JUÍZOS E JULGAMENTOS UNIVERSAIS
C. J. Jacinto
No Evangelho de João, capítulo 12, versículo 31, encontra-se uma declaração notável de Jesus Cristo: "Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo". Ao considerar essa passagem, somos remetidos ao livro de Gênesis, capítulo 3, versículo 23, onde, após a queda, Adão e Eva foram removidos de sua posição de autoridade e expulsos do jardim do Éden. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, essa remoção de autoridade é um tema recorrente, indicando um julgamento. A narrativa de Adão e Eva pode ser interpretada como um juízo que se estende a toda a humanidade, dado que Adão é considerado o ancestral de toda a humanidade. Consequentemente, a expulsão de Adão e Eva do paraíso implicou também a expulsão de sua descendência. As Escrituras Sagradas relatam que querubins foram postos para guardar a entrada do jardim, impedindo o retorno, até que, presumivelmente, o paraíso fosse removido e transportado para o terceiro céu. Essa ideia pode ser corroborada pelas epístolas de Paulo, especificamente em 2 Coríntios, capítulo 12, onde Paulo relata ter sido arrebatado até o terceiro céu, isto é, ao paraíso. Posteriormente, observaremos a existência de outro juízo universal registrado no Antigo Testamento. No livro de Gênesis, capítulo 6, é descrito o propósito divino de extinguir a civilização da época, motivado pela crescente rebelião e maldade da humanidade. Consequentemente, o dilúvio ocorreu, resultando na morte de todos, com exceção da família de Noé, que sobreviveu à catástrofe e adentrou em um novo mundo.
A Cruz
No Novo Testamento, encontram-se menções de, pelo menos, quatro julgamentos universais. O primeiro deles, ocorrido há aproximadamente dois mil anos, foi o juízo da cruz. Textos como 1 Pedro, capítulo 2, versículo 24, ilustram este evento: "levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas chagas, fostes sarados." Na cruz do Calvário, no momento da morte de Jesus, Ele tomou sobre Si os nossos pecados, de modo que a ira divina, destinada a nós, recaiu sobre um substituto penal. Cristo sofreu a punição que nos cabia. A totalidade da ira de Deus, que nos era devida, foi direcionada a Cristo, de forma que todos aqueles que creem em Jesus e em sua obra redentora são aceitos por Deus através desta substituição. Embora o juízo da cruz tenha sido universal em seu alcance, e sua provisão destinada a toda a humanidade, a salvação é concedida exclusivamente àqueles que creem em Cristo. A morte de Cristo possui alcance universal, impactando toda a humanidade. Para aqueles que creem, ela representa a salvação; para os que não creem, ela se traduz em condenação. A obra redentora de Cristo na cruz do Calvário, consumada por meio de seu sacrifício, onde a ira e o juízo divinos recaíram sobre Ele, é clara nas Escrituras. Jesus, conforme registrado em João 3:36, afirmou: "Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus". Assim, para aqueles que rejeitam a fé em Cristo, sua morte não trará benefício salvifico algum, mas sim, no dia do juízo, serão responsabilizados por ela (João 12:48). A ordem de Cristo é “Ide pregai o Evangelho a toda a criatura” (Mateus 16:15) Portanto, compreendemos que a morte de Cristo possui um alcance amplo, proporcionando benefícios a todos os homens. Contudo, é fundamental ressaltar que os efeitos redentores da morte de Cristo se concretizam na vida daqueles que se arrependem de seus pecados e creem no Evangelho. Estes reconhecem Cristo como Senhor e Salvador, sentindo a culpa de suas transgressões e compreendendo que Cristo suportou a condenação que lhes cabia. Através desse arrependimento, ocorre uma transformação espiritual, uma conversão ao Senhor. Essa mudança é tão profunda que aqueles que verdadeiramente experimentam a redenção e se convertem de seus pecados passam a viver uma vida de gratidão e amor a Cristo. Essa transformação espiritual é genuína para aqueles que verdadeiramente compreendem o significado da cruz.
As Nações
As Escrituras, notadamente os ensinamentos de Jesus Cristo, abordam a questão de um juízo futuro, digno de nossa atenção. Em Mateus, capítulo 25, versículo 31, e Mateus, capítulo 11, versículo 21, é mencionado um juízo sobre as nações. Considerando a abrangência deste juízo, que se estende a todas as nações, pode-se entendê-lo como um juízo universal específico, no qual todas as nações serão julgadas perante o Senhor.
Não dispomos de detalhes precisos sobre a natureza desse juízo, nem sobre os critérios que o regerão. Entretanto, a distinção entre nações que se abriram para o Evangelho e aquelas que perseguiram a Igreja pode ser relevante. A perseguição histórica da Igreja por impérios e nações, bem como a aceitação ou rejeição do Evangelho, podem ser fatores considerados nesse julgamento. Ademais, no livro de Apocalipse, encontramos a menção de nações que caminharão sob a luz da Nova Jerusalém.(Veja Apocalipse 21:24,26 e 22:2) Assim, algumas nações, embora passando pelo juízo, permanecerão nos novos céus e na nova terra.
O Tribunal de Cristo
Em Romanos capitulo 14 e versículo 10 e II Coríntios capitulo 5 e versículo 10 temos a abordagem paulina acerca do tribunal de Cristo, nesse tribunal comparecerá os salvos, para prestar contas acerca de suas obras, é o acerto de contas da mordomia e dos dons, não é um tribunal para julgar, mas para premiar. Ali os redimidos receberão coroas e galardões, se forem dignos disso, esse acerto de contas deveria ser um assunto que nos traga responsabilidade e esperança. Considero um tipo de julgamento universal exclusivo para cristãos de todas as eras, mas reitero que não será para a punição de salvos, pois nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (Romanos 6:1)
O Grande Trono Branco
Outro grande julgamento do qual as escrituras mencionam e talvez aquele de maior relevância dentro da teologia do Novo Testamento é o juízo final. Lemos isso no livro de Apocalipse capítulo 20, versículo 11 ao versículo 15. Esse juízo final também será um juízo universal do qual comparecerão diante do trono branco todos os homens de todas as eras, desde o primeiro até o último homem, todos eles, todos aqueles que não têm o seu nome escrito no livro da vida, todos aqueles que não foram salvos pela, não foram salvos pela graça, todos aqueles que não responderam ao evangelho, mas seguiram na sua incredulidade, esses comparecerão perante o juízo final para serem condenados. De modo que ricos e pobres, grandes e pequenos, magistrados e ignorantes, todos eles estarão ali, frente a frente, com o rei dos reis e senhor dos senhores, do qual ele condenará todos aqueles que não estiverem escritos no livro da vida, e esses padecerão eternamente no lago de fogo, juntamente com todos os anjos e anjos caídos, juntamente com satanás e juntamente com todos os espíritos que se rebelaram contra o verdadeiro Deus e não e desprezaram completamente o sacrifício que Jesus Cristo apresentou e ofereceu ali na cruz do Calvário. Cada homem, portanto, que não estiver com o nome escrito no livro da vida, ele estará ali perante os juízos. Final, diante do trono do Deus Todo-Poderoso, juiz de todos, do qual irá julgar todos aqueles que rejeitaram o evangelho da graça, todos os que rejeitaram a Cristo, todos aqueles que simplesmente viveram a vida de acordo com as suas próprias concupiscências e ignoraram, rejeitaram e até atacaram o evangelho da graça e da glória de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Esse será um dia terrível, esse será um dia de assombro, esse será um dia em que toda a língua confessará e todo o joelho irá se dobrar perante Cristo confessando com o Senhor. Todavia, essa é uma confissão, não para serem salvos, essa é uma confissão irreversível do qual cada homem terá que prestar contas perante o Senhor. E também reconhecê-lo que ele é o Senhor digno de receber todo o respeito e todo o temor. O escatológico Juízo Final, descrito nas Escrituras, notadamente em Apocalipse 20:11-15, constitui o ponto culminante da teologia do Novo Testamento. Este juízo universal abarcará todos os indivíduos de todas as épocas, desde o primeiro até o último, que comparecerão diante do trono branco. Aqueles cujos nomes não estiverem inscritos no livro da vida, isto é, aqueles que não foram alcançados pela graça divina e que rejeitaram o Evangelho, serão julgados e condenados. Diante do Juízo Final, estarão presentes, sem distinção, ricos e pobres, sábios e ignorantes, autoridades e cidadãos comuns, confrontando o Rei dos reis e Senhor dos senhores. A sentença recairá sobre todos aqueles que não tiverem seus nomes no livro da vida, e estes sofrerão a condenação eterna no lago de fogo, juntamente com os anjos caídos, Satanás e os espíritos que se rebelaram contra Deus, desprezando o sacrifício redentor de Jesus Cristo no Calvário. Portanto, todo indivíduo cujo nome não estiver escrito no livro da vida comparecerá perante o trono do Deus Todo-Poderoso, o Juiz de todos. Ali serão julgados aqueles que rejeitaram o Evangelho da graça, que negaram a Cristo e que viveram em desobediência, ignorando, rejeitando ou até mesmo opondo-se ao Evangelho da graça e da glória de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Este dia será de grande temor, um dia em que toda língua confessará e todo joelho se dobrará perante Cristo, reconhecendo-O como Senhor. Contudo, esta confissão será irrevogável e não garantirá a salvação, mas sim um reconhecimento da soberania de Cristo, no qual cada indivíduo prestará contas diante do Senhor.

