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O PERENIALISMO OU A UNIVERSALIDADE DO ERRO - C. J. Jacinto

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O Perenialismo ou a Filosofai Perene defende a idéia de que há verdades centrais comuns a todas as grandes tradições religiosas, creio o oposto, as grandes religiões mundiais operam sob a ótica adâmica de tentar resolver o problema do pecado com folhas de figueiras, ou seja, salvação pelas obras, todas labutam em erros: a salvação pelas obras. Quanto mais o tempo avança para o fim, mais o cristianismo bíblico fica só na questão fundamental e a absoluta de que a justificação é somente pela fé e realizada por Cristo através de uma obra consumada e perfeita na cruz.

 

 

Há alguns anos, deparei-me com a obra “A Filosofia Perene”, de Aldous Huxley. Trata-se, sem dúvida, de um livro singular, que articula com clareza uma perspectiva próxima ao ecumenismo, guardando estreita semelhança com os postulados de Helena Petrovna Blavatsky e a Teosofia. Assim como Huxley — cujo legado intelectual permanece como um marco para a humanidade —, Blavatsky exerceu uma influência profunda sobre o pensamento esotérico e espiritualista contemporâneo, o que torna imperativa uma análise detida sobre a filosofia perene apresentada pelo autor. Aldous Huxley consolidou-se como um dos principais expoentes do misticismo psicodélico, defendendo essa perspectiva em sua obra de 1954, “As Portas da Percepção”. É notável a correlação entre essa faceta de Huxley e seu célebre romance distópico, “Admirável Mundo Novo”. Nesta obra, o autor projeta uma sociedade futura na qual a tecnologia e a submissão por meio de substâncias psicotrópicas são intrinsecamente ligadas, traçando um cenário apocalíptico que guarda semelhanças inquietantes com as trajetórias da sociedade contemporânea.
Dessa forma, Huxley apresenta-se como um profeta místico para uma nova era, tão aguardada pelo mundo contemporâneo. Sua filosofia perene sustenta que as grandes religiões compartilham um núcleo comum e podem coexistir harmoniosamente, respeitando a integridade de cada tradição. Em última análise, a mensagem de Huxley ressoa com o pensamento de Blavatsky, ao afirmar que existe uma unidade subjacente em todas as religiões mundiais, composta pelas verdades essenciais que as unem.
A filosofia perene, conforme postulada por Aldous Huxley, fundamenta-se na premissa de que existe uma verdade metafísica universal, intrínseca e eterna, compartilhada pelas grandes tradições religiosas e místicas da humanidade, a despeito de suas divergências formais em termos de dogma, ritual ou contexto cultural. Huxley sistematizou e popularizou essa concepção em sua obra homônima, publicada em 1945. O livro compõe-se de uma antologia de textos de sábios e místicos provenientes de vertentes distintas — como o hinduísmo, o budismo, o taoísmo, o cristianismo (com ênfase na tradição católica), o islamismo e o sufismo —, acrescida de comentários analíticos do próprio autor.
Para Huxley, o propósito fundamental da existência humana reside na identificação com o Eu eterno. Em diversas tradições e escolas esotéricas, este conceito corresponde ao "Eu Superior", cuja busca culmina no conhecimento unitivo do fundamento divino. Tal perspectiva guarda notável afinidade com o pensamento de Plotino, principal expoente do neoplatonismo, cujas premissas convergem, sem dúvida, com as teses centrais da Filosofia Perene. Determinados movimentos esotéricos e sociedades secretas parecem corroborar essa mesma premissa. A Maçonaria, por exemplo, manifesta uma aceitação abrangente de diversas vertentes religiosas, alicerçada em uma concepção notadamente abstrata e subjetiva da divindade. Embora a instituição estabeleça como requisito a crença em um ente supremo, este é designado como o "Grande Arquiteto do Universo". Trata-se de um termo ambíguo que permite a convergência de interpretações diversas, adequando-se a qualquer tradição espiritual, seja ela o hinduísmo, o taoísmo ou o cristianismo.
Para além da própria figura de Aldous Huxley, essa corrente tradicionalista e universalista congrega expoentes de grande renome na atualidade. Entre eles, destaca-se o Dr. Huston Smith, falecido em 2016, cuja influência permanece determinante em nossos dias, e Ken Wilber, autor de relevo que defende não apenas os princípios do perenialismo, mas uma abordagem evolutiva da consciência. O rol de intelectuais dedicados à defesa da filosofia perene inclui, ainda, nomes proeminentes como Frithjof Schuon, Martin Lings, Titus Burckhardt e William Stoddard, entre outros. Adicionalmente, a vertente compreende influências significativas de pensadores como Julius Evola e Aleksandr Dugin.

O que temos então na filosofia perene, proposta por Adolf Zussley, não é outra coisa senão a afirmação de que por baixo das diferenças superficiais de todas as principais religiões do mundo, existe uma mesma verdade eterna sobre a natureza última da realidade e o destino do ser humano. Seus defensores atuais continuam a promovê-la tanto em versões mais rigorosas e tradicionais, quanto em abordagens mais abertas e contemporâneas, mas no entanto a filosofia perene se trata de um universalismo, se trata de um tipo de abertura para um ecumenismo onde a verdade ela não é mais absoluta, ela é relativa, de modo que simplesmente tentar fazer com que todas as religiões tenham uma essência em comum com relação a. A plano de salvação, por exemplo, e a relação com o Senhor Jesus Cristo diferem de modo abissal, incompatível com a fé cristã. O cristianismo apresenta na sua teologia doutrinas que não existem e não podem ser encontradas em nenhuma outra religião, de modo que nós podemos ver e perceber através da pessoa e a obra consumada de Jesus Cristo na Cruz do Calvário e a maneira como Deus lida com o pecado, ficando o cristianismo completamente isolado e não é qualquer tipo de associação e ideias com qualquer tipo de doutrina fundamental das outras religiões. A filosofia perene, conforme proposta por Aldous Huxley, postula que, sob as disparidades superficiais das principais religiões mundiais, reside uma verdade atemporal acerca da natureza última da realidade e do propósito da existência humana. Embora seus defensores contemporâneos a promovam por meio de vertentes tanto tradicionais quanto abertas, tal corrente caracteriza-se como um universalismo que sugere uma perspectiva ecumênica, na qual a verdade deixa de ser absoluta para tornar-se relativa.

Contudo, a pretensão de atribuir uma essência comum a todas as religiões é incompatível com a fé cristã. O cristianismo sustenta doutrinas singulares que não encontram paralelo em qualquer outra tradição religiosa. Por intermédio da pessoa e da obra consumada de Jesus Cristo no Calvário, bem como pela forma como a divindade trata o pecado, o cristianismo estabelece uma distinção absoluta, tornando inviável qualquer tentativa de harmonização com os dogmas fundamentais de outros sistemas de crença. Na realidade, essa é uma noção de longa data. A expressão "filosofia perene" foi cunhada pelo humanista renascentista Agostinho Steuco em 1540. O termo remetia à existência de um núcleo de sabedoria comum a todas as religiões e ao esforço da Escola Neoplatônica, liderada por Marsilio Ficino, em sintetizar tal saber em uma filosofia transcultural. É esse conceito que Aldous Huxley aborda em sua obra. Embora se argumente que rudimentos dessa corrente possam ser encontrados no conhecimento tradicional de diversos povos ao redor do mundo e que suas formas plenamente desenvolvidas estejam presentes em todas as grandes religiões, tal premissa é equivocada e destituída de veracidade. Este movimento, portanto, é desprovido de veracidade. Trata-se de uma falsidade, em total desconformidade com os princípios do Evangelho. Jesus Cristo afirmou categoricamente ser o caminho, a verdade e a vida, estabelecendo que ninguém chega ao Pai senão por intermédio d'Ele. Os apóstolos, ao longo de seu ministério, proclamaram de forma contundente que não há salvação em nenhum outro, pois não existe sob o céu outro nome dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos. O apóstolo João, por sua vez, registra que a lei foi dada por Moisés, enquanto a graça e a verdade vieram por meio de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.



A partir destas declarações do Novo Testamento, depreende-se que a verdade não se encontra nas religiões pagãs — fossem elas gregas, egípcias ou orientais. No contexto das Escrituras, tais práticas foram integralmente rejeitadas. O apóstolo Paulo nunca pregou uma filosofia perene, e tampouco Jesus se referiu a ela; o universalismo, portanto, é essencialmente anticristão. Ao analisarmos passagens como 1 João 4:1-6, observamos que o apóstolo nos confere o critério para discernir a verdade: a necessidade de provar os espíritos para distinguir o espírito da verdade do espírito do erro. Durante suas viagens missionárias pela Grécia, o apóstolo Paulo dedicou-se à pregação do Evangelho, plenamente convicto da falsidade das religiões que o cercavam. Em Segunda Timóteo 1:10, ele declara de forma sucinta e categórica que a vida e a imortalidade foram trazidas à luz por meio do Evangelho. Da mesma forma, Jesus referiu-se ao Espírito da Verdade — o qual guia os fiéis a toda a verdade —, ressaltando que o mundo, imerso em suas próprias crenças, é incapaz de recebê-lo, a menos que se converta ao Evangelho. Portanto, quando Aldous Huxley e outros defensores da filosofia perene buscam apresentar uma verdade abstrata e subjetiva, operam sob a inspiração do erro, uma vez que o Espírito da Verdade não os conduziu à revelação de que existe apenas um caminho, uma verdade e uma vida: Jesus Cristo, e somente Ele.
A filosofia perene, com seu viés universalista, configura-se como um mecanismo de transformação global voltado à instituição de uma religião única e universal. Sob o pressuposto de que todas as crenças compartilham uma verdade comum, deslegitima-se a necessidade da pregação do Evangelho, promovendo-se a convergência religiosa fundamentada no perenialismo e em seus desdobramentos, como o ecumenismo. Percebe-se, portanto, que tal processo é estruturalmente falacioso. O apóstolo Paulo apresenta severas advertências contra essa modalidade de universalismo, que substitui a salvação exclusiva por meio de Cristo Jesus por experiências místicas e obras humanas. O apóstolo enfatiza que aquele que pregar um evangelho distinto — ainda que fosse um anjo do céu — incorreria em maldição; sendo assim, tal juízo recai com ainda maior rigor sobre homens mortais. Ademais, a Segunda Epístola a Timóteo (4:4) profetiza que muitos se desviariam da verdade, voltando-se a fábulas. É precisamente nesse âmbito que a filosofia perene se enquadra: como uma narrativa destituída de fundamento na revelação divina.
As grandes tradições religiosas do mundo, em sua maioria, estruturam-se sobre a premissa da salvação por meio das obras. Ao examinarmos o hinduísmo, ou o islamismo — que refuta veementemente a encarnação de Cristo —, constatamos que a maior parte das doutrinas globais nega a divindade encarnada de Jesus. Diante desse cenário, torna-se imperativo aplicar um discernimento rigoroso para distinguir se uma crença provém do espírito da verdade ou do espírito do erro. Observa-se, com clareza, que as religiões tradicionais divergem fundamentalmente do Evangelho, posicionando-se em oposição aos seus pilares centrais. O cristianismo distingue-se de todo o sistema religioso global tanto por sua antropologia quanto por sua soteriologia. Ao proclamar Cristo como o único Salvador, o cristianismo permanece singular ao afirmar que a justificação ocorre exclusivamente pela fé, decorrente da obra redentora de Cristo em favor do homem, e não por méritos humanos. Esta é uma verdade absoluta e inegociável do Evangelho. Portanto, a filosofia perene revela-se um equívoco doutrinário, uma construção infundada e essencialmente anticristã.


 

 

Reconciliação Universal e Outras Heresias

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Introdução

Grande parte das Escrituras abordam a escatologia como um tema central, o tempo escatológico é descrito em Hebreus 1:1 como um principio que opera através do primeiro advento de Cristo até nossos dias, é chamado de “últimos dias” a fé cristã é histórica espaço/temporal, é realizada e repousa em uma pessoa histórica Cristo Jesus o Verbo encarnado.

A pergunta “O que posso esperar?” atravessa a história do Cristianismo e continua relevante nos discursos eclesiásticos e teológicos. Essa questão molda a autoimagem das comunidades cristãs e direciona a compreensão das expectativas escatológicas, ou seja, das coisas futuras segundo a fé cristã. Três respostas principais se destacam: reconciliação universal, duplo resultado do julgamento e aniquilação. Este artigo explora essas perspectivas, suas bases teóricas e implicações para a doutrina e a prática cristãs.


Reconciliação Universal: A Restauração Completa

A ideia de reconciliação universal (“apokatastasis panton”, do grego) refere-se à restauração final de toda a criação em harmonia com Deus. Segundo essa perspectiva, após o julgamento divino, não haverá mais condenação, inferno, diabo ou tormento eterno. Todos participarão da salvação. Trata-se de uma visão escatológica alternativa síntese de vários equívocos doutrinários.

Histórico e Aplicação

Essa doutrina foi defendida por Orígenes (253 d.C.), que encontrou base em passagens como 1 Coríntios 15:25-28 e Filipenses 2:5-11. Contudo, foi rejeitada como heresia em concílios como o de Constantinopla (543 e 553 d.C.), influenciada pelas críticas de Agostinho. O cristianismo histórico rejeitou essa doutrina e desde então ela sempre foi considerada herética e marginalizada.

No entanto, ela ressurgiu em movimentos como o Pietismo e continua sendo discutida em contextos contemporâneos por teólogos como Karl Barth e Jürgen Moltmann, que enfatizam a soberania do amor de Deus sobre o julgamento. Mesmo assim, em nossos dias, ela não e muito popular.

Bases Bíblicas e Críticas

Textos bíblicos como 1 Timóteo 2:4 afirmam que Deus deseja salvar a todos. No entanto, passagens como Mateus 25:31-46 e João 3:36 falam de um julgamento que divide a humanidade entre salvos e condenados.

As críticas à reconciliação universal argumentam que ela minimiza a liberdade humana e a soberania de Deus, ignorando a responsabilidade moral dos indivíduos.

Os capítulos finais de Apocalipse não apontam para a direção do universalismo, embora o Evangelho seja efetivamente polemico em suas origens quanto a salvação, pois Cristo coloca um bandido condenado a pena capital no Paraiso enquanto religiosos da mais alta estirpe como Caifás e Anás e muitos fariseus religiosamente sofisticados ficaram de fora, alem do fato do primeiro gentio a entrar oficialmente na igreja de Cristo seja um Etiope eunuco.


Duplo Resultado do Julgamento: Salvação e Condenação

A doutrina do duplo resultado do julgamento é amplamente aceita no Cristianismo tradicional. Ela afirma que o julgamento final resultará na salvação dos justos e na condenação dos ímpios, com base em textos como Mateus 25:31-46. também lemos em Apocalipse 20:15: “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”. Não há quaisquer sinais de esperança apresentado dentro da escatologia bíblica que prove uma reconciliação universal pós-lago de fogo

“

Interpretações Teológicas

Essa perspectiva reflete a justiça divina, onde o julgamento é visto como um ato de estabelecimento da verdade. Ele também lembra aos crentes sua responsabilidade diante de Deus, enfatizando que a salvação é fruto da graça divina, pelos méritos de Cristo envolvendo uma predestinação e uma eleição.

Desafios e Abusos

Historicamente, a doutrina foi usada como ameaça, desviando o foco da graça divina. Contudo, ela também é essencial para compreender a seriedade do pecado e a necessidade de reconciliação com Deus.


Aniquilação: Um Fim Definitivo

A perspectiva da aniquilação propõe que os poderes antidivinos serão destruídos no fim dos tempos, em vez de condenados a um tormento eterno. Essa ideia é sustentada por grupos como os Adventistas do Sétimo Dia e as Testemunhas de Jeová, e quase todos os grupos que vieram do movimento da Igreja de Deus de Herbert Armstrong, parece que o teólogo anglicano John Stott tambem defendeu o aniquilacionismo.

Bases e Implicações

Textos como Apocalipse 21:1-8 inspiram essa perspectiva, descrevendo um futuro sem sofrimento ou morte. A aniquilação também rejeita a ideia de um inferno eterno, argumentando que isso é incompatível com a graça divina. É notável que os grupos que defendem o aniquilacionismo tambem defemdem o sono da alma da morte e negam a consciência dos mortos em uma outra esfera de existência.

Críticas

Os críticos alegam que a aniquilação reduz a gravidade do pecado e desconsidera a eternidade da alma. No entanto, seus defensores apontam para a justiça e a misericórdia de Deus como razões para essa visão.


Avaliações e Reflexões

Cada uma dessas perspectivas carrega suas próprias bases teóricas, desafios e implicações práticas. O que elas têm em comum é a certeza de que o futuro é determinado pela graça e justiça de Deus.

1.    Reconciliação Universal: destaca o amor incondicional de Deus, mas enfrenta o desafio de conciliar essa visão com a liberdade humana.

2.    Duplo Resultado do Julgamento: enfatiza a responsabilidade e a justiça, mas pode ser mal interpretado como uma ameaça.

3.    Aniquilação: propõe um equilíbrio entre justiça e misericórdia, mas é criticada por reduzir a gravidade do julgamento eterno.

A fé cristã convida a confiar no amor e na soberania de Deus. Independentemente da perspectiva adotada, o foco deve estar na graça divina e na esperança da salvação em Jesus Cristo.


Conclusão

As diferentes visões sobre a escatologia refletem a riqueza e a complexidade do pensamento cristão ao longo dos séculos. A esperança do futuro está ancorada na promessa de Deus de redenção e restauração. Como crentes, somos chamados a viver em fé, confiando que o julgamento final será um reflexo do amor, da graça e da justiça divinos.

Creio que a posição escatológica das igrejas cristãs conservadoras e as igrejas batistas fundamentalistas tenham uma aproximação mais exata da escatologia bíblica. O universalismo é uma heresia.

 

C. J. Jacinto

 

Reconciliação Universal e Outras Heresias

Introdução

Grande parte das Escrituras abordam a escatologia como um tema central, o tempo escatológico é descrito em Hebreus 1:1 como um principio que opera através do primeiro advento de Cristo até nossos dias, é chamado de “últimos dias” a fé cristã é histórica espaço/temporal, é realizada e repousa em uma pessoa histórica Cristo Jesus o Verbo encarnado.

A pergunta “O que posso esperar?” atravessa a história do Cristianismo e continua relevante nos discursos eclesiásticos e teológicos. Essa questão molda a autoimagem das comunidades cristãs e direciona a compreensão das expectativas escatológicas, ou seja, das coisas futuras segundo a fé cristã. Três respostas principais se destacam: reconciliação universal, duplo resultado do julgamento e aniquilação. Este artigo explora essas perspectivas, suas bases teóricas e implicações para a doutrina e a prática cristãs.


Reconciliação Universal: A Restauração Completa

A ideia de reconciliação universal (“apokatastasis panton”, do grego) refere-se à restauração final de toda a criação em harmonia com Deus. Segundo essa perspectiva, após o julgamento divino, não haverá mais condenação, inferno, diabo ou tormento eterno. Todos participarão da salvação. Trata-se de uma visão escatológica alternativa síntese de vários equívocos doutrinários.

Histórico e Aplicação

Essa doutrina foi defendida por Orígenes (253 d.C.), que encontrou base em passagens como 1 Coríntios 15:25-28 e Filipenses 2:5-11. Contudo, foi rejeitada como heresia em concílios como o de Constantinopla (543 e 553 d.C.), influenciada pelas críticas de Agostinho. O cristianismo histórico rejeitou essa doutrina e desde então ela sempre foi considerada herética e marginalizada.

No entanto, ela ressurgiu em movimentos como o Pietismo e continua sendo discutida em contextos contemporâneos por teólogos como Karl Barth e Jürgen Moltmann, que enfatizam a soberania do amor de Deus sobre o julgamento. Mesmo assim, em nossos dias, ela não e muito popular.

Bases Bíblicas e Críticas

Textos bíblicos como 1 Timóteo 2:4 afirmam que Deus deseja salvar a todos. No entanto, passagens como Mateus 25:31-46 e João 3:36 falam de um julgamento que divide a humanidade entre salvos e condenados.

As críticas à reconciliação universal argumentam que ela minimiza a liberdade humana e a soberania de Deus, ignorando a responsabilidade moral dos indivíduos.

Os capítulos finais de Apocalipse não apontam para a direção do universalismo, embora o Evangelho seja efetivamente polemico em suas origens quanto a salvação, pois Cristo coloca um bandido condenado a pena capital no Paraiso enquanto religiosos da mais alta estirpe como Caifás e Anás e muitos fariseus religiosamente sofisticados ficaram de fora, alem do fato do primeiro gentio a entrar oficialmente na igreja de Cristo seja um Etiope eunuco.


Duplo Resultado do Julgamento: Salvação e Condenação

A doutrina do duplo resultado do julgamento é amplamente aceita no Cristianismo tradicional. Ela afirma que o julgamento final resultará na salvação dos justos e na condenação dos ímpios, com base em textos como Mateus 25:31-46. também lemos em Apocalipse 20:15: “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”. Não há quaisquer sinais de esperança apresentado dentro da escatologia bíblica que prove uma reconciliação universal pós-lago de fogo

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Interpretações Teológicas

Essa perspectiva reflete a justiça divina, onde o julgamento é visto como um ato de estabelecimento da verdade. Ele também lembra aos crentes sua responsabilidade diante de Deus, enfatizando que a salvação é fruto da graça divina, pelos méritos de Cristo envolvendo uma predestinação e uma eleição.

Desafios e Abusos

Historicamente, a doutrina foi usada como ameaça, desviando o foco da graça divina. Contudo, ela também é essencial para compreender a seriedade do pecado e a necessidade de reconciliação com Deus.


Aniquilação: Um Fim Definitivo

A perspectiva da aniquilação propõe que os poderes antidivinos serão destruídos no fim dos tempos, em vez de condenados a um tormento eterno. Essa ideia é sustentada por grupos como os Adventistas do Sétimo Dia e as Testemunhas de Jeová, e quase todos os grupos que vieram do movimento da Igreja de Deus de Herbert Armstrong, parece que o teólogo anglicano John Stott tambem defendeu o aniquilacionismo.

Bases e Implicações

Textos como Apocalipse 21:1-8 inspiram essa perspectiva, descrevendo um futuro sem sofrimento ou morte. A aniquilação também rejeita a ideia de um inferno eterno, argumentando que isso é incompatível com a graça divina. É notável que os grupos que defendem o aniquilacionismo tambem defemdem o sono da alma da morte e negam a consciência dos mortos em uma outra esfera de existência.

Críticas

Os críticos alegam que a aniquilação reduz a gravidade do pecado e desconsidera a eternidade da alma. No entanto, seus defensores apontam para a justiça e a misericórdia de Deus como razões para essa visão.


Avaliações e Reflexões

Cada uma dessas perspectivas carrega suas próprias bases teóricas, desafios e implicações práticas. O que elas têm em comum é a certeza de que o futuro é determinado pela graça e justiça de Deus.

1.    Reconciliação Universal: destaca o amor incondicional de Deus, mas enfrenta o desafio de conciliar essa visão com a liberdade humana.

2.    Duplo Resultado do Julgamento: enfatiza a responsabilidade e a justiça, mas pode ser mal interpretado como uma ameaça.

3.    Aniquilação: propõe um equilíbrio entre justiça e misericórdia, mas é criticada por reduzir a gravidade do julgamento eterno.

A fé cristã convida a confiar no amor e na soberania de Deus. Independentemente da perspectiva adotada, o foco deve estar na graça divina e na esperança da salvação em Jesus Cristo.


Conclusão

As diferentes visões sobre a escatologia refletem a riqueza e a complexidade do pensamento cristão ao longo dos séculos. A esperança do futuro está ancorada na promessa de Deus de redenção e restauração. Como crentes, somos chamados a viver em fé, confiando que o julgamento final será um reflexo do amor, da graça e da justiça divinos.

Creio que a posição escatológica das igrejas cristãs conservadoras e as igrejas batistas fundamentalistas tenham uma aproximação mais exata da escatologia bíblica. O universalismo é uma heresia.

 

C. J. Jacinto

 

O Mal no Plano Divino

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A visão de alguns mestres da igreja primitiva simplesmente se inclinava para vias alternativas no que tange a realidade ultima da teodiceia como problema resolvido de forma mais simples, porém esses conceitos aos poucos inclinou-se para erros teologicos profundos, como podemos conferir nas declarações abaixo:
"Uma segunda tentativa para solucionar o problema do mal foi o ensinamento de que Deus deliberadamente permitiu o mal em sua criação para criar um universo no qual os poderes morais do homem pudessem ser exercitados e a alma do homem pudesse ser purificada, limpa e desenvolvida. De acordo com essa visão, sem o mal não haveria  um  mundo no qual a natureza do homem pudesse ser perfeita. Um líder proponente dessa visão foi o bispo de Lião, Irineu, que encarava a queda  do homem como uma bênção, pois isso era essencial para o desenvolvimento do homem à perfeição. “O destino original do homem não foi ab-rogado pela queda; a verdade é que a queda tem, no seu significado, a intenção de levar os homens a atingirem a perfeição à qual eles se destinam”
Orígenes, como já vimos, também foi um proponente desse ponto de vista. Deus permitiu o mal, disse Orígenes, porque sem lutar contra o mal, a alma humana não poderia propriamente desenvolver-se. De fato, o próprio diabo era tão parte do plano de Deus que ele também seria salvo quando o drama divino estivesse finalmente concluído no final dos tempos e toda a criação recuperasse a união com Deus. O mal então não existiria mais, porque não seria mais necessário" (Fonte: John Stanford. Mal: o lado sombrio da realidade. Edições Paulinas)


C. J. Jacinto