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A SERPENTE E O ENGANO QUE ILUDE O MUNDO

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 A SERPENTE E O ENGANO QUE ILUDE O MUNDO


 C. J. Jacinto

 

Lições preciosas podem ser aprendidas fazendo uma análise detalhada e minuciosa da queda registrada em Gênesis capítulo 3, versículos 1 ao 5.  Existem vários insights pelos quais podemos perceber e, de certo modo, aplicar em nossa vida, pois temos dentro desse texto toda a dinâmica pelo qual o diabo trabalha e, sem dúvida nenhuma, as suas estratégias nunca mudaram. Muito pelo contrário, se aperfeiçoaram durante todos esses anos.  Podemos perceber em passagens como Efésios capítulo 6, versículos 10 ao 18, onde Paulo faz uma abordagem acerca da batalha espiritual, que há uma evidência de um desenvolvimento progressivo das táticas do inimigo. De certo modo, todo o princípio parte do modus operandi como ele agiu durante a queda. Portanto, temos coisas preciosas para aprender e, de certo modo, também desenvolver o nosso discernimento espiritual.  A primeira e grande lição que aprendemos sobre as atividades e uma anatomia sobre a primeira tentação e a consequente queda, e toda a atividade diabólica que envolve todo o drama até então escrito e apresentado por Moisés no livro de Gênesis, temos, então, como a lição primeira: a estratégia do inimigo, agir nas sombras e usar intermediários. 

Ele trabalha quase sempre escondido ou por trás de mascaras, usa agentes externos ou usa um disfarce (anjo de luz)

Essa é a tática do disfarce. Em Gênesis 3, o nome Satanás não aparece explicitamente; ele não se apresenta como a figura de um dragão (Apocalipse 12:9)  o que surge é a serpente. O diabo opera por trás das cortinas, usando marionetes para realizar seus planos e depois descartando-as tragicamente. Então, podemos perceber dentro dessa tática que, na maioria das vezes, e principalmente em nossos dias, o diabo ainda continua agindo de forma oculta, usando agentes e intermediários para alcançar os seus objetivos.  Quando lemos, por exemplo, passagens como 1 Timóteo 4:1, onde Paulo fala acerca dos últimos dias, aonde surgirão, de modo muito enfático, ele nos diz que nos últimos tempos sobrevirão tempos muito difíceis, e então podemos perceber que a tática do inimigo continua sendo astuta, periférica e disfarçada, ele usa falsos profetas e falsos mestres, usa as cordas vocais e a mente de homens para disseminar doutrinas antibiblicas e anti cristãs. No Jardim, o diabo revelou duas coisas, ele adulterou as palavras do Senhor, para construir idéias anti-Deus, Anti-Biblia e Anti-ortodoxia. “certamente não morrereis” e “sereis semelhantes a Deus”

"Porém o Espírito diz expressamente que nos últimos tempos decairão alguns da fé, dando-se a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios.”

​Devemos reiterar algo importante: quando o homem caiu, o seu espírito pode apresentar grandes atividades, assim como a alma e o corpo. Para que os não regenerados possam ter um espírito tão poderoso que, apesar de sua escuridão, ainda domina todo o ser, dizem então que são espirituais, porque neles o espírito prevalece e governa. Em outros, são os elementos psíquicos e sensuais que assumem o controle. O espírito aliado ao intelecto e vontade procurará entrar em relação com o além. Sem a ajuda do Espírito Santo, eles tornar-se-ão médiuns e poderão praticar as artes ocultas e envolver-se com o ocultismo e espiritualismo. Eles receberão dons de segunda visão, como clarividência, e outras experiências paranormais que o príncipe das trevas pode conceder. Pois, enquanto o espírito humano não for regenerado e habitado pelo Espírito Santo, há uma correspondência, um paralelo, entre ele e os espíritos satânicos, sendo dominado e influenciado pelo príncipe das potestades do ar — o espírito que opera nos filhos da desobediência, como lemos claramente em Efésios 2:1-3.

Então vemos, de forma muito clara, que os demônios, eles agirão através de agentes e através de intermediários, usando as cordas vocais e a mente das pessoas para transmitir suas doutrinas heréticas e demoníacas.  O mal não é uma psicopatologia que se manifesta em ações com conseqüências devastadoras no mundo, trata-se, muitas vezes, de uma orquestração e controle oculto, o mundo espiritual caído infestado de seres demoníacos controlando e influenciando homens sob a maldição do pecado (Mateus 8:28 a 34)

 A Realidade do Mundo Espiritual e a Ocultação das Forças das Trevas


Podemos citar passagens clássicas, como Apocalipse 12:9 e 1 João 5:19. A primeira afirma que o diabo engana todo o mundo, e a segunda diz que o mundo jaz no maligno. 
​No entanto, note que, de certo modo, ninguém consegue vê-lo, mas podemos perceber as consequencias. Podemos ver as suas ações e os resultados, mas ele trabalha de modo completamente oculto. Essa ocultação das atividades e do próprio ser — sejam seres demoníacos ou o próprio diabo — dá-se porque eles vivem em outro nível de existência, de modo que os incrédulos, os materialistas e os reducionistas e a própria ciência negam a realidade desse mundo espiritual.  Isso lhes dá grandes vantagens, pois podem atuar livremente.  Apesar disso, é incontestável que, olhando para o mundo, para as coisas à nossa volta, para todas as tragédias, coisas assombradas, paranormais e mistérios envolvendo o ocultismo, notamos claramente — inclusive pelo comportamento do homem — que essa atividade demoníaca é um fato. Contudo, eles agem por intermédio de intermediários: escondem-se por trás de uma cortina, usam a mente humana e conseguem causar uma devastação enorme, provocando muita destruição moral, espiritual e até física sobre o mundo.

 
​Isso pode ser notado de forma muito clara como a ação, a influência e o domínio de demônios e do próprio Satanás. Essa atuação pode ser observada nitidamente em passagens que falam sobre um dos endemoninhados  gadaneno — por exemplo, em Mateus 8, onde é descrito que uma legião de demônios controlava um único homem.  Por aí podemos perceber que os espíritos demoníacos não estão limitados a este mundo físico. Sabemos que aproximadamente uma legião completa conseguia ficar infiltrada em um único corpo. O modo como eles agem é completamente diferente em analogia à geografia e ao espaço: uma pessoa só pode ocupar um espaço só, mas notamos que mil ou seis mil espíritos podem ocupar um espaço só. Desse modo, o mundo espiritual é absolutamente diferente do mundo físico. 



Outra grande lição pela qual precisamos aprender.


Veja: a palavra, uma das palavras centrais em toda essa orquestração de engano “astucia"  e a ordem  de simulação em que o diabo faz uso para ludibriar Eva, note que ele vai fazer uma escolha. A primeira escolha é o instrumento pelo qual ele vai alcançar o seu desígnio. Ele vai escolher — Sua escolha é a alimária do campo, ele vai escolher um instrumento astuto. 
​Portanto, aqui  vemos que, após escolher o seu instrumento para disseminar o seu engano, ele também vai usar o alvo, o alvo mais fraco, mais frágil. Dentro desse contexto, podemos notar que a ordem para não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal foi dada a Adão. E podemos entender, pela própria narrativa do texto, que Adão então passou a ordem para Eva. 
​De modo que nós vimos que Satanás não escolheu Adão, escolheu Eva. Ou seja, escolheu aquela parte em que recebeu a ordem já de segunda mão. Ela precisava crer que Adão recebeu as Palavras de Deus, Adão foi o comunicador divino, a serpente o comunicador satânico. Eva acreditou na Serpente e não acreditou em Adão, quando você não crê nas Escrituras como a Palavra de Deus, você crê no diabo que afirma que ela não é a Palavra de Deus. Isso tem sido um principio espiritual desde o Genesis 3, as informações lá são atuais, e cada incrédulo que se opõe as Escrituras como divinamente inspiradas provam que Genesis é um livro inspirado que desmascara a própria incredulidade dos que negam ela como divinamente inspirada.

Então, vimos que toda a orquestração e toda a dinâmica do engano se processa em escolhas criteriosas. Primeiro, ele vai escolher a alimária do campo como sendo um dos animais mais astutos e, posteriormente, ele também vai se aproveitar de um momento em que Eva está só, pois na descrição podemos entender perfeitamente que Adão estava ausente no momento da tentação. Vimos aqui uma astucia calculada, para atacar no momento certo e na ocasião que seja a melhor possível para obter o melhor resultado possível!  Medite, olhe e veja toda a astúcia de Satanás para processar todo um ambiente e oportunidade necessária para lançar os seus ataques. E isso não é diferente hoje. Ele ainda continua usando das mesmas táticas e o tem feito com grande eficácia em muitos setores do mundo, da sociedade e das religiões. Note que no Novo Testamento, Paulo descreve essa eficácia de Satanás (Veja II Tessalonicenses 2:9), de modo que essa característica distinta de escolhas criteriosas e momentos oportunos para ataque ainda continua sendo uma atividade de Satanás e dos demônios. Assim, notavelmente podemos entender que houve uma tática do disfarce, a seleção do instrumento e a maneira como atuou, de modo oculto, através de um processo de ocultação. “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão bramando  buscando a quem possa tragar” (I Pedro 5:8).  Satanás, ele simplesmente manipulou toda a circunstância para simplesmente impor em Eva a idéia de que não era um ser maligno e que todas as suas palavras não eram malignas. Toda a tentativa do diabo era apresentar uma coisa que fosse, de certo modo, agradável e que não trouxesse nenhum tipo de ameaça, de maneira que ela não percebeu realmente que havia qualquer tipo de ameaça ali, naquele modo como o diabo estava induzindo ela a desobedecer a Deus. Eis aqui a grande questão do modus operandi de Satanás: ele faz com que a pessoa pratique aquilo que vai contra a vontade de Deus, ele faz com que a pessoa seja iludida a ponto de desobedecer a Deus e achar que aquilo ali não é algo que terá qualquer consequência séria. De modo que foi através desse processo que o diabo induziu Eva a cometer o pecado da desobediência. Prossigamos na nossa análise para que nós possamos ainda aprender muito mais acerca destas táticas em que o diabo processou toda a situação para que pudesse trazer um ataque do qual induzisse  Eva  a desobedecer e assim pudesse de maneira eficaz alcançar seus objetivos mais malignos. 

 Ele, claro, está a usar o ponto fraco e a linguagem. Primeiramente, vemos que o diabo teve um ataque direcionado. O tentador não ataca de forma genérica; ele identifica e explora a fraqueza específica de cada pessoa.  Mas, o mais interessante, ele faz o uso e explora a linguagem. A serpente utilizou a fala para seduzir Eva. As palavras não são neutras; elas constroem  idéias e desejos na mente,na cultura e injeta conseqüências no futuro. Idéias têm conseqüências e, mais do que isso, idéias erradas e heresias têm conseqüências devastadoras. Genesis 3 mostra com muita eficiência esse fato, e a historia da civilização está cheio de exemplos como as idéias ruins e malignas podem trazer conseqüências devastadoras sobre uma pessoa e sobre toda a sociedade.  Portanto, Satanás usou a comunicação. Durante todo o período do Antigo e do Novo Testamento, há uma série de advertências a respeito dos falsos profetas, e o diabo, ao longo de toda a história humana, tem usado a linguagem e a comunicação para negar, para destruir, para induzir pessoas ao erro, para inculcar na mente das pessoas a distorção da realidade, da verdade e dos fatos relacionados a ela. Além disso, podemos ainda entender que Satanás, ali, naquela circunstância, mudou o vocabulário, ele inverteu o sentido das palavras. A palavra "não" foi colocada não apenas para negar a autoridade da palavra de Deus, para negar a conseqüência de não acreditar na palavra de Deus.  O diabo vem fazendo essas coisas desde o princípio, então ele trabalha com a comunicação, trabalha na distorção do vocabulário. Não é de admirar que ele seja completamente oposto, oposto a verdades absolutas. 

E hoje, como nós estamos a ver, essa mudança de vocabulário e quando há inversão de verdades e o relativismo, para abolir de forma insidiosa e descarada verdades e fatos, e infelizmente de forma muito eficaz, tenta destruir os absolutos e os valores judaico-cristãos. Por trás dessas tendências de mudança de vocabulário, está o próprio diabo associado numa cumplicidade com homens ímpios para atacar o que Deus disse e negar as conseqüências disse. Não negam os modernistas e os ímpios que não há segunda morte? (ímpios impenitentes jogados no lago de fogo) O mesmo diabo que ontem negou a primeira morte e seduziu Eva a crer nessa mentira, hoje convence os ímpios de que não haverá inferno, assim como o diabo convenceu Eva a desobediência pois isso não traria conseqüências trágicas, hoje ele ainda convence o pobre ímpio que sofre de cegueira espiritual “Certamente não irás para o inferno” ou “O inferno não existe”. A biblia continua como um livro muito atual, e a negação da segunda morte pelos ímpios é uma prova irrefutável de que o diabo que negou a primeira morte ainda atua sob o mesmo discurso hipnotizante e enganador de que não haverá a segunda morte. O amado leitor já se arrependeu de seus pecados e creu em Cristo como Salvador? Outro fato importantíssimo do qual deve ser levado em conta é o alvo central do tentador foi a palavra de Deus.


​A pergunta de Satanás foi uma pergunta muito subtil: "Foi assim que Deus disse?". O diabo raramente começa mandando o homem negar a Deus abertamente. Ele semeou a dúvida, a dúvida quanto à autoridade da palavra de Deus. Assim, notamos como a sua astúcia, a sua artimanha e a sua tática, simplesmente, foi um ataque primeiramente contra a palavra de Deus e contra a autoridade da palavra de Deus. Esse tem sido o seu objetivo, de modo que até hoje ainda é assim. Repito, não é a bíblia um livro atual? ímpios, apostatas e modernistas não estão repetindo o discurso do diabo no Eden? Todos estão no mesmo nível espiritual, negam ser verdade o que Deus disse, o primeiro “hagiógrafo” foi Adão, quando as primeiras palavras da composição estavam sendo organizadas para formar um Canon sagrado, satanás já estava se organizando para negar e induzir Eva a negar as primeiras palavras de ordem dada aos primeiros seres humanos. Hoje o tentador repete a astucia, ele tenta destruir a autoridade da palavra de Deus, fazendo com que os incrédulos não acreditem e não aceitem que a palavra de Deus seja realmente uma autoridade para definir aquilo que é certo e aquilo que é errado. 

O grande objetivo de Satanás é tentar impedir que as pessoas ouçam, compreendam e obedeçam corretamente à palavra de Deus. Toda a sua luta será em distanciar as pessoas da verdade, ou então, tentar com que as pessoas que se aproximem da verdade distorçam a palavra de Deus para não compreenderem, de fato, como a Bíblia ensina aquilo que é certo. 
​Toda a sua luta é uma luta contra a sã doutrina. Ele vai lutar sempre contra a ortodoxia. Estará sempre do lado daquele que não defende uma teologia sólida. Ele estará sempre lutando contra a palavra de Deus. Usará pregadores que irão distorcer o livro sagrado e estará sempre ajudando e apoiando aqueles líderes que não estão comprometidos com a palavra de Deus. 
​Estará sempre atacando; quando não ataca indiretamente, ataca abertamente, de modo que tudo o que ele quer é fazer com que as sagradas letras sejam menosprezadas. Portanto, um dos seus principais ataques simplesmente foi contra a autoridade da palavra de Deus. O primeiro ser a negar a verdade das Escrituras foi o próprio diabo, e assim procedem todos os seus filhos.

 

A Adição como meio de produzir confusão


A adição e a dúvida, como lemos no versículo 2 e 3 de Gênesis 3, fizeram com que Eva cometesse dois erros fatais ao responder e dar ouvidos à serpente: 

Adicionou à ordem de Deus, falando "nem nele toqueis", Deus apenas ordenou para não comer.  Enfraqueceu a conseqüência, pois ela disse "para que não morrais", uma possibilidade, quando Deus declarou "certamente morrerás", no que podemos entender como uma certeza, 
​a inversão de sentidos das palavras e as manobras para minimizar significados é evidente, a inversão do inimigo: ao perceber a hesitação de Eva, Satanás atacou com uma mentira frontal: "Certamente não morrerás". Assim, Satanás, como disse o próprio Jesus em João 8:44, é o pai da mentira, porque peca desde o princípio. Quando ele simplesmente disse "certamente não morrerás", ele negou aquilo que Deus tinha dito no capítulo 2:17  do livro de Gênesis. Pior, uma mentira dupla, não haverá morte e haverá transcendência, de criatura subordinada Eva se tornaria numa divindade. A ilusão de uma falsa visão, então, foi produzida por essa indução de Satanás ao erro: "Vocês serão como Deus, conhecedores do bem e do mal". Assim, Eva foi induzida a uma falsa transcendência, a uma ilusão, a uma autossuficiência. Satanás colocou dentro do coração de Eva um desejo de orgulho, para assim transcender, para se tornar igual a Deus. Quando fala sobre ser igual a Deus, acima de tudo, imortal, alcançará a imortalidade. 
​Todavia, isso é o... trata-se o abismo da negação. Ao invés de Eva acreditar nas palavras de Deus, ela acreditou nas palavras do diabo. Uma grande tragédia.

O Paralelo Bíblico: Gênesis  3 e 1 João 2:15 e 16


​Existe um paralelo direto entre a tentação de Eva e as categorias de tentação citadas no Novo Testamento, demonstrando a harmonia da Bíblia sobre este assunto: Comparação principal: A análise cruza Génesis 3:1-6 com a 1ª Epístola Universal de João (2:15-16).  Harmonia escriturística: Prova-se que a Escritura é coerente e unificada quando aborda os mecanismos do pecado e da tentação. 


​1. Agradável ao Paladar (O Desejo da Carne)

Na tentação original, Satanás induziu Eva a ver o fruto proibido como algo agradável ao paladar. 
​Isto reflete o desejo da carne: a busca pela satisfação de desejos egoístas, passageiros e materiais. 


​2. Agradável aos Olhos (O Acesso Interior)


​Verificamos seguidamente que o fruto era agradável aos olhos. 
​Os olhos da mente funcionam como a porta de acesso pela qual a tentação exterior é introduzida para o interior do homem.  Trata-se da estética e da vaidade, onde aquilo que era proibido se torna altamente desejável após a desconstrução da ordem divina. 


​3. A Soberba da vida (Construindo um campo de vaidades)

A sugestão diabolica é a semente do orgulho, da auto-suficencia e do egoísmo, se uma criatura pode se tornar divina, não deve mais obediência, mas outras criaturas deverão obedece-la, é uma mudança de patamar, se colocar no lugar de Deus é posicionar-se contra, é a primeira tentativa diabólica de fazer emergir das criaturas um “anti” assim como no desfecho final será apresentado seu protótipo final de um antiDeus, o anticristo, o projeto satânico começou no jardim e culminará nos últimos tempos.

 

A Queda e a Distorção da Verdade


​O adversário conseguiu demolir a ordem dada pelo Senhor, levando Eva a acreditar numa mentira.  A falácia consistiu em fazê-la crer que a desobediência e o consumo do fruto proibido trariam benefícios em vez de malefícios em relação ao conhecimento do bem e do mal.

​O Paralelo Bíblico e a Ilusão do Ocultismo


​A Estratégia de Satanás no Éden:  Analisando Gênesis 3:1-6 e 1 João 2:15-16, compreendemos que Satanás se utilizou da soberba da vida.  A árvore do conhecimento foi desejada para dar entendimento, incutindo em Eva uma ambição espiritual, intelectual e a autossuficiência. 
​A serpente induziu Eva a pensar que comer do fruto proibido lhe traria autossuficiência e o desejo de “serdes como Deus. 

O Desejo Humano pelo Sobrenatural:  Essa busca não é isolada; quando olhamos para a história do ocultismo e do espiritismo, notamos que muitas pessoas se envolvem com esse tipo de atividade movidas pelo desejo de conhecimento e de adquirir poderes sobrenaturais. 
​Trata-se do anseio de ultrapassar os limites impostos por Deus em busca de transcendência e experiências místicas profundas de transformação, satisfazendo o desejo de ser como Deus. 
​Esse desejo de conhecer o sobrenatural é inerente ao coração humano, e Satanás explora essa inclinação para enganar e induzir ao erro.

 O Engano do encoberta mento (O Anjo de Luz): 

Conforme aponta o apóstolo Paulo, Satanás transfigura-se em anjo de luz, conseguindo enganar até mesmo aqueles que buscam contato com entidades angélicas. 
​Sem discernimento e sem o teste dos espíritos, muitas pessoas acabam sendo iludidas, achando que estão em contato com seres angélicos de luz, quando na verdade podem estar lidando com o senhor das trevas.  Esse tem sido o método de atuação de Satanás desde o princípio: o encobertamento, fazendo uso de disfarces e agindo por trás de outros agentes para que sua verdadeira natureza e intenção permaneçam imperceptíveis às suas vítimas. 


Há um paralelo interessante também entre a tentação de Eva e a tentação de Cristo, descrito lá em Mateus capítulo 4, versículo 1 até o versículo 8, e Lucas capítulo 4, versículo 1 até o versículo 10, de modo que é interessante que, enquanto Eva cedeu ao pecado, Jesus venceu a tentação. 
​Mas, todavia, para concluir, desejo reiterar aqui que, das consequências devastadoras do pecado, também a Bíblia manifesta a solução divina. Havia um... houve um efeito contagioso do pecado. O pecado não ficou restrito apenas a Adão e Eva; alcançou cada um de nós, alcançou toda a humanidade. De modo que Paulo diz que todos pecaram e destituídos estão da graça de Deus.  Agora, veja bem, nós também vemos, dentro do próprio contexto de Gênesis 3, a ineficácia do esforço humano. As folhas de figueira foram a tentativa de cobrir o próprio, a própria culpa por mérito próprio, mas isso não funcionou. Deus teve que matar um animal, tomar a sua pele e cobrir Adão e Eva, de modo que aqui, de modo implícito, já aponta para a morte vicária de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.  Mas, apesar de toda essa consequência devastadora e a rebelião do homem contra Deus, a graça divina foi revelada. Então, dentro do próprio texto da queda, em Gênesis 3, versículo 15, nós já temos a apresentação do proto-evangelho, de maneira que Deus vai efetuar todo o processo da redenção para resgatar o homem caído, para que aquele homem que nasce em Adão possa ser colocado em Cristo. Como diz o próprio apóstolo Paulo: "Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas se passaram e tudo se fez novo” (II Corintios 5:17).  Dessa graça revelada, podemos ver que Deus providenciou desde cedo as vestes de pele que apontavam para o sacrifício de Cristo. E o sangue de Jesus Cristo nos purifica de toda vergonha e de toda culpa. Que nós possamos olhar atentamente para as lições da tentação, ter consciência da nossa luta, da nossa batalha espiritual, e encontrar em Deus o refúgio e obedecermos a Ele, pois a Sua palavra é a verdade, como disse o próprio Jesus Cristo em João capítulo 17, versículo 17: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”. Ao invés de ouvirmos a voz de Satanás, que tenta induzir o homem a acreditar que a Bíblia não é a palavra de Deus, estejamos atentos, lendo a palavra de Deus, estudando-a e tendo-a como a nossa autoridade final em questões de fé e de prática, pois foi exatamente isso que o diabo colocou na mente de Eva: "Não, a Bíblia, a palavra de Deus, e tão somente a palavra de Deus, não é a autoridade, existe uma autoridade além dela.  E o próprio diabo se apresentou como uma autoridade à frente das ordens e da palavra de Deus, ou seja, o primeiro inimigo do Sola Scriptura foi o próprio diabo no Jardim do Éden.  Satanás simplesmente sugestionou que o que Deus disse não era suficiente, não era um decreto absoluto, o tentador negou a autoridade das Palavras do Criador, ele se colocou como um agente alternativo com uma autoridade adicional, e Eva caiu nessa armadilha fatal. No final das contas, nessa abordagem simples que apresentei acerca de Genesis 3 revela insights tão atuais como se tudo a nossa volta, em um mundo incrédulo, existisse uma repetição de falácias milenares, projetadas desde a queda, como se fosse um conjunto de “arquétipos psicológicos comportamentais” presentes no submundo do inconsciente do homem adâmico.  Um jogo dinâmico de engano que se perpetua por séculos, e a maioria nem sequer dão conta disso. Mas longe dos holofotes da filosofia secular, do cientificismo reducionista do presente século, as Escrituras, Antigo e Novo Testamento, apresentam conceitos chaves que revelam de fato o que ocorre no mundo desde a queda, e para onde tudo isso irá nos levar, ao grande Trono Branco, será aberto um livro, o da vida, a pergunta que deve ecoar do fundo do seu coração é: seu nome está registrado lá?

“E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Apocalipse 20:15) Voce não crê nessa advertência? sinto muito, aquele que enganou Eva com um “certamente não morrerás” está te enganando também...

As Bases Evidenciais do Homem Espiritual

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As Bases Evidenciais do Homem Espiritual

 

C. J. Jacinto

 

 

 Em Hebreus 4:12, encontra-se a seguinte afirmação: "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração." Esta passagem evidencia que a palavra de Deus, por meio do Espírito Santo, oferece-nos o discernimento espiritual necessário para distinguir a alma do espírito.

 É lógico que nós vamos entrar dentro de uma questão que para alguns é considerada como polêmica, pois nós temos muitos teólogos que defendem a dicotomia e outros que defendem a tricotomia. Todavia deve-se notar que em ambas as partes há verdades que precisam ser aceitas. Se nós olharmos para o homem de um modo geral e sabemos que a palavra de Deus, de uma forma mais geral, ela explica ou ela afirma e ensina que o homem tem uma parte física e uma parte espiritual. De certa forma, todo aquele que defende a tricotomia aceita isso como fato, de modo que aquele que não aceita a tricotomia também que o homem é constituído de duas partes, até porque nas sagradas escrituras nós vamos encontrar muitas vezes a passagem alma e espírito como se elas fossem sinônimos e de certa forma pode até ser correto, pois de uma forma geral a Bíblia também ensina isso. Então, nos detalhes devemos levar em conta que aqui nesse versículo desse capítulo do Livro de Hebreus está muito claro que há uma diferença básica entre os dois, entre alma e entre espírito.
É imprescindível analisar com atenção o texto de Hebreus, capítulo 4, versículo 12. Neste trecho, observa-se uma distinção entre os pensamentos e as intenções do coração, bem como entre as juntas e as medulas ósseas, embora ambas sejam partes integrantes do corpo. As articulações e o tutano, por exemplo, não são idênticos Um pensamento é diferente de uma intenção. O livro de Hebreus estabelece essa diferenciação, separando pensamentos de intenções. A capacidade de raciocinar e a capacidade de conceber pela imaginação são distintas. Diante disso, como podemos afirmar que alma e espírito são sinônimos? Tal afirmação contrariaria o próprio principio de interpretar o  texto, impondo a possibilidade de que o Espírito Santo fez uma redundância, alías, entender que as articulações não a medula, não são a mesma coisa, ainda que ambas sejam parte de um corpo, e que pensamentos e intenções não são a mesma coisa mas procedem de uma mesma consciência e depois argumentar que alma e espírito é a mesma coisa estará incorrendo em contradição. Se podemos discernir claramente entre intenções e pensamentos, e entre juntas e medulas, a mesma distinção deve ser observada entre alma e espírito. Caso contrário, o texto perderia sua coerência.
Com base nos ensinamentos de Paulo em Romanos 5:12, Romanos 8:6 e, especialmente, em Efésios 2:1-5, compreendemos que o homem se encontra em estado de morte espiritual, ou seja, seu espírito está inativo. É importante ressaltar, contudo, que essa condição não se estende à sua psique. O mundo psicológico, seus pensamentos e consciência permanecem ativos. O que se encontra inerte é o espírito humano. Assim, podemos facilmente distinguir que o mundo psicológico do homem decaído, o homem adâmico, está vivo, enquanto seu espírito está morto. A alma, por sua vez, está intrinsecamente ligada à psique. Porém, no homem adâmico, o espírito está morto. Crer que o homem está espiritualmente morto e a psique (alma) está viva e depois defender a dicotomia absoluta é uma contradição.

 Apesar da condição de morte espiritual, o homem, em sua dimensão psicológica, não busca a Deus. Contudo, a história e as Escrituras, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, atestam que o homem, utilizando sua capacidade psicológica, procura uma divindade, busca um Criador.


É possível que o leitor questione a respeito da passagem paulina que declara a ausência de quem busque a Deus. De fato, essa afirmação existe, mas sua compreensão exige uma análise contextualizada. Paulo se refere, especificamente, ao Deus verdadeiro. A humanidade, em grande parte, encontra-se afastada d'Ele. Após a queda, o homem adâmico perdeu a comunhão com Deus e, consequentemente, buscou, fabricou e inventou falsas divindades. Contudo, em sua consciência e em sua estrutura psicológica, permanece a noção inata da existência de um Criador, como atesta Paulo em Romanos 1.


Considerando a hipótese de que a psique, ou alma, do homem adâmico não se encontra integrada ao seu espírito, devido à condição de inatividade espiritual deste último, enquanto a alma permanece ativa. A regeneração, resultante do novo nascimento, promove o despertar espiritual e a revitalização do espírito. Consequentemente, a psique será a reintegrada ao espírito vivificado, transformando o indivíduo de homem natural em homem espiritual. A epístola aos Romanos, capítulo 8, versículo 16, corrobora essa compreensão ao afirmar que o próprio Espírito Santo testemunha, juntamente com o nosso espírito, que somos filhos de Deus. Em 2 Coríntios, capítulo 5, versículo 17, declara-se que, em Cristo, o indivíduo se torna uma nova criatura, com o passado superado e todas as coisas renovadas. Portanto, a integração da alma com o espírito se concretiza na regeneração, um conceito que merece clara compreensão, pois o conjunto da discussão conduz a essa conclusão, pois não há o testemunho do Espirito Santo acerca da regeneração no homem caido.


Diversos trechos das Escrituras oferecem uma compreensão mais profunda sobre a questão central da condição espiritual do ser humano: o espírito, corrompido pelo pecado, encontra-se morto e necessita ser vivificado por meio da fé e da experiência da regeneração, ou novo nascimento. Em Efésios, capítulo 2, versículo 1, lemos: "E vos vivificou, estando vós mortos em vossos delitos e pecados". No mesmo livro, capítulo 2, versículo 5, afirma: "E, estando nós mortos em nossos pecados, nos vivificou juntamente com Cristo". Em Colossenses, capítulo 2, versículo 13, encontramos: "E a vós, quando estáveis mortos nos vossos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas". Em 1 Coríntios, capítulo 15, versículo 22, lemos: "Porque, assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados".

É fundamental reconhecer a dimensão psicológica do ser humano, ela nunca esteve morta. O indivíduo, em sua condição natural, possui consciência, aspecto intrínseco à sua natureza. Essa consciência, associada à alma, opera como uma “entidade” distinta do espírito, que, em seu estado caído, encontra-se inativo. A restauração dessa dimensão espiritual ocorre somente através da regeneração, momento em que o indivíduo nasce para uma nova vida espiritual. As funções religiosas de um individuo morto em seus pecados esta ativa, pode sentir uma falsa presença de Deus, pode despertar fenômenos psíquicos, pode ter experiências místicas, pode provocar efeitos paranormais e assim como as cordas vocais, a mente pode ser usada por espíritos imundos. No homem regenerado é o Espírito Santo que toma controle da alma psíquica, no homem adâmico são espíritos caídos que controlam ele (Leia novamente Efésios 2:1 e 2)


A bíblia freqüentemente nunca associa "demônios" ou "espíritos impuros" como alma, um espírito imundo nunca é chamado de alma, a alma parece ser inerente ao ser humano. A alma, neste contexto, é entendida como um poder facultativo associado com a psique, relacionada ao aspecto intelectual, mental e emocional do indivíduo, de onde emana a capacidade psíquica, especialmente no homem não regenerado.

 Em 1 João 5:6, lemos que o Espírito Santo é o testemunho da verdade. João se refere ao Espírito Santo, cuja atuação no espírito humano vivificado proporciona discernimento espiritual. Essa luz espiritual guia a psique, capacitando-a e iluminando-a a distinguir entre o certo e o errado.

 A psique, mesmo no estado de queda, interage com o físico e o espiritual. Contudo, sem a presença do Espírito Santo, o homem natural não possui discernimento sobre as questões espirituais. Conseqüentemente, ele dificilmente consegue identificar espíritos enganadores, que podem se disfarçar, inclusive, como "anjos de luz". A psique do homem natural, devido à queda, encontra-se deformada e incapaz de compreender ou discernir espiritualmente. Assim podemos perceber que no homem caído, o corpo físico e a sua psique/alma não estão mortas, tudo está avariado no homem adâmico, o corpo, a alma e o espírito. A redenção começa pelo espírito e termina com o corpo glorificado e restaura o completamente homem.

Somente aquele que teve seu espírito vivificado e é habitado pelo Espírito Santo possui a capacidade de discernir a verdade da falsidade, a natureza das coisas espirituais. Essa capacidade é claramente ilustrada em 1 João, capítulo 4, versículos 1 e 6. O homem espiritual, possuindo o Espírito Santo, pode discernir entre o espírito da verdade e o espírito do erro. O homem natural, por outro lado, embora sua psique funcione, percebe as coisas de maneira distorcida, pois seu espírito está morto e o Espírito Santo ausente.

 Desejo ainda ressaltar que a experiência da regeneração e do novo nascimento é inacessível ao homem em seu estado pecaminoso, a menos que haja a atuação e a iluminação do Espírito Santo. Esta ação divina alcança o âmago do ser, o espírito do homem. A regeneração, o novo nascimento, revitaliza o espírito outrora morto em decorrência da queda, permitindo-lhe a vida. Tal fato se evidencia, de forma clara, em João, capítulo 16, versículos 8 a 13. É o Espírito Santo quem promove essa revelação e a percepção dessa necessidade. É o Espírito Santo quem revela e ilumina o coração do homem pecador acerca das verdades espirituais contidas no Evangelho. A regeneração e a conversão a Cristo somente são possíveis através da iluminação e da ação soberana do Espírito Santo.

 As palavras de Paulo em Romanos, capítulo 8, versículo 1, são dignas de nota: "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito." Observa-se aqui a importância de seguir a orientação do Espírito Santo de Deus. No versículo 4 do mesmo capítulo, Paulo declara: "Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito."

 Em Romanos, capítulo 8, versículo 10, Paulo reafirma: "E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça". Ao mencionar o corpo morto, Paulo alude à condição de mortalidade e sujeição ao pecado ao espírito que vive, o resultado da regeneração. Em 1 Coríntios, capítulo 15, Paulo aborda essa mesma questão, distinguindo entre o corpo natural e o corpo espiritual. Contudo, em Romanos 8, a vida do Espírito é restrita à experiência completa do homem regenerado. Somente no homem regenerado o Espírito habita e opera em continuidade funcional.

 Em seguida, alcançamos outra passagem na qual Paulo distingue alma e espírito. Inicialmente, em sua primeira carta aos Tessalonicenses, capítulo 5, versículo 23, ele escreveu: "O próprio Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo."

 Ao ler a passagem referida, recordo-me de outra passagem proferida por Cristo nos Evangelhos, especificamente em Marcos, capítulo 12, versículo 30, onde Ele declara: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento." Observa-se, então, uma diferença sutil, mas importante, que exige do homem uma percepção clara e sólida sobre as questões espirituais mais profundas. Compreendemos que entendimento, coração e alma são elementos distintos, refletindo a integridade do homem em sua natureza renovada, evidenciando sua solidez.


O coração simboliza o vigor da vida, a força vital que se manifesta no corpo biológico, conferindo-lhe sua expressão singular. Amar o Senhor de todo o coração, portanto, é amar honrando-o com o corpo, com as ações e com a própria vida. Essa força vital, que reside em nós, expressa o amor que dedicamos Àquele que ofertou a vida.

 Mas existe algo mais profundo, a alma. Amarás o Senhor com todo o teu coração e com toda a tua alma. A alma, aqui, refere-se à psique, o centro das emoções e sentimentos. A psique, com suas funções restauradas, são essenciais para uma vida de santidade.

 A predisposição psicológica inerente ao ser humano, em sua condição natural, freqüentemente o inclina a ações consideradas moralmente inadequadas e a buscar experiências espirituais de maneira distorcida, devido à ausência de discernimento. Essa tendência, associada ao desenvolvimento do egoísmo e egocentrismo, contrasta com a transformação experimentada pelo indivíduo renovado e regenerado pela influência do Espírito Santo. Neste estado, o foco se desloca para Cristo, e a força psicológica é direcionada ao serviço do Reino de Deus, ao amor pelo Evangelho e ao amor a Deus.

 Finalmente, consideramos o entendimento, a faculdade espiritual interior que recebe o testemunho do Espírito Santo. Essa faculdade da mente espiritual é restaurada pelo novo nascimento. É por meio desse contato entre o Espírito Santo e nosso espírito que compreendemos as coisas espirituais. Por conseguinte, a leitura das Escrituras, para o homem espiritual, distingue-se daquela do homem carnal, pois o primeiro compreende as coisas do Espírito. A revelação do Espírito Santo lhe concede aprofundamento do entendimento, permitindo que ele receba luz, discernimento e compreensão sobre todas as coisas espirituais. Somente assim é possível experimentar e vivenciar a ordem divina em sua plenitude. Conforme Jesus declara em João, capítulo 4, versículo 24: "Deus é Espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade".

Com efeito, é fundamental compreender, de maneira concisa e precisa, que Hebreus, capítulo 4, versículo 12, apresenta essa distinção da alma e do espirito. Trata-se de uma diferenciação que, em muitos casos, se mostra complexa de apreender e até mesmo de discernir, em razão das consequências da queda, que obscureceram as realidades espirituais devido à nossa condição limitada. Por conseguinte, torna-se necessário considerar o que está escrito no livro de Hebreus. Ali, a distinção é manifesta, pois, assim como há diferença entre o movimento e a fala em um corpo, e entre o pensamento e a intenção (pensar e intentar são distintas), também devemos entender, pelo próprio texto de Hebreus 4:12, que a distinção ali se torna evidente.

Portanto, seguindo o princípio de que, ao analisarmos o homem em termos gerais, a dicotomia pode ser, de fato, uma realidade, e de fato o é, pois compreendemos, de maneira geral, que existe uma parte espiritual e uma parte biológica no ser humano. Todavia, deve-se entender que a Bíblia é clara ao ensinar e evidenciar uma distinção entre a alma e o espírito. O espírito não está frequentemente associado à psique, mas a alma esta integrada ao mundo psicológico, e muitas vezes se manifesta através de capacidades e manifestações psíquicas. Contudo, o espiritual é mais profundo, conecta a integração da presença e da comunhão divina com a psique do homem regenerado, é onde a verdade divina se integra a totalidade do ser transformado pelo novo nascimento, tendo sua origem unicamente na regeneração. Dessa forma, os homens verdadeiramente espirituais são homens regenerados. Todas as outras pessoas que almejam ser espirituais, manifestando poderes, revelações, experiências místicas ou de qualquer natureza paranormal ou sobrenatural, na verdade estão vivenciando experiências psíquicas, algo inerente à psique, algo proveniente da própria natureza caída do homem e a influencia de espíritos enganadores.


 

 

A historicidade da Queda Comprovada pelo Comportamento Humano

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A historicidade da Queda Comprovada pelo Comportamento Humano

 


C. J. Jacinto

 

Leitura: Genesis 3:1 a 14

O comportamento do homem adâmico é uma evidencia de que a queda de Adão foi um fato e não um mito.

Vejamos algumas dessas evidencias:

1 - Responsabilidade de culpa. É própria da natureza humana colocar a culpa nos outros. Dificilmente você conhece alguém que reconheça a própria culpa. Em todas as circunstâncias e em qualquer tempo, o homem nunca admite ter errado ou ser culpado, e responsabiliza os outros por todas as coisas ruins. O contrário não é a regra, mas a exceção.

2 - A negação da autoridade da Palavra de Deus. Não é incrível que o homem natural tenha uma aversão pelas Escrituras como autoridade e suficiência? A serpente atacou a autoridade do que Deus disse, induzindo Eva à dúvida. A antiga serpente saturou o coração de Eva acerca do que Deus disse ou não disse. A alta crítica e o modernismo têm feito isso; os incrédulos têm feito isso. Mas não é incrível que essa tenha sido a primeira atividade do diabo com respeito ao que Deus disse? E desde então, o livro de Gênesis e toda a Escritura sofrem ataques dessa natureza em todos os tempos, principalmente em nossos dias.

3 - A divinização do homem. A doutrina, a sugestão da serpente, a ideia sobrenatural imputada na consciência humana — "sereis como Deus" — e o homem nunca abandonou esse engano. Passaram-se os séculos, mas a ideia continuou. Abra a página da história: a doutrina do panteísmo, os monarcas antigos que se declaravam divinos, os deuses gregos e romanos que, segundo o teólogo primitivo Lactâncio, eram homens mortais que receberam honras e, para manter a memória deles, foram transformados em divindades. Olhe para o gnosticismo e a crença da centelha divina adormecida no interior do homem; o esoterismo e a crença no Eu Superior; o hinduísmo, a cientologia, o movimento Nova Era, o transumanismo e o salto quântico e evolutivo do homem para a transcendência à divindade. A crença falsa da antiga serpente está enraizada no coração do homem natural. Isso prova que um dia alguém semeou essa ideia no coração do homem e, em todos os tempos, desde a antiguidade até nossos dias, o homem nunca abandonou essa ideia, que foi o âmago da sedução do diabo.

4 - Assim também podemos provar que a existência do diabo é real pelo fato verificável de que o que engana todo mundo realmente enganou de forma explícita, como pode ser verificado na crença acima. A história do esoterismo, do espiritualismo, dos monarcas e religiões da antiguidade, e a crença de que o homem é uma emanação do divino ou pode tornar-se um deus têm sua origem num tentador, um agente pessoal que induziu o primeiro casal ao engano e ainda atua promovendo sua antiga mentira, que marcou as profundezas da psique humana.

5 - A sede pelo poder. A oferta da serpente foi "sereis como Deus", ou seja, poder! Olhe para a história do homem: desde os tempos mais primitivos até nossos dias, o que instiga o homem a roubar, matar e se envolver em toda sorte de conflitos, não é a fome pelo poder? As brigas, as revoluções, o instinto do homem em todo o tempo é marcado por uma fome insaciável por poder. Não é essa a história das grandes guerras? Políticos, clérigos, autoridades — a história não está profundamente marcada por grandes e pequenos conflitos pela conquista de poder e fama? Pois bem, foi exatamente isso que induziu Eva ao engano: a sedução pelo poder. A tentação de saciar essa fome voraz do homem por poder não é somente uma sugestão sedutora do diabo em Gênesis 3, mas uma continuidade do comportamento humano até nossos dias.

6 - Curiosidade pelo misterioso e desconhecido. Quando a antiga serpente sugeriu um conhecimento supranormal, avançado e sobrenatural, Eva foi seduzida por isso. E desde então, a história do ocultismo, do xamanismo, do espiritualismo e do esoterismo tem sido uma busca por um conhecimento das coisas ocultas e proibidas. Dessa inclinação começaram a surgir os necromantes, os feiticeiros, os magos, os invocadores de potências invisíveis, os satanistas, os espiritualistas, os esotéricos, os gnósticos. O conhecimento proibido cativa o homem — não somente o primitivo, mas também o moderno. Mesmo numa sociedade altamente secularizada como foi a URSS, a busca pelos poderes psíquicos e as pesquisas parapsicológicas exerceram grande atração e influência sobre os comunistas ateístas. Essa é uma atração enraizada no coração humano: os astrólogos e adivinhos querem conhecer o futuro; os esotéricos desejam entrar numa dimensão espiritual através do uso de psicodélicos; os projeciologistas desejam viajar por mundos espirituais desconhecidos; os psiconautas, mergulhar nos mares desconhecidos da psique humana. Essa é a nossa herança: o homem adâmico poluído pelas seduções da antiga serpente. E todas essas inclinações, que podem ser percebidas no contexto de Gênesis 3 e da Queda, estão presentes no homem moderno. Ateus e incrédulos podem zombar do livro de Gênesis; liberais e progressistas podem classificá-lo de mito, mas a própria natureza humana e suas inclinações aos pecados, em toda a história da humanidade antiga e moderna, correspondem às propostas tentadoras de Satanás — o que é uma prova, uma evidência clara de que a Queda foi um fato histórico que corresponde à natureza do homem e seus instintos ao erro.

7 - Assim, o sábio Salomão, investigando a vida e o comportamento dos homens, afirmou que não há nada de novo debaixo do sol. O que era antigamente, no livro de Gênesis, é o que se vê atualmente nas crenças e comportamentos dos homens de hoje.