C. J. Jacinto
O encontro de Jesus com a mulher
samaritana junto ao Poço de Jacó, em Sicar, possui um significado espiritual
profundo e transformador. Historicamente, este poço representava o legado de
Jacó e sua família, ancestrais das doze tribos de Israel; para eles, aquela
fonte não era apenas um símbolo de sustento e prosperidade, mas um elemento
essencial para a sobrevivência.
Conforme narrado no Evangelho de João,
capítulo 4, versículos 19 a 23, a mulher samaritana, ao reconhecer a natureza
profética de Jesus, questionou-o sobre a divergência entre os locais de
adoração: o Monte Gerizim, onde seus antepassados adoravam, e Jerusalém,
indicado pelos judeus. Jesus respondeu-lhe: "Mulher, acredita-me, a hora
vem em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que
não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.
Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em
espírito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim o adorem."
Ao analisarmos o diálogo entre Jesus e a mulher samaritana, identificamos que o
tema central é a adoração. Trata-se de uma adoração fundamentada no
conhecimento, pautada pela sobriedade e pelo discernimento, conforme nos
orienta o Novo Testamento. As Escrituras, ao narrarem a prática dos apóstolos e
a reunião da igreja primitiva desde o livro de Atos, estabelecem o Senhor Jesus
Cristo como o centro absoluto da adoração.
Não há, em todo o Novo Testamento,
qualquer registro de culto ou veneração dirigido a outros personagens, sejam
discípulos ou figuras como Maria. Tal prática é inexistente na igreja
estabelecida e liderada pelos apóstolos, os quais nem a praticaram, nem a
ensinaram.
À luz dessas evidências, compreendemos que a verdadeira adoração, em espírito e
em verdade, consiste em adorar ao Pai, por meio de Jesus Cristo e sob a ação do
Espírito Santo. Ao lermos o Novo Testamento com abertura e reconhecendo-o como
a autoridade máxima para definir nossa vida e devoção, identificamos a essência
do cristianismo: a verdade absoluta de que todo o texto neotestamentário é
profundamente cristocêntrico. Ao examinarmos o Evangelho de João, capítulo 14,
versículo 6, observamos a declaração de Jesus: “Ninguém vem ao Pai, a não ser
por mim”. Este versículo estabelece o papel de Cristo como o único Mediador — o
pontífice que restaura a conexão entre a humanidade e Deus. Portanto, não se deve
atribuir a outrem a função de ponte ou intercessor para alcançar o Criador de
forma concreta. Ao proferir tais palavras, Jesus manifesta um caráter de
exclusividade. Ele afirma, de maneira explícita e direta, a impossibilidade de
acesso ao Pai por qualquer outro meio. Sendo Cristo o único caminho capaz de
reconciliar o homem pecador à presença divina, compreendemos que a totalidade
da vida espiritual depende deste relacionamento: Jesus não apenas nos conduz ao
Pai, mas é Ele próprio o caminho que viabiliza essa comunhão.
A nossa compreensão fundamenta-se no ensinamento bíblico de que Cristo é o
nosso único mediador. Sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Ele possui a
prerrogativa de assentar-se à destra do Pai e interceder por cada um de nós,
verdade esta que é ratificada em cada página do Novo Testamento.
Consequentemente, rejeitar o testemunho do Espírito Santo a esse respeito
equivale a atribuir-Lhe falsidade. Ademais, ao negar a autoridade do Espírito
Santo, manifesta nas Sagradas Escrituras — especialmente no que tange à
exclusividade de Cristo como nosso único e divino mediador —, incorre-se em um
grave erro. Somente Ele possui tal capacidade, por ser, simultaneamente,
verdadeiro Deus e verdadeiro homem, conforme atestam diversos trechos bíblicos,
com destaque para o Evangelho de João, capítulo 14, versículo 6. Aqueles que
renegam essa verdade e não pautam sua vida por ela acabam por atribuir ao
Espírito Santo a pecha de mentiroso; tal postura, portanto, configura uma
blasfêmia equiparável à obra do próprio pai da mentira. Ao erigir imagens e
santuários em veneração a Maria, os católicos adotam práticas que, sob uma
perspectiva bíblica, carecem de respaldo nas Escrituras. Não há, no Novo
Testamento, mandamentos de Cristo ou orientações apostólicas que legitimem tal
conduta. Essa prática conduz o fiel não apenas à prostração diante de imagens
de escultura, mas à reverência excessiva a uma criatura, que as Escrituras
definem estritamente como serva. Existe, portanto, uma distinção entre a Maria
bíblica, reconhecida por sua humildade, e a figura consolidada pela tradição
católica, à qual são atribuídos títulos como "Rainha dos Céus",
"Mediadora" e "Corredentora". Tais designações induzem os
fiéis a atos de invocação, súplica e prostração, gestos que se assemelham ao
culto prestado a divindades pagãs.
A própria Bíblia de Jerusalém, ao descrever a
veneração à deusa Diana pelos efésios, evidencia que, no contexto litúrgico e
ritualístico, os termos "venerar" e "adorar" convergem para
o mesmo propósito. Conclui-se, por essa análise, que a veneração a entidades ou
imagens, quando inserida em um rito de culto, configura-se como prática de
idolatria.
Ao analisar a história do paganismo e das religiões idólatras — como o
hinduísmo, as antigas práticas egípcias e as tradições que circundavam o antigo
Israel —, observamos a utilização recorrente de estatuetas. Tais objetos eram
reverenciados como divindades, protetores e patronos, servindo como
intermediários entre os vivos e os mortos, aos quais se dirigiam súplicas e
diálogos. É possível notar a reintrodução e a adaptação desses conceitos dentro
do catolicismo romano, manifestando semelhanças que não podem ser ignoradas por
um observador atento. A Bíblia, de forma abrangente, posiciona-se frontalmente
contra tais práticas, caracterizando-as como uma falsa espiritualidade; o
apóstolo Paulo, inclusive, equipara o culto aos ídolos à adoração de demônios. Um
grande pensador católico e grande escritor francês, Jean-Claude Bourreau, em um
livro cujo título é Quem é Deus, publicado pela editora Vozes, na página 15,
afirmou, o cristianismo herdeiro do judaísmo dos profetas que derrubavam os
ídolos lutou durante muito tempo contra Baal, mas recuperou em grande dose esta
fé pagã. Podemos dizer que o próprio cristianismo foi repaganizado
Observa-se, com clareza, que muitos sacerdotes, líderes e apologistas católicos
têm omitido de seus fiéis a natureza real das práticas devocionais direcionadas
a Maria. Sustenta-se que o culto, as procissões e as orações prestadas a ela
seriam meramente uma forma de veneração, classificada pelo neologismo
"hiperdulia". Contudo, tal termo parece servir apenas como um
artifício para encobrir a verdadeira natureza desses atos: a adoração. Não se
trata, portanto, apenas de uma homenagem à figura da Mãe de Deus ou de um culto
de honra.
No livro “A Arte de Aproveitar as Próprias Faltas”, de Joseph Tissot (Editora
Quadrante), lemos na página 125 a seguinte declaração: "Por mais doentes
que estejamos, por mais desesperador que pareça o estado da nossa alma, se
quisermos curar-nos, Maria adotar-nos-á como seus doentes; e como não existe
doença espiritual que seja incurável nesta vida, e nenhuma pode resistir ao
tratamento da Todo-Poderosa Mãe de Deus, ela nos curará". Neste trecho, o
autor atribui a Maria o título de "Todo-Poderosa". Se tal qualidade lhe
é conferida, então também deve ser considerada uma divindade, incorre-se em uma
contradição lógica, pois ela é apenas uma criatura e serva. Ser “todo-poderosa”
incorre em ter onipotência, por definição, pressupõe também a onisciência e a
onipresença; portanto, ao conferir a Maria os atributos divinos, o catolicismo
confunde as fronteiras entre a criatura e o Criador. Se tal prática não for
caracterizada como idolatria, perde-se a própria definição de verdade.
Conclui-se, assim, que a doutrina católica propaga um equívoco, ao quais muitos
fiéis, por inocência, acabam por se submeter. A verdade é que a bíblia e os apóstolos
nunca atribuíram á Maria essas virtudes de onipotência, onipresença e onipotência,
pois sem esses atributos, ela nunca poder “Todo-poderosa” e isso nada mais é do
que uma blasfêmia. Qualquer pesquisador sério encontrará esses erros grotescos
na mariologia romanista.
Embora a figura de Maria seja digna de ser imitada por sua santidade e
plenitude, a super ênfase conferida à sua pessoa pelo romanismo carece de
fundamentação bíblica. Em nenhum momento as Escrituras — seja pelo ensino de
Jesus Cristo, da própria Maria ou dos apóstolos — determinaram a confecção de
imagens representativas, tampouco a prática de cultos, venerações ou preces
direcionadas a ela. Maria foi uma serva submissa, escolhida por Deus como
instrumento para a manifestação de Sua graça, poder e misericórdia, mas jamais
foi apresentada como o centro da devoção cristã. A centralidade deve pertencer
unicamente a Deus. Como nos recorda a passagem de Romanos 11:34-36: "Quem,
pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem deu
primeiro a ele para que lhe seja recompensado? Porque dele, por ele e para ele
são todas as coisas. A ele seja a glória eternamente. Amém." A glória
pertence exclusivamente a Deus, e não a Maria.
-- Revisado por Blip ViraTexto
[9/9 18:16] Clavio Jacinto: A Supremacia de Cristo em Filipenses
Muitos católicos desconhecem o que o apóstolo Paulo ensina em Filipenses
2:9-11 sobre a supremacia de Cristo — algo que é amplamente evidente em todo o
Novo Testamento. Nesses escritos, cada doutrina referente à devoção, à
esperança de salvação, à redenção e à via de intercessão é direcionada única e
exclusivamente a Cristo e ao seu senhorio:
"Por isso também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu o nome que é
sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão
nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus
Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai."
Nas Escrituras, esse papel é atribuído tão somente a Cristo. Não há uma única
passagem bíblica que oriente os fiéis a buscarem, implorarem, rezarem, se
prostrarem ou clamarem por Maria, tampouco a pedirem sua intercessão, a fazerem
esculturas para se prostrarem diante delas ou a realizarem cultos e procissões
em sua homenagem.
A Bíblia Sagrada é clara: todo joelho se dobrará e toda língua confessará que
Jesus Cristo é o Senhor. Ele, e somente Ele — e não a sua mãe.
