Gritos de Alerta - V

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“Vivemos em um período marcado pela fragilidade do espírito humano. O caráter, em muitos casos, tornou-se uma estrutura superficial e vulnerável. Há uma suscetibilidade exacerbada diante de preceitos bíblicos e uma incapacidade notável de assimilar correções, reflexo direto de valores inconsistentes e de uma integridade moral questionável.


“O crescimento espiritual é impossível para quem se alimenta apenas do “leite” espiritual; crescer em graça e em conhecimento exige o alimento sólido da Palavra de Deus.


“O culto racional consiste no sacrifício vivo, santo e agradável que oferecemos a Deus, em santa devoção, amando-O de todo o coração, alma e entendimento. A abnegação é condição indispensável para deleitar-se no Senhor.

"Aqueles que se dizem cristãos, mas não leem nem estudam as Escrituras, e que não estão familiarizados com os ensinamentos contidos nelas, são as pessoas mais suscetíveis à manipulação e ao engano por parte de pregadores que interpretem mal os textos sagrados."



"Vivemos em uma época em que as emoções são excessivamente idolatradas, ao ponto de serem consideradas garantias da veracidade da religião que se está experimentando. Nesses casos, a Bíblia é frequentemente relegada a um papel secundário, sem qualquer importância na orientação e fundamentação das verdades que sustentam o verdadeiro Evangelho."


"Aqueles que realmente amam as Escrituras não estarão satisfeitos diante de um púlpito, a menos que o pregador seja extremamente fiel na exposição das doutrinas sagradas contidas na Bíblia."


“Quanto mais exposição à Bíblia Sagrada, quanto mais pregações temáticas expositivas, quanto mais se pregar os ensinos, os acontecimentos, os aconselhamentos e as orientações contidos nas Sagradas Escrituras, quanto mais um homem se expuser à luz da Palavra, menos confusão encontrará em sua caminhada diária e mais firme estará nos caminhos do Senhor.”


“O crente espiritualmente bem instruído tem capacidade para discernir onde está o erro diante de seus olhos e reage com o zelo e a santidade do Senhor. Jamais podemos permanecer indiferentes perante um falso profeta ou mestre. Devemos rejeitá-los completamente, de modo que nunca nos associemos, estimemos ou sustentemos tais falsos profetas; do contrário, não seremos zelosos pela verdade, mas cúmplices do que Deus condena.” 

 

“A questão fundamental do sentido da vida tem duas perspectivas que devem se abrir para nós mesmos, a primeira é uma relação com Cristo  para se chegar a Deus, através do Seu Filho Unigênito  e a outra é o modo como vivemos essa relação de modo a fazer com que todas as nossas ações estejam convergindo em direção ao propósito eterno de Deus, esse é o meio pelo qual iremos vivenciar e experimentar a verdadeira felicidade ainda aqui nesta vida.”



“Cada homem nasce debaixo da escuridão da potestade das trevas, e somente quando a glória do evangelho resplandece sobre ele, é que enxerga a necessidade de ser redimido por Cristo para o reino de Deus.”



“Duas lógicas do Evangelho, a primeira é que Cristo nunca mereceu a cruz, mas enfrentou ela para que os pecadores que nunca mereceram o céu possam recebê-lo totalmente de graça.”

 

“Constitui-se grande bênção, e é de grande relevância para os nossos dias, que o cristão, ele seja totalmente devotado ao estudo da Bíblia Sagrada para que ele tenha uma virtude comum, a virtude de ser um bereiano. O bereiano é aquele tipo de cristão que ele não é enganado pelos falsos profetas, pois quando o falso profeta subir em cima de um púlpito para pregar erros e heresias, ele estará apto para dizer que aquilo que o falso profeta está ensinando não está de acordo com aquilo que está na Bíblia.”


“Assim, concluímos que é uma bênção meditar, ler, estudar, memorizar as Escrituras, pois isso nos dará a possibilidade de crescer espiritualmente, receber conhecimento espiritual, ter a nossa mente iluminada e, assim, crescer na graça e no conhecimento, para que nós possamos, de maneira correta, ficar firmes nos caminhos do Senhor.”


"A grande necessidade do todo o homem  ė sair da sua identificação com  Adão e com a queda para colocar-se em Cristo e a identificação com a sua morte e ressurreição."

“A graça de Deus nunca foi motivo para tornar o pecado agradável aos redimidos; ela serve, antes, para nos mostrar o quão maligno ele é.”



“Crer na obra consumada e perfeita de Cristo na cruz e na justificação pela fé ė dar a Cristo todas as honras e méritos necessários para a nossa justificação. A redenção que Deus em Cristo oferece ao pobre pecador perdido tem como fundamento unico,  tao somente o que Cristo fez e nao o que podemos fazer. O convite, para entrar e viver o cristianismo bíblico, é crer em Cristo, viver em Cristo e testemunhar acerca da suficiência de Cristo.”


Diante da proliferação de pessoas que se autoproclamam guias espirituais, num contexto marcado pela disseminação de ensinamentos religiosos superficiais e, por vezes, desprovidos de embasamento teológico, a instrução sólida nos fundamentos da fé cristã torna-se uma necessidade premente. É imperativo que os fiéis, especialmente aqueles que buscam um aprofundamento genuíno no Evangelho, sejam nutridos com um conhecimento robusto, capaz de transcender a superficialidade e proporcionar-lhes uma compreensão mais profunda das verdades essenciais da fé.”


Se uma sistema teológico nos conduz para um conhecimento mais perfeito de Cristo (Efésios 4:13 epignosis) se exalta a obra eterna e consumada de Cristo (Hebreus 9:12) Se centraliza a Pessoa Divina de Cristo como o centro onde todas as coisas estão convergindo (Efésios 1:10) e todas as coisas estão se cumprindo (Efésios 4:10) está laborando ao lado do Espírito da verdade e divergindo do espírito do erro.”



“Há um número cada vez maior de falsos cristãos que por motivo injusto de numerar tudo o que existe de equívoco na cristandade, optou por distorcer muitos fatos para justificar a sua rebelião contra as Escrituras.”


“Não te incomodes se alguém atribuir algo maravilhoso ao sobrenatural pois também ha quem atribua a forças cegas algo que seja de uma maravilhosa grandeza, nessa história, pelo menos Deus não ė cego.”

 

 

Livreto Grátis: JESUS CRISTO: CENTRO DA HISTÓRIA

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JESUS CRISTO: CENTRO DA HISTÓRIA

 

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Livreto Grátis: COMO TER FIRMEZA ESPIRITUAL EM EPOCA DE APOSTASIA

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COMO TER FIRMEZA ESPIRITUAL EM EPOCA DE APOSTASIA

 

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Livreto Grátis: Conselhos Espirituais

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CONSELHOS ESPIRITUAIS

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A PROVIDENCIA SANTA DE DEUS SOBRE OS REDIMIDOS

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C. J. Jacinto

 

Uma reflexão acerca de Romanos 8:28: "E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito." Este oráculo, contido no oitavo capítulo da grandiosa epístola de Paulo aos Romanos, constitui um profundo consolo. O versículo tem servido como uma fonte de consolo do mártir em seus momentos de angústia, como cajado para sustentar as mãos debilitadas do peregrino e como escudo para proteger o peito daqueles que, na peleja espiritual, enfrentam o intenso calor da batalha.
O apóstolo Paulo inicia sua profunda consolação com uma nota de absoluta certeza, a partir da qual podemos contemplar e compreender a sua declaração. Ele não recorre a suposições, conjecturas ou ambiguidades; não há espaço para possibilidades incertas ou meras expectativas. A gramática da fé, ao tratar do caráter de Deus, não admite o modo subjuntivo, preferindo o indicativo: a linguagem do conhecimento. Trata-se de uma convicção fundamentada em uma percepção intuitiva e absoluta, uma verdade que transcende a nossa experiência e os nossos sentimentos, alicerçada em uma fé inabalável. Paulo afirma: "Sabemos".
Todavia, é imperativo que façamos uma pausa para um exame interior. Acaso possuímos, de fato, tal certeza? Será esta uma verdade autoevidente à natureza humana? Se consultarmos os registros da experiência humana, se indagarmos à carne e ao sangue, a resposta será um inequívoco não. Quando a tempestade investe contra o lar, quando o raio fere o cedro, quando a embarcação é naufragada pelas ondas e o mundo parece ruir, pode o coração natural proclamar que tudo isso contribui para o seu bem? Longe disso; o coração terreno, tal como Jacó outrora, exclama: "Todas estas coisas são contra mim". O olhar do sentido humano percebe apenas a perda, a dor, a tragédia, o sofrimento e a desventura. Contudo, o cristão que deposita sua confiança no Senhor transcende essa visão limitada.
O conhecimento de Paulo repousa sobre um fundamento inabalável: o caráter de Deus. Como aqueles que amam ao Senhor, compreendemos a Sua natureza e as Suas promessas. Reconhecemos que Ele é o Pai Todo-Poderoso e onipotente, cuja sabedoria é infinita e cujo amor é imutável. Pela Sua onisciência, Deus detém o pleno conhecimento do que é melhor para nós; Ele é o soberano regente de nossa existência e de nosso destino. Confiantes no Seu amor incondicional e no Seu controle absoluto sobre todas as coisas, compreendemos que a Sua onipotência atua em nosso favor. Sendo Ele capaz de efetuar o que é mais excelente para cada um de nós, temos a convicção de que os resultados de Sua providência conduzem, inevitavelmente, ao supremo bem. A expressão "aqueles que são chamados segundo o seu propósito" refere-se aos redimidos, adquiridos pelo sangue do Redentor. A arquitetura deste versículo nos oferece a garantia de uma perspectiva divina que transcende o tempo presente, estendendo-se à eternidade. Trata-se de uma visão celestial, de plenitude e convergência. Deus estabeleceu um desígnio soberano para cada um dos que chamou, propósito este que a própria redenção ratifica. Conforme o capítulo 1, versículo 10, da Epístola aos Efésios, caminhamos em direção à plenitude dos tempos, rumo à visão beatífica na qual todas as promessas do Senhor serão consumadas, alcançando o ápice de nossa existência. O coração de Deus e o exercício de Sua vontade repousam sobre aqueles a quem Ele ama; por conseguinte, aquele que ama a Deus deve manter o seu coração inteiramente voltado às Suas promessas. O texto em análise funciona como uma janela que se abre, permitindo-nos contemplar a soberania de Deus e a magnitude de Seu propósito sobre as nossas vidas.
A identificação daqueles que amam a Deus, conforme apresentada em Romanos 8:28, refere-se aos redimidos, aos que atenderam ao chamado do Evangelho. Este versículo estabelece uma doutrina fundamental: a responsabilidade humana. Somos instruídos a amar ao Senhor de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento. Amar a Deus é uma escolha que nos cabe; é um exercício da nossa livre vontade. Devemos, portanto, tomar uma decisão radical que esteja em consonância com o propósito estabelecido pela soberania divina. Embora Deus inicie, planeje e chame, cabe a nós responder. Essa resposta deve ser profunda e deliberada, para que possamos experimentar o processo dinâmico da atuação de Deus conforme o propósito que Ele determinou para nossas vidas desde a eternidade. É imperativo que caminhemos continuamente nessa direção.
 Todavia, um aspecto do versículo merece atenção especial: a afirmação de que todas as coisas cooperam para o bem. Este é um tema central e sublime, que deve ser objeto de profunda reflexão, inclusive para o homem impiedoso. A providência divina, operando de maneira invisível, faz com que todos os eventos concorram para o benefício daqueles que são chamados. Trata-se de uma verdade magnífica, que requer nossa constante meditação, visto que diz respeito à nossa própria existência. Em última análise, a soberania de Deus assegura que todas as circunstâncias cooperem para o nosso bem, não apenas nesta vida, mas também por toda a eternidade.



Podemos observar essa realidade na trajetória de José do Egito, que, após ser vendido por seus irmãos e submetido à condição de escravo, enfrentou uma falsa acusação que o levou ao cárcere. Mesmo cumprindo pena por um crime que não cometeu, José manteve-se alicerçado nas promessas divinas. Sua fé inabalável sustentava a convicção de que Deus permanecia no controle e de que todas as circunstâncias cooperavam para um propósito maior. Essa confiança permitiu que ele se mantivesse firme, mesmo diante de evidências contrárias. O mesmo se aplica à experiência de Daniel. Ao ser retirado de sua pátria e levado à Babilônia, ainda que a situação parecesse desoladora, o agir soberano de Deus estava presente. Tanto a vida de José quanto a de Daniel revelam que o Senhor utiliza as aflições como instrumentos para realizar Seus desígnios. Esses relatos do Antigo Testamento, que transcendem o caráter histórico, evidenciam a soberania divina sobre todas as circunstâncias. Consequentemente, a promessa contida em Romanos 8:28 torna-se extraordinária ao analisarmos como grandes homens de Deus superaram adversidades por meio da presença constante do Criador. Dessa forma, todas as coisas revestem-se de um significado profundo e absoluto, carregando um peso significativo de propósito, soberania e domínio sobre cada fração de segundo, momento e circunstância. O apóstolo não exclui aspecto algum, incluindo, antes, aflições, provações, adversidades, perseguições, calamidades, enfermidades, obstáculos e tensões, entre outros desafios. Na história dos santos, observamos como o Senhor intervém com sua providência; embora seu processo possa parecer incompreensível em um primeiro momento, o decorrer do tempo revela como Deus mantinha o controle, cumprindo seu propósito e glorificando seu nome. Consideremos, agora, a trajetória de Jonas. Teriam a tempestade e o seu subsequente lançamento ao mar ocorrido por mero acaso? De modo algum; foi o Senhor quem enviou um forte vento sobre o oceano, evidenciando Sua soberania. A aparição do grande peixe não foi um evento fortuito, mas uma providência divina preparada para aquele momento. A tempestade, o sorteio realizado pelos marinheiros, o grande peixe, a planta, o verme e o vento oriental — todos esses elementos cooperaram para o bem de Jonas. A tempestade serviu para despertar o profeta; o sorteio, para identificá-lo; o peixe, para resgatá-lo; a planta, para confortá-lo; e o verme, para humilhá-lo. Embora, sob a perspectiva de Jonas, a tempestade representasse a destruição e o grande peixe, a morte iminente, Deus utilizou tais meios para cumprir o Seu propósito. Esse desígnio não se restringiu à vida do profeta, mas estendeu-se aos habitantes de Nínive, alcançando-os com a salvação e afastando-os de sua profunda rebeldia.
 Romanos 8:28 constitui, portanto, nossa carta magna de esperança, preenchendo o vazio de nossos anseios diante da glória futura. É imperativo compreender que não somos joguetes do destino nem vítimas do acaso; repousamos sob a soberana e misericordiosa sabedoria de Deus. Nesse sentido, entendemos que as aflições, perseguições, privações e as duras lutas da vida — fatos que, por vezes, parecem contrariar nossas convicções — nada mais são do que o justo governo divino sobre nossa existência. Devemos aguardar com confiança, pois, no tempo oportuno, revelado será que os propósitos de Deus sempre foram pautados pela sabedoria e justiça. Assim, regozijar-nos-emos ao rememorar as tribulações enfrentadas durante nossa peregrinação terrena. Tal qual a trajetória de José, desde a casa de Jacó até o Egito, compreendemos que nenhuma dificuldade esteve fora do controle divino. Deus tece, minuciosamente, a tapeçaria de seus desígnios, da qual somos fios condutores; estamos inseridos neste grandioso monumento celestial que culminará na consumação de todas as coisas.




VERDADEIRA CONSAGRAÇÃO

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Um Discurso Proferido na Convenção para o Aprofundamento da Vida Espiritual, realizada em Ontário, Canadá, na noite de quarta-feira, 26 de outubro de 1898.

A maioria das vidas cristãs fracassa em bênçãos e poder por falta de um trato definitivo com Deus em três pontos: (1) Consagração; (2) Purificação do pecado; (3) Fé apropriadora. Quando a consagração é defeituosa, tentativa, irreal, então a negligência com os pecados menores é habitual; não há mais a resposta de uma boa consciência, o coração não é mantido limpo, a comunhão é impedida, o Espírito de Deus é entristecido, o pulso espiritual bate fraco, a vitalidade espiritual é diminuída. E enquanto a Palavra de Deus, e o testemunho de cristãos que vivem na luz de Deus, trazem constantemente diante da fé as coisas mais preciosas para serem tomadas, e enquanto há um desejo vago de ter essas coisas, não há um ato definitivo de fé que se estenda para dizer: "Eu tomo agora", e então dizer: "Eu Te agradeço que eu tenha." Há uma confiança real em Deus para a salvação, mas não há adição instantânea feita pela fé apropriadora aos tesouros de nossa riqueza espiritual. A vida cristã não é nutrida de dentro de si mesma, mas de cima para baixo. As graças da vida espiritual nascem acima e são enviadas para baixo. São exóticas a este mundo. Não crescem espontaneamente neste clima. Não são indígenas nesta natureza. O crescimento cristão, portanto, é um processo de recebimento incessante pela fé. As almas mais receptivas são as melhor nutridas.

Quero falar-lhes sobre aquilo que é fundamental em toda esta questão de bênção — sobre a Consagração. Isso pode parecer um assunto batido, mas eu, pelo menos, estou fazendo a descoberta de que é precisamente em terreno familiar que encontro o inesperado. Nossa própria familiaridade com a letra das grandes passagens fecha nossos ouvidos para os significados mais profundos delas.

Vamos voltar a Romanos 12:1-2: "Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo" — literalmente, não sejais pressionados no molde deste mundo. Há um certo caminho do mundo e um certo caminho do reino, e os sinais de mundanidade são facilmente discernidos, e os sinais da vida do reino são facilmente discernidos. "Mas sede transformados pela renovação da vossa mente", por aquele novo princípio de vida dado por Deus, "para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." Creio que o pensamento de Deus sobre a consagração é expresso nos dois versículos, e não apenas no primeiro. Não vêem como inevitavelmente, se devemos extrair a doutrina da consagração daquele versículo, devemos chegar à vontade de Deus? Pois a consagração não é uma cerimônia religiosa, não um mero ato passageiro para satisfazer alguma inquietude de consciência. A consagração é a aceitação cordial e irrestrita da vontade de Deus, e não podemos fazer isso até crermos que essa vontade é "boa" e "perfeita" e, portanto, "agradável". Agora olhem por um momento para aquele primeiro versículo. Eu o li por anos como se fosse "Sacrifiquem os vossos corpos." Eu recuava da dor. Eu sabia que sacrifício significava, no fundo do coração, morte. Eu queria viver, não morrer. Ainda não tinha compreendido o princípio elementar da vida vitoriosa, de que é necessário morrer antes de viver. Mas eu concebia a exigência como sendo que eu sacrificasse meu corpo, e eu não sentia capacidade para fazê-lo. Fiquei muito aliviado quando vi que a exortação não era para sacrificar meu corpo, mas para "apresentá-lo" para o sacrifício.

A imagem é tirada da antiga dispensação, onde todas estas coisas eram externas e cerimoniais; significando coisas interiores, mas representando-as por sinais visíveis. O que fazia um ofertante sob o sistema levítico? Ele trazia sua oferta ao sacerdote e o sacerdote fazia o sacrifício. O ofertante dava a oferta ao sacerdote, como representante de Deus. Isso coloca a questão em novo terreno. Certamente, não pedimos nada melhor do que cair nas mãos do Cristo vivo; nada melhor do que Ele tomar nossos corpos e fazer com eles o que Ele quiser. Sabemos que Ele fará a vida sacrificial, mas alegremente entregamos toda a vida a Ele.

Agora, eu paro sobre isso por um momento, pois aqui está uma distinção vital. Se eu devo sacrificar meu corpo, certamente o farei de alguma maneira fanática e mórbida. Tornar-me-ei eremita, ou monge, ou flagelante, ou santo do pilar, como São Simão Estilita. Encontrarei a prova de que realmente estou sacrificando meu corpo ao contemplar sua emaciação, ao abjurar os doces relacionamentos naturais, ao negar aos desejos implantados por Deus seus meios de gratificação designados por Deus. Milhões de almas sérias fizeram essas coisas. Mas se Cristo, como sacerdote, torna minha vida sacrificial, será segundo o doce e salutar padrão dEle — isto é, será sacrifício vicário; será por outros, não por mim mesmo.

O crescimento cristão é por uma série de atos definitivos. Como, de fato, começa a vida cristã? Por um ato definitivo — a apropriação de Cristo. Há mil coisas atraindo um pecador para Cristo. Começou em casa e continuou na escola dominical e na Igreja; o pecado entrou e a consciência despertou e começou a ferir; houve as persuasões da prudência, e o jogo de todos os motivos que trazem os homens a Cristo. Mas houve, finalmente, um passo a ser dado. Tivemos que receber Cristo como Salvador nos termos oferecidos no Evangelho, e quando fizemos isso, estava feito, e passamos para a salvação. Essa é a crise do pecador. Agora, assim como há uma crise do pecador que o traz a Cristo para a salvação, assim há uma crise do santo que o traz a Cristo para uma vida consagrada. Nós estragamos e degradamos o pensamento com nossas intermináveis re-consagrações. A Bíblia não sabe nada sobre re-consagração. A consagração não é algo que se trabalha pouco a pouco. Pouco a pouco podemos chegar ao momento decisivo, mas então é um ato.

Nós a tornamos amplamente cerimonial. Os queridos jovens por todo o mundo estão se "consagrando" a cada mês. Eu frequentemente lhes pergunto se já está feito. Você não corre atrás de um bonde depois que o pegou. Você não está sendo regenerado novamente a cada mês. Alguém está consagrado ou não está; e todos esses exercícios preliminares do coração e da consciência são valiosos apenas na medida em que levam alguém ao ponto onde a apresentação definitiva do corpo é feita. Pensem por um momento nos dois grandes tipos de consagração nas Escrituras. A consagração do Templo para a posse de Deus e a consagração dos sacerdotes para o serviço de Deus. Nesse aspecto, eram semelhantes, que, uma vez feita, não era feita novamente.

Um sacerdote era sacerdote por nascimento, mas não podia servir em suas funções sacerdotais até que o ato de consagração fosse realizado. Assim, todos os que nascem na família de Deus são sacerdotes por título, mas nem todos estão fazendo obra sacerdotal. A consagração do sacerdote era um ato. Uma vez consagrado, ele podia ministrar. Não raramente, após a consagração, ele se tornava contaminado, e suas funções sacerdotais eram suspensas até que a contaminação fosse removida. O remédio não era re-consagração, mas purificação.

Da mesma forma, o Templo, uma vez dado à posse de Deus, era o Templo de Deus. Voltem comigo a 1 Reis, capítulo 8, o relato da consagração do templo de Salomão. Marquem qual é o ato essencial. Os sacerdotes tomam a arca. A arca é o tipo mais abrangente de Cristo no Antigo Testamento; em seus materiais, conteúdo e usos, fala de maneira maravilhosa de Cristo. Quando o tabernáculo foi feito, a arca foi construída primeiro, e tudo o mais era acessório. Tipicamente, os sacerdotes tomaram Cristo. E como vão consagrar o Templo? Levando Cristo para dentro dele. No sexto capítulo de 1 Coríntios, versículo 19, lemos que nossos corpos são templos. O que há de significativo nisso? O Templo de Salomão era dividido em três partes: o pátio, o lugar santo, o mais interior de todos — o Santo dos Santos. Segundo as Escrituras, o homem é igualmente triplo: espírito, alma e corpo. O espírito do homem é aquela parte dele que conhece; sua inteligência, "a candeia do Senhor", é o santo dos santos. A alma — a sede da vontade, dos afetos, dos apetites naturais, da vida do eu, é o lugar santo. O corpo, aquilo que é exterior, é o pátio. O Templo foi modelado segundo Deus; o próprio homem é modelado segundo Deus. O Templo era uma trindade; o homem é uma trindade; Deus é uma trindade.

A consagração do Templo foi realizada levando a arca para dentro dele. Os sacerdotes carregando a arca, passaram pelo pátio; o pátio tornou-se de Deus; era o troná-Lo ali. Passaram para o lugar santo, e significava a mesma coisa. Então para o santo dos santos, e então o ato mais significante de todos, eles "tiraram as varas" pelas quais a arca era carregada durante suas peregrinações. As varas nunca deveriam ser tiradas enquanto Israel estava peregrinando. Tirar as varas, portanto, era uma ação de finalidade. Eles não podiam fazer nada mais para dizer que não iam movê-la mais. A arca ficaria ali. Eles não iam ter uma reunião de "re-consagração". Salomão poderia ter dito: "Esta é uma ocasião gloriosa; vamos repeti-la uma vez por ano, ou uma vez por mês." Se isso tivesse sido feito, toda a glória e o significado teriam se ido. Teria significado que o Templo ainda era deles; que eles tinham algo para re-consagrar.

Se eu me entreguei verdadeiramente a Deus, não tenho mais nada para dar. Não há nada mais paralisante para a vida espiritual do que uma cerimônia da qual todo o significado se foi. Agora marquem o que se seguiu. "E aconteceu que, quando os sacerdotes saíram do lugar santo, a nuvem encheu a casa do Senhor; de tal maneira que os sacerdotes não podiam permanecer ali para ministrar, por causa da nuvem; porque a glória do Senhor tinha enchido a casa do Senhor." Quando eles "saíram", a glória do Senhor entrou. Quando o corpo e a alma foram dados ao Senhor, quando o espírito foi entregue à autoridade do Senhor, não mais para ser desregrado ou centrado no eu; quando isso foi realmente feito, quando as varas foram tiradas, então nós mesmos devemos sair, e quando o fazemos, o Espírito do Senhor enche a casa. Nunca esquecerei uma palavra que ouvi aqui no Canadá uma vez de J. Hudson Taylor. Foi esta: "Sabe, se Ele não é Senhor de tudo, Ele não é Senhor de nada."

Lembro-me de uma jovem dando um testemunho em Portland, Maine, e ela ficava repetindo estas palavras: "É Jesus e eu; é Jesus e eu", e seu pastor se inclinou e me disse: "Se ela pudesse apenas conseguir 'só Jesus', ela poderia fazer tanto pelo Senhor, mas é sempre 'Jesus e eu'."

A consagração é um ato definitivo, e quando realmente realizada, significa isto: "Eu não tenho mais nenhum título em mim mesmo; eu me entreguei ao Senhor, corpo, alma e espírito. Eu sou do Senhor." Isso significa que seu corpo se move sempre em obediência ao Senhor, que não há levantamento da vontade, que não há reafirmação da vida do eu? Não, ainda não. Mas o Senhor está subjugando o território entregue a Si mesmo. Eu o entreguei a Ele para que Ele o subjugue a Si mesmo. Não é de uma vez que o corpo realiza qualquer ato bem. Meu filho [Noel Paul, 9 anos] está aprendendo a escrever, e eu o faço copiar palavras de um título em caligrafia. Ele está na fase da imitação. Ele tenta fazer o "a" igual ao modelo, mas não é igual. Qual é o problema? Há alguma resistência ou relutância nele? Não. Qual é, então, o problema? A mão ainda não aprendeu a obedecer ao que o olho vê e a vontade manda. Quão irrazoável seria de minha parte esperar que ele reproduzisse exatamente o modelo de uma vez! Agora o Senhor está disposto a ter paciência inexaurível conosco, e devemos ter paciência com Ele enquanto Ele nos está subjugando a Si mesmo. Certifiquem-se apenas de uma coisa, de que realmente entregaram o templo a Ele, de que este é um ato sincero e final de sua parte. Mantenham o olho no modelo, vejam o que Ele está tentando fazer e deem-Lhe tempo. Rendam-se, essa é a coisa definitiva para nós fazermos. Vocês estão dispostos a fazê-lo? Não é nosso "culto racional"? Paulo diz: "Rogo-vos, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional."

Vocês notaram que os capítulos 9, 10 e 11 de Romanos são um parêntese? No final do capítulo 8, Paulo suspende o argumento para considerar um ponto, a saber, se tudo isso, até o final do capítulo 8 é verdade, o que se deve dizer sobre Israel, e as promessas distintivas de Deus a Israel? Ele responde a tudo isso nos capítulos 9-11. Então, no início do capítulo 12, ele volta. Notem como o capítulo 8 termina, e então passem para o início do 12. Por essas misericórdias maravilhosas, que tomaram um miserável sob a sentença da lei, e o colocaram ao lado de Cristo em uma união pessoal nunca a ser dissolvida, embora você esteja agora por pouco tempo em um corpo mortal, eu rogo-vos, entreguem esse corpo a Cristo. Não é razoável? Vocês o farão?

Deixem-me dar-lhes alguns testes. Voltem a Lucas 14:25: "E iam com ele grandes multidões; e, voltando-se, disse-lhes: Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo à guerra contra outro rei, não se assenta primeiro e consulta se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? E, se não puder, quando aquele ainda está longe, lhe manda uma embaixada e pede condições de paz. Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo." Não temos aqui as condições da salvação de modo algum. A salvação é gratuita. Custou a Cristo uma soma incalculável, mas não nos custa nada. Não custa nada ser cristão. Mas custa tudo ser discípulo, isto é, um seguidor de Cristo em conformidade com Sua vida e caráter. Vejam o que o discipulado envolve.

O reajuste de todos os relacionamentos humanos com base na nova vida. Cristo não amava sua mãe? Ele lhe deu um lar da Cruz. Mas quando sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora e desejavam falar com Ele, para que o desviassem de Seu propósito de fazer toda a vontade de Deus, Ele disse: "Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?" e estendeu Suas mãos para Seus discípulos e disse: "Eis minha mãe e meus irmãos." Cristo deve estar acima de tudo.

"Renunciar a tudo quanto tem." Deve ele se desfazer de sua propriedade? Ele seria um mordomo infiel se o fizesse. Como deve ele renunciar a ela? Transformá-la em um fundo de confiança. "Eu não possuo mais esse dinheiro; eu sou um mordomo. Senhor, quanto devo gastar com minha família e comigo mesmo? O que devo fazer com o resto? O reajuste da propriedade, os relacionamentos com Cristo acima de tudo.

O que é tomar a cruz e segui-Lo? Há apenas uma Cruz, a de Cristo. Levar a cruz significa que você vai pela Via Dolorosa, até o lugar da caveira, e que estende suas mãos e deixa os cravos atravessá-las. Significa ir à crucificação com Ele. Cristo não se crucificou a Si mesmo, mas sofreu isso. Você Lhe dará seu corpo, sabendo que significa que você não vive mais para si mesmo, mas para Aquele que morreu e ressurgiu? Não passem por exercícios dolorosos. Eles são inúteis. Feliz e alegremente "apresentem" os vossos corpos a Ele. Deixem que Ele torne a cruz real em cada parte de sua vida.


Fonte: Scofield, C.I. The New Life in Christ Jesus (Capítulo VIII — True Consecration), extraído do arquivo digitalizado disponível em archive.org e do Plymouth Brethren Archive.

 

A DINAMICA DO ESTUDO PROVEITOSO DAS ESCRITURAS. (Nova Versão Aprimorada)

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Há muitos anos atrás li um livretinho de Thomas Wilcox, o titulo era “Mel que Sai da Rocha” uma leitura edificante e impactante sobre a leitura das Escrituras, uma frase memorável daquele livreto cravou no meu coração e desde então por muitos anos, tem sido inspiração para a leitura e estudo diário das Escrituras: “Esquadrinhe diariamente as Escrituras como uma mina de ouro em que manifesta o coração de Cristo” a norma tornou-se parte da minha vida; Todos os dias lendo e o dia todo meditando nas Santas Escrituras.

 

 

“Antes e depois de ler as Escrituras, ore fervorosamente para que o Espírito que as escreveu as interprete para você, o livre da incredulidade e do erro e o conduza à verdade”. (Richard Baxter)

“A leitura atenciosa da bíblia fornece ao crente um ótimo roteiro para o exame de sua vida, do seu coração, de suas intenções e desejos”  (Dr Anibal Pereira Reis em: Crente, Leia a Sua Bíblia!)

“Conhecimento sem devoção é inútil. Devoção sem conhecimento é irracional. Mas o verdadeiro conhecimento de Deus inclui compreender tudo a partir de sua perspectiva e isso é vívido, pessoal e valioso. Teologia é a arte de aprender a pensar os pensamentos de Deus. Seguindo-o é aprender o que Deus ama e odeia e ouvir, pensar e agir de maneira que Deus deseja. Conhecer os pensamentos de Deus é o primeiro passo para se tornar piedoso. Em Hebreus, capítulo 5, versículo 11 até o capítulo 6, versículo 3, ensina que aprofundar o entendimento teológico capacita a pessoa a discernir o bem do mal, exorta os crentes a amadurecer e no conhecimento de Deus. De Deus e dos seus caminhos.” (Introdução a Teologia - Alpha Institute)  

 

“Geralmente pensamos nos métodos de assimilação da Palavra como pertencentes a quatro categorias: ouvir a Palavra ensinada por nossos pastores e mestres (Jeremias 3:15), ler a Bíblia por nós mesmos (Deuteronômio 17:19), estudar as Escrituras atentamente (Provérbios 2:1-5) e memorizar passagens-chave (Salmo 119:11). Todos esses métodos são necessários para uma assimilação equilibrada da Palavra... [Mas] devemos fazer mais do que ouvir, ler, estudar ou memorizar as Escrituras. Devemos [também] meditar nelas (Josué 1:8).” (Jerry Bridges)

 

“Escreva-as na tabua do teu coração” (Proverbios 3:3)

 

Recentemente, durante um estudo bíblico semanal, um dos participantes formulou uma questão profunda: "Como posso alcançar a iluminação e a compreensão das coisas espirituais na leitura das Escrituras?". Esta indagação revela-se extremamente pertinente aos nossos dias, visto que observamos uma escassez crescente de pessoas que possuam tal discernimento. É uma experiência extraordinária abrir as Escrituras e ser alcançado por uma iluminação espiritual que nos permite compreender, com maior profundidade, a riqueza dos ensinamentos sagrados, ver as verdades mais profundas e preciosas se revelarem diante de nossos olhos. Considero o estudo da Palavra um mergulho em um oceano profundo, onde se encontram pérolas capazes de enriquecer nossa jornada espiritual. Contudo, o acesso a esses tesouros exige a observância de certos princípios, os quais gostaria de apresentar a seguir.

 

“Abra a sua Bíblia e sacie-se. Farte-se. Revigore-se. Restaure suas energias espirituais. E sua vida será vitoriosa. E você será um crente em direção ao crescimento na graça. Com passos de gigante, caminhará nas sendas da perfeição. O diabo não o vencerá” (Dr Anibal Pereira Reis em: Crente, Leia a Sua Bíblia!)

 

“Retenha o teu coração as minhas palavras” (Provérbios 4:4)

“Inclina o teu coração ao entendimento” (Proverbios 2:2)


A primeira condição  para o estudo das Escrituras e para a recepção de revelações profundas é a prática do temor, acompanhada de um respeito reverente pela Palavra de Deus. Não manuseamos um livro comum, mas a Palavra de Deus revelada e inspirada; por isso, devemos tratá-la com a máxima preciosidade e profunda reverencia, conferindo ao texto sagrado a dignidade que lhe é intrínseca.


A segunda condição que desejo apresentar é a necessidade de cultivar um amor profundo e inabalável pelas Escrituras. “Busca de todo o teu coração” (Jeremias 23:19) Esse zelo não deve apenas manter-se constante, mas crescer continuamente; sem uma devoção fervorosa aos textos sagrados, o progresso no conhecimento será limitado, impossibilitando o alcance da profundidade espiritual que tanto almeja. Tenha em mente que a conquista de grandes objetivos exige um amor intenso e a disciplina necessária para traduzi-lo em ações e em uma busca incansável. Portanto, estabeleço este como um princípio fundamental: a ausência de um profundo amor pelas Escrituras torna impossível o progresso no conhecimento de seus mistérios, valores e riquezas.

 

“Todos os teus caminhos sejam ordenados” (Provérbios 4:26)


O terceiro princípio que desejo apresentar refere-se à humildade, que se desenvolve progressivamente pelo reconhecimento de nossas limitações e falhas. É essencial manter a consciência constante de nossas fraquezas, dispondo-nos a humilharmo-nos diante da soberania do Senhor e a confessar nossos pecados. Ao ler atentamente as Sagradas Escrituras, perceberemos que elas revelam, inevitavelmente, nossa própria imperfeição. De fato, a Bíblia não pode servir como luz para o próximo sem que, primeiramente, funcione como um espelho para nós mesmos.

“Lembre-se de que não é a leitura apressada, mas a meditação séria sobre as verdades sagradas e celestiais que as torna doces e proveitosas para a alma. Não é o mero toque da flor pela abelha que recolhe o mel, mas sim a sua permanência por um tempo na flor que extrai a doçura. Não é aquele que lê mais, mas sim aquele que medita mais, que se revelará o cristão mais escolhido, mais doce, mais sábio e mais forte.” (Thomas Brooks)


O quarto princípio que gostaria de apresentar refere-se à consagração da sua capacidade intelectual e da sua mente ao Senhor. É permitir que o Espírito Santo dirija e assuma o governo da sua consciência, a fim de que você alcance o discernimento espiritual necessário para glorificar a Deus através da sua vida. Cultivar esse espírito de servidão, mediante a entrega completa da mente e do coração ao Criador, é um requisito fundamental para que Ele, por meio do Santo Espírito, possa atuar em seu entendimento, revelando as preciosas profundezas contidas nas Escrituras. Deus ilumina a mente do homem santo com o propósito supremo de que Ele seja glorificado. Lembre-se sempre de que o caminho da erudição é, essencialmente, o caminho da piedade; ambos são pilares indispensáveis para a formação do verdadeiro homem santo. Portanto, uma mente, uma vida e um coração consagrados proporcionarão a necessária clareza para compreender as verdades divinas.

“A leitura é o lançar da semente no coração. Este disseminar deve ser diário. Com Constancia” (Dr Anibal Pereira Reis em: Crente, Leia a Sua Biblia!)

“Leia a Bíblia com sincera oração, pedindo o ensino e o auxílio do Espírito Santo. Aqui está a rocha na qual muitos naufragam logo no início. Eles não pedem sabedoria e instrução, e por isso encontram na Bíblia um livro obscuro, do qual nada extraem. Você deve orar para que o Espírito o guie a toda a verdade. Você deve suplicar ao Senhor Jesus Cristo que “abra o seu entendimento”, como Ele fez com os Seus discípulos” (JC Ryle)

“Muitas vezes, ao ler [a Bíblia], cada palavra parecia tocar meu coração. Sentia uma harmonia entre algo em meu coração e aquelas palavras doces e poderosas. Parecia-me ver tanta luz manifestada em cada frase, e um alimento tão refrescante ali comunicado, que não conseguia prosseguir com a leitura; freqüentemente me detinha longamente em uma única frase, para contemplar as maravilhas nela contidas; contudo, quase todas as frases pareciam repletas de maravilhas.” (Jonathan Edwards)


O quinto princípio que desejo apresentar é o da constância e da resiliência. Devemos disciplinar nossa vontade para realizar uma leitura atenta, pausada e meditativa, de modo que a mente esteja plenamente engajada no conteúdo estudado. O objetivo é que, ao concluir a leitura ou a pesquisa nas Escrituras, o conhecimento não seja esquecido, mas sim assimilado, tornando-se parte do seu íntimo para o desenvolvimento de reflexões profundas. Ao interiorizar a Palavra, você transforma seu coração em um verdadeiro tesouro espiritual. Esse arsenal de passagens e ensinamentos, consultável a qualquer momento, servirá como combustível para manter vivo o seu fervor e, acima de tudo, como bússola e luz para guiar a sua caminhada diária.


O sexto princípio fundamenta-se na oração do apóstolo Paulo, na qual ele suplica que o Senhor ilumine o entendimento dos efésios para a compreensão das verdades sagradas. Tal prática deve ser constante em nossa vida: sempre que abrirmos as Escrituras, é indispensável rogar humildemente ao Senhor, com fervor e profunda devoção, que ilumine o nosso coração e a nossa mente. Devemos clamar intensamente para que o Espírito Santo nos conduza a toda a verdade durante o estudo da Palavra. O Espírito Santo é o nosso guia supremo. Oração é a porta de entrada para as paginas do livro santo. Andrew Murray no seu magnífico livro “A Vida Interior” escreveu: “A oração e a Palavra tem um centro comum: Deus. A Oração procura Deus, a Palavra revela Deus. Na oração, fazemos os pedidos a Deus; na Palavra Deus nos dá as respostas. Na oração, elevamo-nos aos céus para estar com Deus, na Palavra, Deus vem habitar conosco. Na oração da-mos a Deus; na Palavra Deus se dá a nós” Devemos entender que é nesse intercambio comunhão e oração com o Senhor que a Sua Palavra alimenta e nos dá entendimento e discernimento.


O sétimo princípio que desejo apresentar consiste na tríade: escrever, anotar, revisar e memorizar. Este processo demanda concentração elevada, força de vontade, determinação e longanimidade; é um exercício contínuo de aprofundamento e imersão. Tal prática requer uma dedicação rigorosa e uma constância inabalável para que haja uma crescente familiaridade com o texto bíblico e com os temas estudados nas Sagradas Escrituras. Lembre-se: o domínio do conteúdo exige o uso diligente de papel e caneta, o hábito metódico das anotações, a memorização sistemática e, acima de tudo, um nível profundo e ininterrupto de atenção.


Como um complemento ao sétimo princípio, é fundamental que você adquira o hábito de registrar versículos bíblicos relevantes, elaborar diagramas, realizar análises e promover comparações. Ao transcrever trechos, rascunhar paralelos entre passagens distintas sobre o mesmo tema e realizar apontamentos detalhados, você internalizará a aplicação desse princípio com maior eficácia. Tais práticas — que incluem a investigação minuciosa de textos, a articulação de notas temáticas e a síntese de descobertas — são essenciais para o seu aprimoramento acadêmico e para o desenvolvimento contínuo da sua percepção espiritual.
Para concluir, apresento duas diretrizes adicionais que devem ser consideradas além das que já expus.


Primeiramente, a gratidão. É imprescindível agradecer a Deus por, mediante o Seu Santo Espírito, revelar progressivamente as verdades contidas nas Escrituras. Você tem alcançado crescimento na graça e no conhecimento por meio do processo de leitura, estudo, anotação e meditação que aqui demonstrei. A oração é fundamental, tanto no que concerne ao pedido de auxílio do Espírito Santo quanto ao agradecimento pela assistência recebida.

Em segundo lugar, desejo reiterar uma verdade essencial: não existem "verdades novas" nas Escrituras. O que existe são verdades que, embora presentes, ainda não foram percebidas devido à falta de discernimento. Elas sempre estiveram lá.

 

“Nas Escrituras não existem verdades novas, existem verdades que não foram percebidas, elas estão sempre lá, o que existe é a falta de discernimento para percebê-las.”


A Bíblia.

Certo dia, guiado pelo Espírito Santo, entrei no maravilhoso templo do cristianismo, entrando pelo átrio do Gênesis, desci até as galerias do Velho Testamento, onde os quadros de Noé, Abraão, Moisés, José, Isaac, Jacó e Daniel pendiam das paredes. Passei depois ao salão da música dos Salmos, no qual o Espírito Santo, com rapidez, percorria o teclado da natureza. Parecendo que todas as palhetas e tubos do grande órgão de Deus respondiam a melodiosa arpa de Davi, o suave cantor de Israel. Fui até a câmara da Eclesiastes e ali ouvi a voz do pregador e a estufa de sarom, onde a rosa e o limão. O brilho dos vales com seu odor perfumaram a minha vida. Entrei no Tribunal de Provérbios e depois no Observatório dos Profetas, no qual vi  telescópios de diferentes tamanhos que apontavam a grande distância para os acontecimentos, mas todos centrados sobre a estrela da manhã. Entrei também no Salão das Audiências, Torre dos Reis e alcancei uma visão de sua glória de fixar os quatro pontos cardiais de Mateus, Marcos, Lucas e João. Passei depois aos Atos dos Apóstolos, onde vi o Espírito Santo fazer a sua obra de formação da Igreja Primitiva. Em seguida, dirigi-me a sala de correspondência e vi lá sentados Paulo, Pedro, Tiago e João escreverem as suas cartas. Subi depois à sala do trono da revelação apocalipse e do cume inabalável da torre obtive uma visão do rei sentado no trono em toda a sua glória. (Billy Sunday)

 

A benção do conhecimento bíblico avançado: “O discernimento te guardará e a inteligência te preservará” (Proverbios 2:11)

Fogo em latim é focus, que produz lux, a luz. O fogo produz Scintilla que é  centelha, uma semente  de fervor, o que cintila.  O fogo  é o alimento da lampa, a lâmpada.  Ser luz do mundo é ter a mente iluminada pela gloria do evangelho, é ser incendiado pelas verdades bíblicas. Só quem estuda  as Escrituras e quem recebe verdadeira instrução das Escrituras,  tem essa experiência espiritual na própria alma.”

 

Amém.