Preliminarmente à discussão do tema central deste artigo, julgo relevante destacar algumas características essenciais de uma igreja genuína, saudável e fundamentada nos valores e princípios bíblicos do Novo Testamento.
A igreja, em primeiro lugar, deve
preservar os fundamentos da fé cristã, prezar e preservar os absolutos doutrinários
conforme estabelecido nos princípios do Novo Testamento. Essa base doutrinária
deve ser considerada inegociável. Em segundo lugar, a igreja deve se dedicar à
exposição séria das Escrituras. Sem esse compromisso com a verdade revelada,
não se pode afirmar que a igreja esteja verdadeiramente engajada com a fé
cristã. Essa dedicação se manifesta na pregação, nos estudos bíblicos e na
prática dos ensinamentos, utilizando diferentes formatos como sermões textuais,
temáticos e expositivos, sempre com reverência, responsabilidade e seriedade.
levando em conta a conduta de seus responsáveis, pastores e pregadores, a citação
correta das Escrituras, a interpretação correta das Escrituras, a exposição
correta das Escrituras e a aplicação correta das Escrituras.
Uma igreja considerada saudável se distingue,
entre outros aspectos, por sua profundidade teológica. Ela deve possuir uma
teologia sólida, coerente e fundamentada nas Escrituras Sagradas, refletindo um
entendimento bíblico profundo. Além disso, a igreja deve promover a reverência
e a ordem nos cultos, incentivando a piedade e o temor a Deus. Desta forma, o
caráter doutrinário e teológico saudável manifestado nos cultos, incluindo a
escolha das músicas, constitui uma marca distintiva de uma igreja bíblica. Diante
disso, abordaremos agora. É pois sinal de regeneração se um cristão busca uma
igreja que tenha essas marcas como distintivo no meio de tanta confusão
religiosa que há hoje em dia no meio evangélico.
Muito bem, ciente desses fatos, o
amado leitor deve ler com muita atenção o que prossegue nesse texto:
A maioria dos indivíduos que se associam a uma
igreja, com poucas exceções, especialmente os recém-chegados e novos
convertidos, frequentemente cultivam uma visão idealizada, uma expectativa
irrealista sobre a igreja, sustentam um mito. Acreditam, ou desejam acreditar,
que a igreja é composta por pessoas perfeitas, isentas de problemas e falhas.
Essa visão pode se manifestar na crença de que encontraram o "paraíso na
Terra", um lugar habitado por indivíduos impecáveis e até mesmo
infalíveis. Assim, ao ingressar na igreja, esperam encontrar um povo com
padrões espirituais e morais superiores aos do mundo em geral. Essa
expectativa, é correta, comum entre os novos convertidos, mas o problema das
falsas conversões abundantes, nos convidam a ponderar sobre o assunto com mais
cautela, acreditar que na igreja só iremos encontrar pessoas perfeitas e infalíveis,
baseia-se em uma perspectiva equivocada da realidade. Quem acredita nisso
sustenta uma fabula, e trará para si mesmos problemas sérios!
Embora seja legítimo esperar que a igreja
exiba os mais elevados padrões morais e espirituais, o que considero evidente e
defendo, essa expectativa não implica na perfeição individual de seus membros.
Equivoca-se, portanto, quem presume que a mera participação em uma igreja
cristã, por mais conservadora e bíblica que seja, garante a ausência de falhas,
contendas, conflitos ou até mesmo escândalos. Não se deve idealizar a igreja
terrena sob essa ótica, pois, como demonstrarei, mesmo as primeiras comunidades
cristãs, lideradas pelos apóstolos, enfrentaram desafios, problemas, contendas,
desvios morais etc. Meu propósito é capacitá-lo a compreender e lidar com essas
realidades, a fim de fortalecer sua fé e aprimorar sua capacidade de tomar
decisões ponderadas em relação a essa temática complexa e relevante que
abordarei. “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina, persevera nestas coisas;
porque fazendo isto, salvarás, tanto a ti mesmo, como aos que te ouvem” (I Timóteo
4:16)
Observo que muitos cristãos afastaram-se da
igreja, abandonaram a congregação por sofrer uma desilusão ou uma decepção,
resultando em experiências negativas que usam como justificativa para
abandonarem a fé biblica. Alguns se sentiram decepcionados por situações ocorridas
na igreja, acontecimentos consideradas inadequadas por eles. Outros se
afastaram devido à percepção de hipocrisia ou a problemas internos, como falhas
de liderança ou de membros. Essas questões levaram muitos a deixar a
congregação e a não mais participar das atividades congregacionais, reunir-se,
participar de escola bíblica, cultos, santa ceia etc.
Acredito que, em alguns casos, o afastamento
pode ser motivado pela expectativa irreal de perfeição dentro da comunidade
cristã. Talvez, a ausência de uma formação teológica sólida ou de maturidade
espiritual tenha impedido que essas pessoas compreendessem a natureza humana e
a falibilidade inerente a qualquer grupo de indivíduos mesmo dentro do contexto
do cristianismo bíblico.
A presente mensagem visa esclarecer que
não há base bíblica ou justificativa espiritual para abandonar a igreja em
razão de desapontamentos decorrentes de ações ou omissões de membros ou
líderes. Tais experiências, por mais dolorosas que sejam, não devem conduzir ao
afastamento da comunidade de fé. Erros alheios não devem induzir ao naufrágio de
nossa fé.
Em outras palavras, todo cristão deve
compreender que a igreja é constituída por indivíduos que experimentaram a
regeneração espiritual mas dentro delas podem existir pessoas que nunca nasceram
de novo, somado a isso mesmo o homem mais santo e regenrado, também não é infalível
e muito menos perfeito. Contudo, persiste a questão da infiltração. Nem todos
os que freqüentam a igreja demonstram, em suas vidas, evidências de salvação ou
regeneração e isso por si mesmo já produz uma série de problemas para a
congregação, eu chamo isso de “efeito joio”. Alguns podem ter vivenciado uma
experiência de conversão superficial, de natureza psicológica ou emocional, em
vez de um autêntico novo nascimento. Essas pessoas não passaram por uma genuína
transformação espiritual, mas sim por uma mudança de comportamento ou de
crenças que não resultou em uma renovação interior. A respeito desta questão,
Jesus Cristo, em uma de suas passagens, ensina que nem todos os que o invocam
como "Senhor, Senhor" entrarão no Reino dos céus, mas apenas aqueles
que cumprem a vontade do Pai celestial. (Por favor, leia Mateus 7:15 a 26)
Gostaria de provar de forma bíblica e
irrefutável de que a igreja do Novo Testamento não era uma igreja cujos os seus
membros eram perfeitos e a igreja não era perfeita e nem era isento de erros e
de falhas. Quando nós abrimos o Livro de Atos, capítulo 15 e o versículo 39,
nós vimos que ali houve uma grande contenda entre os discípulos. Olha só, havia
uma grande contenda entre eles, de modo que precisavam ser resolvidos os
problemas aderentes a essas contendas. Podemos olhar também 1 Coríntios, no
capítulo 1, o versículo 10 ao versículo 13, que havia um partidarismo dentro da
igreja de Corínto. Predileção por certos discípulos, de modo que havia um
aparente culto à personalidade ou uma predileção a um determinado líder em
detrimento de outro, isso causou divisão e partidarismo interno. Isso são
defeitos, são falhas que estão dentro da igreja, e essas coisas, dependendo do nível
de maturidade dos membros de uma igreja, é inevitável.
Ao examinarmos o livro de Tiago, capítulo 2,
versículos 1 a 7, identificamos um problema presente na comunidade cristã: a
parcialidade. A questão não se manifestava externamente, mas internamente, no
seio da igreja. Observava-se uma distinção de tratamento durante as reuniões,
com privilégios e maior atenção direcionados aos membros ricos, em detrimento
dos pobres. Essa postura constituía um problema significativo, caracterizado
como discriminação. Tiago, então, primeiramente expõe essa problemática e, em
seguida, apresenta uma exortação visando a correção desse comportamento na
comunidade a que se dirige. Temos uma igreja cristã com um problema sério,
precisava de correção urgente, mas o problema estava presente, algo muito sério a ser tratado.
A discriminação, portanto, era uma
realidade, evidenciada pela preferência aos ricos em comparação aos pobres. Ainda
hoje, em maior ou menor escala, podemos constatar essa mesma dinâmica em
algumas igrejas hoje em dia. Tiago, diante dessa situação, sentiu a necessidade
de intervir para corrigir as práticas inadequadas presentes em certas
comunidades. Isso me faz lembrar da acusação que Paulo faz aos Corintios em I
Corintios 11:17, estavam se reunindo para piorar ao invés de melhorarem,
simplesmente estavam em decadencia. Retomando o livro de Atos dos Apóstolos, no
capítulo 15, versículos de 1 a 7, observamos que surgiram divergências entre os
discípulos, motivadas pela questão da circuncisão. Alguns judeus convertidos
estavam ensinando que a circuncisão era um requisito para a salvação. Essa controvérsia
gerou desavenças e a necessidade de solucionar um problema interno na igreja. A
questão central envolvia um desvio doutrinário que ameaçava a doutrina da
justificação pela fé, com a imposição das obras da lei como condição para a
salvação. Isso é fato bíblico, aconteceu dentro de uma igreja do Novo
Testamento.
Em Romanos, no capítulo 14, versículos de 1 a
10, Paulo aborda a questão dos irmãos de fé menos maduros (fracos na fé), cuja
fé era, por assim dizer, "frágil". Estes apresentavam divergências em
relação a práticas alimentares, alguns defendendo uma dieta vegetariana, enquanto
outros se mostravam irredutíveis quanto à observância de dias festivos. Paulo
enfatiza a importância da liberdade individual em questões não essenciais, nas quais
as Escrituras, o Novo Testamento quanto e a Nova Aliança, não estabelecem como
regras específicas para todos. Ele se dedica a tratar essas disputas de opinião
que existiam na igreja em Roma, especialmente no que concerne à alimentação e à
observância de dias, conforme podemos observar nesse trecho de Romanos.
Na segunda epístola de Paulo aos Tessalonicenses, no capítulo 3, versículo 11,
percebe-se, no contexto geral, que a carta apresenta um caráter corretivo.
Paulo aborda especificamente aqueles que se comportam de maneira desordenada e
evitam o trabalho. Essa conduta pode ter sido influenciada pela expectativa da
iminente volta de Cristo, tema que Paulo havia tratado em sua primeira carta à
igreja de Tessalônica. Contudo, Paulo expõe abertamente a questão desses irmãos
que agem sem ordem e se recusam a trabalhar, evidenciando um problema de ociosidade,
possivelmente decorrente de uma compreensão inadequada da escatologia e da
volta de Cristo, assuntos que Paulo discute em ambas as epístolas dirigidas a
essa igreja.
Ao escrever sua primeira carta à Igreja de
Corinto, Paulo aborda questões graves que afligem a comunidade. Esses
problemas, de natureza profunda e séria, manifestam-se internamente. Em 1
Coríntios, capítulo 5, é exposta a imoralidade sexual. Já em 2 Coríntios,
capítulo 6, são abordados litígios, demonstrando que a Igreja de Corinto
enfrentava uma série de dificuldades e escândalos. Até mesmo problemas de
embriagues havia na igreja de Corinto (I Coríntios 11:21) Uma igreja pode,
infelizmente, atingir esse estado. Contudo, é importante ressaltar que Paulo,
mesmo diante dessa situação, oferece suas exortações visando a correção e o
reajuste, sempre em consonância com a doutrina do Senhor. A necessidade de
afastar-se da apostasia exige a aplicação de um "remédio", encontrado
nas características da igreja que apresentei no início deste texto.
Uma igreja, sua liderança e seus
membros, comprometidos com os princípios ali descritos, promoverão uma atuação
diligente e fiel na fé. É crucial, contudo, reconhecer com esperança que os
membros de uma congregação, não são perfeitos e nem infalíveis. A igreja que
atua neste mundo está sujeita a falhas, como pudemos constatar neste breve
estudo, o que não justifica o abandono da congregação. Sendo seus membros falíveis
e imperfeitos, pode ocorrer problemas de conduta entre eles, e nisso consta a
exortação de Paulo de que devemos suportar uns aos outros (Efésios 4:2 e Colossenses 3:12) Essas exortações estão ali
para serem observadas, deve o leitor atentar para isso com cautela e temor e
ainda mais, em casos mais sérios, envolvendo ofensas pessoais, “perdoai-vos uns
aos outros” (Efésios 4:32) Esses mandamentos estão nas Escrituras para serem
observados
Gostaria ainda de abordar a grave questão que
a igreja na Galácia enfrentou, a qual motivou a escrita da epístola de Paulo
aos Gálatas. Contudo, meu foco principal reside nas igrejas locais,
especificamente nas sete igrejas da Ásia, onde algumas foram objeto de
repreensão. Em relação a essas igrejas, o Senhor censura certos comportamentos
e desvios doutrinários. A igreja em Pérgamo, por exemplo, foi advertida quanto
à doutrina de Balaão. Em Sardes, o Senhor declara que as suas obras não são
perfeitas diante de Deus. Diante disso, é importante notar que, com exceção das
igrejas de Éfeso e Filadélfia, as demais igrejas apresentavam sérias dificuldades
espirituais. Reafirmo meu desejo de revisitar o Livro de Atos, onde a história
da igreja é narrada. No capítulo 5, encontramos o relato de Ananias e Safira. O
cerne da questão residiu na mentira que proferiram ao Espírito Santo. No
contexto, observamos que Ananias e Safira faltaram com a verdade. Inicialmente,
mentiram aos apóstolos e então ao Espirito Santo. Simplificando, agiram com
desonestidade. Venderam uma propriedade por um valor, mas declararam outro,
retendo parte do dinheiro. Devido a essa ação, houve um tratamento específico
em relação aos seus pecados. Ananias e Safira cometeram não somente um erro,
eles pecaram, agiram de forma desleal,
contudo, eram cristãos, membros da igreja, parte da congregação de Jerusalém.
Diante de seus pecados, o Senhor agiu, demonstrando que Deus, e também as
autoridades eclesiásticas, tratam com disciplina e estabelecem consequências
para as ações graves cometidas pelos filhos de Deus. Assim fica provado de
forma irrefutável de que os membros das igrejas do Novo Testamento não eram
perfeitos e nem mesmo infalíveis, você não deve se decepcionar quando algo
errado acontecer na sua congregação, envolvendo os seus membros, pois eles também
não perfeitos e infalíveis.
Um exemplo semelhante encontra-se em 1
Coríntios, capítulo 5, onde Paulo aborda o caso de um homem pecador que se
envolveu com a esposa de seu pai, provavelmente não sua mãe biológica, mas a
mulher com quem seu pai estava casado. Após a morte do pai, ele se uniu a ela,
o que foi considerado um pecado gravíssimo. Paulo recomendou que fosse entregue
a Satanás para destruição para que sua alma fosse salva no dia final.
Observamos, portanto, a gravidade da situação. Reconhecendo que os cristãos não
são infalíveis nem perfeitos, podem incorrer em pecados específicos, mas as
consequências podem ser severas. Desejo salientar que não estou defendendo
erros e nem pessoas erradas, onde elas estiverem, sofrerão as conseqüências por
seus erros e pecados, a questão é que o erro dos outros não deve ser a
justificativa para você abandonar a congregação, quem faz isso, tropeça no erro
alheio, isso é tão devastador quanto o impenitente, mais uma vez, perceba as conseqüências
que sofreram Ananias e Safira em Atos 5.
Através dos exemplos mencionados, torna-se
evidente que a crença de que a Igreja militante, a comunidade cristã na Terra,
seja composta apenas por pessoas perfeitas e infalíveis é um equívoco. A
realidade demonstra que a Igreja é formada por indivíduos sujeitos a falhas,
como tem ocorrido desde os primórdios, conforme ilustrado pelos exemplos
apresentados.
Portanto, é importante ressaltar que a
decepção resultante de atos de desrespeito, injustiça ou condutas inadequadas
por parte de membros da Igreja não constitui motivo para o abandono da fé. A
saída da Igreja motivada por tais experiências revela uma expectativa irreal,
que não encontra respaldo na doutrina cristã. Trata-se de uma falta de
maturidade e discernimento justificar a saída da Igreja por causa de ofensas,
escândalos ou falhas, sejam elas cometidas por líderes ou membros.
A Bíblia e o Novo Testamento deixam claro que a Igreja é composta por pessoas
salvas, mas também por outras que ainda não alcançaram a plenitude da fé. Nela,
encontram-se indivíduos com diferentes níveis de maturidade e discernimento,
com os quais se pode ou não confiar. Há pessoas com fé forte e pessoas com fé
fragilizada, e até mesmo aquelas que ainda não experimentaram a conversão. É
fundamental compreender e discernir essa realidade.
Compreendo que você deve obsrevar a importância
dessa questão que estou abordando . Desejo que você perceba que, para aqueles
que cultivam uma vida espiritual e um certo nível de maturidade, a presença de
indivíduos que incorrem em erros ou praticam ações que divergem dos princípios
cristãos na igreja deve servir como um alerta. Essas situações não justificam o
afastamento da comunidade, pois a perfeição não é um atributo de um cristão
terreno. Ao invés das coisas erradas serem motivos de apostasia, a sua postura
diante desses casos deve ser a de aprendizado, observando as consequências de
tais ações erradas, quando existirem e viver de tal modo, a torna-se irrepreensível
,buscando não replicá-las. Em contrapartida, as pessoas que se esforçam por uma
vida virtuosa devem ser tomadas como exemplo a ser seguido. A ocorrência de
falhas alheias deve ser vista como um lembrete, não para abandonar a igreja,
mas para fortalecer o compromisso individual com os valores cristãos.
Simplesmente não deseje seguir os passos de um péssimo exemplo, Cristo deve ser
sempre nosso foco e direção, exemplo digno de ser seguido (Hebreus 12:2)
Considerando o exposto, a questão central que
se coloca é: existem razões justificáveis para o afastamento de uma congregação
e a busca por outra? Conforme estabelecido em Hebreus, capítulo 10, versículo
25, "não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, mas
encorajando-nos uns aos outros, e tanto mais quanto vedes que o Dia se
aproxima". Diante disso, a reflexão pertinente é: há motivos plausíveis para
a saída de uma congregação? Embora a resposta possa ser afirmativa em determinadas
circunstâncias, é crucial ponderar que a mudança de igreja, quando justificada,
deve-se principalmente à gravidade da apostasia e à disseminação de doutrinas
divergentes por parte da liderança ou da própria congregação. Nesse contexto, a
saída de uma comunidade em declínio espiritual e aderência a ensinamentos
equivocados pode ser justificada pela busca de uma igreja espiritualmente
saudavel que ainda preserva a solidez doutrinária e a ortodoxia, uma igreja
alinhada aos princípios espirituais autênticos e que se mantenha fiel aos
ensinamentos bíblicos.
Ademais, no livro do Apocalipse, no capítulo
18, versículos 3 e 4, encontra-se um contexto relevante. A Babilônia,
simbolizando a religião dos mistérios, representa um sistema religioso
sincrético. Este sistema combina elementos de capitalismo predatório, práticas
religiosas, feitiçaria, ocultismo e crenças consideradas heréticas,
configurando-se como uma religião ecumênica, sincretista, decadente, apóstata
e, por conseguinte, sujeita à condenação.
Neste contexto, é possível identificar a advertência e o chamado do Espírito
Santo, conforme a palavra de Jesus: "Sai dela, povo meu, para que não
sejais participantes dos seus pecados e para que não incorrais nas suas
pragas".
A exortação ao "sair" não implica em conformar-se com tal ambiente
espiritual, mas sim em afastar-se da contaminação espiritual, buscando a pureza
doutrinaria.
Trata-se de deixar um ambiente poluído em
estado de enfermidade espiritual e buscar uma igreja saudável.
Abandonar uma igreja que adota o modernismo em
favor de uma igreja que preserve os valores tradicionais; deixar uma igreja
apóstata e aderir a uma igreja ortodoxa; e, por fim, abandonar uma igreja que
promove a confusão em busca de uma igreja que ofereça discernimento espiritual,
de fato é algo louvável, pois um cristão espiritualmente saudável não se adéqua
a um púlpito espiritualmente enfermo.
Dessa forma, a exortação bíblica serve
como um fundamento para justificar a mudança de uma igreja apóstata para uma
igreja que se mantenha firme em pregar e defender os fundamentos da fé cristã.
Além disso, é importante ponderar que, ao
apresentar exortações e advertências para corrigir igrejas ou indivíduos, Paulo
visava concretizar e efetivar a correção, a fim de restaurar a normalidade
espiritual da comunidade. Caso contrário, se uma igreja não for corrigida, e
elementos nocivos como heresias de perdição, comportamentos inadequados e
imoralidade não forem tratados por meio da disciplina, por exemplo, ela tenderá
à corrupção e se transformará em uma igreja apóstata. Diante disso, não é
admissível que um cristão genuíno permaneça exposto a ensinamentos que
contradizem a sã doutrina. Em situações como a mencionada por Paulo em relação
a Himeneu e Fileto, que propagavam a ideia de que a ressurreição já havia
ocorrido, Paulo se manifesta com veemência, descrevendo tais ensinamentos como
corrompidos e comparando-os a uma gangrena que devora a carne até os ossos, o
que demonstra a gravidade da situação.(II Timóteo 2:17)
Portanto, diante de tais circunstâncias, a
postura mais adequada para o cristão autêntico é buscar uma congregação que
reforce os princípios espirituais mencionados anteriormente, no inicio desse
artigo e que caracterizam uma igreja espiritualmente saudável. Um cristão
espiritualmente sadio deve congregar-se em um ambiente saudável, jamais
negligenciando a freqüência fiel a uma igreja local, quando a possibilidade é
real.
C. J. Jacinto