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A Igreja de Éfeso: Ortodoxia sem Amor é Religião Morta

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Introdução

No livro de Apocalipse, Jesus Cristo dirige sete cartas às igrejas da Ásia Menor, começando pela igreja de Éfeso (Apocalipse 2:1-7). Essa igreja, que décadas antes havia recebido a epístola de Paulo (Efésios), agora é elogiada por sua firmeza doutrinária, mas também severamente advertida por ter abandonado o "primeiro amor". Essa mensagem continua extremamente relevante hoje, pois revela o perigo de uma fé ortodoxa, mas fria e sem paixão por Cristo.

1. O Elogio de Cristo à Igreja de Éfeso

Jesus reconhece as virtudes daquela igreja:

1.1. Discernimento Espiritual

  • Os efésios testaram os falsos apóstolos e os rejeitaram (Ap 2:2).
  • Eram capazes de distinguir entre verdadeiros servos de Deus e impostores que buscavam status e glória humana.

1.2. Firmeza na Sã Doutrina

  • Odiaram as obras dos nicolaítas, um grupo herético que promovia imoralidade e sincretismo religioso (Ap 2:6).
  • Não eram ecumênicos nem tolerantes com o erro doutrinário.

1.3. Perseverança nas Provações

  • Trabalharam arduamente e não desistiram apesar das dificuldades (Ap 2:3).

2. A Grave Advertência: "Abandonaste o Teu Primeiro Amor"

Apesar de toda sua ortodoxia, Jesus identifica um problema crítico:

2.1. O Perigo do Formalismo Religioso

  • A igreja mantinha a doutrina correta, mas o amor fervoroso por Cristo estava se esfriando.
  • A religião deles estava se tornando mecânica, ritualística e sem vida espiritual genuína.

2.2. Ortodoxia sem Fervor Gera Morte Espiritual

  • Como observou Miles Stanford, igrejas doutrinariamente corretas, mas frias, afastam as pessoas, que então buscam falsos avivamentos em lugares heterodoxos.
  • A verdadeira espiritualidade deve unir sã doutrina com amor ardente por Cristo.

2.3. As Consequências do Esfriamento

  • Fervor espiritual + ortodoxia = santidade e martírio (homens dispostos a morrer por Cristo).
  • Ortodoxia sem amor = legalismo e hipocrisia (religião morta).
  • Falso fervor sem ortodoxia = fanatismo (emocionalismo vazio).

3. A Exortação de Cristo: "Lembra-te, Arrepende-te e Volta"

Jesus não apenas aponta o erro, mas dá um caminho de restauração:

3.1. "Lembra-te de Onde Caíste"

  • Era necessário recordar o fervor inicial, quando o amor por Cristo era vivo e transformador.

3.2. "Arrepende-te"

  • O arrependimento não era apenas intelectual, mas um retorno ao relacionamento íntimo com Jesus.

3.3. "Pratica as Primeiras Obras"

  • A fé viva se expressa em ações movidas por amor, não apenas em conhecimento correto.

4. Aplicação para a Igreja Hoje

A mensagem a Éfeso é um alerta para todos nós:

 Não basta ter doutrina certa – é preciso ter coração aquecido por Cristo.
 Não basta rejeitar heresias – é preciso amar profundamente Aquele que é a Verdade.
 Não basta trabalhar para Deus – é preciso caminhar com Deus.

Conclusão

A igreja de Éfeso nos ensina que ortodoxia sem amor é religião morta. Cristo não deseja apenas servos corretos, mas apaixonados. Que possamos, como eles, guardar a verdade, mas também reavivar o primeiro amor, para que nossa fé não se torne fria e formal, mas viva e transformadora.

"Lembra-te de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras." (Apocalipse 2:5)

 

 

C. J. Jacinto

 

Olhai por Vós Mesmos

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Em Jeremias 8:20 o profeta chorão brada um lamento que a sega tinha passado e o verão findando e “Nós não estamos salvos”. Essa percepção espiritual arguta veio de um profeta que tinha intimidade com Deus, e sabia que a apostasia do povo de Deus era uma realidade pouco perceptível para a maioria senão quase todos os seus contemporâneos. A história do ministério de Jeremias se caracteriza por essa percepção profunda da realidade espiritual, mas o povo não estava inclinado a ouvir uma mensagem de juízo e advertência. O povo estava propenso a ouvir coisas mais brandas, e os falsos profetas ofereciam esse produto no mercado religioso. Essa é a grande diferença para nossos dias também, aliás sempre deve haver aquela disponibilidade de ouvir o que Deus quer falar e não procurar nunca, pregadores que ofereçam mensagens empacotadas de acordo com os interesses do nosso egoísmo.

Em Jeremias 29, encontramos uma carta de consolação enviada aos cativos da babilônia, no livro de lamentações encontramos o choro abundante sobre as ruínas de Jerusalém. A questão crucial para nosso tempo é ouvir com disposição o que Deus deseja falar, e já é tempo de despertarmos do nosso colossal e profundo, pois os dias de dificuldades chegaram violentamente sobre nossas vidas, e nos faltam profetas do quilate de Jeremias. A percepção “Não estamos salvos” é um confronto, não um confronto ideológico e materialista, mas decisivamente espiritual, séculos separam-nos de Jeremias, mas o seu brado é atual. Precisamos emitir um parecer correto sobre a nossa própria condição “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina” (I Timóteo 4:16) e em outra parte ainda lemos: “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos, ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados.”( II Coríntios 13:5)

A percepção do profeta é identificativa, ele está inserido no contexto da apostasia, uma crise moral e espiritual se abatia sobre o povo de Deus e Jeremias estava ali no meio dessa crise de identidade e afastamento dos caminhos do Senhor. O perceber tarde de mais pode ser uma grande tragédia, não foi uma ruína completa para o Profeta porque mesmo diante de toda a extensão da ruína espiritual do seu povo, ele era um salvo. Mas a sua identificação com a realidade era severa, de tal modo que ele mesmo sofre as conseqüências da tragédia na dimensão física. Jeremias vê Jerusalém em ruínas! e ele diz que não estavam salvos. Paz e segurança eram os emblemas proféticos dos falsos profetas, no brasão do estandarte dessa estirpe de ministros da mentira, havia o símbolo da paz e da prosperidade, essa era a mensagem aceitável, tão estimada eram as vozes desses algozes da verdade, que conseguiam arrancar o dobro de aplausos no que tange a medida de perseguição que sofreu o profeta verdadeiro: Jeremias.

Ora, também temos nós sérias advertências sobre uma vida alienada pelos falsos discursos, a comichão nos ouvidos nos impele a buscar falsos doutores que com palavras palatáveis, assumam o controle de nossos ouvidos e ofereçam satisfação e o prazer de abrandar a coceira dos ouvidos.

Em I Tessalonicenses 5:4 Paulo fala da necessidade de estarmos na luz para não cairmos na armadilha da surpresa relacionada ao dia do Senhor. O fator surpresa é puramente mundano, ao cristão bíblico, a posição espiritual é de um soldado no exercício da militância, é estar preparado para a vinda de Cristo. No entanto, encontramos alguns exemplos nobres nos evangelhos que nos remetem para o confronto, a saber, que devemos ter percepção espiritual aguçada para que não tenhamos a indigna noção de perceber uma verdade fundamental fora do seu tempo adequado, ou seja: percebê-la pelo meio mais trágico; tarde demais.

E assim, abrindo as páginas do Novo Testamento, encontramos a história daquele fazendeiro rico em Lucas 12, que teve um grande êxito no seu empreendedorismo, ao ser muito bem sucedido na cultura e sega, colheu de tal modo grãos e frutos, que os víveres para a sustentação da vida estavam garantidos por muitos anos. Mas o que não percebia o pobre fazendeiro insensato, é que a vida do homem não pertence ao homem. Enquanto ele se regalava numa frieza moral, indispostos a pensar na célebre declaração de Salomão de que há o tempo de nascer e há o tempo de morrer, naquela noite fatídica seria a sua vez de ser chamado a eternidade. Deus declara do seu trono enquanto aquele homem se ufanava de ter muitos bens para viver tranqüilo o resto da vida, mas o que ele não percebia que o resto da sua vida eram apenas mais algumas horas e nada mais, pois Deus bradou de cima: “Louco esta noite te pedirão a tua alma ; e o que tens preparado para quem será?” (Lucas 12:20) não percebia aquele homem a brevidade da vida, um vapor que aparece e logo desaparece. E era então suas últimas horas no mundo, breve seria recolhido á eternidade, mas ele não percebia isso. Findou a vida, deixou este mundo e não estava salvo. Seria também esta a condição do dileto leitor?

Então prosseguimos nas páginas do Santo evangelho de Lucas, o medico amado, e lá no capítulo 16 encontramos outra historia, do rico e do Lazaro. Ambos morrem, são meros mortais, vapores humanos que chegaram ao mundo e não podem permanecer senão alguns anos sobre ele. Aconteceu que Lazaro morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão e o rico também morreu e quando deu-se por si mesmo estava atormentado nas chamas do Hades. “E no inferno ergueu os olhos, estando em tormentos...” (Lucas 16:23) estava ali um homem que acreditava na morte dos outros, talvez você também siga a mesma filosofia de vida. Ele sabia que a morte existia, Vimos que o primeiro a morrer foi Lazaro, e o rico viu a morte ceifando a vida do mendigo que jazia a porta de sua casa com fome. A morte estava diante de seus olhos, foi testemunha ocular da brevidade da vida, mas não percebeu que ele seria o próximo. Quando se dá conta da sai situação precária e arruinada é tarde demais, lembrou-se de sues irmãos, e descobriu que mortal algum merece aquele lugar de horror e tomento. Ficaram para trás sua riquezas e posses, aquele que bebia o melhor vinho agora está mendigando um pingo de água. Que tragédia! Sua percepção agora estava aguçada, ele via as profundezas de sua própria alma, a vida para ele estava desnuda, os pecados expostos, note que ele não pede para sair dali, por mais pungente que seja cada minuto de tormentos, esse era um lugar adequado para um homem que permaneceu debaixo da impiedade durante toda a vida, o lugar sombrio é o lar adequado para um coração sinistro, ele não deseja sair de lá, mas ao mesmo tempo não quer que seus irmãos tenham o mesmo destino de pavor. E assim, percebe tarde demais que a condição de sua alma era de ruína e nunca quis se arrepender de seus pecados, e ao rico podemos também concluir: Findou a vida e deixou este mundo, mas não estava salvo.

Há outra passagem muito interessante, agora no livro de Mateus, capítulo 24, acerca do sermão profético proferido por Cristo, nos versículos 37 a 39, nosso santo Salvador faz um paralelo entre os dias de Noé e os dias da Sua vinda. Nosso bendito Salvador explica que assim como foi nos dias de Noé, também será por ocasião da Sua vinda, comiam e bebiam, casavam-se de davam-se em casamento e não perceberam, até que veio o dilúvio e levou a todos os impenitentes e insensíveis. Os dias eram terríveis, pois havia uma sensação de conforto, prazeres e prosperidade que escondiam os perigos por trás de uma sociedade de decadência moral excessiva. Não importa o quanto isso tudo a anestesie uma geração pervertida, mas a verdade é que o fato de não perceberem a raiz da iniqüidade que findou no colapso total da civilização ante-diluviana foi a corrupção moral extrema que havia naquela época entre os povos. Note que também eles estavam como que embriagados, pois tornaram-se insensíveis diante do conforto materialista e os prazeres da carne que estabeleciam a civilização contemporânea de Noé. Então esses prazeres e luxúrias impediram as pessoas de perceberem com antecedência que o que semeia na carne colherá a corrupção e era isso que estava acontecendo naqueles dias. Mesmo sendo Noé um pregador na função de tábuas, na construção do navio e depois também pregador profético, anunciando a chegada de um cataclismo universal, o povo se encontrava em profundo torpor. Mas o dilúvio veio e levou a todos. Quando perceberam, era tarde demais. As mesas fartas foram levadas pelas águas, o materialismo e as riquezas foram levados pelas águas, os adúlteros e os bêbados foram se afogaram nas águas, orgulhosos, idólatras e avarentos, todos se afogaram nas águas torrenciais daquela catástrofe. Todos esses exemplos que citei são provas do quanto o homem é propenso à insensibilidade e dureza do coração. Que trágico saber que aquele povo tinha testemunhas, Enoque e Noé eram luzes que brilhavam em meio a escuridão, profetas que mantinham acesa a mensagem profética da advertência divina, mas ninguém estava interessado em ouvi-los, e quando perceberam que a mensagem era verdadeira, era tarde demais, assim o vapor da vida se dissipou, a hora do juízo chegou, para aqueles homens, a vida se findou e todos deixaram o mundo, e só perceberam o fato quando era tarde demais. Temo que grandes partes das pessoas que lêem essa pregação estejam na mesma situação.

“Por isso estai vós apercebidos também” (Mateus 24:44)

Autor: Clavio J. Jacinto

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UM GRITO NO CALVARIO

I

Há um rio além das montanhas escuras

Um jardim distante das estrelas

O mel do orvalho frio e duro

O muro da madrugada fortalecida

II

Há um calabouço no coração humano

Uma blindagem na alma faminta

Um antro cavado na turfa negra

Os musgos aglomerados na consciência

III

Há um carvão amolecido na praia

O espaço líquido das lágrimas em cubos

O homem e a espada se beijam ali

Ferindo-se nas batalhas consigo mesmo

IV

Que será do pobre homem sem luz?

Lavado pelos açoites das ondas da vida?

Ferido pelos grilhões das suas próprias ações

Viajando pelos vagões da insana soberba

V

Ainda que a esperança desponta no tempo

Há no Calvário uma luz que brilha mais forte

Mas o homem perdido em seus caminhos

Ainda insiste em buscar a eterna morte...

 

 

(CJJ)

 

 

Comunhão Biblica Bereiana

Paulo Lopes SC

 

𝐹𝐸𝑅𝒱𝒪𝑅𝒪𝒮𝒪𝒮. (Contra a Heresia da Mornidão Espiritual)

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𝐹𝐸𝑅𝒱𝒪𝑅𝒪𝒮𝒪𝒮...

 

 “Não sejais vagarosos no cuidado, sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor” (Romanos 12:11)

“E era instruído no caminho do Senhor e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas Dio Senhor...”(Atos 18:25)

 

a origem da palavra “fervor” vem do latim fervere, que significa brilhar e ferver. A palavra original do Novo Testamento grego é ζέοντες (zeontes) a raiz do termo indica o calor suficiente que possibilita a fervura da água, por isso não é muito deferente da raiz latina “fervere”.  É claro que de forma figurada significa uma paixão ardente, um amor intenso por algo ou por alguém. O cristão fervoroso é aquele que tem um amor muito grande por Deus. Essa é base pelo qual se sustenta a verdadeira espiritualidade, não menos que isso. Deus abomina a mornidão

Em Apocalipse temos o oposto da religião caracterizada pelo fervor: a mornidão e a frieza. O morno em Apocalipse 3:16 no grego é χλιαρὸς (chliaros) denota pouca paixão, dubiedade e é provocado por algo sem excesso, sem intensidade e puramente fraco. A origem da palavra morno no português é atribuída ao espanhol “modorro” e esta associado à preguiça e sonolência., um sinônimo alternativo para morno é tépido, que vem do latim “tépidus” que significa pouco intenso, superficial, raso. A qualidade da vida espiritual de cada cristão pode ser avaliada a partir desses conceitos morno ou fervoroso. O fervor denota sempre uma vida de grande paixão e profundidade. Desde a experiência de uma crucificação profunda quanto a vida de frutificação na presença do Senhor por ser Cheio do Espírito santo, a condição necessária para ter uma vida plena de frutificação espiritual.

Pelo fato do Evangelho está associado a mensagem da cruz, o altar onde o Filho de Deus foi imolado por causa de nossos pecados, é notável que não há nada de superficialidades na redenção. Aplica-se essa verdade aos redimidos.

Talvez seja muito implicante tratar de um assunto tão solene quanto a vida do cristão fervoroso, mas é bom começarmos pelo lado da correção. Zelo sem entendimento não o mesmo que fervor espiritual.

Paulo testemunhava de que os judeus tinham um zelo religioso muito intenso, porém era zelo sem entendimento (Romanos 10:2) essa é uma característica distinta da religião dos judeus na época de Cristo, algo completamente fora dos padrões espirituais exigidos pelo Senhor com relação a vida fervorosa autentica. No Capitulo 10 de Lucas, quando a abordagem á a parábola do bom samaritano, a questão principal envolvia um doutor da lei que não sabia quem era o seu próximo. Toda a parábola mostra o zelo sem entendimento do Levita e do sacerdote. Assim, jamais devemos confundir, pois fervor espiritual não é zelo religioso. Alguns grupos contemporâneos do apóstolo Paulo tinham um zelo muito bom sobre certos aspectos da vida moral, os estóicos são um exemplo desses grupos. Podemos notar também que havia muito zelo entre alguns gnósticos, vivendo uma vida de austeridade, a comunidade dos essênios pode ser um exemplo de uma religião cujo adeptos tinham um grande zelo.

 

O fervor espiritual só é possível em um coração regenerado que tem acesso as riquezas insondáveis de Cristo, é posivel somente para os cristãos que pelo novo nascimento, tem um acesso ao trono da graça e uma comunhão com Deus, de modo que o Senhor é o centro da vida e do amor, amar a Deus de todo o coração, alma e pensamento é a base pelo qual repousa uma devoção fervorosa.

A condição pelo qual podemos alcançar a vida de fervor espiritual é através da renovação do nosso entendimento (Romanos 12:2) não menos do que isso. Afeiçoes rasas nos levam para a hipocrisia, mas sentimentos profundos nos levam para a transformação do caráter.

Assim, entendemos que o fervor espiritual só pode ser alcançado de acordo com o nível do nosso amor por Deus e pelo evangelho. O amor nos conduz a sujeição, o fervor espiritual esta intimamente conectado a vida de obediência e sujeição ao Senhor. Note que o homem prudente em Mateus 7 ouve pratica os ensinos de Cristo. Escreveu Thomas Watson em sua obra; A Body of Divinity: “Um bom cristão é como o sol, que além de irradiar calor circula a terra. Assim, aquele que glorifica a Deus, não tem somente suas afeições aquecidas com o amor de Deus, mas também realiza suas obras com vigor na esfera da obediência” Assim a lâmpada da vida é aquecida por essa vida espiritual plena que produz um elevado nível de amor e afeição por Cristo e pelo Evangelho, de modo que a vida cristã é notável pela qualidade de vida espiritual que manifesta na esfera devocional do relacionamento com Deus e com a vida espiritual que é lapidada e moldada a partir desse relacionamento intimo com o Criador.

 

Assim o fervor espiritual é um sinal da presença do Espirito Santo, não se trata de uma vida de zelo religioso sem entendimento, tão comum em todas as religiões, até mesmo as mais pagãs, mas numa vida espiritual de discernimento e coragem. Discernimento porque a lâmpada tem azeite, o que significa que não há escuridão predominante para obscurecer o coração, coragem porque nem sempre a peregrinação cristã é um caminho suave e agradável á carne, mas de desafios e sobriedade. Vimos por exemplo a vida de alguns homens que eram fervorosos, Elias e Enoque são exemplos de fervor espiritual seguido de discernimento, pois viviam numa época saturada de confusão e muita apostasia e engano espiritual. Mesmo assim, diante da escuridão eles permaneceram fieis, ainda que de certo modo se sentissem solitários por viverem numa sociedade cheia de iniqüidades.

Por outro lado, lemos no clássico; Afeições Espirituais de Jonathan Edwards, sobre o problema da mornidão: “ a Religião Deus exige e aceita não consiste em anseios débeis, enfadonhos e sem vida, que pouco nos elevam acima do estado de indiferença. E, sua Palavra, Deus nos insta com veemência que sejamos sinceramente bons, de espírito fervoroso e de coração fortemente comprometido, com a religião. Esse compromisso vigoroso e cheio de fervor no coração com a religião é fruto da verdadeira circuncisão do coração, ou a regeneração verdadeira, e tem consigo a promessa de vida” Edwards então conclui: “Se não tivermos compromisso sério com a religião. e nossa vontade e inclinação não atuarem com energia, não seremos nada”

As inclinações da nova natureza do homem redimido tendem sempre para o progresso no sentido de crescimento e experiência nas coisas concernentes ao Senhor. Lemos em Provérbios 4:18 e a vereda do justo é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. Isso denota avanço em uma maturidade que só é possível para a vida regenerada. Da mesma forma em II Pedro 3:lemos que devemos crescer na graça e no conhecimento, e o versículo termina com a conclusão de que esse crescimento redunda sempre em glória para o Senhor e não para o homem. De modo que entendemos que o fervor espiritual não a naquelas manifestações supostas de uma espiritualizada que faz com que tal pessoa torne-se “super-espiritual. A vida espiritual autentica é totalmente dependente do Senhor, o homem espiritual percebe que vive absoluta, mente para a glória de Deus e depende completamente da graça e da misericórdia de Deus, é nesse sentido que entendemos expressões de Cristo que remetem para as profundezas de Deus e que só podem ser compreendidas por uma coração que esteja iluminado pela luz da gloria do evangelho, passagens como aquelas que definem de bem aventurados os pobres de espírito porque os tais pertencem ao reino do seu poder só podem ser entendidas dentro do habito do fervor espiritual, pois quanto mais um homem recebe do Senhor, mais ele percebe da carência de ser totalmente dependente dEle.

Ser fervoroso só é possível para quem é cheio do Espírito, um fato produz outro fato e estão interligados pelo princípio da dependência, assim como uma lâmpada só permanece acesa quando existe combustível para manter o fogo aceso. Infelizmente há certas noções erradas, puramente equivocadas com relação a ser espiritualmente fervoroso. Uns acham que o barulho feito por impulsos descontrolado, ou comportamentos bizarros são sinais de fervor espiritual, assim como os religiosos com o zelo sem entendimento que foi abordado nesse artigo. Há dois mover no homem fervoroso, a primeira é vertical e a outra é horizontal, na vertical que é a principal, o homem fervoroso de espírito volta-se completamente para o objetivo pelo qual ele foi criado ser servo de Deus e adorador por excelência. Hermann Bavinck, ao abordar a relação entre os ofícios de Cristo (Profeta, Sacerdote e Rei) ensinou que é através do oficio triplo de Cristo que a imagem de Deus é restaurada no homem, ora, através do novo nascimento o homem recebe o batismo do Espírito Santo, e então passa a ter todas as condições necessárias para viver cheio da presença do Espírito de Cristo e viver de forma fervorosa e tornar o cristianismo como algo real na sua vida. Bavinck escreveu: Toda a imagem de Deus deve ser restaurada no homem, conhecimento, justiça e santidade. O homem por inteiro deve ser salvo, alma e corpo, cabeça mão e coração. Nós precisamos de um Salvador que nos redima perfeita e completamente e que realize plenamente em nós Seu propósito original”. Assim na via vertical o ser fervoroso é ter um relacionamento intimo com Deus Pai e com Seu Filho Jesus Cristo (I Coríntios 1:9)  a comunhão com o Senhor é a vida fervorosa, aqui abre-se a porta para o zelo com entendimento, e fervor e zelo com entendimento é o resultado da vida consagrada a Deus e cheia do Espírito Santo. O homem  espiritual é fervoroso porque busca o reino de Deus e a sua justiça, tem fome e sede espiritual, busca viver a plenitude cristã, quer orar e estudar as Escrituras, quer viver dentro da realidade do Evangelho.


Há também a inclinação horizontal, que é a inclinação de servir ao próximo. Voltemos para Lucas 10, onde encontramos a parábola do bom samaritano. Ali vimos que o levita e o sacerdote tinham grande zelo religioso, com certeza sentiam grandes emoções por servirem na casa do Senhor, a agenda religiosa era fiel aos preceitos da religião que praticavam.  Mas eram completamente indiferentes com relação ao serviço ao próximo, eram insensíveis aos problemas da humanidade a sua volta. A falta de atividade e a irresponsabilidade como uma pratica de religião morta impedia a doação da vida e do amor aos necessitados. Ser cheio do espírito e ser fervoroso é andar na direção do bom samaritano Gene Edward veith Jr escreveu: “De fato, este é o propósito de todas as vocações: amar e servir o nosso próximo. Deus não nos diz para amar a humanidade de uma forma abstrata, mas para amar o nosso próximo: o ser humano real, tangível, a quem ele chama para dentro da nossa vida”. Veja o amado leitor que a ordem a sermos fervorosos no espírito está dentro de um contexto em que se aplica ao amor ao próximo a comunhão de necessidade entre uns e outros na assembléia local e a comunidade onde o cristão está inserido. (Leia Romanos 12:8 a 12) O serviço de ajuda ao próximo em forma de auxilio e intercessão é a forma vertical do nosso fervor espiritual. Ora em Romanos12:1 Paulo fala sobre o culto racional, nesse caso estamos lidando com a questão do fervor espiritual de forma vertical, é a questão do relacionamento entre Deus e homem que foi aberto pelo sacrifico perfeito que Jesus realizou na cruz do Calvário (Hebreus 10:19 a 23). Ao  completar este pequeno estudo bíblico, volto a abordar o problema atual na cristandade de ver o modo e a expressão de ser fervoroso no espírito como a pratica de um fanatismo irracional e outras bizarrices comportamentais. Toda experiência espiritual que não fertiliza a alma do redimido para que produza o fruto do Espírito , não é uma experiência espiritual genuína, mas misticismo barato e estéril. 

 

“Deus foi gravemente e inevitavelmente falsificado por todos aqueles que falaram dele, sem serem radicalmente transformados por ele."   (Maurice Zundel)

 

 

 

 

Clavio J. Jacinto

 

 

 

Contra a Heresia do Avivamento pelas Emoções

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Como todas as obras de Deus no Universo são por meio da sua palavra, igualmente o avivamento é por meio de sua palavra. É contra-senso procurar vida nas coisas mortas, e é sabedoria buscá-la no que é vivo. (Antonio Abuchaim)

Como Adquirir Vigor Espiritual

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Há uma declaração de Calebe que me chama atenção, ela se encontra em Josué 14:11 "E ainda hoje estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força então, tal é agora a minha força, tanto para a guerra como para sair e entrar". Todo o cristão bíblico precisa de vigor, fortalecer-se no Senhor é uma ordem. E como sucede na vida fisica, também é na vida espiritual. A manutenção da vida biológica se dá com o ar que respiramos, a agua a luz e a comida, esses quatro elementos são essenciais para a manutenção da via biológica. Assim também é na vida espiritual. Desde que o cristão bíblico nasceu de novo, assim ele é nova criatura, precisa de oxigenio espiritual, luz da glória do evangelho, água espiritual, e pão espiritual, para crescer na graça e no conhecimento até a estatura completa de Cristo. Primeiro, o homem é um fôlego que precisa de ar, não apenas nasce do sopro, mas subsiste nesse sopro, o vento impetuoso é o ambiente onde o cristão deve estar, debaixo desse sopro, dentro desse mover que dá vida com abundância. Note que a Palavra de Deus é um sopro do Espirito Santo, portanto a pregação bíblica é um soprar sobre o coração do cristão, ele recebe esse oxigenio, recebe um sopro vital, o Espirito Santo é o "elã vital" que os filosofos faram, é a fonte impetuosa que age sobre nossa consciência, onde há formalidade e cerimonialismo frio, onde há estagnação e liturgias obsoletas, formas sem vida, inércia espiritual, aí é um local de morte, pode até ter identificação de vida porém a rigidez de coisas sem vitalidade anuncia morte espiritual. Em segundo lugar temos a agua, há um rio que flui desde o trono do Senhor, esse fluir eterno é enviado para o interior do homem novo, e então jorra para a vida eterna. Essa água vem pela Palavra de Deus pregada "Purificando-a pela Lavagem da água, pela palavra"(Efesios 5:26) essa água é um fluir refrescante e celestial, onde Cristo faz presença, há um fluir de abundância e isso produz vida, a fé cristã está intimamente associada a vida de ressurreição, vida em abundância é vida que não termina, é eterna, e essa deve ser a experiência do homem de Deus. Então temos o terceiro princípio que sustenta a vida de forma dinâmica e eficaz: o pão. Sem alimento espiritual, não há como a vida espiritual permanecer. Jesus é o pão da vida. Ele também ensinou que o homem não vive só de pão, mas também da Palavra que procede da boca de Deus, então o autor aos Hebreus ensina que o homem se aperfeiçoa pelo alimento espiritual sólido, que benção, quando o cristão tem um lugar para respirar o mover do Espírito pela Palavra pregada, tem um lugar onde flui um manancial de águas onde encontra refrigério para seu coração sedento, Quarto e ultimo, temos a luz, pois a declaração do Espírito Santo é que a Palavra de Deus é uma lâmpada (Salmos 119:105) Jesus o Verbo, a Palavra encarnada também é a luz do mundo. De modo que onde Cristo é pregado conforme as Escrituras ali Ele também está presente, a exposição das Palavras dá luz e entendimento aos simples. Calebe ainda era forte, os anos passam, mas a manutenção da vida o envolvia para lhe dar o vigor necessário. Que benção, quando o cristão tem uma assembleia de irmãos onde há sopro divino, alimento espiritual sólido, águas espirituais e iluminação pela glória da mensagem do evangelho, ali ele encontra o que precisa para a manutenção da vida espiritual e ter um vigor tal como Calebe, que está pronto para a guerra e tem força para entrar e sair, e o que significa isso? sem duvida, na vida espiritual é a força para entrar e sair do quarto secreto, ir as reuniões de oração e a escola bíblica, ir aos cultos e frutificar pelo Poder do Espírito. Amém

Clavio J. Jacinto.