A SERPENTE E O ENGANO QUE ILUDE O MUNDO

0 comentários

 A SERPENTE E O ENGANO QUE ILUDE O MUNDO


 C. J. Jacinto

 

Lições preciosas podem ser aprendidas fazendo uma análise detalhada e minuciosa da queda registrada em Gênesis capítulo 3, versículos 1 ao 5.  Existem vários insights pelos quais podemos perceber e, de certo modo, aplicar em nossa vida, pois temos dentro desse texto toda a dinâmica pelo qual o diabo trabalha e, sem dúvida nenhuma, as suas estratégias nunca mudaram. Muito pelo contrário, se aperfeiçoaram durante todos esses anos.  Podemos perceber em passagens como Efésios capítulo 6, versículos 10 ao 18, onde Paulo faz uma abordagem acerca da batalha espiritual, que há uma evidência de um desenvolvimento progressivo das táticas do inimigo. De certo modo, todo o princípio parte do modus operandi como ele agiu durante a queda. Portanto, temos coisas preciosas para aprender e, de certo modo, também desenvolver o nosso discernimento espiritual.  A primeira e grande lição que aprendemos sobre as atividades e uma anatomia sobre a primeira tentação e a consequente queda, e toda a atividade diabólica que envolve todo o drama até então escrito e apresentado por Moisés no livro de Gênesis, temos, então, como a lição primeira: a estratégia do inimigo, agir nas sombras e usar intermediários. 

Ele trabalha quase sempre escondido ou por trás de mascaras, usa agentes externos ou usa um disfarce (anjo de luz)

Essa é a tática do disfarce. Em Gênesis 3, o nome Satanás não aparece explicitamente; ele não se apresenta como a figura de um dragão (Apocalipse 12:9)  o que surge é a serpente. O diabo opera por trás das cortinas, usando marionetes para realizar seus planos e depois descartando-as tragicamente. Então, podemos perceber dentro dessa tática que, na maioria das vezes, e principalmente em nossos dias, o diabo ainda continua agindo de forma oculta, usando agentes e intermediários para alcançar os seus objetivos.  Quando lemos, por exemplo, passagens como 1 Timóteo 4:1, onde Paulo fala acerca dos últimos dias, aonde surgirão, de modo muito enfático, ele nos diz que nos últimos tempos sobrevirão tempos muito difíceis, e então podemos perceber que a tática do inimigo continua sendo astuta, periférica e disfarçada, ele usa falsos profetas e falsos mestres, usa as cordas vocais e a mente de homens para disseminar doutrinas antibiblicas e anti cristãs. No Jardim, o diabo revelou duas coisas, ele adulterou as palavras do Senhor, para construir idéias anti-Deus, Anti-Biblia e Anti-ortodoxia. “certamente não morrereis” e “sereis semelhantes a Deus”

"Porém o Espírito diz expressamente que nos últimos tempos decairão alguns da fé, dando-se a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios.”

​Devemos reiterar algo importante: quando o homem caiu, o seu espírito pode apresentar grandes atividades, assim como a alma e o corpo. Para que os não regenerados possam ter um espírito tão poderoso que, apesar de sua escuridão, ainda domina todo o ser, dizem então que são espirituais, porque neles o espírito prevalece e governa. Em outros, são os elementos psíquicos e sensuais que assumem o controle. O espírito aliado ao intelecto e vontade procurará entrar em relação com o além. Sem a ajuda do Espírito Santo, eles tornar-se-ão médiuns e poderão praticar as artes ocultas e envolver-se com o ocultismo e espiritualismo. Eles receberão dons de segunda visão, como clarividência, e outras experiências paranormais que o príncipe das trevas pode conceder. Pois, enquanto o espírito humano não for regenerado e habitado pelo Espírito Santo, há uma correspondência, um paralelo, entre ele e os espíritos satânicos, sendo dominado e influenciado pelo príncipe das potestades do ar — o espírito que opera nos filhos da desobediência, como lemos claramente em Efésios 2:1-3.

Então vemos, de forma muito clara, que os demônios, eles agirão através de agentes e através de intermediários, usando as cordas vocais e a mente das pessoas para transmitir suas doutrinas heréticas e demoníacas.  O mal não é uma psicopatologia que se manifesta em ações com conseqüências devastadoras no mundo, trata-se, muitas vezes, de uma orquestração e controle oculto, o mundo espiritual caído infestado de seres demoníacos controlando e influenciando homens sob a maldição do pecado (Mateus 8:28 a 34)

 A Realidade do Mundo Espiritual e a Ocultação das Forças das Trevas


Podemos citar passagens clássicas, como Apocalipse 12:9 e 1 João 5:19. A primeira afirma que o diabo engana todo o mundo, e a segunda diz que o mundo jaz no maligno. 
​No entanto, note que, de certo modo, ninguém consegue vê-lo, mas podemos perceber as consequencias. Podemos ver as suas ações e os resultados, mas ele trabalha de modo completamente oculto. Essa ocultação das atividades e do próprio ser — sejam seres demoníacos ou o próprio diabo — dá-se porque eles vivem em outro nível de existência, de modo que os incrédulos, os materialistas e os reducionistas e a própria ciência negam a realidade desse mundo espiritual.  Isso lhes dá grandes vantagens, pois podem atuar livremente.  Apesar disso, é incontestável que, olhando para o mundo, para as coisas à nossa volta, para todas as tragédias, coisas assombradas, paranormais e mistérios envolvendo o ocultismo, notamos claramente — inclusive pelo comportamento do homem — que essa atividade demoníaca é um fato. Contudo, eles agem por intermédio de intermediários: escondem-se por trás de uma cortina, usam a mente humana e conseguem causar uma devastação enorme, provocando muita destruição moral, espiritual e até física sobre o mundo.

 
​Isso pode ser notado de forma muito clara como a ação, a influência e o domínio de demônios e do próprio Satanás. Essa atuação pode ser observada nitidamente em passagens que falam sobre um dos endemoninhados  gadaneno — por exemplo, em Mateus 8, onde é descrito que uma legião de demônios controlava um único homem.  Por aí podemos perceber que os espíritos demoníacos não estão limitados a este mundo físico. Sabemos que aproximadamente uma legião completa conseguia ficar infiltrada em um único corpo. O modo como eles agem é completamente diferente em analogia à geografia e ao espaço: uma pessoa só pode ocupar um espaço só, mas notamos que mil ou seis mil espíritos podem ocupar um espaço só. Desse modo, o mundo espiritual é absolutamente diferente do mundo físico. 



Outra grande lição pela qual precisamos aprender.


Veja: a palavra, uma das palavras centrais em toda essa orquestração de engano “astucia"  e a ordem  de simulação em que o diabo faz uso para ludibriar Eva, note que ele vai fazer uma escolha. A primeira escolha é o instrumento pelo qual ele vai alcançar o seu desígnio. Ele vai escolher — Sua escolha é a alimária do campo, ele vai escolher um instrumento astuto. 
​Portanto, aqui  vemos que, após escolher o seu instrumento para disseminar o seu engano, ele também vai usar o alvo, o alvo mais fraco, mais frágil. Dentro desse contexto, podemos notar que a ordem para não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal foi dada a Adão. E podemos entender, pela própria narrativa do texto, que Adão então passou a ordem para Eva. 
​De modo que nós vimos que Satanás não escolheu Adão, escolheu Eva. Ou seja, escolheu aquela parte em que recebeu a ordem já de segunda mão. Ela precisava crer que Adão recebeu as Palavras de Deus, Adão foi o comunicador divino, a serpente o comunicador satânico. Eva acreditou na Serpente e não acreditou em Adão, quando você não crê nas Escrituras como a Palavra de Deus, você crê no diabo que afirma que ela não é a Palavra de Deus. Isso tem sido um principio espiritual desde o Genesis 3, as informações lá são atuais, e cada incrédulo que se opõe as Escrituras como divinamente inspiradas provam que Genesis é um livro inspirado que desmascara a própria incredulidade dos que negam ela como divinamente inspirada.

Então, vimos que toda a orquestração e toda a dinâmica do engano se processa em escolhas criteriosas. Primeiro, ele vai escolher a alimária do campo como sendo um dos animais mais astutos e, posteriormente, ele também vai se aproveitar de um momento em que Eva está só, pois na descrição podemos entender perfeitamente que Adão estava ausente no momento da tentação. Vimos aqui uma astucia calculada, para atacar no momento certo e na ocasião que seja a melhor possível para obter o melhor resultado possível!  Medite, olhe e veja toda a astúcia de Satanás para processar todo um ambiente e oportunidade necessária para lançar os seus ataques. E isso não é diferente hoje. Ele ainda continua usando das mesmas táticas e o tem feito com grande eficácia em muitos setores do mundo, da sociedade e das religiões. Note que no Novo Testamento, Paulo descreve essa eficácia de Satanás (Veja II Tessalonicenses 2:9), de modo que essa característica distinta de escolhas criteriosas e momentos oportunos para ataque ainda continua sendo uma atividade de Satanás e dos demônios. Assim, notavelmente podemos entender que houve uma tática do disfarce, a seleção do instrumento e a maneira como atuou, de modo oculto, através de um processo de ocultação. “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão bramando  buscando a quem possa tragar” (I Pedro 5:8).  Satanás, ele simplesmente manipulou toda a circunstância para simplesmente impor em Eva a idéia de que não era um ser maligno e que todas as suas palavras não eram malignas. Toda a tentativa do diabo era apresentar uma coisa que fosse, de certo modo, agradável e que não trouxesse nenhum tipo de ameaça, de maneira que ela não percebeu realmente que havia qualquer tipo de ameaça ali, naquele modo como o diabo estava induzindo ela a desobedecer a Deus. Eis aqui a grande questão do modus operandi de Satanás: ele faz com que a pessoa pratique aquilo que vai contra a vontade de Deus, ele faz com que a pessoa seja iludida a ponto de desobedecer a Deus e achar que aquilo ali não é algo que terá qualquer consequência séria. De modo que foi através desse processo que o diabo induziu Eva a cometer o pecado da desobediência. Prossigamos na nossa análise para que nós possamos ainda aprender muito mais acerca destas táticas em que o diabo processou toda a situação para que pudesse trazer um ataque do qual induzisse  Eva  a desobedecer e assim pudesse de maneira eficaz alcançar seus objetivos mais malignos. 

 Ele, claro, está a usar o ponto fraco e a linguagem. Primeiramente, vemos que o diabo teve um ataque direcionado. O tentador não ataca de forma genérica; ele identifica e explora a fraqueza específica de cada pessoa.  Mas, o mais interessante, ele faz o uso e explora a linguagem. A serpente utilizou a fala para seduzir Eva. As palavras não são neutras; elas constroem  idéias e desejos na mente,na cultura e injeta conseqüências no futuro. Idéias têm conseqüências e, mais do que isso, idéias erradas e heresias têm conseqüências devastadoras. Genesis 3 mostra com muita eficiência esse fato, e a historia da civilização está cheio de exemplos como as idéias ruins e malignas podem trazer conseqüências devastadoras sobre uma pessoa e sobre toda a sociedade.  Portanto, Satanás usou a comunicação. Durante todo o período do Antigo e do Novo Testamento, há uma série de advertências a respeito dos falsos profetas, e o diabo, ao longo de toda a história humana, tem usado a linguagem e a comunicação para negar, para destruir, para induzir pessoas ao erro, para inculcar na mente das pessoas a distorção da realidade, da verdade e dos fatos relacionados a ela. Além disso, podemos ainda entender que Satanás, ali, naquela circunstância, mudou o vocabulário, ele inverteu o sentido das palavras. A palavra "não" foi colocada não apenas para negar a autoridade da palavra de Deus, para negar a conseqüência de não acreditar na palavra de Deus.  O diabo vem fazendo essas coisas desde o princípio, então ele trabalha com a comunicação, trabalha na distorção do vocabulário. Não é de admirar que ele seja completamente oposto, oposto a verdades absolutas. 

E hoje, como nós estamos a ver, essa mudança de vocabulário e quando há inversão de verdades e o relativismo, para abolir de forma insidiosa e descarada verdades e fatos, e infelizmente de forma muito eficaz, tenta destruir os absolutos e os valores judaico-cristãos. Por trás dessas tendências de mudança de vocabulário, está o próprio diabo associado numa cumplicidade com homens ímpios para atacar o que Deus disse e negar as conseqüências disse. Não negam os modernistas e os ímpios que não há segunda morte? (ímpios impenitentes jogados no lago de fogo) O mesmo diabo que ontem negou a primeira morte e seduziu Eva a crer nessa mentira, hoje convence os ímpios de que não haverá inferno, assim como o diabo convenceu Eva a desobediência pois isso não traria conseqüências trágicas, hoje ele ainda convence o pobre ímpio que sofre de cegueira espiritual “Certamente não irás para o inferno” ou “O inferno não existe”. A biblia continua como um livro muito atual, e a negação da segunda morte pelos ímpios é uma prova irrefutável de que o diabo que negou a primeira morte ainda atua sob o mesmo discurso hipnotizante e enganador de que não haverá a segunda morte. O amado leitor já se arrependeu de seus pecados e creu em Cristo como Salvador? Outro fato importantíssimo do qual deve ser levado em conta é o alvo central do tentador foi a palavra de Deus.


​A pergunta de Satanás foi uma pergunta muito subtil: "Foi assim que Deus disse?". O diabo raramente começa mandando o homem negar a Deus abertamente. Ele semeou a dúvida, a dúvida quanto à autoridade da palavra de Deus. Assim, notamos como a sua astúcia, a sua artimanha e a sua tática, simplesmente, foi um ataque primeiramente contra a palavra de Deus e contra a autoridade da palavra de Deus. Esse tem sido o seu objetivo, de modo que até hoje ainda é assim. Repito, não é a bíblia um livro atual? ímpios, apostatas e modernistas não estão repetindo o discurso do diabo no Eden? Todos estão no mesmo nível espiritual, negam ser verdade o que Deus disse, o primeiro “hagiógrafo” foi Adão, quando as primeiras palavras da composição estavam sendo organizadas para formar um Canon sagrado, satanás já estava se organizando para negar e induzir Eva a negar as primeiras palavras de ordem dada aos primeiros seres humanos. Hoje o tentador repete a astucia, ele tenta destruir a autoridade da palavra de Deus, fazendo com que os incrédulos não acreditem e não aceitem que a palavra de Deus seja realmente uma autoridade para definir aquilo que é certo e aquilo que é errado. 

O grande objetivo de Satanás é tentar impedir que as pessoas ouçam, compreendam e obedeçam corretamente à palavra de Deus. Toda a sua luta será em distanciar as pessoas da verdade, ou então, tentar com que as pessoas que se aproximem da verdade distorçam a palavra de Deus para não compreenderem, de fato, como a Bíblia ensina aquilo que é certo. 
​Toda a sua luta é uma luta contra a sã doutrina. Ele vai lutar sempre contra a ortodoxia. Estará sempre do lado daquele que não defende uma teologia sólida. Ele estará sempre lutando contra a palavra de Deus. Usará pregadores que irão distorcer o livro sagrado e estará sempre ajudando e apoiando aqueles líderes que não estão comprometidos com a palavra de Deus. 
​Estará sempre atacando; quando não ataca indiretamente, ataca abertamente, de modo que tudo o que ele quer é fazer com que as sagradas letras sejam menosprezadas. Portanto, um dos seus principais ataques simplesmente foi contra a autoridade da palavra de Deus. O primeiro ser a negar a verdade das Escrituras foi o próprio diabo, e assim procedem todos os seus filhos.

 

A Adição como meio de produzir confusão


A adição e a dúvida, como lemos no versículo 2 e 3 de Gênesis 3, fizeram com que Eva cometesse dois erros fatais ao responder e dar ouvidos à serpente: 

Adicionou à ordem de Deus, falando "nem nele toqueis", Deus apenas ordenou para não comer.  Enfraqueceu a conseqüência, pois ela disse "para que não morrais", uma possibilidade, quando Deus declarou "certamente morrerás", no que podemos entender como uma certeza, 
​a inversão de sentidos das palavras e as manobras para minimizar significados é evidente, a inversão do inimigo: ao perceber a hesitação de Eva, Satanás atacou com uma mentira frontal: "Certamente não morrerás". Assim, Satanás, como disse o próprio Jesus em João 8:44, é o pai da mentira, porque peca desde o princípio. Quando ele simplesmente disse "certamente não morrerás", ele negou aquilo que Deus tinha dito no capítulo 2:17  do livro de Gênesis. Pior, uma mentira dupla, não haverá morte e haverá transcendência, de criatura subordinada Eva se tornaria numa divindade. A ilusão de uma falsa visão, então, foi produzida por essa indução de Satanás ao erro: "Vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal". Assim, Eva foi induzida a uma falsa transcendência, a uma ilusão, a uma autossuficiência. Satanás colocou dentro do coração de Eva um desejo de orgulho, para assim transcender, para se tornar igual a Deus. Quando fala sobre ser igual a Deus, acima de tudo, imortal, alcançará a imortalidade. 
​Todavia, isso é o... trata-se o abismo da negação. Ao invés de Eva acreditar nas palavras de Deus, ela acreditou nas palavras do diabo. Uma grande tragédia.

O Paralelo Bíblico: Gênesis  3 e 1 João 2:15 e 16


​Existe um paralelo direto entre a tentação de Eva e as categorias de tentação citadas no Novo Testamento, demonstrando a harmonia da Bíblia sobre este assunto: Comparação principal: A análise cruza Génesis 3:1-6 com a 1ª Epístola Universal de João (2:15-16).  Harmonia escriturística: Prova-se que a Escritura é coerente e unificada quando aborda os mecanismos do pecado e da tentação. 


​1. Agradável ao Paladar (O Desejo da Carne)

Na tentação original, Satanás induziu Eva a ver o fruto proibido como algo agradável ao paladar. 
​Isto reflete o desejo da carne: a busca pela satisfação de desejos egoístas, passageiros e materiais. 


​2. Agradável aos Olhos (O Acesso Interior)


​Verificamos seguidamente que o fruto era agradável aos olhos. 
​Os olhos da mente funcionam como a porta de acesso pela qual a tentação exterior é introduzida para o interior do homem.  Trata-se da estética e da vaidade, onde aquilo que era proibido se torna altamente desejável após a desconstrução da ordem divina. 


​3. A Soberba da vida (Construindo um campo de vaidades)

A sugestão diabolica é a semente do orgulho, da auto-suficencia e do egoísmo, se uma criatura pode se tornar divina, não deve mais obediência, mas outras criaturas deverão obedece-la, é uma mudança de patamar, se colocar no lugar de Deus é posicionar-se contra, é a primeira tentativa diabólica de fazer emergir das criaturas um “anti” assim como no desfecho final será apresentado seu protótipo final de um antiDeus, o anticristo, o projeto satânico começou no jardim e culminará nos últimos tempos.

 

A Queda e a Distorção da Verdade


​O adversário conseguiu demolir a ordem dada pelo Senhor, levando Eva a acreditar numa mentira.  A falácia consistiu em fazê-la crer que a desobediência e o consumo do fruto proibido trariam benefícios em vez de malefícios em relação ao conhecimento do bem e do mal.

​O Paralelo Bíblico e a Ilusão do Ocultismo


​A Estratégia de Satanás no Éden:  Analisando Gênesis 3:1-6 e 1 João 2:15-16, compreendemos que Satanás se utilizou da soberba da vida.  A árvore do conhecimento foi desejada para dar entendimento, incutindo em Eva uma ambição espiritual, intelectual e a autossuficiência. 
​A serpente induziu Eva a pensar que comer do fruto proibido lhe traria autossuficiência e o desejo de “serdes como Deus. 

O Desejo Humano pelo Sobrenatural:  Essa busca não é isolada; quando olhamos para a história do ocultismo e do espiritismo, notamos que muitas pessoas se envolvem com esse tipo de atividade movidas pelo desejo de conhecimento e de adquirir poderes sobrenaturais. 
​Trata-se do anseio de ultrapassar os limites impostos por Deus em busca de transcendência e experiências místicas profundas de transformação, satisfazendo o desejo de ser como Deus. 
​Esse desejo de conhecer o sobrenatural é inerente ao coração humano, e Satanás explora essa inclinação para enganar e induzir ao erro.

 O Engano do encoberta mento (O Anjo de Luz): 

Conforme aponta o apóstolo Paulo, Satanás transfigura-se em anjo de luz, conseguindo enganar até mesmo aqueles que buscam contato com entidades angélicas. 
​Sem discernimento e sem o teste dos espíritos, muitas pessoas acabam sendo iludidas, achando que estão em contato com seres angélicos de luz, quando na verdade podem estar lidando com o senhor das trevas.  Esse tem sido o método de atuação de Satanás desde o princípio: o encobertamento, fazendo uso de disfarces e agindo por trás de outros agentes para que sua verdadeira natureza e intenção permaneçam imperceptíveis às suas vítimas. 


Há um paralelo interessante também entre a tentação de Eva e a tentação de Cristo, descrito lá em Mateus capítulo 4, versículo 1 até o versículo 8, e Lucas capítulo 4, versículo 1 até o versículo 10, de modo que é interessante que, enquanto Eva cedeu ao pecado, Jesus venceu a tentação. 
​Mas, todavia, para concluir, desejo reiterar aqui que, das consequências devastadoras do pecado, também a Bíblia manifesta a solução divina. Havia um... houve um efeito contagioso do pecado. O pecado não ficou restrito apenas a Adão e Eva; alcançou cada um de nós, alcançou toda a humanidade. De modo que Paulo diz que todos pecaram e destituídos estão da graça de Deus.  Agora, veja bem, nós também vemos, dentro do próprio contexto de Gênesis 3, a ineficácia do esforço humano. As folhas de figueira foram a tentativa de cobrir o próprio, a própria culpa por mérito próprio, mas isso não funcionou. Deus teve que matar um animal, tomar a sua pele e cobrir Adão e Eva, de modo que aqui, de modo implícito, já aponta para a morte vicária de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.  Mas, apesar de toda essa consequência devastadora e a rebelião do homem contra Deus, a graça divina foi revelada. Então, dentro do próprio texto da queda, em Gênesis 3, versículo 15, nós já temos a apresentação do proto-evangelho, de maneira que Deus vai efetuar todo o processo da redenção para resgatar o homem caído, para que aquele homem que nasce em Adão possa ser colocado em Cristo. Como diz o próprio apóstolo Paulo: "Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas se passaram e tudo se fez novo” (II Corintios 5:17).  Dessa graça revelada, podemos ver que Deus providenciou desde cedo as vestes de pele que apontavam para o sacrifício de Cristo. E o sangue de Jesus Cristo nos purifica de toda vergonha e de toda culpa. Que nós possamos olhar atentamente para as lições da tentação, ter consciência da nossa luta, da nossa batalha espiritual, e encontrar em Deus o refúgio e obedecermos a Ele, pois a Sua palavra é a verdade, como disse o próprio Jesus Cristo em João capítulo 17, versículo 17: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”. Ao invés de ouvirmos a voz de Satanás, que tenta induzir o homem a acreditar que a Bíblia não é a palavra de Deus, estejamos atentos, lendo a palavra de Deus, estudando-a e tendo-a como a nossa autoridade final em questões de fé e de prática, pois foi exatamente isso que o diabo colocou na mente de Eva: "Não, a Bíblia, a palavra de Deus, e tão somente a palavra de Deus, não é a autoridade, existe uma autoridade além dela.  E o próprio diabo se apresentou como uma autoridade à frente das ordens e da palavra de Deus, ou seja, o primeiro inimigo do Sola Scriptura foi o próprio diabo no Jardim do Éden.  Satanás simplesmente sugestionou que o que Deus disse não era suficiente, não era um decreto absoluto, o tentador negou a autoridade das Palavras do Criador, ele se colocou como um agente alternativo com uma autoridade adicional, e Eva caiu nessa armadilha fatal. No final das contas, nessa abordagem simples que apresentei acerca de Genesis 3 revela insights tão atuais como se tudo a nossa volta, em um mundo incrédulo, existisse uma repetição de falácias milenares, projetadas desde a queda, como se fosse um conjunto de “arquétipos psicológicos comportamentais” presentes no submundo do inconsciente do homem adâmico.  Um jogo dinâmico de engano que se perpetua por séculos, e a maioria nem sequer dão conta disso. Mas longe dos holofotes da filosofia secular, do cientificismo reducionista do presente século, as Escrituras, Antigo e Novo Testamento, apresentam conceitos chaves que revelam de fato o que ocorre no mundo desde a queda, e para onde tudo isso irá nos levar, ao grande Trono Branco, será aberto um livro, o da vida, a pergunta que deve ecoar do fundo do seu coração é: seu nome está registrado lá?

“E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Apocalipse 20:15) Voce não crê nessa advertência? sinto muito, aquele que enganou Eva com um “certamente não morrerás” está te enganando também...

Buscando Uma Teologia Sólida em Meio a Uma Sociedade Liquida

0 comentários

Buscando Uma Teologia Sólida em Meio a Uma Sociedade Liquida

 




C. J. Jacinto

 

 

Qual é o grande desafio da nossa época? Vivenciamos uma era de pós-modernidade, e alguns até sugerem que agora estamos a viver uma era pós-cristã. Na verdade, o que se tem perdido é o conceito de sola scriptura. A importância da Bíblia Sagrada tem sido muito, mas muito minimizada.  Muitas pessoas estão simplesmente a substituir a Bíblia Sagrada por experiências místicas. De outra forma, a desvalorização das Escrituras Sagradas tem sido uma característica dentro de muitos púlpitos modernos. Aquela teologia sólida, pela qual é caracterizada toda uma geração de homens de Deus do passado, parece não ter mais nenhuma importância, a não ser para poucas pessoas que ainda buscam, nos escritores antigos, um alimento espiritual sólido pelo qual podem fundamentar as suas convicções pessoais. 
​Estamos a viver uma época de crise: de crise de identidade e, acima de tudo, uma crise de amor e compromisso de estudo e de leitura das Sagradas Escrituras e de uma aceitação dela como inerente e infalível palavra de Deus.  A questão de ignorar as Escrituras não é nova; Jesus combate isso.  No capítulo 22, versículo 29, do livro de Mateus, quando está confrontando os saduceus em uma questão fundamental acerca da doutrina da ressurreição, Jesus dirige as Suas palavras aos saduceus e diz: 'Errais, por não conheceres as Escrituras. Ora, sem um conhecimento adequado e suficiente das Escrituras, jamais poderemos realmente fazer a vontade de Deus. A maior parte das pessoas está errando — mesmo aquelas que se dizem cristãs —, pois não estão indo para a Bíblia todos os dias, não estão abrindo o Antigo e o Novo Testamento para lê-los, para estudá-los, para mergulhar a sua inteligência e o seu coração na Palavra de Deus.  Essa crise também se estende a muitos púlpitos, pois, de certa forma, hoje nós temos um evangelho praticamente diluído: diluído com psicologia, diluído com autoestima, diluído com todas as formas de filosofia. E essa diluição apenas faz com que o evangelho se enfraqueça. Na verdade, vivemos tempos difíceis, tão difíceis que pregar a verdade do evangelho pode ser motivo de afronta, de insulto para muitas pessoas que estão sentando no banco da igreja e se consideram cristãs. Tal é a crise que nós enfrentamos hoje: que a própria verdade do evangelho ofende muitos evangélicos Errar, por não conhecer a Escritura, já é por si mesmo uma grande tragédia e faz lembrar de outra, ainda pior, consequência dessa primeira: em Oséias, capítulo 4, versículo 6, onde o profeta diz que o meu povo está sendo destruído por falta de conhecimento. Que grande tragédia! Sem conhecimento espiritual, sem uma teologia sólida, sem a pregação, preservação e defesa da sã doutrina, não temos como ter conhecimento espiritual; pelo contrário, o que teremos é cegueira — cegueira profunda. E dessa cegueira vem o abismo, e desse abismo, a destruição. É o que nós estamos vivendo em muitas áreas do Cristianismo hoje em dia. Infelizmente, hoje em dia, palavras como teologia se tornaram palavras de conotação praticamente negativa, associada em ambientes acadêmicos ou à frieza espiritual e falta de espiritualidade.  Portanto, o interesse pelo estudo da teologia foi praticamente abolido no contexto de muitas igrejas e muitas denominações. Há quem diga: 'Bíblia sim, teologia não', imaginando que seriam realidades excludentes ou até mesmo opostas. Mas, todavia, o termo teologia vem da palavra logos e theos. A palavra logos significa discurso e a palavra theos, Deus; portanto, um discurso para o conhecimento de Deus.  Essa é a questão principal: quando você tem uma formação teológica de maneira que conhece bem as doutrinas fundamentais da palavra de Deus e a isso tem o exercício de uma vida de piedade, você se torna um homem que vai subir em cima do púlpito e não vai pregar nenhum tipo de equivoco.  Da mesma forma, todo aquele que tem uma formação espiritual de piedade e um conhecimento teológico, bíblico e teológico, quando ele estiver sentado no banco de uma igreja, ele não será enganado por falsos profetas que distorcem a palavra de Deus e promovem suas heresias. De modo que a teologia, ela é sim, importantíssima e fundamental para o nosso tempo. O desafio para os nossos dias é desenvolver uma compreensão teológica profunda, de tal maneira que, em seu contexto vivencial, os princípios eternos e imutáveis da Palavra de Deus possam ser experimentados, aplicados e difundidos em toda a sua plenitude. Pois, de outra forma, se não estivermos edificados sobre a Palavra de Deus, a decadência espiritual será inevitável. A questão mais lógica acerca desse assunto é que nós precisamos de teologia, nós precisamos de conhecimento bíblico organizado e nós precisamos de um conhecimento teológico sistemático para que possamos compreender de fato a natureza da revelação divina e compreender a Bíblia em profundidade. Podemos observar, pela própria história da Igreja, que os grandes movimentos de reforma tiveram como base pessoas que possuíam uma formação acadêmica e teologicamente sólida. De modo que a espiritualidade verdadeira está sempre associada à sã doutrina e a um conhecimento bíblico equilibrado.  Isso é de grande importância de ser compreendido, pois vivemos um momento em que a Igreja já tem mais de 2.000 anos de existência, e, ao abriremos a página da história, notamos que os grandes homens que fizeram com que a teologia e o conhecimento espiritual chegassem até os nossos dias foram homens que tiveram uma formação bíblica e espiritual profunda. Portanto, seu legado nunca pode ser considerado superficial, e nós também não devemos, de maneira nenhuma, ser cristãos de conhecimento superficial. Nós devemos subordinar todo o nosso conhecimento ao conhecimento de Deus de forma prática. A práxis espiritual deve ser uma realidade em nossa vida. Isso é crescimento espiritual genuíno e autêntico, não uma ilusão.  Experiências místicas ou opiniões pessoais não nos conduzem ao firmamento da fé; muito pelo contrário, nos levam para um campo religioso subjetivo e ambíguo.  Todavia, quando nós temos conhecimento e esse conhecimento é para a glória de Deus, e quando esse conhecimento nos traz crescimento espiritual, então estamos vivendo uma realidade. E isso se dá de forma distinta em dois pontos cruciais: Primeiro: o estudo bíblico e teológico pessoal.  Segundo: frequentar uma igreja comprometida em ensinar as verdades teológicas e as Escrituras.  Nós precisamos ir em busca do conhecimento espiritual, e a teologia nos ajuda muito; na verdade, ela é essencial para que nós possamos realmente crescer no conhecimento.  Ora, isso é um próprio mandamento do Senhor, tanto do Antigo Testamento quanto do Novo Testamento. Lá no Antigo Testamento, em Oseias, capítulo 6, versículo 6, está escrito: 'Então, conheçamos e prosseguiremos em conhecer ao Senhor'. Em 1 Pedro, capítulo 5, versículo 18 — no Novo Testamento —, temos a ordem: 'Crescei na graça e no conhecimento.  Quando pegamos passagens bíblicas como Hebreus, capítulo 5, versículos 14 e 15, vemos então como é importante que nós tenhamos esse conhecimento. Ali, o autor aos Hebreus fala sobre a busca do alimento sólido, uma teologia substancial, a doutrina real, os fundamentos da fé cristã, para que nós possamos ter os sentidos exercitados para discernir tanto o bem quanto o mal.  De maneira que nós possamos, então, ter o entendimento correto da vontade de Deus para aplicá-la sobre a nossa vida e, acima de tudo, possamos estar protegidos contra falsos profetas, falsos pastores e falsos doutores que se introduzem com heresias de perdição ao se infiltrarem  dentro da igreja, como ocorreu muitas vezes na história da igreja do Novo Testamento, como bem podemos ver de forma muito real nas igrejas da Ásia descritas em Apocalipse 2 e 3". Vivemos em uma época cujo conceito foi descrito pelo sociólogo Zygmunt Bauman como sociedade líquida. 
​A sociedade líquida é a ideia filosófica de que a vida social muda tão rapidamente que relações, instituições e certezas têm dificuldades em permanecer estáveis — ou seja, não há verdades permanentes.  A sociedade líquida propõe ser um sistema que emerge a partir da pós-modernidade e do relativismo moral que subsiste através da pós-modernidade.  Todavia, devemos entender claramente que, para o cristão, o caminho não é uma sociedade líquida, mas uma teologia sólida, onde ele permanece com seus absolutos inegociáveis e inabaláveis.  Pois é assim que a palavra de Deus nos ensina com relação a ela mesma, à sua autoridade e à sua permanência. Jesus disse em Mateus, capítulo 24 e versículo 35: "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar".  Pedro também corroborou esse pensamento. Lá em 1 Pedro, capítulo 1 e versículo 25, diz que a palavra de Deus permanece para sempre.  A expressão também foi dada pelo salmista no Salmo, capítulo 33 e versículo 11: "O conselho do Senhor permanece para sempre" e também no Salmo, capítulo 119 e versículo 89: "Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu".  De modo que há, absolutos, que, a partir do momento que estamos dentro de uma espiritualidade que está sendo alimentada pelo alimento sólido da palavra de Deus, uma boa teologia e a sã doutrina, isso permanece, pois é fixado sobre uma rocha, como Jesus Cristo falou em Mateus, no capítulo 7: "Aquele que ouve a minha palavra e a pratica, é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha", ou seja, a firmeza, solidez e permanência. Ora, tentamos de forma muito clara e concluindo que nós, cristãos que temos um alicerce sobre os fundamentos da fé, possamos também clamar como o próprio salmista. No Salmo capítulo 119, versículo 98: “Pelo teus mandamentos me fazes mais sábio". E então, no mesmo capítulo do livro de Salmos, versículo 112, está escrito: "Inclinei o meu coração para guardar os teus mandamentos para sempre". Os valores espirituais do Evangelho e das Escrituras são permanentes. A Igreja está fora da pós-modernidade ou deve lutar para permanecer dentro de valores imutáveis e absolutos. O relativismo não condiz com um cristão bíblico. E assim também, a sociedade líquida, essa sociedade diluída que não tem um ponto fixo, mas que sobrevive à base da relatividade do pós-modernismo, deve ser completamente rejeitada e combatida por todo cristão. 

O OUTRO EVANGELHO DA SALVAÇÃO PELAS OBRAS E A SUA OPOSIÇÃO A SOTERIOLOGIA BIBLICA

0 comentários



 

 

 

 

 

 

Encontram-se falsos profetas nos círculos mais ortodoxos, que fingem ter um amor fervoroso pelas almas, mas enganam fatalmente multidões quanto ao caminho da salvação. Tais, rebaixaram deliberadamente o padrão da santidade divina e adulteraram o Evangelho para torná-lo palatável à mente carnal. (Arthur Pink)

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome”(João 1:12)

 

 

 

 

 

 

 

A seguinte advertência é encontrada na segunda epístola universal do apóstolo Pedro. Com uma solene advertência, ele escreveu:


“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.”
 Lemos isso em 2 Pedro, capítulo 2, versículo 1, na versão Corrigida e Fiel da Sociedade Bíblica Trinitariana.
Acompanhando essa leitura, desejo também fazer menção do mesmo texto na versão LTT — Literal do Texto Tradicional —, na qual podemos ler:

 “Mas houve também falsos profetas no meio do povo, como também no meio de vós haverá falsos professores mestres, os quais encobertamente ao seu lado trarão para dentro heresias de perdição, negando até mesmo ao Deus e Senhor, havendo pago a compra deles, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.”


Note o que o Apóstolo Pedro fala: ele diz que se introduzirão entre vós. Não se trata de algo externo à Igreja, mas sim interno, ou seja, dentro do próprio cristianismo. Ocorre a infiltração de falsos mestres cujo ensino herético central é negar o Senhor que os resgatou.
​Devemos entender claramente nessa declaração — conforme podemos associar nas versões Corrigida e Fiel e LTT, ambas oriundas do Textus Receptus (o texto recebido) — que o entendimento claro é este: esses falsos mestres, embora se identifiquem como cristãos, negarão o Senhor que os resgatou.

 Portanto, trata-se de um falso ensino que envolve diretamente a redenção e a obra que Cristo realizou na cruz do Calvário. Também lemos em Atos 20:29: "Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho;"
Através das palavras de Paulo, registradas por Lucas no capítulo 20, versículo 29 do livro de Atos dos Apóstolos, vemos uma dura advertência que precisamos levar muito a sério. Paulo declara que, após a sua partida, infiltrar-se-iam no meio da comunidade "lobos ferozes" que não poupariam o rebanho.

 O apóstolo expõe de modo muito explícito que a igreja sofreria um ataque por parte de hordas de falsos mestres. Comparados a lobos devoradores, estes opositores não teriam compaixão do rebanho, infiltrar-se-iam no meio da igreja e arrastariam consigo uma boa parcela de fiéis.
​Ao associar esta descrição de Paulo em Atos aos ensinamentos do apóstolo Pedro, nota-se claramente que uma das doutrinas fundamentais da fé cristã é a justificação pela fé, fundamentada na obra perfeita e consumada que Cristo realizou na cruz do Calvário. A centralidade da salvação pertence inteiramente a Cristo, e não aos homens. Negar esta verdade é enveredar pelo caminho daqueles que renegam o próprio Senhor que os resgatou.
Agora vamos ler I Pedro 5:17: "Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;"

 Aqui, o apóstolo Pedro apresenta o diabo como um leão que ruge buscando a quem possa devorar. Note que há uma associação muito clara entre a figura de linguagem da ação do diabo como um animal predador e a dos próprios falsos mestres.

 Essa associação é pertinente à ideia e ao assunto que estamos abordando, pois tanto Paulo quanto o próprio apóstolo Pedro falam acerca desses lobos vorazes e devoradores. Existe, portanto, uma ligação muito íntima entre a ação do diabo e a dos falsos mestres, visto que ambos se comportam como predadores que atacam o rebanho. Isso é assustador.

 Qualquer pessoa que leia, estude, pesquise e creia na Bíblia, e não se sinta alerta quanto a essa associação, é simplesmente insensível e ignora a autoridade das Escrituras ao abordar este assunto. Devemos tomar muito cuidado pois, além de essa linguagem ser radical, ela nos ensina que se trata de um tema que aborda ameaças espirituais perigosíssimas.

 Quando Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, faz as suas advertências — como lemos em 2 Pedro 2:1 —, precisamos observar com atenção o seu posicionamento. Ele adverte sobre a 'heresia de perdição', que, dentro do contexto, está associada a negar o Senhor que os resgatou.
​O que isso significa exatamente? Podemos entender claramente que negar o resgate ou a redenção consiste, acima de tudo, em crer que alguém pode obter a salvação por meio do próprio esforço. Essa é a idéia implícita na oferta de Caim: obter aprovação divina pelo esforço humano. Essa é a idéia implícita na construção da Torre de Babel: alcançar o céu pelo esforço próprio – Essas idéias estão todas explicitas em todas as religiões mundiais: a salvação pelas obras e por ultimo, a declaração final do humanismo  sua forma pós-moderna; o transhumanismo; alcançar a imortalidade, a vida eterna mediante o potencial humano que se manifesta no avanço da ciência.  O homem universal ou adâmico confia nas obras como uma forma de auto-redenção. Isso está enraizado no sistema religioso do homem caído.

 

“O legalismo é o ensinamento de que os pecadores são salvos (justificados, santificados e aceitos por Deus) com base em suas próprias obras de obediência à lei. O legalismo é tão prejudicial à alma humana quanto o hinduísmo, o mormonismo e o ateísmo! Não somos salvos pela nossa obediência à lei de Deus (Romanos 3:20; Gálatas 2:16; Efésios 2:8-9). Não somos santificados pela nossa obediência à lei de Deus (Gálatas 3:1-3). Nossa herança celestial não é, em hipótese alguma, conquistada ou merecida pela nossa obediência pessoal à lei de Deus (Apocalipse 7:9, 10, 14). A salvação é, em sua totalidade, somente pela graça. Os crentes não estão, em nenhum sentido, sob o jugo da lei” (Rm 6:14-15; 7:4; 8:1-4; 10:4; Gl 5:1-4, 18; I Tm 1:9-11). (Don Fortner)

De certa forma, no contexto cristão, crer nos méritos próprios para a salvação, representa uma tentativa de misturar o suor do pecador com o sangue de Cristo. Assim, pressupõe-se que a obra consumada por Jesus na cruz do Calvário não seria suficiente, exigindo a cooperação humana e as boas obras como complemento. Caso contrário, sem a adição dessas obras, o sacrifício de Cristo seria considerado insuficiente. Na pratica essa teologia, faz exatamente isso. Sendo o sangue de Cristo insuficiente, a eficiência do suor dos méritos do pecador seriam mais eficazes e necessárias, pois só com a adição deles, a redenção seria potencialmente eficaz. Mas a declaração de Hebreus 9:22 não afirma isso, mas para muitos é o oposto da declaração de Hebreus, sem derramamento do suor das boas obras, não haverá redenção.

 Assim, os mestres mencionados pelo apóstolo Pedro simplesmente seguem o caminho de Caim. No capítulo 4 do livro de Gênesis, notamos a existência de duas ofertas. Uma delas representa um sacrifício de aceitação, pois há sangue sobre o altar. Abel demonstra de forma sucinta que o derramamento de sangue é necessário para essa aceitação divina — e sem derramamento de sangue não há remissão de pecados, como atesta o autor da Epístola aos Hebreus. (I Pedro 1:9 Apocalipse 1:5 Hebreus 13:20 etc.)
​ Caim, por outro lado, apresenta o resultado do seu próprio esforço e dos seus frutos sobre o altar. Desta forma, enquanto o altar de Abel é caracterizado pelo sangue derramado, o altar de Caim representa o suor derramado. Temos aqui a origem da auto-redenção através do próprio esforço, que foi precisamente o que Caim tentou alcançar
​ Conheço muitos pregadores, igrejas e pastores que fazem exatamente isto: abordam a salvação colocando toda a ênfase no esforço próprio — Não faça isso, não faça aquilo. Se fizer, será salvo; se não fizer, não será salvo. É regra sobre regra. Eles possuem um altar, uma oferta, uma crença, possuem uma doutrina, uma convicção, liturgias, mas não a suficiência do sangue, negar que o sangue divino seja suficiente é negar a eficácia da obra consumada e perfeita de Cristo na cruz, geralmente o legalismo desenvolve uma teologia anti-Calvario, a ênfase nunca será sobre o que Cristo fez de forma definitiva e absolutamente eficiente, mas no esforço próprio, na confiança nas boas obras, sobre o altar dessa teologia antropocêntrica é ofertado perante Deus uma oferta de suor fedorento, como se ele tivesse o poder de reconciliar o homem com Deus. Após a queda, Adão e Eva coseram folhas de figueira e fizeram para si aventais para resolver o problema decorrente do pecado: a nudez. (Genesis 3:7) essa foi a primeira tentativa do pobre pecador buscar aproximação e a aprovação divina, eles confeccionaram sua roupa insuficiente, e o Senhor não ordenou que eles matassem um animal para usar a pele para se vestirem, foi o Senhor que procurou os dois que se esconderam, a iniciativa da busca partiu do Senhor, bem como matar o animal, foi uma obra divina, o primeiro estilista foi Deus quem fez as túnicas de pele, o homem não contribui com nada e Deus rejeitou em absoluto a cobertura de folhas de figueiras que eles fizeram, e nesse momento podemos entender a intensidade da declaração de que sem derreamento de sangue não há remissão de pecados, pois a morte daquele animal e a túnica de pele que serviu como cobertura, apresentam uma obra que foi feita exclusivamente pelo Deus triúno e apontava para a obra redentora perfeita de Cristo na cruz do Calvário.

“Na justificação somos completamente passivos, completamente receptivos a salvação, repito, não é por obras, não acontece por causa do esforço moral ou por se adquirir um conhecimento ou se cultivar uma experiências mística” (Gene E. Veith JR)


​Não estou dizendo que o bom comportamento, a doutrina e uma vida piedosa não sejam necessários. Não é isso que estou a questionar. Tudo isso é fundamental e deve ser abordado no seu devido contexto. Contudo, em relação à salvação, não somos salvos por aquilo que fazemos, mas sim por aquilo que Jesus fez. Boas obras possibilitam ganhar coroas e galardões, elas tem um papel como evidencia da regeneração, leia Efesios 2:8 e 9 e então não perca de vista o seu contexto imediato, os versículos 9 e 10. (Romanos e Efesios emitem a luz necessária para compreendermos passagens como Tiago 2:24)

 

“O legalismo envolve buscar o perdão de Deus, a justificação diante de Deus e a aceitação por Deus através da obediência a Ele. O legalismo é, em essência, substituir a obra consumada de Jesus pelas minhas próprias obras. O legalismo é a autoexpiação e o ápice da arrogância. É viver como se a cruz de Cristo fosse desnecessária ou insuficiente.” (CJ Mahaney)

 


​Mas diante da base pelo qual surgiu a reforma protestante, a justificação pela fé, sob o anátema do concilio de Trento sobre todos os que não crêem na eficiência do suor das boas obras, ainda assim, conheço muitos que focam somente nas nossas obrigações, como se elas fossem o fundamento da salvação. Dessa forma, se a pessoa deixa de fazer algo, perde a salvação, pois esta dependeria única e absolutamente da obra humana. Esses são falsos mestres que estão a negar, na prática, o Senhor que os resgatou. É a voz do romanismo e da contra-reforma que se infiltrou nos púlpitos e contamina a fé de milhões.

  E nada pode ser tão trágico, porque você não vai encontrar nas Escrituras que é justificado pelas obras que faz. Deus não aceita as suas obras; elas são consideradas como trapos de imundícia, pois não há justo, nem um sequer. (Isaias 64:6 e Romanos 3:10)


​Todavia, as pessoas acabam sendo enganadas por esses falsos discursos e por esses falsos mestres que, embora empunhem e citem a Bíblia, fazendo menção dela em suas mensagens, na prática abordam a questão da salvação pelo esforço humano, e não por aquilo que Cristo fez. Na verdade, eles dão uma superênfase no suor: “Faça, faça penitências, faça isso e faça aquilo, acompanhe todo o ritual da igreja ou do movimento, esforce-se para se salvar, guarde dias e festas, dê o dizimo etc”.


​Muitos neopentecostais e pentecostais o seitas protestantes controversiais e legalistas cederam a esse falso evangelho, dando uma superênfase às obras, observação da lei mosaica e de sistemas de princípios morais rígidos como necessários para a salvação. É possível encontrar muitas seitas e movimentos que fazem justamente isso: criam todo um sistema legalista para que a pessoa cumpra todas as regras e, assim, mereça a salvação de acordo com o que faz. Estes negam o Senhor que os resgatou. Se a morte e o sangue de Cristo não são suficientes, então o sacrifício de Cristo torna-se impotente, precisando do acréscimo do suor do esforço humano, e isso é categoricamente uma negação de que “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espirito Eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” (Hebreus 9:14)

 

“O legalismo também pode ser descrito como falso cristianismo, pois é essencialmente isso que ele é. Usa linguagem cristã e termos bíblicos. Soa evangélico. Adora usar frases como "evangelismo", "fundamentalismo", "literalismo bíblico" e outras semelhantes. Parece cristão, soa cristão, mas enfaticamente não é o verdadeiro cristianismo. É uma farsa espúria, uma imitação do cristianismo, uma contrafação vazia e oca da coisa real. É um fardo pesado para a vida espiritual que cria uma sensação de cativeiro e culpa. É uma fraude repugnante e nauseante aos olhos dos outros. Deus o descreve nas Escrituras como um fedor em suas narinas. Isso é o que o legalismo realmente é (Ray Stedman).


​Praticamente, a obra consumada e perfeita de Cristo é minimizada e muitas vezes nem sequer é abordada. Toda a ênfase é dada ao esforço do homem, e não à obra que Cristo realizou na cruz do Calvário. Quando se trata da cruz, da teologia da cruz e da redenção, há uma enorme superficialidade no entendimento deles. E quando é abordado o tema de que Cristo morreu por nós para nos resgatar, em vez do esforço próprio, muitos deles chegam a rejeitar essa teologia sã, porque já abraçaram o que foi promovido pelos falsos mestres. Quando ainda pior, zombam e desprezam a doutrina biblicamente sólida da obra consumada e perfeita de Cristo na cruz.


Voltamos à análise de Atos, capítulo 20, versículo 29, que já mencionei anteriormente, onde Paulo faz advertências acerca de lobos que não poupariam o rebanho. Pois muito bem, olhemos para o contexto de Atos, capítulo 20, versículo 28. Neste contexto, encontramos a declaração explícita de que a Igreja foi comprada pelo próprio sangue divino; ou seja, a redenção foi um ato efetuado pelo derramamento do sangue de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

 No entanto, esses lobos — que, como podemos observar no contexto, não poupariam o rebanho e que Pedro também mencionaria em sua epístola — afirmam exatamente o contrário. Eles dizem, de forma categórica (embora por meio de clichês e neologismos), que o sangue de Jesus Cristo não é suficiente para a redenção, sendo necessário o esforço e o suor humano para complementar e, assim, garantir que a obra de Cristo seja consumada.
​ Desta forma, eles fazem um acréscimo: negam a suficiência da redenção na cruz e sustentam que é necessário que o homem trabalhe pela sua própria salvação, concluindo aquilo que Cristo supostamente não teria concluído no Calvário. Seguindo essa heresia, conclui-se eles atribuem um fracasso ao poder remidor do sangue divino e imaculado de Cristo, caso não seja misturado com o suor das boas obras, e deixo aqui um adendo, nem devem ser consideradas como “boas obras” o que profana o sangue do Salvador, relegando a insuficiência faz ultraje ao espírito da graça;

 Veja bem: não é apenas naquela passagem clássica de Efésios 2:8-9 que lemos que a redenção e a salvação são adquiridas unicamente através daquilo que Cristo fez por nós, e não do que nós fizemos. O texto de Paulo em Efésios é muito explícito.

 Quando olhamos para outras passagens — como Tito 3:5, onde Paulo diz: «não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia nos salvou pela lavagem da regeneração e renovação do Espírito Santo» —, vemos a mesma verdade. Em Romanos 5:8-9, lemos que somos justificados pelo sangue de Cristo — não pelo sangue de Cristo misturado ao esforço das nossas boas obras ou ao nosso suor.

 Da mesma forma, em Efésios 1:7, lemos que temos a redenção pelo Seu sangue e a remissão das ofensas segundo as riquezas da Sua graça. Fica claro que a redenção ocorre pelo sangue de Cristo — não por um sangue misturado ao suor dos pecadores, mas tão somente pelo sangue de Cristo. Isso também é corroborado em passagens como Colossenses 1:14, 1 Timóteo 2:6, Hebreus 9:12 e muitos outros textos das Escrituras
Nisto consiste a mensagem do evangelho: que Cristo morreu pelos nossos pecados. Nós somos pecadores; todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Estamos falidos, mas Cristo vem e morre pelos nossos pecados.
​O Senhor nos chama ao arrependimento, a crer e a seguir a Cristo. Entendemos que isso é o evangelho. Ora, em 1 Pedro 1:18-20 está escrito: “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de cordeiro sem defeito e sem mácula.” Não meus amados irmãos, o suor do esforço religioso humano não tem poder de remir espiritualmente um pobre e miserável pecador.


​Veja bem: nem ouro, nem prata podem nos remir, muito menos o nosso próprio suor. Em 1 João 2:2 também está escrito: “Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não apenas pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.” E em 1 João 4:10 lemos: “Deus enviou seu Filho para ser a propiciação pelos nossos pecados.”

 Essas e outras passagens são suficientes para mostrar que a obra de Cristo foi um verdadeiro sacrifício. Pelo seu sangue, ele obteve perdão, paz, redenção e remissão de pecados para aqueles por quem morreu.

 A questão é: você deve crer. A obra realizada e consumada por Cristo na cruz do Calvário tem o poder de remir aqueles que reconhecem que são pecadores se arrependam de seus pecados e creem em Cristo. Todavia, deve ser dito com toda certeza e clareza: Cristo fez tudo sozinho por nós. Não há nada a acrescentar à obra que Jesus realizou na cruz do Calvário. O que você deve fazer e crer e viver debaixo dessa confiança que produz verdadeira esperança. Pensar que nossas obras podem complementar ou concluir aquilo que Jesus Cristo fez é uma blasfêmia, é anátema, é outro evangelho.

 Em Romanos 3:23-24, Paulo afirma: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus". Olhe a ênfase de Paulo: que há em Cristo (Na sua obra redentora) e não em, nós mesmos!


​Somos justificados gratuitamente; não há nada que possamos pagar, pois o nosso suor vale muito menos do que o ouro ou a prata. Além disso, essa justificação ocorre pela redenção que há em Cristo Jesus, e tão somente Nele.
​ Quando abrimos a Epístola aos Gálatas, vemos que há ali um problema sério: a igreja da Galácia caiu no legalismo. Paulo escreve no capítulo 1, versículo 6: "Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho". Ele prossegue no versículo 7: "O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem trastornar o evangelho de Cristo". No versículo 8, declara: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema". E reforça no versículo 9: "Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo: se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema". Os cristãos da Galacia, abandonaram a doutrina da salvação pela graça e começaram a observar regras e leis do Antigo Testamento como necessarias para salvação, isso estava levando eles para um antropocentrismo extremo, pois é exatamente isso o que ocorre, quando coloco minha confiança na eficiência da obra de Cristo, tenho paz e esperança, quando coloco a confiança em meus próprios esforços tenho desespero, confiar em Cristo me leva para a humildade, confiar em mim mesmo para o orgulho e hipocrisia, não é de admirar que quanto mais legalista é um sistema religioso, mas hipócritas ele produz! bendito seja o Deus de nossos Senhor Jesus Cristo pelo Evangelho da graça de Deus que se sustenta pela obra consumada e perfeita de Cristo na cruz.

 

“ O legalismo leva os crentes a pensarem que Deus os aceita com base em suas ações. A licenciosidade leva os crentes a pensarem que Deus não se importa com o que eles fazem. Ambos os erros têm consequências espirituais terríveis.” (Bryan Chapell)


​Assim, percebe-se o ponto central: a igreja da Galácia começou a acreditar que era preciso complementar a obra de Cristo, como se o que Ele realizou na cruz não fosse suficiente. Ao colocar a observância da lei como uma necessidade complementar — criando uma adição ao Evangelho —, eles negavam a suficiência da obra consumada e perfeita de Cristo na cruz. Por essa razão, tal atitude foi considerada por Paulo como anátema.
 No livro de Gálatas, capítulo 2, versículo 16, São Paulo fala de forma muito evidente e clara: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.”
​Ora, se a própria lei — a qual Paulo afirma ser santa — não pode salvar ninguém, imagine as supostas boas obras humanas, que não chegam nem aos pés da lei. A lei foi dada por Deus, enquanto as obras são praticadas pelos filhos de Adão. Se a lei concedida por Deus a Moisés não tem o poder de salvar, por que se pensaria que as obras praticadas pelos homens possuem esse poder?
​ Isso não seria arrogância e orgulho? Equivale a dizer que Cristo realizou uma obra imperfeita e sem poder suficiente para salvar, a menos que alguém a complemente com os seus próprios esforços, misturando o seu suor ao sangue de Jesus. Na verdade, isso nada mais é do que adulterar o Evangelho. Pretender misturar o esforço humano ao sangue puro e imaculado do Senhor Jesus é o mesmo que poluir o Seu sangue e corromper a mensagem evangélica.
 Quando você acredita na insuficiência da obra de Cristo na cruz do Calvário — achando que ela não foi perfeita o suficiente para salvar qualquer pecador que crer — e pensa que precisa adicionar as obras poluídas pelo suor do homem caído, você está profanando o sangue da aliança.
​Ouça a advertência do autor aos Hebreus, no capítulo 10, versículo 29: “De quanto maior castigo julgais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?”

 Se você colocar o seu suor fedorento e poluído junto com o sangue de Jesus para tentar alcançar a salvação, você está profanando esse sangue. O sangue divino de Cristo, sozinho, derramado na cruz do Calvário, foi suficiente para salvar cada pecador que se arrependa e creia em Cristo.

 Hoje em dia, muitos pregadores legalistas dão ênfase a si mesmos e ao esforço humano no que diz respeito à salvação. Eles acreditam que chegarão ao céu por esforço próprio, julgando que o suor das suas obras é suficiente e tem um poder igual — ou até superior — ao sangue de Cristo. Para eles, como o sangue de Cristo por si só não os pode salvar, seria necessário misturá-lo ao seu próprio suor para obterem a salvação.

 Esta teologia maligna apresenta o suor do pecador como sendo mais eficiente do que o sangue de Cristo isoladamente. Isso não é uma blasfémia? Não podemos dar uma superênfase à nossa própria obra, como se ela fosse a promotora da nossa salvação. Ninguém entrará no céu dizendo: “Senhor, estou aqui porque mereço, porque fiz o meu melhor; portanto, entrei no céu pelos meus próprios esforços.”


​Isso é o espírito de Babel. O povo de Babel queria alcançar os céus através de um esforço monumental, erguendo tijolo após tijolo até chegar ao trono de Deus. O homem que se esforça por si mesmo para chegar ao céu representa Babel. Na verdade, o homem só chega ao céu através de Cristo, que veio ao mundo e morreu pelos pobres pecadores. “ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (João 14:6) esta é uma afirmação categorica de Cristo, é uma afirmação exclusivista. Tão certo que não existe outro caminho a não ser através de Cristo, também não existe outro meio eficiente de salvação, a não ser através da obra consumada e perfeita de Cristo.


​Se o púlpito da sua igreja não está cheio destas verdades — de que somos salvos pelo que Cristo fez —, se do púlpito não ecoa constantemente a obra consumada e perfeita de Cristo na cruz, e se a sua igreja não prega sobre a justificação pela fé exclusivamente através do sacrifício do Calvário como obra suficiente e eficiente, fuja! Você está diante de um anátema. Não importa quão refinadas sejam as obras defendidas e quão profundamente religioso seja todo o cerimonial, Qualquer pessoa que coloque a sua obra ao mesmo nível e altura do sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário está a praticar um anátema. É Paulo que afirma isso num contexto em que os Galatas queriam alcançar a justificação pela pratica de observação de ritos, cerimônias, dias santos e um sistema de ética e comportamento.

 Acredito que o exercício da piedade e as boas obras devem ter o seu lugar na vida cristã. Elas são evidências e resultados do fruto da salvação. Somos salvos pela obra consumada e perfeita de Cristo na cruz; as nossas boas obras simplesmente existem para a glória de Deus não para minimizar a grandeza infinita do sacrifício de Cristo na cruz.
​ A obra que Cristo realizou na cruz do Calvário deve ser a ênfase da mensagem da salvação. Podemos ler essa harmonia entre o que Deus fez por nós e o resultado de nossa reação e resposta mediante a fé, única e exclusivamente na obra consumada de Cristo. Lemos isto claramente em 1 Pedro 2:24: “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas pisaduras fostes sarados.”


​Observem a expressão: “pudéssemos viver para a justiça”. Essa justiça pela qual podemos viver é o resultado de o Senhor ter levado em seu corpo os nossos pecados. Não tentem inverter o ensino do Evangelho: as boas obras só são aceitas diante de Deus quando realizadas como frutos da obra redentora de Cristo. Quando lemos Tiago 2:24, a justificação pelas obras descrita ali não pode ser arrancado do seu contexto, pois essa justificação não é para a salvação, é a justificação da própria fé “Creu Abraão em Deus, e isso foi-lhe imputado como justiça” (Tiago 3:23) ele creu e suas obras foram justificadas pela sua fé, ele não obedeceu e depois creu, ele creu e depois obedeceu, portanto a fé vem antes e o resultado depois,(Veja Hebreus 11:17) veja bem, temos todo o novo testamento para iluminar esse texto de Tiago, cujo contexto aponta para a fé de Abraão e a sua reação mediante a sua fé. “Porque se Abraão foi justificado pelas obras, tem que se gloriar, mas não diante de Deus” (Romanos 4:2) Então Paulo conclui definitivamente “Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efesios 2:9) A salvação pertence ao Senhor e não a nós, glória seja dada ao Deus Triúno, agora e para todo o sempre! Todo cristão bíblico professará “O SENHOR JUSTIÇA NOSSA” (Jeremias 23:6)


​Pedro é muito claro quanto a isso no capítulo 2, versículo 24 da sua primeira epístola. As obras são importantes, contudo, não são agentes de salvação e não possuem poder salvífico. O que pode nos salvar e purificar dos nossos pecados é tão somente o sangue que Jesus Cristo derramou na cruz do Calvário. Ele tem esse poder e eficácia por ser um sangue divino — nem sangue de animais, e muito menos suor humano, têm esse poder.

 

 

“Qual é a melhor proteção contra falsos ensinamentos? Sem dúvida, o estudo regular da Palavra de Deus, com oração pedindo o ensino do Espírito Santo. A Bíblia foi dada para ser lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (Salmo 119:105). Aquele que a lê corretamente jamais poderá errar gravemente. É a negligência com a Bíblia que torna tantas pessoas presas fáceis para o primeiro falso profeta que ouvem. Eles querem nos fazer crer que "não são instruídos e não pretendem ter opiniões formadas". A pura verdade é que são preguiçosos e ociosos na leitura da Bíblia e não gostam do trabalho de pensar por si mesmos. Nada fornece tantos seguidores para falsos profetas quanto a indolência espiritual sob o manto da humildade.” (J. C. Ryle)

 

“A salvação é completa; envolve justificação, santificação e glorificação. Pela graça, mediante a fé, Deus justifica os crentes num ato instantâneo. Ou seja, Cristo morreu pelo seu povo para que a pena pelos seus pecados fosse paga e a sua justiça lhes fosse imputada. Eles são declarados justos diante de Deus quando crêem. Uma vez justificados, Cristo os salva do poder dos seus pecados através do processo contínuo de santificação. Na santificação, os cristãos tornam-se cada vez mais semelhantes a Jesus Cristo. Mas um processo contínuo nunca termina, e o objetivo final só é alcançado com a morte. Na morte, os cristãos são glorificados; então, tornam-se completamente perfeitos pela primeira vez.” (Jay Adams)

NEOPLATONISMO

0 comentários

 NEOPLATONISMO

 




Uma variedade de platonismos do século III ao VI d.C. O fundador do Neoplatonismo foi Plotino (205-270). Sua influência estendeu-se aos neoplatonismos helênicos de Porfírio, Jâmblico, Siriano, Proclo e Damáscio, e aos neoplatonismos cristãos de Basílio de Cesareia, Gregório de Nissa, Gregório de Nazianzo, Sinésio de Cirene e Pseudo-Dionísio entre os cristãos de língua grega, e Mário Victorino, Ambrósio, Agostinho e Boécio no Ocidente latino.

 

As fontes do Neoplatonismo são os diálogos de Platão, os escritos de Aristóteles e (dependendo do tipo de Neoplatonismo) vários textos religiosos. Estes últimos incluem os Oráculos Caldeus, os escritos herméticos e o Antigo e o Novo Testamentos. A partir dessas fontes, o Neoplatonismo propõe um sistema metafísico que apela a uma hierarquia de seres, à realidade de primeiros princípios, a uma teoria tripartite da alma e a uma doutrina tripartite do conhecimento. Após Plotino, há uma suposição neoplatônica compartilhada de que a revelação é a fonte de todo conhecimento lógico. Disso decorre a tentativa de sistematizar e alcançar uma compreensão racional da revelação dos deuses para uma verdadeira compreensão da natureza da realidade.

 

As doutrinas neoplatônicas baseiam-se em teorias propostas no platonismo, aristotelismo e estoicismo anteriores. O Neoplatonismo difere do Platonismo em suas novas combinações de teorias anteriormente dispares e em sua orientação profundamente religiosa. Suas doutrinas hipostáticas, suas visões da relação entre as esferas do ser, suas concepções da natureza e função do conhecimento e sua compreensão da natureza e destino da alma humana fluem da exegese filosófica e da sabedoria revelatória. O Neoplatonismo extraiu de antigas fontes filosóficas e religiosas; no entanto, seu arranjo e interpretação da doutrina platônica eram frescos e novos.

 

No centro da metafísica neoplatônica está uma teologia hipostática. Em geral, os neoplatônicos postulavam três ou quatro hipóstases, chamadas Uno, Mente, Alma e Natureza. O Uno é Deus, que está acima de todo ser e intelecto, mas é o princípio do ser e do intelecto. O Uno é a fonte e o fim de todas as coisas. Do Uno emana a Mente. Este intelecto absolutamente inabalável pensa a si mesmo e as ideias (as formas ideais da realidade). A Mente produz a Alma do Todo. A Alma é um intelecto cósmico que contém todas as ideias gerais e específicas que se tornam explícitas no universo. O universo é chamado Natureza, e é o reino de todas as coisas físicas, o mundo natural cujas causas e efeitos são lógicos. Tem o caráter de necessidade natural para os neoplatônicos helênicos e de leis da natureza divinamente estabelecidas para os neoplatônicos cristãos.

 

Cada hipóstase refere-se a um nível distinto de realidade. Tudo está em tudo; cada nível de ser contém a totalidade da realidade possível, mas sob um aspecto diferente e à sua própria maneira. A alma humana é um microcosmo da realidade, participando de todos os seus reinos. Por meio da recordação e da conversão à razão divina na alma, uma alma individual ascende de seu conhecimento sensível múltiplo a um conhecimento intelectual unitivo e, finalmente, a uma união mística supranoética com Deus.

 

O Neoplatonismo concentra-se em questões da queda da alma humana na matéria e sua redenção. Os neoplatônicos ensinam que, uma vez que a alma humana desce à matéria, ela se separa de Deus. Para superar essa separação, a alma deve livrar-se de seus impulsos passionais e apetitivos e cultivar seus potenciais racionais e divinos.

 

"Conversão" e "processão" são os termos-chave da doutrina soteriológica neoplatônica. Por meio de sua conversão à razão, a alma procede para cima em direção a Deus. Esse processo é concebido como uma ascensão do mundo material ao mundo inteligível e, finalmente, ao mundo divino. Para alcançar a salvação, os neoplatônicos invocavam não apenas os ensinamentos da filosofia greco-romana, mas principalmente as revelações de Deus. A revelação divina assumiu múltiplas formas. Os neoplatônicos helênicos baseavam-se nas escrituras sagradas das religiões helenísticas e romanas. Os neoplatônicos cristãos voltaram-se para a Bíblia. Dessa confluência de filosofia e religião, postulou-se um conjunto de normas que, se seguidas, conduziam à salvação da alma e à união com Deus.

 

Após Plotino, os neoplatônicos sintetizaram e expandiram sua interpretação de Platão. O principal entre esses intérpretes foi o aluno de Plotino, Porfírio, que legou o platonismo plotiniano tanto a pagãos quanto a cristãos.

 

Porfírio comentou os Oráculos Caldeus, uma coleção de ditos gnômicos do século II, expondo a revelação divina que divulgava a plena verdade do Platonismo. Esses escritos forneciam um conhecimento da teurgia (ritos para induzir a presença divina) que permitia a muitas almas alcançar a salvação sem conhecer a filosofia. Os Oráculos Caldeus tornaram-se a Bíblia dos neoplatônicos helênicos de Jâmblico a Proclo.

 

Os neoplatônicos helênicos posteriores sintetizaram os ensinamentos de Plotino, Porfírio e os Oráculos Caldeus. O principal entre eles foi Jâmblico, que expandiu as hipóstases intermediárias entre o Uno e os níveis de realidade. Acreditando que a alma estava completamente caída e separada de Deus, Jâmblico multiplicou as fontes de revelação divina para abranger a maioria dos escritos religiosos da antiguidade greco-romana; ele colocou a teurgia no centro da especulação neoplatônica sobre como alcançar a salvação. Siriano e Proclo continuaram essa tendência, construindo uma síntese complexa de Neoplatonismo, Caldaísmo e Orfismo. Com base nos princípios de analogia e mediação, postularam que cada nível de realidade imita um nível superior, e cada um é análogo ao nível mais alto de todos. Ao imitar a unidade transcendente, cada nível de realidade é dotado de uma estrutura ternária que parte da unidade, desdobra-se em multiplicidade e, então, por sua conversão espiritual, retorna à unidade.

 

O Neoplatonismo helênico era anticristão. Porfírio escreveu obras contra a fé, e Jâmblico foi o mentor espiritual do imperador pagão Juliano, o Apóstata. Após o triunfo do Cristianismo no século IV, os neoplatônicos helênicos moderaram suas críticas. Academias neoplatônicas existiram em Atenas e Alexandria até o século VI.

 

O Neoplatonismo cristão, cujos principais expoentes foram Gregório de Nissa e Agostinho, floresceu a partir do século IV. Suas origens remontam aos séculos II e III d.C. Clemente e Orígenes de Alexandria entenderam a revelação cristã em termos platônicos. Combinando os ensinamentos de Orígenes e Plotino, os neoplatônicos cristãos criaram um Neoplatonismo distinto. Extraindo da filosofia e da Bíblia e da doutrina da Igreja, ergueram uma interpretação platônica que durou toda a Idade Média cristã. Especificamente, com base em uma leitura atenta da Bíblia e de Platão, suas contribuições para o legado do Neoplatonismo foram teológicas. As doutrinas trinitárias de Mário Victorino e Agostinho baseiam-se na interpretação de Porfírio da unidade de substância entre as três hipóstases divinas. Gregório de Nissa e Sinésio de Cirene empregaram a linguagem e a teoria teológica plotinianas para conceituar entendimentos da natureza de Deus. Teologias trinitárias e místicas de moldagem neoplatônica foram transmitidas por Boécio e Pseudo-Dionísio ao período medieval. O Neoplatonismo forneceu interpretações de Deus, cosmos, alma e conhecimento que em grande parte moldaram as autodefinições cristãs posteriores.

 

Ver também Jâmblico; Filosofia; Platão; Plotino; Porfírio. [R.M.B.]

 

**Bibliografia**

 

E. Zeller, *Die Philosophie der Griechen* (Leipzig, 1868; reimp. Darmstadt: Wissenschaftliche Buchgesellschaft, 1963), Vols. 4-6; C. Bigg, *The Christian Platonists of Alexandria* (Oxford: Oxford UP, 1913); T. Whittaker, *The Neo-Platonists* (Cambridge: Cambridge UP, 1928); E.R. Dodds, "The Parmenides of Plato and the Origin of the Neo-Platonic One," *CQ* 11 (1928):129-142; W. Theiler, *Die Vorbereitung des Neuplatonismus* (Berlin: Weidmann, 1930); A.H. Armstrong, *The Architecture of the Intelligible Universe in the Philosophy of Plotinus* (Cambridge: Cambridge UP, 1940); C.J. DeVogel, "On the Neoplatonic Character of Platonism and the Platonic Character of Neoplatonism," *Mind* 62 (1953):43-64; W.K.C. Guthrie, *A History of Greek Philosophy* (Cambridge: Cambridge UP, 1962-1965), Vols. 1-2; H. Chadwick, *Early Christian Thought and the Classical Tradition* (Oxford: Oxford UP, 1967); A.H. Armstrong, ed., *The Cambridge History of Later Greek and Early Medieval Philosophy* (Cambridge: Cambridge UP, 1967); P. Merlan, *From Platonism to Neoplatonism*, 3ª ed. (The Hague: Nijhoff, 1968); H.J. Krämer, *Der Ursprung der Geistmetaphysik* (Amsterdam: Grüner, 1969); R.T. Wallis, *The Neoplatonists* (London: Duckworth, 1972); E.P. Meijering, *God Being History: Studies in Patristic Philosophy* (Amsterdam, Oxford e New York: North Holland, 1975); H. Dörrie, M. Altenburger e U. Schramm, eds., *Gregor von Nyssa und die Philosophie* (Leiden: Brill, 1976); C. Steel, *The Changing Self: A Study on the Soul in Later Neoplatonism: Iamblichus, Damascius and Priscianus* (Bruxelas: Koninklijke Academie voor Wetenschappen, Letteren en Schone Kunsten van België, 1978); J. Geffcken, *The Last Days of Greco-Roman Paganism* (Amsterdam, New York e Oxford: North Holland, 1978; ed. alemã orig., 1920).