Caminhando Diariamente Com Deus - Samuel Rutherford
Expondo Erros, Mostrando Verdades Bíblicas
Caminhando Diariamente Com Deus - Samuel Rutherford
Os Caminhos Tortuosos dos Cristãos – Thomas Boston
https://rtf-usa.com/wp-content/uploads/2024/01/The-Crook-in-the-Lot_Portuguese-FINAL-PDF.pdf
“Transformaste a gloria da tua virilidade na vergonha por seres viril... E ainda pretende que eu acredite que me ensinas amor e verdade?” (Emir Caluff (Ex- Sacerdote Jesuíta) – Reflexões Incomodas Sobre o Celibato dos Padres- Editora Record)
A doutrina do celibato obrigatório para seus líderes eclesiásticos, conforme
instituída pela Igreja Romana, não encontra respaldo nas Escrituras, mas, ao
contrário, contradiz-se a elas. Na Primeira Epístola de Paulo a Timóteo,
capítulo 3, versículo 2, Paulo declara ser necessário que o bispo seja
irrepreensível, marido de uma só mulher, vigilante, sóbrio, sensato,
hospitaleiro e apto a ensinar.
No tocante aos ministros da Igreja do
Novo Testamento, Paulo, no mesmo capítulo, versículo 12, assevera que os diáconos
devem ser maridos de uma só mulher e administrar bem seus filhos e sua própria
casa. Essa é uma exigência estabelecida pelo Senhor, conforme o Espírito Santo
instruiu Paulo a respeito dos obreiros. Similarmente, em Tito 1:6-7, Paulo
aborda a qualificação dos presbíteros, líderes e ministros responsáveis pela
igreja, determinando que sejam casados. Essa é a norma, a ordem, e Paulo a
enfatiza como essencial para o bom funcionamento da igreja. Portanto, o padrão
bíblico para os obreiros, conforme as Escrituras e a ordem apostólica, é que
sejam casados.
É notável que, na Primeira Epístola de Paulo a Timóteo, no capítulo 4, a partir
dos versículos 1 a 3, o apóstolo tece severas advertências sobre a apostasia,
relacionando a proibição do casamento como doutrinas demoníacas. Nessa
passagem, lemos: "Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos
tempos, alguns apostatarão da fé, por darem ouvidos a espíritos enganadores e a
ensinos de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e que têm a consciência
cauterizada, que proíbem o casamento e exigem a abstinência de alimentos que
Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que crêem e conhecem
a verdade."
Percebe-se que Paulo associa a proibição do
casamento à apostasia e à influência de espíritos enganadores e doutrinas
demoníacas. Consequentemente, abordar essa questão não é algo trivial, mas sim
de grande importância. A doutrina bíblica e apostólica, no que concerne à vida
dos obreiros e ministros do Evangelho, sustenta que eles devem ser casados, e
não solteiros. Paulo aborda esse tema de forma clara, enfatizando que o
casamento é uma necessidade, e não meramente uma opção.
Recorro às palavras do Bispo Irineu Wilges, ordenado sacerdote católico em 1962
e consagrado bispo por João Paulo II no ano 2000. Em uma publicação da Editora
Vozes, dedicada à cultura religiosa, Dom Wilges declara o seguinte,
parafraseando sua afirmação: "Reconhecemos que Cristo não emitiu
proibições sobre o celibato.”(1) De fato, não apenas Cristo se absteve de
proibir, como também o apóstolo Paulo, ao descrever as qualidades desejáveis em
um obreiro segundo a vontade de Deus e os critérios apostólicos, não impôs o
celibato. Em passagens que citei anteriormente neste artigo, podemos observar
essa perspectiva.
Irineu Wilges declara, utilizando as seguintes palavras, que não apenas Pedro era casado; mesmo bispos na época de São Paulo eram casados. De fato, São Paulo, em uma epístola a seu amigo Timóteo, instrui que os bispos e diáconos devem ser "maridos de uma só mulher". Portanto, muitos deles eram casados e mantiveram esse estado. Wilges prossegue, afirmando que a primeira mudança significativa parece ter ocorrido com o Sínodo de Elvira, na Espanha. Este sínodo regional, realizado por volta do ano 390, proibiu o casamento para bispos, padres e diáconos. Assim, observa-se o cumprimento da profecia de Paulo, em 1 Timóteo, capítulo 4, versículo 1, quando o Sínodo de Elvira proibiu o que a Bíblia permite, isto é, que os bispos sejam casados. Um sinal claro e prova irrefutável de que tanto na igreja do Novo Testamento quando nos primeiros dois séculos da igreja cristã, a liderança estava debaixo da autoridade das Escrituras quanto a este assunto e o desvio dos padrões apostólicos se dá a quase 400 anos depois.
Considerando a postura do sínodo de Euvira e
as decisões do magistério reunido, presume-se que a crença na sucessão
apostólica, ainda vigente, fundamenta a prerrogativa de revogar preceitos
estabelecidos no Novo Testamento e instituir novas leis em desacordo com os
ensinamentos apostólicos. Essa inversão e desvio, consequência dessa doutrina,
evoca a metáfora de bíblica sobre o abismo que atrai outro abismo. Assim, a
heresia de que o magistério possui a mesma autoridade dos apóstolos possibilita
a formulação de doutrinas que divergem dos princípios escriturísticos e se
assemelham a tradições humanas. A medida em questão, longe de passar
despercebida, suscitou considerável controvérsia. Em seu cerne, ela
representava um afastamento das práticas observadas tanto na Igreja do Novo
Testamento quanto nos primeiros séculos, emergindo em um período posterior. Em
1084, o Papa Gregório VII ordenou que seus delegados implementassem a lei do
celibato em todas as regiões, proibindo clérigos que não a cumprissem de exercer
suas funções. Além disso, os fiéis foram instruídos a não participar das missas
celebradas por padres incontinentes, nem receber deles os sacramentos caso não
obedecessem ao magistério. Essa proibição resultou em forte oposição,
particularmente na Alemanha. Na cidade de Passau, a leitura do decreto papal
provocou a ira do clero contra o bispo, a ponto de alguns príncipes terem que
intervir para proteger sua vida.
O Concílio de Latrão I, realizado em
1123, estabeleceu no Cânon VII a proibição do matrimônio á hierarquia católica,
a voz do apostolo Paulo “É necessário que o bispo seja casado” já não vale
mais, o oposto agora precisa ser obedecido, já não há mais perseverança na
doutrina dos apóstolos (Atos 2:42) outros (supostos) apóstolos conduz á outro
evangelho (Gálatas 1:8). O Cânon XXI, por sua vez, determinou a separação de
padres casados de suas esposas, todos teriam que abandonar suas esposas foram
ordenados a realização de “penitências”. Dessa forma, mais uma vez, um concílio
eclesiástico contradiz as Escrituras, onde a palavra de Deus, conforme expressa
nos escritos de Paulo, deixa claro que os casados não devem se separar. “Estás
ligado a mulher? Não busques separater-te” (I Corintios 7:27) Contudo, o
Concílio de Latrão I tomou uma decisão oposta a essa orientação. O sistema
celibatário da igreja Católica Romana é absolutamente anti-apostolica. Em vão
tentam justificar, romantizando argumentos falaciosos, tais como o que o
“sacerdote se casa com a comunidade” etc.
Voltamos ao que lemos em I Coríntios, capítulo 7, versículo 27, o apóstolo
Paulo afirma: "Está ligado a uma mulher? Não procure separação”. (A
paráfrase é minha) Essa instrução, presente nas considerações de Paulo sobre o
casamento, foi completamente ignorado no contexto da abolição do matrimonio
para os bispos romanos. O magistério católico, em algumas interpretações, busca
fundamentar a defesa do celibato nos conselhos paulinos, destacando a natureza
pessoal de certas orientações e a orientação à Igreja de Corinto como um todo,
e não especificamente aos seus líderes, vimos isso em passagens como I
Corintios 7:7 a 9 e os versículos 35-38. Essas passagens são citadas por
Wilges, como uma forma de justificar que Paulo orientava o celibato, mas Paulo
não trata nesse trecho das qualificações para o ministério.
É importante notar que, ao abordar o
casamento, Paulo dirige-se à comunidade cristã em geral, e não especificamente
aos ministros, como bispos ou diáconos. As instruções sobre as qualificações
destes últimos encontram-se em outras passagens, como em suas epístolas a
Timóteo. Portanto, se o celibato fosse imposto a partir dessa passagem de I
Coríntios, seria aplicável a todos os membros da Igreja, e não apenas aos seus
ministros.
Uma exegese cuidadosa revela essa
distinção. No entanto, quando se interpreta um texto com o objetivo de impor
uma doutrina que ele não transmite explicitamente, a compreensão pode incorrer
em equívocos e em heresias. De forma indireta Wilges fez uma eisegese.
Observa-se que Paulo, assim como todo o Novo Testamento, apresenta clareza em suas declarações. Na Antiga Aliança, o casamento já se inseria na estrutura do sistema sacerdotal, sendo considerado, desde sua origem, a primeira instituição divina. Essa instituição, no entanto, é, em certos aspectos, reinterpretada no sistema hierárquico do catolicismo romano, o qual, em nossa análise, parece usurpar uma autoridade que não lhe pertence para justificar e contradizer as ordens do Espirito Santo que ordena através das epistolas Paulinas. A autoridade máxima reside nos ensinamentos de Paulo, Jesus Cristo e todos os apóstolos sobre o tema e não nos sínodos e concílios magisteriais do sistema eclesiástico romanista.
Faz-se necessário, portanto, atentar para a advertência de Paulo na Epístola aos Gálatas, capítulo 1, versículo 8, acerca da pregação de um evangelho distinto. A palavra "outro" denota aquilo que se opõe, que contradiz. Não se trata apenas de uma adição ou acréscimo ao que foi escrito, mas de uma contradição explícita. Contudo, empregam-se argumentos persuasivos e sofísticos para tentar distorcer e negar a clara palavra de Deus sobre o assunto.
Em longo prazo e na historia da igreja o celibato foi catastrófico, provocando sérios problemas envolvendo homossexualismo e pedofilia. Crimes cometidos aos montes, envolvendo sexo com crianças e menores, não somente nos EUA, mas em todo o mundo. (2)
O homossexualismo também tem sido um problema sério entre os lideres eclesiásticos romanistas. (3)
“...Outros vivem íntegros e retos
E outros, dentro ou fora da igreja
Venderiam suas irmãs por um pastel de creme
Nesse pequeno mundo não se encontram mulheres
Somente homens, que a despeito de jejuns,
Penitencias e preces pela noite adentro,
Apodrecem ao próprio sêmen...” (Morris West – O Herege – Pagina 108 – Editora Record)
Conclusão: Paulo falou acerca de Timóteo: “Tu porém tens seguido a minha doutrina” (II Timóteo 3:10) Mas com relação a alguns porem ele advertiu que chegará um tempo que não suportarão a sã doutrina (II Timóteo 4:3) Mas admoesta a Tito, um cristão bíblico: “Tu porém fala o que convém à sã doutrina” (Tito 2:1) O apostolo ainda fala acerca daqueles que transtornam o Evangelho (Gálatas 1:7) e então adverte que mesmo se um ano descer do céu pregar outro evangelho, seja anátema (Gálatas 1:8). Note a força da advertência: ainda que desça um anjo do céu para pregar coisas contrarias ao que são ensinadas no Novo Testamento deve ser rejeitado! Olhe o contexto, pois em Gálatas 3:19 Paulo fala que a lei foi ordenada por meio de anjos, e no entanto ele adverte acerca de alguns deles descerem para pregar outro evangelho, deve ser completamente rejeitado. Ora um anjo, cuja capacidade intelectual é maior, de transcendência espiritual superior, se a advertência é via de regra, contra adições em contradições ao que foi ensinado, o principio deve ser aplicado a qualquer agente ou instituição terrena que sobre pretexto de autoridade espiritual extra-biblica (magistério, tradição, etc) seja também rejeitada, pois a conseqüência é: anátema.
(1) Revista Cultura Religiosa – Temas Rligiosos Atuais –Volume II – Editora Vozes – Petropolis RJ. Pagina 128 e 129: celibato. Autor: Irineu Wilges.
(2) PITTSBURGH (KDKA) — O tão aguardado relatório do grande júri estadual sobre abuso sexual em seis dioceses da Pensilvânia, incluindo Pittsburgh e Greensburg, finalmente foi divulgado.
O documento de 884 páginas, elaborado ao longo de dois anos, lança luz sobre os cantos obscuros dessas dioceses ao longo de sete décadas, expondo os predadores e os esforços de seus bispos para protegê-los.
"Hoje, foi divulgado o relatório mais abrangente sobre abuso sexual infantil dentro da igreja já produzido em nosso país", disse o procurador-geral Josh Shapiro. "Os habitantes da Pensilvânia podem finalmente aprender a extensão do abuso sexual nessas dioceses. Pela primeira vez, todos nós podemos começar a entender o acobertamento sistemático por líderes da igreja que se seguiu. O abuso marcou todas as dioceses. O acobertamento foi sofisticado. A igreja protegeu a instituição a todo custo."
Praticas horríveis, imoralidade, devastação moral, veja o artigo completo em:
https://www.cbsnews.com/pittsburgh/news/pennsylvania-diocese-sex-abuse-grand-jury-report-released/
(3) O problema crônico do homossexualismo entre os sacerdotes, pode ser visto aqui: https://www.usnews.com/news/articles/2013/07/29/catholic-priests-its-empirical-fact-that-many-clergy-are-gay
Tambem sugiro a leitura do livro: “As Aventuras do Cardeal” do Pastor Anibal Pereira Reis. Um pequeno livro que narra os desvios morais de um cardeal católico romano.
Papa Francisco confirma que abusos contra freiras por padres incluíam "escravidão sexual" Veja em:
https://www.cbsnews.com/news/pope-francis-priests-nuns-sexual-slavery-abuse-saint-jean-order-france/
Sugiro também a leitura dos livros
“Memórias Sexuais da Opus Dei” de Antonio Carlos Brolezzi (Panda Books Editora) onde ele narra comportamentos bizarros dentro da Opus Dei
Spolight – Segredos Revelados. A Crise que Abalou a Igreja Catolica. Equipe de Jornalismo Investigativo do The Boston Globe (Editora Vestígio)
O Poder e a Glória – O Lado negro do Vaticano de João Paulo II - David Yallop – Editora Planeta.
As seguintes informações foram extraídas do website “abuselawsuit.com” :
“Sobreviventes relataram abuso sexual infantil por padres e outros membros do clero católico. Muitas organizações compilaram listas desses agressores. Devido a décadas de sigilo na Igreja Católica Romana e à relutância de algumas vítimas em denunciar, é impossível identificar todos os abusadores. No entanto, nossa equipe no Abuselawsuit.com construiu um extenso banco de dados nacional pesquisável de membros do clero e padres acusados de abuso.”
Para acessar o site:
C. J. Jacinto
C. J. Jacinto
A Primeira Epístola aos Coríntios, escrita por Paulo, é uma obra notável, especialmente em seu capítulo 15. Neste capítulo, encontramos uma das mais extensas exposições do Novo Testamento sobre a ressurreição, um tema de profunda importância teológica. Paulo aborda primeiramente a ressurreição de Cristo, seguida da promessa da ressurreição de todos os crentes. A clareza com que o apóstolo trata da ressurreição demonstra sua importância fundamental e essencial na pregação do Evangelho. De fato, a mensagem autêntica do Evangelho não pode ser completamente compreendida sem a inclusão e o reconhecimento desse tema crucial.
Irmãos,
torno a lembrar-vos o evangelho que vos preguei, o qual também recebestes, no
qual também perseverais e pelo qual também sois salvos, se retiverdes a palavra
que vos anunciei; caso contrário, em vão teríeis crido. Pois, por primeiro, vos
transmiti o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo
as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as
Escrituras; e apareceu a Cefas e, depois, aos doze. Depois, apareceu a mais de
quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria ainda vive, mas alguns já
dormiram.
É notável a beleza desta mensagem, que
Paulo pregou ao longo de sua vida. Após sua conversão no caminho para Damasco,
sua existência sofreu uma transformação completa. O encontro com Jesus foi
marcante, pois o Cristo ressuscitado e glorificado se revelou a Paulo,
alterando o curso de sua vida. Toda genuína conversão, todo verdadeiro encontro
com Jesus, inicia-se com um impacto em nossa vida. Posteriormente, ocorre uma
profunda transformação em nossa maneira de pensar e de viver.
A mensagem do Evangelho não se restringe
à crença na morte de Cristo por nossos pecados. Ela abrange também um
relacionamento, uma experiência pessoal e íntima. Cristo se revelou a Paulo no
caminho de Damasco, de forma autêntica e concreta, como uma pessoa real. O
cristianismo bíblico, portanto, consiste em algo mais do que apenas crer na
expiação dos pecados através da morte de Jesus Cristo; envolve também a crença
em sua ressurreição. A fé genuína é, assim, um relacionamento pessoal com esse
Cristo vivo e verdadeiro.
Consideremos atentamente as palavras de Paulo nos primeiros versículos do capítulo 15, pois ele aborda três aspectos cruciais que alicerçam uma genuína experiência de conversão. Inicialmente, ouvir o Evangelho; em seguida, receber o Evangelho; e, finalmente, perseverar no Evangelho. Essas três etapas são essenciais para a edificação de uma vida cristã autêntica. Não basta apenas ouvir o Evangelho; é imperativo acolher essa mensagem de esperança e, após recebê-la, permanecer firme em seus ensinamentos. Portanto, as três etapas mencionadas são indissociáveis na jornada da verdadeira conversão; caso contrário, a experiência se torna infrutífera. Caso não haja atenção a essa grandiosa salvação, a mera audição do Evangelho, sem a correspondente resposta ao chamado, de nada aproveitará ao pecador, que permanecerá em sua condição de perdição.
Recordo-me
de, há alguns anos, termos apresentado o Evangelho a uma família. Nossa intenção
era realizar cultos temporários e pregar o Evangelho. Essa família demonstrava
grande interesse em ouvir a mensagem evangélica. Contudo, nunca se decidiu por
aceitar Cristo como Senhor e Salvador. Os anos passaram, e o marido daquela
mulher adoeceu, debilitando-se gradualmente. Passou seus últimos dias em casa.
Certa vez, eu e outro irmão o visitamos, com o objetivo de, mais uma vez,
apresentar a mensagem do Evangelho, na esperança de que ele se arrependesse de
seus pecados e reconhecesse Cristo como seu único salvador. Ele, porém,
rejeitou completamente nossa visita. Assim, embora tenha ouvido o Evangelho
diversas vezes, não o recebeu, nem demonstrou qualquer sinal de permanência na
fé. Portanto, mesmo com a pregação, não houve um testemunho público de
conversão. A reflexão que fica é que não basta apenas ouvir o Evangelho; é
preciso recebê-lo.
Paulo não apenas aborda a questão de
ouvir e receber o Evangelho, mas também a de permanecer nele. Essa é a questão
central: ouvimos as boas novas, acolhemos o Evangelho, e então permanecemos
nessa realidade espiritual. Isso nos permite não apenas confiar no que Cristo
fez por nós na cruz, mas também nos relacionar com o fato de que Ele
ressuscitou e vive. Devemos, portanto, perseverar nas verdades desse Evangelho,
mantendo um relacionamento diário com o Senhor Jesus, vivendo em Sua presença e
obedecendo Sua Palavra. Essa atitude, embora não seja o meio de salvação, é
evidência de nossa salvação. Não afirmo que a salvação se dá pelas obras, ou
que depende da obediência ao Evangelho. Digo que, como Paulo ensinou, após
ouvir o Evangelho e conhecer a graça de Deus, nós o recebemos. Como resultado,
recebemos uma nova vida. Em João, capítulo 8, ao se dirigir à mulher adúltera,
Jesus a instruiu: "Vá e não peques mais". Em 2 Coríntios, capítulo 5,
versículo 17, Paulo declara: "Se alguém está em Cristo, nova criatura
é". Há, portanto, uma consequência da transformação espiritual, da
regeneração, do novo nascimento que ocorre quando cremos verdadeiramente no
Evangelho. Recebemos Cristo, a vida de Cristo, o perdão de Cristo e a remissão
dos nossos pecados por meio de Cristo, e assim permanecemos desfrutando dessa
realidade abençoada.
Ao examinarmos as palavras de Paulo no
versículo 2, percebemos a essência do que venho reiterando. A fim de
compreendermos meu apelo àqueles que ouvem o Evangelho, que nele permanecem e
que o retêm, observemos: no versículo 2, ele declara que alguém pode ouvir o
Evangelho e, ainda assim, ter uma fé inútil.
O que significa crer em vão? Significa
ouvir sem receber e, principalmente, sem reter o Evangelho. Em outras palavras,
essa fé é superficial, meramente um assentimento mental, uma aceitação intelectual
da mensagem. Essa é a fé vã, pois o Evangelho nos conduz a um patamar superior.
Jesus, em seus ensinamentos, afirmou: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me." Seguir a Jesus, portanto, implica em ações concretas de nossa parte. Isso somente é possível quando o Espírito Santo age em nossos corações por meio da mensagem que ouvimos, transformando-nos em novas criaturas em Cristo Jesus.
A essência
do Evangelho reside em Cristo, a vida que advém através da morte. Jesus
declarou que, conforme as Escrituras, quem nele crê, "rios de água viva
correrão do seu interior". Essa promessa se manifesta através da morte. A
mensagem central do Evangelho é que Cristo morreu por nossos pecados, a fim de
nos conceder a vida. Assim, o Evangelho apresenta tanto a morte, a morte de
Jesus Cristo, quanto a vida, a ressurreição de Cristo. Nossa identificação com
Cristo não se limita à sua morte; ela se estende à sua ressurreição. Este é o
Evangelho completo.
Na passagem, Paulo declara: "Porque
primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos
pecados, segundo as Escrituras". O Evangelho, portanto, traz consigo
expectativas claras. Primeiramente, que Jesus Cristo morreu por nossos pecados
e nos identificamos com Ele na cruz. Posteriormente, que Jesus Cristo
ressuscitou, um elemento fundamental do capítulo 15 de 1ª Coríntios. Nossa
identificação é, portanto, com Cristo ressurreto, do qual morremos para uma
vida de pecado e somos ressuscitados para uma vida de identificação com Cristo.
Essa é a essência de ser cristão.
A noção da ressurreição e nossa
identificação com a ressurreição de Cristo, conforme descrita no Novo
Testamento, encontra-se exemplificada em Colossenses 3:1, onde o apóstolo Paulo
afirma: "Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que
são de cima, onde Cristo está sentado à destra de Deus".
Portanto, ouvir, receber e perseverar no
Evangelho nos introduz nessas experiências, como se observa em Efésios,
capítulo 1, versículo 3, onde Paulo novamente se refere àqueles transformados
pelo Evangelho através da regeneração: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso
Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas
regiões celestiais em Cristo, como também nos elegeu nele antes da fundação do
mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele em amor". Isso
implica uma transformação profunda na vida daquele que ouviu, recebeu e reteve
o Evangelho. Dessa forma, a pessoa entra na experiência de uma vida espiritual
abundante, pois foi agraciada com todas as bênçãos espirituais em Cristo Jesus
nas regiões celestiais. Ela também desfruta da vida da ressurreição, não apenas
como testemunha, mas também como participante dessa realidade. Essa é a
experiência de quem não crê em vão, mas permanece no Evangelho após ouvi-lo e
recebê-lo.
Em suma, coloco a seguinte questão fundamental: Não basta apenas ter ouvido o Evangelho. Embora muitos frequentem a igreja e ouçam o Evangelho regularmente, isso não é suficiente. É preciso receber o Evangelho, acolher Aquele que nele é revelado, Cristo Jesus, nosso Senhor e Salvador, que morreu pelos nossos pecados. É necessário crer e testemunhar que Ele verdadeiramente ressuscitou dos mortos.
Ter um relacionamento vivo com o Senhor. Receber Cristo, receber o Evangelho, significa entrar nessa realidade espiritual, ter comunhão com Ele, viver para Ele, viver Nele, identificar-se com Cristo, com a Sua morte e com a Sua ressurreição. Significa ser uma testemunha viva. Como Jesus disse em Atos, capítulo 1, versículo 8, antes de ascender aos céus e antes da vinda do Espírito Santo, nós receberíamos poder espiritual após a regeneração, a fim de sermos testemunhas de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, não somente em Jerusalém, mas em todo o mundo, em todos os tempos, através dos séculos, desde o século I até os nossos dias. Todos os verdadeiros cristãos são testemunhas do Senhor.
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