Nosso Coração: Casa de Oração

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 Nosso Coração: Casa de Oração





“A minha casa será chamada casa de oração”

— Lucas 19:46

I. O Confronto Que Ilumina

Quando o Senhor Jesus adentrou o templo e confrontou os mercadores que haviam transformado a casa do Pai em mercado de lucros e vantagens, Ele não apenas purgou um espaço físico — proclamou, com autoridade divina, a finalidade mais profunda de toda a adoração: “A minha casa será chamada casa de oração” (Lucas 19:46). Essas palavras não eram apenas repreensião; eram revelação. Revelavam que o coração do culto verdadeiro não reside em ritos externos, nem em transações religiosas, mas na comunhão viva e íntima entre a alma e o seu Criador.

O que nos surpreende, porém, é que esse mesmo ensinamento não se limita ao templo de pedras. O Novo Testamento, iluminado pelo Espírito Santo, revela que nós somos agora os templos do Deus vivo (I Coríntios 6:19). Se o templo deve ser casa de oração, também o nosso coração, morada do Altíssimo, deve ser santificado e preservado como lugar de comunhão perene com o Pai.

II. Comunhão: O Fundamento Insubstituível

O apóstolo João, que havia recostado a cabeça sobre o peito do Senhor, escreveu com a autorità de quem conheceu a intimidade divina: “O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo” (I João 1:3). Aqui está lançado o fundamento eterno da vida espiritual: não há piedade genuína sem comunhão, e não há comunhão sem que a Pessoa de Cristo se torne a realidade central e dominante da nossa existência.

A oração, quando desprovida desse espírito de comunhão, degenera em mero exercício religioso — palavras enviadas ao vazio, sem o calor da presença e da fé. Contudo, quando nasce do interior de uma alma que verdadeiramente habita em Cristo, torna-se o respiro natural do espírito, o idioma do amor entre o filho e o Pai eterno. Como escreveu o salmista: “Como o cervo anseia pelas correntes das águas, assim a minha alma ansia por Ti, ó Deus” (Salmo 42:1). A oração verdadeira brota do mesmo manancial: um coração que anseia por Deus.

III. A Promessa da Moração Interior

O próprio Cristo, na noite em que foi traído, fez uma promessa de alcance insondável: “Se alguém me amar, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele nossa moração” (João 14:23). A Trindade Santa, em toda a sua glória e plenitude, deseja habitar no interior do ser humano. Isso não é metáfora poética — é teologia das mais sublimes, revelada pela boca do próprio Filho de Deus.

Essa moração interior transforma radicalmente a natureza da existência cristã. Já não se trata apenas de seguir preceitos morais ou cumprir obrigações religiosas, mas de cultivar, dia a dia, a consciência vívida e amorosa da Presença que nos habita. O Espírito de Cristo que vive em nós (Romanos 8:9) é o penhor dessa comunhão, o guia infalível da vida interior, e o agente que santifica progressivamente nossos pensamentos, desejos e afetos.

IV. O Templo Vivo: Nossa Vocação Sagrada

O apóstolo Paulo, com aquela visão acurada do mistério de Cristo, admoesta a comunidade de Corinto: “Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Coríntios 3:16). Se o templo de Salomão, construído com mármore e ouro, devia ser preservado como casa de oração e gloria de Deus, quanto mais o templo que o próprio Espírito Santo escolheu como morada! O nosso corpo, a nossa mente, o nosso coração: tudo isso deve ser consagrado ao Senhor e governado pelo padrão da casa de oração.

Isso implica uma integração profunda entre a vida pública e a vida privada do cristão. Não pode haver dicotomia entre o que somos diante dos homens e o que somos diante de Deus, no silêncio do aposento secreto. O homem verdadeiramente santo — santificado não por mérito próprio, mas pela graça operante de Cristo — não faz interiormente o que não faria diante de testemunhas, pois sua consciência maior é sempre a Presença do Senhor que o habita. Como afirmou o grande Agostinho: “Fizeste-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração vive inquieto até que encontre o seu repouso em Ti.”

V. A Santidade que Flui de Dentro

A meta da vida cristã não é simplesmente a reforma do comportamento externo, mas a renovação do homem interior. Cristo deseja que as Suas virtudes — humildade, amor, paciência, pureza — fluam de dentro para fora, como água de fonte viva, transformando gradualmente todas as esferas da nossa existência. Essa santidade orgânica e vital nasce, inseparavelmente, da oração e da comunhão.

O cristão que cultiva essa vida interior não precisa de esforço artificial para parecer piedoso; a piedade se torna a expressão natural e espontânea de quem está unido a Cristo. Assim como a videira comunica sua seiva ao ramo, e o ramo naturalmente frutifica, também aquele que permanece em Cristo produz frutos que glorificam ao Pai (João 15:4-5). A oração não é, portanto, uma técnica nem uma obrigação — é a respiração da alma unida ao Senhor.

Conclusão: O Coração Consagrado

Que o nosso coração seja, pois, uma casa de oração — não por disciplina árida nem por obrigação fria, mas pelo amor ardente àquele que primeiro nos amou (I João 4:19). Que cada pensamento seja uma oferta, cada suspiro um clamor, cada momento de solido uma audiência com o Rei eterno. Que o ruído do mundo não consiga apagar a voz suave e delicada do Espírito que testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus (Romanos 8:16).

Em comunhão com o Alfa e o Ômega, com aquele que é o mesmo ontem, hoje e para sempre (Hebr. 13:8), o coração humano encontra sua mais alta dignidade e sua mais profunda paz. Não como servos que tremem diante de um senhor severo, mas como filhos amável que conversam com o Pai: esse é o privilégio sublime do cristão que fez do seu coração, verdadeiramente, uma casa de oração.

Soli Deo Gloria. Amém.

 

Clávio J. Jacinto

https://claviojacinto.blogspot.com

O CAMINHO DA ILUMINAÇÃO ESPIRITUAL

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C. J. Jacinto

 

 

Em Provérbios, capítulo 4, versículo 18, encontra-se uma passagem que considero especialmente significativa. Ela exerceu grande influência em minha jornada espiritual desde o início de minha fé. Com o passar do tempo e o amadurecimento na vida espiritual, percebe-se a relevância dessa passagem, que afirma: "A vereda do justo é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito." Essa passagem aborda o progresso espiritual, um processo de amadurecimento que aprimora a visão espiritual.

 É notável o contraste com a experiência humana natural. No âmbito biológico, com o envelhecimento, os órgãos tendem a declinar, podendo levar a problemas como a perda da visão na velhice. Essa realidade tem-se manifestado em minha própria vida, pois, em minha idade, já experimento dificuldades visuais.
 No entanto, a vida espiritual opera de maneira distinta. À medida que recebemos maior iluminação das Escrituras, nossa visão espiritual se aprimora. Esse aprimoramento nos permite discernir as realidades espirituais com maior clareza. Caso um cristão não experimente esse desenvolvimento, com sua visão espiritual estagnada, sem expansão ou sofisticação, isso pode indicar desafios em sua vida cristã.

 Recentemente, vivenciei uma experiência que me motivou a redigir este texto. Conversei com um indivíduo cristão, cuja trajetória demonstra um afastamento da fé. Ele teve origem em um lar evangélico. Contudo, durante nossa conversa de aproximadamente dez minutos, percebi que esse irmão se encontrava em um estado de considerável confusão. Apesar de possuir mais de quarenta anos e ter vivido grande parte de sua vida na igreja, ele demonstrou, por meio de suas ideias confusas e doutrinariamente imprecisas, uma ausência de progresso no discernimento espiritual. A compreensão da fé não pareceu se intensificar em sua vida; ele permaneceu, em grande medida, na mesma condição de obscuridade. Toda a sua argumentação girou em torno da salvação pelas obras, do esforço humano e da aquisição de méritos para alcançar a salvação. Ele nunca compreendeu a justificação pela fé e nunca confiou plenamente em Cristo como seu salvador. Jamais percebeu que a obra redentora de Jesus Cristo na cruz do Calvário é suficiente para garantir a nossa justificação, independentemente de nossas ações. Essa incompreensão fundamental o afastou das verdades espirituais do Novo Testamento, o que, em parte, explica sua condição de confusão espiritual. Há muitos anos, em meus primeiros anos de fé, recordo-me de um colega de trabalho que enfrentou o desafio de uma doença que gradualmente lhe afetava a visão. Foi um período de grande sofrimento, e a perspectiva de perder a visão representou um choque emocional considerável, especialmente por estar na meia-idade. Consciente da inevitabilidade da cegueira, ele vivenciava uma profunda crise. Contudo, foi nesse momento de fragilidade que ele encontrou o Senhor Jesus como Salvador e depositou sua fé Nele. Um dia, em um encontro casual, conversei com meu amigo. Ele compartilhou sobre sua condição, a perda progressiva da visão e a proximidade da cegueira física. Conversamos também sobre sua jornada espiritual. Ele expressou: "Encontrei no Senhor Jesus meu Salvador, creio no Evangelho, sigo e sirvo a Cristo."

 Eu lhe respondi: "Essa é a maior conquista. Apesar da perda da visão física, você recebeu a luz da compreensão e do discernimento espiritual. A Bíblia nos orienta a fixar os olhos em Jesus, o autor e consumador da nossa fé, conforme lemos em Hebreus, capítulo 12, versículo 2."

 Prossegui, dizendo que a visão espiritual é infinitamente mais valiosa que a visão física, pois esta se limita às coisas passageiras, enquanto aquela nos conecta às coisas eternas. Ele, mesmo privado da visão natural, jamais deveria perder Cristo de vista. Devemos, pela fé, contemplar a Cristo, permitindo que nossa visão espiritual se aprofunde a cada dia, para que vivenciemos não apenas o amanhecer, mas uma compreensão plena, como em um dia perfeito.


A questão do conhecimento espiritual se encontra intrinsecamente ligada àquilo que se convencionou chamar de batalha espiritual. Desde o princípio, o que causou a queda, senão a ação do diabo, a personificação da mentira, ao induzir os primeiros seres humanos ao erro? Nesse momento, o engano obscureceu a compreensão de Adão e Eva, em vez de iluminá-los. Essa oposição se manifesta na contradição inerente às consequências da promessa da serpente: "Sereis como Deus." A promessa de conhecimento resultou em engano e ignorância espiritual, e, desde então, a batalha espiritual tem o engano como seu cerne. Tudo está relacionado a isso: engano e batalha espiritual. Em consonância, no Evangelho de João, Cristo se refere ao diabo como o pai da mentira.

 Portanto, compreendemos que, em contraste, o próprio Jesus se apresenta como a verdade, declarando: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida." Em outra passagem, no capítulo 17 do Evangelho de João, Jesus Cristo também faz uma afirmação sobre a verdade: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade." Assim, a Palavra, a Bíblia Sagrada, que revela Cristo, é a Palavra de Deus que também revela a verdade. Desse modo, a verdade está intrinsecamente ligada a Cristo, enquanto pessoa, e à Bíblia Sagrada, como revelação.

 Contudo, qual é a implicação disso? A antiga serpente deturpou a Palavra de Deus para enganar Eva. Essa mesma dinâmica se repete na tentação de Cristo, conforme registrado no capítulo 4 dos Evangelhos de Mateus e Lucas. Ali, o diabo, a antiga serpente, faz uso indevido da Palavra de Deus, distorcendo seu verdadeiro significado para tentar Cristo e induzi-lo ao pecado e à desobediência.

 Percebemos, portanto, que a Palavra revelada, quando distorcida, pode ser um instrumento para desviar uma pessoa do verdadeiro conhecimento. Embora paradoxal, essa é uma realidade. Os maiores hereges e apóstatas sempre deturparam a Bíblia Sagrada, utilizando-a fora de contexto para justificar seus erros e levar à própria perdição. Eles agem dessa forma porque reconhecem a autoridade da Palavra de Deus sobre a mente humana, e a distorção da Palavra torna o engano mais profundo e influente.



Em igrejas fundamentadas na Bíblia, onde pregadores dedicados à verdade utilizam as Escrituras com métodos, ferramentas e pressupostos corretos, defendendo os pilares da fé cristã e a sã doutrina, a luz espiritual é irradiada sobre os ouvintes. Esses pregadores, comprometidos com a linguagem clara e irrepreensível da Palavra de Deus, promovem o crescimento espiritual. O oposto, contudo, é o engano espiritual, pois muitos pregadores e falsos profetas distorcem a Palavra, conduzindo muitos à perdição. Como Cristo alertou, "quando um cego guia outro cego, ambos cairão no abismo". Portanto, indivíduos que, mesmo após longo tempo na igreja, carecem de discernimento espiritual, podem estar em desacordo com o propósito da verdadeira Igreja de Cristo, que visa instruir seu povo, promovendo a crescente iluminação espiritual, como a luz da aurora que brilha cada vez mais, até a chegada do dia perfeito.
 Outro aspecto relevante a ser abordado é o comportamento do coração regenerado. O cristão genuíno demonstra amor pela verdade. Recentemente, em conversa com um irmão em Cristo, fomos informados sobre a iniciativa de convidar um diácono, membro de longa data da igreja, para participar das aulas de ensinamento bíblico. A reação do diácono, apesar de sua idade e experiência eclesiástica, foi de desinteresse pelas atividades de estudo e instrução. Essa atitude revela a ausência do amor pela verdade. Aqueles que verdadeiramente amam o Evangelho anseiam por ouvi-lo e receber seus ensinamentos. Essa é uma resposta natural do ser espiritual, que busca constantemente aprofundar seu conhecimento e entendimento. O crescimento espiritual é um processo contínuo de aprimoramento e iluminação, culminando na perfeição. Para alcançar essa plenitude, é fundamental cultivar o amor pela verdade e a paixão por ela. Um indivíduo verdadeiramente espiritual, desejoso de crescer em graça e conhecimento, valorizará a instrução bíblica e buscará a orientação de mestres reconhecidos pela fidelidade à exposição das Escrituras.

 Na segunda carta aos Tessalonicenses, Paulo aborda um tema de grande importância e seriedade. Observo que a passagem em que Paulo declara que Deus enviará uma "operação do erro" àqueles que não amaram a verdade é particularmente relevante. Refiro-me àqueles que, tendo ouvido a sã doutrina e os ensinamentos do Evangelho, não a acolheram com amor suficiente para internalizá-los e permitir que suas vidas fossem transformadas por eles.


 Em outras palavras, muitos podem ouvir a verdade, mas não a abraçam, mantendo-se indiferentes. Essa indiferença em relação às verdades espirituais abre uma brecha para a atuação do engano. No âmbito espiritual, a falta de amor pela verdade, ou a recusa em amá-la, pode resultar na aceitação da mentira.
 Desejo também ressaltar a relevância daqueles que lideram o trabalho, incumbidos de instruir seus congregados e a comunidade religiosa. Se as verdades fundamentais da fé cristã não forem ensinadas, se as verdades espirituais essenciais para a compreensão da vontade divina e das doutrinas sagradas não forem comunicadas, os fiéis podem se tornar suscetíveis à influência do engano, em um mundo marcado por apostasia e pela ausência de líderes espirituais fiéis. Torna-se, portanto, imperativo que os cristãos demonstrem amor genuíno pelas coisas sagradas e pela sã doutrina. Igualmente, é crucial que os líderes religiosos estejam dispostos a se dedicar à pregação do Evangelho genuíno, à exposição fiel das Escrituras e ao compromisso com os fundamentos da fé cristã.



É fundamental que o cristão busque o conhecimento espiritual, permitindo que a luz do Espírito Santo e das Sagradas Escrituras ilumine sua mente, a fim de desenvolver o discernimento espiritual. Constata-se que o mundo contemporâneo se encontra imerso em trevas espirituais, possivelmente em uma escala sem precedentes, com o aumento da proliferação de religiões consideradas falsas, bem como de falsos profetas, falsos cristos e doutrinas heréticas. O avanço tecnológico, apesar de ter ampliado o acesso ao conhecimento, também facilitou a disseminação global, em proporções antes inimagináveis, de erros, heresias, religiões consideradas falsas e falsos profetas. Através dessas plataformas digitais, esses equívocos são difundidos com grande eficácia. Vivenciamos, portanto, uma época que exige a busca pela luz espiritual, a qual provém das Escrituras, da pregação fiel, da doutrina sólida e dos fundamentos da fé, direcionando-nos para a verdade, enquanto o mundo se afunda na escuridão.

 Apresento agora outro ponto digno de consideração, relacionado ao falso discernimento. É crucial ter em mente que existem indivíduos que se apresentam como espirituais, mas que na realidade não o são.

 Recordo-me de um período em que se popularizou a crença de que mensagens subliminares estavam presentes em rótulos de produtos e embalagens. As pessoas dedicavam tempo e atenção para detectar mensagens supostamente diabólicas, muitas vezes encontrando-as em rótulos de refrigerantes. No entanto, essas mesmas pessoas, capazes de identificar mensagens ocultas em embalagens, podiam sentar-se diante de um púlpito e ouvir um falso profeta. Este, por exemplo, poderia pregar um evangelho deturpado, afirmando que a salvação depende do cumprimento de obrigações financeiras, como o dízimo, em detrimento do foco em Cristo. Em essência, o foco era transferido da fé em Cristo para a observância de rituais e preceitos. Assim, a mesma pessoa que conseguia discernir mensagens ocultas em um rótulo de refrigerante, demonstrava incapacidade de reconhecer a presença de um falso profeta ou mestre, que ensinava a salvação baseada em obras, em vez da justificação pela fé na obra redentora de Cristo na cruz.

 O leitor certamente se recorda da frequência com que pessoas distribuem materiais, como folhetos, com o objetivo de divulgar suas igrejas. Frequentemente, a recomendação é buscar a igreja evangélica mais próxima da residência. Embora essa afirmação ainda seja comum, ela pode ser simplista, especialmente quando confrontada com certas perspectivas cristãs. Algumas pessoas, ao serem questionadas, afirmam que a denominação específica da igreja não importa, desde que o indivíduo a frequente. Essa postura, no entanto, demonstra falta de discernimento.

Atualmente, diversas igrejas apresentam abordagens distintas. Algumas pregam a teologia da prosperidade, priorizando experiências emocionais subjetivas em detrimento da pregação expositiva e do ensino bíblico. Outras adotam doutrinas unitárias ou unicistas, ou ainda, conceitos pós-modernos. Há igrejas que se destacam por cultos centrados na personalidade, enquanto outras abraçam ideias liberais e progressistas. Todas essas vertentes, em maior ou menor grau, podem apresentar ensinamentos que se afastam da verdade bíblica.

 Portanto, a simples frequência a uma igreja evangélica não é suficiente. É imperativo buscar uma igreja saudável, fundamentada nas Escrituras, comprometida com a prática e a proclamação da verdade, e que rejeite o pragmatismo ou o maquiavelismo. A igreja a ser frequentada é aquela que permanece fiel à Palavra de Deus.

 Portanto, é imprescindível cautela. A questão da doutrina correta reveste-se de grande importância, visto que Paulo, em suas epístolas, adverte Timóteo de maneira clara sobre os falsos mestres, citando, por exemplo, Himeneu e Fileto, que disseminavam a ideia de que a ressurreição já havia ocorrido. Paulo compara essas doutrinas a uma gangrena que se alastra pelo corpo, corrompendo a carne até atingir os ossos. Essa analogia, de forte impacto, representa uma advertência veemente contra as doutrinas que conduzem à perdição e que, de certa forma, ainda hoje são propagadas em muitas igrejas que se afastaram da fé original.

 A questão da falsidade, manifestada por meio de palavras persuasivas e sutis, empregadas por falsos mestres que se introduzem na igreja, não é um problema recente. Na Epístola de Judas, escrita pelo irmão do Senhor, no versículo 4 do capítulo 1, encontramos uma advertência: "Porque se introduziram alguns que se fizeram passar por piedosos, os quais, desde há muito, estavam sentenciados para esta condenação: homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor Jesus Cristo."
 Percebe-se, portanto, a gravidade da situação no contexto em que a Epístola de Judas foi escrita. A dissimulação, utilizada por muitos para se infiltrar nas comunidades cristãs e disseminar ensinamentos corrompidos que promovem a decadência espiritual, era uma ameaça real, como evidenciado nos casos de Himeneu e Fileto, mencionados por Paulo em uma de suas epístolas a Timóteo.

 Diante disso, torna-se imperativo que o cristão, assemelhando-se ao justo, brilhe cada vez mais intensamente, como a luz da aurora que se manifesta em plenitude. Assim, ele poderá alcançar uma compreensão clara e um discernimento preciso da verdade, a fim de exercer cautela e evitar tudo o que é falso.

Ao refletir sobre este tema de tamanha profundidade e importância para a nossa época, recordo-me da epístola de Paulo aos Efésios, no capítulo 1, versículo 18, onde ele expressa a seguinte oração pelos Efésios: "Por isso, também eu, tendo ouvido da fé que há em vós no Senhor Jesus e do amor para com todos os santos, não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda o Espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminando os olhos do vosso coração, para que saibais qual é a esperança da sua vocação, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos". Assim, observamos que a oração de Paulo pede: "iluminados os olhos do vosso coração". Trata-se de um conhecimento interior, uma visão interior, uma percepção interna que nos capacita a discernir entre a verdade e o erro. Esse é o verdadeiro discernimento.

 Conclui-se, portanto, a análise da batalha espiritual, conforme apresentada, com a compreensão de que a progressão cristã é uma necessidade premente em nossos dias. O crente deve avançar, desenvolver-se e progredir, assemelhando-se à luz da aurora, que se intensifica gradualmente até atingir seu ápice.

 Em 2 Coríntios, capítulo 4, versículo 4, o apóstolo Paulo adverte que "nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus." Essa é a ação do adversário, a antiga serpente, Satanás, que visa obstar a visão espiritual.

 Em contrapartida, no versículo 6 do mesmo capítulo, Paulo declara: "Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações." Trata-se de uma iluminação interior, essencial para a compreensão e a direção corretas. A glória do evangelho resplandece sobre o coração quando a mensagem da cruz é proclamada, ou seja, quando Cristo crucificado é anunciado, e quando a Palavra de Deus é pregada de forma completa, versículo por versículo. Essa é a marca distintiva da verdadeira Igreja e o foco da vida de todo cristão genuíno. Somente aqueles que se dedicam a essa verdade experimentarão a plenitude da luz, como a aurora em seu esplendor máximo.

 Com efeito, importa salientar que, ao abordar a temática da luz espiritual e da iluminação espiritual, não me refiro às experiências místicas ou às doutrinas esotéricas, como as encontradas no gnosticismo ou no movimento quaker, que buscam uma luz interior imanente, como se essa centelha divina residisse intrinsecamente em nós, independentemente da revelação divina. Em vez disso, a verdadeira luz espiritual provém essencialmente da Palavra de Deus e da Sua própria presença. Jesus, conforme registrado em João 8:12, declarou: "Eu sou a luz do mundo". No Salmo 119:105, lemos: "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos".

 Assim, torna-se evidente que a luz espiritual que o verdadeiro cristão recebe e que o caracteriza como um cristão bíblico emana da comunhão com Deus, da presença de Cristo e da Sua Palavra. A Palavra de Deus serve como lâmpada, e essa lâmpada, acesa por meio da pregação e do estudo bíblico pessoal, irradia luz para o nosso interior, proporcionando discernimento. Quanto mais alguém se dedica ao estudo da Palavra de Deus e se associa a uma igreja bíblica comprometida com a pregação e o ensino da Bíblia, mais luz recebe e mais se aperfeiçoa, o que se traduz em progresso espiritual. Ao analisarmos o Salmo 119, versículo 130, a Palavra de Deus confirma o que aqui se expõe. Ali está escrito: "A exposição das Tuas palavras dá luz e faz entender os simples". Assim, a exposição da Palavra de Deus proporciona iluminação espiritual àqueles que a ouvem. Refiro-me a essa iluminação espiritual que provém da Palavra de Deus, quando ensinada, proclamada e explicada. O cristão, ao se submeter à explanação, ao ensino, à orientação e ao conselho da Palavra de Deus, recebe luz crescente e experimenta contínuo progresso espiritual. Quanto maior o conhecimento da doutrina verdadeira, maior será sua capacidade de discernir e identificar o engano, a falsidade e a heresia, fortalecendo-o para confrontar toda forma de erro, bem como identificar e se manter firme diante da apostasia que se dissemina no mundo. No âmbito místico e esotérico, é possível observar, a título de exemplo, a iluminação indutiva, resultante da introspecção ou de práticas espirituais, como no caso de Siddhartha Gautama, que, em meditação sob uma árvore, alcançou uma suposta iluminação espiritual. Contudo, essa iluminação não o conduziu à compreensão da natureza, dos atributos e da graça do Deus revelado nas Escrituras. Importa salientar que não se trata de anacronismo, pois não me refiro a Cristo, mas ao Deus que Se revela no Antigo Testamento, por meio de Abraão, o pai de todos os que creem no verdadeiro Deus. Em Abraão se manifesta o caminho e a revelação que alcançariam sua plenitude na encarnação de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Conseqüentemente, entendemos que em Cristo se revela a verdadeira luz, luz de verdadeira luz, na qual a glória, a graça e a misericórdia de Deus são plenamente manifestadas. Que a Divindade nos conceda a graça de refletir a beleza da aurora, pois a trajetória do justo assemelha-se à luz da aurora, que resplandece em intensidade crescente até o dia perfeito. Que nossos caminhos sejam guiados rumo a uma iluminação cada vez mais profunda das glórias de Cristo e do Evangelho, a fim de que alcancemos uma compreensão mais plena da graça, da misericórdia, da redenção, da salvação, da justificação e da glorificação que emanam de Cristo Jesus, nosso Senhor. Ele, com grandioso esplendor, revelou-se nas palavras de João 3:16: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Que possamos ser como aqueles que trilham o caminho da justiça, em direção àquele cuja face, como testemunhou o apóstolo João na ilha de Patmos, brilhava como o sol. Que nos dirijamos a Cristo, que no monte da transfiguração resplandeceu perante Pedro, Tiago e João. Que nossos olhos sejam iluminados por essa glória celestial que alcança os homens que outrora habitavam nas trevas. Assim, experimentaremos a grandiosa revelação que reside nessa luz e através dela, capacitados a discernir o que é correto do que é incorreto.

 

Jesus Não Será Mais Visto: A Vida Cristã Baseada na Fé e Não na Visão

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 Jesus Não Será Mais Visto: A Vida Cristã Baseada na Fé e Não na Visão

O que a Biblia fala sobre aparições de Cristo?

 


C. J. Jacinto

 

Introdução

Vivemos em uma época marcada pela busca incessante por experiências visíveis, sinais extraordinários e manifestações espetaculares. Muitas pessoas afirmam que somente creriam em Deus se pudessem vê-Lo fisicamente ou testemunhar milagres impressionantes diante dos seus olhos. No entanto, o ensino das Escrituras aponta para uma realidade diferente: Deus determinou que a Sua igreja vivesse pela fé, e não pela visão ou por sentimentos.

Santa Teresa de Ávila, Santa Margarida Maria Alacoque, Santa Faustina Kowalska, Ana Catarina Emmerich, foram místicas católicas que afirmaram terem visto “Jesus”, mas esses fenômenos de aparições não são exclusivos do catolicismo, essas são visões subjetivas, absolutamente diferentes das aparições de Cristo descritas no Novo Testamento. No protestantismo talvez a aparição mais famosa seja do bispo Hugh Montefiore (anglicano), que se converteu do judaísmo após uma visão de Jesus dizendo “Siga-me”.

 Com o advento do pentecostalismo, a experiência de visões de Cristo tornaram-se mais freqüentes, Movimentos pentecostais e carismáticos freqüentemente relatam visões ou “encontros” com Cristo em oração ou cultos.

Rudolf Steiner (fundador da Antroposofia, início séc. XX): Falou da “reaparição do Cristo no éter” (não física, mas no corpo etérico/áurico da Terra). A partir do séc. XX, as pessoas poderiam ter experiências clarividentes do Cristo etérico, acessível independentemente de religião, como um consolo vivo e nova clarividência natural. Ele via o Cristo como Ser central na evolução cósmica

O famoso livro New Age “Um Curso em Milagres”,  foi atribuída pelos seus autores como mensagens recebidas através de uma voz identificada como Jesus.

O material apresentado destaca uma verdade frequentemente esquecida: após Sua ascensão aos céus, Jesus Cristo deixou de ser visto fisicamente pelos crentes, e Deus estabeleceu que o relacionamento do Seu povo com Ele seria fundamentado na fé em Sua Palavra. Aqui temos uma doutrina fundamental.


A Ascensão de Cristo e o Fim de Sua Presença Física na Terra

Após Sua ressurreição, Jesus permaneceu por um período com Seus discípulos, aparecendo a diversas pessoas como prova incontestável de que havia vencido a morte. O apóstolo Paulo registra:

"Depois foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez..." (1 Coríntios 15:6) Essas aparições tinham um propósito específico: confirmar a realidade da ressurreição. Deus estava fornecendo evidências históricas e testemunhais suficientes para estabelecer a autenticidade do evangelho.

Entretanto, essa fase teve um fim.

Jesus declarou:

"Vou para o Pai." (João 16:10)

Após Sua ascensão, Cristo assumiu Sua posição glorificada à direita de Deus Pai, encerrando Seu ministério terreno visível. (Hebreus 1:1 a 3)


Paulo e João: O Últimos Apóstolos a Ver Cristo Ressuscitado

As Escrituras indicam que as última aparições de Cristo ressuscitado ocorreu ao apóstolo Paulo e posteriormente ao apostolo João. Paulo escreveu:

"E, por derradeiro de todos, me apareceu também a mim..." (1 Coríntios 15:8) A expressão "por derradeiro" significa literalmente "por último", indicando que Paulo foi um dos últimos receptores de uma aparição apostólica de Cristo. Essa aparição teve uma função especial: autenticar seu chamado apostólico. A posterior aparição a João na Ilha de Patmos teve a missão singular de revelar o livro de Apocalipse, e assim a determinação bíblica para uma visão de Cristo em glória num sentido literal está determinada para sua segunda vinda: “Todo o olho o verá” (Apocalipse 1:7 e Atos 1:13), visto isto, Mais tarde, Paulo pergunta:

"Não sou eu apóstolo? Não vi eu a Jesus Cristo, Senhor nosso?" (1 Coríntios 9:1) João descreve dia visão de Cristo em Apocalipse 1:12 e 13. Em ambas aparições, havia um divisor de águas acontecendo, a conversão de Paulo e a revelação profética entregue por Jesus á João.

A visão de Cristo servia como uma das credenciais do apostolado e para o livro de Apocalipse são ocasiões singulares após a ascensão. Essas aparições tem seus aspectos singulares, um cristo glorioso cujo resplendor era tão intenso que as testemunhas, João e Paulo caíram prostradas no chão, não foi mero espectro ou espírito, foi uma Pessoa extremamente gloriosa e literal. Assim como os demais apóstolos haviam visto o Senhor ressuscitado, Paulo também precisava desse testemunho direto para exercer seu ministério e João para selar a autoridade do livro de Apocalipse.


O Plano de Deus para a Igreja: Viver Pela Fé

Após concluir a era apostólica, Deus determinou que Seu povo passasse a caminhar pela fé. O Senhor não deixou Sua igreja dependente de aparições físicas, visões constantes ou manifestações extraordinárias para sustentar sua crença. Pelo contrário, a fé tornou-se o princípio fundamental da vida cristã. Jesus declarou: "Bem-aventurados os que não viram e creram." (João 20:29) Observe a profundidade dessa afirmação. Cristo não elogia aqueles que viram; Ele pronuncia uma bênção especial sobre aqueles que creriam sem vê-Lo. Essa é precisamente a condição de todos os cristãos desde o encerramento da era apostólica.


A Fé é o Método Escolhido por Deus

As Escrituras repetem inúmeras vezes que o relacionamento do homem com Deus ocorre por meio da fé.

A Salvação é Pela Fé

"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé." (Efésios 2:8)

A Justificação é Pela Fé

"O justo viverá pela sua fé." (Habacuque 2:4)

"Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé." (Romanos 3:28)

O Acesso a Deus é Pela Fé

"Temos paz com Deus... mediante a fé." (Romanos 5:1)

A Vida Cristã é Pela Fé

"O justo viverá da fé." (Romanos 1:17)

A Perseverança é Pela Fé

"Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé." (Hebreus 10:39)

Em toda a Bíblia encontramos o mesmo padrão: Deus chama Seu povo para confiar em Sua Palavra mesmo quando os olhos não podem ver.


O Perigo de Buscar Constantemente Novas Aparições

Quando as pessoas começam a exigir visões, aparições e manifestações extraordinárias para fortalecer sua fé, acabam invertendo a ordem estabelecida por Deus.

A fé bíblica não nasce da visão; ela nasce da Palavra de Deus.

Romanos 10:17 afirma:

"A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus."

Por isso, o cristão amadurecido não depende de sonhos espetaculares ou supostas aparições de Cristo para permanecer firme. Sua confiança está ancorada nas Escrituras.

Ao longo da história, inúmeras alegações de aparições e revelações particulares surgiram. Porém, nenhuma delas possui a autoridade da revelação bíblica já entregue aos santos. Até porque a aparência dessas apararições, baseiam-se em meras imagens de especulação da tradição, pois não sabemos como era o perfil do rosto de Cristo, a bíblia não descreve as características físicas de Cristo, com exceções, quando fala de modo negativo “Não tinha parecer e nem formosura”(Isaías 53:3)

A Bíblia é suficiente para conduzir o crente à salvação, ao crescimento espiritual e ao conhecimento de Deus.


Cristo Está Ausente Fisicamente, Mas Presente Espiritualmente

Dizer que Jesus não é mais visto fisicamente não significa que Ele esteja distante de Seu povo.

Pelo contrário.

Cristo prometeu:

"E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos." (Mateus 28:20) esta é uma presença espiritual, consoladora, que se manifesta sobre a administração do Espirito Santo.

Sua presença hoje é espiritual, por meio do Espírito Santo que habita em cada verdadeiro crente. Cristo é visível através do cristão (Romanos 8:29) através da Sua igreja e que é Seu corpo (Colossenses 1:24)

Não vemos Cristo com os olhos naturais, mas experimentamos Sua atuação através da Sua Palavra, da oração, da comunhão dos santos e da obra transformadora do Espírito Santo.Pedro escreveu aos cristãos de sua geração:

"A quem, não havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso." (1 Pedro 1:8)

Que descrição maravilhosa da vida cristã! Amar Aquele que nunca vimos, confiar nAquele que nossos olhos jamais contemplaram e, ainda assim, experimentar Sua graça diariamente.


Conclusão

A ascensão de Cristo marcou o encerramento de Sua presença física entre os homens. As aparições após a ressurreição serviram como evidência histórica da vitória sobre a morte e culminaram com a aparição ao apóstolo Paulo, o último dos apóstolos e João na ilha de Patmos, neste ultimo com a intensa glória de Sua Majestade como é característica de todo livro de Apocalipse.

Desde então, Deus estabeleceu que Sua igreja caminhasse pela fé. O cristão não vive sustentado por visões, (subjetivas, espiritualistas, etc) mas pela Palavra inspirada. Não depende de aparições, mas das promessas divinas. Não busca ver para crer; crê porque Deus falou.

Até o dia glorioso da volta de Cristo, a igreja continua vivendo segundo o princípio que agrada ao Senhor:

"Porque andamos por fé, e não por vista." (2 Coríntios 5:7)

E justamente nisso reside a beleza da vida cristã: confiar plenamente no Salvador invisível, aguardando o dia em que a fé dará lugar à visão e veremos face a face Aquele que hoje adoramos pela fé.

Alguns podem perguntar as experiências descritas acerca de hindus e muçulmanos que tiveram visões de Cristo para se converterem a ele, posso apenas responder biblicamente que o padrão estabelecido por Deus para que alguém creia no evangelho é a pregação, isso foi estabelecido pelo próprio Cristo: Ide pregai o evangelho a toda a criatura (Marcos 16:15) Esse principio é corroborado por Paulo em Romanos 10:13 a 15. Neste texto de Romanos o ouvir e crer esta associado somente ao pregar e não ao ter visões ou experiências místicas.

 

 

 

OS Dez Mandamentos do Pós-Modernismo

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QUANDO O ENCANTO DO ENGANO SE QUEBRA NO INFERNO

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QUANDO O ENCANTO DO ENGANO SE QUEBRA NO INFERNO

 




C. J. Jacinto

 

 

Em Lucas, capítulo 16, versículos 19 a 31, Jesus apresenta a parábola do rico e de Lázaro. Esta passagem bíblica, de grande importância, expõe de maneira clara a condição pós-morte, tanto para os justos quanto para os injustos. O texto, freqüentemente objeto de debate entre crentes e críticos, revela, nas próprias palavras de Jesus, o significado e a relevância da doutrina da vida após a morte, conforme ensinada por Ele, nos evangelhos e em todo o Novo Testamento. A narrativa oferece profundas lições a serem compreendidas. Minha reflexão se concentra no homem rico anônimo retratado por Jesus, que desfruta de uma existência opulenta e luxuosa, entregue a uma satisfação plena. Seduzido pelo encanto do materialismo, ele se entrega a uma vida de esplendor e conforto, permanecendo alheio às questões da vida após a morte. Este homem secular, iludido, encontra-se cativado pela ilusão do brilho material, pela busca incessante do conforto e pela satisfação do ego. Contudo, a vida chega ao fim abruptamente. Esta é a lei estabelecida pelo Senhor desde o princípio, após a queda: "Tu és pó, e ao pó retornarás." (Genesis 3:19) Para o homem secular, contudo, a morte parece um evento distante, algo que sempre acontece aos outros, mas nunca a ele. Chega, porém, a sua hora.

No capítulo 16, versículo 23, Jesus descreve que o homem rico, após a morte, despertou em sofrimento. Encontrava-se no Hades, atormentado. A punição era a consequência de sua incredulidade e de uma vida sem arrependimento. Anteriormente, havia se deixado iludir pela sedução do engano; contudo, o encantamento se desfez. Ali, naquele lugar de tormento, onde seria julgado pelos seus pecados, experimentava a doutrina da danação eterna, o lugar dos ímpios após a morte. Nas Escrituras Sagradas, o seu destino é o lago de fogo eterno, conforme descrito nos últimos capítulos do livro do Apocalipse. (Apocalipse 19:10, 20:10 e 15)

 Nos primeiros capítulos de Gênesis, observa-se que Eva foi seduzida pela persuasão sutil da serpente, que a induziu ao pecado da desobediência. “A mulher sendo enganada caiu em transgressão” (I Timóteo 2:14) O discurso da serpente, carregado de encanto, cativou Eva e, por conseqüência, Adão, levando-os a consumir o fruto proibido. A fala da serpente, dotada de um poder mágico, encantou-os com grande astucia (II Coríntios 11:3). Desde então, percebe-se a grande força sedutora do engano. ( Leia atentamente II Tessalonicenses 2:9 e 10 para ver a eficácia do poder sedutor e encantador de satanás)

  A falsidade e o erro têm a capacidade de iludir as pessoas, que se tornam presas dessa ilusão. (Apocalipse 13:14) Essa fascinação se desfaz, seja por meio da pregação profunda e verdadeira do Evangelho, seja pela morte, quando a pessoa percebe a realidade da sua condição se estiver miseravelmente perdida. É nesse momento que o encanto do engano se rompe, revelando a verdade real, como ocorreu com o homem rico. “Porque estou atormentado nesta chama” (Lucas 16:25 compare o uso punitivo do tormento em Apocalipse 20:10)

É notável, com certa ironia, como frequentemente nos recordamos dos encantadores de serpentes do Oriente Médio, que, ao som de uma flauta, conseguem hipnotizar e controlar esses répteis. Contudo, na Bíblia Sagrada, a situação se inverte: é a serpente que encanta os seres humanos, induzindo-os a um estado de fascínio profundo e duradouro. (Apocalipse 12:9) Reafirmo, portanto, de maneira clara, que esse encantamento somente se desfaz mediante a atuação de pregadores cheios do Espírito Santo, que utilizam a Palavra de Deus como instrumento de transformação e purificação. A pessoa, do início ao fim de seu engano, permanece cativa de uma visão distorcida da realidade, conduzindo-se a um entorpecimento contínuo. Grande parte da humanidade encontra-se sob o efeito desse terrível encantamento, o encantamento da serpente, o encantamento do engano, o encantamento da mentira.

O outrora abastado agora se vê em desespero. A verdade, antes negligenciada, revela-se em sua totalidade. Suas ilusões desvaneceram-se, e o encanto que o envolvia se dissipou. Desiludido, confronta a realidade. As palavras que outrora ridicularizara e desacreditara ressoam agora em sua mente. Após uma vida de descrença, suponho que, jamais imaginou a existência de um inferno, uma punição eterna, um lugar de tormento perpétuo. Considerava tal conceito impossível, incompatível com a bondade divina. Nutriu essa visão durante toda a sua vida, assim como muitos ateus e incrédulos ainda o fazem atualmente, sob o mesmo modo de pensar. Conforme demonstraremos ao longo deste artigo, o poder do engano exerce um fascínio sobre as pessoas, a ponto de ser difícil compreender como alguém pode se prostrar diante de uma imagem de escultura e associá-la à mãe de Jesus ou mesmo a Deus. Essa atitude, em certa medida, pode ser atribuída ao engano. O encanto da ilusão, do erro e da heresia turvou-lhe a percepção, impedindo-o de enxergar a realidade.

 Analisemos atentamente essa passagem, a ruptura da ilusão, a ilusão do homem rico. Conforme Jesus relata no versículo 23, no inferno, o rico, em meio aos tormentos, ergueu os olhos e avistou, ao longe, Abraão e Lázaro em seu seio. No versículo 24, o rico suplica, dizendo: "Pai Abraão, tem compaixão de mim e envia Lázaro para que molhe a ponta do dedo na água e me refresque a língua, pois sofro muito nestas chamas." Nessas palavras, revela-se a percepção direta e inequívoca de uma realidade que ele jamais poderia ter imaginado: a morte e o tormento eterno. Ali estava aquele homem, e naquele momento a ilusão se desfez; não há como negar a existência de Deus, a vida após a morte e a perdição eterna quando o pior dos ímpios entra no outro lado da vida. Tais realidades se apresentam agora em sua forma mais crua. Não há abstração nesse texto; é uma narrativa concreta que, ao ser lida, deveria causar profunda reflexão, pois o homem, naquela situação, encontrava-se irremediavelmente condenado.

 Analisemos, portanto, as formas de convicção que se manifestam com freqüência em nossos tempos. Inicialmente, consideremos a postura e o estado de espírito dos ateus. Atualmente, a militância neoateísta apresenta uma grande proeminência. Os ateus, muitas vezes, exibem uma postura de orgulho, procurando se apresentar como intelectuais, atribuindo à razão o papel de guia para a sua existência e para a compreensão da eternidade. Eles se colocam em uma posição de superioridade intelectual e acadêmica. A razão, desde a Revolução Francesa, continua sendo exaltada e reverenciada pelos ateus e por aqueles que depositam na ciência sua principal fonte de crença. “Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim ao os caminhos da morte” (Provérbios 16:25)

Em consequência, adotam uma postura marcadamente humanista, confiando em seus próprios juízos e critérios para avaliar verdades transcendentais. Dessa forma, assumem uma postura negacionista, rejeitando a existência da alma, do inferno, da vida após a morte, de Deus, do Evangelho e da necessidade da salvação através da obra consumada e perfeita de nosso Bendito Senhor Jesus Cristo. Este é o cerne da questão. No entanto, a crença encantada de cada ateu que, ao morrer, experimenta a realidade no Hades, assim como o rico na parábola bíblica, o encantamento da incredulidade se quebra  naquele momento. Ali mesmo naquele primeiro minuto ao morte, deixam de ser ateus para acreditar na realidade do inferno, na vida após a morte e na existência de sua própria alma. Contudo, essa compreensão surge tardiamente. O encantamento se desfaz, mas a condição alcançada é irreversível.
Não podemos nos deter neste ponto, pois ainda há aspectos a serem explorados dentro da temática da ilusão encantada  do engano. Abordamos a questão dos esotéricos e espiritualistas nas suas variadas formas. A maioria deles, certamente, nutre a esperança de realizar grandes feitos em vida, visando a obtenção de uma boa reencarnação e uma existência futura, de modo que toda a sua existência é orientada por essa crença. Tudo se concentra na busca por uma nova encarnação com bons karmas, que lhes proporcionem a oportunidade de uma evolução espiritual posterior. Contudo, ao observarmos o rico no lugar de tormento, constatamos que ali não há evolução espiritual, nem sistema kármico, tampouco a roda da reencarnação. Trata-se, simplesmente, de um ciclo que se encerra. Uma porta que se abriu e se fechou. Um lugar de onde a única saída é para o Lago de Fogo. “Está posto um grande abismo entre nós e vós” (Lucas 16:26) Essa é uma realidade difícil de ser assimilada nos dias atuais, pois o homem se encontra fragilizado espiritualmente para compreender uma doutrina tão impactante quanto a do inferno eterno. Contudo, essas são as palavras de Jesus, o absoluto que se encarnou, Deus que se fez homem, trazendo para nós uma história que deve ser valorizada, refletida e proclamada como advertência a todos os homens. Nesse contexto, cada pessoa que acredita na reencarnação, na evolução espiritual, como defendem e ensinam o esoterismo, o ocultismo e o espiritualismo, está sujeita à uma grande e devastadora desilusão. O encantamento do engano será desfeito, a ilusão se romperá, pois naquele dia, ao cruzarem os portais da morte, quando seus olhos se abrirem e virem que estão em chamas, o encanto dessa falsa esperança se dissipará, restando apenas a verdade nua e crua: a punição eterna. O inferno existe. “E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27)

Prosseguindo com a análise, observamos que um grande número de pessoas professa e acredita, sem base bíblica, na possibilidade de reconciliação após a morte. Muitas delas nutrem a crença no purgatório, conduzindo suas vidas sob a égide dessa ilusão. Trata-se da idéia, por vezes considerada encantadora, de que mesmo aqueles que professam a fé cristã adulterada, aos moldes de um “outro evangelho” (Gálatas 1:8) ao morrerem, passarão por um período no purgatório. Lá, em um processo de purificação por fogo, seriam expurgados os pecados considerados não capitais, com a expectativa de que, após essa purificação, adentrarão o paraíso.

 Essa crença, frequentemente, é mantida com convicção e esperança por milhões de corações encantados que esse mentira mágica. A possibilidade de reconciliação pós-morte, nesse lugar inexistente nas Escrituras – o purgatório – implicaria em sofrimento através do fogo, com o objetivo de sofrer para supostamente apagar os pecados e, assim, alcançar a vida eterna. Adicionalmente, acredita-se que missas, esmolas, orações e boas ações realizadas por outros, em memória do falecido, ou mesmo a simples luz de velas, no Dia de Finados, contribuiriam para a libertação dos infelizes enganados desse lugar.
 Contudo, ao morrer, essas pessoas encontrarão a mesma situação do rico na parábola bíblica. Diante das chamas eternas do Hades, a ilusão que as sustentava – a falsa esperança de alcançar a vida eterna após a morte, como se o sacrifício de Cristo na cruz fosse incompleto e necessitasse do fogo do purgatório para ser aperfeiçoado – será desfeita. Este é um engano colossal, que inevitavelmente se confrontará com a realidade crua e definitiva, pois não há purgatório. Existe o Hades, e após o Hades, o Lago de Fogo.  “A morte e o inferno (No grego. o Hades onde o rico estava) deram os mortos que ele havia, e forma julgados...e a morte e o inferno (Hades) foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte” (Apocalipse 20!3 e  14) Depois da morte é o juizo (Hebreus 9:27) É a condenação, não a restauração seja por reencarnação ou por purgatório

 Contemplemos, por mais um instante, aqueles que, de certa forma, advogam a crença no sono da alma. Imaginam eles que, ao findar a existência terrena, a alma adormece na sepultura, permanecendo inconsciente e alheia à vida pós-morte. Acreditam fervorosamente que essa é a condição do ser humano após a morte, e, por conseguinte, muitos daqueles que nunca professaram genuína fé em Cristo, que jamais O reconheceram como o caminho, a verdade e a vida, e que não se converteram a Ele nem O serviram segundo o Evangelho autêntico, não foram, em essência, cristãos segundo a Bíblia, sentirão o impacto do desmantelamento do encantamnto da mentira chamada de “sono da alma” e nesse sentido, para muitos  aniquilacionistas e universalistas, o choque emocional será são terrível quanto ao rico  “E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos” (Lucas 16:23), o rico viu, sentiu, percebeu, entendeu, calculou, lembrou, pediu, e se emocionou, mas era tarde demais, para o leitor, ainda há tempo! Converta-se a Cristo, Creia em Cristo, Confie em Cristo, Siga a Cristo.

Para aqueles que sustentam a crença no sono da alma, o momento da transição, quando deixarem esta vida para ingressar na outra, será de súbita surpresa e espanto. Aquilo que conceberam como sono revelar-se-á, na verdade, um pesadelo, pois as chamas da aflição se apresentarão diante de seus olhos. Estarão conscientes, cientes de toda a situação, de toda a tribulação e de todas as aflições, inclusive lembrando-se de cada aspecto de suas vidas, e recordando que muitos outros compartilham o mesmo engano, o de que a alma repousa na sepultura após a morte. Ali, a ilusão se dissipará, o erro será desfeito, pois diante deles estará a realidade crua: chamas atormentadoras diante de todos os perdidos.

 Aqueles que jamais abraçaram o Evangelho e que nunca aceitaram a Cristo como Salvador, nunca se arrependeram de seus pecados e nunca se converteram ao Evangelho crendo que, caso não fossem salvos e redimidos, estariam no Hades em tormentos, aguardando o julgamento eterno para, posteriormente, serem lançados no lago de fogo, testemunharão a terrível verdade: a punição eterna existe, o encanto do engano se quebra totalmente lá. As mais notáveis testemunhas da existência do juízo divino serão aqueles que a negaram quando viveram neste mundo!

Há, ainda, indivíduos em situação mais lastimável, pois sustentam a crença de que o ser humano é unicamente um corpo biológico, desprovido de alma. Equiparam o homem a animais, como cavalos ou bois, considerando que a morte representa a extinção completa, a dissolução no pó, sem qualquer vestígio de consciência ou vida após a morte. Essas pessoas, ao ingressarem na eternidade, confrontarão a magnitude dessa realidade, percebendo que suas convicções eram ilusórias, um engano fatal. O feitiço dessa ilusão, que moldou seus pensamentos e crenças sobre a natureza humana, será quebrado. Aqueles que negam a existência de uma alma imortal e pregam a visão do homem como um mero ser biológico, ao abrirem os olhos na eternidade, assemelhar-se-ão ao rico da parábola, compreendendo, com desespero, o erro absoluto de suas convicções. Levarão estes, um choque de realidade, pois com o quebrar do encanto do engano, perceberão com toda a intensidade após a morte, aquilo que insistiam em negar em vida.

 Desejo, ainda, reiterar a respeito daqueles que, embora nutram a crença na vida após a morte, fundamentam sua esperança na própria capacidade e conduta: as boas obras. Consideram que, por serem pessoas de bem, honestas e integras, Deus não as condenaria ao sofrimento eterno. Depositam sua confiança em suas ações e méritos, acreditando que a prática de boas obras lhes garantirá o perdão e a vida eterna. Vivem seguras e felizes confiando em suas próprias obras como moeda de troca para comprar a vida eterna, fazem isso muitos ditos cristãos, confiando no esforço próprio como meio de alcançar o céu em puro desprezo pela morte de Cristo na cruz.

Contudo, essa perspectiva não condiz com o cerne do Evangelho. Este não se fundamenta na capacidade humana de alcançar a salvação, pois tal intento é inatingível. O Evangelho proclama a salvação através do sacrifício de Cristo na Cruz do Calvário. Portanto, nossa confiança não deve residir em nossas boas obras ou méritos, mas sim na obra redentora, completa e perfeita, realizada por Cristo. Nossas obras são coisas corruptíveis, não possuem poder de auto-redenção, somos comprados pelo precioso sangue de Cristo, nossas boas obras são corruptíveis (contaminadas) mas o precioso sangue de Cristo é incontaminado (I Pedro 1:18 e 19)

 Aqueles que confiam nas obras para alcançar a salvação, no momento em que a morte os alcançar e, após, no Hades, constatarão a desilusão, assim como o homem rico na parábola. A verdade se revelará, mostrando que suas ações não foram suficientes para garantir a salvação eterna. A essa altura, será tarde demais, pois terão negligenciado a fé na obra de Cristo na Cruz, preferindo a autoconfiança. Essa postura, baseada na autossuficiência, constitui um grave pecado, pois implica em desmerecer o sacrifício de Cristo.

 Há alguns dias, assisti a um documentário sobre hindus que creem no poder sagrado das águas do rio Ganges. Alguns deles se submetem a um ritual de morte, falecendo próximos ao rio. Seus corpos são então cremados, e as cinzas são lançadas no Ganges, acreditando que isso lhes garantirá o paraíso e o fim do ciclo de reencarnação. Imagino a sinceridade dessas pessoas em suas crenças, embora considero-as equivocadas. A doutrina hindu as teria conduzido a esse erro. Creio que, na eternidade, elas reconhecerão essa falha. Ali, compartilhando a experiência do homem rico da parábola, enfrentarão tormentos e decepções, pois as águas do Ganges não possuem o poder de purificar os pecados. A purificação, segundo o Evangelho de Jesus Cristo, reside no sangue de Jesus. “O Sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (I João 1:7) Imagino a desilusão dessas pessoas no instante após a morte. Enquanto, neste mundo, rituais de cremação e lançamento de cinzas no Ganges são realizados em seu favor, elas enfrentarão a realidade da eternidade, percebendo a futilidade dessas ações. O sofrimento do juízo as aguarda. encantamento do engano será quebrado.

 A morte, desde sempre, representou um enigma que instigou a curiosidade humana. Essa fascinação se manifesta, por exemplo, na religião egípcia antiga, com suas múmias e faraós divinizados. Encontramos reflexos dessa busca em textos antigos como o Livro Tibetano dos Mortos, que descreve os processos de purificação e a jornada para o reino dos mortos, com suas luzes e rituais complexos que visam proporcionar uma experiência transcendente após a morte. No entanto, esses rituais e informações divergem substancialmente do Evangelho.
 Ao analisar a descrição do estado do rico, observamos a presença de uma espécie de luz. Essa luz permite que ele veja, observe, distinga formas, sinta e se lembre. A narrativa sugere uma situação reveladora, com uma luz que expõe sua condição, incluindo o desespero e a percepção de chamas. Essa clareza revela a verdade crua.

 Portanto, não é surpreendente que muitos relatem experiências de quase-morte com um túnel de luz. A experiência do rico também indica que ele não estava em trevas, mas sim em uma situação de discernimento, vivenciando sua condição de maneira vívida.
 Minha análise se concentrará na descrição de Jesus sobre o evento envolvendo o rico e Lázaro. Especificamente, examino a condição do rico após sua vida de opulência terrena. Suas crenças equivocadas, estilo de vida e perspectivas futuras estavam distorcidas. De maneira semelhante, grande parte das religiões contemporâneas apresenta um evangelho deturpado e esperanças infundadas. Jesus afirmou, em João 14:6: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, a não ser por mim." Ele proferiu essa declaração de forma exclusiva. Independentemente de discordâncias, Jesus Cristo se apresenta como o único caminho para o Pai, sem qualquer outra alternativa. Da mesma forma, Paulo declara que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens.

 Essas verdades se somam: crenças equivocadas conduzirão as pessoas a uma dolorosa percepção quando a ilusão de suas convicções for desfeita pela realidade da perdição, pois não confiaram integralmente em Cristo, mas em algo além Dele. Muitos crêem, com sinceridade, que Maria é mediadora e que, em certas circunstâncias, pode conduzir alguém ao céu por ser co-redentora. Contudo, tal ideia não encontra respaldo nas Escrituras; trata-se de uma fantasia, uma fábula sedutora.
 Caso não se creia em Cristo como o único caminho, não haja conversão, arrependimento dos pecados e seguimento de Cristo em vida, não O encontraremos na vida por vir. É fundamental compreender isso, por mais que essa mensagem possa ser politicamente incorreta ou dissonante no contexto atual, em meio a púlpitos superficiais e pregadores temerosos que relutam em proclamar a verdade, pois seus interesses se concentram em aplausos, fama, prestígio e, acima de tudo, dinheiro.

 Todavia, afirmo a verdade fundamental: todo aquele que não tiver o nome escrito no livro da vida será lançado no lago de fogo. Sem crença, arrependimento, conversão, abandono dos pecados, novo nascimento e aceitação de Cristo como Senhor e Salvador, sem uma genuína experiência de regeneração, não haverá salvação. A ilusão se desfará se não houver fé em Cristo, e pode ser tarde demais ao se revelar a farsa da descrença, o diabo usa a sua indiferença as coisas espirituais como arma para destruir você. Ele encanta apostatas, seduz com idéias que parecem tão boas, mas são sementes de desobediência e engano, essa é a feitiçaria do diabo: “Não vá a igreja, não adore, não leia a bíblia, não estude os evangelhos, não participe da escola Dominical, não cultue, não ore, não se congregue, não leia bons livros escritos por homens piedosos” suas sugestões encantadoras são quase infinitas, e se nas fabulas, o canto da sereia encanta, na vida real, o encantamento vem pelas sugestões do diabo

 Com o intuito de aprofundar minha exposição, considerando a situação aflitiva daquele homem rico, atormentado pelas chamas, desejo abordar uma questão crucial: a condição espiritual de muitos frequentadores de igrejas evangélicas que, embora presentes em seus templos, jamais experimentaram o novo nascimento.

 Essas pessoas, muitas vezes, nutrem crenças que divergem da verdadeira essência do Evangelho. Podem acreditar na regeneração batismal, na salvação condicionada ao cumprimento de rituais, como o dízimo, ou na mera posse de um cartão de membro ou certificado de batismo, ou profissão de fé meramente formal. Acreditam, equivocadamente, que sua filiação a uma instituição religiosa lhes garante a salvação. Tais indivíduos, na realidade, podem ser considerados crentes nominais, distanciados da genuína experiência da fé e da transformação operada pela regeneração. Crêem nos discursos superficiais dos pregadores modernos que confirmam a salvação até do mais ímpio dos seres humanos, desde que estes sejam fieis dizimistas e façam parte da estatística da membresia. Abraçam a religião, confiando nas palavras desses  pregadores que, por vezes, não transmitem a mensagem autêntica do Evangelho. Embora possuam vínculos formais com a igreja, como o cartão de membro, e sejam incentivados a práticas como ofertas, dízimos e frequência aos cultos, essas ações, por si só, não garantem a salvação.

 A condição para a entrada no Reino de Deus é o novo nascimento, a aceitação de Cristo como Senhor e Salvador, a crença em seu sacrifício pelos pecados e a vivência coerente com essa fé. (João 3:3 Hebreus 6:1 Provérbios 4:25 Colossenses 3:1 Romanos 6:4 e 12:2 etc) Essa transformação deve permear a totalidade da existência, resultando em uma vida de testemunho da morte e ressurreição de Cristo, e da mudança que a conversão ao Evangelho promove.  Se alguém está em Cristo, nova criatura é” (II Coríntios 5:17)

 São essas evidências que atestam a vivência um homem que aderiu ao verdadeiro Evangelho, distinguindo-a das falsas religiões, que, por vezes, se disfarçam sob a aparência de igrejas evangélicas. Um homem regenerado é um cristão bíblico, que defende os fundamentos da fé e tem comunhão com a Verdade.

 Tenho abordado com honestidade o poder de sedução do engano, que cega as pessoas. De fato, esta é a estratégia do diabo. Paulo menciona que o deus deste século, na perspectiva dos descrentes, obscurece a luz do Evangelho. Ele também afirma que Satanás se disfarça como um anjo de luz. Impressionante, uma transfiguração satânica que atrai as pessoas a um brilho enganoso, levando-as a acreditar em uma aparência angelical falsa. Muitos estão obscurecidos por uma cegueira intelectual, cativados e quase subjugados por esse engano sedutor, que impede o ser humano de compreender sua própria condição espiritual. É angustiante perceber essa realidade. O homem rico da passagem de Lucas, capítulo 16, versículos 19 a 31, simboliza aqueles que hoje vivem sob o jugo do engano, aprisionados por ele.

 Como se observa no livro de Apocalipse, um sistema babilônico, a Babilônia, a religião dos mistérios, conseguiu enganar todas as nações, de modo que estas, e todos sob seu domínio, estão intoxicadas por um êxtase pernicioso, tornando-se indiferentes à sua situação. (Apocalipse 18:1 a 4) Essa constatação é profundamente perturbadora. Freqüentemente nos questionamos sobre a indiferença de muitos perante a realidade do inferno. A explicação reside, talvez, no fato de que, segundo sua própria compreensão, há uma ilusão, uma espécie de encantamento que os torna insensíveis. “Nos quais o deus deste século cegou os entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (II Coríntios 4:4)

 Que Deus, através de seu Santo Espírito, possa abrir os olhos de muitos através desta mensagem, proclamada neste artigo, publicado livremente para que aqueles que estão sob esse feitiço possam, o mais rápido possível, despertar desse sono profundo e perceber sua condição espiritual antes de deixarem este mundo.