A PIEDOSA HUMILDADE E A GLÓRIA MANIFESTA DE NOSSO
SENHOR JESUS CRISTO.
C. J. Jacinto
Há algum tempo, nutri em meu coração o desejo de
realizar uma análise didática e devocional da passagem cristológica de
Filipenses, capítulo 2, versículos 5 a 11. Este é um texto notável, de grande
beleza e profundidade, merecedor de cuidadosa meditação. Trata-se de uma
passagem praticamente esplêndida, na qual Paulo, inspirado pelo Espírito Santo,
apresenta uma declaração sublime sobre nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo,
abordando sua humilhação e sua glorificação. Desse texto grandioso, emergem
lições profundas, tendo como foco central a figura de Cristo. Ao considerarmos
sua humilhação e exaltação, podemos aprender como aprofundar nossa vida cristã
e enriquecer nossa experiência espiritual. As afirmações sobre nosso Senhor e
Salvador Jesus Cristo contidas neste texto são de extrema elevação, e a
reflexão sobre elas pode encher nosso coração de alegria.
Em
Filipenses, capítulo 2, versículo 5, encontramos o seguinte ensinamento:
"Haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus."
Observamos, nesse trecho, um padrão que nos convida a cultivar o mesmo
sentimento que habitou em Cristo. Cristo, portanto, apresenta-se como o modelo
perfeito a ser seguido pelos cristãos.
Mas, qual sentimento devemos nutrir?
Devemos compartilhar os sentimentos de Cristo, a saber, a submissão, a
humildade e a disposição para servir. Não há outra senda para a verdadeira
glória. Contudo, essa não é a inclinação natural de nossos corações.
Frequentemente, almejamos reconhecimento, prestígio, aprovação e proeminência.
Desejamos ser o centro das atenções.
Contrariamente a essas ambições, o apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito
Santo, nos exorta a buscar o oposto. Ele nos convida a "ter em vós o mesmo
sentimento que houve também em Cristo Jesus." É fundamental, portanto, que
examinemos atentamente nossas vidas, avaliemos nossas aspirações, projetos e
desejos.
Em verdade,
muitos buscam a liderança, mas poucos se dispõem a servir. Contudo, o caminho
que Cristo nos aponta para uma vida espiritual elevada reside na humildade
diante do Senhor, como nos ensina outra passagem: "Humilhai-vos perante a
mão poderosa de Deus, para que ele vos exalte no tempo devido." Um
indivíduo que se humilha diante de um Deus soberano encontra-se em posição mais
elevada do que qualquer líder religioso que ostente títulos grandiosos.
Observando a questão, reconheço que este tema não é amplamente discutido em
muitas igrejas contemporâneas. Não é um tópico que atraia o interesse de muitos
pregadores, nem mesmo de seus ouvintes. Ao considerarmos o imperativo paulino
de "terdes em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus", e o
contexto em que ele apresenta a natureza desse sentimento essencial na vida
cristã, podemos nos sentir desconfortáveis. Frequentemente, nosso cristianismo
se baseia em valores superficiais, construindo uma fé frágil.
À medida que nos aproximamos do fim dos
tempos, é crescente o número de cristãos que se afastam da sã doutrina,
buscando mestres que satisfaçam seus próprios desejos. A busca pelo que é
necessário, em vez do que é conveniente, parece ter se perdido na agenda cristã
atual. A conveniência pessoal, infelizmente, tem se sobreposto, deixando a
desejar na vivência cristã.
Consideremos atentamente Filipenses, capítulo 2, versículos 6 e 7, pois esses
trechos revelam a essência do sentimento que caracterizou Cristo Jesus. No
versículo 6, lemos que, embora possuísse a forma de Deus, Ele não considerou a
igualdade com Deus algo a ser retido. No versículo 7, prossegue-se com a
descrição da encarnação: "Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de
servo, tornando-se semelhante aos homens."
Cristo
representa um ponto de contraste marcante na história da civilização. Enquanto
os monarcas antigos frequentemente se auto-intitulavam divinos, Cristo se fez
humano e humilde, viveu sua vida terrena sem se sentar em um trono. Analisando
a mitologia de diversos povos, observamos a exaltação do homem à divindade, com
figuras heróicas e antropocêntricas dotadas de poderes hercúleos e extraordinários.
Em contraste, Cristo, sendo Deus, assume a forma humana, o Filho de Deus desce
ao mundo na fraqueza e fragilidade da carne humana.
Ele nasce em uma manjedoura e morre na
cruz, mas, acima de tudo, durante todo o seu ministério terreno, Ele permanece
um servo. Longe dos palcos da religião, da busca por popularidade e dos
aplausos, sua trajetória é marcada pela humildade, desde o nascimento até a
morte na cruz, um ato de extrema abnegação.
Nesta
análise, podemos considerar que Cristo personificou a humildade perfeita, um
atributo a ser considerado. O caminho reside em se submeter à vontade divina,
vivendo em dependência do Senhor. A vida de Cristo foi caracterizada por essa
espiritualidade pura, pois essa é a essência da verdadeira espiritualidade: a
completa dependência de Deus Pai. Cristo demonstrou essa dependência e
servidão. Em um momento de angústia, orou: "Pai, afasta de mim este
cálice; contudo, não seja o que eu quero, mas o que tu queres". A vontade
de Cristo estava, portanto, submissa à vontade de Deus Pai. Ele viveu como um
homem humilde, pobre e servo de todos. Esse nível de espiritualidade, em sua
pureza, manifestava-se através da humildade, da qual emanava um poder
espiritual genuíno para abençoar aqueles ao seu redor. Essa é a marca
distintiva da vida de Cristo, esse contraste. Em contrapartida, vemos a
opulência e o glamour de Herodes, de Pilatos e do imperador romano. No entanto,
temos Cristo, aquele que é chamado de Rei dos reis e Senhor dos senhores,
andando sobre a terra com humildade, convivendo com pessoas humildes e vivendo
na humildade. E aqui reside a essência da verdadeira espiritualidade.
A humildade de Cristo e sua disposição
para servir nos oferecem uma profunda lição. Não há santos que se permitam à soberba,
assim como não há servos que busquem a exaltação. É imperativo compreender que
todo aquele que é considerado santo é, em essência, um servo. O servo de Cristo
é revestido com a própria humildade de Cristo e, ao seguir o exemplo do Mestre,
trilha o caminho da glorificação, assim como Cristo foi humilhado e,
posteriormente, glorificado.
Contudo,
desejo deixar claro que não almejamos a servidão. Aspiramos, antes, a ascender
em dignidade e honra, buscando a exaltação do próprio ego e a satisfação da vaidade.
Este foi um dos pecados de Eva. Satanás ofereceu o conhecimento, inclusive o
espiritual, que lhe possibilitaria alcançar uma posição equiparada à divindade.
Essa é a mensagem que o mundo e seus sistemas propagam. Aos olhos do mundo, o
indivíduo vitorioso é aquele que conquista fama e prestígio, que é glorificado,
que recebe aplausos e se torna objeto de idolatria, centro das atenções. No
entanto, este é o caminho do mundo, muitas vezes o caminho que Satanás oferece.
Quando Jesus foi tentado, Satanás ofereceu os reinos do mundo, prometendo-os em
troca de adoração. Essa é a ambição do diabo, a sua essência como criatura: que
todos se curvem perante ele, inclusive seu próprio Criador. Que absurda
contradição, que audácia! O caminho de Cristo, por outro lado, é o da
humildade. Somente a Deus, o Pai Todo-Poderoso, nos prostramos. A Ele honramos
e a Ele nos humilhamos, reconhecendo nossa fragilidade, mas dependendo
inteiramente de Seu poder.
Apresenta Paulo uma notável cristofania, demonstrada em Filipenses 2:8, onde
Cristo, achado em forma humana, humilhou-se, tornando-se obediente até a morte,
e morte de cruz. A ênfase reside na obediência absoluta, que se manifesta como
o único caminho possível. Cristo abraçou o sofrimento, simbolizado pelo cálice,
suportando-o em expiação pelos nossos pecados. Ele assumiu sobre si a
responsabilidade, entregando sua vida em favor do outro, dedicando sua
existência ao pecador, que, por merecimento, não a receberia. Essa humilhação,
que representa um esvaziamento, não é destituída de propósito. É um
esvaziamento de si mesmo que permite a manifestação plena de Deus, de modo que,
em Cristo, se encontrem não apenas a perfeição da humilhação, mas também, como
consequência, a perfeição da glorificação.
Poderia existir algo mais sublime do que a espiritualidade e a piedade de Nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo?
Observamos
que, em sua vida, Ele não almejou nenhum trono. Embora existissem muitos à sua
volta, e a possibilidade de ascender ao trono do César, o imperador romano,
estivesse ao seu alcance, Ele permaneceu no caminho da humildade, cercado por
pessoas humildes. Tal grandeza espiritual só pode ser expressa através dessa
bendita humildade, que serve como espelho para o homem, proporcionando um
exemplo notável em sua própria jornada, ao contemplar Jesus Cristo, autor e
consumador da fé.
A base
fundamental da espiritualidade cristã, alicerçada na expressão do apóstolo
Paulo sobre a obediência até a morte, e morte de cruz, revela a essência da fé.
Atualmente, observa-se certa negligência na reflexão sobre a doutrina da
mortificação, enquanto se prioriza, em muitas ocasiões, uma apresentação
simplificada do Evangelho, focada apenas em seus aspectos agradáveis. Frases
como "Venha, porque Jesus te ama" ou "Venha, porque Deus tem uma
grande obra em sua vida" podem, por vezes, apresentar uma visão incompleta
da jornada cristã. Jesus, em suas próprias palavras, ensinou que quem deseja
segui-lo deve tomar a sua cruz e segui-lo.
A obediência
de Cristo até a morte, e morte de cruz, remete, acima de tudo, à mortificação.
A vida de Cristo foi, em sua totalidade, uma mortificação contínua. Embora a
cruz seja um ponto focal, um aspecto crucial da vida de Jesus que merece
constante contemplação, é imprescindível manter a perspectiva integral do
Evangelho.
A vida de
Cristo foi uma constante crucificação, desde o momento de sua encarnação. Ele
abraçou a cruz da humildade, submetendo-se a todas as condições inerentes à
natureza humana, embora fosse o Criador de todas as coisas. Aquele que
estabeleceu as leis da física, da natureza e da biologia, obedeceu a essas
mesmas leis que ele havia criado.
Essa atitude
gloriosa é incomparável na história da humanidade. Em sua profundidade, reside
o esplendor da humildade de Cristo. É imperativo que jamais nos esqueçamos de
que Cristo personificou a felicidade, pois em sua humanidade residia a
plenitude. Ele foi, ademais, a encarnação da perfeição, um exemplo sublime em
todos os aspectos. Sua vida foi um modelo de moralidade e retidão, um paradigma
de verdadeira humanidade que habitou a Terra, o protótipo estabelecido por Deus
para o padrão de um filho Seu. Essa perspectiva, portanto, deve ser preservada
em nossa consciência. Em Cristo, encontramos o modelo de um homem perfeito, um
caminho que todos os que desejam seguir podem trilhar. Como o próprio Jesus
declarou: "Eu sou o caminho." Essa afirmação implica direção,
propósito e destino. Ao caminharmos por esse caminho, devemos compreender que a
humildade é um requisito essencial. Para os orgulhosos, a via é vasta, inflada
pelo ego, tornando impossível trilhar o caminho estreito. A porta da humildade
é restrita, e nela não há lugar para o orgulho. Apenas os humildes podem seguir
os passos de Cristo.
Este é o
caminho. Segui-lo significa estar em Cristo, enraizados e fundamentados em
nosso bendito e humilde Salvador. Ele, na cruz do Calvário, consentiu em
suportar a ignomínia e toda sorte de sofrimentos por causa de nossos pecados,
carregando sobre si nossas iniquidades. Ali estava o Rei dos reis, Senhor dos
senhores, o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o Todo-Poderoso. Com os braços
abertos, ele se entregou, revelando um paradoxo: o poder na aparente
impotência. Cristo poderia ter evitado a cruz, mas, caso o fizesse, estaríamos
irremediavelmente perdidos.
Jesus abraçou nossa causa e nossa miséria. Deus derramou sobre seu Filho a
plenitude de sua ira, e o Filho se submeteu a ela, enfrentando toda a ira
divina no Calvário, por nossa causa, embora não o merecêssemos. Ali, Cristo se
sujeitou a todo horror, a toda vergonha, a um sofrimento tão profundo e radical
que transcende nossa capacidade de compreensão. O tempo, por si só, obscureceu
as nuances da morte na cruz, a agonia que ela representava, as dores que ela
infligia. Contudo, devemos entender que Cristo estava ali porque se submeteu,
obedeceu e foi determinado a morrer por nós.
É preciso
ter grande humildade para que Aquele que é o Alfa e o Ômega se sujeite a morrer
numa cruz. A razão pela qual ele fez isso é porque necessitávamos de um
substituto penal, que pudesse morrer em nosso lugar, a fim de que pudéssemos
entrar nas glórias celestiais. Assim, Cristo foi a um lugar que não merecia, a
cruz, para que o pecador pudesse ir a um lugar que também não merece, o céu. Consideremos,
então, a reflexão e a análise dos sentimentos que permeavam a vida de Jesus. Em
virtude de sua obra redentora e da encarnação, Deus se manifestou em forma
humana. A expressão "se fez carne" adquire um significado profundo.
Que em vós haja a mesma disposição de espírito. Que não prevaleça uma
disposição diferente. Se vossos sentimentos divergirem daqueles que
caracterizaram a vida de Cristo, a união com Ele estará comprometida. A
comunhão com Cristo implica, também, a incorporação do caráter e da natureza de
nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Refiro-me não à sua natureza divina, mas
à sua humildade, ao seu caráter e aos seus valores morais e espirituais. Estes
valores são implantados, infundidos em nossos corações, de maneira análoga à
seiva que, fluindo do tronco, transmite sua essência aos ramos, determinando a
qualidade do fruto que produzem. A natureza da raiz e da semente define o
caráter e a qualidade desse fruto, conforme podemos observar em passagens como
João capítulo 15, onde Jesus Cristo se declara a videira verdadeira e o cristão,
um ramo. Este ramo necessita permanecer ligado a Cristo, unido a Ele, a fim de
receber os benefícios de sua crucificação. Refiro-me não ao poder espiritual
que conduz ao exibicionismo, mas ao poder que nos conduz à humildade, onde não
há necessidade de reconhecimento humano, mas sim a disposição de nos
esvaziarmos para que Deus, em Cristo, manifeste sua majestade através do
testemunho do cristão.
Em Cristo, a verdade ressoa com a força de um trovão, ecoando através dos
séculos. Ele representa uma revolução cósmica, transcendente ao tempo, através
da qual a salvação e a esperança são oferecidas a toda a humanidade. Esta
dádiva, contudo, teve um preço: um sacrifício sublime.
Longe de ser
um herói terreno que derruba tiranos e destrói impérios, Ele veio como uma
criança frágil, dependente do cuidado de pais e da proteção humana. Cresceu em
um ambiente humilde e, gradualmente, trilhou o caminho que o conduziria à cruz.
Com os braços abertos, cravados na cruz, Ele abraçou a humanidade. A própria
forma da cruz simboliza a sua aceitação de nossa dor e sofrimento, assumindo-os
como seus. Os seus lamentos íntimos e o desespero que sentiu em seu coração
foram em razão de nossas iniqüidades e transgressões.
Ele fez tudo isso por nós, individualmente, sem que o merecêssemos. Sua
humilhação foi, por conseguinte, por nossa causa. Havia uma razão para tudo
isso. Como está escrito em João 3:16, "Porque Deus amou o mundo de tal
maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não
pereça, mas tenha a vida eterna.
Na narrativa da paixão, observamos a concretização da dor e da humilhação de
Cristo, resultantes de sua morte voluntária e de sua encarnação com o propósito
de redimir a humanidade. Nos versículos iniciais do texto em estudo,
compreendemos que Cristo, embora sendo Deus, não buscou manter a igualdade com
o Pai, mas, assumindo a forma de servo, humilhou-se, mostrando obediência até a
morte, e morte de cruz. A consequência final desse ato de amor foi o destino
trágico na cruz, culminando com o abandono do próprio Pai. Na cruz, Cristo
experimentou a solidão e a agonia, suportando todas as dores e a pena da morte.
Seu corpo, então, foi sepultado nas profundezas da terra. Aquele que habitava
no mais sublime trono, conforme o profeta Isaías contemplou em sua visão da
glória divina, agora se encontrava nas trevas do sepulcro. Que humilhação para
o Filho de Deus, que também havia revelado Sua esplêndida glória aos apóstolos
Pedro, Tiago e João durante a transfiguração! Contudo, foi depositado na sepultura,
em um lugar escuro e frio, distante de toda dignidade, simbolizando a
consequência do pecado: a morte. Ali, nesse lugar tenebroso, Cristo permaneceu.
Essa realidade nos permite compreender o valor do sacrifício e da morte de
Cristo para a salvação de nossas almas.
Assim como a noite escura finda com o amanhecer, e como todo período de trevas
cede à luz da manhã, Cristo, após os horrores da crucificação e três dias de
sofrimento na sepultura, é exaltado. No versículo 9, capítulo 2, Paulo declara:
"Por isso, Deus o exaltou sobremaneira".
Observamos aqui o contraste: Cristo se
humilhou, mas Deus o exaltou soberanamente. A humilhação voluntária de Cristo
culminou na exaltação soberana por Deus, que não foi uma exaltação comum, mas
uma exaltação que o constituiu novamente Senhor de todo o universo.
Ao analisarmos o Novo Testamento, notamos que a palavra grega traduzida como
"soberano" é "uperopsoo", que significa elevar alguém à
suprema majestade. Essa escolha lexical sugere uma declaração implícita da
divindade de Jesus Cristo. Embora essa verdade possa não ser imediatamente
perceptível, a elevação de Cristo e a afirmação de Sua exaltação soberana,
realizada humanamente por Deus Pai, colocam-no lado a lado com a suprema
majestade no trono celestial, à direita de Deus. Essa passagem, portanto,
apresenta uma declaração notável e magnífica sobre a divindade de Nosso Senhor
Jesus Cristo.
Além disso,
o versículo 9 prossegue com a afirmação de que Deus lhe concedeu o nome que é
sobre todo nome. A importância do nome de Deus era crucial para os judeus. O
tetragrama, as quatro letras que no Antigo Testamento identificavam o nome de
Deus, era considerado tão sagrado que os judeus não o pronunciavam,
substituindo-o por "Adonai". Cada judeu crescia imbuído do respeito
por esse nome sagrado, tão precioso e majestoso que não era pronunciado.
Contudo, as Escrituras afirmam que a Jesus Cristo foi dado um nome que está
acima de todos os nomes, um nome que pode ser pronunciado e declarado, pois é o
nome que está acima de todos os nomes.
Chegamos a Filipenses, capítulo 2, versículo 10, onde Paulo apresenta uma
declaração notável: "Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos
que estão nos céus, na terra e debaixo da terra." É um versículo
magnífico, que transcende a capacidade de plena compreensão humana. As verdades
preciosas que Paulo expõe são dignas de profunda reflexão.
A humilhação
de Cristo culminou em Sua exaltação. Que possamos discernir claramente a
grandiosidade desta afirmação sobre nosso bendito Senhor e Salvador, Cristo,
pregado na cruz. Ele suportou os horrores da crucificação, com Seu corpo e
rosto desfigurados pelo castigo e pelas feridas infligidas durante o
sofrimento. Ali, em meio à zombaria e ao desprezo, Ele se tornou, aos olhos dos
homens, algo humilde e insignificante.
O Império
Romano zombou, os judeus O rejeitaram os incrédulos riram. Contudo, após a
soberana exaltação de Deus, recebemos esta declaração concisa, valiosa e
poderosa: "Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão
nos céus, na terra e debaixo da terra." Assim, os vivos, os mortos, os
anjos e os seres caídos se prostrarão diante dAquele que foi exaltado. Mesmo
aqueles que O crucificaram e zombaram dEle, um dia tremerão em Sua presença e
se curvarão diante dEle.
Considerando a importância das verdades gloriosas que Paulo expõe sobre a
exaltação de Jesus Cristo após sua humilhação, urge que estejamos atentos às
suas declarações finais. Ao citar Filipenses 2:10-11, Paulo emprega uma
interpretação tipológica ou hermenêutica do Antigo Testamento, utilizando a
profecia de Isaías 45:23 para proclamar a suprema majestade de Cristo. Isaías
profetizou: "Por mim mesmo jurei, que a mim se dobrará todo joelho, e toda
língua confessará". Há, portanto, uma clara correspondência entre a
profecia do Antigo Testamento, revelada por meio de Isaías, e a declaração de
Paulo em Filipenses 2:10-11. Nesta passagem, Paulo afirma: "Pelo que
também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo
nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e
abaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a
glória de Deus Pai."
Ao analisar
o texto bíblico de Filipenses, capítulo 2, versículos 10 e 11, Matheus Henry
observa que a exaltação de Cristo ali descrita se manifesta em honra e poder.
No que concerne à honra, ela se refere ao reconhecimento de uma posição de
dignidade superior a todas as criaturas. Quanto ao poder, implica que todos os
seres, sem exceção, se submeterão a Ele. Essa submissão, em minha interpretação,
representa adoração, respeito, honra, dignidade e veneração, e será um ato
espontâneo de todas as criaturas, tanto as físicas quanto as espirituais.
No texto de Paulo, encontramos um dos mais valiosos e brilhantes tesouros da
cristologia do Novo Testamento. O processo de humilhação de Cristo assemelha-se
à lapidação de uma pedra preciosa. Ele foi moldado pela cruz, pelas
circunstâncias, pela encarnação e pelas adversidades que enfrentou, não apenas
no Calvário, mas também em momentos como o do Getsêmani. Nesse processo, Deus
agiu como o lapidador, aperfeiçoando Cristo através do sofrimento, culminando
em uma obra perfeita na cruz. Essa lapidação se estende a nós, convidando-nos a
refletir sobre a declaração de Paulo: "Por isso, Deus o exaltou sobremaneira."
Ele recebeu o nome que está acima de todo nome, aquele Cristo que, apesar de
obscurecido por sofrimentos e circunstâncias, inclusive pelas trevas físicas
que envolveram o local de sua morte por nossos pecados, teve sua glória
revelada. A lapidação produziu o efeito desejado, pois Cristo foi exaltado
acima de tudo.
A humildade
de Cristo constitui um exemplo a ser seguido, assemelhando-se à transformação
do ouro pelas mãos do ourives, culminando na criação de uma coroa. A trajetória
de humilde submissão, com o coração sensibilizado pelas provações impostas pela
humilhação, foi a força que conduziu Cristo à exaltação. A glória celestial é
alcançada somente através dos passos que Cristo trilhou durante sua encarnação
e por meio de seu sacrifício.
Imitemos Cristo, pois, ao seguirmos o
caminho que Ele estabeleceu, adotando-o como modelo, padrão e perfil de um
homem verdadeiramente submisso à vontade de Deus. Percorreremos este mundo,
frequentemente, em meio a dores e aflições, como o próprio Jesus advertiu: "No
mundo, tereis aflições. Mas tende bom ânimo". Este ânimo encontraremos ao
contemplarmos Jesus como o modelo de sua humilhação, que o conduziu ao trono.
Da mesma forma, ao seguirmos os passos de Cristo, alcançaremos a glória, pois
um dia estaremos na Nova Jerusalém, nos novos céus e na nova terra, com corpos
glorificados, para contemplar Aquele que nos salvou. A Ele seja dada toda honra
e glória. Que Deus seja louvado através de nossa vida de humildade. Amém.