Introdução: O Anseio por
Transcender
O tráfico e o uso de drogas em
nossa cultura são emblemáticos. Revelam que, também nessa área, as pessoas
querem "ficar chapadas", ultrapassar seus limites e buscar estados
alterados de consciência. Mas cuidado com o que o governo e os políticos
corruptos nos dizem sobre o uso de drogas. Existem todos os tipos de drogas e
todos os tipos de ilusões, transes e êxtases.
Além das drogas químicas que
alteram os estados de consciência — como LSD, mescalina, PCP, Pó de Anjo e MDA
(sem mencionar os efeitos desastrosos da cocaína, heroína e anfetaminas) —, que
"dilatam" a mente e as percepções sensoriais, existe agora o fenômeno
do frenesi induzido pela música. Em alguns shows, testemunhamos um fenômeno de
histeria coletiva, que o dicionário define como "delírio nervoso".
Ora, a histeria — a perda de
controle — é contrária à vontade de Deus. A Escritura ordena: "Não vos
embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito"
(Efésios 5:18). A histeria coletiva é o oposto exato do resultado da ação do
Espírito Santo.
O Delírio Místico e a Paganização
do Culto
Há também o delírio místico ou
religioso. Em Delfos, a Pítia, devota ao culto de Apolo e que proferia
oráculos, entrava em transe enquanto mastigava folhas de louro. Hoje,
assistimos a uma onda mística por meio de uma série de fenômenos
extraordinários e bizarros: muitas visões falsas, profecias falsas,
frequentemente em uma atmosfera carregada de tensão.
Este é um sinal claro de
paganização, embora tudo isso seja falsamente atribuído à ação do Espírito
Santo. A Bíblia, porém, caracteriza o verdadeiro mover do Espírito como
Espírito de ordem e paz ("Porque Deus não é Deus de confusão, mas de
paz" — 1 Coríntios 14:33; "Tudo, porém, se faça com decência e
ordem" — 1 Coríntios 14:40).
A Raiz do Problema: Culto à
Experiência, Não a Deus
No culto ao delírio, o que se busca
são experiências emocionais profundas. Não se trata de um culto racional, como
Paulo ordenou em Romanos 12:1-2:
"Rogo-vos, pois, irmãos, pela
compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e
agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este
século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que
experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus."
Não há ênfase na sã doutrina e na
teologia sólida, mas em experiências emocionais, onde o ambiente é o catalisador
para a exploração de emoções reprimidas. A Bíblia nunca é pregada com
fidelidade, pois os pregadores são formados para dar o tipo de mensagem que
seus ouvintes querem ouvir.
Um Testemunho Pessoal: Quando a
Palavra Deixa de Ser Suficiente
Muitos anos atrás, quando
pastoreava uma pequena congregação na minha cidade, enfrentei rejeição por
pregar as Escrituras e centralizá-las na formação da vida espiritual autêntica.
Certo dia, soube de alguém que era membro de uma "igreja" alicerçada
mais na experiência mística do que na Palavra de Deus. Essa pessoa teve uma
"revelação" supostamente divina, em que ele orientava outros a não
frequentarem a minha congregação.
O motivo? Nesse caso, a Bíblia não
era importante nem suficiente. As novas revelações seriam "Deus
falando", e a Bíblia ensinada seria apenas "teologia morta".
Não é lamentável isso?
Humanismo Religioso e as Obras da
Carne
Trata-se de uma espécie de
humanismo e de religião utilitarista. A satisfação do ego é característica do
culto adâmico, como ocorreu com Caim, que deu ênfase à satisfação própria em
vez de satisfazer a Deus.
Até mesmo no consumo de drogas, tão
comum em nossos dias, há a influência das obras da carne, o que se associa a
uma escravidão e a um engano espiritual ("Ora, as obras da carne são
manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia" —
Gálatas 5:19).
A pós-modernidade contribuiu
enormemente para as formas de cultos centrados em emoções e sentimentos
descontrolados. Por isso, o culto pós-moderno tende para um ambiente
psicodélico de luzes coloridas e muita música de ritmo de transe — semelhante
ao xamanismo, onde as batidas rítmicas induzem o feiticeiro a estados alterados
de consciência.
O Culto Bíblico: Ordem, Reverência
e Palavra
Em contraste, o culto bíblico é
marcado por elementos de solenidade e reverência. A Palavra nos instrui:
"Falando entre vós com salmos,
e hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso
coração" (Efésios 5:19).
Tudo deve ser feito com ordem e
decência ("Tudo, porém, se faça com decência e ordem" — 1 Coríntios
14:40).
O culto verdadeiro não busca o êxtase
descontrolado, mas a adoração racional, guiada pela Palavra de Deus, movida
pelo Espírito Santo e voltada para a glória do Pai.
Conclusão
O "culto do delírio" é
uma armadilha espiritual que promete experiências, mas entrega confusão. Ele
troca a autoridade das Escrituras pela subjetividade das emoções, a ordem
divina pelo caos humano e a glória de Deus pela satisfação do ego.
Que o Senhor nos conceda
discernimento para reconhecer o verdadeiro culto — aquele que é "em
espírito e em verdade" (João 4:24) — e coragem para permanecermos fiéis à
Palavra, mesmo quando o mundo prefere o delírio.
C. J. Jacinto
