Buscando Uma Teologia Sólida em Meio a Uma Sociedade Liquida

0 comentários

Buscando Uma Teologia Sólida em Meio a Uma Sociedade Liquida

 




C. J. Jacinto

 

 

Qual é o grande desafio da nossa época? Vivenciamos uma era de pós-modernidade, e alguns até sugerem que agora estamos a viver uma era pós-cristã. Na verdade, o que se tem perdido é o conceito de sola scriptura. A importância da Bíblia Sagrada tem sido muito, mas muito minimizada.  Muitas pessoas estão simplesmente a substituir a Bíblia Sagrada por experiências místicas. De outra forma, a desvalorização das Escrituras Sagradas tem sido uma característica dentro de muitos púlpitos modernos. Aquela teologia sólida, pela qual é caracterizada toda uma geração de homens de Deus do passado, parece não ter mais nenhuma importância, a não ser para poucas pessoas que ainda buscam, nos escritores antigos, um alimento espiritual sólido pelo qual podem fundamentar as suas convicções pessoais. 
​Estamos a viver uma época de crise: de crise de identidade e, acima de tudo, uma crise de amor e compromisso de estudo e de leitura das Sagradas Escrituras e de uma aceitação dela como inerente e infalível palavra de Deus.  A questão de ignorar as Escrituras não é nova; Jesus combate isso.  No capítulo 22, versículo 29, do livro de Mateus, quando está confrontando os saduceus em uma questão fundamental acerca da doutrina da ressurreição, Jesus dirige as Suas palavras aos saduceus e diz: 'Errais, por não conheceres as Escrituras. Ora, sem um conhecimento adequado e suficiente das Escrituras, jamais poderemos realmente fazer a vontade de Deus. A maior parte das pessoas está errando — mesmo aquelas que se dizem cristãs —, pois não estão indo para a Bíblia todos os dias, não estão abrindo o Antigo e o Novo Testamento para lê-los, para estudá-los, para mergulhar a sua inteligência e o seu coração na Palavra de Deus.  Essa crise também se estende a muitos púlpitos, pois, de certa forma, hoje nós temos um evangelho praticamente diluído: diluído com psicologia, diluído com autoestima, diluído com todas as formas de filosofia. E essa diluição apenas faz com que o evangelho se enfraqueça. Na verdade, vivemos tempos difíceis, tão difíceis que pregar a verdade do evangelho pode ser motivo de afronta, de insulto para muitas pessoas que estão sentando no banco da igreja e se consideram cristãs. Tal é a crise que nós enfrentamos hoje: que a própria verdade do evangelho ofende muitos evangélicos Errar, por não conhecer a Escritura, já é por si mesmo uma grande tragédia e faz lembrar de outra, ainda pior, consequência dessa primeira: em Oséias, capítulo 4, versículo 6, onde o profeta diz que o meu povo está sendo destruído por falta de conhecimento. Que grande tragédia! Sem conhecimento espiritual, sem uma teologia sólida, sem a pregação, preservação e defesa da sã doutrina, não temos como ter conhecimento espiritual; pelo contrário, o que teremos é cegueira — cegueira profunda. E dessa cegueira vem o abismo, e desse abismo, a destruição. É o que nós estamos vivendo em muitas áreas do Cristianismo hoje em dia. Infelizmente, hoje em dia, palavras como teologia se tornaram palavras de conotação praticamente negativa, associada em ambientes acadêmicos ou à frieza espiritual e falta de espiritualidade.  Portanto, o interesse pelo estudo da teologia foi praticamente abolido no contexto de muitas igrejas e muitas denominações. Há quem diga: 'Bíblia sim, teologia não', imaginando que seriam realidades excludentes ou até mesmo opostas. Mas, todavia, o termo teologia vem da palavra logos e theos. A palavra logos significa discurso e a palavra theos, Deus; portanto, um discurso para o conhecimento de Deus.  Essa é a questão principal: quando você tem uma formação teológica de maneira que conhece bem as doutrinas fundamentais da palavra de Deus e a isso tem o exercício de uma vida de piedade, você se torna um homem que vai subir em cima do púlpito e não vai pregar nenhum tipo de equivoco.  Da mesma forma, todo aquele que tem uma formação espiritual de piedade e um conhecimento teológico, bíblico e teológico, quando ele estiver sentado no banco de uma igreja, ele não será enganado por falsos profetas que distorcem a palavra de Deus e promovem suas heresias. De modo que a teologia, ela é sim, importantíssima e fundamental para o nosso tempo. O desafio para os nossos dias é desenvolver uma compreensão teológica profunda, de tal maneira que, em seu contexto vivencial, os princípios eternos e imutáveis da Palavra de Deus possam ser experimentados, aplicados e difundidos em toda a sua plenitude. Pois, de outra forma, se não estivermos edificados sobre a Palavra de Deus, a decadência espiritual será inevitável. A questão mais lógica acerca desse assunto é que nós precisamos de teologia, nós precisamos de conhecimento bíblico organizado e nós precisamos de um conhecimento teológico sistemático para que possamos compreender de fato a natureza da revelação divina e compreender a Bíblia em profundidade. Podemos observar, pela própria história da Igreja, que os grandes movimentos de reforma tiveram como base pessoas que possuíam uma formação acadêmica e teologicamente sólida. De modo que a espiritualidade verdadeira está sempre associada à sã doutrina e a um conhecimento bíblico equilibrado.  Isso é de grande importância de ser compreendido, pois vivemos um momento em que a Igreja já tem mais de 2.000 anos de existência, e, ao abriremos a página da história, notamos que os grandes homens que fizeram com que a teologia e o conhecimento espiritual chegassem até os nossos dias foram homens que tiveram uma formação bíblica e espiritual profunda. Portanto, seu legado nunca pode ser considerado superficial, e nós também não devemos, de maneira nenhuma, ser cristãos de conhecimento superficial. Nós devemos subordinar todo o nosso conhecimento ao conhecimento de Deus de forma prática. A práxis espiritual deve ser uma realidade em nossa vida. Isso é crescimento espiritual genuíno e autêntico, não uma ilusão.  Experiências místicas ou opiniões pessoais não nos conduzem ao firmamento da fé; muito pelo contrário, nos levam para um campo religioso subjetivo e ambíguo.  Todavia, quando nós temos conhecimento e esse conhecimento é para a glória de Deus, e quando esse conhecimento nos traz crescimento espiritual, então estamos vivendo uma realidade. E isso se dá de forma distinta em dois pontos cruciais: Primeiro: o estudo bíblico e teológico pessoal.  Segundo: frequentar uma igreja comprometida em ensinar as verdades teológicas e as Escrituras.  Nós precisamos ir em busca do conhecimento espiritual, e a teologia nos ajuda muito; na verdade, ela é essencial para que nós possamos realmente crescer no conhecimento.  Ora, isso é um próprio mandamento do Senhor, tanto do Antigo Testamento quanto do Novo Testamento. Lá no Antigo Testamento, em Oseias, capítulo 6, versículo 6, está escrito: 'Então, conheçamos e prosseguiremos em conhecer ao Senhor'. Em 1 Pedro, capítulo 5, versículo 18 — no Novo Testamento —, temos a ordem: 'Crescei na graça e no conhecimento.  Quando pegamos passagens bíblicas como Hebreus, capítulo 5, versículos 14 e 15, vemos então como é importante que nós tenhamos esse conhecimento. Ali, o autor aos Hebreus fala sobre a busca do alimento sólido, uma teologia substancial, a doutrina real, os fundamentos da fé cristã, para que nós possamos ter os sentidos exercitados para discernir tanto o bem quanto o mal.  De maneira que nós possamos, então, ter o entendimento correto da vontade de Deus para aplicá-la sobre a nossa vida e, acima de tudo, possamos estar protegidos contra falsos profetas, falsos pastores e falsos doutores que se introduzem com heresias de perdição ao se infiltrarem  dentro da igreja, como ocorreu muitas vezes na história da igreja do Novo Testamento, como bem podemos ver de forma muito real nas igrejas da Ásia descritas em Apocalipse 2 e 3". Vivemos em uma época cujo conceito foi descrito pelo sociólogo Zygmunt Bauman como sociedade líquida. 
​A sociedade líquida é a ideia filosófica de que a vida social muda tão rapidamente que relações, instituições e certezas têm dificuldades em permanecer estáveis — ou seja, não há verdades permanentes.  A sociedade líquida propõe ser um sistema que emerge a partir da pós-modernidade e do relativismo moral que subsiste através da pós-modernidade.  Todavia, devemos entender claramente que, para o cristão, o caminho não é uma sociedade líquida, mas uma teologia sólida, onde ele permanece com seus absolutos inegociáveis e inabaláveis.  Pois é assim que a palavra de Deus nos ensina com relação a ela mesma, à sua autoridade e à sua permanência. Jesus disse em Mateus, capítulo 24 e versículo 35: "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar".  Pedro também corroborou esse pensamento. Lá em 1 Pedro, capítulo 1 e versículo 25, diz que a palavra de Deus permanece para sempre.  A expressão também foi dada pelo salmista no Salmo, capítulo 33 e versículo 11: "O conselho do Senhor permanece para sempre" e também no Salmo, capítulo 119 e versículo 89: "Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu".  De modo que há, absolutos, que, a partir do momento que estamos dentro de uma espiritualidade que está sendo alimentada pelo alimento sólido da palavra de Deus, uma boa teologia e a sã doutrina, isso permanece, pois é fixado sobre uma rocha, como Jesus Cristo falou em Mateus, no capítulo 7: "Aquele que ouve a minha palavra e a pratica, é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha", ou seja, a firmeza, solidez e permanência. Ora, tentamos de forma muito clara e concluindo que nós, cristãos que temos um alicerce sobre os fundamentos da fé, possamos também clamar como o próprio salmista. No Salmo capítulo 119, versículo 98: “Pelo teus mandamentos me fazes mais sábio". E então, no mesmo capítulo do livro de Salmos, versículo 112, está escrito: "Inclinei o meu coração para guardar os teus mandamentos para sempre". Os valores espirituais do Evangelho e das Escrituras são permanentes. A Igreja está fora da pós-modernidade ou deve lutar para permanecer dentro de valores imutáveis e absolutos. O relativismo não condiz com um cristão bíblico. E assim também, a sociedade líquida, essa sociedade diluída que não tem um ponto fixo, mas que sobrevive à base da relatividade do pós-modernismo, deve ser completamente rejeitada e combatida por todo cristão. 

O OUTRO EVANGELHO DA SALVAÇÃO PELAS OBRAS E A SUA OPOSIÇÃO A SOTERIOLOGIA BIBLICA

0 comentários



 

 

 

 

 

 

Encontram-se falsos profetas nos círculos mais ortodoxos, que fingem ter um amor fervoroso pelas almas, mas enganam fatalmente multidões quanto ao caminho da salvação. Tais, rebaixaram deliberadamente o padrão da santidade divina e adulteraram o Evangelho para torná-lo palatável à mente carnal. (Arthur Pink)

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome”(João 1:12)

 

 

 

 

 

 

 

A seguinte advertência é encontrada na segunda epístola universal do apóstolo Pedro. Com uma solene advertência, ele escreveu:


“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.”
 Lemos isso em 2 Pedro, capítulo 2, versículo 1, na versão Corrigida e Fiel da Sociedade Bíblica Trinitariana.
Acompanhando essa leitura, desejo também fazer menção do mesmo texto na versão LTT — Literal do Texto Tradicional —, na qual podemos ler:

 “Mas houve também falsos profetas no meio do povo, como também no meio de vós haverá falsos professores mestres, os quais encobertamente ao seu lado trarão para dentro heresias de perdição, negando até mesmo ao Deus e Senhor, havendo pago a compra deles, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.”


Note o que o Apóstolo Pedro fala: ele diz que se introduzirão entre vós. Não se trata de algo externo à Igreja, mas sim interno, ou seja, dentro do próprio cristianismo. Ocorre a infiltração de falsos mestres cujo ensino herético central é negar o Senhor que os resgatou.
​Devemos entender claramente nessa declaração — conforme podemos associar nas versões Corrigida e Fiel e LTT, ambas oriundas do Textus Receptus (o texto recebido) — que o entendimento claro é este: esses falsos mestres, embora se identifiquem como cristãos, negarão o Senhor que os resgatou.

 Portanto, trata-se de um falso ensino que envolve diretamente a redenção e a obra que Cristo realizou na cruz do Calvário. Também lemos em Atos 20:29: "Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho;"
Através das palavras de Paulo, registradas por Lucas no capítulo 20, versículo 29 do livro de Atos dos Apóstolos, vemos uma dura advertência que precisamos levar muito a sério. Paulo declara que, após a sua partida, infiltrar-se-iam no meio da comunidade "lobos ferozes" que não poupariam o rebanho.

 O apóstolo expõe de modo muito explícito que a igreja sofreria um ataque por parte de hordas de falsos mestres. Comparados a lobos devoradores, estes opositores não teriam compaixão do rebanho, infiltrar-se-iam no meio da igreja e arrastariam consigo uma boa parcela de fiéis.
​Ao associar esta descrição de Paulo em Atos aos ensinamentos do apóstolo Pedro, nota-se claramente que uma das doutrinas fundamentais da fé cristã é a justificação pela fé, fundamentada na obra perfeita e consumada que Cristo realizou na cruz do Calvário. A centralidade da salvação pertence inteiramente a Cristo, e não aos homens. Negar esta verdade é enveredar pelo caminho daqueles que renegam o próprio Senhor que os resgatou.
Agora vamos ler I Pedro 5:17: "Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;"

 Aqui, o apóstolo Pedro apresenta o diabo como um leão que ruge buscando a quem possa devorar. Note que há uma associação muito clara entre a figura de linguagem da ação do diabo como um animal predador e a dos próprios falsos mestres.

 Essa associação é pertinente à ideia e ao assunto que estamos abordando, pois tanto Paulo quanto o próprio apóstolo Pedro falam acerca desses lobos vorazes e devoradores. Existe, portanto, uma ligação muito íntima entre a ação do diabo e a dos falsos mestres, visto que ambos se comportam como predadores que atacam o rebanho. Isso é assustador.

 Qualquer pessoa que leia, estude, pesquise e creia na Bíblia, e não se sinta alerta quanto a essa associação, é simplesmente insensível e ignora a autoridade das Escrituras ao abordar este assunto. Devemos tomar muito cuidado pois, além de essa linguagem ser radical, ela nos ensina que se trata de um tema que aborda ameaças espirituais perigosíssimas.

 Quando Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, faz as suas advertências — como lemos em 2 Pedro 2:1 —, precisamos observar com atenção o seu posicionamento. Ele adverte sobre a 'heresia de perdição', que, dentro do contexto, está associada a negar o Senhor que os resgatou.
​O que isso significa exatamente? Podemos entender claramente que negar o resgate ou a redenção consiste, acima de tudo, em crer que alguém pode obter a salvação por meio do próprio esforço. Essa é a idéia implícita na oferta de Caim: obter aprovação divina pelo esforço humano. Essa é a idéia implícita na construção da Torre de Babel: alcançar o céu pelo esforço próprio – Essas idéias estão todas explicitas em todas as religiões mundiais: a salvação pelas obras e por ultimo, a declaração final do humanismo  sua forma pós-moderna; o transhumanismo; alcançar a imortalidade, a vida eterna mediante o potencial humano que se manifesta no avanço da ciência.  O homem universal ou adâmico confia nas obras como uma forma de auto-redenção. Isso está enraizado no sistema religioso do homem caído.

 

“O legalismo é o ensinamento de que os pecadores são salvos (justificados, santificados e aceitos por Deus) com base em suas próprias obras de obediência à lei. O legalismo é tão prejudicial à alma humana quanto o hinduísmo, o mormonismo e o ateísmo! Não somos salvos pela nossa obediência à lei de Deus (Romanos 3:20; Gálatas 2:16; Efésios 2:8-9). Não somos santificados pela nossa obediência à lei de Deus (Gálatas 3:1-3). Nossa herança celestial não é, em hipótese alguma, conquistada ou merecida pela nossa obediência pessoal à lei de Deus (Apocalipse 7:9, 10, 14). A salvação é, em sua totalidade, somente pela graça. Os crentes não estão, em nenhum sentido, sob o jugo da lei” (Rm 6:14-15; 7:4; 8:1-4; 10:4; Gl 5:1-4, 18; I Tm 1:9-11). (Don Fortner)

De certa forma, no contexto cristão, crer nos méritos próprios para a salvação, representa uma tentativa de misturar o suor do pecador com o sangue de Cristo. Assim, pressupõe-se que a obra consumada por Jesus na cruz do Calvário não seria suficiente, exigindo a cooperação humana e as boas obras como complemento. Caso contrário, sem a adição dessas obras, o sacrifício de Cristo seria considerado insuficiente. Na pratica essa teologia, faz exatamente isso. Sendo o sangue de Cristo insuficiente, a eficiência do suor dos méritos do pecador seriam mais eficazes e necessárias, pois só com a adição deles, a redenção seria potencialmente eficaz. Mas a declaração de Hebreus 9:22 não afirma isso, mas para muitos é o oposto da declaração de Hebreus, sem derramamento do suor das boas obras, não haverá redenção.

 Assim, os mestres mencionados pelo apóstolo Pedro simplesmente seguem o caminho de Caim. No capítulo 4 do livro de Gênesis, notamos a existência de duas ofertas. Uma delas representa um sacrifício de aceitação, pois há sangue sobre o altar. Abel demonstra de forma sucinta que o derramamento de sangue é necessário para essa aceitação divina — e sem derramamento de sangue não há remissão de pecados, como atesta o autor da Epístola aos Hebreus. (I Pedro 1:9 Apocalipse 1:5 Hebreus 13:20 etc.)
​ Caim, por outro lado, apresenta o resultado do seu próprio esforço e dos seus frutos sobre o altar. Desta forma, enquanto o altar de Abel é caracterizado pelo sangue derramado, o altar de Caim representa o suor derramado. Temos aqui a origem da auto-redenção através do próprio esforço, que foi precisamente o que Caim tentou alcançar
​ Conheço muitos pregadores, igrejas e pastores que fazem exatamente isto: abordam a salvação colocando toda a ênfase no esforço próprio — Não faça isso, não faça aquilo. Se fizer, será salvo; se não fizer, não será salvo. É regra sobre regra. Eles possuem um altar, uma oferta, uma crença, possuem uma doutrina, uma convicção, liturgias, mas não a suficiência do sangue, negar que o sangue divino seja suficiente é negar a eficácia da obra consumada e perfeita de Cristo na cruz, geralmente o legalismo desenvolve uma teologia anti-Calvario, a ênfase nunca será sobre o que Cristo fez de forma definitiva e absolutamente eficiente, mas no esforço próprio, na confiança nas boas obras, sobre o altar dessa teologia antropocêntrica é ofertado perante Deus uma oferta de suor fedorento, como se ele tivesse o poder de reconciliar o homem com Deus. Após a queda, Adão e Eva coseram folhas de figueira e fizeram para si aventais para resolver o problema decorrente do pecado: a nudez. (Genesis 3:7) essa foi a primeira tentativa do pobre pecador buscar aproximação e a aprovação divina, eles confeccionaram sua roupa insuficiente, e o Senhor não ordenou que eles matassem um animal para usar a pele para se vestirem, foi o Senhor que procurou os dois que se esconderam, a iniciativa da busca partiu do Senhor, bem como matar o animal, foi uma obra divina, o primeiro estilista foi Deus quem fez as túnicas de pele, o homem não contribui com nada e Deus rejeitou em absoluto a cobertura de folhas de figueiras que eles fizeram, e nesse momento podemos entender a intensidade da declaração de que sem derreamento de sangue não há remissão de pecados, pois a morte daquele animal e a túnica de pele que serviu como cobertura, apresentam uma obra que foi feita exclusivamente pelo Deus triúno e apontava para a obra redentora perfeita de Cristo na cruz do Calvário.

“Na justificação somos completamente passivos, completamente receptivos a salvação, repito, não é por obras, não acontece por causa do esforço moral ou por se adquirir um conhecimento ou se cultivar uma experiências mística” (Gene E. Veith JR)


​Não estou dizendo que o bom comportamento, a doutrina e uma vida piedosa não sejam necessários. Não é isso que estou a questionar. Tudo isso é fundamental e deve ser abordado no seu devido contexto. Contudo, em relação à salvação, não somos salvos por aquilo que fazemos, mas sim por aquilo que Jesus fez. Boas obras possibilitam ganhar coroas e galardões, elas tem um papel como evidencia da regeneração, leia Efesios 2:8 e 9 e então não perca de vista o seu contexto imediato, os versículos 9 e 10. (Romanos e Efesios emitem a luz necessária para compreendermos passagens como Tiago 2:24)

 

“O legalismo envolve buscar o perdão de Deus, a justificação diante de Deus e a aceitação por Deus através da obediência a Ele. O legalismo é, em essência, substituir a obra consumada de Jesus pelas minhas próprias obras. O legalismo é a autoexpiação e o ápice da arrogância. É viver como se a cruz de Cristo fosse desnecessária ou insuficiente.” (CJ Mahaney)

 


​Mas diante da base pelo qual surgiu a reforma protestante, a justificação pela fé, sob o anátema do concilio de Trento sobre todos os que não crêem na eficiência do suor das boas obras, ainda assim, conheço muitos que focam somente nas nossas obrigações, como se elas fossem o fundamento da salvação. Dessa forma, se a pessoa deixa de fazer algo, perde a salvação, pois esta dependeria única e absolutamente da obra humana. Esses são falsos mestres que estão a negar, na prática, o Senhor que os resgatou. É a voz do romanismo e da contra-reforma que se infiltrou nos púlpitos e contamina a fé de milhões.

  E nada pode ser tão trágico, porque você não vai encontrar nas Escrituras que é justificado pelas obras que faz. Deus não aceita as suas obras; elas são consideradas como trapos de imundícia, pois não há justo, nem um sequer. (Isaias 64:6 e Romanos 3:10)


​Todavia, as pessoas acabam sendo enganadas por esses falsos discursos e por esses falsos mestres que, embora empunhem e citem a Bíblia, fazendo menção dela em suas mensagens, na prática abordam a questão da salvação pelo esforço humano, e não por aquilo que Cristo fez. Na verdade, eles dão uma superênfase no suor: “Faça, faça penitências, faça isso e faça aquilo, acompanhe todo o ritual da igreja ou do movimento, esforce-se para se salvar, guarde dias e festas, dê o dizimo etc”.


​Muitos neopentecostais e pentecostais o seitas protestantes controversiais e legalistas cederam a esse falso evangelho, dando uma superênfase às obras, observação da lei mosaica e de sistemas de princípios morais rígidos como necessários para a salvação. É possível encontrar muitas seitas e movimentos que fazem justamente isso: criam todo um sistema legalista para que a pessoa cumpra todas as regras e, assim, mereça a salvação de acordo com o que faz. Estes negam o Senhor que os resgatou. Se a morte e o sangue de Cristo não são suficientes, então o sacrifício de Cristo torna-se impotente, precisando do acréscimo do suor do esforço humano, e isso é categoricamente uma negação de que “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espirito Eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” (Hebreus 9:14)

 

“O legalismo também pode ser descrito como falso cristianismo, pois é essencialmente isso que ele é. Usa linguagem cristã e termos bíblicos. Soa evangélico. Adora usar frases como "evangelismo", "fundamentalismo", "literalismo bíblico" e outras semelhantes. Parece cristão, soa cristão, mas enfaticamente não é o verdadeiro cristianismo. É uma farsa espúria, uma imitação do cristianismo, uma contrafação vazia e oca da coisa real. É um fardo pesado para a vida espiritual que cria uma sensação de cativeiro e culpa. É uma fraude repugnante e nauseante aos olhos dos outros. Deus o descreve nas Escrituras como um fedor em suas narinas. Isso é o que o legalismo realmente é (Ray Stedman).


​Praticamente, a obra consumada e perfeita de Cristo é minimizada e muitas vezes nem sequer é abordada. Toda a ênfase é dada ao esforço do homem, e não à obra que Cristo realizou na cruz do Calvário. Quando se trata da cruz, da teologia da cruz e da redenção, há uma enorme superficialidade no entendimento deles. E quando é abordado o tema de que Cristo morreu por nós para nos resgatar, em vez do esforço próprio, muitos deles chegam a rejeitar essa teologia sã, porque já abraçaram o que foi promovido pelos falsos mestres. Quando ainda pior, zombam e desprezam a doutrina biblicamente sólida da obra consumada e perfeita de Cristo na cruz.


Voltamos à análise de Atos, capítulo 20, versículo 29, que já mencionei anteriormente, onde Paulo faz advertências acerca de lobos que não poupariam o rebanho. Pois muito bem, olhemos para o contexto de Atos, capítulo 20, versículo 28. Neste contexto, encontramos a declaração explícita de que a Igreja foi comprada pelo próprio sangue divino; ou seja, a redenção foi um ato efetuado pelo derramamento do sangue de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

 No entanto, esses lobos — que, como podemos observar no contexto, não poupariam o rebanho e que Pedro também mencionaria em sua epístola — afirmam exatamente o contrário. Eles dizem, de forma categórica (embora por meio de clichês e neologismos), que o sangue de Jesus Cristo não é suficiente para a redenção, sendo necessário o esforço e o suor humano para complementar e, assim, garantir que a obra de Cristo seja consumada.
​ Desta forma, eles fazem um acréscimo: negam a suficiência da redenção na cruz e sustentam que é necessário que o homem trabalhe pela sua própria salvação, concluindo aquilo que Cristo supostamente não teria concluído no Calvário. Seguindo essa heresia, conclui-se eles atribuem um fracasso ao poder remidor do sangue divino e imaculado de Cristo, caso não seja misturado com o suor das boas obras, e deixo aqui um adendo, nem devem ser consideradas como “boas obras” o que profana o sangue do Salvador, relegando a insuficiência faz ultraje ao espírito da graça;

 Veja bem: não é apenas naquela passagem clássica de Efésios 2:8-9 que lemos que a redenção e a salvação são adquiridas unicamente através daquilo que Cristo fez por nós, e não do que nós fizemos. O texto de Paulo em Efésios é muito explícito.

 Quando olhamos para outras passagens — como Tito 3:5, onde Paulo diz: «não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia nos salvou pela lavagem da regeneração e renovação do Espírito Santo» —, vemos a mesma verdade. Em Romanos 5:8-9, lemos que somos justificados pelo sangue de Cristo — não pelo sangue de Cristo misturado ao esforço das nossas boas obras ou ao nosso suor.

 Da mesma forma, em Efésios 1:7, lemos que temos a redenção pelo Seu sangue e a remissão das ofensas segundo as riquezas da Sua graça. Fica claro que a redenção ocorre pelo sangue de Cristo — não por um sangue misturado ao suor dos pecadores, mas tão somente pelo sangue de Cristo. Isso também é corroborado em passagens como Colossenses 1:14, 1 Timóteo 2:6, Hebreus 9:12 e muitos outros textos das Escrituras
Nisto consiste a mensagem do evangelho: que Cristo morreu pelos nossos pecados. Nós somos pecadores; todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Estamos falidos, mas Cristo vem e morre pelos nossos pecados.
​O Senhor nos chama ao arrependimento, a crer e a seguir a Cristo. Entendemos que isso é o evangelho. Ora, em 1 Pedro 1:18-20 está escrito: “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de cordeiro sem defeito e sem mácula.” Não meus amados irmãos, o suor do esforço religioso humano não tem poder de remir espiritualmente um pobre e miserável pecador.


​Veja bem: nem ouro, nem prata podem nos remir, muito menos o nosso próprio suor. Em 1 João 2:2 também está escrito: “Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não apenas pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.” E em 1 João 4:10 lemos: “Deus enviou seu Filho para ser a propiciação pelos nossos pecados.”

 Essas e outras passagens são suficientes para mostrar que a obra de Cristo foi um verdadeiro sacrifício. Pelo seu sangue, ele obteve perdão, paz, redenção e remissão de pecados para aqueles por quem morreu.

 A questão é: você deve crer. A obra realizada e consumada por Cristo na cruz do Calvário tem o poder de remir aqueles que reconhecem que são pecadores se arrependam de seus pecados e creem em Cristo. Todavia, deve ser dito com toda certeza e clareza: Cristo fez tudo sozinho por nós. Não há nada a acrescentar à obra que Jesus realizou na cruz do Calvário. O que você deve fazer e crer e viver debaixo dessa confiança que produz verdadeira esperança. Pensar que nossas obras podem complementar ou concluir aquilo que Jesus Cristo fez é uma blasfêmia, é anátema, é outro evangelho.

 Em Romanos 3:23-24, Paulo afirma: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus". Olhe a ênfase de Paulo: que há em Cristo (Na sua obra redentora) e não em, nós mesmos!


​Somos justificados gratuitamente; não há nada que possamos pagar, pois o nosso suor vale muito menos do que o ouro ou a prata. Além disso, essa justificação ocorre pela redenção que há em Cristo Jesus, e tão somente Nele.
​ Quando abrimos a Epístola aos Gálatas, vemos que há ali um problema sério: a igreja da Galácia caiu no legalismo. Paulo escreve no capítulo 1, versículo 6: "Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho". Ele prossegue no versículo 7: "O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem trastornar o evangelho de Cristo". No versículo 8, declara: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema". E reforça no versículo 9: "Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo: se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema". Os cristãos da Galacia, abandonaram a doutrina da salvação pela graça e começaram a observar regras e leis do Antigo Testamento como necessarias para salvação, isso estava levando eles para um antropocentrismo extremo, pois é exatamente isso o que ocorre, quando coloco minha confiança na eficiência da obra de Cristo, tenho paz e esperança, quando coloco a confiança em meus próprios esforços tenho desespero, confiar em Cristo me leva para a humildade, confiar em mim mesmo para o orgulho e hipocrisia, não é de admirar que quanto mais legalista é um sistema religioso, mas hipócritas ele produz! bendito seja o Deus de nossos Senhor Jesus Cristo pelo Evangelho da graça de Deus que se sustenta pela obra consumada e perfeita de Cristo na cruz.

 

“ O legalismo leva os crentes a pensarem que Deus os aceita com base em suas ações. A licenciosidade leva os crentes a pensarem que Deus não se importa com o que eles fazem. Ambos os erros têm consequências espirituais terríveis.” (Bryan Chapell)


​Assim, percebe-se o ponto central: a igreja da Galácia começou a acreditar que era preciso complementar a obra de Cristo, como se o que Ele realizou na cruz não fosse suficiente. Ao colocar a observância da lei como uma necessidade complementar — criando uma adição ao Evangelho —, eles negavam a suficiência da obra consumada e perfeita de Cristo na cruz. Por essa razão, tal atitude foi considerada por Paulo como anátema.
 No livro de Gálatas, capítulo 2, versículo 16, São Paulo fala de forma muito evidente e clara: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.”
​Ora, se a própria lei — a qual Paulo afirma ser santa — não pode salvar ninguém, imagine as supostas boas obras humanas, que não chegam nem aos pés da lei. A lei foi dada por Deus, enquanto as obras são praticadas pelos filhos de Adão. Se a lei concedida por Deus a Moisés não tem o poder de salvar, por que se pensaria que as obras praticadas pelos homens possuem esse poder?
​ Isso não seria arrogância e orgulho? Equivale a dizer que Cristo realizou uma obra imperfeita e sem poder suficiente para salvar, a menos que alguém a complemente com os seus próprios esforços, misturando o seu suor ao sangue de Jesus. Na verdade, isso nada mais é do que adulterar o Evangelho. Pretender misturar o esforço humano ao sangue puro e imaculado do Senhor Jesus é o mesmo que poluir o Seu sangue e corromper a mensagem evangélica.
 Quando você acredita na insuficiência da obra de Cristo na cruz do Calvário — achando que ela não foi perfeita o suficiente para salvar qualquer pecador que crer — e pensa que precisa adicionar as obras poluídas pelo suor do homem caído, você está profanando o sangue da aliança.
​Ouça a advertência do autor aos Hebreus, no capítulo 10, versículo 29: “De quanto maior castigo julgais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?”

 Se você colocar o seu suor fedorento e poluído junto com o sangue de Jesus para tentar alcançar a salvação, você está profanando esse sangue. O sangue divino de Cristo, sozinho, derramado na cruz do Calvário, foi suficiente para salvar cada pecador que se arrependa e creia em Cristo.

 Hoje em dia, muitos pregadores legalistas dão ênfase a si mesmos e ao esforço humano no que diz respeito à salvação. Eles acreditam que chegarão ao céu por esforço próprio, julgando que o suor das suas obras é suficiente e tem um poder igual — ou até superior — ao sangue de Cristo. Para eles, como o sangue de Cristo por si só não os pode salvar, seria necessário misturá-lo ao seu próprio suor para obterem a salvação.

 Esta teologia maligna apresenta o suor do pecador como sendo mais eficiente do que o sangue de Cristo isoladamente. Isso não é uma blasfémia? Não podemos dar uma superênfase à nossa própria obra, como se ela fosse a promotora da nossa salvação. Ninguém entrará no céu dizendo: “Senhor, estou aqui porque mereço, porque fiz o meu melhor; portanto, entrei no céu pelos meus próprios esforços.”


​Isso é o espírito de Babel. O povo de Babel queria alcançar os céus através de um esforço monumental, erguendo tijolo após tijolo até chegar ao trono de Deus. O homem que se esforça por si mesmo para chegar ao céu representa Babel. Na verdade, o homem só chega ao céu através de Cristo, que veio ao mundo e morreu pelos pobres pecadores. “ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (João 14:6) esta é uma afirmação categorica de Cristo, é uma afirmação exclusivista. Tão certo que não existe outro caminho a não ser através de Cristo, também não existe outro meio eficiente de salvação, a não ser através da obra consumada e perfeita de Cristo.


​Se o púlpito da sua igreja não está cheio destas verdades — de que somos salvos pelo que Cristo fez —, se do púlpito não ecoa constantemente a obra consumada e perfeita de Cristo na cruz, e se a sua igreja não prega sobre a justificação pela fé exclusivamente através do sacrifício do Calvário como obra suficiente e eficiente, fuja! Você está diante de um anátema. Não importa quão refinadas sejam as obras defendidas e quão profundamente religioso seja todo o cerimonial, Qualquer pessoa que coloque a sua obra ao mesmo nível e altura do sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário está a praticar um anátema. É Paulo que afirma isso num contexto em que os Galatas queriam alcançar a justificação pela pratica de observação de ritos, cerimônias, dias santos e um sistema de ética e comportamento.

 Acredito que o exercício da piedade e as boas obras devem ter o seu lugar na vida cristã. Elas são evidências e resultados do fruto da salvação. Somos salvos pela obra consumada e perfeita de Cristo na cruz; as nossas boas obras simplesmente existem para a glória de Deus não para minimizar a grandeza infinita do sacrifício de Cristo na cruz.
​ A obra que Cristo realizou na cruz do Calvário deve ser a ênfase da mensagem da salvação. Podemos ler essa harmonia entre o que Deus fez por nós e o resultado de nossa reação e resposta mediante a fé, única e exclusivamente na obra consumada de Cristo. Lemos isto claramente em 1 Pedro 2:24: “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas pisaduras fostes sarados.”


​Observem a expressão: “pudéssemos viver para a justiça”. Essa justiça pela qual podemos viver é o resultado de o Senhor ter levado em seu corpo os nossos pecados. Não tentem inverter o ensino do Evangelho: as boas obras só são aceitas diante de Deus quando realizadas como frutos da obra redentora de Cristo. Quando lemos Tiago 2:24, a justificação pelas obras descrita ali não pode ser arrancado do seu contexto, pois essa justificação não é para a salvação, é a justificação da própria fé “Creu Abraão em Deus, e isso foi-lhe imputado como justiça” (Tiago 3:23) ele creu e suas obras foram justificadas pela sua fé, ele não obedeceu e depois creu, ele creu e depois obedeceu, portanto a fé vem antes e o resultado depois,(Veja Hebreus 11:17) veja bem, temos todo o novo testamento para iluminar esse texto de Tiago, cujo contexto aponta para a fé de Abraão e a sua reação mediante a sua fé. “Porque se Abraão foi justificado pelas obras, tem que se gloriar, mas não diante de Deus” (Romanos 4:2) Então Paulo conclui definitivamente “Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efesios 2:9) A salvação pertence ao Senhor e não a nós, glória seja dada ao Deus Triúno, agora e para todo o sempre! Todo cristão bíblico professará “O SENHOR JUSTIÇA NOSSA” (Jeremias 23:6)


​Pedro é muito claro quanto a isso no capítulo 2, versículo 24 da sua primeira epístola. As obras são importantes, contudo, não são agentes de salvação e não possuem poder salvífico. O que pode nos salvar e purificar dos nossos pecados é tão somente o sangue que Jesus Cristo derramou na cruz do Calvário. Ele tem esse poder e eficácia por ser um sangue divino — nem sangue de animais, e muito menos suor humano, têm esse poder.

 

 

“Qual é a melhor proteção contra falsos ensinamentos? Sem dúvida, o estudo regular da Palavra de Deus, com oração pedindo o ensino do Espírito Santo. A Bíblia foi dada para ser lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (Salmo 119:105). Aquele que a lê corretamente jamais poderá errar gravemente. É a negligência com a Bíblia que torna tantas pessoas presas fáceis para o primeiro falso profeta que ouvem. Eles querem nos fazer crer que "não são instruídos e não pretendem ter opiniões formadas". A pura verdade é que são preguiçosos e ociosos na leitura da Bíblia e não gostam do trabalho de pensar por si mesmos. Nada fornece tantos seguidores para falsos profetas quanto a indolência espiritual sob o manto da humildade.” (J. C. Ryle)

 

“A salvação é completa; envolve justificação, santificação e glorificação. Pela graça, mediante a fé, Deus justifica os crentes num ato instantâneo. Ou seja, Cristo morreu pelo seu povo para que a pena pelos seus pecados fosse paga e a sua justiça lhes fosse imputada. Eles são declarados justos diante de Deus quando crêem. Uma vez justificados, Cristo os salva do poder dos seus pecados através do processo contínuo de santificação. Na santificação, os cristãos tornam-se cada vez mais semelhantes a Jesus Cristo. Mas um processo contínuo nunca termina, e o objetivo final só é alcançado com a morte. Na morte, os cristãos são glorificados; então, tornam-se completamente perfeitos pela primeira vez.” (Jay Adams)

NEOPLATONISMO

0 comentários

 NEOPLATONISMO

 




Uma variedade de platonismos do século III ao VI d.C. O fundador do Neoplatonismo foi Plotino (205-270). Sua influência estendeu-se aos neoplatonismos helênicos de Porfírio, Jâmblico, Siriano, Proclo e Damáscio, e aos neoplatonismos cristãos de Basílio de Cesareia, Gregório de Nissa, Gregório de Nazianzo, Sinésio de Cirene e Pseudo-Dionísio entre os cristãos de língua grega, e Mário Victorino, Ambrósio, Agostinho e Boécio no Ocidente latino.

 

As fontes do Neoplatonismo são os diálogos de Platão, os escritos de Aristóteles e (dependendo do tipo de Neoplatonismo) vários textos religiosos. Estes últimos incluem os Oráculos Caldeus, os escritos herméticos e o Antigo e o Novo Testamentos. A partir dessas fontes, o Neoplatonismo propõe um sistema metafísico que apela a uma hierarquia de seres, à realidade de primeiros princípios, a uma teoria tripartite da alma e a uma doutrina tripartite do conhecimento. Após Plotino, há uma suposição neoplatônica compartilhada de que a revelação é a fonte de todo conhecimento lógico. Disso decorre a tentativa de sistematizar e alcançar uma compreensão racional da revelação dos deuses para uma verdadeira compreensão da natureza da realidade.

 

As doutrinas neoplatônicas baseiam-se em teorias propostas no platonismo, aristotelismo e estoicismo anteriores. O Neoplatonismo difere do Platonismo em suas novas combinações de teorias anteriormente dispares e em sua orientação profundamente religiosa. Suas doutrinas hipostáticas, suas visões da relação entre as esferas do ser, suas concepções da natureza e função do conhecimento e sua compreensão da natureza e destino da alma humana fluem da exegese filosófica e da sabedoria revelatória. O Neoplatonismo extraiu de antigas fontes filosóficas e religiosas; no entanto, seu arranjo e interpretação da doutrina platônica eram frescos e novos.

 

No centro da metafísica neoplatônica está uma teologia hipostática. Em geral, os neoplatônicos postulavam três ou quatro hipóstases, chamadas Uno, Mente, Alma e Natureza. O Uno é Deus, que está acima de todo ser e intelecto, mas é o princípio do ser e do intelecto. O Uno é a fonte e o fim de todas as coisas. Do Uno emana a Mente. Este intelecto absolutamente inabalável pensa a si mesmo e as ideias (as formas ideais da realidade). A Mente produz a Alma do Todo. A Alma é um intelecto cósmico que contém todas as ideias gerais e específicas que se tornam explícitas no universo. O universo é chamado Natureza, e é o reino de todas as coisas físicas, o mundo natural cujas causas e efeitos são lógicos. Tem o caráter de necessidade natural para os neoplatônicos helênicos e de leis da natureza divinamente estabelecidas para os neoplatônicos cristãos.

 

Cada hipóstase refere-se a um nível distinto de realidade. Tudo está em tudo; cada nível de ser contém a totalidade da realidade possível, mas sob um aspecto diferente e à sua própria maneira. A alma humana é um microcosmo da realidade, participando de todos os seus reinos. Por meio da recordação e da conversão à razão divina na alma, uma alma individual ascende de seu conhecimento sensível múltiplo a um conhecimento intelectual unitivo e, finalmente, a uma união mística supranoética com Deus.

 

O Neoplatonismo concentra-se em questões da queda da alma humana na matéria e sua redenção. Os neoplatônicos ensinam que, uma vez que a alma humana desce à matéria, ela se separa de Deus. Para superar essa separação, a alma deve livrar-se de seus impulsos passionais e apetitivos e cultivar seus potenciais racionais e divinos.

 

"Conversão" e "processão" são os termos-chave da doutrina soteriológica neoplatônica. Por meio de sua conversão à razão, a alma procede para cima em direção a Deus. Esse processo é concebido como uma ascensão do mundo material ao mundo inteligível e, finalmente, ao mundo divino. Para alcançar a salvação, os neoplatônicos invocavam não apenas os ensinamentos da filosofia greco-romana, mas principalmente as revelações de Deus. A revelação divina assumiu múltiplas formas. Os neoplatônicos helênicos baseavam-se nas escrituras sagradas das religiões helenísticas e romanas. Os neoplatônicos cristãos voltaram-se para a Bíblia. Dessa confluência de filosofia e religião, postulou-se um conjunto de normas que, se seguidas, conduziam à salvação da alma e à união com Deus.

 

Após Plotino, os neoplatônicos sintetizaram e expandiram sua interpretação de Platão. O principal entre esses intérpretes foi o aluno de Plotino, Porfírio, que legou o platonismo plotiniano tanto a pagãos quanto a cristãos.

 

Porfírio comentou os Oráculos Caldeus, uma coleção de ditos gnômicos do século II, expondo a revelação divina que divulgava a plena verdade do Platonismo. Esses escritos forneciam um conhecimento da teurgia (ritos para induzir a presença divina) que permitia a muitas almas alcançar a salvação sem conhecer a filosofia. Os Oráculos Caldeus tornaram-se a Bíblia dos neoplatônicos helênicos de Jâmblico a Proclo.

 

Os neoplatônicos helênicos posteriores sintetizaram os ensinamentos de Plotino, Porfírio e os Oráculos Caldeus. O principal entre eles foi Jâmblico, que expandiu as hipóstases intermediárias entre o Uno e os níveis de realidade. Acreditando que a alma estava completamente caída e separada de Deus, Jâmblico multiplicou as fontes de revelação divina para abranger a maioria dos escritos religiosos da antiguidade greco-romana; ele colocou a teurgia no centro da especulação neoplatônica sobre como alcançar a salvação. Siriano e Proclo continuaram essa tendência, construindo uma síntese complexa de Neoplatonismo, Caldaísmo e Orfismo. Com base nos princípios de analogia e mediação, postularam que cada nível de realidade imita um nível superior, e cada um é análogo ao nível mais alto de todos. Ao imitar a unidade transcendente, cada nível de realidade é dotado de uma estrutura ternária que parte da unidade, desdobra-se em multiplicidade e, então, por sua conversão espiritual, retorna à unidade.

 

O Neoplatonismo helênico era anticristão. Porfírio escreveu obras contra a fé, e Jâmblico foi o mentor espiritual do imperador pagão Juliano, o Apóstata. Após o triunfo do Cristianismo no século IV, os neoplatônicos helênicos moderaram suas críticas. Academias neoplatônicas existiram em Atenas e Alexandria até o século VI.

 

O Neoplatonismo cristão, cujos principais expoentes foram Gregório de Nissa e Agostinho, floresceu a partir do século IV. Suas origens remontam aos séculos II e III d.C. Clemente e Orígenes de Alexandria entenderam a revelação cristã em termos platônicos. Combinando os ensinamentos de Orígenes e Plotino, os neoplatônicos cristãos criaram um Neoplatonismo distinto. Extraindo da filosofia e da Bíblia e da doutrina da Igreja, ergueram uma interpretação platônica que durou toda a Idade Média cristã. Especificamente, com base em uma leitura atenta da Bíblia e de Platão, suas contribuições para o legado do Neoplatonismo foram teológicas. As doutrinas trinitárias de Mário Victorino e Agostinho baseiam-se na interpretação de Porfírio da unidade de substância entre as três hipóstases divinas. Gregório de Nissa e Sinésio de Cirene empregaram a linguagem e a teoria teológica plotinianas para conceituar entendimentos da natureza de Deus. Teologias trinitárias e místicas de moldagem neoplatônica foram transmitidas por Boécio e Pseudo-Dionísio ao período medieval. O Neoplatonismo forneceu interpretações de Deus, cosmos, alma e conhecimento que em grande parte moldaram as autodefinições cristãs posteriores.

 

Ver também Jâmblico; Filosofia; Platão; Plotino; Porfírio. [R.M.B.]

 

**Bibliografia**

 

E. Zeller, *Die Philosophie der Griechen* (Leipzig, 1868; reimp. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft, 1963), Vols. 4-6; C. Bigg, *The Christian Platonists of Alexandria* (Oxford: Oxford UP, 1913); T. Whittaker, *The Neo-Platonists* (Cambridge: Cambridge UP, 1928); E.R. Dodds, "The Parmenides of Plato and the Origin of the Neo-Platonic One," *CQ* 11 (1928):129-142; W. Theiler, *Die Vorbereitung des Neuplatonismus* (Berlin: Weidmann, 1930); A.H. Armstrong, *The Architecture of the Intelligible Universe in the Philosophy of Plotinus* (Cambridge: Cambridge UP, 1940); C.J. DeVogel, "On the Neoplatonic Character of Platonism and the Platonic Character of Neoplatonism," *Mind* 62 (1953):43-64; W.K.C. Guthrie, *A History of Greek Philosophy* (Cambridge: Cambridge UP, 1962-1965), Vols. 1-2; H. Chadwick, *Early Christian Thought and the Classical Tradition* (Oxford: Oxford UP, 1967); A.H. Armstrong, ed., *The Cambridge History of Later Greek and Early Medieval Philosophy* (Cambridge: Cambridge UP, 1967); P. Merlan, *From Platonism to Neoplatonism*, 3ª ed. (The Hague: Nijhoff, 1968); H.J. Krämer, *Der Ursprung der Geistmetaphysik* (Amsterdam: Grüner, 1969); R.T. Wallis, *The Neoplatonists* (London: Duckworth, 1972); E.P. Meijering, *God Being History: Studies in Patristic Philosophy* (Amsterdam, Oxford e New York: North Holland, 1975); H. Dörrie, M. Altenburger e U. Schramm, eds., *Gregor von Nyssa und die Philosophie* (Leiden: Brill, 1976); C. Steel, *The Changing Self: A Study on the Soul in Later Neoplatonism: Iamblichus, Damascius and Priscianus* (Bruxelas: Koninklijke Academie voor Wetenschappen, Letteren en Schone Kunsten van België, 1978); J. Geffcken, *The Last Days of Greco-Roman Paganism* (Amsterdam, New York e Oxford: North Holland, 1978; ed. alemã orig., 1920).

Como ler a Bíblia todos os dias: um guia prático para iniciantes

0 comentários

 Como ler a Bíblia todos os dias: um guia prático para iniciantes




Criar o hábito de ler a Bíblia diariamente é um dos passos mais transformadores da vida cristã — e, ao mesmo tempo, um dos mais difíceis de manter. Muita gente começa animada, mas trava por não saber por onde iniciar, quanto ler, ou como entender e aplicar o que leu. A boa notícia é que a constância não depende de “força de vontade infinita”, e sim de um plano simples, realista e repetível.
1) Comece pequeno (o objetivo é consistência, não velocidade)
Se você está começando agora, evite metas grandes do tipo “vou ler uma hora por dia”. O mais importante é construir um ritmo sustentável.
• Separe 10 a 15 minutos por dia para começar.
• Leia um trecho curto (por exemplo, um capítulo ou uma pequena seção).
• Prefira terminar a leitura com a sensação de “consigo fazer isso amanhã também”.
Com o tempo, a quantidade pode aumentar naturalmente. No início, o foco é não desistir.
2) Defina um horário e um lugar fixos
Hábito precisa de gatilho. Escolha um momento do dia em que você geralmente consegue estar mais atento(a):
• de manhã cedo (antes do celular e das tarefas),
• no intervalo do almoço,
• ou à noite, num momento mais calmo.
Ter um lugar específico também ajuda (cadeira, mesa, canto da casa). Quando horário e lugar se repetem, o cérebro entende: “é hora da leitura”.
3) Use um plano de leitura (para não ficar perdido)
Um motivo comum para abandonar a leitura é abrir a Bíblia “no aleatório” e não saber o que fazer com aquilo. Um plano simples evita essa confusão.
Sugestões para iniciantes:
• Começar por um Evangelho (por exemplo, Marcos ou Lucas).
• Ler um capítulo por dia.
• Alternar entre Novo Testamento e Salmos/Provérbios (para variar e manter o coração aquecido).
O plano não é uma prisão; é uma trilha. Se você perder um dia, não desista — apenas retome no próximo.
4) Leia com um propósito: entender e aplicar
Ler a Bíblia diariamente não é apenas “cumprir uma tarefa”, mas encontrar Deus na Palavra. Para isso, ajuda ter um método simples de reflexão:
• O que este texto diz? (observação)
• O que este texto significa? (interpretação)
• O que eu devo fazer com isso hoje? (aplicação)
Uma aplicação pode ser algo pequeno: um pedido de perdão, uma mudança de atitude, uma palavra de encorajamento, ou uma oração específica.
5) Anote o que aprendeu (mesmo que seja pouco)
Ter um caderno ou uma nota no celular faz a leitura ganhar profundidade. Você pode registrar:
• um versículo que chamou atenção,
• uma frase do texto em suas palavras,
• uma pergunta que surgiu,
• um motivo de oração.
Isso também ajuda a perceber progresso ao longo das semanas.
6) Ore antes e depois (conversa, não só informação)
Antes de ler, faça uma oração curta pedindo entendimento e coração ensinável. Depois, responda a Deus com base no que você leu — gratidão, confissão, pedido de ajuda, louvor.
Essa prática transforma a leitura em relacionamento, não apenas em estudo.
7) Quando falhar, recomece rápido (sem culpa paralisante)
Todo mundo falha. O perigo não é perder um dia; é achar que “já estragou tudo” e abandonar de vez.
Uma regra útil: nunca deixe a falha virar uma pausa longa. Perdeu ontem? Volte hoje com uma leitura pequena e siga em frente.
8) Dicas extras para manter o hábito vivo
• Use uma Bíblia com linguagem clara (ou compare traduções).
• Experimente áudio Bíblia em dias corridos.
• Se possível, leia com alguém (um amigo, familiar, grupo) para ter encorajamento.
• De vez em quando, escolha um tema para observar na leitura (fé, oração, sabedoria, arrependimento, etc.), anotando o que aparece.

Conclusão
Ler a Bíblia todos os dias não precisa ser complicado. Um plano simples, um horário definido, pequenas metas e um coração disposto a obedecer ao que Deus revela são o suficiente para começar — e para permanecer. A constância se constrói com passos pequenos e repetidos.

Referência bibliográfica
•
https://wpbcsanmarcos.org/how-to-read-your-bible-every-day-a-beginners-guide/

 

 

O CRISTÃO E O COMBATE CONTRA A MENTIRA

0 comentários

 

 


C. J. Jacinto

 

 


"Quando uma pessoa não sabe mais o que é certo ou errado, você pode fazê-la acreditar em qualquer coisa, e em um mundo onde o bem e o mal, a verdade e a falsidade se tornaram dependentes da escolha pessoal de cada um (o que é cada vez mais comum), influenciar as pessoas é mais fácil do que nunca, e isso é um desenvolvimento perigoso" Hannah Arendt

 

Desde a Queda, a mentira tem sido um pecado universal — não apenas por afetar toda a humanidade, mas também por atravessar todos os tempos. A Bíblia afirma em João 8:44 que o diabo é o pai da mentira; em 1 João 5:19, que o mundo jaz no maligno; e em Apocalipse 12:9, que ele engana o mundo todo. Além disso, está escrito que ele cega o entendimento dos incrédulos. (II Coríntios 4:4)

 Assim, vemos que o mal não está enraizado apenas na natureza humana, mas é o próprio sistema operacional do diabo e de todas as hostes de espíritos caídos sob seu comando.

 O próprio Satanás desmente o que Deus falou, dizendo: “Certamente não morrerás”. Isso foi uma mentira. O diabo mentiu, Eva creu na mentira e desobedeceu e Adão seguiu os passos dela; as consequências foram catastróficas. Nunca tente olhar para a tentação no Jardim do Éden simplesmente como a descrição de uma mulher que vai comer um fruto proibido. Por trás de todo o processo da tentação há uma mentira — e essa é a questão principal. Tudo começa com uma mentira: uma mentira que o diabo proferiu e em que Eva e Adão acreditaram. Nunca olhe para a queda sob uma ótica superficial. Não foi apenas a questão do consumo de uma fruta proibida; isso envolve muito mais do que isso. Reitero: envolve a mentira e a negação da autoridade da palavra de Deus. Assim, o diabo mentiu. Sob o aspecto de suas mentiras, podemos encontrar duas principais consequências comportamentais: vemos que ninguém assumiu a responsabilidade: Adão culpou Eva pela transgressão, e Eva culpou a serpente. Foi assim que a mentira começou a enraizar-se no coração humano. Portanto, mentir significa proclamar inverdades, distorcer os fatos ou suprimir a verdade. Mentira é tudo aquilo que não corresponde à realidade.

 Assim, podemos observar que a natureza da mentira é extremamente maligna e suas consequências são catastróficas. O diabo, o pai da mentira, a tem usado de forma muito eficaz para levar muitos à perdição eterna. Ele aprova e está disposto a apoiar todos os mentirosos. Todos os mentirosos são seus filhos e possuem a mesma natureza. Como foi dito, as consequências da mentira são catastróficas. Alexander Pope disse certa vez: 'Quem conta uma mentira não percebe a pesada carga que assume, pois terá de inventar outras 20 mentiras para poder manter a primeira.

 A mentira está associada à falta de caráter e à desonestidade. Muitas vezes, ela é explorada através da desinformação. Vivemos numa época de desinformação extrema e de manipulação de dados. Muitas destas mentiras são fantasiadas de modo a esconderem a sua verdadeira intenção. Lembre-se que embora o que caracteriza o diabo são as trevas (Efesios 6:12) ele se transfigura em anjo de luz (II Corintios 11:14)

 Hoje, vivemos numa época de mentira universal, o que me faz lembrar uma frase de George Orwell, autor do livro 1984, no qual, já em sua época, disse: “Em uma época de mentira universal, dizer a verdade é um ato revolucionário.” Na verdade, está cada vez mais difícil encontrarmos pessoas que estejam aptas e tenham coragem de permanecer ao lado da verdade. Pelo fato de a mentira ser de natureza diabólica, hoje enfrentamos o problema da disseminação de meias-verdades, da supressão de fantasias que alteram o resultado de uma conclusão, da ambiguidade, do relativismo e também do uso de neologismos para tentar enganar a população. Assim, aquele que é criminoso já não é mais chamado de criminoso, e o homem já não é chamado de homem — é chamado de mulher, mesmo sendo homem, não importando o que a ciência diga. Pois a ideologia baseada em mentiras simplesmente nega o fato, a verdade e a realidade. Trata-se da mentira ganhando força no meio de uma sociedade cada vez mais tolerante com meias-verdades e com ideias puramente ideológicas, que nada têm a ver com os fatos, mas que os manipulam para proveito próprio e para fortalecer a mentira.
Hoje vivemos, de fato, nesses tempos. Pessoas dizem que abortar uma criança não é assassinato — embora achem que uma bactéria encontrada em outro planeta seja vida, quando se trata de um ser humano se desenvolvendo no útero de uma mulher e se comete um aborto, alegam não ser assassinato. Eles tiram a força do senso de verdade apenas para defender suas próprias ideologias e, para isso, usam a mentira. O uso de neologismos e de clichês também pode ser um exemplo claro de que a mentira não tem limites para atuar — inclusive dentro do sistema eclesiástico. Agora, não se diz mais que uma transgressão contra as leis de Deus é considerada pecado; ao contrário, substituíram a palavra. Com isso, temos um problema: não chamamos mais as coisas por seus nomes verdadeiros, mas por uma mentira. A mentira pode produzir engano e autoengano. Pode ser devastadora dentro de uma sociedade e trazer consequências terríveis para uma pessoa, para a comunidade ou para toda uma nação. Frequentemente, as mentiras geram delírios e formas de engano profundos. A médio e longo prazo, essas consequências revelam-se profundamente devastadoras e impactantes para a sociedade. Num mundo obcecado pela mentira, e dominado e controlado pelo pai da mentira, devemos entender que verdades podem trazer perturbação. A mentira muitas vezes oferece um conforto — é um conforto que serve como uma armadilha, mas oferece, sim, conforto. Mentiras podem até atenuar situações; verdades podem causar perseguições. 


​Todavia, o homem sincero deve estar com a verdade, porque Deus é o Deus d verdade. Jesus disse: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida". No grego, a palavra "verdade" pronunciada por Jesus aqui em João, capítulo 14, versículo 6, a tradução de verdade é a palavra grega aletheia: a verdadeira realidade. Cristo está com a realidade; Ele é verdadeiro e a verdade em todos os sentidos. Assim é todo aquele que pertence a Deus: é verdadeiro, e não está ao lado da mentira. Hoje em dia, muitos consideram como amor aquilo que a Bíblia chama de abominação. Muitos chamam de relacionamento o que a Bíblia chama de adultério. Transformaram virtudes em vício, inverteram os valores. Vivemos dias em que o certo parece ser errado e o errado parece ser certo. 
​Em Isaías, no capítulo 5 e versículo 20, o profeta advertiu: "Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem das trevas luz e da luz, trevas; e fazem do doce amargo e do amargo, doce". O mesmo profeta, no capítulo 59, versículos 14 e 15, fala que a justiça retrocedeu e a verdade anda tropeçando pelas ruas. 
​ Nada pode ser considerado tão atual quanto essas palavras quando elas são aplicadas à nossa geração perversa e corrompida, que está a inverter os valores e tem feito grande progresso na multiplicação da iniquidade. O relativismo contamina a nossa sociedade, hoje em dia, tentam minimizar a gravidade de um crime, fazendo de delinquentes “vítimas da sociedade” porquanto a verdade é que o homem inclinado ao crime é pecador e a sua natureza adâmica o impulsiona isso, ele deve pagar pelos seus crimes, transferir a culpa pessoal aos outros é agir como Adão, colocou a culpa em Eva, e ela na serpente, Adão agiu consciente do erro (I Timóteo 2:14) ele é culpado, cada transgressor e cada criminoso é culpado. Outra mentira popular é que a sociedade corrompe o indivíduo, esse jogo de palavras mentirosas é uma das ideias mais satânicas que existem. Uma sociedade é feita de indivíduos, dos filhos de Adão e Eva começou a primeira sociedade de homens caídos, foram eles que corromperam a sociedade humana, não o oposto. Quando chegamos em Genesis 6 no contexto do diluvio, a sociedade está corrompida porque os homens se tornaram extremamente malignos e a impunidade era generalizada, uma sociedade que deixa de acreditar em absolutos e na verdade, torna-se brutal, tão brutal e insensível que não enxerga o terror da agonia de um feto sendo dilacerado no útero de uma criança no processo do aborto, assim como na época do rei Manassés (rei de Judá) eram os homens insensíveis quando faziam as crianças passarem pelo fogo em sacrifício a Moloque (II Reis 21:6 II Crônicas 33:6).  A mentira brutaliza o homem!

 Sendo a mentira um problema universal, enraizado no coração e no comportamento humano, devemos sempre verificar se aquilo que chega aos nossos ouvidos ou aquilo que pronunciamos são simples repetições de boatos e de informações não verificáveis, ou se realmente são factos. Temos que tomar cuidado com relação a isso. Mentiras são mais fáceis de aceitar do que verdades. Portanto, o homem de Deus sabe o custo da verdade se tiver que a defender e pronunciar diante de pessoas que, na sua maioria, não gostam de ouvir verdades. Que o martírio de Estevão e as perseguições de dos profetas Elias e Jeremias, ao chamar um relacionamento conjugal de ilícito João Batista foi decapitado, a verdade tem um preço alto a nível do caráter de Cristo e a mentira tem um nível baixo ao abismo do inferno, em tempos de relativismo que se sustenta por mentiras multiplicadas, devemos escolher ficar do lado da verdade, custe o que custar.


​Mas quero lembrar-lhe que a mentira é o cardápio dos golpistas; a mentira é a manobra que os criminosos usam. É a tática de bandidos e manipuladores que visam enganar por meios ilícitos e buscam pessoas vulneráveis e ignorantes para atacar.
​E cada vez que se você está diante de uma mentira e não tem a capacidade de detectar que se trata de uma mentira, você pode ser colocado ao nível de um ignorante e de uma pessoa que pode ser manipulada. Outra coisa: a avareza é uma excelente isca num mundo extremamente materialista. Portanto, usa-se muito a mentira para despertar o pecado da avareza no coração humano. Pois, a partir do momento em que uma pessoa tende a ser avarenta, ela torna-se mais aberta para todo o tipo de engano.
​Então, concluímos: a mentira é a base da sustentação de todo o erro e de todo o engano. A mentira ganhará proporções enormes nos últimos tempos. Isso é necessário para preparar o ambiente para o Anticristo, pois ele será o mestre por excelência de todas as mentiras. Paulo escreve em 2 Tessalonicenses 2:10 acerca dele: "com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem". 

 Sendo assim, a mentira precisa de ter uma influência muito forte nos últimos tempos para preparar os homens para receberem o Anticristo. Todos aqueles que não exercem o seu discernimento e a sua sobriedade, e que não assumem a responsabilidade de verificar os fatos, podem ser facilmente enganados pelo espírito do Anticristo.  Eis algo para o qual precisamos de estar alertas. Caso contrário, a influência do engano demoníaco do Anticristo tomará proporções gigantescas, arrastando consigo até mesmo aqueles que nunca deram ouvidos nem amaram a verdade da maneira como a Bíblia ensina.  Não é admirável que hoje nos meios eclesiásticos temos tantos hipócritas? Uma das mentiras mais devastadora é a imitação, apenas um disfarce, uma máscara mentirosa para esconder a essência, e como satanás fez, consegue levar após si a terça parte dos anjos. A técnica funciona muito bem, mas é demoníaca ao extremo!

A linguagem, o discurso cheio de clichês, a retórica cheia de termos subjetivos, ambíguos e relativistas... Tudo isso faz com que muitos mentirosos manipulem a opinião pública através de linguagem sugestiva, técnicas de retórica, supressão e ocultamento e manipulação de fatos, eufemismos, repetições e, em formas mais radicais, até mesmo mediunidade por possessão.
​A disseminação do erro depende da mentira; a base que o apoia mantém a sua cumplicidade. Portanto, quando eu falo sobre uma eficiência do erro, não estou dizendo que um erro produz algum tipo de verdade. Simplesmente falo como uma expressão de dizer que o assentamento e a aceitação da mentira se dão por agentes que a promovem e pessoas sem discernimento que as aceitam.
​Nem todas as mentiras são egoístas. Sifrá e Puá, por exemplo, lá em Êxodo 1, e Raabe, em Josué 2, podem ser exemplos. Mas aqui nas Escrituras são descrições, e não prescrições. Em nenhuma outra parte da Bíblia Sagrada diz que todos devem agir assim. Mentira continua sendo mentira, de modo que, em todas as Escrituras, ela é condenada. 

Para finalizar, desejo então salientar aqui que o anticristo será o grande mestre do engano. Por outro lado, também devemos entender: toda a religião que não conduz alguém a confiar absolutamente em Cristo — pois ele é a verdade por excelência — toda a religião que não induz as pessoas a confiarem completamente nele, na sua obra consumada e perfeita, é uma religião falsa que está a pregar e a anunciar mentiras.
​Pois certamente, quando lemos o alerta de Paulo em Gálatas, capítulo 1, versículo 8 e versículo 9, acerca de nós ou de um anjo que anuncia outro Evangelho, isso significa um Evangelho mentiroso, uma mensagem baseada em mentiras e não na verdade. Tal mensagem deve ser considerada como um anátema ou como uma maldição. Ou seja, Paulo está a dizer: um Evangelho mentiroso é uma maldição e não uma bênção.

 Pois também o Evangelho falso traz consequências devastadoras a longo prazo, além de fraudes, enganos, danos espirituais e, por fim, a perdição eterna. De maneira que devemos, então, testar como os bereanos. Como disse ao princípio, as Escrituras devem ser consideradas como um detector de mentiras. De modo que, como os bereanos em Atos 17:11, as palavras de Paulo foram testadas na congregação de Bereia. Os judeus estavam ali a ouvir a Paulo e foram verificar nas Escrituras para saber se Paulo estava a pregar verdades ou mentiras, se a sua mensagem era verdadeira ou era um engano. A quem eles foram, os bereanos? Foram à tradição ou procuraram uma revelação mística, confiaram em seus próprios sentimentos e sabedoria? Não, eles foram às Escrituras. Eles não foram a nenhuma outra fonte para verificar e testar a mensagem de Paulo, a não ser nas Escrituras. Portanto, nós temos ali a verdade. Como disse Jesus: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:17)

 

Precisamos entender, uma vez por todas: quanto mais egoísta é um coração, mais ele se inclina para o engano e para a mentira. Mentiras podem ser usadas para benefício próprio ou podem ser mantidas por pura cegueira espiritual.