Mateus 16:18 Proteção ou Autoridade?
Em
Mateus 16:18, na declaração de Jesus a Pedro, a promessa de que as portas do
inferno não prevalecerão contra a Igreja tem sido interpretada, por alguns,
como uma garantia de proteção absoluta contra a apostasia da Igreja. Contudo,
essa interpretação pode ir além do que o texto originalmente afirma. Ao
proferir tais palavras, Jesus se valeu do contexto cultural de sua época, que
incluía cidades fortificadas com múltiplos portões. A analogia apresentada
sugere que o inferno seria como uma cidade fechada, repleta de cativos. Os
portões, simbolizando barreiras intransponíveis, necessitariam ser atacados
para que os cativos fossem libertados.
A
declaração de Cristo, portanto, não se refere a proteção, mas sim a uma batalha
espiritual. A Igreja, como agente dessa batalha, é chamada a evangelizar e a
adentrar o território do inimigo, portando a autoridade de Jesus Cristo para
libertar aqueles que se encontram aprisionados. A mensagem de libertação é um
tema recorrente na pregação de Jesus, especialmente no Evangelho de João.
As portas do inferno não prevalecerão, ou melhor não resistirão quando a igreja
atacar, nada sugere proteção nessa declaração, mas autoridade espiritual Com
base na descrição de Jesus sobre os "portais do inferno", devemos
interpretar, repito, que elas não prevalecerão. Isso se deve à superioridade da
autoridade da Igreja em relação à influência do mal, conforme afirmado pelo
apóstolo João em 1 João 5:19, onde se declara que aquele que está em nós é maior
do que aquele que está no mundo. Portanto, este texto deve ser compreendido
como um chamado à batalha espiritual e ao exercício da autoridade da Igreja
contra as forças do mal. Contrariamente, não se trata de uma promessa de
proteção e imunidade da Igreja ao longo da história, nem de sua
incorruptibilidade. Essa interpretação não se sustenta e será demonstrada.
Inicialmente, consideremos Atos dos Apóstolos,
capítulo 20, versículo 28, onde encontramos as palavras de Paulo: "Atentai
por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos,
para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio
sangue". No versículo 29, prossegue: "Porque eu sei isto: que, depois
da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão o
rebanho". Diante dessa advertência de Paulo, observamos que a igreja não
estará imune à apostasia e a desvios doutrinários significativos. Essa
realidade é demonstrada no Novo Testamento, ao analisarmos a situação da Igreja
na Galácia, que abandonou a genuína mensagem do Evangelho, adotando e propagando
outro evangelho. Essa doutrina, baseada no legalismo, misturava a graça com os
preceitos da Lei do Antigo Testamento, comprometendo, em certa medida, a pureza
da Igreja da Galácia. Por isso, precisou ser corrigida com todas as
forças, a leitura do livro de Gálatas é fundamental para entendermos essa
questão.
No livro de Apocalipse, capítulos 2 e 3, observamos as palavras de Jesus
Cristo dirigidas às igrejas da Ásia. Em Pérgamo, por exemplo, a igreja
enfrentava a infiltração da doutrina dos nicolaítas.
Em Tiatira,
uma profetisa seduzia os membros a práticas imorais e a consumir alimentos
oferecidos a ídolos. A igreja de Laodiceia, por sua vez, representava um estado
de auto-suficiência, manifestando orgulho e ostentação.
A respeito da igreja em Laodiceia, notamos sua condição descrita no
Apocalipse, capítulo 3, versículo 20, onde Jesus declara: "Eis que estou à
porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa
e cearei com ele, e ele comigo". Essa passagem revela que a presença de
Jesus não era uma realidade para aquela comunidade cristã. Ele estava de
fora, que situação de apostasia estava aquela igreja cristã do primeiro século!
O que vimos nessas descrições? que as igrejas de Tiatira, Laodicéia, Pergamo e Gálacia
estavam abraçando e defendendo doutrinas que Cristo e os apóstolos nunca
ensinaram. Precisaram ser corrigidas, hoje em dia há quem pronuncie ser apostólico
defendendo doutrinas de homens que os apóstolos e Cristo nunca ensinaram. Estão
na mesma situação que as igrejas acima!
Percebemos, portanto, que uma das principais exortações do Novo
Testamento é a fidelidade da igreja à doutrina apostólica e a batalha da fé
(Judas 1:3). A passagem de Mateus, capítulo 16, versículo 18, não se refere à
proteção, mas sim à batalha espiritual e à autoridade da igreja sobre as forças
espirituais malignas. Nesse sentido, a igreja é investida do poder de libertar
aqueles que estão cativos, através do anúncio do Evangelho. O exercício do
verdadeiro Evangelho, portanto, liberta os indivíduos através da verdade que é
Cristo.
C. J. Jacinto
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