As Sombras do Anticristo já Repousam Sobre o Mundo
A desconstrução da fé cristã o renascimento do espiritualismo e a negação da historicidade do livro de Genesis.
Às claras
evidências de que vivemos um período escatológico tornam-se cada vez mais
perceptíveis à medida que aprofundamos nossa percepção espiritual. Em sua obra
"O Anticristo, a Babilônia e o Reino Vindouro", G. H. Pember relata
que, nas gerações antediluvianas, a interação com entidades demoníacas era um
fato. Atualmente, constata-se um aumento da proeminência do satanismo, com um
número crescente de indivíduos, conforme descrito em Efésios 2:1-2, sujeitos à
influência do "espírito que agora atua nos filhos da desobediência".
Essa tendência se intensificou consideravelmente em nossos dias, corroborando a
análise de Pember sobre a semelhança entre os tempos finais e a era
pré-diluviana.
Para compreendermos a realidade que caracterizou o período anterior ao dilúvio,
observamos nitidamente um espírito de orgulho e rebelião contra o Criador.
Consequentemente, a sociedade se inclinou ao ocultismo e ao materialismo, pois
a ausência do temor a Deus invariavelmente conduz a humanidade a experiências
com entidades espirituais malignas. Levando em conta a incredulidade do
fisicalismo cientifico que nega o mundo espiritual caido, algo que dá uma boa
vantagem do espirito do erro atuar com liberdade na mente desses incrédulos
mais sofisticados.
No Renascimento, diversos teólogos místicos e estudiosos cristãos, a exemplo de
Emmanuel Swedenborg, tiveram contato com textos de magia hermética e da Cabala
judaica, que eram então ocultos e reservado para uma classe elitista de
ocultistas e iniciados. Eles estudaram e traduziram esses textos para a língua
vernácula de suas respectivas sociedades. Essa atividade intelectual pode ser
considerada como um novo florescimento, um renascimento do conhecimento de
técnicas esotericas e ocultistas e práticas mágicas. O objetivo era
alcançar um estado de poder espiritual através de rituais, ou seja, promover
uma evolução espiritual e o desenvolvimento de capacidades paranormais . Isso
demonstra um despertar espiritual que surgiu globalmente há pelo menos algumas décadas,
e que ainda hoje exerce influência na sociedade contemporânea, caracterizada
por avanços tecnológicos e materiais. Observa-se que o ocultismo, longe de
desaparecer, permanece presente, evidenciado pelo crescente interesse no
espiritualismo, na magia, na Nova Era e em outras práticas que oferecem
alternativas para a busca de experiências espirituais.
A magia hermética, a Cabala judaica e outras práticas mágicas promovidas pelo movimento Nova Era derivam de tradições religiosas de mistérios da antiguidade. Estas tradições remontam ao início da história humana, após a narrativa da expulsão do homem do paraíso. O espiritualismo, o ocultismo e o transformismo evolucionista ocultista seguem essa origem e o pensamento de uma evolução espiritual se desenvolveu a partir disso . Assim, o ocultismo, em seu sentido mais amplo e genérico – incluindo espiritismo, espiritualismo, Cabala, magia hermética e xamanismo, entre outras práticas – pode ser entendido como manifestações decorrentes dessa condição, suas origens remontam na antiguidade antediluviana. A queda do homem e sua subsequente expulsão do paraíso originaram uma civilização marcada pelo contato com o sobrenatural e pela busca da magia como meio de lidar com um mundo cheio de fenômenos e dificuldades. Atualmente, testemunhamos uma crescente disseminação do espiritualismo, da comunicação com espíritos, da canalização, da astrologia e, principalmente, tecnologias sagradas e praticas ocultistas oriunda das religiões de mistérios, particularmente aquelas que originarias de correntes esotéricas antigas, sociedades secretas e tradições ocultistas. Essas influências, inclusive, têm permeado a cristandade, afetando ate mesmo sua prática e a teologia. O hermetismo é uma tradição esotérica ancestral, originária do Egito, fundamentada no Corpus Hermeticum . Estes escritos são tradicionalmente atribuídos à enigmática figura de Hermes Trismegisto. Hermes Trismegisto teria recebido conhecimento de entidades espirituais, entre elas algumas chamadas "Poimandres". Através dessas entidades, ele teria obtido informações sobre a natureza do cosmos. Sua influência no esoterismo, especialmente no pensamento ocidental, foi significativa, tornando-o uma referência importante no estudo dessas tradições.
A Cabala representa a chave para as ciências ocultas, apresentando traços gnósticos evidentes. Semelhante à sua contraparte hermética, a Cabala pressupõe um processo de transformação evolutiva. É importante notar que a teoria da evolução, posteriormente divulgada por Charles Darwin e por muitos ateus contemporâneos, não encontra sua origem exclusivamente na ciência. O transformismo evolutivo, conceito defendido e ensinado em diversas interpretações ocultistas, precedeu a teoria darwinista da evolução.
Consequentemente, notamos que diversas tradições antigas compartilham uma cosmogonia centralizada na ideia de uma evolução progressiva, partindo de uma substância primordial que se metamorfoseia em matéria tangível, culminando em um estado avançado. Este princípio constitui um elemento fundamental em muitas tradições esotéricas. O cientifismo tomou emprestado esse conceito de evolução espiritual e aplica numa filosofia estritamente biologica e materialista.
Na Antiguidade, a cidade de Alexandria, no
Egito, emergiu como um importante centro para a disseminação de tradições e
crenças esotéricas da época, incluindo as religiões pagãs. Tornou-se um ponto
de convergência entre intelectuais gregos, muitos deles filósofos, e adeptos de
religiões de mistérios, como a magia hermética. Ali, observava-se uma notável
fusão sincrética de diversas correntes filosóficas e religiosas antigas, com
forte influência das religiões de mistérios que floresceram no berço da
civilização de Caim e posteriormente de Cam filho de Noé, estabelecendo-se como
um foco de propagação dessas doutrinas espiritualistas. Essa efervescência
cultural e religiosa exerceu influência, inclusive, sobre certos teólogos
cristãos, que se viram impactados por essa corrente mística da Antiguidade, que
promovia os mistérios religiosos e refletia, em certa medida, as transformações
e desafios espirituais da época. Essa ė uma das raízes espirituais do método
alegórico das Escrituras.
Quase todos os estudiosos de vertentes espiritualistas apresentam uma
estratégia central. Essa característica é generalizada e facilmente observada
por qualquer pesquisador contemporâneo. O objetivo principal consiste em
reinterpretar o relato de Gênesis, alegorizando especialmente seus três
primeiros capítulos, transformando-o em mito poesia ou fabula. Tal estratégia
visa eliminar a existência de um Adão físico e de uma queda histórica, de um
diabo como agente pessoal maligno os quais implicam em consequências para toda
a humanidade e reduzem a importância e a gravidade do pecado, do inferno e
reduz os perigos do demonismo bem como a figura do diabo como o enganador. A
abordagem de Helena Petrovna Blavatsky, por exemplo, ilustra essa tendência,
pois ela busca, em certa medida, inverter a narrativa de Gênesis, apresentando
Satanás como benfeitor, em vez de antagonista da humanidade. Essa
reinterpretação pode acarretar implicações significativas em relação ao
comportamento da sociedade e ė uma força propulsora para a apostasia.
Uma característica marcante do gnosticismo antigo, que representou um desafio à
igreja cristã desde a época dos apóstolos, era a rejeição do Antigo Testamento,
incluindo o livro de Gênesis. Os gnósticos, portanto, rejeitavam as narrativas
históricas contidas em Gênesis. Ignorando esses relatos, eles construíram sua
própria cosmovisão, incorrendo em equívocos que levaram o apóstolo João, em
suas epístolas universais, a descrever o gnosticismo como um "espírito do
erro" e associá-lo ao "espírito do anticristo". O ressurgimento
do gnosticismo na atualidade, portanto, pode ser interpretado como a
manifestação do "espírito do anticristo" em nossos dias. O surgimento
desse pensamento em nossos dias prepara o surgimento do anticristo pois
expressa a força de expressão do espírito do erro
Essa negação da historicidade dos três primeiros capítulos de Gênesis afeta o
cerne do Evangelho, atingindo seu fundamento.
O Teosofista Alvin Boyd Kuhn afirmou: “A tese de que as escrituras sagradas do judaísmo e do cristianismo em sua grande parte não retratam verdades históricas, mas sim metáforas simbólicas e místicas, representa a própria pedra fundamental da abordagem da filosofia gnóstica.” Ao interpretar esses capítulos como alegóricos, toda a narrativa bíblica, especialmente nos Evangelhos, é comprometida. A alegorização, assim, constituiu um método adotado por muitos líderes da Igreja Primitiva. Essa prática foi influenciada pela Escola de Alexandria, que, embora heterogênea em suas vertentes, apresentava elementos como o paganismo, as religiões de mistério e o hermetismo como uma força espiritual evidente.
Tal
influência impactou significativamente a teologia cristã, especialmente a
daqueles teólogos que residiam nas proximidades de Alexandria. O que de certa
forma tambem influenciou certas versões bíblicas que surgiram sob essa
influencia do espirito que predominava em Alexandria. Atualmente, a
alegorização persiste como um elemento fundamental no espiritualismo e no
ocultismo, com o propósito de contornar, rejeitar e combater o cristianismo
histórico.
Na Antiguidade, o escritor cristão Hipólito, em sua obra "Refutação de
Todas as Heresias", descreve que Simão Mago, figura associada ao paganismo
e ao gnosticismo, teria simulado a fé cristã e interpretado alegoricamente
grande parte das Escrituras, especialmente o livro de Gênesis. Hipólito
argumenta que essa interpretação servia para sustentar os ensinamentos e
defender as heresias panteístas e gnósticas de Simão.
Atualmente, compreendemos que o globalismo e a nova ordem mundial poderão ser
um movimento com raízes no pós-cristianismo, fortemente influenciado por
correntes ocultistas, originadas do hermetismo, da cabala e das religiões de
mistérios. Estas últimas, juntamente com o neognosticismo, tiveram
proeminência, especialmente a partir da década de 1970, com o advento do
movimento Nova Era. Considera-se que essas vertentes exercerão significativa
influência na formação de uma futura nova ordem mundial, visando o controle e o
domínio sobre a sociedade, e, possivelmente, a instauração de um poder que se
assemelha à figura do anticristo. Observamos atualmente a disseminação e a
crescente adesão popular a práticas e tecnologias espirituais que se tornaram
proeminentes desde a década de 1980. Dentre elas, destacam-se a indução de
estados alterados de consciência, incluindo transe, o uso de substâncias
psicoativas, meditação transcendental, visualização, canalização, zen budismo,
yoga, kundalini e tantra. Tais práticas, que outrora eram restritas a iniciados
em tradições esotéricas e seus rituais, com o objetivo de acessar o mundo
espiritual, comunicar-se com entidades e obter revelações, bem como promover a
cura, como se observava em comunidades tribais, hoje são realizadas em larga
escala. No entanto, é fundamental lembrar que essas práticas podem servir como
meios para o contato com entidades espirituais malignas.
Em obras como "1984", George Orwell descreve um mundo sob o domínio
de uma figura onipresente, o Grande Irmão, que exerce controle absoluto sobre a
sociedade. Uma das estratégias cruciais desse regime totalitário é a
manipulação da percepção da realidade, a fim de suprimir a verdade.
Há um ataque no ocidente, e esse ataque vem do espírito do anticristo usando inclusive tentáculos de viés político/ideológico para destruir os fundamentos da fé cristã. O apostata John Shelby Spong, na sua militância contra a fé cristã histórica declarou: “O teísmo, como forma de definir Deus, está morto. Deus não pode mais ser compreendido de forma crível como um ser com poder sobrenatural, que vive acima dos céus e está pronto para intervir periodicamente na história humana a fim de impor sua vontade divina. Portanto, hoje, a maior parte do que se diz sobre Deus não tem sentido. Precisamos encontrar uma nova maneira de conceber Deus e falar sobre ele.” Como Deus não pode mais ser concebido em termos teístas, não faz sentido tentar entender Jesus como "a encarnação de uma divindade teísta". Os conceitos tradicionais de Cristologia, portanto, estão falidos.
Analogamente,
a negação de princípios bíblicos, como os descritos em Gênesis, capítulos 1 a
3, pode ter consequências significativas. A interpretação desses textos como
meras alegorias, em vez de relatos históricos, pode comprometer a compreensão
da verdadeira condição espiritual humana, a noção correta do pecado e a
gravidade da sua natureza, a necessidade de redenção através da obra de Cristo
na cruz, a importância da fé crista bíblica e da conversão e regeneração
. Ao negligenciar esses fundamentos, doutrinas essenciais como a encarnação do
Verbo e a consumação da obra de Cristo perdem seu significado. A mensagem do
evangelho se desmorona e torna-se apenas um conto simbólico completamente destituído
de realidade funcional.
Atualmente, observa-se que, em muitas
igrejas contemporâneas, a pregação sobre esses temas centrais, incluindo a
importância de Gênesis 1 a 3 como fatos históricos , tem sido minimizada ou
frequentemente omitida. Em vez disso, prevalecem discursos
superficiais cheios de antropocentrismo desprovidos de conteúdo teológico
relevante.
A omissão na defesa e proclamação contínua das verdades fundamentais que se erguem sobre a exegese correta dos primeiros capítulos pode ser vista como uma forma de colaboração com forças contrárias aos princípios cristãos, em um cenário de crescente apostasia. Não proclamar as verdades fundamentais do Evangelho é contribuir com o espírito do erro.
C. J. Jacinto
Bibliografia
https://www.renewamerica.com/columns/kimball/250108
https://www.espiritualidadpamplona-irunea.org/contenidos/cristianismo-deconstruccion/
Um Renascimento para o Cristianismo – Alvin Boyd Kunh Editora Nova Era.
Leitura Recomendada:
O Anticristo a Babilônia e a Vinda do Reino. G. H. Pember Editora Escriba do Reino.
As Eras mais Primitivas da Terra . G. H. Pember. Editora dos Classicos.
.jpg)
