https://drive.google.com/file/d/1PZ6PMMyWzn5qRAEotQHuc2SCkWtrH1Pk/view?usp=sharing
Expondo Erros, Mostrando Verdades Bíblicas
Recentemente, um vídeo que circulou
nas redes sociais gerou ampla polêmica em torno de uma cerimônia conduzida por
um arcebispo em Catânia, na Itália. No registro, o religioso apresentava ao
público o crânio de Santa Ágata, padroeira da cidade e figura amplamente
venerada por sua intercessão contra as erupções do vulcão Etna.
O crânio seria o cadáver insepulto de uma mártir chamada Ágata, que remonta ao
ano 250 d.C. A Itália possui dezenas de crânios e corpos inteiros de cadáveres
insepultos aos quais são atribuídos sinais supostamente sobrenaturais. Eles são
alvo de veneração por parte de católicos italianos e de fiéis de várias partes
do mundo, que viajam para adorar esses corpos
Crânios e Relíquias Famosas na Itália
Entre os cadáveres e crânios mais famosos preservados na Itália, destacam-se:
São Valentim: Um crânio conservado em Roma.
São João Batista: Cabeça/crânio mantido na Igreja de São Silvestre em Capite,
em Roma.
Santa Catarina de Siena: Sua cabeça foi retirada (roubada) de Roma e levada
para a cidade de Siena para fins de veneração.
Corpos ou partes de corpos não sepultados são denominados relíquias sagradas,
elementos centrais no rito de veneração que tem sido uma prática fundamental do
catolicismo romano durante séculos, servindo como pontos focais para a devoção
da fé católica.
Contudo, ao longo da história, tais práticas
originaram uma vasta gama de objetos de veneração que, sob a ótica do bom
senso, podem ser considerados insólitos ou extravagantes. Este artigo propõe
uma breve abordagem sobre o tema, explorando as relíquias mais inusitadas e
controversas que a Igreja Católica venerou no passado e que, em certos casos,
ainda venera e a exposição biblíca que condena o uso de partes de cadáveres insepultos
para fins ritualísticos e culticos. O objetivo é analisar o quanto tais
tradições se distanciam dos ensinamentos da Bíblia Sagrada e do Novo Testamento,
evidenciando a natureza do absurdo e do sinistro em elementos que transcendem a
lógica da sã doutrina.
A Idade Média foi um período marcado por uma intensa proliferação de relíquias,
muitas delas de origens duvidosas ou de natureza singularmente insólita. A
crescente demanda por objetos sagrados fomentou a criação e a veneração de
itens que, sob a ótica contemporânea, desafiam qualquer lógica. Tais artefatos,
frequentemente dotados de um caráter perturbador e sombrio, refletem uma faceta
complexa da espiritualidade obscura do catolicismo romano da época; prática que
passaremos a analisar através dos exemplos a seguir.
A relíquia do Santo Prepúcio de Nosso Senhor Jesus Cristo é considerada um dos
artefatos mais controversos e singulares da cristandade. Supostamente,
tratava-se do fragmento de pele removido durante a circuncisão de Jesus. A
crença em sua existência e em suas propriedades sagradas era tão difundida que,
durante a Idade Média, cerca de 31 igrejas europeias reivindicavam a posse da
relíquia — muitas vezes de forma simultânea. Um dos espécimes mais notórios
esteve em Calcata, uma pequena vila italiana, onde era anualmente conduzido em
procissão pelas ruas até o seu desaparecimento em 1983, sob suspeita de furto.
A mística em torno do objeto era tamanha que Santa Catarina de Sena chegou a
afirmar que portava o prepúcio invisível de Cristo como um anel de casamento.
Trata-se de um fenômeno que transita entre a devoção espiritual, a
excentricidade histórica e o que leva qualquer homem de bom senso a considerar
tais praticas um absurdo teológico.
Onde encontramos nas Escrituras respaldo para ta veneração dessas “relíquias” absurdas?
O apóstolo Paulo as ensinou? Pedro as ensinou? Cristo as ensinou? Algum dos
apóstolos as recomendou ou praticou? Não. Trata-se de um claro distanciamento do
Evangelho apresentado pelo Novo Testamento. Tais venerações e idolatrias
surgiram no âmbito do catolicismo romano, carecendo de fundamentação bíblica ou
qualquer respaldo apostólico.
Outra relíquia notável, ainda que peculiar, é o suposto leite da Virgem Maria.
Durante a Idade Média, a veneração por gotas desse leite materno tornou-se um
fenômeno de grande alcance. Inúmeras igrejas por toda a Europa, incluindo as
catedrais de Chartres e Oviedo, alegavam preservar frascos contendo o fluido
sagrado.
Embora a autenticidade de tais relíquias fosse
impossível de comprovar, a convicção em seus poderes milagrosos — especialmente
no que tange à fertilidade — impulsionava constantes peregrinações. Atualmente,
a Gruta do Leite, em Belém, permanece como um local de devoção; segundo a
tradição, uma gota do leite da Virgem teria caído ao chão, tornando a rocha
branca. Fiéis continuam a visitar o santuário, onde recolhem o pó resultante da
raspagem da pedra, na esperança de alcançar a fertilidade por intercessão
divina, ilustrando a profundidade e a complexidade das práticas de veneração de
reliquias no catolicismo romano.
Outra relíquia notória por sua natureza fantasiosa e improvável é o
"Suspiro de São José". Por se tratar de um objeto imaterial, sua autenticação
é intrinsecamente complexa. O artefato consistia em um frasco que,
supostamente, conteria o hálito de São José, exalado durante suas jornadas de
trabalho ou repouso. Inventários de relíquias medievais, com destaque para os
registros da Catedral de Blois, na França, mencionam o item, que é hoje
amplamente considerado um dos exemplos mais excêntricos e inverossímeis da
história da veneração religiosa. Mas lembre-se, essas práticas supersticiosas
operam sob a demanda de controle religioso, usando a credulidade e a ignorância
como um meio de promover coisas fantásticas para ganhar credibilidade e manter
pessoas cativos numa ilusão espiritual.
Se você acredita que existem
limites para as superstições e os desvarios cometidos em nome da religião na
Idade Média, engana-se; a existência de relíquias conhecidas como "penas
do Espírito Santo" ilustra bem essa realidade. A veneração desses objetos
constitui um exemplo notável de como a interpretação literal de símbolos
religiosos pôde conduzir à criação de relíquias bizarras. Supunha-se que tais
penas teriam se desprendido da pomba que representava o Espírito Santo, seja no
episódio da Anunciação ou no Batismo de Jesus. Diversos inventários de igrejas
medievais mencionam esses itens, sendo um dos exemplares mais célebres aquele
guardado na Catedral de Bayeux, na França. Embora hoje sejam compreendidas como
fraudes ou equívocos resultantes da supressão das metáforas, tais relíquias
foram, outrora, integradas à liturgia e ao culto oficial da Igreja Católica
Romana.
Ainda há mais: entre as relíquias particularmente singulares, destacava-se o
rabo do jumento montado por Jesus durante sua entrada em Jerusalém, no Domingo
de Ramos. Tal objeto foi preservado por séculos na Abadia de Charreau, na
França. A veneração de uma parte tão mundana de um animal, associada a um
evento bíblico, evidencia a busca excessiva por objetos tangíveis de fé e o
fervor espiritual extremo da liderança católica e dos próprios fiéis. É
lamentável que tal prática tenha sido articulada no seio de uma instituição que
se autoproclama a igreja de Cristo; trata-se de um verdadeiro despropósito. Ultrapassando
os limites da apostasia e do ridículo!
Seria cômico, não fosse trágico, contemplar a
natureza ilimitada da superstição humana. É desconcertante constatar que
indivíduos dotados de cerebro chegaram a prostrar-se e venerar o rabo de um
jumento, sob a mera suposição de que este seria o animal montado por Jesus
Cristo em sua entrada triunfal em Jerusalém. Embora tal relato pareça um
absurdo completo, trata-se de um fato histórico documentado.
Há algumas relíquias católicas bastante famosas e ativamente veneradas
atualmente:
O Sangue de São Januário (San Gennaro): Padroeiro de Nápoles, na Itália, tem
seu sangue conservado em um frasco. O líquido permanece seco na maior parte do
tempo, mas liquefaz-se — de forma supostamente milagrosa — três vezes ao ano.
Esse evento gera grande devoção e expectativa entre os napolitanos, pois
acredita-se que a falha na liquefação presagia desgraças para a cidade.
A Língua de Santo Antônio de Pádua: O renomado pregador viveu entre 1195 e
1231. Cerca de 32 anos após sua morte, durante a exumação de seu corpo, sua
língua foi encontrada intacta, enquanto o restante do corpo já havia se
decomposto. O fenômeno foi interpretado como um sinal da santidade de suas
palavras. Hoje, a relíquia está exposta permanentemente em um relicário de ouro
na Basílica de Santo Antônio, em Pádua, na Itália.
Outra relíquia polêmica é a cabeça —
juntamente com um polegar — de Santa Catarina de Siena. A cabeça mumificada de
Catarina de Siena é uma relíquia macabra, porém profundamente venerada.
Exposta na Basílica de San Domenico, em Siena, na Itália, a história de como a
cabeça chegou ao local é tão dramática quanto a própria relíquia: após a morte
da santa em Roma, seus seguidores a decapitaram e contrabandearam sua cabeça
para a sua cidade natal. Até hoje, a peça é venerada como um objeto sagrado.
Isso, na prática — assim como o caso de Santa Ágata —, constitui uma prática
de necrolatria, isto é, o culto a cadáveres.
A prática de venerar relíquias, tal como foi
apresentada aqui — até mesmo as mais absurdas, sejam elas históricas ou
contemporâneas —, está muito longe de ser considerada uma prática de sã doutrina.
A Bíblia não dá nenhuma ordem e não apoia tais práticas. Trata-se apenas de um
desvio claro das Sagradas Escrituras e da ortodoxia. Adorar ou venerar
prepúcios, o 'suspiro de São José' ou, ainda, crânios de cadáveres insepultos
são práticas que assustariam e teriam a total reprovação de Nosso Senhor Jesus
Cristo e do apóstolo Paulo, caso fossem testemunhas oculares de tais
aberrações.
A Ordem Divina de Sepultar os Mortos
Em Gênesis 3:19, após pronunciar todos os
juízos sobre Adão e Eva por terem desobedecido, estabelece-se que a
consequência decorrente da queda é a morte. Portanto, eles viveriam um período
sobre esta terra e morreriam. No versículo 19 do capítulo 3 de Gênesis, é
ordenado: 'Tu és pó e ao pó retornarás'. Aqui está, de modo implícito, a lei
dada pelo Senhor de que todo cadáver deve ser sepultado, ou seja, deve voltar
ao pó. O princípio do sepultamento dos mortos foi plenamente compreendido e
observado pelos santos do Antigo Testamento. Ao examinarmos Gênesis 23:3-6,
19-20, observamos que Abraão solicita um local apropriado para sepultar Sara.
Da mesma forma, em Gênesis 35:29, lemos que, após expirar, Isaque foi sepultado
por seus filhos. Em Gênesis 50:1-13, José providencia o sepultamento de seu pai
com profundo luto, cumprindo os ritos conforme o costume. Fica evidente,
portanto, que os fiéis do Antigo Testamento compreendiam a natureza da ordem divina.
O sepultamento era considerado uma honra e um ato de respeito e dignidade para
todos aqueles que caminhavam segundo os preceitos do Senhor. Ao analisarmos o
primeiro livro de Samuel, capítulo 31, versículos 12 e 13, observamos que os
homens de Jabes resgatam os corpos e lhes conferem sepultura. Tais atos são
descritos como corretos, pois alinham-se à ordem universal estabelecida pelo
Senhor no Antigo Testamento: visto que Adão e Eva deveriam retornar ao pó,
todos os seus descendentes devem, da mesma forma, ser sepultados.
A Prática do Sepultamento no Novo Testamento e a Repulsa à Veneração.
Vemos perfeitamente no Novo Testamento que os santos homens do Senhor
procederam dessa mesma maneira. No capítulo 5 de Atos dos Apóstolos, naquele
fato memorável em que Ananias e Safira cometeram um delito contra o Senhor e
expiraram, os discípulos tomaram os seus corpos e os sepultaram, conforme lemos
em Atos 5:6-10.
O mesmo ocorreu em relação a
Lázaro: em João 11, vemos que Jesus foi até o sepulcro e de lá chamou Lázaro,
que estava sepultado. Encontramos também o relato sobre a sepultura de João
Batista em Mateus 14:1-12. Vale notar que, em Mateus 11:11, Jesus exalta João
Batista como um dos maiores entre os nascidos de mulher. Todavia, quando ele
foi degolado, os discípulos tomaram o seu corpo juntamente com a sua cabeça e
os sepultaram.
A cabeça de João Batista nunca foi
venerada pelos apóstolos, e nenhum deles jamais instruiu que ela ou seu crânio
deveriam ser preservados para rituais ou veneração na igreja. Tal prática é
completamente inexistente nas Escrituras e, mais do que isso, é absolutamente
antibíblica. Realizar ritos, cerimônias ou prestar veneração a cadáveres
insepultos constitui uma aberração e um pecado à luz do texto bíblico.
Agora adentremos a questão dos cadáveres insepultos no Antigo Testamento. A
falta de sepultamento era sempre relembrada como um sinal do juízo de Deus. Sob
a ótica do Antigo Testamento, da lei mosaica e dos ensinamentos dos profetas,
era uma grande vergonha ter partes do corpo e os ossos expostos sem a devida
sepultura. Lemos isso claramente em Deuteronômio 28:26 e também em Jeremias 8:1-2,
onde há inclusive uma profecia sobre corpos sendo lançados sem sepultura e
ossos expostos ao sol, sem que haja quem os ajunte ou sepulte. A ausência de
sepultamento é apresentada consistentemente como consequência de um castigo por
causa da rebelião contra o Senhor. Como observamos nessas e em outras
passagens, não enterrar um cadáver ou deixar exposta a estrutura óssea era
encarado como manifestação do juízo divino. A Bíblia Sagrada estabelece como
princípio fundamental que os mortos devem ser sepultados.
Ao analisarmos o contexto do Antigo
Testamento, observamos a cultura egípcia, na qual os faraós eram objetos de
veneração. Após a morte, esses governantes eram divinizados, e a crença egípcia
sustentava que a preservação de seus corpos por meio da mumificação era indispensável
para que o espírito do faraó pudesse exercer sua função mediadora entre os
deuses e os homens.(Aqui temos uma crença similar ao oficio dos “santos” no
catolicismo)
Embora os egípcios não utilizassem os corpos mumificados de seus faraós para
fins de veneração direta, a preservação dos restos mortais possuía um caráter
cerimonial e litúrgico essencial para a manutenção de suas crenças. Ao
observarmos diversas culturas, tanto antigas quanto contemporâneas, o culto aos
ancestrais e, notadamente, a veneração de ossadas revelam-se práticas comuns
entre tribos da Nova Guiné, de Camarões, das Ilhas Marianas e, inclusive, entre
os celtas da Gália. Frequentemente, tais rituais consistiam em exaltar os
restos mortais de figuras consideradas heroicas no contexto daquelas
sociedades. Contudo, não encontramos nas Escrituras qualquer recomendação, por
parte de Jesus Cristo ou de Seus apóstolos, que endosse a pratica de culto e
veneração as relíquias, principalmente de restos mortais. Pelo contrário, tanto
o Antigo quanto o Novo Testamento sustentam que, após a Queda, estabeleceu-se a
ordenança de que o homem, ao morrer, deveria retornar ao pó — princípio que
fundamenta a tradição do sepultamento. Certos apologistas católicos
descontextualizam o relato de 2 Reis 13:20-21, que descreve o milagre ocorrido
quando um cadáver foi lançado sobre os ossos do profeta Eliseu. Tais defensores
utilizam essa passagem para justificar a veneração de ossos, crânios, línguas e
dedos de cadaveres, sugerindo que a passagem bíblica é uma prova para
justificar essas superstições, é fundamental distinguir entre uma descrição
histórica de um evento singular e uma prescrição normativa. O texto trata de um
milagre único, sem qualquer precedente ou repetição em todo o Antigo
Testamento, não constituindo, portanto, uma regra ou mandamento. Não há, na
narrativa, qualquer ordem implícita para que restos mortais sejam exumados e
transformados em objetos de veneração; na verdade, o próprio contexto bíblico
em questão não registra tal prática.
Tentar realizar uma exegese de baixa
qualidade, valendo-se de uma hermenêutica cujos pressupostos são
fundamentalmente equivocados, é um procedimento temerário. Poderíamos, por
analogia, concluir que devemos aplicar lama nos olhos de todos os cegos que
encontrarmos, apenas porque Jesus o fez ao curar um cego de nascença? A
narrativa bíblica em questão é descritiva e singular; trata-se de um evento
específico que não se repete nas Escrituras. Da mesma forma, não há registro de
que o povo de Israel tenha erguido santuários ou promovido procissões para
venerar os restos mortais de Eliseu. Essa tentativa de justificar práticas
controversas por meio de uma exegese distorcida revela que certos apologistas e
teólogos romanistas ignoram a reverência devida ao texto sagrado, manipulando
passagens para fundamentar práticas que a Bíblia, em seu contexto e rigor
exegético, não corrobora. Aqueles que deturpam a Palavra de Deus para validar
doutrinas contrárias às Escrituras demonstram falta de temor a Deus e ao
Espírito Santo. Tal conduta assemelha-se à estratégia utilizada pelo
adversário, que, desde o Gênesis até a tentação de Cristo no deserto, recorre
ao uso distorcido das Escrituras para promover seus próprios argumentos.
C. J. Jacinto
Bibliografia
https://historycollection.com/worlds-grossest-catholic-relics/
https://en.wikipedia.org/wiki/Chapel_of_the_Milk_Grotto
https://elhistoricon.blogspot.com/2016/09/las-reliquias-mas-extranas-de-la.html
https://epicpew.com/7-weird-and-wonderful-catholic-relics/
https://jfpenn.com/religious-relics/
https://catholictalkshow.com/top-10-strangest-catholic-relics/
https://drive.google.com/file/d/1GXreBxT92M8LtEFMPgGGqycQOswsYly_/view?usp=sharing
Este é o mesmo termo presente em João 1:1, que
declara: "No princípio era o Verbo". A palavra “Logos”, da qual
derivamos sufixos em termos técnicos contemporâneos — como em
"biologia", o estudo da vida, ou "teologia", o estudo sobre
Deus —, possui uma densa carga filosófica dentro do contexto histórico do Novo
Testamento. A filosofia grega clássica dedicava-se a investigar as questões
fundamentais da existência, buscando compreender a verdade última que sustenta
a realidade. Nesse sentido, a Bíblia apresenta o Deus Triúno como a realidade
última e o fundamento de todas as coisas. Ao longo do tempo, à medida
que os filósofos gregos refletiam sobre questões existenciais, cunharam o termo
"Logos" para descrever uma realidade última. Esse conceito passou a
ser compreendido como o princípio que conferia vida e significado a toda a
criação; contudo, no pensamento grego, o Logos era visto estritamente como uma
força impessoal.Ao chegarmos ao primeiro capítulo do Evangelho de
João, observamos o apóstolo realizar uma transição que seria impensável para a
filosofia grega. Em vez de uma força impessoal, o Logos é identificado com
Cristo, revelando-O como um Logos pessoal. Assim, o Novo Testamento confere ao
conceito grego uma interpretação definitiva. Esse Logos encarnou-se como ser
humano e manifestou a glória de Deus, conforme evidenciado em todo o contexto
inicial do livro.
C. J. Jacinto
Uma das doutrinas mais complexas presentes no
romanismo é a tese de que, mediante a consagração realizada por um sacerdote, o
pão e o vinho se tornam, literalmente, o corpo e o sangue de Jesus Cristo. Tal
conceito de transmutação de elementos evoca as práticas alquímicas,
aproximando-se do que alguns classificam como ocultismo ou rito mágico. Esta
interpretação da transformação física seria, supostamente, fundamentada na
instituição da Ceia pelo próprio Cristo. No entanto, ao proferir as palavras
"isto é o meu corpo, que é dado por vós" e "isto é o meu
sangue", Jesus não estabeleceu um ato sacrificial repetitivo a ser
realizado por sacerdotes, nem instituiu a reiteração do sacrifício do Calvário.
É hermeneuticamente impossível extrair essa perspectiva do texto bíblico
original. Tais interpretações constituem, portanto, construções humanas que não
encontram respaldo no contexto ou no sentido literal das Escrituras.
Diante desse
adendo, percebe-se que a capacidade de transubstanciar a matéria — o pão e o
vinho em corpo e sangue — carrega implicações éticas, morais e espirituais
profundas. É necessário compreender que, por meio desse ritual celebrado
diariamente em escala global, consolida-se uma “super” elite sacerdotal que se
coloca em patamar superior aos leigos, os quais, por sua vez, permanecem
relegados a uma condição que não lhes permite ascender aos níveis mais elevados
da iniciação religiosa. Essa elite, descrita por Afonso de Ligório, Doutor da
Igreja, em sua obra “A Selva” (A Dignidade do sacerdote), sustenta a premissa
de que o sacerdote detém um poder singular sobre o divino, sendo por vezes
designado como o "criador do Criador". Tal entendimento fundamenta-se
na crença de que, pelo rito da missa e pela consagração, o Filho de Deus se
encarna novamente na matéria inerte. Assim, a liturgia é compreendida como a
repetição contínua da encarnação e do sacrifício de Cristo, no qual Ele é,
simbolicamente, crucificado a cada consagração realizada sobre o altar. Jesus
nunca instituiu algo dessa natureza, e é impossível extrair a ideia dos
Evangelhos desse sistema de continuidade de encarnação e sacrifício “incruento”
Onde, nas
Sagradas Escrituras, encontramos o relato de que, durante a Santa Ceia, Cristo
teria instituído o sacrifício da missa? Em que passagem se sustenta a
interpretação de que, ao partirem o pão e partilharem o vinho, o Senhor e os
apóstolos compreenderam que, a cada repetição daquele ato, uma nova encarnação
e um novo sacrifício estaria sendo realizado, reiterando o que foi consumado de
uma vez por todas no Calvário?
Ademais, onde
se lê a determinação de que, sempre que o pão e o vinho forem consagrados por
um sacerdote — sob a égide de uma hierarquia clerical —, ocorrerá uma
transubstanciação, transformando os elementos, de modo literal, no corpo e no
sangue de Cristo? Apresente-nos o fundamento bíblico, mediante uma exegese
rigorosa, que conduza a tal conclusão.
As Escrituras
são inequívocas quanto a este tema. No livro de Hebreus, capítulo 10,
versículos 10 a 14, o autor sagrado estabelece: "Temos sido santificados
mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez por todas. Ora, todo
sacerdote se apresenta diariamente, ministrando e oferecendo muitas vezes os
mesmos sacrifícios, que nunca podem remover pecados; mas Cristo, tendo
oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra
de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por
estrado dos seus pés. Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre
quantos estão sendo santificados".
Dessa passagem,
depreende-se claramente a natureza equivocada da missa e da doutrina da
transubstanciação. O texto bíblico diferencia o ministério sacerdotal do Antigo
Pacto, que exigia sacrifícios contínuos, da obra de Cristo, que ofereceu um
sacrifício único e definitivo. Desde a Sua ascensão, Cristo permanece sentado à
destra de Deus. Portanto, a ideia de que Ele se encarna novamente em um
elemento consagrado por um sacerdote é teologicamente infundada e contrária à
soberania do sacrifício perfeito de Jesus. Cristo permanece glorificado junto
ao Pai e somente será visto e tocado em Sua segunda vinda triunfante.
Permita-me retomar a figura de Afonso de
Ligório. A Igreja, ao tratar deste tema, recorre frequentemente a tais doutores
em detrimento das Escrituras Sagradas, as quais, de fato, silenciam sobre o
assunto. Pelo contrário, passagens como a da Epístola aos Hebreus que mencionei
refutam categoricamente a natureza de sacrifício ritual atribuída à missa.
Observemos,
contudo, o que sustenta este pretenso doutor da Igreja Católica:
A dignidade do sacerdote seria avaliada pelo
poder que detém sobre o corpo real e místico de Jesus Cristo. Segundo essa
doutrina, pela fé, ao serem pronunciadas as palavras da consagração, o Verbo
Encarnado seria compelido a obedecer e a manifestar-se sob as espécies
sacramentais. Afirma-se que, em resposta à ordem do sacerdote — *Hoc est corpus
meum* —, o próprio Deus desceria ao altar, atendendo a qualquer chamado e
tantas vezes quantas for convocado, submetendo-se inteiramente ao arbítrio de
mãos humanas, ainda que estas sejam as de seus inimigos. Segundo o autor, o
sacerdote poderia, então, transladá-lo, guardá-lo no tabernáculo, expô-lo no
altar, conduzi-lo para fora do templo ou, até mesmo, consumir sua carne e
oferecê-la como alimento a terceiros.
Tais palavras
de Afonso de Ligório revelam uma grave deturpação teológica, na qual Cristo, o
Senhor, é reduzido a uma posição de submissão absoluta às ordens sacerdotais.
Onde se fundamentaria tal premissa nas Escrituras? É impossível extrair essa
concepção do relato em que Jesus institui a Santa Ceia. Tratam-se, portanto, de
construções doutrinárias destituídas de base bíblica e que, por sua natureza,
incorrem em grave desonra à soberania divina.
Este trecho foi extraído da obra “A Dignidade e
os Deveres do Sacerdote”, de Afonso de
Ligório, um clássico amplamente consultado pelo clero católico e cuja citação
completa consta no Apêndice A.
Fundador da Congregação do Santíssimo
Redentor, Afonso de Ligório foi canonizado em 1839 e proclamado Doutor da
Igreja em 1871 — título conferido a apenas 33 teólogos na história. Nesta
passagem, o santo disserta sobre o mistério da transubstanciação, por meio da
qual, mediante as palavras proferidas pelo sacerdote, o pão se transforma no
próprio Cristo, que permanece submisso à mediação ministerial. Devemos observar atentamente essa
citação extraordinária de Ligório, pois ele afirma que um padre possui um poder
divino e real: ao proferir as quatro palavras no ritual da missa e da
consagração, Deus deve obedecê-lo, quer queira ou não. Isso pode parecer
exagero, mas leia novamente e tente interpretar suas afirmações de uma maneira
menos perturbadora. Se ainda houver dúvidas, consulte as obras de Afonso de
Ligório a respeito desse assunto e examine o contexto em que essas declarações
foram feitas.
Cada leitor que crê nessas doutrinas tão
estranhas ao Novo Testamento, não devem levar em conta os conselhos de guias
espirituais católicos, por exemplo, a ordem de
obedecer cegamente aos líderes do catolicismo, como Josemaría Escrivá, que em
seu livro Caminho (Pensamento 941) assim orientou aos seus leitores! Que
tragédia se você for guiado por um cego espiritual, pois, como diz a Bíblia,
quando um cego guia outro cego, ambos caem no abismo.
Pode parecer inverossímil o que tenho exposto a
respeito dos ensinamentos de Afonso de Ligório; contudo, transcreverei o texto
da obra “A Selva ou A Dignidade do Sacerdote” — facilmente acessível na
internet, inclusive em língua portuguesa —, a fim de que o leitor possa, por si
mesmo, analisar o conteúdo e formar sua própria conclusão.
Atente-se ao teor das idéias de Afonso de
Ligório:
Por isso, os sacerdotes são chamados de pais de
Jesus Cristo. Tal é o título que São Bernardino lhes confere, pois são a causa
ativa pela qual Ele Se torna presente na hóstia consagrada. De fato, o
sacerdote pode, de certo modo, ser chamado de ‘criador do seu Criador’, visto
que, ao proferir as palavras da consagração, Ele traz Jesus ao sacramento,
conferindo-Lhe uma existência sacramental e apresentando-O como a vítima a ser
oferecida ao Pai Eterno. Assim como na criação do mundo bastou que Deus dissesse
‘faça-se’ para que tudo fosse criado — ‘Ele falou e foram feitos’ —, também
basta que o sacerdote diga ‘isto é o meu corpo’ para que o pão deixe de sê-lo e
se torne o corpo de Jesus Cristo. O poder do sacerdote, segundo São Bernardino
de Sena, equivale ao poder da Pessoa Divina, pois a transubstanciação do pão
requer tanto poder quanto a criação do mundo.
Se tais afirmações
não configuram uma blasfêmia, questiono-me o que poderia sê-lo. A arrogância
que emana dessa passagem é verdadeiramente espantosa. O texto retrata o
sacerdote romano como uma figura dotada de poder sobrenatural e divino,
equiparando-o ao próprio Criador. Assim como Deus, ao proferir o "haja
luz", viu a luz surgir, o sacerdote, ao pronunciar palavras sobre o pão,
reivindica a capacidade de transformá-lo na carne de Cristo. Essa analogia
eleva o sacerdote a uma condição de divindade, uma interpretação apresentada
com clareza nos escritos de Afonso de Ligório — ensinamentos que, cumpre notar,
jamais foram proferidos por Cristo ou pelos apóstolos.
Tal
doutrina não encontra eco no ensino apostólico; ao contrário, enquadra-se
precisamente na advertência contida em Gálatas 1:8-9, onde o apóstolo Paulo declara
que, ainda que um anjo desça do céu pregando um evangelho diferente, seja ele
anátema. É notável que, para sustentar tais conceitos, Ligório e outros autores
omitam as Escrituras, já que não há nelas respaldo para noções desta natureza.
Em vez de basearem-se na autoridade bíblica, recorrem a outros supostos
doutores e santos da Igreja que, a exemplo de Ligório, demonstram a mesma
negligência para com a fundamentação escriturística. As teses atribuídas a
Santo Afonso de Ligório revelam uma interpretação teológica controversa, ao
sugerir que a morte de Jesus Cristo não teria sido estritamente necessária para
a redenção da humanidade. Segundo esse raciocínio, uma única gota de sangue ou
uma breve oração do Redentor, por possuírem valor infinito, seriam suficientes
para salvar incontáveis mundos, reduzindo o propósito do sacrifício na cruz,
primordialmente, à instituição do sacerdócio.
Tais
afirmações, acessíveis a pesquisadores, levantam questionamentos profundos
quanto à conformidade desses ensinamentos com a tradição apostólica. É notável
o contraste entre essa visão e o que se depreende da doutrina bíblica,
especialmente ao analisar a natureza do sacrifício eucarístico no catolicismo
romano. A crença de que o sacerdote possui a prerrogativa de renovar, a
encarnação e o sacrifício de Cristo repetidas vezes de forma incruenta —
conferindo ao clero um papel que muitos consideram alheio à ortodoxia cristã —
representa, para os defensores da sã doutrina, uma distorção fundamental da
mensagem bíblica. A permanência de tais dogmas permanece como um ponto de grave
divergência e estranhamento para aqueles que pautam sua fé estritamente nas
Escrituras.
Por
que a comparação entre Jesus e o deus romano Mitra não resiste a uma análise
séria da história
Se você navega há algum
tempo por debates sobre religião na internet, provavelmente já esbarrou em
alguma versão desta afirmação: "Jesus é apenas uma cópia de deuses pagãos
mais antigos, como Mitra". A ideia costuma vir acompanhada de uma lista
impressionante de coincidências — nascimento virginal, doze discípulos, morte e
ressurreição, uma refeição sagrada com pão e vinho — como se o cristianismo
tivesse simplesmente copiado e colado a biografia de um deus persa e trocado o
nome para Jesus.
O argumento soa poderoso
à primeira vista, justamente porque poucas pessoas têm tempo ou acesso às
fontes primárias para verificá-lo. E é exatamente aí que mora o problema:
quando alguém efetivamente vai aos documentos históricos e à arqueologia, a tal
semelhança entre Cristo e Mitra desmorona peça por peça.
Este texto foi escrito
para isso: apresentar, de forma clara e acessível, por que a tese de que
"Cristo é uma versão remodelada de Mitra" não se sustenta
historicamente — e por que, quando existe alguma influência entre as duas
tradições, ela provavelmente correu no sentido inverso ao que os críticos do
cristianismo costumam sugerir.
Antes de entrarmos no
mitraísmo propriamente dito, vale entender o contexto maior em que essa comparação
costuma aparecer. Há um esforço antigo e persistente para desacreditar a pessoa
de Cristo e a mensagem do evangelho, que geralmente segue duas frentes.
A primeira tenta atacar
diretamente as evidências históricas de Jesus e a confiabilidade do Novo
Testamento. Quando essa linha de ataque não convence — e ela raramente
convence, dado o volume de evidências históricas, arqueológicas e documentais a
favor da existência de Jesus —, os críticos partem para teorias mais criativas,
algumas chegando a níveis bastante exóticos. Livros que exploram essas teses
vendem bem, o que só reforça o quanto esse tipo de conteúdo sensacionalista
encontra público disposto a comprar afirmações extraordinárias sem exigir
evidências à altura.
Dentro dessa segunda
frente, a tentativa mais radical não é apenas questionar detalhes da vida de
Jesus, mas negar que ele tenha existido como pessoa histórica. Segundo essa
visão, os autores do Novo Testamento teriam pegado elementos de religiões de
mistério da época e costurado uma história fictícia em torno de um
"messias mítico". E, entre todas as religiões citadas nesse tipo de
argumento, o mitraísmo romano é, de longe, a favorita dos críticos.
Aqui já começa o primeiro
grande problema para quem defende a tese da cópia: não sobrou nenhum texto
sagrado escrito pelos próprios mitraístas. Tudo o que sabemos vem de duas
fontes indiretas — relatos de autores de fora do culto (muitas vezes
tendenciosos ou mal informados) e os vestígios arqueológicos deixados pelos
templos mitraicos, espalhados por boa parte do antigo Império Romano.
Esses templos costumam
ter formato de caverna e trazem, quase sempre, a mesma cena central: o deus
Mitra matando um touro. O culto era exclusivamente masculino, e seus membros
compartilhavam refeições rituais que simbolizavam, de alguma forma, o sangue e
o corpo do animal sacrificado.
É a partir desses
vestígios arqueológicos — interpretados, às vezes, de maneira bastante livre —
que surgem as afirmações de que Mitra teria nascido de uma virgem em 25 de
dezembro dentro de uma caverna, teria tido doze discípulos e teria ressuscitado
três dias após ser sepultado. A lista de "coincidências" é longa e,
confessemos, impressionante à primeira leitura. O problema é que quase nada dela
resiste a uma checagem cuidadosa das fontes.
Todo o argumento de que o
cristianismo copiou o mitraísmo depende de uma premissa simples: a de que o
mitraísmo é mais antigo que o cristianismo. Se essa premissa cair, o argumento
inteiro cai junto — e é exatamente isso que acontece quando olhamos para a
pesquisa acadêmica mais recente sobre o tema.
Durante décadas,
praticamente tudo o que se sabia sobre o mitraísmo vinha de um único estudioso,
o belga Franz Cumont, que dominou o campo do fim do século XIX até meados do
século XX. Cumont defendia que existia um único culto a Mitra, contínuo e
praticamente inalterado, desde sua origem no Irã antigo até a versão praticada
em Roma séculos depois.
O problema é que essa
visão está ultrapassada há mais de cem anos. É verdade que existia um deus
iraniano chamado Mitra, com registros que remontam a cerca de 1400 a.C. Mas
esse Mitra persa tinha pouquíssimo em comum com o deus romano do mesmo nome,
além do nome parecido e de alguma ligação com o sol — algo, aliás, comum a
muitos deuses da Antiguidade. E há um detalhe decisivo: não existe nenhuma
evidência de que o Mitra iraniano tenha matado um touro, justamente a cena que
define e identifica o Mitra romano em toda a sua iconografia.
Quando os principais
especialistas mundiais em mitraísmo se reuniram no início da década de 1970, no
Primeiro Congresso Internacional de Estudos Mitraicos, o consenso que emergiu
foi outro: os romanos simplesmente pegaram emprestado o nome de um antigo deus
iraniano e alguns detalhes periféricos, e construíram, a partir disso, uma
religião essencialmente nova, com características próprias.
Na prática, isso
significa que existem duas religiões distintas que compartilham apenas o nome
"Mitra": uma antiga e persa, outra tardia e romana. E essa distinção
resolve boa parte do debate.
Uma vez que separamos
essas duas tradições, duas conclusões ficam evidentes. A primeira é que não
existem semelhanças relevantes entre o mitraísmo iraniano antigo e o
cristianismo — a fonte mais antiga simplesmente não tem o que se compararia à
história de Jesus.
A segunda conclusão é
ainda mais decisiva: mesmo as semelhanças que existem entre o mitraísmo romano
e o cristianismo perdem toda a força como argumento, porque essa versão romana
do culto só se consolidou bem depois do surgimento do cristianismo.
O caminho histórico do
mitraísmo ajuda a entender isso. O culto a Mitra foi se espalhando gradualmente
da Pérsia em direção ao Ocidente após as conquistas de Alexandre, o Grande,
absorvendo pelo caminho elementos de outras tradições — como práticas do culto
frígio a Átis e Cibele, na Ásia Menor, e simbolismo astrológico originado na
Grécia. A primeira representação conhecida de Mitra como "matador de
touro" surge em Pérgamo, já no século II a.C., época em que o culto pode
ter chegado aos romanos por meio dos piratas da Cilícia.
Mas a primeira referência
concreta ao culto romano de Mitra só aparece nos escritos do poeta Estácio, por
volta do ano 80 d.C. — ou seja, décadas depois do surgimento do cristianismo. E
não existe nenhum vestígio arqueológico do mitraísmo romano anterior a esse
período. Em outras palavras: a forma de mitraísmo que apresenta semelhanças com
o cristianismo é justamente a que não tem registro algum antes do próprio
cristianismo já existir. Se houve cópia de um lado para o outro, a direção mais
plausível é o contrário do que costuma ser afirmado.
Mesmo deixando de lado a
questão cronológica por um instante, vale examinar os próprios paralelos
citados com tanta frequência — porque, quando observados de perto, eles se
revelam bem menos impressionantes do que parecem em memes e vídeos rápidos da
internet.
Comece pelo nascimento.
Diz-se que Mitra "nasceu de uma virgem", muitas vezes na presença de
pastores, como se fosse um espelho da narrativa do Natal. Mas as evidências
arqueológicas — que datam de cerca de um século depois do período do Novo Testamento
— mostram algo bem diferente: Mitra teria surgido já adulto, brotando de uma
rocha sólida, e os pastores apenas o ajudaram a se libertar quando ele ficou
preso na pedra. Isso está a anos-luz do relato do nascimento de Jesus como
bebê, de uma mulher, em Belém.
Quanto à data de 25 de
dezembro, mesmo que Mitra tivesse alguma associação com esse dia, isso não
abalaria em nada a historicidade de Jesus — porque a Bíblia nunca afirma que
Jesus nasceu em 25 de dezembro. Essa data foi escolhida séculos depois pelos
cristãos, como parte de uma estratégia mais ampla de substituir festividades
pagãs por celebrações cristãs, não como uma tentativa de imitar Mitra.
E a famosa "morte e
ressurreição" de Mitra? Aqui a base é ainda mais frágil: a única fonte que
menciona algo nesse sentido é o escritor cristão Tertuliano, já no final do
século II, que comenta vagamente uma "imagem de ressurreição"
associada ao culto. Mas o próprio Mitra, segundo os registros, não é quem
ressuscita dos mortos. É difícil construir um paralelo sólido sobre uma menção
tão vaga e tardia.
Por fim, a refeição
ritual dos mitraístas, com elementos que lembram o "sangue e o corpo"
de um sacrifício, costuma ser apontada como precursora da Eucaristia cristã.
Mas refeições rituais compartilhadas são um elemento comum a inúmeras religiões
ao redor do mundo, em épocas e culturas completamente diferentes. A simples
existência de uma refeição simbólica não é evidência de que uma tradição copiou
a outra — é apenas evidência de que seres humanos, em contextos religiosos
diversos, tendem a criar rituais parecidos de forma independente.
Há ainda uma diferença
fundamental, quase sempre esquecida nesse debate: o tipo de texto que sustenta
cada tradição. A história de Mitra pertence à categoria de mito de criação —
uma narrativa simbólica, sem pretensão de registrar acontecimentos
verificáveis. Os Evangelhos, por outro lado, se encaixam no gênero da biografia
histórica antiga, com referências a lugares, datas, autoridades políticas e
testemunhas que poderiam, em tese, ser verificadas por seus contemporâneos.
Essa diferença de gênero
literário não é um detalhe técnico sem importância: ela mostra que os primeiros
cristãos não estavam compondo uma lenda simbólica ao estilo dos mitos de
criação greco-romanos, mas registrando o relato de uma vida concreta, apoiado
em testemunhas oculares que continuaram vivas — e continuaram contando o que
viram — por décadas depois dos eventos.
Mitra nunca existiu como
figura histórica; é, por definição, uma personagem mítica. Jesus, ao contrário,
teve seguidores reais que se tornaram fontes primárias da tradição registrada
no Novo Testamento. E o sentido teológico de cada narrativa também diverge por
completo: Mitra "salva" o mundo matando um touro em um mito cósmico;
Jesus, segundo o evangelho, oferece a própria vida em sacrifício para expiar o
pecado humano. São categorias de história e de significado que simplesmente não
se equivalem.
Quando se examina com
cuidado cada ponto da comparação — cronologia, fontes, conteúdo dos relatos e
gênero literário —, a tese de que o cristianismo copiou o mitraísmo perde toda
a sustentação. Os paralelos genuínos são poucos e genéricos demais para indicar
cópia; os paralelos mais chamativos, como o nascimento virgem ou a
ressurreição, simplesmente não existem nas fontes da forma como costumam ser
apresentados nas redes sociais.
No fim das contas, a
ideia de que "Cristo é uma versão remodelada de Mitra" se apoia numa
base acadêmica já superada há mais de um século — a obra de Cumont — somada a
uma leitura seletiva e, muitas vezes, distorcida da arqueologia mitraica. É uma
teoria que soa sofisticada à primeira vista, mas que não sobrevive a um
encontro honesto com as fontes históricas.
Cristo não está associado
a Mitra. E quanto mais se investiga a fundo essa comparação, mais evidente fica
que os verdadeiros paralelos, quando existem, apontam na direção oposta à que
os críticos do cristianismo gostariam.
Texto
elaborado com base em conteúdo apologético sobre mitraísmo e cristianismo
primitivo, com anotações pessoais feitas por C. J. Jacinto e com referências ao
artigo original disponível em
truthaccordingtoscripture.com.
Expiação é uma provisão necessária
introduzida na administração do governo divino, que garante ao infrator um meio
seguro e eficiente de receber justificação, assegurando que um substituto
imaculado tenha sofrido a penalidade para que essa provisão seja garantida a
todos os que crêem que Cristo é o redentor
Se sua opinião é um equívoco, ela também poderá ser a tua mentira de estimação
A mais dura lição que cada Cristão
precisa aprender a qualquer custo é que jamais pode pregar uma moral que ele
não vive.
E ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis;
ele dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos entendidos.(Daniel 2:21) acima
do voto de um cidadão está a vontade de Deus, o Soberano. Seja feita a Tua
vontade assim na terra como no céu. Esse deve ser o primeiro sentimento do
cristão e o que deve prevalecer. E se um sistema se opõe a vontade de
Deus, como Ele fez com Nabucodonosor, é expulso do trono pra comer capim
e se exaltar ainda mais será comido de bichos como Herodes.(Leia Daniel 4:29 a
37 e Atos 12:21 a 23) Portanto aqui está a minha confiança plena na Soberania
do Senhor.
O que dá o verdadeiro sentido ao encontro é a busca, e é preciso andar muito
para se alcançar o que está perto. (José Saramago)
é muito fácil celebrar nossas conquistas difícil e permanecermos emocionalmente
equilibrados em nossas derrotas.
Tem sensibilidade com o corpo de Cristo quem faz parte dele, qualquer cristão
que não se opõe aos políticos e sistemas ideologicos que se alinham com
perseguidores e opressores da igreja, nunca sentiram o sofrimento dos
perseguidos porque simplesmente nunca fizeram parte do corpo de Cristo, é por
esse motivo que são insensíveis quanto a isso.
Aquilo que nós cativa nos concede a revelação da nossa verdadeira natureza,
sempre estaremos inclinados a buscar aquilo que se identifica com as nossas
inclinações, isso tanto vale para a piedade quanto pra impiedade.
C. J. Jacinto
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