PEQUENO TRATADO SOBRE O CORPO
GLORIFICADO DOS SANTOS REDIMIDOS
Texto integral do Livreto
C. J. Jacinto
“A ressurreição é o primeiro artigo
da fé cristã e a demonstração de todo o resto.” — Paul Beasley-Murray
“Mas todos nós, com rosto
descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados
de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (II Corintios 3:18)
A Doutrina do Corpo Glorificado
“Otimismo é um desejo sem garantia; a
esperança cristã é uma certeza, garantida pelo próprio Deus. Otimismo reflete
ignorância quanto à possibilidade de coisas boas realmente acontecerem. A
esperança cristã expressa à consciência de que, a cada dia de sua vida, e a
cada momento além dele, o crente pode dizer com verdade, com base no próprio
compromisso de Deus, que o melhor ainda está por vir.” (JI. Packer)
Um dos assuntos mais interessantes
na Bíblia Sagrada é a doutrina acerca do elemento que comporá o corpo
glorificado dos santos após a ressurreição ou a vinda de Jesus Cristo. Esse
tema é abordado em diversas passagens das Escrituras, e sabemos que esse corpo
será incorruptível, preparado por Deus para que os salvos possam entrar no
mundo vindouro — os novos céus e a nova terra — e desfrutar da eternidade
concedida por Cristo por meio de Sua obra consumada e perfeita na Cruz do
Calvário, onde Ele derramou Seu sangue para redimir um povo. As Escrituras e o
próprio Jesus prometeram a ressurreição e um corpo glorificado, capacitando os
redimidos a viver nesse futuro descrito em Apocalipse, capítulos 21 e 22.
A doutrina do corpo glorificado, a
ser conferido aos santos, figura entre os temas mais profundos da Bíblia.
Revelado em várias passagens, esse corpo incorruptível será divinamente
preparado para habitar os novos céus e a nova terra, onde os salvos desfrutarão
da eternidade conquistada por Cristo em Sua obra redentora. O próprio Jesus e
as Escrituras afirmam essa promessa, assegurando uma existência transformada no
mundo vindouro.(Efésios 1:7 Colossenses 1:14I Timóteo 2:6 Hebreus 9:12)
Antes, precisamos entender que o
atual sistema de coisas neste universo, que está completamente afetado pela
queda, sabemos que tudo tem começo e tem fim. (Hebreus 1:10 a 12 II Pedro 3:10
a 13) A própria ciência, na lei da entropia, afirma que todo o universo está se
desgastando, ou seja, esta criação está completamente comprometida e será desmontada,
será destruída; todos os seus elementos serão fundidos para dar lugar a uma
nova criação, um novo cosmos, um novo universo, um novo planeta Terra. Enfim,
toda a criação será novamente restaurada e feita com um novo material, um
material eterno, completamente desconhecido ao homem natural. Trata-se de uma
doutrina que é bem clara nas Escrituras: que este sistema de coisas, este
universo, todo o sistema da criação cósmica em todos os seus reinos será
completamente destruído para dar lugar a uma nova criação gloriosa e eterna.
(Apocalipse 21 e 22)
Paulo, em 1ª Coríntios, capítulo 5,
fala que quando o nosso tabernáculo terreno se desfizer, temos uma habitação
celestial, uma nova casa, um novo edifício. Portanto, na perspectiva de Paulo,
a ressurreição nos dará a possibilidade de experimentar um corpo incorruptível,
completamente diferente do corpo biológico tal como vivemos e conhecemos hoje.
O corpo do qual a Bíblia fala - a respeito desse corpo da ressurreição, o corpo
glorificado - é feito de outro material completamente diferente deste; é feito
de material angélico, ao invés de ser feito de material biológico. (I Corintios
15)
Ainda Em sua epístola aos Coríntios, no capítulo 5, Paulo afirma que,
após a dissolução do nosso corpo terreno, aguarda-nos uma habitação celestial, uma
nova morada, um edifício eterno. Dessa forma, para Paulo, a ressurreição
proporcionará a experiência de um corpo incorruptível, distinto do corpo
biológico que conhecemos na vida presente. O corpo ressurreto, também
denominado corpo glorificado nas Escrituras, será constituído por uma
substância diferente da matéria biológica, sendo composto de uma natureza
espiritual porém tangível.
“Nós seremos transformados” I Corintios 15:52)
“Não importa quão devastadoras
sejam nossas lutas, decepções e problemas, eles são apenas temporários. Não
importa o que aconteça com você, não importa a profundidade da tragédia ou da
dor que você enfrente, não importa o quanto a morte espreite você e seus entes
queridos, a Ressurreição lhe promete um futuro de bem imensurável.” ( Josh McDowell)
O Corpo Glorificado e o Mundo
Vindouro
A ideia de que um ser espiritual é
algo sem forma e sem cor é completamente desconhecida nas páginas das
Escrituras. Nas Escrituras Sagradas, entendemos que o mundo espiritual pode
interagir com o mundo físico. Portanto, temos passagens claras, não somente
acerca dos anjos interagindo com os homens, mas também de Deus interagindo com
os homens, como com Moisés no Monte Sinai. Até mesmo o mundo espiritual caído consegue
interagir no mundo físico, e esse fato pode ser observado por qualquer
estudante das Sagradas Escrituras.
Assim cito o exemplo de Paulo que adverte
a respeito do mundo espiritual caído, afirmando que Satanás se transfigura em
anjo de luz. (I Corintios 11;14 e Efésios 6;10 a 18) Em Galatas 1.8-9, Paulo
abre a possibilidade de até mesmo um anjo descer do céu e pregar outro
evangelho. Portanto, vemos que o mundo espiritual pode interagir com o mundo
físico, transcender inclusive, e assumir forma perceptível aos nossos olhos.
“Há
uma ressurreição após a morte. Que isso nunca seja esquecido. A vida que
vivemos aqui na carne não é tudo. O mundo visível ao nosso redor não é o único
mundo com o qual temos que lidar. Nem tudo acaba quando o último suspiro é
dado, e homens e mulheres são carregados para seu longo lar na sepultura. A
trombeta um dia soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis. Todos os que
estão nos sepulcros ouvirão a voz de Cristo e sairão — aqueles que fizeram o
bem, para a ressurreição da vida, e aqueles que fizeram o mal, para a
ressurreição da condenação. Esta é uma das grandes verdades fundamentais da
religião cristã. Apeguemo-nos a ela firmemente e nunca a abandonemos.”
(J. C. Ryle)
Podemos, então, entender claramente
que o corpo glorificado será um corpo perfeito para viver em um ambiente
perfeito, criado por Deus para que o homem desfrute da vida eterna em comunhão
com Ele nos novos céus e na nova terra. Essa é uma perspectiva maravilhosa
sobre o futuro dos salvos, daqueles que creram em Cristo e aguardam a
ressurreição e a Sua vinda, quando seus corpos serão transformados para se
tornarem semelhantes ao corpo dos anjos e, sobretudo, ao corpo glorioso de
nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Essa é uma esperança que enche o coração.
Lemos em 2Co 5.17:
“Se alguém está em Cristo, nova
criatura é; as coisas antigas já passaram; eis que tudo se fez novo.”
Nesta passagem, entendemos que o
cristão, estando em Cristo e unido a Ele, passou pelo novo nascimento e é considerada
uma nova criatura. O processo de regeneração começa pelo espírito e se conclui
no corpo, que também será redimido.
O corpo do cristão será restaurado
para se conformar a um corpo glorioso, apto a viver no mundo vindouro, nesse
lugar maravilhoso que Deus está preparando, como lemos em João 14.3: “... e vos
levarei para mim mesmo.”
“E não só ela, mas nós
mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos,
esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Romanos 8:23)
O corpo glorificado será um corpo
redimido da corrupção da velha criação para ser conforme os padrões da glória
do mundo vindouro.
Portanto, duas coisas acontecem simultaneamente:
Aqui na terra, o evangelho é pregado para que
pessoas creiam em Cristo e passem pelo novo nascimento. No céu, Cristo, após Sua ascensão e
entronização, prepara o lugar para receber os salvos. (João 14:1 a 6)
Na Sua volta triunfante, os que
estiverem vivos terão seus corpos transformados, e os que morreram em Cristo
ressuscitarão com um corpo glorificado (1Co 15.51-52). Assim, enquanto na Era
da Graça os salvos têm a vida eterna garantida pelo novo nascimento, os que se
convertem recebem também a promessa de um corpo glorificado. E, no céu, cumpre-se
o que Jesus declarou em João 14: Ele está preparando o lugar onde viveremos
eternamente no lugar em que Cristo foi preparar para todos os redimidos, e isso
ocorrerá com o corpo transformado e glorificado.
“Estou totalmente convencido de que
a ressurreição de Jesus é a ponte mais crucial entre a realidade e a vida.
Conhecer a verdade deste evento é o motor que impulsiona a busca pela vitória
espiritual.” — Gary Habermas
A Ressurreição no Antigo Testamento
A doutrina da ressurreição já está
registrada no Antigo Testamento. O profeta Daniel escreveu: "Muitos
dos que dormem no pó da terra ressuscitarão: uns para a vida eterna, e outros
para vergonha e desprezo eterno" (Daniel 12:2 veja também Jó 19:26
Salmos 16:10 Isaias 26:19 Oséias 13:14)).
O profeta Daniel demonstra claramente que haverá duas ressurreições distintas:
uma para os salvos (vida eterna) e outra para os perdidos (juízo eterno). O
corpo glorificado dos redimidos lhes permitirá viver plenamente nessa nova
realidade, conforme a revelação progressiva das Escrituras, especialmente nas
epístolas de Paulo. Essa é uma verdade bíblica memorável, fonte de verdadeiro
regozijo e esperança, Sir Walter Scott disse acerca disso: “A Biblia é o único livro
completo e perfeito. Sua luz ilumina o tumulo e a eternidade. É o único livro”
Porém, temos a afirmação de que as Escrituras ensinam que todo aquele que crê
em Cristo tem a garantia da vida eterna (João 3:36), enquanto os que O rejeitam
enfrentarão o juízo (Apocalipse 20:15). Assim, a ressurreição universal
separará duas classes: os condenados e os redimidos, estes últimos revestidos
de corpos glorificados. De que lado você estará naquele grandioso dia?
A Natureza do Corpo Glorificado
Surge, então, a pergunta: Como
será esse corpo glorificado? A Bíblia oferece respostas claras. Em Mateus
22:30, Jesus declara que os ressuscitados para a vida eterna "serão
como os anjos no céu", indicando uma transformação que os assemelhará aos
seres celestiais. Isso sugere um corpo adaptado à realidade espiritual do mundo
vindouro, livre das limitações terrenas. (Incorruptível, poderoso, que não está
submetido às leis físicas como conhecemos atualmente, flutua, atravessa paredes
e se desloca de um ponto geográfico a outro em segundos)
Portanto temos as informações
claras de que o corpo ressurreto dos salvos terá propriedades angelicais e também
será similar ao corpo ressurreto de Jesus Cristo
“Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o
Salvador, o Senhor Jesus Cristo, Que transformará o nosso corpo abatido,
para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar
também a si todas as coisas.”(Filipenses 3;20 e 21)
A Esperança da Nova Habitação
Em 2 Coríntios 5:1-2, Paulo
escreve:
"Sabemos que, se a nossa casa
terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa
não feita por mãos, eterna, nos céus. Por isso, gememos, desejando ser
revestidos da nossa habitação celestial."
Aqui, o apóstolo contrasta nossa
condição atual (onde o Espírito Santo habita em nós) com a realidade futura
(onde habitaremos em Deus). Enquanto hoje somos "tabernáculos" do
Senhor, no mundo vindouro seremos plenamente integrados à Sua presença, em
corpos imortais e perfeitos. Devemos entender todos esses fatos pela cosmovisão
hebraica que é concreta e não de acordo com a visão abstrata da filosofia grega
e a doutrina do antimaterialismo gnóstico saturado com o espírito do erro.
Cristo ressuscitou em um corpo glorioso e tangível, não em um corpo fantasmagórico.
Em I Corintios 15:40 vemos
claramente essa distinção de corpos físicos e espirituais, mas ambos são tangíveis,
a diferença está na qualidade, um é mortal e outro está revestido de
imortalidade, um é corruptível e o outro está revestido de incorruptibilidade,
um é fraco o outro é forte:
“E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos
terrestres” O substantivo neutro
grego traduzido para “corpo” é “soma” e faz referencia ao corpo celestial
glorificado da mesma forma que faz ao corpo biológico humano e animal. No
momento presente é impossível dar pormenores acerca da qualidade e espécie desse
corpo glorioso, as pistas que temos nas Escrituras são sobre a natureza dos
anjos e sua dinâmica existencial e o corpo glorificado de Cristo depois da Sua
ressurreição e suas interações com o mundo físico e suas qualificações
reveladas nessa interação com as coisas envolvidas.
Paulo menciona que "gememos" na
expectativa dessa transformação (Romanos 8:23). A vida terrena, marcada por
tribulações e decadência, é apenas um reflexo pálido da glória futura. Desde a
queda de Adão, o universo aguarda a redenção final (Romanos 8:19-22). Os novos
céus e a nova terra, descritos em Apocalipse, serão um reino de beleza
inefável, onde a criação refletirá plenamente a glória de Deus. Cristo está
preparado esse mundo vindouro glorioso para os salvos viverem num corpo
glorificado.
Em I Coríntios 15:23 Cristo é
apresentado como as primícias dessa nova existência corporal tangível e incorruptível,
o primeiro a ter posse desse corpo glorioso, assim, penso eu, que de alguma
forma, que o corpo glorificado não será totalmente ou completamente angelical,
mas da mesma natureza, pelo fato de Cristo ser as primícias, me leva a
conclusão que será adicionado também ao corpo glorificado dos santos
ressurretos as qualidades elevadas, benditas e santas do corpo glorificado de
Cristo.
A Beleza da Eternidade
Imagine um amanhecer mais radiante,
um entardecer mais sublime, noites adornadas por galáxias resplandecentes —
tudo superando a beleza atual, que já testemunha a majestade divina (Salmo
19:1). Na eternidade, os redimidos contemplarão essa glória com corpos
perfeitos, livres da morte e da dor, em adoração perpétua ao Criador.
O homem foi feito para apreciar a
beleza, e Deus, como fonte de toda perfeição, preparou um mundo onde Sua obra
será manifesta em esplendor eterno. "Maranata! Vem, Senhor
Jesus!" (Apocalipse 22:20).
Em I Coríntios 15:22 Paulo ensina que
seremos vivificados por Cristo, o poder da ressurreição está nEle e com Ele, e
todos os que crêem em Cristo tem a garantia da ressurreição com um corpo
glorificado e a vida eterna.
Porquanto a vontade daquele que me
enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna;
e eu o ressuscitarei no último dia.(João 6:40)
Desejo dar mais uma ênfase sobre as palavras
de Cristo mencionadas em Mateus 22:30, acerca da qualidade do corpo glorificado
como um distintivo, pois os que ressuscitarem em Cristo serão como os anjos do
céu. Em Lucas, capítulo 24, no início do
capítulo, lemos: "No primeiro dia da semana, de madrugada, foram elas
ao sepulcro, levando as especiarias que haviam preparado. E, chegando lá,
encontraram a pedra removida do sepulcro. Entrando, não acharam o corpo do
Senhor Jesus. E, estando elas perplexas a respeito disto, eis que se apresentaram
a elas dois homens com vestes resplandecentes." O que entendo que os
santos glorificados num corpo ressurreto experimentaram as qualidades de um
corpo angelicalm, mas adicionado a isso, também as qualidades benditas do corpo
ressurreto e glorioso de nosso amado Salvador.
Na narrativa, observa-se que os
anjos presentes junto ao sepulcro no momento da ressurreição de Jesus Cristo
exibiam vestes de grande brilho. Ao considerarmos as palavras de Jesus, que
indicou que na ressurreição seríamos semelhantes aos anjos nos céus,
depreende-se que aqueles que receberem corpos glorificados também serão
revestidos de vestimentas resplandecentes, comparáveis àquelas dos anjos
presentes no sepulcro.
Interação com coisas físicas
Outro trecho relevante é encontrado
em Lucas, capítulo 24, versículos 30 e 31. Nesse relato, Lucas descreve Jesus
com Seus apóstolos. Ele toma o pão, o parte e o oferece aos discípulos; em
seguida, Jesus, já ressurreto, desaparece de sua vista. Essa passagem apresenta
um ponto digno de nota: o desaparecimento de Jesus sugere que o corpo
glorificado possui a capacidade de se tornar invisível. A narrativa sugere que
essa capacidade implica a possibilidade de deslocamento instantâneo entre
diferentes locais. Portanto, o relato de Lucas demonstra que um corpo
glorificado pode desaparecer e reaparecer em outro lugar, transcendendo as leis
naturais da criação anterior, pois é constituído por uma natureza diferente dos
elementos desta criação.
Em Atos, no capítulo 1, é narrada a
ascensão de Jesus diante dos apóstolos. Após esse evento, Jesus ascende aos
céus, em uma demonstração que transcende as leis da física. Seu corpo eleva-se
e desaparece, simbolizando Sua passagem da Terra à presença de Deus,
possivelmente ao Terceiro Céu ou a um local ainda superior, onde se encontra o
trono da Majestade Divina, para assentar-Se à direita do Senhor. Dessa forma, o
corpo glorificado demonstra uma natureza que não está sujeita às leis da física
terrena, manifestando a capacidade de ascensão, como testemunhado na ascensão
de Jesus descrita em Atos 1, na presença dos apóstolos.
Em 1ª Coríntios, capítulo 15,
versículo 50, Paulo afirma que "carne e sangue não podem herdar o
reino de Deus", isto é, o sistema do corpo biológico que pertence à velha
criação. Ele está completamente comprometido e faz parte dessa criação que
sofre com a entropia e o desgaste. Em Romanos, capítulo 8, versículo 23, no
entanto, Paulo fala sobre a redenção do nosso corpo, a redenção do nosso
espírito e a redenção do nosso corpo, uma transformação completa do ser que foi
redimido pelo nosso Senhor Jesus Cristo.
Em João, capítulo 20, versículo 20,
Jesus exibiu Suas mãos e o lado aos discípulos. Este ato demonstra que o corpo
glorificado possui tangibilidade e características físicas, embora não esteja
sujeito às limitações do mundo terreno.
Aquele que Se apresenta aos
discípulos, exibindo o corpo ressurreto com as marcas da crucificação, é o
mesmo Jesus que ascenderá aos céus, assentando-Se à direita de Deus. Esse mesmo
Jesus, Cristo, o homem com corpo glorificado, torna-Se o mediador entre Deus e
os homens, ocupando posição de honra na majestade celestial, à direita de Deus.
Isso significa que um homem com um
corpo glorificado, depois de ressuscitado, pode subir aos céus, entrar na
dimensão das realidades celestiais, onde o Deus Todo-Poderoso habita desde toda
a eternidade, e interagir completamente com aquele ambiente, como Jesus Cristo
faz hoje, sendo mediador e sentado à destra do trono nas alturas.
Após a ressurreição, um homem com
um corpo glorificado tem a capacidade de ascender aos céus, ingressar na esfera
das realidades celestiais, onde a presença do Deus Todo-Poderoso reside
eternamente, e interagir plenamente com esse ambiente, como o próprio Jesus
Cristo o faz atualmente, servindo como mediador e estando sentado à direita do
trono nas alturas.
Portanto, compreendemos, através da
ressurreição de Jesus Cristo e da atuação de Seu corpo glorificado, que
interage em nosso mundo, que o corpo glorificado pode coexistir na criação
atual e interagir com ela, bem como habitar a nova criação ou as regiões
celestiais, que existem desde a eternidade, onde Deus Pai reside.
Prosseguiremos com uma análise do
trecho bíblico de João, capítulo 21, versículos 1 a 14. Pedro convida outros
discípulos para uma pescaria. Jesus se encontra na margem do mar da Galileia,
também chamado de lago de Tiberíades, interagindo com o ambiente. Ele prepara
peixe e o oferece aos discípulos. Inicialmente, os discípulos não reconhecem
Jesus, mas Pedro o identifica como o Senhor. Observamos, então, a percepção de
Jesus em relação ao ambiente, sua atuação, sua compreensão e sua interação com
o cenário. Dessa forma, constatamos que o corpo glorificado de Jesus Cristo,
após a ressurreição, manifestava-se plenamente ativo no mundo natural. Mais uma
vez, a narrativa de João demonstra Jesus, após a ressurreição, atuando naquele
ambiente, interagindo com os discípulos pescadores e exercendo pleno domínio
sobre o ambiente físico e os elementos materiais presentes.
Considerando que Jesus é plenamente Deus e plenamente homem, após a
ressurreição, Sua natureza humana possui um corpo glorificado, mantendo-se,
contudo, homem. A Escritura, em 1 Timóteo 2:5, declara-O mediador entre Deus e
os homens, referindo-se a Jesus como homem. Desta forma, Cristo permanece sendo
100% Deus e 100% homem, conservando essa dupla natureza. A união hipostática
permanece ativa em Jesus Cristo, mesmo após a ressurreição, e continuará,
conforme creio, eternamente. Jesus será, para sempre, verdadeiramente 100%
homem e 100% Deus.
Um aspecto interessante a ser
considerado é o corpo glorificado. No livro de Mateus, capítulo 28, versículo
3, ao descrever o sepulcro após a ressurreição, o relato menciona um anjo com
aspecto semelhante a um relâmpago. Este detalhe evidencia uma característica
distintiva do corpo glorificado. Dado que Jesus afirmou que os ressuscitados
serão semelhantes aos anjos nos céus, inferimos que a natureza desse corpo
glorificado de um homem poderá, em certas condições, apresentar um aspecto
fulgurante, resplandecente, emitindo luz radiante e gloriosa.
Observo, adicionalmente, um aspecto interessante após uma análise mais
aprofundada da natureza do corpo glorificado. Compreendemos que o corpo
glorificado de um cristão ressurreto, a exemplo do corpo de nosso Senhor Jesus
Cristo, possui a capacidade de interagir com esta criação presente, que Paulo
descreve como nosso atual tabernáculo. Contudo, com este corpo, a interação com
a realidade espiritual da era vindoura é impossível. Torna-se imperativo que o
indivíduo passe por uma transformação completa para que possa, então, ingressar
e participar de um ambiente transformado, representado pelos novos céus e a
nova terra.
Gostaria de apresentar outro em Isaías, capítulo 37, versículos 36 a 38,
encontra-se o relato de como um anjo ceifou a vida de 185 mil soldados
assírios. Diante disso, e considerando as palavras de Jesus sobre a
ressurreição dos justos, que serão semelhantes aos anjos celestiais, pode-se
inferir que o corpo glorificado possuirá características de grande poder.
Conclui-se, portanto, que o corpo angélico, além de sua força, é dotado de
inteligência superior.
Portanto, é plausível inferir que o
corpo transformado, glorificado após a ressurreição, assemelha-se ao corpo
angélico. Consequentemente, pode-se concluir que os santos, após a
glorificação, desfrutarão, nos novos céus e na Nova Terra, de capacidades e
intelecto sobrenaturais, excedendo nossa compreensão atual.
Contudo, é imperativo compreender
que, embora as Escrituras sugiram que o corpo glorificado se assemelhe ao dos
anjos, manifestando grande poder e inteligência, devemos atentar para o fato de
que, conforme Mateus 24:36, os anjos não possuem onisciência. Este é um ponto
crucial, pois os anjos não são divinos. Da mesma forma, aqueles que receberão
um corpo glorificado não se tornarão divindades. Em 2 Pedro, somos informados
de que seremos participantes da natureza divina. Creio que essa participação se
refere à posse do corpo glorificado, conquistado por Jesus através da
Ressurreição, e que Ele concederá as características desse corpo glorificado a
todos os redimidos. Acredito que participar da natureza divina significa
possuir esse corpo, semelhante ao corpo angelical, o corpo pelo qual Jesus foi
o primogênito ao vencer a morte e ressuscitar. Ao emergir do túmulo, Jesus já
se apresentava com esse corpo transformado e glorificado. Portanto, Ele é o
primeiro dentre muitos santos que receberão um corpo com a mesma qualidade e
potência.
Aqui está uma preciosa e bendita verdade, pois assim como ele em tudo na
encarnação tornou-se semelhante a nós homens pecadores, porém Ele sem pecado,
também na ressurreição, nós pela glorificação do nosso corpo, seremos
semelhantes ao corpo ressurreto dele. Que bendita esperança teremos no mundo
vindouro! Mesmo hoje gemendo juntamente com toda a criação, todavia seremos transformados
em plenitude na consumação de todas as coisas, então nossos olhos feridos
pelo pecado, na visão beatifica que terá o corpo glorificando, veremos a Deus,
contemplarmos a suprema majestade do Deus triuno e como os anjos do Senhor,
nossa vida numa plenitude espiritual no mundo vindouro, seremos também
adoradores eternos, nossa vida será plena de devoção e amor pelo Senhor que nos
resgatou.
Ora, lemos em I Corintios 15:26: “ Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte.” Paulo fala acerca do
triunfo de Cristo sobre a morte, e como os santos redimidos pelo sangue do
Cordeiro receberão corpos transformados e glorificados para viverem no eterno
reino de Deus, também os ímpios e profanos irão receber um corpo ressuscitado
para serem jogados no lago de fogo eterno, e essa é a segunda morte, não treme
o leitor diante dessas verdades? No futuro, cada um de nós estará em um lugar
de punição eterna ou em um lugar de glória eterna. Os rediumidos que creram na
morte vicária e substitutiva de Cristo e seguiram o Cordeiro de Deus que tira o
pecado do mundo enquanto peregrinavam nesse mundo venceram com cristo o dano da
segunda morte, eles estarão para sempre com o Senhor.
“E quando eu for, e vos preparar
lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver
estejais vós também.” (João 14:3)
Ele, a Vida de todos, nosso Senhor e
Salvador, não planejou a maneira de sua própria morte para não parecer temer
alguma outra. Não. Ele aceitou e carregou na cruz uma morte infligida por
outros, e esses outros Seus inimigos especiais, uma morte que para eles era
supremamente terrível e de forma alguma impossível de ser enfrentada; e Ele fez
isso para que, destruindo até mesmo essa morte, Ele próprio pudesse ser
considerado a Vida, e o poder da morte fosse reconhecido como finalmente
anulado. Um maravilhoso e poderoso paradoxo ocorreu assim, pois a morte que
eles pensavam infligir a Ele como desonra e desgraça tornou-se o glorioso
monumento à derrota da morte. (Atanásio de Alexandria)
“Assim pregamos e assim haveis crido” (I Coríntios 15:11)
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claviojj@gmail.com