Piedade Profunda

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“Não precisamos de uma nova definição do cristianismo bíblico, precisamos de uma nova demonstração de seu poder transformador”

 

 

Ao longo de mais de 35 anos de trajetória na vida cristã, aprendi uma verdade que sustento com plena convicção: o coração torna-se gradualmente mais espiritual à medida que se dedica às realidades que estão em Cristo. Este é um fato comprovado pela biografia dos grandes homens de Deus do passado, cujos corações, ao se voltarem inteiramente ao Senhor, alcançaram um notável crescimento e discernimento espiritual. Foi por meio dessa entrega que eles compreenderam a profundidade do culto e da devoção, manifestando com zelo e temor a glória de Deus. Notemos o principio da devoção austera de William Law que moldou a espiritualide de John Wesley e o principio da abnegação nos escritos de Andrew Murray que impactou a vida devocional de muitos cristãos, encerra-se nesses exemplos,o fervor intenso e adoração profunda.

Aprendi, em meio às minhas batalhas internas, uma verdade fundamental: a natureza humana tende, por inclinação própria, a satisfazer os desejos da nossa velha essência. Este "velho homem", com suas concupiscências e inclinações mundanas, reside em nós e, por isso, precisa ser mortificado e crucificado. É necessário que o homem espiritual, regenerado pelo novo nascimento, obtenha a força necessária para subjugar toda inclinação carnal, permitindo que os vestígios da natureza antiga desapareçam por completo.

 Tal processo exige disciplina; contudo, esta não deriva apenas do esforço pessoal, mas, primordialmente, da graça de Deus e do poder do Espírito Santo. É Ele quem nos capacita a triunfar nesta luta interior. Somente assim o homem espiritual poderá viver a vida cristã em sua plenitude, experimentando realidades que proporcionam uma satisfação e uma felicidade mais elevadas e perenes, superiores às ilusões passageiras e imediatistas que surgem ao ceder aos desejos da carne.

 Ao refletirmos sobre a devoção e a vida de oração, somos conduzidos às profundezas das realidades espirituais de um culto genuíno. Trata-se de uma entrega plena a Deus, na qual intelecto, coração, alma e todo o nosso ser são voltados ao Senhor com atenção absoluta. Para desempenharmos o papel de verdadeiros adoradores, que O reverenciam em espírito e em verdade, devemos compreender a importância suprema de estarmos reunidos em Seu nome. O culto caracteriza-se pela comunhão, pelo cântico de hinos espirituais e pela nutrição através da Palavra de Deus. Em tal reunião solene, a Trindade — Pai, Filho e Espírito Santo — torna-se o centro de nossa adoração. O culto cristão é um mergulho no âmbito espiritual, onde buscamos as graças e bênçãos divinas, reafirmando nossa identidade como filhos de Deus, regenerados e redimidos pelo sangue de Jesus.

“Adoração é a alma curvada em santa reverencia diante da glória de Deus: é o reconhecimento de nossa total dependência dEle” (Andrew Murray)

 A partir dessa profunda intensidade, Jesus Cristo, em Mateus 22:37-38 — ao citar o Pentateuco, mais precisamente Deuteronômio 6:5 —, declara: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento". Este é o primeiro e maior mandamento, o qual direciona nossa devoção, afeição, intelecto e todo o nosso ser para um único propósito: amar a Deus de forma absoluta. Trata-se de um amor constante, que transcende o tempo, o lugar e as circunstâncias, consagrando-nos como verdadeiros adoradores em espírito e em verdade. Essa passagem das Escrituras nos conduz, inevitavelmente, ao chamado para sermos adoradores íntegros, zelosos e dedicados, amando ao Senhor com todas as nossas forças. Diante disso, cabe a reflexão: você realmente ama a Deus desta maneira? Como tem sido a sua postura e o seu comportamento diante d’Ele em adoração?

 No clássico “O Livro do Amigo e do Amado”, Raimundo Lúlio introduz a figura de Blanquerna, personagem por meio do qual o autor estrutura sua reflexão espiritual. O relato descreve que Blanquerna despertava à meia-noite e, ao contemplar o firmamento, remetia-se prontamente ao Criador, iniciando suas orações com profunda devoção e tal intensidade de agonia que caia em prantos.  

 O objetivo desse gesto era elevar a alma inteiramente a Deus, expressando esse fervor espiritual através do choro conseqüência de um coração quebrantado. Essa intensidade devocional revela que, para o cristão, a contemplação da beleza da criação não conduz à idolatria, como fazem os pagãos, mas à adoração ao Autor de todas as coisas. Portanto, nosso coração deve ser impulsionado por essa mesma busca, visto que a profundidade da nossa fé é medida pela grandeza do amor que devotamos a Deus. Outro aspecto relevante, descrito no *Livro do Amigo e do Amado*, ilustra a profunda intensidade com que a devoção de um homem pode converter-se em uma revolução espiritual, impactando não apenas a si mesmo, mas também aqueles que o rodeiam. O texto narra: "Após o pôr do sol, Blanquerna subia ao terraço de sua cela e permanecia em oração até o primeiro sono, contemplando o céu e as estrelas com os olhos marejados e o coração devoto, meditando sobre a glória de Deus e as falhas dos homens neste mundo. Com tamanha afeição e fervor, Blanquerna entregava-se à total e profunda contemplação, de modo que, ao adormecer, sentia-se na presença de Deus, conforme havia suplicado em suas preces." Observamos, nesta passagem, a profundidade com que Blanquerna penetra nas realidades espirituais, reconhecendo Deus como o Ser Supremo digno de adoração. Por meio de um olhar atento, ele atravessa as dimensões da criação, encontrando na existência de um Criador o fundamento de toda a realidade. Assim, as estrelas, o pôr do sol e os elementos mais sublimes do mundo tornam-se vínculos inegáveis que conduzem à certeza da existência divina e à necessidade do culto. Em sua obra “A Adoração, Prioridade, Princípios e Práticas”, J. C. Ryle discorre com clareza sobre como a verdadeira duração espiritual impacta o coração e a consciência humana. Esse processo intensifica a percepção acerca da malignidade do pecado e da própria corrupção interior, aprofundando a humildade e promovendo maior zelo pela vida espiritual. Compreendemos, portanto, que ao acessarmos as realidades divinas e contemplarmos a santidade do Deus a quem servimos, duas constatações emergem em nosso íntimo. A primeira é a necessidade de oferecermos o nosso melhor — nossa atenção, amor, devoção e tempo — ao Deus que, em Sua infinita misericórdia, revela a gravidade de nossas transgressões ao manifestar Sua glória. É precisamente nesse ponto que a graça e a misericórdia divinas ganham proeminência, pois, ainda que imerecedores, fomos alcançados pelo sacrifício de Cristo, que pagou com o próprio sangue a nossa redenção. Sendo a nossa salvação fruto do triunfo da graça sobre a nossa miséria, germina em nosso coração uma gratidão profunda e constante. Esta gratidão, por sua vez, manifesta-se diariamente ao longo de toda a nossa jornada, sendo a marca indelével de todo cristão verdadeiro, que dirige um louvor contínuo ao seu Criador. Em um tempo marcado por tamanha superficialidade, faz-se urgente o retorno a uma vida de adoração intensa. Devemos compreender que, ao adorarmos, reconhecemos nossas fragilidades humanas e, simultaneamente, fortalecemo-nos ao atrair a soberania de Deus sobre nós. É o próprio Deus quem nos chama e nos designa a essa prática, sem a qual nos tornamos vazios e incompletos. Por ter nos criado à Sua imagem e semelhança, como uma extensão de Sua própria natureza, Deus conhece a nossa inclinação a buscar ídolos caso não O adoremos. Ele não nos destinou a esta terra como morada definitiva, mas sim à eternidade ao Seu lado. Por isso, atrai-nos à Sua presença, permitindo que O conheçamos profundamente e nos assemelhemos a Ele — visto que nos tornamos, inevitavelmente, reflexos daquilo que adoramos. Dessa forma, devemos dedicar a nossa vida e o nosso coração a Ele com total foco. Reconhecendo nossa natureza frágil, é através da adoração que recebemos o poder e a vida espiritual necessários para encontrar a verdadeira felicidade e o sentido da nossa existência. Fomos projetados para adorar; que possamos, portanto, buscar a profundidade de uma vida vivida inteiramente para a glória de Deus, em espírito e em verdade. Vivemos tempos marcados por profundas inquietações; por isso, devemos elevar o nosso espírito acima das aflições mundanas, a fim de mantermos o pensamento voltado a Deus e às coisas que Lhe são concernentes.

“Adorar é submeter toda a nossa natureza á Deus. É a purificação da imaginação pela Sua beleza: a abertura do coração ao Seu amor; a submissão da vontade a seu propósito” (William Temple)

Atualmente, não apenas observamos uma superficialidade na adoração, como também percebemos que a liturgia dos cultos, por vezes, não nos conduz à necessária profundidade espiritual. Mesmo reunidos como igreja, o interior da maioria dos presentes distancia-se da verdadeira comunhão. Enquanto os lábios proferem orações mecânicas, as mentes dispersam-se em fantasias e pensamentos que, se manifestados em sonhos ou intenções, seriam considerados indignos e reprováveis diante de Deus. Essa falta de concentração revela uma preocupante contaminação espiritual, que induz muitos a encarar o culto como mero lazer ou entretenimento, tratando a exposição da Palavra com o mesmo desinteresse reservado a um programa de televisão ou uma peça de teatro. Contudo, devemos estar cientes de que o culto é um ambiente solene, um lugar de oração e entrega. Se não sentimos deleite e felicidade genuína na comunhão com Deus — tanto no culto quanto em nossa vida diária —, é um sinal evidente de que a nossa fé requer exame e reparação. Não existe satisfação ou propósito superior à experiência de caminhar permanentemente com o Senhor, adorando-O em verdadeira santidade e devoção, amando-O de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento.
 Os Evangelhos contêm episódios significativos que nos alertam contra a superficialidade na vida cristã. Jesus, ao convidar seus discípulos a acompanhá-lo ao monte para orar, estabeleceu um modelo de dedicação e comunhão com o Pai. Contudo, enquanto Ele buscava o Senhor com intensidade, seus discípulos foram vencidos pelo sono. Esse contraste revela uma condição que se reflete, ainda hoje, na vida de muitos cristãos: uma latente dormência espiritual. Observa-se, com frequência, indivíduos que participam de cultos ou realizam leituras devocionais sem, contudo, permitirem que a Palavra penetre em suas atitudes. A falta de profundidade impede o acesso a uma realidade espiritual genuína, ocultando a necessidade vital da oração, da adoração e da comunhão íntima com Deus e com o Senhor Jesus Cristo. Embora exista o chamado ao despertamento, nota-se que, no momento crucial da entrega, o que prevalece é a inércia física e espiritual. Durante o culto, nosso corpo está presente e nossas vozes entoam louvores, mas questiona-se: onde está o nosso coração? Qual é o grau real de nossa concentração e atenção? Estamos, de fato, regozijando-nos e desfrutando das verdades espirituais, ou permitimos que nossa alma vague por lugares distantes?
 Muitas vezes, nossa presença física não reflete a postura de nossa mente e de nosso espírito. Vivemos em um estado de letargia, distantes da plenitude da comunhão, ocupados com devaneios, em vez de estarmos plenamente despertos para a realidade do Reino de Deus.

 Isto me recorda uma passagem memorável de Thomas More em sua obra “A Agonia de Cristo”, na qual nos é apresentado o seguinte pensamento: devemos elevar nossos corações acima das pesadas inquietações dos assuntos mundanos, a fim de mantermos nossos pensamentos em Deus e em Seus desígnios. É imperativo compreender que a nossa vida espiritual deve ser sopesada à luz da intensidade do sacrifício de Cristo. O coração bendito e eterno do nosso Santíssimo Salvador foi sobrecarregado e transpassado por dores indescritíveis em virtude dos nossos pecados. A cruz não é um elemento supérfluo, tampouco algo superficial; há uma densidade incalculável no evento do Calvário. As dores, os sofrimentos e as humilhações ali contidos atingiram o grau máximo de severidade. Quando Deus enviou Seu Filho para expiar nossas transgressões e satisfazer a justiça divina, Ele o fez para que Jesus suportasse a mais terrível das mortes. Ele atravessou as mais profundas agonias, tormentos que transcendem a capacidade da imaginação humana. Diferente daqueles que morreram como punição por seus próprios crimes, Cristo carregou sobre si o peso de todas as nossas iniquidades. É impossível mensurar a pressão psicológica e espiritual que Ele suportou em nosso favor.
 Diante de uma expressão tão concreta de profundidade, como podemos conceber a vida cristã, o culto e a adoração de maneira leviana? A cruz é o parâmetro absoluto; portanto, qualquer abordagem da sua mensagem desprovida de seriedade beira a blasfêmia. Não há qualquer traço de superficialidade na morte de Jesus Cristo, e, por isso, este deve ser o eixo central que orienta toda a nossa jornada espiritual. Aprecio profundamente uma citação de William Temple, que define o culto a Deus como o estímulo da consciência pelo reconhecimento de Sua santidade. Segundo ele, cultuar é conduzir a mente à contemplação da beleza divina e abrir o coração ao Seu amor, a fim de submeter a própria vontade aos Seus propósitos eternos. Tal definição expressa, com notável profundidade, a atitude essencial de quem ama e adora a Deus.

Que possamos, portanto, alcançar uma percepção profunda da realidade espiritual que define a vida cristã, conduzindo nossa existência sob o temor e a reverência devidos a Deus. Que isso não se restrinja apenas aos cultos, os quais não devem ser espaços de entretenimento ou mera animação, mas assembleias solenes dedicadas exclusivamente à adoração, colocando Deus Pai, Filho e Espírito Santo no centro de nossa atenção e de nossa alma.
 Que possamos experimentar uma alegria que transcenda a do homem mundano. Ainda que este se regozije ao encontrar riquezas materiais após um árduo esforço, sua satisfação é efêmera, visto que os tesouros deste mundo são passageiros. Diferentemente, ao vivermos na presença de Deus, desfrutamos do maior de todos os tesouros, que permanece não apenas nesta vida, mas por toda a eternidade. Não há bem mais precioso do que o próprio Deus. Ao compreendermos esta verdade, tornamo-nos cristãos mais espirituais, profundos e zelosos em nossa devoção. Seremos, assim, as pessoas mais felizes do mundo, pois nossa felicidade não emana de elementos superficiais, mas da fonte inesgotável que provém do trono da Suprema Majestade, que vive e reina para todo o sempre.

 

C. J. Jacinto

 

 

O Sacrificio do Cordeiro de Deus

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MEDITAÇÃO TEOLÓGICA

O Sacrificio do Cordeiro de Deus

A Expiação, a Substituição e a Glória da Cruz

 

Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e com as suas pisaduras fomos sarados.

— Isaías 53:5

Há uma ferida no centro da história. Não a ferida de um homem comum, não o sofrimento de um mártir qualquer que se recusou a ceder diante da tirania — mas a ferida de Deus feito carne, abertura voluntária pela qual o destino de toda a humanidade foi renegociado. É sobre essa ferida que precisamos falar. Porque dela, paradoxalmente, brota toda a cura.

O doutor Horatius Bonar resumiu a lógica com a precisão de quem contemplou o mistério por longo tempo: as feridas que a cruz abriu em Cristo curam as feridas que o pecado abriu em nós. Poucos resumos teológicos atingem tal poder com tão poucas palavras. Mas o que esse enunciado pressupõe é imenso: que havia feridas abertas pelo pecado que nenhuma virtude humana poderia suturar; que o ser humano, desde a queda, carregava uma dívida que transcendia sua capacidade de pagar; e que somente uma intervenção externa — vinda de além da condição humana — poderia solucionar o impasse.

O artigo que o leitor tem em mãos não é uma apologia sistemática, nem um tratado técnico. É uma meditação — um convite a contemplar devagar, com atenção às palavras e sensibilidade ao mistério, a obra que Deus realizou na cruz do Calvário. Uma obra que a teologia chama de expiação, e que a alma que crê chama, simplesmente, de graça.

 

PARTE I

O Princípio Antiquíssimo

 

Antes de Calvário havia o tabernáculo. Antes do tabernáculo havia Abel. E antes de Abel havia o coração de Deus — que desde a fundação do mundo já havia providenciado um Cordeiro (Apocalipse 13:8). A lógica da expiação não foi inventada pela religiosidade humana; ela foi revelada.

O pecado, na perspectiva bíblica, não é apenas um erro moral a ser corrigido pela educação ou pelo esforço de vontade. É uma ruptura ontológica — uma fratura no tecido da relação entre o Criador e a criatura — que produz uma dívida de natureza jurídico-moral. Onde há lei, há penalidade. Onde há penalidade, há exigência. E a exigência da lei divina sobre o pecado é clara: a morte. "Porque o salário do pecado é a morte" (Romanos 6:23).

Foi precisamente para administrar essa realidade que Deus instituiu, por intermédio de Moisés, o complexo sistema sacrificial do Antigo Testamento. Não como um fim em si mesmo, mas como uma linguagem — um alfabeto de sangue e fogo pelo qual Deus ensinava ao seu povo o que um dia seria dito de forma definitiva numa colina fora de Jerusalém.

O Sangue que Expia

O Levítico, que tantos leitores modernos folheiam com impaciência, é na verdade uma teologia densa embrulhada em liturgia. No capítulo 17, versículo 11, Deus enuncia o princípio fundante de todo o sistema: "A vida da carne está no sangue, e eu vo-lo tenho dado para fazer expiação sobre o altar pelas vossas almas; porque o sangue é que fará expiação pela alma."

O princípio é austero: visto que o pecado merece a morte, a oferta de uma vida — representada pelo sangue — apazigua a justa indignação divina e substitui a morte exigida do pecador pela morte da vítima oferecida. Não há irracionalidade nessa lógica, como alguns a acusam; há, antes, uma pedagogia: Deus ensinando com imagens vivas aquilo que seria consumado em Cristo.

"Sem derramamento de sangue não há remissão de pecados." (Hebreus 9:22)

O versículo de Hebreus não é uma afirmação sombria — é a declaração mais rigorosa da necessidade da cruz. E o argumento da Carta aos Hebreus não é primitivo; é preciso: se o sangue de bodes e touros consagrava e purificava cerimonialmente, quanto mais o sangue de Cristo — oferecido por si mesmo, sem mancha, ao Deus eterno — purificaria as consciências de obras mortas (Hebreus 9:13-14)?

 

PARTE II

O Dia que Apontava para Outro Dia

 

Havia no calendário de Israel um dia diferente de todos os outros. Não era um dia de festa, mas de jejum. Não era um dia de cantos, mas de silêncio e prostração. Era o Yom Kippur — o Dia da Expiação — descrito em toda sua solenidade litúrgica no capítulo dezesseis do Levítico.

Nesse dia, o Sumo Sacerdote — e somente ele, e somente uma vez por ano — entrava atrás do véu que separava o Santo do Santo dos Santos. Ele levava consigo o sangue de um novilho, imolado pela sua própria purificação, e o sangue de um bode, sacrificado pela expiação do povo. Com esse sangue aspergia o propiciatório — a tampa da Arca da Aliança — sete vezes, diante da presença de Deus.

Mas havia um segundo bode. Esse, curiosamente, não era morto. O sacerdote colocava as mãos sobre sua cabeça e confessava sobre ele "todas as iniqüidades dos filhos de Israel e todas as suas transgressões em todos os seus pecados". Depois disso, o animal era levado para um lugar deserto, carregando sobre si, simbolicamente, o peso de toda a culpa nacional. Era o bode emissário — aquele enviado para longe, para que o povo ficasse livre.

Dois Bodes, Uma Verdade

A teologia do Yom Kippur é densa, mas o sinal é inconfundível: há uma transferência. A culpa que pertencia a Israel era, no rito, transportada para um ser inocente, que recebia em si o peso que não era seu, para que os culpados pudessem caminhar livres. A linguagem substitutiva é vívida demais para ser ignorada.

A fraseologia substitutiva e penal do Yom Kippur é vividamente evocada no episódio do Servo Sofredor de Isaías 53 e é aplicada mais especificamente a Cristo pelo autor da Carta aos Hebreus. Toda a vida civil e religiosa do povo de Deus dependia desse princípio legal.

— G. H. Lang

 

A Carta aos Hebreus não deixa dúvida quanto à interpretação do Yom Kippur: Cristo é simultaneamente o Sumo Sacerdote e a vítima. Ele entrou — não num tabernáculo feito por mãos humanas, cópia e sombra do verdadeiro — mas no próprio santuário celestial, por seu próprio sangue, "tendo obtido eterna redenção" (Hebreus 9:12). O que o Sumo Sacerdote fazia todo ano, imperfeito e repetível, Cristo fez uma vez por todas: definitivo, consumado, eterno.

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PARTE III

A Lógica Gloriosa da Substituição

 

Se há um conceito que organiza toda a teologia da cruz, é o da substituição. Cristo morreu não apenas por nós — como exemplo de coragem ou de amor abnegado — mas em nosso lugar. A preposição importa: não ao lado de nós, não inspirando-nos, mas ocupando o lugar que nos cabia.

E. H. Bancroft articula a obra de Cristo na cruz com sete dimensões que merecem ser saboreadas pausadamente: a obra é predeterminada — não foi um acidente histórico, mas um plano eterno; voluntária — Cristo não foi forçado, mas se entregou; vicária — em lugar de outro; sacrificial — implicou oferta e morte; expiatória — cobriu e removeu o pecado; redentora — comprou a liberdade do cativo; e substitutiva — o inocente tomando o lugar do culpado.

"Deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda a iniquidade." (Tito 2:14)

O teólogo Watson sintetizou o conceito com clareza irretocável: Cristo sofreu em nosso lugar, como nosso substituto apropriado. Isso se demonstra nas passagens que declaram que ele morreu pelos homens, ou que relacionam a sua morte com o castigo que merecíamos pelas nossas ofensas. E o Novo Testamento é pródigo nessas passagens.

A Matemática do Calvário

Em Romanos 4:25, Paulo escreve que Cristo "foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação". A causa da morte vicária de Cristo é inequívoca: ele foi entregue por causa de nossas transgressões. Não foi vítima do acaso. Não foi colateral de uma boa intenção fracassada. Foi entregue — numa entrega que é, ao mesmo tempo, o ato mais violento e o ato mais amoroso de toda a história.

Enquanto foi necessário que Cristo fosse divino para suportar em poucas horas o sofrimento eterno devido a pecadores eleitos, também foi necessário que Ele fosse humano para suportar o equivalente daquilo que os seres humanos deveriam suportar. Foi necessário também que Cristo fosse organicamente um com o homem para fazê-lo perfeitamente apropriado a Deus aceitar o Seu sofrimento como um substituto pelo homem.

— T. P. Simmons, Teologia Sistemática, pp. 296–297

 

O argumento de Simmons é filosófico e preciso: a substituição só é justa — e só é eficaz — se o substituto for, de alguma forma, orgânicamente uno com aquele por quem substitui. Os anjos não poderiam morrer em nosso lugar; eles não participaram da apostasia de Adão. É por isso que a encarnação não é um detalhe da cristologia — é a condição necessária da redenção. O Filho de Deus precisava se fazer filho de homem para morrer como homem, em lugar do homem.

G. H. Lang expressou o princípio com economia de palavras que é, ela mesma, uma forma de eloquência: nenhum pecador poderia oferecer sua própria vida para redimir outro pecador; sua própria vida já está perdida por causa de seus próprios pecados. A lógica é inescapável. Somente um que fosse inteiramente livre da dívida poderia pagar a dívida de outro. E somente Cristo — santo, sem mancha, separado dos pecadores — preenchia essa condição.

 

PARTE IV

O Cordeiro e o Sangue

 

João Batista, ao ver Jesus aproximar-se das margens do Jordão, não disse: "Eis o Mestre", nem "Eis o Profeta", nem mesmo "Eis o Rei". Disse: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (João 1:29). Em uma frase, o precursor condensou séculos de teologia sacrificial e apontou para o seu cumprimento definitivo.

A imagem do cordeiro não era inocente aos ouvidos de Israel. Era a imagem do Yom Kippur, era a imagem da Páscoa, era a imagem de cada manhã e cada tarde no templo, quando o holocausto subia e o sangue corria. João Batista estava dizendo: tudo aquilo que vocês fazem há séculos, com animais e sangue e fogo — aqui está o Real, o Definitivo, o Eterno.

O Sangue da Porta

Horatius Bonar, em sua reflexão sobre o sangue pascal no livro do Êxodo, captura com beleza rara o que significa confiar na obra de outro em seu lugar:

Pode ser que seus corações estivessem trêmulos no íntimo; talvez questionando como um pouco de sangue poderia ser tão eficaz. Pode ser que estivessem inquietos, porque eles não podiam ver o sangue — mas eram obrigados a ficar contentes por saber que Deus o via. No entanto, nenhum temor poderia mudar a potência daquele sangue espargido, e nenhuma fraqueza de fé tornar menos eficaz aquele escudo dado por Deus contra o inimigo. O sangue estava na verga da porta; e isso era suficiente. Eles não o viam, nem o sentiam, mas sabiam que ele estava lá, e isso bastava. Deus o via — e isso era melhor do que eles vissem.

— Horatius Bonar, A Justiça Eterna de Deus, pp. 27–28

 

A imagem é teologicamente precisa. A segurança do israelita naquela noite não dependia da intensidade de sua fé, nem da eloquência de sua oração, nem do fervor de seu coração. Dependia do sangue. Deus não perguntou: "Quão forte é a fé do habitante?" Perguntou apenas: "Há sangue na porta?" E onde havia, a morte passava por cima.

"O escravo redimido que continua em cativeiro é falso consigo mesmo e com seu Redentor." — G. H. Lang

Assim é com o crente. A segurança diante de Deus não repousa sobre a qualidade da fé, mas sobre o objeto da fé — o sangue de Cristo, imaculado e incontaminado (1 Pedro 1:18-19), derramado de uma vez por todas no altar do Calvário. Conhecer essa verdade é viver livre. Ignorá-la — ou pior, tê-la e viver como cativo — é uma contradição que insulta tanto o redentor quanto o redimido.

 

PARTE V

O Último Adão

 

O capítulo cinco de Romanos é uma das mais densas galerias da teologia paulina. Ali o apóstolo estabelece um paralelo que é, a um só tempo, um argumento jurídico e uma proclamação de esperança: assim como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, e assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram nele — assim também, por um homem, veio a justificação da vida para muitos.

A lógica de Paulo em Romanos 5:19 é a da representação federal: Adão não pecou apenas por si mesmo; pecou como cabeça representativa de toda a humanidade. Sua queda foi nossa queda, não por imitação, mas por representação orgânica. Nós estávamos nele, como o filho está no pai.

E Cristo vem como o Segundo Adão — não para negar a representação, mas para cumpri-la em sentido oposto. Se estar em Adão significa estar sob condenação, estar em Cristo significa estar sob graça e justificação. Francis Schaeffer articula isso com precisão pastoral:

Estamos cobertos pela justiça de Jesus Cristo. Nossa culpa desapareceu com base na sua obra consumada na cruz — sua obediência passiva. Mas também estamos cobertos por sua perfeita justiça, com base na sua obediência ativa. Sendo assim, nós, da mesma forma que os romanos, podemos ser chamados de santos agora mesmo.

— Francis Schaeffer, Obra Consumada de Cristo, p. 19

 

A identificação com Cristo não é apenas forense — não é apenas uma declaração externa que não altera a realidade interna. É, nas palavras de Paulo, uma morrer e ressurgir com ele: "Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela glória do Pai, assim também nós andemos em novidade de vida" (Romanos 6:4). O velho homem foi crucificado com ele (Romanos 6:6). Não vai ser. Já foi.

 

PARTE VI

A Propiciação — A Palavra que Tudo Resolve

 

O apóstolo João usa uma palavra grega em duas de suas cartas que concentra toda a teologia da cruz em uma única sílaba: ἱλασμός — hilasmos. Traduz-se geralmente como "propiciação", e João a aplica a Cristo em ambas as ocorrências: "Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo" (1 João 2:2); e, novamente: "Nisto está o amor, não que nós tenhamos amado a Deus, mas que ele nos amou a nós, e enviou o seu Filho para propiciação pelos nossos pecados" (1 João 4:10).

O Strong's 2434 define hilasmos como: uma oferta para apaziguar e satisfazer uma parte ofendida e irada. O termo carrega a noção de que a ira justa de Deus contra o pecado — ira que não é capricho, mas atributo moral — encontra no sacrifício de Cristo seu alvo e sua satisfação. A ira é real. A propiciação é real. E ambas convergem na cruz.

Graça — Não Mérito

Seria possível imaginar que, diante de uma teologia tão precisa e tão exigente, o homem fosse tentado a contribuir com algo de seu lado. Mas é exatamente o oposto: quanto mais clara a magnitude do que Cristo fez, mais evidente a impossibilidade de qualquer contribuição humana.

O homem natural — corrompido pelo orgulho adâmico — é inclinado a buscar a graça divina por seus próprios méritos. É uma tendência profunda, enraizada na cegueira espiritual: a ilusão de que podemos, de alguma forma, acrescentar algo à obra que Cristo declarou consumada. Mas Paulo é categórico em Gálatas 2:21: "não anulo a graça de Deus, porque se a justificação vem pela lei, Cristo morreu em vão." Rejeitar a suficiência da obra de Cristo é, no fundo, torná-la nula.

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.

— Efésios 2:8–9

Somente a graça possui o poder de restaurar, com total eficiência, uma alma arruinada pelo pecado, e de conduzi-la com toda a segurança para os braços de um Deus compassivo. Paulo o confirma em Romanos 5:16: "o dom gratuito veio de muitas ofensas para a justificação". O plural é significativo: não foi uma ofensa individual que a graça cobre, mas muitas — a totalidade da transgressão humana, histórica e moral, condensada numa única obra de redenção.

 

PALAVRA FINAL

O Cordeiro É Digno

 

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No último livro da Bíblia, em uma cena de louvor cósmico que desafia toda a imaginação, quatro seres viventes e vinte e quatro anciãos se prostram diante de um Cordeiro que parecia ter sido morto, e cantam a música mais justa já entoada no universo: "Digno és tu de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e compraste para Deus com o teu sangue homens de todo o povo, língua, nação e tribo" (Apocalipse 5:9).

Essa cena não é poesia decorativa. É a descrição do que a eternidade compreende com perfeita clareza sobre o que o tempo muitas vezes obscurece: que a cruz não foi uma tragédia remediada pela ressurreição — foi a maior vitória já conquistada, disfarçada de derrota. E o Cordeiro que foi morto é o Cordeiro que reina.

O teólogo não tem aqui a última palavra. A última palavra pertence ao ato de fé — ao momento em que o leitor, de posse de toda essa teologia, se curva diante do Cordeiro e confia não em seus méritos, não em sua religiosidade, não em sua devoção, mas na ferida aberta que cura, no sangue derramado que limpa, na morte sofrida que ressuscita.

Na pessoa de Jesus Cristo, Deus fez uma visita a este planeta. Tomou seu lugar como a nova cabeça da humanidade. Fez-se homem representante, o substituto por todos nós. Apresentou-se voluntariamente para morrer em nosso lugar e por Ele livrar-nos da penalidade da desobediência.

— Pregoeiro da Justiça, p. 8

 

E nós fomos curados por sua chaga.

— Isaías 53:5b

Às vezes, a teologia mais profunda cabe em seis palavras. Esta é uma delas.

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C. J. Jacinto

Como Ler a Bíblia com Verdadeiro Proveito

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Em nosso dia a dia, sempre temos algo para fazer. O trabalho, a família, as responsabilidades da igreja... e em meio a essa voragem, é fácil perguntar: "Já sou cristão, vou à igreja, por que preciso ler e estudar a Bíblia por conta própria?"

A resposta, no entanto, é fundamental para nossa vida espiritual. A Bíblia não é um simples livro religioso, um compêndio de histórias antigas ou um manual de boas maneiras. Ela é a Palavra de Deus, viva e eficaz, e tratá-la como algo menor que isso é um erro que pode ter graves consequências.

Devemos desejar ardentemente a palavra de Deus e ter uma grande afeição por ela, pois ela é a luz que nos alumia em meio a tanta confusão que opera em nossos dias.

 

“Não que você deva ler apenas a Bíblia. Tudo o que é verdadeiro e bom merece ser lido, se você tiver tempo para isso. Tudo, se usado corretamente, o ajudará no estudo das Escrituras. Um cristão não fecha os olhos para as belas paisagens naturais que o cercam. Ele não deixa de admirar as colinas, as planícies, os rios ou as florestas da Terra porque aprendeu a amar o Deus que os criou; nem se afasta dos livros de ciência ou da verdadeira poesia porque descobriu um livro mais verdadeiro, mais precioso e mais poético do que todos os outros juntos.” (Horatius Bonar)

 

Um Tesouro e uma Defesa

 

O Salmo 19 nos diz que a Palavra de Deus é "mais desejável que o ouro, sim, mais do que muito ouro refinado". Ela é o nosso maior tesouro espiritual, o alimento que nutre a nossa fé. O próprio Jesus afirmou: "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" (Mateus 4:4).

Mas a Escritura não é apenas um benefício supremo; ela também é uma defesa suprema. Descuidar dela é perigoso. O cristão que não se alimenta da Palavra não cresce espiritualmente e se torna vulnerável ao engano. Pedro nos adverte que os "indoutos e inconstantes torcem" as Escrituras para a sua própria perdição. Por isso, devemos crescer "na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Pedro 3:16-18).

Não é obra do Espírito Santo revelar o significado das Escrituras e dar-lhe o conhecimento da divindade sem o seu próprio estudo e esforço, mas sim abençoar esse estudo e, por meio dele, conceder-lhe conhecimento... Rejeitar o estudo sob a alegação de que o Espírito é suficiente é rejeitar as próprias Escrituras. (Richard Baxter)

 

A Lição de Corinto

A igreja em Corinto é um poderoso exemplo do que acontece quando se abandona a Escritura. Começou bem, fundada pelo apóstolo Paulo, mas logo se desviou. A igreja, em vez de se apegar à sã doutrina, começou a misturar a mensagem do evangelho com as filosofias mundanas e as práticas pagãs da cidade.

O resultado foi um desastre moral e espiritual: imoralidade aberta, divisões, contendas, materialismo e uma atitude pecaminosa em relação aos dons espirituais. A igreja de Corinto se desconectou da Palavra de Deus, permitindo que o vazio espiritual fosse preenchido pelas influências do mundo incrédulo.

A solução de Paulo não foi diplomática nem branda. Ele enfrentou os problemas um por um, baseando-se nas Escrituras. Utilizou a Palavra para ensinar, repreender, corrigir e instruir em justiça, chamando a igreja a voltar ao caminho da verdade.

“Antes e depois de ler as Escrituras, ore fervorosamente para que o Espírito que as escreveu as interprete para você, o livre da incredulidade e do erro e o conduza à verdade.” (Richard Baxter)

 

 

Um Método Prático para o Estudo Bíblico

O apóstolo Paulo nos deixou em 2 Timóteo 3:16-17 um método claro e poderoso para estudar a Bíblia com proveito: "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça".

Para aplicar isso ao nosso estudo diário, podemos fazer quatro perguntas-chave enquanto lemos a Palavra, pedindo ao Espírito Santo que nos guie:

1.    Que doutrina Deus está ensinando aqui? Qual é a verdade que ela contém? Qual é o caminho da sã doutrina? Esta pergunta nos ajuda a compreender o ensino de Deus e o caminho correto para pensar e viver.

2.    Esta passagem me repreende? Deus está me dizendo que há algum aspecto do meu agir ou pensar em que me desviei? Como isso aconteceu? Esta pergunta nos confronta com nossos pecados e erros, revelando onde falhamos.

3.    Como esta passagem me indica que preciso me corrigir? O que preciso mudar em minha maneira de pensar e viver para voltar ao caminho certo? Estou disposto, pela graça de Deus, a fazer isso? Esta pergunta nos leva ao arrependimento prático e à mudança de direção.

4.    De que maneira esta parte da Palavra de Deus me instrui em justiça? Como posso permanecer no caminho da sã doutrina e não me desviar novamente? Esta pergunta nos equipa para viver uma vida justa e perseverante em obediência a Deus.

Este método transforma a leitura bíblica de um exercício passivo para um diálogo ativo com Deus, onde a Sua Palavra não apenas nos informa, mas nos transforma.

“O testemunho interior do Espírito Santo ilumina o crente para que ele saiba que as Escrituras são a Palavra de Deus. O fundamento bíblico para essa clareza deriva de duas fontes. Primeiro, as palavras das Escrituras são autoevidentes, pois afirmam ser de Deus (2 Timóteo 3:16; 2 Pedro 1:20-21). Segundo, o poder dinâmico do Espírito Santo aplica a verdade das Escrituras, resultando em uma certeza confiante na própria Palavra (1 Coríntios 2:4-16)... Isso não significa que todos os que ouvem ou leem creem (Romanos 10:14-21), mas significa que aqueles que creem o fazem por causa da obra convincente e iluminadora do Espírito Santo” (John MacArthur)

 

Confie no Poder da Palavra

 

A Bíblia é o único Livro sobrenatural, escrito por Deus através de homens santos que foram "inspirados" (impulsionados) pelo Espírito Santo. Portanto, ela é infalível e inerrante. Deus não pode mentir, e a sua Palavra é a verdade suprema. Não há autoridade superior a ela.

Ao nos aproximarmos da Palavra, devemos fazê-lo com humildade, colocando-nos sob a sua autoridade, e não acima dela. Podemos confiar que a Escritura é a sua própria intérprete; o que é mais claro iluminará o que é menos claro. Recursos humanos, como comentários e guias de estudo, podem ser úteis, mas nunca devem ter mais autoridade do que a própria Palavra de Deus.

O apóstolo Paulo resumiu essa confiança dizendo: "E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no crer, para que abundeis em esperança pelo poder do Espírito Santo" (Romanos 15:13). A Palavra de Deus, mais desejável que o ouro, tem o poder de nos encher de gozo, paz e esperança, se a lermos e estudarmos com fé e dependência do Espírito Santo.

“A menos que leiamos a Palavra de Deus, não podemos ser instruídos pelo Espírito, e a menos que sejamos instruídos pelo Espírito, não podemos nos tornar servos piedosos e eficazes. Em outras palavras, amar a Palavra, aprender com a Palavra e viver de acordo com a Palavra estão interligados no plano de Deus para o nosso crescimento espiritual.” (David McKenna)

 

Organizado por C. J. Jacinto


Fonte bibliográfica: Elliott, Dr. Paul M. "Mais desejável que o ouro: Como ler e estudar a Palavra de Deus com proveito." TeachingTheWord Ministries.