Cristo, nosso grande e eterno Senhor, é o fim para o qual devemos caminhar e no qual devemos permanecer. Somente a Ele nos uniremos para sempre, em toda a Sua glória e eternidade. Por Ele, e somente por Ele, teremos acesso ao corpo glorificado e à plena contemplação beatífica, quando, nos novos céus e na nova terra, desfrutarmos da eterna comunhão com Deus (C. J. Jacinto)
Em Cristo
Como Ter Firmeza Espiritual em Tempos de Apostasia?
É fundamental compreendermos a
natureza dos eventos que precedem o fim dos tempos. Comumente, discute-se a
manifestação do anticristo e a apostasia que permeará os últimos dias; contudo,
devemos atentar para o fato de que, antes do retorno de nosso Senhor Jesus para
arrebatar os santos, a sedução do espírito do erro se intensificará e dominará
o mundo. Diante dessa realidade, torna-se imprescindível que estejamos
preparados. A maneira pela qual devemos nos aparelhar para confrontar, discernir
e rejeitar o erro, mantendo nossa fidelidade ao Senhor, é cultivar o amor à
verdade. Este é um princípio basilar que devemos internalizar e aplicar em
nossa vida nestes tempos finais. Para dar início a este breve estudo bíblico,
convém fundamentar a reflexão na primeira epístola de João, capítulo 4,
versículos 1 a 6. No versículo 1, o apóstolo exorta os fiéis a não conferirem
credibilidade a todo espírito, mas a discernirem se procedem de Deus, visto que
muitos falsos profetas se levantaram no mundo. Ao chegarmos ao versículo 3,
lemos: "E todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne
não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há
de vir, e eis que já está no mundo".
A partir deste texto de João, depreende-se que a ação do espírito do Anticristo
já operava desde a escrita da epístola. Conforme o relato em 2 Tessalonicenses,
essa sedução se intensificará nos últimos dias, de modo que a operação do erro
será significativamente mais acentuada no fim dos tempos do que nos primórdios
da Igreja. Compreender esse aspecto é fundamental para que tenhamos uma
percepção adequada acerca do contexto espiritual em que vivemos atualmente.
Essa realidade é evidente a todo estudioso dedicado do Novo Testamento, uma vez
que diversas passagens corroboram tal ensinamento. Em 2 Pedro 2:1, lemos:
"Assim como houve entre o povo falsos profetas, também haverá entre vós
falsos doutores, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias
destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano que os resgatou, trazendo
sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão as suas práticas
libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade". Da
mesma forma, lemos em 1ª Timóteo, capítulo 4, versículo 1: "O Espírito diz
expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por darem
ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios." Em 2 Timóteo
4:3, o apóstolo Paulo adverte que virá um tempo em que os homens não suportarão
a sã doutrina; pelo contrário, movidos por seus próprios desejos, buscarão
mestres que lhes agradem, desviando os ouvidos da verdade e voltando-se para
fábulas. Iniciamos agora a análise da segunda epístola aos Tessalonicenses,
capítulo 2, versículos 8 a 12, que nos relata: "E então será revelado o
iníquo, a quem o Senhor Jesus desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará
pelo esplendor da sua vinda. Aquele cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás,
com todo o poder, e sinais, e prodígios de mentira, e com todo o engano da
injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se
salvarem. E, por isso, Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a
mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes
tiveram prazer na iniquidade." Observemos atentamente o versículo 10:
"E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não
receberam o amor da verdade para se salvarem". Nota-se, por essa passagem,
que uma das características centrais da superficialidade cristã é a ausência de
um amor profundo pela verdade. Tal indivíduo não se encontra fundamentado nas
verdades basilares das Escrituras, demonstra aversão a pregações bíblicas e à
sã doutrina, optando por uma religiosidade sentimental e superficial, típica do
nosso tempo.
Portanto, aquele que é superficial carece de amor à verdade. A profundidade da
nossa vida espiritual está intrinsecamente ligada à intensidade do nosso amor
pela verdade revelada: a Palavra de Deus. Observe que esse conceito se alinha
precisamente à passagem citada anteriormente em 2 Timóteo, capítulo 4. Ao
lermos a partir do primeiro versículo, o apóstolo Paulo exorta:
"Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de
julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, que pregues a palavra,
instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a
longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã
doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme
as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando
às fábulas". Portanto, desviar os ouvidos da verdade e rejeitar a sã
doutrina é uma característica inerente àqueles que não receberam o amor pela
verdade. Consequentemente, falta-lhes a paixão profunda necessária para
valorizar a exposição fiel das Escrituras e a pregação genuína da Palavra de
Deus. Estejamos, portanto, atentos ao poder da sedução que se manifesta a
partir do segundo capítulo de 2 Tessalonicenses, versículo 10, o qual descreve
a "sedução da iniquidade" sobre aqueles que perecem. Tal força
utiliza-se de múltiplos artifícios para induzir o homem ao erro, conduzindo-o à
condenação. Ela se manifesta por meio de um espírito enganoso, valendo-se de
estratégias que simulam afabilidade e graça para conquistar o favor de muitos.
Sob a máscara de uma pretensa santidade, de uma sabedoria aparente e de uma
eloquência notável, essa força se apresenta como detentora de uma
espiritualidade superior, quando, na verdade, é apenas um simulacro.
Frequentemente, a mensagem central dessa sedução consiste na promessa de
riquezas e de paz, ocultando, contudo, a sua natureza iníqua. Diante disso,
sustentamos que a solidez de um indivíduo deve estar fundamentada naquilo que
Jesus Cristo ensinou em Mateus, capítulo 7, acerca do homem prudente que
edificou sua casa sobre a rocha. Tal prudência, segundo o próprio Cristo,
caracteriza-se por ouvir e cumprir a Sua palavra, definindo, assim, o cristão
verdadeiramente alicerçado nas Escrituras.
Dessa forma, ao considerarmos a passagem que descreve o engano destinado aos
que perecem, compreendemos tratar-se de uma sedução insidiosa e persistente
para o mal. É um artifício que distorce a verdade e a sufoca, tal como Jesus
advertiu em Mateus 13:22, ao identificar a influência maligna que se interpõe
no caminho da fé. Quando o homem ouve a mensagem, mas permite que as
preocupações mundanas e a sedução das riquezas a dominem, a palavra é sufocada
e torna-se infrutífera. Jamais devemos permitir que a semente da verdade seja
asfixiada em nosso interior; ao contrário, ela deve germinar plenamente e
produzir seus frutos. Na língua grega, o termo “apate” designa o ato de
enganar, iludir, ludibriar ou seduzir. Este conceito descreve algo que, embora
apresente uma aparência convincente, nega profundamente a essência do
cristianismo ao promover uma falsa impressão da realidade. Trata-se, portanto,
de uma sedução ética, moral e espiritual. No contexto de 2 Tessalonicenses,
essa influência é manifestada por meio de "sinais e prodígios de mentira",
os quais, devido ao seu caráter espetacular e à simulação de feitos
extraordinários, suscitam grande espanto nos observadores, sendo, contudo, um
mero embuste. O termo “apate” também descreve aquilo que conduz o indivíduo a
concepções errôneas ou distorcidas sobre a verdade. Ao correlacionarmos esse
conceito com a passagem de 2 Coríntios 11:14, na qual o apóstolo Paulo afirma
que o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz, compreendemos como muitos
podem ser seduzidos pelo brilho aparente do "espírito do erro". Tal
influência leva pessoas a acreditarem que estão vivenciando revelações
angélicas ou celestiais, quando, na verdade, encontram-se sob a ação de uma
força espiritual profundamente sinistra. Ao analisarmos a advertência do
apóstolo Paulo em I Timóteo 4:1, observamos que a adesão a doutrinas de
demônios e a espíritos enganadores está intrinsecamente ligada ao fenômeno da
apostasia. A apostasia pressupõe o abandono de uma fé previamente professada,
ainda que esta tenha sido superficial. Indivíduos que, embora frequentem
ambientes eclesiásticos, carecem de um amor genuíno pela verdade e pelas
Escrituras, tornam-se vulneráveis à sedução do erro. Essa vulnerabilidade é
agravada quando tais pessoas negligenciam o aprofundamento bíblico e a busca
por congregações comprometidas com a pregação fiel, seja ela temática, textual
ou expositiva. Em vez disso, optam por ambientes influenciados pelo
pós-modernismo, onde o cristianismo é diluído por conceitos psicológicos e por
uma abertura acrítica ao sobrenatural. Quando alguém, voluntariamente, se priva
de um ensino teológico sólido e de uma liderança que genuinamente batalha pela
fé que uma vez foi entregue aos santos, essa pessoa se coloca em uma posição de
grave risco espiritual. Ao rejeitar o alicerce bíblico, o indivíduo abre espaço
para ser seduzido pelo espírito do erro, afastando-se da verdade absoluta das
Escrituras. Faz-se necessário, portanto, fortalecer a tese de que devemos
cultivar um amor crescente pela verdade. É imperativo que amemos as Escrituras
com a devida reverência, conforme exorta o apóstolo Paulo em sua segunda
epístola a Timóteo, capítulo 3, versículos 14 a 17: "Tu, porém, permanece
naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens
aprendido, e que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem
fazer-te sábio para a salvação pela fé que há em Cristo Jesus. Toda a Escritura
é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para
corrigir, para instruir na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito
e perfeitamente habilitado para toda boa obra." Diante de tamanha
magnitude das virtudes espirituais descritas pelo apóstolo, torna-se impossível
não devotar um amor profundo à Palavra de Deus. A forma como Paulo delineia os
atributos das Escrituras oferece motivos inegáveis para que busquemos a verdade
com ardor. Como Jesus afirmou em João 17:17: "Santifica-os na verdade; a
tua palavra é a verdade". Ao lermos e amarmos as Escrituras, amamos a
própria Verdade, que é Cristo, visto que todo o texto bíblico converge para
Ele. O próprio Senhor declarou ser o caminho, a verdade e a vida; logo, amar a
Bíblia é amar a Cristo, e amar a Cristo é, intrinsecamente, amar a Sua Palavra.
Consequentemente, aquele que ama a verdade repudia a mentira. É possível
observar essa postura em comunidades e cristãos que demonstram zelo pelas
Escrituras e compromisso com os valores divinos. Ao dirigir-se à igreja de
Éfeso, Jesus afirmou: "Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos
nicolaítas, as quais eu também odeio". Isso revela a existência de um
"ódio santo" — uma aversão necessária ao erro e à falsidade —,
característica inerente a todos aqueles que verdadeiramente amam a verdade. Gostaria
de tecer algumas considerações. Ao analisarmos a passagem de 1 Timóteo 4:1, na
qual o apóstolo Paulo discorre sobre a apostasia, percebemos que o texto é
frequentemente utilizado para questionar a doutrina da perseverança dos santos
— a ideia de que, uma vez salvo, o indivíduo está permanentemente salvo.
Contudo, é fundamental que interpretemos a Bíblia através de seus próprios
preceitos.
A apostasia, em sua essência, consiste
no abandono de uma posição de sã doutrina em direção ao erro. Em comunidades
que professam a fé, é possível encontrar indivíduos que, embora frequentem o
ambiente onde a sã doutrina é ensinada, não a endossam genuinamente, por não
terem experimentado uma conversão verdadeira. Para esclarecer essa questão,
devemos recorrer a 1 João 2:19. O apóstolo João explica que muitos anticristos,
embora tenham integrado formalmente o convívio da igreja, nunca foram, de fato,
parte do corpo de Cristo. Como João bem pontua: "Saíram de nós, mas não
eram de nós". Eles mantinham apenas uma associação externa, sem o devido
compromisso espiritual. Portanto, à luz dessa passagem, a apostasia mencionada
em 1 Timóteo 4:1 deve ser compreendida como o afastamento daqueles que, estando
entre os fiéis, nunca foram verdadeiramente regenerados. Gostaria de retomar o
tema e aprofundar a natureza do engano. A apostasia, conforme delineado em
Judas 1:4, opera ao converter a graça de Deus em pretexto para a libertinagem.
Trata-se de um movimento espiritual sutil, astuto e dissimulado, cuja eficácia
em iludir os incautos e aqueles que não amam a verdade é notável. Ao
examinarmos Apocalipse 13:11-18, observamos a característica distintiva desse
poder de sedução: a Besta realiza grandes sinais. O sistema movido pelo
espírito do erro é profundamente pragmático, fundamentado em prodígios
enganosos. Ele induz tanto materialistas quanto metafísicos à crença na
falsidade, explorando a inclinação humana por experiências extraordinárias,
sinais e sentimentos. Ao fazer descer fogo do céu ou conferir vida a uma
estátua, o sistema manifesta autoridade e poder, deixando os espectadores
atônitos e suscetíveis a acreditar que contemplam a própria divindade. Embora
tais eventos sejam, em essência, fraudulentos, a sedução resultante conduz o
mundo à adoração da Besta. Esse cenário ecoa o relato de Apocalipse 12, que
descreve como a sedução do adversário foi capaz de arrastar a terça parte dos
anjos. A magnitude do poder de sedução do espírito do erro deve, portanto,
provocar uma reflexão profunda e solene em nossas vidas. No contexto de 2 Tessalonicenses 2:10, o
apóstolo Paulo adverte que Deus enviará a operação do erro para aqueles que
perecem por não acolherem o amor da verdade.
Essa passagem me recorda um trecho do Antigo Testamento, em Deuteronômio
13:1-4, no qual Moisés orienta o povo de Israel:
“Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti e te der um
sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado,
dizendo: 'Vamos após outros deuses, que não conheceste, e servamo-los', não
ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o Senhor,
vosso Deus, vos prova, para saber se amais o Senhor, vosso Deus, com todo o
vosso coração e com toda a vossa alma. Após o Senhor, vosso Deus, andareis, e a
ele temereis, e os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis, e a ele
servireis, e a ele vos achegareis.” Vemos aqui que Deus pode permitir que
falsos profetas realizem sinais e prodígios. Contudo, devemos permanecer
vigilantes: ainda que um falso profeta realize milagres extraordinários, se a
sua mensagem induzir ao erro, à falsa doutrina e à apostasia, ele deve ser
sumariamente rejeitado.
Moisés enfatiza que não devemos dar ouvidos a tais manifestações porque o
próprio Senhor está nos provando. O propósito da prova é revelar se o nosso
amor por Ele é genuíno e integral; se andamos em Seus caminhos, guardamos os
Seus mandamentos e nos achegamos a Ele. Nesse sentido, a exortação mosaica
aponta para a centralidade das Escrituras. Só podemos temer ao Senhor e cumprir
a Sua vontade à medida que conhecemos a Sua Palavra. A voz de Deus soa de forma
viva e autoritativa por meio dos 66 livros da Bíblia Sagrada. Afinal, quem ama
a Deus ama a Palavra que O revela — e, ao amar a Palavra, ama o próprio Deus
que por meio dela Se dá a conhecer
[20/8 09:05] Clavio Jacinto: "O que se pode entender de tudo isso? Eu
volto, então, a repetir de forma muito solene e grave, como se estivesse
gritando ao seu próprio coração: ame a verdade. Se você não amar a verdade, se
você não tiver uma paixão radical pelas Escrituras, se você não estudar, se
você não amar a Escola Dominical, se você não for atrás de bons mestres que
saibam a respeito das Sagradas Escrituras e façam uma hermenêutica correta, de
pregadores e mestres que tenham uma boa base de teologia sólida, pela qual
possam lhe transmitir verdadeira confiança; se você não estiver atrás de homens
verdadeiramente comprometidos com a fé, com a sã doutrina e com a ortodoxia,
isso poderá ser fatal para você.
O poder da sedução será enorme e se acentuará cada vez mais nos últimos dias.
Quanto mais estivermos próximos do arrebatamento da Igreja, mais acentuado será
esse engano, de modo que ele entrou, se infiltrou na cristandade e, cada vez
mais, tem produzido uma sedução terrível — de modo que muitas pessoas estão
sendo arrastadas por essa grande onda de apostasia.
Mas, todavia, enquanto os ventos sopram, as águas turbulentas da apostasia
sopram, e enquanto, muitas vezes, no horizonte, a escuridão do erro e do engano
infernal parecem cada vez mais evidentes, todavia aqueles que ouvem...
Lembre-se bem, porque Jesus fala isso: ouvir e praticar a Palavra lá em Mateus,
no capítulo 7; mas também lá no livro de Apocalipse 1:1 “Bem-aventurados
aqueles que ouvem e bem-aventurados aqueles que lêem as palavras desta profecia”.
De modo que a Bíblia deve ganhar a sua relevância e todo o teu amor, e deve
amá-la de todo o teu coração enquanto professas a fé cristã e estás
peregrinando sobre este mundo. Uma consideração final. Recentemente, li o
testemunho de uma cristã que, nos primeiros anos de sua caminhada de fé, foi
ludibriada por espíritos sedutores. Por meio de um processo de libertação, ela
compreendeu que fora manipulada e que uma das principais brechas para esse
engano foi a interpretação equivocada das Escrituras, utilizada, sobretudo,
para a satisfação do próprio ego. Esse erro teve um alto custo, pois permitiu
que ela se envolvesse com o sobrenatural sem observar os critérios bíblicos
estabelecidos.
Embora toda verdade liberte, a mentira
aprisiona. A ignorância também é uma forma de cárcere, pois cede terreno às
forças espirituais malignas. De fato, o desconhecimento das verdades divinas é
uma condição primária para que o engano prospere. A falta de discernimento de
muitos cristãos quanto às sutilezas das trevas tem facilitado a ação de Satanás
e de seus anjos. O maligno se aproveita, especialmente, da negligência, do
desamor e da indiferença para com a Palavra de Deus. Se essas características
estiverem presentes em sua vida — se você for indiferente às Escrituras, se não
as ama ou não as reverencia, se falha na correta exegese e utiliza o texto
sagrado apenas para interesses pessoais em vez de buscar a verdade — saiba que
você está abrindo espaço para espíritos enganadores.
Na Segunda Carta a Timóteo, capítulo 2, versículo 15, o apóstolo Paulo
apresenta uma exortação fundamental: “Procura apresentar-te a Deus aprovado,
como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da
verdade”. A expressão “manejar bem” sugere o exercício de um manuseio preciso,
diligente e criterioso das Sagradas Escrituras. A "palavra da
verdade", à qual Paulo se refere, corresponde à própria revelação de Deus,
que exige interpretação fundamentada em pressupostos corretos e ferramentas
hermenêuticas adequadas, a fim de evitar desvios doutrinários. É necessário
cautela, visto que o testemunho bíblico e a experiência cristã alertam para a
ação de espíritos sedutores que, valendo-se de um conhecimento intelectual das
Escrituras, buscam enganar os fiéis. O apóstolo Tiago, em sua epístola (2:19),
recorda que o reconhecimento intelectual de verdades teológicas — como a
unicidade de Deus — não é exclusivo dos fiéis, pois até os demônios crêem e
tremem. A dinâmica do engano frequentemente envolve o uso distorcido das
Escrituras. Exemplos notáveis disso ocorrem na tentação de Cristo, narrada em
Mateus 4:1-11, onde Satanás cita os textos sagrados fora de seu contexto
original, e na queda no Éden, descrita em Gênesis 3, na qual a serpente induziu
Eva ao erro ao deturpar o mandamento proferido por Deus a Adão. Portanto, a
precisão na interpretação é a salvaguarda necessária contra a manipulação da
Palavra. É possível compreender que o termo "enganado" está
frequentemente associado à condição do incrédulo, conforme atestam as passagens
de Tito 3:3 e Efésios 2:1-3. Contudo, é perfeitamente possível frequentar uma
congregação, professar uma religião e declarar fé em Deus sem, de fato, ter experimentado
a verdadeira conversão ao Evangelho ou o novo nascimento. O apóstolo Paulo, em
Filipenses 3:6, ilustra essa condição: antes de seu encontro com Cristo, ele
era um homem profundamente religioso, irrepreensível no cumprimento da justiça
da lei e rigoroso em suas práticas. Embora possuísse as Escrituras e
reconhecesse a existência de Deus, Paulo carecia de um encontro genuíno com o
Senhor. Ele vivia sob a égide da religiosidade, mas, sem o arrependimento
sincero e o novo nascimento, permanecia, ainda que inconscientemente, em erro.
Concluímos, portanto, que, ao se referir
àqueles que não receberam o amor da verdade para a salvação, Paulo aponta para
indivíduos que não permitiram que ela encontrasse lugar em seus corações. A
compreensão exata é que eles deliberadamente recusaram a verdade tal como é
apresentada nas Escrituras. O problema fundamental residia na escolha pessoal
de rejeitar o Evangelho, mesmo tendo a oportunidade de ouvi-lo; tratava-se de
um ato consciente e voluntário de repúdio. Eles recusaram, de forma absoluta,
acolher a verdade com amor.
Conforme exorta o apóstolo Tiago, em sua
epístola (1:21), devemos receber com mansidão a palavra implantada em nós, pois
ela é poderosa para salvar. Diferente disso, os indivíduos descritos por Paulo
não abandonaram a impureza moral nem os resquícios de maldade e,
consequentemente, não desenvolveram um desejo genuíno pelo Evangelho de nosso
Senhor Jesus Cristo. O propósito deles não era seguir a Cristo, mas buscar uma
religião confortável, capaz de satisfazer seus sentimentos e o próprio ego. Frequentemente,
essa busca mostra-se em plena oposição à vontade de Deus, a qual nem sempre
atende às exigências do ego ou aos desejos da natureza humana corrompida.
Seguir a Cristo implica um custo elevado, como o próprio Jesus afirmou: aquele
que deseja segui-Lo deve, antes, negar-se a si mesmo. Contudo, observa-se hoje
muita religiosidade disfarçada de cristianismo cujo requisito principal é
oferecer aquilo que agrada ao ego, em vez de promover o verdadeiro Evangelho,
que exige a negação de nós mesmos.
Convido o amado irmão e leitor a atentar para as palavras de Provérbios,
capítulo 2, versículos de 1 a 6: "Filho meu, se aceitares as minhas
palavras e esconderes contigo os meus mandamentos, para fazeres o teu ouvido
atento à sabedoria e inclinares o teu coração ao entendimento; se clamares por
conhecimento e por inteligência alçares a tua voz; se, como a prata, a buscares
e, como a tesouros escondidos, a procurares, então entenderás o temor do Senhor
e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria, e da sua boca
procedem o conhecimento e o entendimento." Que o amado leitor possa
ponderar profundamente nestes versículos, nos quais Salomão descreve o homem
que se inclina a aceitar as palavras do Senhor e a preservar os mandamentos em
seu coração. Que este zelo o conduza a um amor genuíno pelas Escrituras,
levando-o à leitura diária e diligente, tratando a Palavra com a devida
reverência. Da mesma forma, que haja um esforço constante em buscar o ensino de
mestres fiéis, capazes de expor com precisão as doutrinas fundamentais do
Evangelho. Que Deus o abençoe.
A Natureza Da Revelação de Deus nas Escrituras
Compreender a revelação divina é essencial para a correta percepção da natureza
das Escrituras e da forma pela qual Deus manifestou aos homens a Sua vontade e
o Seu plano de salvação. Sem essa revelação, a humanidade estaria restrita às
suas próprias conjecturas acerca de Deus, de si mesma, da criação, do futuro,
da verdade, do pecado, da redenção e do destino eterno. Portanto, a revelação
bíblica não constitui uma mera coletânea de reflexões religiosas humanas, mas a
manifestação plena daquilo que esteve na mente de Deus desde toda a eternidade.
O termo "revelação" carrega o significado de descobrir, desvelar ou
tornar manifesto aquilo que, anteriormente, permanecia oculto. Este conceito é
fundamental quando aplicado às verdades espirituais contidas nas Escrituras,
tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. O ser humano, por meio de sua
própria capacidade intelectual, é incapaz de perscrutar a mente de Deus para
compreender Seus planos, Sua vontade e Seus pensamentos. Aquilo que jaz no
mistério da natureza divina precisa ser, necessariamente, revelado pelo próprio
Deus. Devemos nortear nossa leitura bíblica por este princípio, reconhecendo
que é impossível alcançar uma compreensão absoluta da vontade divina apenas
pelos nossos meios; o conhecimento que Deus deseja nos transmitir é,
primordialmente, um ato de Sua manifestação.
Em Colossenses 1:26, o apóstolo Paulo discorre sobre o mistério que, embora
oculto por gerações, foi plenamente manifestado pelo Espírito Santo. Tal
desígnio, contido na soberana vontade divina, somente poderia ser revelado pelo
próprio Deus. As Escrituras evidenciam que essa revelação foi transmitida aos
apóstolos e aos homens santos através da inspiração do Espírito.
Consequentemente, possuímos, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, uma
revelação completa, fundamentada na premissa de que o Espírito Santo capacitou
os autores bíblicos para que a vontade de Deus fosse claramente comunicada a
toda a humanidade. Compreender este fato nos conduz a uma verdade fundamental:
a revelação das Escrituras não deriva da especulação, das ideias ou das
perspectivas humanas. A revelação cristã não nasce no coração do homem; ela
procede, única e exclusivamente, de Deus para a humanidade.
Deus é a fonte da revelação. A fonte última da revelação é o próprio Deus.
Devemos entender isso claramente. A Bíblia é a palavra de Deus. A palavra de
Deus escrita aos homens. O fato de que Cristo, embora possuísse autoridade
divina, declarou que não falava independentemente do Pai. Sua mensagem procedia
daquele que enviara. Da mesma forma, vamos encontrar esse princípio também nos
profetas do Antigo Testamento. Moisés recebe a lei a partir do Monte Sinai. E
posteriormente podemos notar que os profetas como e o próprio Daniel tiveram
revelações procedentes do próprio Deus. Deus Pai. Com relação a Cristo, depois
da sua ressurreição, Cristo foi exaltado à direita de Deus Pai e recebeu toda
autoridade. Assim, Deus fala à humanidade, através e por meio do seu único
filho, o nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.
Ao analisarmos Hebreus 1:1-2, compreendemos que a revelação possui origem
divina e caráter cristológico. Deus é a fonte primária, e Cristo, o agente por
meio do qual tal revelação se manifesta. Sendo o veículo e o mediador da
comunicação de Deus à humanidade, Cristo torna a revelação divina um fenômeno
absolutamente cristocêntrico. Esse processo ocorre mediante a agência, o poder
e a autoridade do Espírito Santo, responsável por administrar a revelação
completa aos homens, conforme se depreende da leitura das Escrituras.
Depreende-se, portanto, a lógica de que, se Deus existe e deseja ser conhecido,
Ele fatalmente se revelará à humanidade. De que modo, então, Ele o faz?
Historicamente, Deus se manifestou por meio dos profetas e, posteriormente, na
plenitude dos tempos — conforme registrado em Gálatas 4:4 —, revelou-se
plenamente por intermédio de Cristo. Jesus é a representação visível do Deus
invisível. Em João 6:63, lemos: "As palavras que eu vos digo são espírito
e vida", e, em João 14:15, o próprio Cristo declara: "Se me amais,
guardai os meus mandamentos". Deus comunica uma mensagem inteligível,
acessível ao entendimento humano; por isso, devemos compreender que a revelação
divina em Cristo é absoluta, permitindo que todos os homens possam acolher a
mensagem do Evangelho e aplicá-la às suas vidas. Conforme registrado em João
12:48, Cristo afirmou que aqueles que rejeitarem as suas palavras serão
julgados por elas no último dia. Esta declaração possui uma profundidade
imensa, visto que não é possível separar Cristo de sua doutrina; a autoridade
de Cristo está intrínseca e inseparavelmente ligada àquilo que Ele revelou.
Adicionalmente, o próprio Senhor testifica a perenidade de seus ensinamentos em
Mateus 24:35: "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de
passar". Diante disso, observa-se a autoridade suprema que Cristo confere
ao Evangelho, exigindo de cada indivíduo a devida atenção, reflexão e
ponderação acerca da revelação transmitida por Deus por meio de seu Filho
unigênito, nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.
Compreendemos, portanto, que o Espírito Santo atua como o agente transmissor da
verdade. Cristo assegurou aos apóstolos que o Espírito Santo os instruiria e
lhes recordaria todos os Seus ensinamentos. Conforme registrado no Evangelho de
João, capítulo 16, versículo 13, Jesus afirmou que o Espírito os guiaria a toda
a verdade. Anteriormente, em João 14:26, o Senhor também prometeu que o
Espírito os faria lembrar de tudo o que fora dito, garantindo que os apóstolos
e escritores dos Evangelhos redigissem um relato preciso e verídico, com
fidelidade aos detalhes, graças à capacitação divina. Da mesma forma, os
autores dos demais livros do Novo Testamento receberam essa inspiração para que
a revelação de Deus Todo-Poderoso fosse integralmente consumada na Bíblia
Sagrada, composta por seus 66 livros. Assim, percebemos uma dinâmica na qual Deus
se revela por meio de Cristo, Cristo é revelado pelo Espírito Santo e os
apóstolos, inspirados por esse mesmo Espírito, registram as palavras divinas,
dando origem às Sagradas Escrituras.
A Bíblia estabelece alegações extraordinárias a respeito de sua própria origem
e autoridade. Caso tais premissas fossem inverídicas, o texto sagrado
constituiria uma fraude; contudo, sendo verdadeiras, estaríamos diante da
própria Palavra de Deus. A unidade da Bíblia é, por sua vez, inigualável.
Jamais, em qualquer outra obra, reuniram-se tantos tratados distintos —
históricos, biográficos, éticos, proféticos e poéticos — para constituir um
volume coeso. Tal qual as pedras lavradas e as tábuas de madeira que compõem um
edifício, ou, mais precisamente, como os músculos e ligamentos que se integram
em um organismo vivo, assim são as Escrituras. Este fato, além de
incontestável, não possui paralelo na literatura. Sob a perspectiva puramente
humana, as circunstâncias seriam não apenas desfavoráveis, mas francamente
hostis a uma integração dessa magnitude. Considero verídico o que George Eldon
Ladd afirma hoje: a fé judaico-cristã não se originou de especulações
filosóficas nem de experiências subjetivas, sendo, portanto, a palavra de Deus
revelada aos homens. Conforme Paulo declara em 2 Timóteo 3:16: "Toda a
Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a
correção e para a instrução na justiça". Essa função da Palavra de Deus
fundamenta-se no termo grego *theopneustos*, que significa "soprada por
Deus". Assim como, na criação narrada no livro de Gênesis, o Criador
soprou sobre Adão e lhe concedeu vida, o mesmo Deus sopra sobre as Escrituras,
tornando-as, igualmente, portadoras de vida.
Sob uma perspectiva antropológica, observa-se uma limitação intrínseca à capacidade
humana. Embora a inteligência do homem seja capaz de investigar o universo,
desenvolver a ciência, estruturar sistemas filosóficos e religiosos e acumular
vasto conhecimento, tais feitos não conferem ao ser humano a capacidade de
acessar, por mérito próprio, os desígnios da mente divina. O alcance desse
saber é, por natureza, inalcançável às faculdades humanas. Dessa forma, a
revelação torna-se um imperativo. A existência de um Deus Criador pressupõe,
necessariamente, que Ele se manifeste; caso contrário, permaneceria eternamente
desconhecido. Como registrado pelo profeta Isaías, no capítulo 55, versículo 8:
"Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos
caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor". Fica evidente, portanto, que
não é o homem quem, por meio de seu intelecto, alcança a Deus para certificar
Sua existência, mas sim Deus quem se revela em Cristo para tornar Sua presença
manifesta aos homens. É fundamental estabelecer uma distinção clara entre
revelação e inspiração, conceitos que, embora interligados, não são sinônimos.
A revelação refere-se ao conteúdo que Deus torna conhecido, enquanto a
inspiração diz respeito ao processo pelo qual esse conteúdo é comunicado sob
orientação divina. Esta distinção é essencial, pois é a inspiração que
viabiliza a transmissão da revelação ao ser humano.
A revelação divina é conduzida pelo Espírito Santo, que não apenas inspirou os
hagiógrafos na escrita do Antigo e do Novo Testamento, mas também atua para
iluminar a compreensão e recordar as verdades escriturísticas. Em última
análise, a revelação constitui o conteúdo do que foi manifestado por Deus
através da inspiração. Portanto, ao manusearmos as Escrituras, temos em mãos a
Palavra de Deus, inspirada e revelada, plenamente acessível a cada um de nós. Em
1 Coríntios 2:13, o apóstolo Paulo afirma que a mensagem cristã não é
transmitida por meio de palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas pela
instrução do Espírito Santo, que interpreta as verdades espirituais através de
uma perspectiva também espiritual. Nesse contexto, estabelece-se uma distinção
clara entre o intelecto humano e a fonte de revelação divina. Assim como o
Espírito Santo capacitou os apóstolos a registrar a revelação de Deus, Ele é o
mesmo que nos concede a devida compreensão de tudo o que foi revelado. Reitero,
portanto, que a contribuição dos geógrafos não foi fruto de uma mera influência
do Espírito Santo. Eles atuaram como instrumentos pessoais e agentes
inspirados, por meio dos quais a revelação divina foi transmitida à humanidade.
O Espírito Santo operou na vida desses homens, guiando a redação dos livros do
Antigo e do Novo Testamento, tornando, assim, a vontade de Deus plenamente
acessível e manifesta a todos os povos. O Espírito Santo não criou fatos nem
engendrou uma nova história; Ele é a própria fonte da verdade. A revelação
torna essa verdade manifesta, enquanto a inspiração divina assegura sua
comunicação fidedigna. Consequentemente, possuímos uma revelação completa da
parte de Deus, que expressa Sua vontade e Seus planos salvíficos, oferecendo
respostas às questões existenciais que inquietam o ser humano: Quem sou eu? De
onde vim? Para onde vou? Estas perguntas fundamentais, que emergem naturalmente
na trajetória de qualquer indivíduo, encontram sua plenitude na Bíblia Sagrada,
sob a inspiração do Espírito Santo. Assim, as Escrituras tornam-se o
instrumento pelo qual o próprio Deus responde aos dilemas mais profundos da
humanidade. A inspiração, portanto, confere fidelidade à revelação que Deus
concedeu à humanidade. Encontramos na Bíblia Sagrada um registro fiel e
completo, inteiramente verídico, acerca das verdades que Deus deseja transmitir
aos homens. Outro aspecto que devemos ponderar é a inspiração verbal das
Escrituras. Se a revelação divina foi comunicada mediante palavras, estas não
são irrelevantes; ao contrário, são fundamentais para a compreensão e a
aceitação de que Deus transcendeu Sua glória para se revelar à humanidade. Essa
revelação ocorreu por meio dos profetas, no Antigo Testamento, e culminou em
Seu Filho, no Novo Testamento, conferindo-nos a plenitude da vontade divina.
Deus revelou-se integralmente a nós por intermédio de Cristo; portanto, toda a
Bíblia possui essa inspiração verbal, reflexo da revelação completa que o
Senhor nos concedeu.
Desejo reiterar a relevância da tradução bíblica e a magnitude da
responsabilidade que tal tarefa demanda. A precisão na transposição dos textos
sagrados é um imperativo fundamental em nossos dias. É necessário compreender
que paráfrases imprecisas, traduções defasadas e edições espúrias têm circulado
amplamente, inclusive entre o público cristão. Observa-se, com preocupação, que
mesmo segmentos considerados conservadores demonstram, por vezes, negligência
diante da seriedade deste tema. Atualmente, proliferam versões e bíblias de
estudo que mesclam ideologias humanas ao texto inspirado, exigindo de nós uma
postura de extremo discernimento. Vivemos sob a égide do relativismo, uma
corrente que, lamentavelmente, também tem permeado o âmbito das traduções
bíblicas, resultando em textos que divergem substancialmente entre si. É um
equívoco perigoso sustentar que todas as edições são equivalentes; grande parte
do que é comercializado no mercado editorial contemporâneo responde a
interesses mercadológicos, carecendo de compromisso com a fidelidade e a
seriedade exigidas pelas Escrituras. A defesa de traduções rigorosas é,
portanto, o caminho indispensável para manifestarmos o devido respeito à
Palavra de Deus. Em 1 Coríntios 1:21, o apóstolo Paulo afirma que, pela
sabedoria de Deus, o mundo não alcançou o conhecimento divino através de sua
própria sabedoria, razão pela qual aprouve a Deus salvar os crentes por meio da
"loucura" da pregação. Depreende-se, portanto, que a inteligência
humana não constitui, em hipótese alguma, o meio pelo qual recebemos a
revelação divina. A revelação de Deus distingue-se fundamentalmente da
sabedoria humana: enquanto esta última é limitada, a divina é absoluta.
Embora o intelecto possua valor em
sua esfera de atuação, ele não pode substituir a verdade revelada por Deus.
Filósofos e acadêmicos podem atingir níveis extraordinários de erudição
científica e intelectual, permanecendo, contudo, ignorantes acerca das questões
existenciais fundamentais — como a origem, o propósito da vida e o destino após
a morte —, temas que as Escrituras elucidam de forma clara, sucinta e veraz.
Conclui-se, portanto, que o saber humano não é sinônimo de conhecimento de
Deus. A própria ciência secular atesta que o avanço intelectual, por si só, não
garante a compreensão das realidades espirituais. O domínio profundo dos
fenômenos físicos é perfeitamente compatível com uma cegueira espiritual,
evidenciando que a intelectualidade humana não é capaz de substituir a
iluminação divina. Atualmente, observa-se com preocupação a crescente influência
de correntes filosóficas e psicológicas sobre a teologia, resultando em uma
interpretação bíblica frequentemente comprometida. Tradições humanas, que por
vezes invalidam as Escrituras, têm sido incorporadas à hermenêutica, gerando
uma síntese deletéria e distorcida da Palavra de Deus. Conforme adverte a
epístola de Tiago, tal sabedoria, caracterizada como terrena, animal e
diabólica, penetra no meio eclesiástico criando um amálgama estranho à fé.
Contudo, a verdadeira sabedoria provém do alto, visto que, conforme registra o
Salmo 111:10, o temor do Senhor é o seu princípio. Tiago estabelece uma
distinção clara entre a sabedoria terrena — descrita como sensual e maligna — e
a sabedoria celestial, que se manifesta pura, pacífica, moderada, misericordiosa
e frutífera.
Portanto, é imperativo que nos aproximemos das Escrituras sob a dependência da
sabedoria divina, e não sob a ótica dos valores mundanos, cujos efeitos são
invariavelmente corruptores. A verdadeira sabedoria não reside na substituição
da revelação divina pela lógica humana, mas na submissão da inteligência ao
conjunto das verdades reveladas por Deus em Sua Palavra.
Concluímos, portanto, que a natureza da revelação divina está intrinsecamente
vinculada à autoridade das Escrituras. Deus é a fonte primária dessa revelação;
Cristo é o Filho por intermédio de quem o Pai falou e continua a falar; e o
Espírito Santo capacitou os apóstolos na transmissão da verdade. Tal verdade
foi comunicada por meio de palavras e preservada nas Escrituras, razão pela
qual a Bíblia não deve ser compreendida meramente como uma coletânea de
reflexões religiosas humanas.
O maior desafio da Igreja contemporânea não consiste em descobrir uma nova
verdade que substitua a revelação bíblica, mas em permanecer fiel à verdade já
revelada. Tal compromisso demanda convicção pessoal de todo cristão que aspira
a uma fé genuinamente bíblica. A sabedoria, a ciência, a filosofia e a
experiência humana possuem limitações inerentes; contudo, a Palavra de Deus
subsiste como a revelação pela qual o homem alcança conhecimentos que, por si
só, jamais poderia descobrir. Conforme registrado em Isaías 55:8: "Porque
os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os
meus caminhos, diz o Senhor". É precisamente por esse motivo que
necessitamos da revelação: não para validar as cogitações humanas, mas para
conhecer aquilo que Deus, em Sua soberania, decidiu revelar.
Bibliografia
The Nature of the revelation of God - Searching The Scriptures
-Volume XXVI March 1985 pag 35-38
Teologia Elementar - Doutrinaria e
Conservadora. E H Bancroft. Editora Batista Regular
Jesus dos sentidos ou Jesus da palavra?
Jesus dos sentidos ou Jesus da palavra?
Em João capítulo 6, versículos 1-14,
é descrito como o Senhor Jesus alimentou milagrosamente cinco mil pessoas. A
multidão, não apenas completamente satisfeita com esse milagre da alimentação,
que João chama deliberadamente de sinal (versículo 14), mas também totalmente
encantada. Eles querem fazer de Jesus rei. Claramente, se esse homem reinar,
não haverá mais crise de saúde (versículo 2), os doentes serão curados e os
famintos serão alimentados. Em conclusão, o bem-estar físico e espiritual
estará perfeitamente garantido se Jesus se tornar rei.
Mas ele se retira (versículo 15).
Por quê? Ele é o Rei dos Judeus, e não seria maravilhoso se Israel aceitasse o
seu Messias? Ele veio para o seu povo, e finalmente a multidão parece ter
entendido que Jesus é o Messias, o Rei. Então, por que ele foge deles?
Já fica claro, a partir disso, que
o Senhor não pode ser cooptado por uma agenda política. Por exemplo, se hoje
forem feitas tentativas de melhorar o mundo em cooperação com a ONU, pode-se
ter certeza de que o Senhor se afastará, por melhores que sejam as intenções.
O verdadeiro motivo da partida de
Jesus é revelado nos versículos seguintes deste capítulo de João. Ele era o
sustento deles, mas não o rei de seus corações. O Senhor quer mostrar aos seus
seguidores o verdadeiro significado espiritual deste milagre da multiplicação
dos pães, ou melhor, deste sinal. Trata-se de muito mais do que mero bem-estar
exterior. " Comprem para vocês alimentos que não se pereçam, mas que
permaneçam para a vida eterna, os quais o Filho do Homem lhes dará. Pois nele está
o selo de Deus Pai" (versículo 27) .
Não se trata primordialmente de
alimento perecível, mas de alimento eterno. Em outras palavras, o evangelho tem
precedência sobre todo bem-estar visível. O milagre exterior da multiplicação
dos pães visa apontar para algo muito mais profundo: que Jesus é
espiritualmente o pão da vida (versículo 35). Se isso não for compreendido, não
se pode simplesmente participar, testemunhar e dar testemunho dos sinais e
maravilhas da alimentação e ainda assim se afastar do Senhor, como de fato
aconteceu. E embora ele tenha realizado tais sinais diante dos olhos
deles, eles ainda assim não creram nele (capítulo 12, versículo 37).
De fato, alguém pode até mesmo, como Judas, realizar sinais e maravilhas em
nome do Senhor e ainda assim se desviar (capítulo 6, versículo 70).
A questão é compreender como esses
milagres visíveis são meramente um indicador do verdadeiro significado. O
Senhor explica como Ele é a luz do mundo e cura o cego de nascença.
" Eu sou a ressurreição e a vida ", declara Jesus, e
sublinha a verdade desta afirmação com a ressurreição de Lázaro. Todos esses
milagres foram sinais nesse sentido, apontando para além de si mesmos, para a
palavra de Jesus: que Ele é espiritualmente o pão da vida, a luz do mundo, a
ressurreição e a vida, com o objetivo de que as pessoas creiam em Sua palavra.
Todos os milagres e sinais culminam nisto, como este Evangelho demonstra tão
vividamente. Jesus respondeu e disse-lhes: "A obra de Deus é esta:
que creiais naquele que Ele enviou" (versículo 29; ver também
capítulo 20, versículo 31). Caso contrário, teríamos que supor que, ainda hoje,
os cegos recuperam a visão regularmente e os mortos voltam à vida.
Mas, em vez de realmente crerem
nele, pediram-lhe novamente um sinal . Disseram-lhe: “Que sinal farás para
que vejamos e creiamos em ti? Que obra estás a realizar?” (versículo 30).
Isto já revela que não compreenderam as conexões espirituais e, de certa forma,
tornaram-se obcecados por sinais e milagres. Querem ver para depois crer, mas o
caminho bíblico é precisamente o oposto. Primeiro vem a fé, e depois o ver
( João 11:40 ). “Bem-aventurados os
que não viram e creram!” , diz o evangelho perto do seu final ( João 20:29 ).
No versículo 35 de João 6, Jesus explica como vir a ele
significa a resposta para a fome, isto é, comer, e como a fé nele implica
saciar a sede, isto é, beber.
Jesus disse-lhes: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim jamais terá fome; quem
crê em mim jamais terá sede”.
E assim ele continua falando sobre
como é preciso comer a sua carne e beber o seu sangue para viver
espiritualmente. Em outras palavras, não é o milagre exterior, mas a atitude
interior que é decisiva. Jesus deve ser a luz interior, o alimento interior e o
verdadeiro Senhor e Rei dos seus corações. Caso contrário, explica ele, não há
vida interior (versículo 53).
Mas a maioria não consegue chegar a
essa conclusão e começa a murmurar (versículo 41). Eles querem um Jesus que
apele aos seus sentidos e os ajude exteriormente, que os cure e os alimente,
mas que não precisa necessariamente ser o verdadeiro Senhor de seus corações,
aquele que governa seu ser interior. Já em João 2 , lemos: "Estando
Jesus em Jerusalém, durante a Páscoa, muitos creram em seu nome, porque viram
os sinais que ele realizava. Mas Jesus não se entregava a eles, porque os
conhecia a todos" (versículos 23-24).
Esta passagem ilustra claramente a
grande diferença entre a fé salvadora e uma "fé" alimentada pelos
sentidos externos. A verdadeira fé é uma dádiva mútua, assim como o Senhor deu
a sua vida, aliás, a sua carne e o seu sangue, por nós na cruz e, em certo
sentido, deu-se a nós. Embora muitos judeus cressem em Jesus, ele não se confiou
a eles .
O conceito de fé é um
termo-chave em João, aparecendo 98 vezes. No entanto, este mesmo Evangelho,
como acabamos de ver, demonstra como pode existir uma diferença crucial entre
os diversos tipos de fé. Nicodemos também "creu" porque tinha visto
sinais e maravilhas (3:2), mas Jesus o declara espiritualmente morto e
necessitado de nascer de novo. Esse novo nascimento, porém, ocorre por meio da
genuína entrega ao Senhor e da fé em sua obra consumada, como João ilustra tão
vividamente no terceiro capítulo. Em outras palavras, é principalmente a
confiança incondicional em sua palavra ( João 5:24 ), que é o que a fé
salvadora realmente significa, e não principalmente o testemunho visível de
fenômenos sobrenaturais, que produz a renovação espiritual. Uma "fé"
alimentada pelos sentidos muitas vezes se transforma em incredulidade, até
mesmo em rebeldia. Assim, o Senhor Jesus diz a conhecida frase: " Vocês
pertencem ao pai de vocês, o diabo, e querem realizar os desejos dele" (8:44)
àqueles que creram nele (8:31).
Assim também aqui em Cafarnaum,
onde Jesus profere este discurso e não muito longe dali alimenta milhares,
esses “seguidores” declaram: “ Este discurso é difícil; quem pode
ouvi-lo?” (6:60). Eles permaneceram presos ao visível, e o significado
espiritual tornou-se um obstáculo para eles.
O Senhor Jesus comenta essa atitude
no versículo 63 com poucas palavras: " A carne para nada aproveita ".
Em outras palavras, o que pode me atrair pelos sentidos externos — música
envolvente, aromas deliciosos, impressões visuais magníficas — tudo o que, por
exemplo, a Igreja Católica oferece em excesso, não é útil para o verdadeiro
discipulado. Contudo, mesmo nos movimentos carismáticos, encontramos cada vez
mais uma rica gama de experiências sensoriais. E a imposição de mãos, em
particular, transmite ainda mais impressões sensoriais.
Hoje, em muitos países em
desenvolvimento, há um grande número de "seguidores" ou
"discípulos" aos quais Jesus é apresentado como curador e portador de
felicidade para o seu bem-estar físico e emocional. Consequentemente, o número
desses "seguidores entusiastas" é grande, até mesmo enorme. O Cristo
do evangelho da prosperidade corresponde exatamente ao Jesus que os judeus
daquela época queriam coroar rei. Um Jesus que provê ao velho Adão saúde e
alimento — tudo o que uma pessoa deseja para uma boa vida aqui. Um salvador que
restaura a saúde e garante o sucesso profissional. Quem não gostaria de
acreditar nisso? Mas, como já mencionado, o verdadeiro Messias se retira, e o
que resta é o outro, o falso Jesus ( 2 Coríntios 11:4 ).
Mas mesmo em nossa parte do mundo,
um Jesus curador está se tornando cada vez mais popular. Por exemplo, um livro
"cristão" de grande sucesso apresenta Jesus como o maior curador de
todos os tempos, que ainda possui as maiores energias de cura de todos os
tempos. Assim como na época de Jesus, o número de seguidores e discípulos é
correspondentemente impressionante.
Em nossas fileiras, encontramos
cada vez mais um Jesus que transmite bem-estar, celebrado com alegria, palmas e
danças, cujos sentidos são "abençoados", e, consequentemente, o
entusiasmo entre nossa geração influenciada por imagens é grande, até mesmo
exuberante. Os elogios às vezes parecem intermináveis.
Em seu comentário sobre o Livro do
Apocalipse, Bento Peters observa: As razões pelas quais o céu se alegra
nos são dadas: três vezes aparece um "porquê" explicativo. Isso nos
mostra que a adoração está sempre fundamentada. Ela é despertada pelo
conhecimento da natureza, dos caminhos e das obras de Deus. Isso é muito
importante em uma época em que cada vez mais cristãos têm ideias pagãs sobre
adoração: pensam que adorar significa entregar-se a sentimentos sublimes,
permitindo-se ser colocado em um estado de espírito especial por estímulos
externos, como música apropriada, palmas, dança, etc. Isso é totalmente pagão.
É assim que hindus ou dervixes muçulmanos, por exemplo, servem a seus deuses. O
ímpeto para a adoração não vem das circunstâncias ou dos sentimentos, mas do
próprio Deus (Opened Seals , Schwengeler Publishing House, pp.
130-131).
O boletim informativo da Aliança
Evangélica Austríaca, sob o título "Se você quer experimentar Deus, abra
seus sentidos!", afirma: O objetivo dos organizadores era
conscientizar sobre a fisicalidade e a percepção sensorial como elementos
positivos da fé cristã. Assim, a semana se concentrou tanto na sensualidade
quanto na reflexão, bem como em questões sobre o sentido da vida. O credo era:
"Quem quer conhecer a Deus deve primeiro conhecer a si mesmo". Onde
uma pessoa está viva e consegue sentir a si mesma, ela também pode experimentar
Deus (Allianzspiegel, 4/2005, p. 16). Hoje, a adoração do bezerro de ouro
está em voga, e o Jesus dos sentidos é celebrado com cada vez mais intensidade.
Finalmente, um Deus que se pode sentir, experimentar com todo o ser.
O seguinte foi escrito no boletim
informativo da igreja EFG Rodewisch: Duas noites de discoteca – No final,
ficamos impressionados com a forma como o Senhor conseguiu usar essas duas
noites para despertar a curiosidade desses não-cristãos e dar-lhes uma visão
completamente nova do que significa ser cristão. Eles simplesmente se juntaram
a nós na pista de dança e se divertiram muito. Percebemos que o Senhor estava
conosco. Ele mesmo dançou e celebrou conosco.
O verdadeiro comentário de Jesus:
Para nada aproveita. O Espírito é que dá vida; a carne para nada aproveita .
Onde está, então, o Espírito? Muitos o reivindicam em nossos dias. A resposta
encontra-se no mesmo versículo, 63 : As palavras que eu vos tenho dito são
espírito e são vida.
A Palavra e o Espírito são
inseparáveis. A fé somente na Palavra nos une ao verdadeiro Jesus e nos torna
verdadeiros discípulos. Mas a grande multidão de seus "discípulos" se
desviou. Daí em diante, muitos de seus discípulos se afastaram e deixaram
de segui-lo
(versículo 66). Eles querem um Messias dos sentidos, um Jesus que
lisonjeia o velho eu, não o verdadeiro Redentor da Palavra.
O Senhor dirige aos Doze a
conhecida pergunta: “ Queres também vós partir?” (versículo 67).
Em outras palavras, sou eu apenas o homem de sinais e maravilhas, o provedor do
pão, a quem seguis enquanto a tua carne satisfaz os seus desejos, de quem és
discípulos enquanto a tua velha vida prospera? A famosa resposta de Pedro não
é: “Para onde iremos? Tu tens os sinais e maravilhas que desejamos”, mas sim:
“ Tu tens as palavras da vida eterna ”. Percebemos a diferença? É
aqui que as opiniões divergem. O Senhor teve muitos “seguidores” enquanto os
sentidos, a carne, foram atraídos, mas apenas uma minoria permaneceu com ele
por amor a ele, pela sua palavra. Aqui, novamente, vemos o paralelo entre o
Senhor e a sua palavra, entre o Espírito e a palavra. Esta palavra, porém, é o
verdadeiro instrumento da fé, que de fato produz fruto eterno e concede a vida
eterna.
Jesus realizou muitos outros sinais
na presença de seus discípulos, que não estão registrados neste livro. Estes,
porém, foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de
Deus, e para que, crendo, tenham vida em seu nome ( João 20:30-31 ).
Em outras palavras, a palavra
assume o lugar do sinal. Aquilo que o sinal originalmente pretendia realizar é
agora a função da palavra escrita. Estes sinais foram escritos para
que vocês creiam . Já mencionamos como, apesar desses sinais, as pessoas
na época de Jesus ainda não cream. Mas só Deus sabe quantas pessoas chegaram a
uma fé viva através da leitura do Evangelho de João, que alguns consideram a
mais bela obra da literatura mundial.
Alexandre Seibel
https://alexanderseibel.de/jesus_der_sinne_oder_jesus_des_wortes.htm
Cristo: A Suprema Sabedoria de Provérbios 8
O livro de Provérbios, em seu oitavo capítulo, apresenta a sabedoria de forma
personificada, apontando para a figura de Cristo, que é a própria Sabedoria.
Conforme os versículos 22 e 23, essa sabedoria é preexistente à criação. Tal
verdade encontra eco em Colossenses 1:17, que afirma ser Cristo anterior a todas
as coisas, e em João 1:1, que o situa no princípio de tudo. Além disso, Hebreus
13:8 atesta a imutabilidade do Senhor, o mesmo ontem, hoje e eternamente.
Portanto, a sabedoria é o próprio Cristo, que esteve presente antes da criação,
durante o ato criador e permanece na nova criação, sendo, para sempre, a nossa
sabedoria. O Espírito Santo inspirou o apóstolo Paulo a registrar, em
Colossenses 2:3, que em Cristo estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e
do conhecimento. Portanto, todo cristão que almeja alcançar a verdadeira
sabedoria deve cultivar intimidade e um relacionamento profundo com a própria
fonte de toda a sabedoria: nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Ao
analisarmos Provérbios 8:27-30, compreendemos com clareza que a sabedoria é o
agente da criação. Contudo, o Evangelho de João, em seu primeiro capítulo,
versículo 3, revela que todas as coisas foram feitas por intermédio de Cristo.
Além de ser o artífice da criação, Cristo sustenta todas as coisas pela palavra
do Seu poder, conforme nos assegura a Epístola aos Hebreus, capítulo 1,
versículo 3.
Ao analisarmos Provérbios 8:25, observamos que a sabedoria é descrita como
fonte de vida. Contudo, nas declarações do próprio Jesus, encontramos a
plenitude dessa afirmação. Em João 10:10, Cristo declara que veio para conceder
vida em abundância. Corroborando essa verdade, Pedro afirmou em João 6:68:
"Tu tens as palavras de vida eterna". O próprio Jesus, em João 14:6,
identifica-se como o caminho, a verdade e a vida. Além disso, em João 10:28-30,
ao apresentar-se como aquele que concede a vida eterna a todos os que nEle
creem, Jesus revela a sua natureza divina. Portanto, depreende-se que a
sabedoria mencionada no livro de Provérbios, como fonte de vida, encontra sua
personificação no próprio Cristo.
No nono capítulo de Provérbios, ao dar continuidade ao tema da sabedoria, o
texto enfatiza, entre os versículos 4 e 6, o convite dirigido aos simples para
que dela participem. Para alcançar a plenitude da sabedoria celestial, é
indispensável possuir um coração humilde. A este respeito, Jesus Cristo declara
em Mateus 11:28: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e
sobrecarregados, e eu vos aliviarei". Somado a isso, em João 6:37, Ele
assegura: "Aquele que vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora".
Portanto, se o seu desejo é receber a verdadeira sabedoria celestial e ser
preenchido por esse tesouro espiritual que Deus concede aos Seus filhos, é
necessário aproximar-se de Jesus Cristo com humildade e fé.
O livro de Provérbios, em seu capítulo 8, versículo 12, estabelece que a
sabedoria habita com a prudência. No Novo Testamento, Jesus apresenta-se como o
exemplo máximo desta virtude. Seu ensinamento acerca da responsabilidade do
administrador fiel encontra-se registrado em Lucas 12:42-48, enquanto a parábola
das dez virgens, em Mateus 25:1-13, ilustra a vigilância necessária.
Adicionalmente, em Mateus 7:24-27, Jesus descreve o cristão prudente como
aquele que edifica sua casa sobre a rocha. Por fim, ao advertir contra o
julgamento precipitado em Mateus 7:1-5, o Cristo não apenas ratifica a
importância da prudência em sua doutrina, como reafirma, por meio de suas
ações, ser ele próprio o modelo supremo de tal conduta.
Por fim, observamos a declaração da Sabedoria a seu próprio respeito em
Provérbios 8:15, onde Salomão afirma que é por intermédio dela que os reis
governam. Contudo, em Apocalipse 19:16, lemos que Cristo é o Rei dos reis e
Senhor dos senhores.
Contudo, a reflexão não se encerra aqui. Observe a magnífica declaração de
Hebreus 1:8, que concerne a Jesus Cristo: "Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o
teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de equidade é o cetro do
teu reino". Em Apocalipse 11:15, é determinado que Cristo exercerá domínio
sobre todos os reinos do mundo, reinando com justiça e retidão. O Senhor dos
senhores, o Rei dos reis e a verdadeira Sabedoria estabelecerão, por fim, um
reino de justiça sobre toda a criação. Diante disso, todos os salvos e
redimidos proferirão o seu amém e glorificarão ao Deus Todo-Poderoso. Louvado
seja Deus por Cristo ser a Suprema Sabedoria, tal como revelada em Provérbios
8.
C. J. Jacinto
GRITOS DE ALERTA - IV
Os últimos dias serão
caracterizados por forte sedução espiritual, somente aqueles que estão
alicerçados na rocha que é Cristo, não serão sucumbidos pela apostasia que
arrasta tudo o que pode para o domínio do espírito do erro.
A era do anticristo será de domínio
universal, se um sistema conseguir controlar todas as finanças de uma
sociedade, também terá o domínio de todas as pessoas que amam o materialismo.
A idolatria pagã nunca deixou de
existir, apenas se sofisticou para aumentar o poder da sedução, antes se
adorava um bezerro de ouro e hoje se adora o ouro do bezerro.
A menos que estejamos profundamente
familiarizados com as doutrinas fundamentais da fé cristã, estaremos dando
forças ao espírito do erro em nos seduzir com seus fortes enganos espirituais.
Há algo que precisa ser esclarecido
com relação a visão espiritual e discernimento, pois uma pessoa pode
orgulhar-se por ter uma grande quantidade de conhecimento e seu orgulho pode se
esconder lá no intimo do seu coração,
quanto a isso, e o orgulho pelo conhecimento causa cegueira espiritual e
obscurece o discernimento.
Há certos pregadores que afirmam
possuir poder, mas não é um poder que provem da presença do Espírito Santo. Se
o pregador consegue controlar psicologicamente e emocionalmente uma platéia usando
esse poder espiritual, se ele usa essa força canalizada para induzir ao engano
e ao controle mental, isso não é o poder do Espírito Santo. Pois o Divino
Consolador não pode ser usado por nenhum homem, é sempre o Espirito Santo que
irá usar um homem para glorificar a Cristo e proclamar as santas verdades do
Evangelho.
Autor: C. J. Jacinto
O Primeiro e o Ultimo Adão
O PRIMEIRO E O ÚLTIMO ADÃO
Da sentença da morte à vida
eterna em Cristo
“Pois,
assim como em Adão todos morrem,
assim também em Cristo todos serão vivificados.”
1 CORÍNTIOS 15:22
A humanidade inteira tornou-se adâmica e, nessa condição, herdou a morte.
Mas todo aquele que, pelo novo nascimento, estiver em Cristo, herdará a vida
eterna.
A sentença que pesa sobre todo homem
Você
vai morrer. Não há como escapar dessa sentença. Ainda que alguém tivesse vivido
uma existência absolutamente perfeita, sem o menor traço de pecado, ainda assim
morreria. Todos os homens morrem. As crianças morrem. Cada pessoa que você já
amou, um dia, também morrerá. E a pergunta que poucos ousam fazer é: por quê? A
resposta das Escrituras é precisa e antiga: por causa de Adão.
O
mundo sabe que a morte é inevitável, mas quase ninguém compreende sua
verdadeira origem. Explica-se o fenômeno em termos meramente biológicos — o
desgaste das células, o fim natural de um organismo —, o que é, à luz da
revelação divina, uma explicação rasa e incompleta. Poucos conhecem Adão e o
alcance de sua queda, embora as Escrituras tenham registrado essa verdade há
mais de três mil e quinhentos anos, com uma clareza que a ciência jamais
poderia oferecer.
Adão, o representante federal da
humanidade
Adão
não pecou apenas por si mesmo. No Jardim do Éden, ele representava toda a raça
humana diante de Deus. O Senhor estabeleceu com ele uma aliança segundo a qual
sua escolha — e suas consequências — recairiam sobre todos os seus
descendentes. Adão pecou; desprezou a advertência divina; escolheu, em seu
lugar, a morte. E, por essa escolha, cada ser humano nasce já condenado,
herdeiro de uma sentença que não pronunciou com os próprios lábios, mas que
carrega no próprio sangue.
O
apóstolo Paulo, sob inspiração divina, expõe com precisão essa realidade solene
em Romanos 5:12-14 e em 1 Coríntios 15:21-22 e 45-49. Não se trata de uma
alegoria moral, mas da exposição de uma lei espiritual que rege a existência
humana desde a origem do mundo.
Ninguém
pode desvincular-se dessa herança. O simples fato de nascer de pais humanos já
o une a Adão — e, por meio dele, ao juízo que sua transgressão desencadeou. As
consequências dessa união são terríveis, mas o princípio que a sustenta não é
estranho à experiência humana: é o mesmo princípio pelo qual as decisões de
pais, de governantes e de líderes afetam, para o bem ou para o mal, todos os
que estão sob sua responsabilidade.
Adão
é o nosso representante federal. Ele escolheu por nós — como o comandante de
uma aeronave que, ao tirar a própria vida, arrasta consigo cada passageiro a
bordo; como o capitão do Titanic que, ao ignorar as advertências sobre os
icebergs, conduziu o navio e todos os que nele confiavam ao naufrágio. A
narrativa de Gênesis não é mito nem metáfora: é história. Um homem escolheu por
todos, e esse princípio — o de que um representante decide o destino dos que
estão sob seu comando — continua atuante sempre que alguém assume o leme de um
navio ou os controles de uma aeronave.
O Evangelho: há um Resgate
Mas
há uma boa notícia — e essa boa notícia tem nome: Evangelho. Onde a queda de um
homem trouxe ruína, a obra de Outro Homem oferece resgate. Há redenção. Há um
segundo representante que reverte o que o primeiro destruiu.
Esse
Representante é Jesus, o Filho de Deus — o segundo Adão. Assim como o primeiro
Adão representou seus descendentes na queda, Cristo representa o Seu povo na
redenção. Deus estabeleceu, também com Ele, uma aliança: a de conceder vida
eterna a todos os que estiverem nEle, conforme testificam Romanos 5:15-19 e 1
Coríntios 15:21-22, 45.
Uma promessa que atravessa toda a
história
Deus
não deixou a humanidade à deriva depois da queda. Ainda no Éden, prometeu um
Representante que haveria de esmagar a cabeça da serpente (Gênesis 3:15).
Renovou essa promessa a Abraão (Gênesis 22:15-18) e a Jacó (Gênesis 49:10). E,
com todo o zelo do Seu propósito eterno, preparou o nascimento virginal desse
Rei e o estabelecimento do Seu reino, como anunciam Isaías 7:14 e 9:6-7.
Deus
não deixou a situação humana entregue ao acaso — assim como, mesmo quando o
Titanic afundava, houve ainda a possibilidade de salvamento para quantos
alcançassem um bote salva-vidas. No naufrágio universal que a queda de Adão
provocou, Cristo é o nosso bote salva-vidas. Ele é o nosso Redentor.
Uma decisão diante de você
Você
acabou de ler algo que ultrapassa em muito uma simples informação: uma verdade
que dá sentido à própria existência. Agora você sabe por que todo homem morre —
até mesmo os bebês inocentes. Você conhece o nome daquele cuja transgressão
trouxe essa ruína sobre a raça humana. Mas também conhece o nome de Outro, que
desfaz inteiramente esse dano para todo aquele que Lhe pertence. Resta, então,
a pergunta que ninguém pode responder por você: o que você fará para se
entregar a Cristo?
Deus
enviou o Seu Filho ao mundo para nos salvar e nos conceder a vida eterna — é o
que lemos, com absoluta clareza, em João 14:6.
Você
pode ter certeza de estar em Jesus Cristo ao crer no testemunho bíblico a
respeito dEle e ao ser batizado (Gálatas 3:26-27). E pode confirmar, no íntimo
do próprio coração e da própria mente, a escolha que Deus fez por você em Jesus
Cristo (2 Pedro 1:5-11; 1 Tessalonicenses 1:2-4).
O
Senhor Jesus Cristo é infinitamente mais do que um conceito religioso, uma
doutrina abstrata ou uma parte vaga da Trindade. Ele é o segundo Adão, e
garante vida eterna a todos os que estão nEle. Creia nEle hoje. Converta-se a
Cristo. A salvação é dada gratuitamente a todo aquele que se arrepende e crê
nEle como Salvador.
Da condenação à vida
O
primeiro Adão nos deu a condenação; o segundo Adão nos deu a salvação. Por
isso, saia da sua posição adâmica — ela é morte eterna — e mude para a posição
em Cristo, pois nela está a vida eterna.
“Assim, se
alguém está em Cristo, é nova criação;
as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”
2 CORÍNTIOS 5:17
C. J. Jacinto

