Ampliando Sua Visão do Mundo
Cosmovisões
Acredito que, para o cristão inserido em uma sociedade com amplo acesso à informação, é imprescindível compreender o mundo contemporâneo. É fundamental, mais do que nunca, desenvolver uma percepção aprofundada e precisa do funcionamento dos sistemas que o compõem, a fim de entender a dinâmica da fé cristã em um mundo plural. A fé cristã, conforme apresentada no Novo Testamento e nos ensinamentos de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, não é uma alternativa entre outras religiões; essa é uma concepção equivocada, Cristo apresentou a fé nEle como único caminho (João 14:6). Jesus declarou ser o caminho, a verdade e a vida, o que implica que o único caminho para Deus é através de Cristo. Da mesma forma, a verdade se manifesta através de seus ensinamentos, dos ensinamentos de seus apóstolos e de sua própria pessoa. Não há múltiplas verdades, mas sim uma única verdade, que nos conduz ao absoluto: Cristo. Não há múltiplos caminhos, mas sim um único caminho, e o Senhor Jesus é esse caminho. Compreender isso é crucial. Ademais, é necessário reconhecer que o pensamento religioso e filosófico mundial é, em grande parte, estruturado em torno de cinco cosmovisões.
Compreender essas cosmovisões é essencial para fundamentar nossa compreensão da fé. É notável que, para uma mente menos atenta, a multiplicidade de religiões e filosofias no mundo contemporâneo possa parecer avassaladora, quase inumerável. Essa percepção é superficial, frequentemente, obstrui a compreensão aprofundada e precisa dos sistemas de crenças e do pensamento filosófico. Apesar da aparente diversidade de filosofias e religiões, uma análise comparativa e classificatória de suas essências revela que elas podem ser enquadradas em apenas cinco cosmovisões distintas. Neste estudo, exploraremos brevemente as seguintes filosofias, a fim de fornecer ao leitor uma visão geral de cada uma: o naturalismo, o panteísmo, o teísmo, o espiritismo e o politeísmo, e, por fim, o pós-modernismo. Cada uma dessas perspectivas apresenta conceitos distintos, de modo que uma religião ou crença específica pode ser enquadrada em uma dessas cinco cosmovisões.
Concluímos, portanto, que, embora existam inúmeras religiões, o sistema de crenças e filosofias pode ser analisado a partir de cinco cosmovisões principais. Da mesma forma, embora haja muitas filosofias, todas se encaixam em uma dessas categorias. Em suma, o sistema pode ser reduzido a cinco perspectivas fundamentais, em vez de milhares. Inicialmente, abordaremos o naturalismo. Essa corrente de pensamento engloba diversas vertentes filosóficas, como o ateísmo, o agnosticismo e o existencialismo, entre outras.
Naturalismo
No naturalismo, a realidade é concebida como exclusivamente material. Tudo o que existe é matéria, constituindo uma realidade unidimensional. Não há espaço para a existência de alma ou espírito, tampouco para um mundo espiritual. Deus, anjos e demônios são negados. A explicação da realidade reside nas leis naturais, justificando o nome "naturalismo". Qual a visão do naturalismo sobre o ser humano? Para o naturalismo, o homem é um produto casual do processo evolutivo biológico. Sua existência é puramente material, desprovida de alma ou imortalidade. O homem é, em essência, um animal, com a perspectiva de extinção da espécie humana. Em relação ao conceito de verdade, o naturalismo a define, em geral, como aquilo que pode ser comprovado cientificamente. Somente o que pode ser percebido pelos cinco sentidos é considerado real ou verdadeiro.
Quanto aos valores, o naturalismo nega a existência de valores objetivos ou morais aboslutos (embora muitos neguem isso, o fato que tudo á reduzido a fenômenos químicos no cérebro e comportamento social evolutivo). A moralidade é vista como contextualizado no esquema evolutivo. Em uma perspectiva naturalista radical, também a moralidade se resume a reações químicas no cérebro ou a meros reflexos condicionados ao sistema social vigente. A moral social é entendida como um conjunto de preferências individuais ou comportamentos socialmente vantajosos, sujeitos a evolução e mudanças. Consequentemente, o naturalismo, em maior ou menor grau, pode levar ao relativismo e ao pragmatismo e em muitos sentidos ao endeusamento do homem e culto a personalidade, num estado materialista como foi a URSS Lênin foi venerado como uma divindade e Darwin e outros neo-ateus são ovacionados como profetas.
Panteísmo
Apresento, a seguir, uma análise da segunda cosmovisão, o Panteísmo. Essa
corrente engloba diversas crenças, filosofias e religiões, como o Hinduísmo, o
Taoísmo, o Budismo, o Espiritualismo e vertentes associadas ao movimento Nova
Era. No que concerne à natureza da realidade, o Panteísmo a concebe
primordialmente como espiritual. As demais dimensões seriam consideradas
ilusórias, manifestações do que é conhecido como Maya. A realidade espiritual,
o Brahman, é eterna, impessoal e incognoscível. A perspectiva panteísta pode
ser resumida na ideia de que tudo é parte de Deus, ou que Deus está imanente em
tudo e em todos. Com relação à natureza humana, o Panteísmo a considera uma
expressão da realidade suprema. O ser humano é, em essência, um ser espiritual
eterno e impessoal. A percepção da individualidade é entendida como uma ilusão.
No que tange à verdade, o Panteísmo a identifica com a experiência de unidade
com o universo. A verdade transcende a capacidade de descrição racional. O
pensamento racional, tal como é concebido no Ocidente, seria insuficiente para
apreender essa realidade. Em relação aos valores morais, a perspectiva
panteísta, considerando a realidade última impessoal, propõe que não há
distinção substancial entre o bem e o mal. Em vez disso, comportamentos
considerados inadequados são aqueles que não reconhecem a unidade essencial do
universo.
Politeísmo e Espiritismo
A terceira cosmovisão a ser considerada é a que se apresenta na confluência do
Espiritismo e do Politeísmo. Qual a natureza da realidade sob essa perspectiva?
No Politeísmo, o mundo é concebido como habitado por entidades espirituais e
divindades, que influenciam e governam os eventos terrenos. Deuses, demônios e
espíritos são considerados as forças motrizes por trás dos acontecimentos,
tanto em escala cósmica quanto cotidiana. Embora os objetos materiais existam,
eles são vistos como possuindo uma dimensão espiritual intrínseca, passíveis de
interpretação dentro de uma cosmovisão espiritual. No que concerne à
humanidade, o Politeísmo postula que os seres humanos são criações divinizadass,
assim como todas as outras formas de vida. Frequentemente, grupos étnicos e
sociedades estabelecem relações particulares com certas divindades ou
espíritos, que atuam como protetores e, por vezes, punidores.
No tocante à verdade, a compreensão do
mundo natural é alcançada por meio de figuras como gurus, “channelings” feiticeiros
e xamãs, que, por meio de visões e rituais, buscam revelar as ações e intenções
das divindades, espíritos e demônios. Em relação aos valores morais, estes se
manifestam através de tabus, considerados ações que podem provocar a ira ou o
desagrado de diversas entidades espirituais. Tais tabus diferem da noção
tradicional de bem e mal, pois a atenção deve ser igualmente dedicada a evitar
a ofensa tanto de espíritos benevolentes quanto maléficos. Dessa forma,
observa-se um dualismo, embora não necessariamente fundamentado em uma
distinção moral clara entre entidades boas e más.
Pós-modernismo
Apresento, a seguir, a quarta cosmovisão: o pós-modernismo. Sob a perspectiva pós-moderna,
a realidade é compreendida através da linguagem e do contexto cultural. Em
consequência, a realidade é entendida como uma construção social, na qual não
existem verdades absolutas. O relativismo e o pragmatismo são, portanto, seus
alicerces. No que concerne ao ser humano, o pós-modernismo o concebe como uma
manifestação cultural, produto do ambiente social. A noção de autonomia e
liberdade individual é, nesse contexto, questionada. Em relação à verdade, esta
é definida como uma construção mental com significado para os indivíduos dentro
de um determinado paradigma cultural. Tais verdades, contudo, não se estendem a
outros paradigmas ou culturas, sendo a verdade, portanto, relativa ao contexto
cultural. No tocante aos valores, estes são intrínsecos aos paradigmas sociais.
A tolerância, a liberdade de expressão, a inclusão e a recusa em estabelecer
verdades universais são, na visão pós-moderna, os únicos valores que podem ser
considerados universais.
Teísmo
A quinta e última cosmovisão é o teísmo. O teísmo engloba as religiões
abraâmicas, como o cristianismo, o islamismo e o judaísmo. Nesta perspectiva, a
realidade é concebida como um Deus pessoal e infinito, que existe eternamente.
Ele é o criador do universo material, do mundo espiritual e de todo o cosmos. A
realidade, portanto, possui tanto uma dimensão material quanto uma espiritual.
O universo, tal como o conhecemos, teve um princípio e terá um fim. Dentro do
teísmo, observamos um universo e uma criação em constante desenvolvimento,
sujeitos ao controle soberano de um Deus pessoal, que intervém e exerce domínio
sobre sua criação. No teísmo, a humanidade é considerada a criação singular de
Deus. Essa perspectiva teísta confere ao ser humano o papel de ápice da
criação, moldado à imagem e semelhança divina. A origem humana, portanto, não é
atribuída a processos evolutivos ou ao acaso, mas sim a um ato criativo
intencional, dotando o homem de inteligência e propósito. A crença na criação à
imagem e semelhança de Deus implica a natureza pessoal, espiritual, biológica e
eterna do ser humano, e também fundamenta valores essenciais para a coesão social
e a segurança comunitária. Com relação à concepção de verdade, o teísmo
sustenta a existência de verdades absolutas, posicionando-se em oposição ao
relativismo e ao pós-modernismo. A verdade acerca de Deus é acessível por meio
da revelação divina. A compreensão da realidade material é alcançada através da
revelação e da experiência sensorial, em consonância com o raciocínio lógico. O
desenvolvimento intelectual do teísmo, portanto, fundamenta-se nessa premissa.
A ciência, em seus primórdios, adotou essa abordagem, posteriormente
desviando-se para o naturalismo. Desse modo, ocorreu uma espécie de apostasia
intelectual, pois a ciência, em seus primórdios, assim como as grandes
universidades, fundamentava-se em uma visão teísta. Em relação aos valores
morais, o teísmo postula e propaga que estes valores representam a manifestação
objetiva de um ser moral absoluto. Essa concepção decorre da crença na
existência de verdades absolutas, aplicáveis à esfera espiritual e ao
comportamento humano.
Gostaria de destacar, neste contexto, o naturalismo e o pós-modernismo, temas
já abordados, pois ambas as correntes filosóficas têm representado desafios
significativos para o cristianismo ocidental. Em particular, o pós-modernismo,
que dentro de sistemas políticos ideológicos, se manifesta através da retórica
do absurdo, da disseminação do pragmatismo, maquiavelismo e relativismo, da
obscurecimento da lógica e da adesão ao irracionalismo, gerando visões
restritas e raciocínios falaciosos. Consequentemente, diversas ideologias
políticas, especialmente aquelas influenciadas pelo pensamento socialista
marxista, têm contribuído para um ataque à fé cristã tradicional e ao teísmo.
Leitura recomendada
O Universo Ao Lado – James W. Sire – Editora Monergismo
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Autor: C. J. Jacinto

