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A Anatomia da Santidade: Um Guia Prático para a Vida Cristã

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Introdução: O Que é Ser Santo?


Muitas vezes, quando pensamos em "santidade", imaginamos um conceito abstrato, distante ou puramente espiritual. No entanto, a Bíblia nos convida a viver a santidade de forma concreta e integral. Uma maneira prática de compreender o crescimento na piedade é através da metáfora da "Santificação do Corpo".

 “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo"(I Tessalonicenses 5:23)

 Ser santo não é apenas um estado interno; é uma realidade que deve permear cada parte da nossa existência física e emocional. Abaixo, exploramos como essa transformação se manifesta em cada "membro" da nossa vida diária.


1. A Mente: Conhecimento e Foco.


A santidade começa no intelecto. Uma mente santa não está vazia nem distraída por vaidades.

Preenchida: Ela é saturada com o conhecimento de Deus.
Focada: Ela se fixa deliberadamente naquilo que é bom, verdadeiro e puro. A mente espiritual ė iluminada pela luz das Escrituras através da ação do. Espírito Santo. Devemos atentar para o fato indiscutível:  A ação do Espírito Santo é a transformação e a renovação da nossa mente para que possamos experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Romanos 12:2)

O ministério de Paulo era anunciar todo o conselho de Deus (Atos 20:27) Todo o conselho Divino esta na suficiência das Escritura (II Timóteo 3:15)




2. Os Olhos: Pureza Visual


Nossa visão é a porta de entrada para muitas tentações. A santidade ocular envolve: Desviar-se da sensualidade e da imoralidade visual.

Sentir repulsa (estremecer) diante da visão do mal, em vez de curiosidade ou cobiça.

 Lembrai-vos da mulher de Ló (Lucas 17:32) Quem põe a mão no arado e olha para trás não é apto para o reino de Deus (Lucas 9:62) Devemos olhar para o que firma nossa confissão e esperança. Devemos olhar para Jesus Cristo , autor e consumador da fé. (Hebreus 12:2)  O mundo o pecado e o mundo espiritual caído emitem falsa luz, o brilho do pecado é uma isca fatal. A atração maligna é hipnotizante e cativa. O cristao deve discernir e fugir nao somente do mal mas também da aparência dele. (I Tessalonicenses 5:22)

3. A Boca: Integridade Verbal


As palavras revelam o estado do coração. A boca santa é caracterizada por:


  Dizer sempre a verdade.
  Rejeitar fofocas, calúnias e difamações.
  Evitar linguagem grosseira, obscena ou corruptora.

"Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem."(Efésios 4:29)

 

4. O Espírito: Temperamento Divino


O nosso espírito reflete a natureza de Cristo em nossas disposições internas:   É sério (não frívolo), firme (constante) e manso (gentil).

5. A Alma: Descanso e Alegria


Enquanto o mundo busca satisfação em coisas passageiras, a alma santa encontra sua plenitude em Jesus. Ela descansa na segurança dEle e se regozija na Sua presença.

"E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre." (I Joao 2:17)



6. Os "Músculos" espirituais: Esforço Ativo


A santidade não é passiva. Nossos músculos representam a disciplina e o trabalho árduo: Eles trabalham e se esforçam ativamente na busca pela virtude cristã.

"Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza; Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém".(II Pedro 3:17 e 18)



7. O Coração: Substituição de Vícios por Virtudes


O coração é o centro das emoções e vontades. A santidade opera uma substituição radical:


Esperança no lugar do desespero.

Paciência no lugar da irritabilidade.

Bondade no lugar da raiva.

Humildade no lugar do orgulho.

Gratidão no lugar da inveja.



"Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida." (Proverbios 4:23)



8. Os Órgãos Sexuais: Pureza e Pacto


A sexualidade é uma área sagrada que deve ser honrada conforme o desenho divino:

Mantida pura e reservada exclusivamente para a privacidade do casamento entre um homem e uma mulher.

"Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará." (Hebreus 13:4)



9. Os Pés: Direção e Companheirismo


Para onde estamos caminhando? Os pés santos:
Movem-se em direção aos humildes e necessitados.
Afastam-se de conflitos insensatos, divisões e festas desregradas.

"Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito."(Provérbios 4:18)



10. As Mãos: Serviço e Devoção


Nossas mãos são instrumentos de ação prática:
Rápidas em ajudar quem precisa (serviço ao próximo).
Prontas para se dobrarem em oração (dependência de Deus). "Quero, pois, que os homens orem em todo o lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda" (I Timoteo 2:8)


Conclusão: Um Exercício de Auto-exame


Quando perdemos de vista o que realmente significa ser santo, podemos usar este guia como um "scanner" espiritual, percorrendo o corpo da cabeça aos pés para lembrar o que Deus deseja de nós.

Mais importante ainda, devemos recordar quem Cristo é e quem Ele está nos tornando. A santidade não é um esforço humano solitário, mas o resultado de sermos moldados pela graça e pelo caráter do Salvador.

Fonte Base: The Anatomy of Holiness.



C. J. Jacinto  

Nosso Coração: Casa de Oração

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 Nosso Coração: Casa de Oração





“A minha casa será chamada casa de oração”

— Lucas 19:46

I. O Confronto Que Ilumina

Quando o Senhor Jesus adentrou o templo e confrontou os mercadores que haviam transformado a casa do Pai em mercado de lucros e vantagens, Ele não apenas purgou um espaço físico — proclamou, com autoridade divina, a finalidade mais profunda de toda a adoração: “A minha casa será chamada casa de oração” (Lucas 19:46). Essas palavras não eram apenas repreensião; eram revelação. Revelavam que o coração do culto verdadeiro não reside em ritos externos, nem em transações religiosas, mas na comunhão viva e íntima entre a alma e o seu Criador.

O que nos surpreende, porém, é que esse mesmo ensinamento não se limita ao templo de pedras. O Novo Testamento, iluminado pelo Espírito Santo, revela que nós somos agora os templos do Deus vivo (I Coríntios 6:19). Se o templo deve ser casa de oração, também o nosso coração, morada do Altíssimo, deve ser santificado e preservado como lugar de comunhão perene com o Pai.

II. Comunhão: O Fundamento Insubstituível

O apóstolo João, que havia recostado a cabeça sobre o peito do Senhor, escreveu com a autorità de quem conheceu a intimidade divina: “O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo” (I João 1:3). Aqui está lançado o fundamento eterno da vida espiritual: não há piedade genuína sem comunhão, e não há comunhão sem que a Pessoa de Cristo se torne a realidade central e dominante da nossa existência.

A oração, quando desprovida desse espírito de comunhão, degenera em mero exercício religioso — palavras enviadas ao vazio, sem o calor da presença e da fé. Contudo, quando nasce do interior de uma alma que verdadeiramente habita em Cristo, torna-se o respiro natural do espírito, o idioma do amor entre o filho e o Pai eterno. Como escreveu o salmista: “Como o cervo anseia pelas correntes das águas, assim a minha alma ansia por Ti, ó Deus” (Salmo 42:1). A oração verdadeira brota do mesmo manancial: um coração que anseia por Deus.

III. A Promessa da Moração Interior

O próprio Cristo, na noite em que foi traído, fez uma promessa de alcance insondável: “Se alguém me amar, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele nossa moração” (João 14:23). A Trindade Santa, em toda a sua glória e plenitude, deseja habitar no interior do ser humano. Isso não é metáfora poética — é teologia das mais sublimes, revelada pela boca do próprio Filho de Deus.

Essa moração interior transforma radicalmente a natureza da existência cristã. Já não se trata apenas de seguir preceitos morais ou cumprir obrigações religiosas, mas de cultivar, dia a dia, a consciência vívida e amorosa da Presença que nos habita. O Espírito de Cristo que vive em nós (Romanos 8:9) é o penhor dessa comunhão, o guia infalível da vida interior, e o agente que santifica progressivamente nossos pensamentos, desejos e afetos.

IV. O Templo Vivo: Nossa Vocação Sagrada

O apóstolo Paulo, com aquela visão acurada do mistério de Cristo, admoesta a comunidade de Corinto: “Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Coríntios 3:16). Se o templo de Salomão, construído com mármore e ouro, devia ser preservado como casa de oração e gloria de Deus, quanto mais o templo que o próprio Espírito Santo escolheu como morada! O nosso corpo, a nossa mente, o nosso coração: tudo isso deve ser consagrado ao Senhor e governado pelo padrão da casa de oração.

Isso implica uma integração profunda entre a vida pública e a vida privada do cristão. Não pode haver dicotomia entre o que somos diante dos homens e o que somos diante de Deus, no silêncio do aposento secreto. O homem verdadeiramente santo — santificado não por mérito próprio, mas pela graça operante de Cristo — não faz interiormente o que não faria diante de testemunhas, pois sua consciência maior é sempre a Presença do Senhor que o habita. Como afirmou o grande Agostinho: “Fizeste-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração vive inquieto até que encontre o seu repouso em Ti.”

V. A Santidade que Flui de Dentro

A meta da vida cristã não é simplesmente a reforma do comportamento externo, mas a renovação do homem interior. Cristo deseja que as Suas virtudes — humildade, amor, paciência, pureza — fluam de dentro para fora, como água de fonte viva, transformando gradualmente todas as esferas da nossa existência. Essa santidade orgânica e vital nasce, inseparavelmente, da oração e da comunhão.

O cristão que cultiva essa vida interior não precisa de esforço artificial para parecer piedoso; a piedade se torna a expressão natural e espontânea de quem está unido a Cristo. Assim como a videira comunica sua seiva ao ramo, e o ramo naturalmente frutifica, também aquele que permanece em Cristo produz frutos que glorificam ao Pai (João 15:4-5). A oração não é, portanto, uma técnica nem uma obrigação — é a respiração da alma unida ao Senhor.

Conclusão: O Coração Consagrado

Que o nosso coração seja, pois, uma casa de oração — não por disciplina árida nem por obrigação fria, mas pelo amor ardente àquele que primeiro nos amou (I João 4:19). Que cada pensamento seja uma oferta, cada suspiro um clamor, cada momento de solido uma audiência com o Rei eterno. Que o ruído do mundo não consiga apagar a voz suave e delicada do Espírito que testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus (Romanos 8:16).

Em comunhão com o Alfa e o Ômega, com aquele que é o mesmo ontem, hoje e para sempre (Hebr. 13:8), o coração humano encontra sua mais alta dignidade e sua mais profunda paz. Não como servos que tremem diante de um senhor severo, mas como filhos amável que conversam com o Pai: esse é o privilégio sublime do cristão que fez do seu coração, verdadeiramente, uma casa de oração.

Soli Deo Gloria. Amém.

 

Clávio J. Jacinto

https://claviojacinto.blogspot.com

Maria e o Modelo de Piedade Bíblica.

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C. J. Jacinto

 

 

O primeiro capítulo do Evangelho de Lucas retrata Maria, mãe de Jesus, como um modelo exemplar de piedade cristã. A análise do perfil de Maria, conforme delineado por ela mesma e pelo evangelista Lucas, revela-se de suma importância para o desenvolvimento espiritual, o discernimento e a compreensão da fé. Ao examinarmos sua vida, somos convidados a refletir sobre a essência da piedade, compreendendo o que significa ser um homem ou mulher marcados por uma piedade que manifesta poder espiritual. Maria, portanto, apresenta-se como um modelo significativo a ser seguido, um exemplo perfeito de quem vive em obediência e submissão à vontade de Deus, o Santo e Todo-Poderoso.
Analisando o perfil de Maria, apresentado no primeiro capítulo de Lucas, podemos observar uma representação fiel do cristão segundo os ensinamentos bíblicos. Ao longo deste estudo, aprofundaremos a análise da figura de Maria, mãe de Jesus, e de seu exemplo de piedade, buscando compreender suas virtudes espirituais e a forma como podemos aplicá-los em nossas vidas. Desejo enfatizar, com convicção, que Maria personifica o perfil de um genuíno cristão bíblico, conforme as normas estabelecidas pelas Escrituras. Ela se destaca como as que estão entre as “santas mulheres que esperavam e Deus” (I Pedro 3:5), prossigamos em esperar em Deus somente, pois aquele que está sentado no Trono deve ser o centro da nossa bendita esperança

 A presente análise visa aprofundar a compreensão da espiritualidade de Maria, tendo como fonte primária o texto conhecido como "O Cântico de Maria". A partir do primeiro capítulo de Lucas 1, versículo 46, encontramos a declaração dela: "A minha alma engrandece ao Senhor". Na análise do termo original grego, o verbo "megaluno" revela um significado de exaltação ao Criador, transcendendo qualquer criatura. Não ela sendo exaltada por homens, mas ela exaltando ao Deus Todo-Poderoso. Isso implica em colocar Deus acima de todas as coisas, reconhecendo a existência de um trono no universo, além do próprio universo, do qual Deus é o soberano sobre todas as criaturas e sobre toda a criação. Maria colocou Deus Santo e Trino além de todas as coisas, exaltando ele acima de tudo, ninguém jamais pode desviar-se desse tão bendito caminho que ela trilhou!

 Em suma, "megaluno" expressa a elevação de Deus à sublimidade e à plenitude, ou seja, acima de tudo. Significa reconhecer a completa submissão ao Senhorio de Deus Pai Todo-Poderoso, colocando-O em seu devido lugar. Ao proferir "A minha alma engrandece ao Senhor", Maria direciona sua contemplação exclusivamente a Deus. Ponto fixo da verdadeira devoção que não pode ser removido por ninguém. (Leia Hebreus 2:18 Salmos 22:19, 46:11, 60:11, 121:1 e 2, 124:8) Que possamos dar o mesmo grito apostólico: “Mas alcançando o socorro de Deus ainda até os dias de hoje, permaneço dando testemunho” (Atos 26:22)


 Para aqueles que buscam seguir esse modelo de espiritualidade, a orientação é semelhante: voltar o olhar para o Senhor em sua soberania, para o Deus Todo-Poderoso. Após a consumação da obra redentora de Jesus Cristo na Cruz do Calvário, em consonância com a epístola aos Hebreus (12:2), somos chamados a contemplar a Cristo, autor e consumador da nossa fé. A contemplação da soberania de Deus e de Seu trono inevitavelmente nos conduz à contemplação de Cristo, que está à direita de Deus. Essa é a direção integral de nossa contemplação. Esse é o caminho da verdadeira espiritualidade bíblica. “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça” (Salmo 17:15)

 Compreendemos aqui a essência da verdadeira espiritualidade cristã, conforme descrita nas Escrituras. O cristão genuíno, aquele que experimentou a regeneração, volta seus olhos para Deus, com um único propósito: glorificá-lo. Este é o cerne da vida cristã, que Deus seja exaltado em cada aspecto de nossa existência - em nossos pensamentos, sentimentos, ações, obras, momentos de reflexão e testemunho. O cristão bíblico busca glorificar a Deus em tudo. Seu lema de vida é: "Deus seja glorificado em nossa vida e em nosso viver".

 Consideramos, portanto, as palavras de Maria no versículo 47, onde se manifesta uma expressão de louvor cuja profundidade transcende a capacidade de quantificação. Ali reside a essência da espiritualidade e da qualidade de vida profunda que Maria possuía, ao declarar: "O meu espírito exulta em Deus, meu Salvador." A palavra "exulta", neste versículo, traduz a palavra grega "agaliao", enquanto "Salvador" provém de "soter". Percebemos, assim, a combinação do substantivo masculino "soter" com o verbo "agaliao", expressando uma profunda espiritualidade que, como mencionado, não pode ser totalmente apreendida em poucas palavras.

 Consideremos a palavra "alegrou-se". Que profunda expressão de gratidão emanava de Maria! Ela tinha um motivo para se alegrar. Qual era sua alegria? A alegria da salvação. A alegria de ter em Deus seu Salvador. Ela necessitava da salvação, assim como cada ser humano necessita. Embora tenha sido um instrumento escolhido por Deus, Maria precisava da misericórdia e da graça divina, como todos nós. Ela reconheceu essa verdade, e essa percepção foi fonte de alegria. A misericórdia de Deus a alcançou, assim como alcança cada um de nós. Essa alegria preencheu sua existência, a consciência de ter sido agraciada pela graça e misericórdia de Deus. Deus a alcançou através da salvação, e a salvação reside na alma que experimentou o perdão divino. Maria recebeu o perdão, a graça e a misericórdia de Deus. Crendo e aceitando essa realidade, Maria declarou que sua alegria residia em Deus, seu Salvador. Regozijamo-nos diariamente pela misericórdia de Deus que nos alcançou. Alegremo-nos pela grandiosa salvação que Deus nos concedeu por meio de Cristo. Estas questões devem permear nossos corações, guiando-nos a uma vida de constante gratidão a Deus. A emoção de Maria ao compreender ser agraciada pela salvação de Nosso Senhor e Salvador era sublime. Uma alegria plena, transbordante, emanava de seu coração, expressando palavras profundas. Seu exemplo de fé e emoções serve como modelo, demonstrando os sinais evidentes de nossa eleição e da promessa de vida eterna que Cristo nos oferece. Ele próprio declarou: "Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância", e também: "Eu lhes dou a vida eterna". A vivência espiritual e o bem-estar só podem ser alcançados através de Deus, o Deus Trino, e Maria tinha plena consciência disso. Ao chegarmos ao versículo 48, Maria declara que Deus considerou a humildade de sua serva. Que momento singular! Ela se identifica com esse papel, estabelecendo um contraste notável. Enquanto reis ocupavam tronos em diversas monarquias ao redor de Israel, Maria se autodenomina serva. Este é o título que encontramos para Maria no livro de Lucas e em todos os evangelhos. Deus contempla a servidão de Maria. A palavra "servidão" é um substantivo feminino, remetendo à palavra grega "doulos", da qual Paulo também se identifica, em Romanos 1:1. Aqui reside a grande maravilha: Maria se considera uma serva, alguém completamente submissa à vontade divina. Não seria este um modelo de espiritualidade autêntica? Não deveríamos buscar imitá-la? Certamente. Pois aqui temos uma mulher que se declara serva, o testemunho dessa submissão pode ser parafraseada nestas palavras: "Senhor, faça de mim o que queres, sou teu instrumento". Assim como o poeta cria a maior poesia através de um simples instrumento, a caneta e o papel, Deus toma Maria em suas mãos e a transforma em um exemplo sublime de servidão, digno de nossa admiração e imitação, um modelo de verdadeira e genuína espiritualidade a ser considerado por todo cristão. É fundamental ponderar a posição de Maria, que, em sua humildade, se apresenta diante do mundo. Maria, a Maria do cristianismo bíblico, a Maria do Novo Testamento, a Maria dos Evangelhos, uma serva do Senhor. Ela não é a senhora de seu destino e missão, Deus é Senhor sobre ela, e o senhorio soberano de Deus é o centro da sua devoção e da sua vida.

 A partir das declarações de Maria, podemos discernir uma verdade fundamental: ela se sentiu contemplada por Deus. Essa experiência me remete ao livro de Jó, capítulo 1, versículo 8, onde Deus atesta a retidão, a piedade e a integridade de Jó. Assim como Jó era objeto da atenção divina, Maria também o era. Deus observava a postura de Maria, mulher de grande piedade, modelo a ser seguido, pois ela irradiava as virtudes que os cristãos devem cultivar. Deus contemplava aquela que seria a mãe do Senhor, em virtude de sua servidão, sua submissão e sua completa dedicação, tornando-se instrumento nas mãos do Senhor para que o Messias viesse ao mundo. Assim Maria é a serva do Deus Bendito, uma vida de disponibilidade em fazer a vontade do Criador.

 Da mesma forma, nós, cristãos, podemos proclamar o Evangelho e levar Cristo ao mundo, sendo testemunhas de sua ressurreição. Podemos apresentar Cristo ao mundo, demonstrando que Ele está vivo e reina no trono celestial. Assim como Maria trouxe Jesus ao mundo, podemos trazer Jesus ao coração dos outros através da proclamação do Evangelho e do testemunho de nossa própria vida. E Deus, certamente, contempla aqueles que trilham esse caminho, o caminho do testemunho. A dignidade humana reside na contemplação divina, independentemente da opinião alheia. O olhar de Deus sobre nós, e não a avaliação de outros, é o que verdadeiramente importa. A mais alta honra é ser objeto da atenção do Senhor, e em nossos dias, a escassez de homens piedosos e virtuosos é evidente. Para merecer a contemplação divina, é preciso servir com humildade, submetendo-se à vontade de Deus, mesmo que isso implique em riscos e sacrifícios. É a entrega absoluta, o instrumento da vontade divina que nos eleva. Ainda mais notável é a afirmação de Maria de que todas as gerações a proclamariam bem-aventurada. A razão para essa bem-aventurança reside em sua condição de serva. A humildade e a disposição para servir ao Senhor são qualidades de grande valor aos olhos divinos. Os anjos testemunham a importância da humildade na vida de uma pessoa. Quanto maior a nossa dependência do Senhor, mais Ele nos utiliza. A própria resposta divina a Paulo, de que o poder de Deus se manifesta na fraqueza, ilustra essa verdade. Ao reconhecer em Maria um exemplo de humildade, submissão e serviço, Deus a elegeu como instrumento apropriado para a vinda do Messias.

A escolha divina é seletiva: Ele escolhe os simples, os humildes, os servos e aqueles que se submetem à Sua vontade. Ele escolhe aqueles que cultivam a virtude da humildade em seus corações e a manifestam em suas vidas. Deus não busca aqueles que se exibem em público, mas sim aqueles que buscam a Sua presença em particular. Ele não procura aqueles que dependem da fama religiosa para se autopromoverem, mas sim aqueles que, em submissão e serviço, buscam realizar a vontade divina, desconsiderando a própria reputação. O que realmente importa é agradar a Deus por meio de uma vida dedicada à concretização de Seus propósitos.

 Ser um instrumento de Deus é não ter vontade própria, não ser autossuficiente. Maria personificou essa condição. Ela não era autossuficiente nem onipotente. Por isso, o Deus Todo-Poderoso utilizou sua humildade e fraqueza para realizar obras extraordinárias. Deus opera dessa maneira, realizando feitos notáveis por meio daqueles que se mostram simples e disponíveis.
 Todos os cristãos, aqueles que genuinamente abraçam a fé, reconhecem sua própria humildade diante da grandeza divina. Sabem que, embora suas palavras possam parecer limitadas, a mensagem do Evangelho que carregam e proclamam é de uma grandiosidade incomensurável. Compreendem que, por si sós, são incapazes de realizar qualquer obra de valor duradouro.
 Jesus, no Evangelho de João, capítulo 15, ao falar sobre a videira verdadeira, afirmou: "Sem mim, nada podeis fazer". Essa verdade se estende a todos. Sem Deus, nada podemos alcançar. Sem Deus, Maria, Paulo e Pedro não teriam cumprido seus propósitos.

Reconhecemos, portanto, nossa total dependência do Criador, em quem respiramos, nos movemos e existimos. (Atos 17:28) É por meio Dele e da dependência de Sua misericórdia que podemos atingir a plenitude espiritual e viver uma vida piedosa. A vida piedosa, em sua essência, é a consequência natural de uma vida guiada, controlada e repleta do Espírito Santo. Observamos, igualmente, a humildade e a sinceridade de Maria. Notemos sua declaração: "Todas as gerações me considerarão bem-aventurada". Qual a razão para essa ênfase numa atenção universal? Ela mesma responde: "Porque o Todo-Poderoso fez em mim grandes coisas". A iniciativa não partiu dela, mas da vontade divina. Deus agiu por intermédio de Maria, que se tornou o instrumento para a realização de seus grandiosos desígnios. Ela colocou em Deus o ponto nevrálgico central de todo o milagre, não foi Maria quem fez o milagre, mas Deus quem fez grandes milagres através de Maria. O grande Senhor trabalhando através de uma humilde serva

 Maria não atribuiu a si mesma a capacidade de realizar grandes feitos para Deus. Ao contrário, ela reconheceu não possuir forças próprias para tal. As grandes obras foram realizadas por Deus através de Maria, pois, em sua humildade e entrega absoluta, ela se tornou o instrumento escolhido por Ele. Assim, é fundamental compreendermos essa verdade, mantendo a perspectiva correta, conforme revelada no texto em análise. A exegese cuidadosa das declarações contidas no texto nos revela essa realidade. A minha alegria e o regozijo do meu coração provêm da certeza de que Deus opera de maneira extraordinária quando nos entregamos completamente a Ele, permitindo que sejamos instrumentos de Sua graça para abençoar outras pessoas.

 A manifestação da grandeza divina se revela através da humildade, pois esta é o terreno fértil onde as sementes do poder divino florescem. É na humildade que o amor resplandece com maior intensidade, razão pela qual Cristo, o Redentor, veio como o Cordeiro de Deus que expia os pecados do mundo. Na ocasião em que o homem buscou eleger um rei para Israel, a escolha recaiu sobre Saul, homem de porte físico imponente e de grande atrativo. Contudo, quando Deus selecionou um rei , a escolha foi recair sobre um jovem desprezado aos olhos dos homens, um homem humilde que, na solidão dos campos, pastoreava ovelhas. Seu nome era Davi. Aquele que se humilha para que Deus seja exaltado experimentará as maiores e mais sublimes expectativas. Todo instrumento que se entrega à ação divina tem a oportunidade de deixar um legado espiritual significativo para o mundo.
Toda geração espiritualmente equilibrada terá como foco central a devoção a Deus e a vivência diária da fé. A compreensão de que Deus é a fonte de tudo em todos é fundamental. O sentimento mais nobre surge, desenvolve-se e prospera no coração que acolhe essas verdades essenciais, pois este coração adentrou o caminho da mais sincera devoção espiritual. Isso significa, acima de tudo, amar a Deus com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente.

“Porque está escrito: Como eu vivo, diz o Senhor, que todo o joelho se dobrará a mim, e toda a língua confessará a Deus” (Romanos 14:11  veja também Isaias 45:23 e Filipenses 2:9 a 11)


 É evidente, e qualquer pessoa atenta perceberá, que Maria não busca protagonismo. Ela não almeja, nem exige, nem procura desviar o foco para si mesma; antes, direciona toda a atenção ao Senhor. Ele, Deus, é o centro de sua vida. Diante disso, podemos considerar esta, sobre a pessoa de Maria, uma das declarações mais teocêntricas das Escrituras Sagradas. Isso me remete a Colossenses, capítulo 1, versículo 18, onde se afirma que em tudo Ele, Cristo, deve ter a preeminência. Maria, de fato, conferiu a Deus a primazia em todas as suas ações. Ela abriu mão de qualquer destaque pessoal, dedicando a Deus toda a sua vida, atenção e devoção. Esse é, portanto, o caminho seguro para a prática da piedade cristã. É dessa maneira que o cristão bíblico deve ser e permanecer.


 É imprescindível que compreendamos essa questão de forma definitiva. Maria, reconhecendo sua posição como criatura, coloca-se humildemente perante Deus, o Criador. Ela é, portanto, o instrumento, e Deus, Aquele que a utiliza. Essa reflexão evoca o Salmo 100, versículo 3, onde o salmista declara: "Sabei que o Senhor é Deus; foi ele que nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio". Assim, podemos entender Maria como instrumento de Deus, por ser sua criatura, sua serva. Diante dessa realidade, Maria reconhece que a devoção não lhe é direcionada, mas sim a Deus. Consequentemente, a vida de Maria é integralmente teocêntrica. Do versículo 48 ao 54 do capítulo 1 de Lucas, fica evidente, de maneira clara e concisa, a centralidade de Deus na vida de Maria. As evidências que se seguirão demonstrarão que Maria dirige seu olhar inteiramente  a Deus, ao Senhor, Suprema e Bendita Majestade, de modo que a primazia e a preeminência pertencem única e exclusivamente ao Deus Triúno.

 Portanto, podemos discernir que Maria busca orientar-nos a uma vida centrada em Deus. Ela o apresenta como a fonte primordial, o agente principal e o soberano absoluto de todas as coisas. Seu desejo é que adotemos essa centralidade divina, vivendo uma vida teocêntrica. Observamos, assim, de maneira clara, que sua conduta visa direcionar nosso olhar ao Senhor, reconhecendo-O como a fonte de tudo. Maria atribui a Ele toda a honra e, em sua humildade, se coloca a serviço. Ela exalta a Deus como a causa, o supremo, o onipotente, o administrador e o responsável por todas as ações. Refletindo o versículo 48, ela declara que Deus contemplou sua humildade. No versículo 49, atribui ao Poderoso as grandes coisas realizadas em sua vida. No versículo 50, proclama a misericórdia divina que se estende por gerações. No versículo 51, testemunha a ação de Deus com o braço forte. Ainda no versículo 51, descreve Deus agindo na dispersão dos soberbos. No versículo 52, relata a queda dos poderosos de seus tronos. No versículo 53, narra a exaltação dos humildes e a partida dos ricos de mãos vazias. E, no versículo 54, declara o amparo de Deus a Israel, seu servo. Evidencia-se, de forma concisa, que Maria é totalmente teocêntrica, reconhecendo a constante atuação, o amparo e a escolha de Deus. Maria é um exemplo de vida teocêntrica, e todo cristão bíblico deve ter a Trindade Divina como o centro de sua vida, sua atenção e sua teologia. Essa é a doutrina, a essência do ser um homem espiritualmente piedoso e estritamente bíblico, tal como Maria foi.  Antecipadamente, faço a suma, apresento Maria como exemplo autêntico de piedade. O Novo Testamento oferece um retrato detalhado de sua vida, revelando uma espiritualidade profunda. A verdadeira espiritualidade cristã, aquela que emana da fé bíblica e da regeneração espiritual, se manifesta em uma vida dedicada a Deus, como foi a vida de Maria. Ela demonstrou submissão e serviço a Deus, qualidades que nos oferecem ricas e valiosas lições. Essas características refletem a essência de uma espiritualidade genuinamente bíblica e guiada pelo Espírito Santo, que inspirou Lucas a registrar ensinamentos preciosos sobre a mãe de Jesus. Podemos aplicar essas lições em nossas vidas, aprendendo que devemos direcionar nossa existência completamente a Deus, que, em sua graça e misericórdia, nos utiliza como instrumentos para a realização de seus propósitos, a fim de que a causa do Evangelho seja promovida e a vontade divina se cumpra através de nós. 

“Deus sempre e totalmente engrandecido através de vasos frágeis que não desejam glórias ou grandeza para si mesmas, mas desejam que todos olhem para as grandezas, majestade e poder de Deus, que sejam todos os olhos fixos na soberania eterna e infinita do Deus Triúno”

REFLEXÕES SOBRE A PIEDADE PRÁTICA

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 REFLEXÕES SOBRE A PIEDADE PRÁTICA

 


C. J. Jacinto

 

 

As imagens que se formam no oceano vasto da consciência de um bom  leitor que navega nas paginas de um bom livro  possibilitam a experiência de entrar em uma realidade que deixara marcas profundas em sua vida.




Em Cristo residem todas as nossas convicções. Portanto, devemos abraçar o Evangelho com perseverança, considerando digno suportar as provações que surgem quando professamos nossa fé diante de um mundo descrente.



Na caminhada da vida cristã, pode-se dedicar considerável tempo à aquisição de bens materiais e outros. Contudo, ao término dessa jornada, nada terá maior relevância em nossa existência, em nossas crenças e em nossas convicções, do que a crescente presença de Cristo e ter mais e mais das promessas do Evangelho.


Caso a sua fé não se fundamente em alicerces sólidos, como os princípios da graça divina, e não estiver firmemente estabelecida em Cristo e na Palavra de Deus, se não houver comunhão e relacionamento íntimo com Ele, mas, ao invés disso, a sua espiritualidade se sustentar em emoções e experiências místicas, alicerçando a fé em sentimentos em vez de em Cristo e seu relacionamento com Ele , sua fé sucumbirá diante das provações e a decepção se fará presente nas tribulações, pois a verdadeira consolação será ausente.



A Palavra de Deus, pregada com fidelidade, nutre o espírito do homem regenerado. Contudo, para o crente que ainda não experimentou a regeneração, importa a satisfação do ego, obtida por meio de palavras, experiências e emoções que o agradem. Esse ego, necessitando sobreviver, alimenta-se de elementos superficiais e ilusórios, sustentando, assim, uma religião meramente formal.

 

 

Todo o cristão bíblico não deve buscar ouvir pregadores que falem o que o coração do velho homem deseja ouvir, mas tão somente pregadores comprometidos em falar aquilo que Deus deseja ensinar.

 

 

Todo o regenerado tem o Espírito Santo, o poder vital divino necessário para garantir a todos os redimidos, a superior ressurreição.

 

Verdadeiro respeito por Deus

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Verdadeiro respeito por Deus

 

ARTHUR GOODWIN

 

À primeira vista, parece haver algo errado com o título deste artigo. Reverência a Deus é um termo aceitável, mas respeito por Ele é uma expressão um tanto incomum. No entanto, é esta última noção que desejamos considerar, embora seja imediatamente admitido que respeito abrangeria reverência. Respeito tem o conceito de atenção ou estima deferente demonstrada para com uma pessoa, enquanto reverência se limitaria mais ao que é sagrado. Além disso, é respeito "real", não simplesmente um reconhecimento superficial. O vassalo pode puxar o topete ao encontrar seu patrono e, assim, demonstrar respeito exterior, mas seus sentimentos interiores podem ser exatamente o contrário. E é respeito por "Deus"; isto é, toda a Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. Ao considerar um assunto como este, automaticamente pensamos em termos humanos. O que impõe respeito por nossos semelhantes? Como esse respeito é demonstrado? Se temos certos padrões neste reino, quão superiores, quão mais elevados eles devem ser quando o objeto de nosso respeito é Deus. Vamos tentar responder às duas perguntas que fizemos. O que impõe respeito? A primeira coisa que nos vem à mente é o status de uma pessoa e a autoridade que tal posição confere. Por exemplo, aquele a quem devemos lealdade em nosso trabalho diário, seja ele o próprio chefe ou seu delegado; aqueles que ocupam cargos de responsabilidade no governo; reis e aqueles em posição de autoridade. De fato, as próprias Escrituras parecem exortar isso - veja 1 Timóteo 6:1-2; Romanos 13:1-7. Juntamente com isso, estariam as qualidades morais exibidas por uma pessoa. Qualquer pessoa cujo modo de vida nos fosse recomendado inspirava nossa estima e respeito. Hamã era um homem em posição de autoridade, nomeado pelo próprio rei, mas Mordecai se recusou a honrá-lo por causa de seus maus caminhos. Da mesma forma, Pedro e João não podiam respeitar as ordens do Sinédrio porque eram contrárias aos mandamentos de Deus. Portanto, a pessoa, por mais humilde que seja em sua posição, que demonstra um espírito de amor, bondade, retidão e outras características morais semelhantes, atrai nosso respeito. Agora, transfira essas considerações para o reino divino. O Deus Todo-Poderoso não é outro senão Aquele que existe de eternidade a eternidade, que criou o universo e tudo o que o compõe, incluindo o próprio homem: "cujos carros são vinte mil, sim, milhares de anjos" (Salmo 68:17). Verdadeiramente, Ele é "o grande, o Deus poderoso, o Senhor dos Exércitos é o seu nome, grande em conselho e poderoso em obras" (Jeremias 32:18-19). Tal pessoa exige o nosso respeito. Então, detenhamo-nos um pouco em Sua disposição para com Suas criaturas. Sua própria natureza é amor; "Que nos salvou... não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos" (2 Timóteo 1:9). Seu cuidado pelos Seus é incomensurável, até os cabelos da cabeça deles estão contados. Expressões como a benignidade de Deus, a bondade de Deus, a misericórdia de Deus e a graça de Deus ocorrem em toda a Escritura e são indicativas de Sua beneficência insuperável. Não é tal pessoa digna do nosso real respeito? Se Ele é, então como podemos demonstrá-lo? Sugere-se que o façamos da mesma forma que se aplicaria aos relacionamentos humanos já mencionados. Nosso comportamento, atitude, obediência e fala demonstrariam a medida de respeito que temos por Deus. Ao considerarmos as três Pessoas da Divindade e nosso relacionamento com cada uma delas, é de se admirar que tenhamos sido trazidos a uma posição de tamanha proximidade. Com o antigo povo de Deus, Ele habitou em um monte que não podia ser tocado, mas que ardia em fogo e estava envolto em escuridão e tempestade (Hebreus 12:18). O cristão, entretanto, é chamado a uma comunhão (e a palavra significa unidade) com o Pai e o Filho (1 João 1:3). Fomos trazidos a um relacionamento familiar e nada pode ser mais próximo do que isso; mas isso não deve, de forma alguma, diminuir nosso respeito por ambos. Devemos ir ao Pai com nossas orações e, de fato, o convite é: "Aproximemo-nos confiadamente do trono da graça" (Hebreus 4:16). Com ousadia, sem medo, sim, mas certamente não de forma leviana ou descarada, sem o devido respeito por Aquele que está no trono. Muito melhor ter o espírito que Moisés demonstrou quando se aproximou de Deus na sarça ardente, com os pés descalços e a cabeça baixa. É aqui que se submete que o verdadeiro respeito assume o caráter de reverência. Nosso Deus e Pai, a Ti, como peregrinos fracos, nos aproximamos agora, para sussurrar nossas orações de joelhos, e suplicar aos teus ouvidos graciosos. Então, também podemos mostrar nosso respeito pelo Pai como adoradores. O Senhor disse à mulher samaritana no poço de Sicar: "A hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem" (João 4:23). Pense nisso! O Pai – e lembre-se daqueles atributos gloriosos e poderosos que Lhe pertencem e aos quais já se fez referência – está buscando adoradores. Quem são eles? Onde podem ser encontrados? Claramente, são aqueles que adoram em espírito e em verdade, isto é, aqueles que têm o Espírito e conhecem a verdade. Paulo expressa sucintamente: "Nós somos a circuncisão, nós que adoramos em Espírito a Deus, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne" (Filipenses 3:3). Outro definiu a adoração como "A entrega do coração e do espírito renovados ao próprio Deus, em reconhecimento reverente do que Ele se revelou ser e do que Ele fez em justiça e graça pelo homem perdido e pecador" (WJ Hocking). Ao nos valermos de nosso chamado sacerdotal (1 Pedro 2:5) e respondermos aos desejos do Pai, podemos demonstrar nosso real respeito por Ele. Sabemos, é claro, que o termo "respeito a Deus" não é bíblico, embora estejamos convencidos de que seu conceito é inerente a toda a Palavra de Deus. Nosso Senhor Jesus Cristo não pediu que Seus discípulos O respeitassem, mas pediu que O amassem. Certamente, porém, não é possível demonstrar amor onde não há respeito. Como, então, podemos demonstrar nosso amor e, portanto, nosso respeito por Cristo? Nosso Senhor disse: "Se me amais, guardai os meus mandamentos", e "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama" (João 14:15 , 21 ). E, no entanto, encontramos pouquíssimos mandamentos diretos dados por nosso Senhor durante Seu ministério terreno. O mais direto, é claro, é dado em João 13:34: "Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros"; e é repetido em João 15. O respeito é demonstrado pela obediência e amor pelos irmãos – e isso significa todos os irmãos, não apenas aqueles que conhecemos em nosso círculo imediato – é obediência a Cristo. Todos são Seus: mais do que isso, estão vitalmente unidos a Ele em um só corpo. Ele protestou com Saulo, o algoz dos discípulos: "Por que me persegues ?" A indiferença, a impaciência e a hostilidade para com eles O comovem. A falta de respeito pelos Seus é falta de respeito por Ele. Na noite em que foi traído, nosso Senhor instituiu Sua ceia e pediu a Seus discípulos: "Fazei isto em memória de mim". Se não é exatamente uma ordem que Ele deu, certamente se torna virtualmente uma para aqueles que O amam. E assim, no primeiro dia da semana, quando a mesa é posta e os santos se reúnem ao redor dela, temos uma oportunidade única de mostrar nosso verdadeiro respeito por nosso Salvador, lembrando-nos dEle enquanto participamos de Sua ceia. É quase desnecessário dizer que uma ausência deliberada nada mais é do que um desrespeito grosseiro. Então, poderíamos nos perguntar: quanta estima damos ou quanta atenção damos ao Espírito de Deus? 1 Coríntios 6:19 nos diz que nossos corpos são o templo do Espírito Santo e o próprio Senhor confirma que Ele permanece conosco para sempre (João 14:16). Temos conosco em todos os momentos uma Pessoa Divina e certamente o verdadeiro respeito por Ele garantiria que nosso comportamento, nossa fala, os lugares aonde vamos, em suma, as ações praticadas no corpo, estivessem sempre em harmonia com Sua santidade. Qualquer coisa menos do que isso é ignorá-Lo em vez de respeitá-Lo. Tentamos mostrar como o verdadeiro respeito por Deus pode ser demonstrado tendo em mente o conceito análogo de respeito no reino humano. A partir dessa consideração, alguns pensamentos adicionais são sugeridos, que se relacionam com nossa conduta e comportamento quando entramos na presença de Deus. Por exemplo, se fôssemos convidados para assistir a uma cerimônia realizada por Sua Majestade, a Rainha, certamente garantiríamos que nossa aparência fosse adequada à ocasião. Não nos apresentaríamos desleixados e com nossas roupas de jardinagem. Por quê? Porque assim demonstramos nosso respeito pela Rainha. E algo menos seria suficiente quando nos achegamos à presença de Deus? Em muitos círculos cristãos hoje em dia, a impressão é de que a informalidade descuidada é uma virtude. Se tal não é o caso na presença de dignitários terrenos, certamente também não o é na presença de Deus. Há também a questão da postura física. Não é incomum ver irmãos se dirigindo ao Pai em adoração durante o canto de um hino com uma das mãos nos bolsos ou recostados em suas cadeiras enquanto se ora. Será que tais coisas são corretas? Se tivermos algum tipo de sentimento pela ocasião, devemos admitir que não. Um último ponto. Lemos em Lucas 22:14: "E, chegada a hora, sentou-se à mesa, e com ele os doze apóstolos". No momento oportuno, o Senhor estava lá. E assim é hoje; Quando chega a hora do jantar, ou da reunião de oração, ou da reunião do evangelho (pois Ele prometeu estar com Seus servos que pregam as boas novas (Mateus 28:19-20)), Ele está lá. Chegamos a tempo de encontrá-Lo ou mostramos nossa indiferença e falta de respeito chegando depois que Ele se sentou? Se Ele fosse visível aos nossos olhos mortais, baixaríamos a cabeça de vergonha se fôssemos culpados de tal comportamento. Há uma noção equivocada nos sistemas da cristandade hoje de que os cristãos, para ganhar os que estão no mundo, precisam se tornar como eles. Os costumes do mundo, seu modo de vida, sua fala, suas canções, suas atividades de lazer e muitas outras características do mundo foram moldados no padrão cristão, e não foi para melhor. O propósito deste artigo é exortar seus leitores a terem uma maior apreciação da majestade e grandeza de todas as três Pessoas da Divindade e encorajar todos a demonstrarem reverência e respeito, tanto dentro quanto fora da assembleia, que lhes são devidos.

 

Extraido de: SCRIPTURE TRUTH VOLUME FIFTY 1989 1990 1991

 

 

Piedade: A Marca do Verdadeiro Cristão

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Piedade: A Marca do Verdadeiro Cristão

Introdução

 

“Aqueles que seguem  a Cristo seguem o evangelho, aqueles que supõem seguir a Cristo praticando iniqüidade são seguidores de outro evangelho”(C. J. Jacinto)

 

A piedade não é um acessório da fé cristã — ela é a essência da vida espiritual genuína. Em tempos de religiosidade superficial, Deus chama Seu povo a viver uma vida marcada por santidade prática, integridade e intimidade com Ele. Este artigo explora a piedade como a verdadeira marca do homem espiritual, distinguindo o filho de Deus do mero religioso, e apontando o caminho de retidão para todo aquele que professa seguir a Cristo.

“E aqui está a diferença entre um homem piedoso e um ímpio. O homem piedoso está em necessidade? Ele tem então um refúgio invisível para onde correr, um suprimento invisível para supri-lo; ele tem algo além de todas essas coisas presentes em que esperar e com que se consolar. Já o ímpio não tem nada além das aparências presentes para se sustentar ou consolar, coisas que, quando falham, ele afunda em desânimo e desespero.” (Isaac Barrow)

 


1. Piedade: O Sinal do Homem Espiritual

A piedade não é uma opção para o cristão — ela é a evidência visível da transformação interior operada pelo Espírito Santo. O homem piedoso é sal e luz (Mateus 5:13-16), pois sua vida comunica graça, verdade e pureza em um mundo corrompido.

“Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas, e exercita-te a ti mesmo em piedade. Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa...”


— 1 Timóteo 4:7-8

“Agir com retidão, uniformidade e coerência é um belo adorno para o homem e uma grande conveniência tanto para ele quanto para todos com quem conversa e lida. A prática da piedade liberta o homem da distração interior e da indecisão mental, da duplicidade ou inconstância de caráter e da confusão em seus procedimentos, garantindo, consequentemente, aos outros a liberdade do engano e da decepção em suas relações com ele.” (Isaac Barrow)

 


2. Filhos de Deus Versus Filhos de Adão

A Escritura distingue claramente entre os piedosos e os ímpios, entre os filhos de Deus e os filhos de Adão. Os primeiros seguem a Cristo e vivem segundo o evangelho; os últimos se contentam com uma forma de religião, mas vivem para este mundo presente.

“Se alguém ensina alguma outra doutrina... está inchado, nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras... Afastando-te dos tais.”
— 1 Timóteo 6:3-5


3. O Refúgio do Piedoso

Enquanto o homem profano busca sustento apenas nas coisas visíveis e se desespera quando estas falham, o homem piedoso encontra em Deus seu abrigo, consolo e esperança. Ele vive com os olhos na eternidade e o coração firmado nas promessas divinas.

“Mas, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça. Por isso, amados... procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz.”


— 2 Pedro 3:13-14

“A verdadeira religião é uma ocupação muito própria para nós, homens racionais. Pois que entretenimento mais adequado pode ter nossa mente do que purificar-se e embelezar-se, manter-se e manter suas faculdades subordinadas em ordem, cuidar da administração dos pensamentos, das paixões, das palavras e das ações que dependem de seu governo?” (Isaac Barrow)

 


4. A Coerência da Piedade

Viver piedosamente traz harmonia à alma e testemunho ao mundo. O homem piedoso é íntegro, confiável e livre da duplicidade. Sua vida é adornada pela retidão e pela firmeza de caráter.

“Acrescentai à fé a virtude, e à virtude o conhecimento... e à piedade o amor fraternal.”


— 2 Pedro 1:5-7


5. A Piedade como Chamado Racional e Espiritual

A verdadeira religião, centrada em Deus e vivida na piedade, é a ocupação mais nobre da alma humana. Purificar o coração, governar os pensamentos e ordenar as ações segundo a Palavra é o mais elevado propósito de nossa existência.

“Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar.”


— 2 Timóteo 2:15

“O falso piedoso deseja receber para si mesmo as glorias dos homens, mas o verdadeiro piedoso deseja tão somente que o SENHOR receba toda a glória, pois ele vive para a glória de deus” (C. J. Jacinto)


Conclusão

A piedade é mais do que um comportamento religioso: é a evidência de que o Espírito Santo habita em nós. Ela nos distingue do mundo, traz ordem à nossa alma e glorifica a Deus em nosso viver. Que o Senhor nos leve a abandonar a forma da piedade sem o poder, e nos conduza a uma vida moldada pelo caráter de Cristo.


Referências Bíblicas:

  • 1 Timóteo 6:3
  • 2 Pedro 1:7
  • 2 Pedro 3:11
  • 1 Timóteo 4:7-8

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C. J. Jacinto