O Sacrifício da Missa na Igreja Católica Romana

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O Sacrifício da Missa na Igreja Católica Romana

O sacrifício da Missa é o coração da fé católica romana. É a parte mais sagrada do culto católico. “É o segredo da sua santidade e vitalidade.” São Francisco de Sales chamou-a de “a mola mestra da devoção”. Segundo o Papa Urbano: “Se os anjos pudessem invejar algo nos homens, seria o poder de oferecer o Santo Sacrifício.” O Cardeal Newman chamou-a de “a maior ação sobre a terra”.

Ensinamento Oficial Católico – A Igreja de Roma ensina: (1) que, na Última Ceia, Cristo instituiu a Missa, um sacrifício verdadeiro e visível; (2) que Cristo legou a Missa à sua Igreja para ser vital para a remissão dos pecados e da pena devida a eles, e para o benefício dos vivos e dos mortos; (3) que Cristo estabeleceu um sacerdócio especial para a sua celebração; (4) que Cristo, por meio do ministério dos seus sacerdotes, se oferece na Missa assim como se ofereceu na cruz; mas, enquanto na cruz se ofereceu de maneira cruenta, na Missa se oferece de maneira incruenta; (5) que, com essa diferença, o sacrifício da Missa é o mesmo sacrifício da cruz, pois há o mesmo sacerdote, a mesma vítima e a mesma oferta.

Afonso de Liguorio, “doutor” da igreja católica afirma no seu livro “A Selva”: “De certo modo, pode o padre dizer-se criador do seu Criador, porque pronunciando as palavras da consagração, cria Jesus Cristo sobre o altar, onde lhe dá o ser sacramental, e o produz como vítima para o oferecer a Padre eterno. Para criar o mundo, Deus só disse uma palavra: Disse, e tudo foi feito; do mesmo modo, basta que o sacerdote diga sobre o pão: Isto é o meu corpo; = Hoc est corpus meum; e eis que o pão deixou de ser pão: é o corpo de Jesus Cristo”

Isso não é assustador? bilhões de Cristos já foram criados pelos padres, cada sacerdote é um criador literal de um cristo, pois de outra forma, a crença na literalidade da transubstanciação se desmorona. Suas palavras são comparadas ao Criador, Liguori compara o sacerdote com um poder divino igual ao Deus Pai que em Genesis ordena que as coisas existam e elas passaram a existir, assim os sacerdotes são comparados com um poder idêntico, sendo criadores como Deus é o Criador. Esse é o evangelho romanista! (Galatas 1:8 e 9) e é justamente por causa desse poder, que o “doutor” da igreja chama o padre de um ser divino: “Segundo S. Dionísio, o sacerdócio é uma dignidade angélica, ou antes divina; por isso chama ao padre um homem divino” (1)

Roma ensina que, assim como o sacrifício do Calvário foi prefigurado nos sacrifícios judaicos, ele é continuado na Missa nos seus elementos essenciais como sacrifício. A doutrina católica é que, por meio do sacrifício da Missa, um amigo de Deus recebe a apaziguação da ira divina, a extinção da dívida da pena temporal e o recebimento de bênçãos, que incluem um aumento da graça santificante. Por meio da Missa, os atos de doação, louvor, ação de graças, expiação, satisfação e petição recebem uma nova e especial eficácia. No sacrifício da Missa, diz-se que se recebe, mais seguramente do que por qualquer outro meio, a graça da contrição na hora da necessidade, a graça de uma santidade mais perfeita e todas as bênçãos temporais que não estejam em conflito com o bem-estar espiritual.

Quinto Artigo do Credo do Papa Pio IV – “Professamos, igualmente, que na Missa se oferece a Deus um sacrifício verdadeiro, próprio e propiciatório pelos vivos e pelos mortos. E que no santíssimo sacramento da Eucaristia estão verdadeira, real e substancialmente o sangue, juntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo; e que se opera a conversão de toda a substância do pão no corpo, e de toda a substância do vinho no sangue, conversão essa que a Igreja Católica chama de Transubstanciação. Confesso também que sob uma só das espécies, se recebe Cristo inteiro e verdadeiro sacramento ”

No Latim: "Profiteor pariter, in missa offerri Deo verum, proprium et propitiatorium sacrificium pro vivis et defunctis; atque in sanctissimo eucharistiae sacramento esse vere, realiter et substantialiter corpus et sanguinem, una cum anima et divinitate Domini nostri Jesu Christi, fierique conversionem totius substantiae panis in corpus et totius substantiae vini in sanguinem; quam conversionem Catholica Ecclesia transsubstantiationem appellat”

Documento oficial: A "Profissão de Fé Tridentina" foi promulgada pelo Papa Pio IV através da bula "Iniunctum nobis", em 13 de novembro de 1564

Propósito: Este credo foi criado para resumir e reafirmar os principais dogmas definidos pelo Concílio de Trento (1545-1563), especialmente em oposição às doutrinas protestantes. Por muito tempo, foi utilizado como um juramento de fé por teólogos e para a reconciliação de convertidos à Igreja Católica

Loraine Boettner, em seu livro clássico O Catolicismo Romano, pede ao leitor que “observe que, em todos esses versículos, (Hb 9,22-28  e Hb 10,10-14)aparece a expressão ‘uma vez por todas’, que contém a ideia de completude ou finalidade, e que exclui a repetição. A obra de Cristo na cruz foi perfeita e decisiva. Constituiu um evento histórico único, que nunca precisa ser repetido e que, de fato, não pode ser repetido. A linguagem é perfeitamente clara: ‘Ele ofereceu um único sacrifício pelos pecados, para sempre’ (Hb 10,12). Paulo diz que ‘Cristo, ressuscitado dos mortos, já não morre’ (Rm 6,9); e o autor da Carta aos Hebreus diz: ‘Com uma só oferta, ele aperfeiçoou para sempre os que são santificados’ (10,14). Somos informados de que Cristo ‘se assentou’ (10,12) como sinal de que sua obra estava concluída. Pode estar certo: ele nunca desce desse lugar exaltado para ser novamente sacrificado nos altares de Roma ou em qualquer outro lugar; pois desse sacrifício não há necessidade... Graças a Deus, podemos olhar para o que nosso Senhor fez no Calvário e saber que ele completou o sacrifício pelos pecados de uma vez por todas, e que nossa salvação não depende do capricho ou decreto arbitrário de qualquer sacerdote ou igreja. Qualquer pretensão de uma oferta contínua pelo pecado é pior que vã, pois é uma negação da eficácia do sacrifício expiatório de Cristo no Calvário.” A doutrina católica da repetição renovada do sacrifício de Cristo afasta muitos do céu, porque sugere que o sacrifício de Cristo na cruz pelos nossos pecados foi insuficiente. Se não fosse, por que precisaria ser repetido tantas vezes? A ideia de que o sacrifício de Cristo não foi suficiente é então usada para levar as pessoas a crer que a pessoa que morre deve sofrer no purgatório para pagar pelos próprios pecados, até que Cristo tenha sido oferecido vezes suficientes para acumular o mérito necessário para completar o pagamento. Mas a verdade é: “Com uma só oferta, ele aperfeiçoou para sempre os que são santificados” (Hb 10,14). Confie em Cristo e na sua capacidade de aperfeiçoá-lo com uma única oferta, em vez de negar a sua salvação, pensando que o seu sacrifício é insuficiente. O sacrifício do nosso Senhor cuidou dos nossos pecados de forma tão completa que Deus é capaz de perdoá-los e esquecê-los: “Dos seus pecados e das suas iniquidades não me lembrarei mais. Ora, onde há remissão destes, já não há oferta pelo pecado” (Hb 10,17-18). Creia na promessa de Deus de que ele realmente o perdoará e esquecerá todos os seus pecados, quando você confiar na suficiência do único sacrifício que seu Filho fez na cruz do Calvário. (Bartholomew F. Brewer, ex-sacerdote católico romano)

 

(1) O leitor pode ler as afirmações de Afonso de liguorio, verificando a sua própria obra:

https://januacoeli.wordpress.com/wp-content/uploads/2008/09/selva-sto-afonso.pdf

 

 

 


 

A SUPERIOR RESSURREIÇÃO

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Parece-me que a superior ressurreição mencionada em Hebreus, capítulo 11, versículo 35, se refere a uma recompensa no tribunal de Cristo que seguirá a ressurreição. É claro que aquela expressão não pode significar que há diferença na ressurreição propriamente dita. Aqueles que foram fiéis até a morte, não aceitando seu resgate, receberão uma recompensa maior do que aqueles que escaparam a tortura por dar lugar ao medo, assim aceitando o livramento. Todos eram crentes. A referência não podia ser aos descrentes, porque para estes não haverá ressurrição para a vida. O escapar a morte por aceitar o resgate significará para os que. Assim fizeram uma perda de recompensa. Não receberão os tais uma superior ressurreição, embora serão ressuscitados de fato dentre os mortos. Parece haver uma diferença entre o que é sugerido neste versículo e o que Paulo tinha na mente quando diz para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos. Filipenses capítulo 3 e 11. Neste caso, parece referir-se à vida presente ressuscitando da ressurreição espiritual. Isto é indicado pelo seu desejo expresso no versículo 10, para o conhecer e o poder da sua ressurreição. Esse é o verdadeiro alvo de cada crente. Aqui e agora, envolve a comunhão de seus sofrimentos e a conformidade com a sua morte. Que isso se refere a uma experiência presente, e não a futura ressurreição dos santos, vê-se mais adiante pelo contexto no versículo 12, onde o apóstolo diz que. Porque ele não atingiu o ideal, mas que se empenha em prosseguir para o alvo da soberana vocação de Deus sem Cristo Jesus. Ele exorta-nos a sermos todos assim dispostos, e é somente por vivermos dia a dia nossa vida de experiência do poder da ressurreição de Cristo, que receberemos uma recompensa maior no futuro. Assim sendo, concluo que Hebreus 11.35 se refere ao futuro, ao passo que em Filipenses capítulo 3 de versículo 11 trata do presente. A única coisa que as duas passagens têm em comum é que haverá uma recompensa futura.




Autor W.E. Vine, extraído da revista A Senda do Cristão, número desconhecido.

A Heresia da Auto-Estima

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A Heresia da Auto-Estima

 

C. J. Jacinto

 

 

A psicologia moderna possui raízes em correntes filosóficas notadamente anticristãs, cujo propósito é analisar e moldar o comportamento humano. Em virtude dessa natureza, muitos cientistas contemporâneos questionam o rigor acadêmico da disciplina, não a considerando como uma ciência autêntica. Todavia, apesar de tais críticas, a psicologia tem alcançado ampla influência na atualidade, apresentando uma compreensão sobre as emoções, os sentimentos e o amor que diverge substancialmente dos princípios bíblicos. A psicologia moderna tem conferido uma ênfase excessiva ao amor-próprio, o que pode ser interpretado como uma inclinação ao egocentrismo ou à egolatria. Tal exaltação do valor pessoal, ao transcender as diretrizes bíblicas acerca da natureza humana, torna-se um ponto de atenção crítica. Ao privilegiar a autoestima de forma desmedida, a psicologia acaba por endossar uma perspectiva fundamentalmente divergente dos princípios cristãos.
Ao examinarmos a Epístola de Tiago, capítulo 4, versículos 9 e 10, observamos que a inspiração do Espírito Santo nos oferece orientações que frequentemente divergem dos paradigmas da psicologia moderna. O texto sagrado nos exorta: “Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará”. Depreende-se, portanto, que, à luz das Escrituras, o caminho para a verdadeira cura emocional não reside na exaltação do próprio ego, mas no exercício da humildade. A mensagem do Evangelho convida o homem a reconhecer sua miséria e a gravidade de seus pecados. Compreendemos, assim, que a natureza adâmica, destituída da graça, encontra-se morta em seus delitos, resultando em uma condição espiritual devastadora que demanda, impreterivelmente, o arrependimento.

 Em vez de recorrermos a esquemas de autoajuda para solucionar nossas crises, a instrução apostólica nos conduz a um processo de contrição diante do Senhor. É somente ao reconhecermos nossas fragilidades e nos humilharmos perante a Sua presença que podemos experimentar uma cura profunda e genuína.
 Ao meditarmos no Salmo 119:71, lemos o testemunho do salmista: "Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos. Melhor é para mim a lei da tua boca do que milhares de ouro ou de prata". Com isso, percebemos que a tristeza, a humilhação e a aflição podem ser processos dolorosos, porém necessários, por meio dos quais Deus trabalha em nossa vida para nos revelar a dimensão de Sua grandeza e misericórdia.
Ao meditarmos no Salmo 119:71, lemos o testemunho do salmista: "Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos. Melhor é para mim a lei da tua boca do que milhares de ouro ou de prata". Com isso, percebemos que a tristeza, a humilhação e a aflição podem ser processos dolorosos, porém necessários, por meio dos quais Deus trabalha em nossa vida para nos revelar a dimensão de Sua grandeza e misericórdia.
A Bíblia não nos instrui a buscar a autoglorificação nem a cultivar um amor excessivo por nós mesmos. Observemos, por exemplo, o que está registrado na Epístola de Tiago, capítulo 4, versículos 13 a 16: "Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por um instante e logo se dissipa. Em vez disso, deveríeis dizer: Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda ostentação semelhante a essa é maligna."


A natureza humana é corrompida por um pecado fundamental: o orgulho. Nesse contexto, a autoestima frequentemente atua como um mecanismo para inflar ainda mais essa vaidade. A Bíblia Sagrada não proíbe o amor-próprio, mas estabelece que sua medida deve estar estritamente alinhada aos preceitos divinos. Ao ordenar que amemos ao Senhor de todo o nosso coração, alma e entendimento, e ao próximo como a nós mesmos, Jesus Cristo redefine a prioridade de nossos afetos. Portanto, o amor intenso que deve ser cultivado em nosso interior é, primariamente, o amor a Deus, e não uma exaltação de nós mesmos.  Em Mateus 16:24-25, Jesus instrui os seus discípulos afirmando: "Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me; pois aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á". Com estas palavras, o Senhor enfatiza a necessidade de o ser humano renunciar ao seu ego, ao orgulho e ao amor-próprio excessivo, visto que a centralização em si mesmo pode tornar-se um obstáculo ao seguimento de Cristo. As Escrituras reiteram constantemente a importância da humildade e do reconhecimento de nossas fragilidades. Sob essa perspectiva, a disposição em submeter-se a sofrimentos temporários, em nome da fidelidade ao Senhor, conduz à promessa de uma glória e alegria sublimes na vida eterna.  Em passagens como Romanos 12:3, observa-se a crítica do apóstolo Paulo ao excesso de ênfase no "eu". Somos exortados a reconhecer nossa total dependência de Deus, compreendendo que o verdadeiro amor não deve inflar o ego, mas servir como combustível para uma devoção genuína ao nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Torna-se evidente que a autoexaltação, praticada em detrimento do amor a Deus e ao próximo, configura-se como um estado de declínio espiritual, e não de saúde. Sob uma perspectiva prática, é preciso discernir que a psicologia secular busca centralizar o ego e as necessidades emocionais sob um prisma meramente humanista. É notável que as principais vertentes psicológicas ignoram as Escrituras como alicerce fundamental para o desenvolvimento de seus conceitos. Tais teorias fundamentam-se em uma sabedoria puramente terrena e natural, alheia à revelação divina, fato que, por si só, justifica um estado de constante vigilância por parte dos cristãos.
 Observamos, portanto, que em passagens como Mateus 22:37-38 e Mateus 16:24-26, a ênfase atribuída à valorização de si mesmo é considerada, à luz bíblica, equivocada. Os ensinamentos cristãos estabelecem que o amor deve ser direcionado primeiramente a Deus, seguido pelo amor ao próximo. O autonegar-se, o exercício da humildade e o carregar da própria cruz constituem princípios fundamentais para a vida cristã autêntica. Nesse sentido, depreende-se que a doutrina contemporânea da autoestima, com seus fundamentos psicológicos, revela-se incompatível com a fé cristã bíblica.

Transhumanismo - Humanismo e a Desconstrução do Mundo Ocidental

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Livreto - Link para download gratis:

https://drive.google.com/file/d/1e0zc4OFZKdsWbgzzN-47XLP07zs2m7ch/view?usp=sharing

 

 


JESUS, O SUBSTITUTO POR SEU POVO

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"Quem os condenará? Pois foi Cristo quem morreu, e ainda mais, quem ressuscitou, está à direita de Deus e também intercede por nós." — Romanos 8:34

Os verdadeiros filhos de Deus não devem viver sob o medo da condenação, porque "agora, pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus". E Deus não deseja que temamos aquilo que jamais nos alcançará. Se você ainda não é cristão, não demore em buscar escapar da condenação, lançando mão de Cristo Jesus. Mas se você já creu verdadeiramente no Senhor Jesus, você não está sob condenação e nunca estará, nem nesta vida nem na que há de vir. Deixe-me refrescar sua memória com algumas verdades preciosas a respeito de Cristo, que mostram que os crentes estão absolutamente livres diante de Deus.

1. A MORTE DE CRISTO – "Cristo morreu"

Os verdadeiros crentes não podem ser condenados, primeiramente, porque Cristo morreu. O crente tem Cristo como seu substituto, e sobre esse substituto o seu pecado foi lançado. O Senhor Jesus foi feito pecado por seu povo. "O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos... Pelas transgressões do meu povo ele foi ferido... Ele levou sobre si o pecado de muitos." (Isaías 53:6,8,12). Agora, nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de sua morte, sofreu a penalidade do nosso pecado e fez reparação à justiça divina. Observe, então, o consolo que isso nos traz. Se o Senhor Jesus foi condenado em nosso lugar, como poderíamos nós ser condenados? Enquanto a justiça subsiste no céu e a misericórdia reina na terra, não é possível que uma alma já condenada em Cristo seja também condenada em si mesma. Se o castigo já foi aplicado ao substituto, não é coerente com a misericórdia nem com a justiça que a pena seja executada uma segunda vez.

Deixo com vocês esta bendita consolação: o seu fiador já quitou a dívida por você e, sendo justificado no Espírito, saiu do sepulcro. Não imponham sobre vocês mesmos um fardo por causa da incredulidade. Não aflijam a consciência com obras mortas, mas voltem-se para a cruz de Cristo e busquem uma consciência renovada do perdão mediante o sangue que purifica.

2. A RESSURREIÇÃO DE CRISTO – "Antes, que ressuscitou"

Em segundo lugar, lembrem-se de que, assim como Jesus é, o seu povo também é, pois são um com ele. Sua condição e posição são figuras da nossa própria realidade. "Que está à direita de Deus." Isso significa amor, pois a mão direita é para o amado. Isso significa aceitação. Quem se sentaria à direita de Deus senão aquele que lhe é querido? Isso significa honra. A qual dos anjos Deus deu o privilégio de se assentar à sua direita? Poder também está implícido. Nenhum querubim ou serafim pode ser descrito como estando à direita de Deus. Cristo, que uma vez sofreu na carne, está em amor, aceitação, honra e poder à direita de Deus. Vejam, então, a força da pergunta: "Quem os condenará?"

Isso pode ser mostrado de duas maneiras. "Quem pode me condenar enquanto tenho um amigo tão influente na corte? Enquanto meu representante está perto de Deus, como posso ser condenado?" Mas, além disso, eu estou onde ele está, pois está escrito: "Ele nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus" (Efésios 2:6). Vocês podem imaginar que seja possível condenar alguém que já está à direita de Deus? A mão direita de Deus é um lugar tão próximo e tão excelso que não se pode supor que um adversário apresente uma acusação contra nós ali. No entanto, é lá que o crente está em seu representante, e quem ousaria acusá-lo?

Se vocês estivessem realmente à direita de Deus, teriam algum medo de serem condenados? Acham que os espíritos brilhantes diante do trono têm algum temor de condenação, embora tenham sido outrora pecadores como vocês? "Não", diriam vocês, "teria perfeita confiança se estivesse lá." Mas vocês já estão lá, em seu representante. Se acham que não estão, eu lhes pergunto: "Quem nos separará do amor de Cristo?" (Romanos 8:35). Cristo está dividido? Se vocês são crentes, são um com ele, e os membros devem estar onde está a cabeça. Até que condenem a cabeça, não poderão condenar os membros. Não é claro? Se vocês estão à direita de Deus em Cristo Jesus, quem os condenará? Que condenem aquelas hostes vestidas de branco que rodeiam para sempre o trono de Deus e lançam suas coroas aos seus pés; que tentem fazer isso, digo eu, antes de lançar qualquer acusação contra qualquer crente em Cristo.

3. A INTERCESSÃO DE CRISTO – "Que também intercede por nós"

Esta é outra razão pela qual o medo da condenação nunca deveria passar pela nossa mente, se de fato confiamos nossas almas a Cristo. Pois se Jesus intercede por nós, ele certamente intercede para que nunca sejamos condenados. Ele não direcionaria sua intercessão para questões menores e deixaria a principal de lado. "Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou" (João 17:24) inclui o perdão de todos os seus pecados, pois não poderiam estar lá se seus pecados não fossem perdoados. Tenham certeza de que o rogo do Salvador assegura a absolvição do seu povo.

Reflitam que a intercessão do nosso Senhor deve ser prevalecente. Cristo não pede em vão. Ele não é um humilde suplicante distante que, com gemidos e suspiros, pede o que não merece; mas, com o peitoral brilhando com as joias que trazem os nomes do seu povo e trazendo seu próprio sangue como uma expiação infinitamente satisfatória ao propiciatório de Deus, ele pleiteia com autoridade inquestionável.

Se o sangue de Abel, clamando da terra, foi ouvido no céu e trouxe vingança, muito mais o sangue de Cristo, que fala dentro do véu, garantirá o perdão e a salvação do seu povo. O pleito de Jesus é indiscutível e não pode ser ignorado. Ele argumenta: "Eu sofri em lugar daquele homem." Pode a justiça infinita de Deus negar esse pleito? "Por tua vontade, ó Deus, eu me entreguei como substituto por estes meus. Não removerás o pecado daqueles por quem eu me coloquei?"

Não é este um bom argumento? Há a aliança de Deus para isso, há a promessa de Deus para isso, e a honra de Deus está envolvida. Quando Jesus intercede, não é apenas a dignidade da sua pessoa que tem peso, nem apenas o amor que Deus tem por seu unigênito, mas sua reivindicação é irresistível, e sua intercessão é onipotente.

Quão seguro é, então, o cristão, pois Jesus "vive sempre para interceder por ele" (Hebreus 7:25). Eu me entreguei em suas mãos amadas? Então nunca o desonre com desconfiança. Confio realmente nele como aquele que morreu, ressuscitou, está à direita do Pai e intercede por mim? Posso permitir-me alimentar uma única suspeita? Então, meu Pai, perdoa esta grande ofensa e ajuda teu servo a ter uma confiança maior, para que, em Cristo Jesus, eu me alegre e diga: "Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Romanos 8:1).

Vão, vocês que amam a Cristo e descansam nele, com o perfume desta doce doutrina em seus corações. Mas, ó vocês que ainda não confiaram em Cristo, há condenação presente para vocês. Vocês "já estão condenados, porque não creram no Filho de Deus" (João 3:18); e há condenação futura para vocês, pois o dia vem, o terrível dia, em que os ímpios serão como palha no fogo da ira do Senhor (Malaquias 4:1). A hora se aproxima. Venha, pobre alma, venha e confie no Crucificado, e você viverá, e conosco se alegrará, pois ninguém o condenará.


Adaptado de um sermão de Charles Spurgeon

 

A ARCA DE NOÉ - Informações Tecnicas e Biblicas

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A história de Noé e da Arca é uma das mais conhecidas da humanidade. Infelizmente, como muitas narrativas bíblicas, é frequentemente tratada como uma simples lenda. No entanto, a Bíblia é o verdadeiro livro de história do universo. À luz disso, as perguntas mais comuns sobre a Arca e o Dilúvio podem ser respondidas com autoridade e confiança.

O tamanho da Arca

De acordo com Gênesis 6:15, a Arca deveria ter 300 côvados de comprimento, 50 de largura e 30 de altura. Isso equivale a cerca de 137 metros de comprimento, 23 metros de largura e 14 metros de altura. Diferente das representações infantis, a Arca não era um barco pequeno. Ela era uma embarcação gigantesca, com capacidade estimada em cerca de 1,5 milhão de pés cúbicos. Apenas no final do século XIX é que foram construídos navios que superaram suas dimensões. Para se ter uma ideia, a Arca poderia conter mais de 500 contêineres modernos, como os usados hoje em navios de carga.

Quantos animais havia na Arca?

Deus ordenou que entrassem na Arca dois de cada tipo de animal com respiração terrestre, e sete de alguns (provavelmente para sacrifício). Muitas criaturas aquáticas, insetos e anfíbios poderiam sobreviver fora da Arca. Além disso, a variedade imensa de espécies que vemos hoje não existia na época de Noé. Apenas os "tipos" básicos de animais — os grupos originais criados por Deus — precisavam estar a bordo para repovoar a Terra. Cientistas criacionistas estimam que o número mínimo de animais necessário estaria entre 16 mil e 35 mil. Isso seria perfeitamente viável dentro do espaço da Arca.

Como Noé construiu a Arca?

A Bíblia não diz que Noé e seus filhos construíram a Arca sozinhos. Eles poderiam ter contratado trabalhadores. De qualquer forma, não há razão para duvidar de sua capacidade. As pessoas daquela época eram tão inteligentes e fortes quanto nós — provavelmente mais. Elas tinham ferramentas e técnicas eficientes para cortar, transportar e erguer as enormes vigas de madeira. Se um grupo pequeno de homens hoje pode construir uma casa grande em poucas semanas, imagine o que três ou quatro homens poderiam fazer em alguns anos. Os descendentes de Adão já faziam instrumentos musicais, forjavam metais e construíam cidades. A ideia de que as civilizações antigas eram primitivas é um conceito evolucionista, não bíblico.

Como os dinossauros caberiam na Arca?

A maioria dos dinossauros não era tão grande. Muitos tinham o tamanho de uma galinha, e a maioria dos cientistas concorda que o tamanho médio de um dinossauro era o de uma ovelha. Além disso, Deus provavelmente trouxe espécimes jovens de dinossauros, como os saurópodes, em vez de adultos gigantes. O mesmo valeria para elefantes, girafas e outros animais de grande porte. Embora existam centenas de nomes para diferentes espécies de dinossauros, acredita-se que existam cerca de 50 tipos distintos. Isso reduz ainda mais a quantidade necessária.

Como os animais foram reunidos?

Gênesis 6:20 diz: "Das aves conforme a sua espécie, e dos animais conforme a sua espécie, e de todo réptil da terra conforme a sua espécie, dois de cada espécie virão a ti, para os guardar em vida." Isso indica que Noé não precisou viajar para buscar os animais; eles vieram até ele, guiados por um instinto divino — um comportamento programado pelo Criador. Embora isso seja sobrenatural, Deus é poderoso para fazer isso. Até hoje, vemos comportamentos incríveis nos animais, como a migração de pássaros, borboletas-monarca e baleias, além da hibernação e sensibilidade a terremotos.

Os dinossauros já estavam extintos antes do Dilúvio?

Não. Gênesis 1 e 2 mostram que todos os animais terrestres foram criados no sexto dia, junto com Adão e Eva. Portanto, os dinossauros viveram junto com os humanos. Além disso, dois de cada tipo de animal terrestre entraram na Arca. Não há razão para crer que algum tipo já estivesse extinto antes do Dilúvio. O livro de Jó (capítulo 40) descreve o "beemote" de forma que só se encaixa em um dinossauro saurópode. Portanto, seu ancestral estava na Arca.

Como Noé cuidou de todos os animais?

Assim como Deus trouxe os animais, Ele também os preparou para o evento. Muitos criacionistas acreditam que Deus deu aos animais a capacidade de hibernar, algo que vemos em muitas espécies hoje. Além disso, a Arca provavelmente tinha sistemas engenhosos para armazenar água, comida e remover resíduos. Um pequeno grupo de agricultores hoje pode cuidar de milhares de animais em espaços reduzidos. Dispositivos simples movidos por gravidade, vento ou pelo movimento da própria Arca poderiam ter ajudado os oito tripulantes a alimentar e cuidar dos animais. No entanto, mesmo sem esses dispositivos, cuidar de 16 mil animais não seria impossível para oito pessoas.

Como o Dilúvio destruiu toda a vida?

O Dilúvio foi muito mais destrutivo do que uma simples tempestade de 40 dias. Gênesis 7:11 diz que "as fontes do grande abismo se romperam". Isso indica que terremotos, vulcões e jatos de água escaldante irromperam da crosta terrestre. Essas fontes continuaram ativas por cerca de cinco meses. Comparado a isso, qualquer desastre local moderno é insignificante. Toda vida terrestre que não estava na Arca foi destruída, e seus restos foram preservados nos fósseis que encontramos hoje.

De onde veio tanta água?

A água veio de duas fontes: de baixo da terra (fontes subterrâneas) e de cima (as "janelas do céu" abertas). Acredita-se que essas fontes alimentavam os rios do Éden e o resto do mundo antes do Dilúvio.

Para onde foi a água?

O Salmo 104 sugere que Deus formou as bacias oceânicas e elevou os continentes, fazendo as águas recuarem para um lugar seguro. Muitos criacionistas acreditam que a separação dos continentes foi parte do mecanismo que causou o Dilúvio.

O Dilúvio foi global?

Muitos cristãos hoje defendem que o Dilúvio foi apenas local, por terem aceitado a visão evolucionista da história da Terra. Porém, a Bíblia deixa claro que foi global. Se fosse local, Noé poderia ter fugido para outra região. Além disso, as pessoas de fora não teriam sido afetadas, e Deus teria quebrado Sua promessa de nunca mais enviar outro dilúvio desse tipo. Jesus comparou o julgamento vindouro ao Dilúvio, indicando que ambos seriam universais. A Bíblia afirma que as águas cobriram todas as montanhas — algo impossível em uma inundação local.

Evidências do Dilúvio

Em 2 Pedro 3:5-6, lemos que o mundo antigo pereceu afogado em água. Em todo o planeta, há evidências disso: aproximadamente 75% da crosta terrestre é formada por rochas sedimentares, depositadas pela água. Nelas estão bilhões de fósseis de plantas e animais, enterrados rapidamente. De montanhas ao fundo do mar, os sinais de uma catástrofe passada são claros.

Onde está a Arca hoje?

Gênesis 8:4 diz que a Arca pousou sobre as montanhas de Ararate, na atual Turquia. Muitas expedições já buscaram seus restos, mas não há evidências conclusivas de sua localização. Como isso aconteceu há cerca de 4.500 anos, a madeira provavelmente se deteriorou. Alguns acreditam que Deus pode preservá-la para revelá-la no futuro, como um lembrete do julgamento passado e do que está por vir.

O significado espiritual do Dilúvio

Gênesis 6:5-13 mostra que o Dilúvio foi o julgamento de Deus contra o pecado. Todo ser humano merecia punição, mas Noé encontrou graça. A Arca era o único refúgio. Da mesma forma, hoje, o pecado e a rebelião contra Deus continuam sendo o grande problema da humanidade. Assim como no Dilúvio, um julgamento final virá — desta vez pelo fogo (2 Pedro 3:7).

Noé foi salvo pela graça, e a Arca aponta para Cristo, o único lugar de salvação. Assim como todos os que estavam fora da Arca pereceram, todos os que rejeitam a Cristo enfrentarão o juízo. Mas todo aquele que crê no Filho tem a vida eterna (João 3:36).

Traduzido do inglês – Adaptado para a publicação

 

PRINCIPIOS PARA VENCER A APOSTASIA

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O apóstolo Paulo advertiu que os últimos dias seriam marcados por grandes dificuldades e provações, conforme registrado em 2 Timóteo 3:1. O texto sagrado aponta que alguns se desviariam da fé devido à influência de doutrinas enganosas e atividades espirituais contrárias ao Evangelho. Seria uma geração que não suportaria a sã doutrina, como Paulo descreveu em 2 Timóteo 4:3, impulsionada pela multiplicação da iniqüidade e pelo esfriamento do amor, fenômenos profetizados pelo próprio Jesus em Mateus 24:12. Diante desse cenário, surge o questionamento: como manter a fé inabalável em tempos tão desafiadores? A apostasia é apresentada como um sinal que precede o retorno de Cristo, conforme indicado em 2 Tessalonicenses 2:3. Em meio a estes dias tenebrosos, a exortação bíblica é clara: deve-se professar o que é conforme a sã doutrina, conforme Paulo instruiu a Tito em sua epístola (Tito 2:1). Em suma, é imperativo fundamentar-se na Bíblia, tanto em convicções quanto na prática cotidiana. Demonstrar prudência e integridade em uma época de desorientação espiritual é o caminho para o discernimento. Temos exemplos nobres de prudência, que servem como sinais de firmeza. Enquanto o mundo cambaleia sob o peso de suas próprias contradições, torna-se necessário observar e emular aqueles que permanecem inabaláveis na fé, exemplos os quais pretendo analisar a seguir.


O primeiro exemplo é Enoque. Sua biografia é sucinta, restringindo-se ao capítulo 5 do livro de Gênesis, com breves menções posteriores na Epístola aos Hebreus. Contudo, o texto destaca que Enoque andava com Deus. Em uma era de profunda crise espiritual, na qual a depravação moral e a violência contra a verdade predominavam — quando a imaginação humana se inclinava continuamente ao mal —, Enoque permanecia como a luz naquele mundo antigo. Enquanto a civilização caminhava para a ruína, ele preservava sua profunda intimidade e amizade com o Criador. Enoque era um solitário, pois a verdade, invariavelmente, ilumina o caminho estreito. Ele caminhava só, mas acompanhado por Deus, em contraste com a multidão submersa em iniquidades. A santidade nunca foi um padrão socialmente aceito; a apostasia, por outro lado, sempre encontrou maior receptividade. O mundo, historicamente, favorece aqueles que corroboram seus costumes e persegue os que denunciam suas falhas. Não tem sido assim desde o princípio? Para preservar a integridade e a firmeza espiritual, é imperativo seguir o caminho estreito, o cristianismo da minoria. O caminho bíblico é a única rota segura para a vontade de Deus.

O segundo exemplo que desejo citar é o do profeta Elias, que preservou sua fidelidade em um período marcado pelo relativismo religioso, em franco desacordo com os padrões bíblicos. O cenário era de crescente apostasia, fomentada pelo sincretismo promovido por Jezabel, que mesclava o judaísmo a práticas pagãs — uma religião de conveniências que buscava conciliar interesses mundanos à fé. Diante disso, Elias estabeleceu uma clara distinção. Embora rotulado como fundamentalista ou intolerante por confrontar os profetas de Baal, o profeta manteve-se inabalável em sua rejeição à idolatria e ao sincretismo. Elias não se associou ao politeísmo de sua época, posicionando-se de forma estritamente bíblica, e não ecumênica. Comprometido com a verdade, ele permaneceu solitário na preservação da identidade da fé verdadeira, sustentando os princípios absolutos mesmo em meio ao desprezo e à solidão.



Ao lamentar a apostasia generalizada, Elias clamou ao Senhor por acreditar ser o único remanescente fiel. A resposta divina, registrada em Romanos 11:4, revelou que sete mil homens haviam sido preservados por não terem dobrado os joelhos a Baal. É Deus quem sustenta os santos em tempos de crise; o remanescente constitui a minoria que busca a comunhão com o Criador e vive sob a graça, enquanto o mundo se submerge na iniquidade. Sejam como Elias: não se impressionem com multidões nem com o sincretismo. Deus não é autor de confusão; mantenham a fé em Cristo e permaneçam convictos na obra consumada e perfeita realizada na cruz.



O terceiro exemplo refere-se aos amigos de Daniel, conforme descrito no capítulo 3 do livro homônimo, durante o episódio da estátua erguida na planície de Dura. Embora o decreto real exigisse que todos se prostrassem perante a imagem, Hananias, Misael e Azarias resistiram à ordem do monarca, adotando uma postura de desobediência civil. No Novo Testamento, encontramos a mesma convicção na resposta dos apóstolos ao enfrentarem o espírito do erro: "Mais importa obedecer a Deus do que aos homens" (Atos 5:29). Sempre que o espírito do erro influencia o mundo e os reinos sob o domínio de Satanás, surge uma oposição direta aos princípios bíblicos que revelam a santa vontade de Deus. Portanto, é a Ele que devemos honra e fidelidade absoluta, e não ao espírito que atua nos filhos da desobediência. Enquanto os poderes das trevas devem sujeitar-se à autoridade dos redimidos do Senhor, nenhum servo fiel deve curvar-se às ordens demoníacas. Aqueles jovens hebreus arriscaram a própria vida para manterem a sua integridade e obediência. Esse é o caminho dos remanescentes, conforme registrado em Apocalipse 12:11: "E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até à morte". Manter uma postura de fidelidade em tempos difíceis é possível quando cultivamos um amor profundo pelas doutrinas bíblicas e pelo nosso Mestre e Salvador, o Senhor Jesus Cristo.

O quarto exemplo que desejo apresentar é o de João Batista. A trajetória do profeta é marcada pela dignidade e por uma postura inegociável diante dos erros. João não transigia com o que era reprovável; ao contrário, denunciava publicamente as injustiças, ainda que sob risco de perseguição e morte, pois priorizava a verdade acima da própria vida. Ele foi a voz que clamou no deserto. Naquela época, os púlpitos das sinagogas eram ocupados por eruditos que rejeitavam a encarnação do Verbo — aquele que veio para morrer como o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. As praças eram povoadas por escribas de cultura sofisticada, cuja erudição servia apenas como símbolo de soberba e sabedoria falida. O templo, por sua vez, era frequentado por fariseus que ostentavam longas orações e exibiam seus filactérios como meros ornamentos de vestes ultraconservadoras. João Batista, contudo, posicionou-se fora desse sistema. Ele estava distante do templo e das sinagogas; encontrava-se no deserto, em um ambiente inóspito e ermo. Ali, o profeta bradava, conclamando os homens ao arrependimento. Sua mensagem era impopular e, para muitos, ofensiva. Exortar religiosos e frequentadores assíduos do templo a se arrependerem era uma atitude que desafiava os padrões espirituais vigentes. Manter a nossa visão de Cristo como o Cordeiro que tira o pecado do mundo — e reconhecer que os homens, em sua condição ímpia, necessitam da graça divina — é fundamental. A consciência da necessidade do arrependimento bíblico é uma marca distintiva daqueles que buscam a firmeza espiritual. Portanto, somos chamados a cultivar o arrependimento constante, a amar a Deus sobre todas as coisas e a convocar o próximo ao arrependimento, crendo no Evangelho de Cristo como nosso único Senhor e Salvador.
Conclusão: Devemos reter inabalavelmente a confissão de nossa esperança, pois fiel é aquele que fez a promessa, conforme nos exorta Hebreus 10:23. É imprescindível permanecer na graça e na dependência absoluta da misericórdia divina, cultivando um relacionamento pessoal e contínuo com o Senhor. Não devemos nos conformar aos moldes deste século, marcado pelo secularismo e pelo relativismo, advertência esta feita pelo apóstolo Paulo em Romanos 12:1-2. Ao contrário, convém mantermo-nos firmes nas doutrinas fundamentais do cristianismo, vivificando nossa fé através da prática da verdade e da transformação integral de nossa vida, em conformidade com os valores do Novo Testamento e os princípios espirituais de todas as Escrituras. Amém.

 

C. J. Jacinto