma distinção moral clara entre entidades boas e más.

 

Pós-modernismo


Apresento, a seguir, a quarta cosmovisão: o pós-modernismo. Sob a perspectiva pós-moderna, a realidade é compreendida através da linguagem e do contexto cultural. Em consequência, a realidade é entendida como uma construção social, na qual não existem verdades absolutas. O relativismo e o pragmatismo são, portanto, seus alicerces. No que concerne ao ser humano, o pós-modernismo o concebe como uma manifestação cultural, produto do ambiente social. A noção de autonomia e liberdade individual é, nesse contexto, questionada. Em relação à verdade, esta é definida como uma construção mental com significado para os indivíduos dentro de um determinado paradigma cultural. Tais verdades, contudo, não se estendem a outros paradigmas ou culturas, sendo a verdade, portanto, relativa ao contexto cultural. No tocante aos valores, estes são intrínsecos aos paradigmas sociais. A tolerância, a liberdade de expressão, a inclusão e a recusa em estabelecer verdades universais são, na visão pós-moderna, os únicos valores que podem ser considerados universais.

Teísmo


A quinta e última cosmovisão é o teísmo. O teísmo engloba as religiões abraâmicas, como o cristianismo, o islamismo e o judaísmo. Nesta perspectiva, a realidade é concebida como um Deus pessoal e infinito, que existe eternamente. Ele é o criador do universo material, do mundo espiritual e de todo o cosmos. A realidade, portanto, possui tanto uma dimensão material quanto uma espiritual. O universo, tal como o conhecemos, teve um princípio e terá um fim. Dentro do teísmo, observamos um universo e uma criação em constante desenvolvimento, sujeitos ao controle soberano de um Deus pessoal, que intervém e exerce domínio sobre sua criação. No teísmo, a humanidade é considerada a criação singular de Deus. Essa perspectiva teísta confere ao ser humano o papel de ápice da criação, moldado à imagem e semelhança divina. A origem humana, portanto, não é atribuída a processos evolutivos ou ao acaso, mas sim a um ato criativo intencional, dotando o homem de inteligência e propósito. A crença na criação à imagem e semelhança de Deus implica a natureza pessoal, espiritual, biológica e eterna do ser humano, e também fundamenta valores essenciais para a coesão social e a segurança comunitária. Com relação à concepção de verdade, o teísmo sustenta a existência de verdades absolutas, posicionando-se em oposição ao relativismo e ao pós-modernismo. A verdade acerca de Deus é acessível por meio da revelação divina. A compreensão da realidade material é alcançada através da revelação e da experiência sensorial, em consonância com o raciocínio lógico. O desenvolvimento intelectual do teísmo, portanto, fundamenta-se nessa premissa. A ciência, em seus primórdios, adotou essa abordagem, posteriormente desviando-se para o naturalismo. Desse modo, ocorreu uma espécie de apostasia intelectual, pois a ciência, em seus primórdios, assim como as grandes universidades, fundamentava-se em uma visão teísta. Em relação aos valores morais, o teísmo postula e propaga que estes valores representam a manifestação objetiva de um ser moral absoluto. Essa concepção decorre da crença na existência de verdades absolutas, aplicáveis à esfera espiritual e ao comportamento humano.


Gostaria de destacar, neste contexto, o naturalismo e o pós-modernismo, temas já abordados, pois ambas as correntes filosóficas têm representado desafios significativos para o cristianismo ocidental. Em particular, o pós-modernismo, que dentro de sistemas políticos ideológicos, se manifesta através da retórica do absurdo, da disseminação do pragmatismo, maquiavelismo e relativismo, da obscurecimento da lógica e da adesão ao irracionalismo, gerando visões restritas e raciocínios falaciosos. Consequentemente, diversas ideologias políticas, especialmente aquelas influenciadas pelo pensamento socialista marxista, têm contribuído para um ataque à fé cristã tradicional e ao teísmo.

 

Leitura recomendada

 

O Universo Ao Lado – James W. Sire – Editora Monergismo

 

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Autor: C. J. Jacinto