C. J. Jacinto
A
questão fundamental que cada cristão deve considerar é: a doutrina é
importante? Um erro doutrinário pode prejudicar a vida de um cristão? A
reflexão sobre essas perguntas nos conduz a uma vida de maior vigilância e
discernimento em relação às doutrinas que ouvimos e aceitamos. A Sagrada
Escritura oferece respostas claras a essa indagação. Ao lermos os primeiros
versículos do capítulo 14 da Epístola aos Romanos, compreendemos que algumas
doutrinas ou práticas dentro das igrejas possuem natureza pessoal e não devem
ser impostas como regra. Paulo aborda questões existentes na igreja em Roma,
como a escolha entre comer carne ou vegetais, e a observância de dias
específicos. Ele enfatiza que todos os dias são iguais e que as preferências
alimentares ou a observância de dias são assuntos de consciência individual.
Paulo instrui e aconselha para que cada um mantenha suas convicções pessoais,
sem tentar impor essas práticas pessoais aos outros.
Considerando que há comportamentos,
pensamentos e até mesmo doutrinas com natureza essencialmente individual,
reconhecemos que certos indivíduos, movidos por uma inclinação espiritual,
optam por uma vida devocional encima desses preceitos que ele acredita serem
bons. Essa dedicação se manifesta em práticas como oração e estudo das
escrituras, levando, em muitos casos, à renúncia de atividades de lazer em favor
da prática da piedade. Contudo, aqueles que trilham esse caminho não devem, em
hipótese alguma, impor seu estilo de vida espiritual a outrem, pois tal atitude
não constitui transgressão. Precisamos entender o contexto dos primeiros versículos
de Romanos 14 sob essas circunstâncias. Porém, há heresias e falsos ensinos que
devem ser evitados e extirpados da nossa vida, Em Apocalipse 2:15 encontramos
uma verdade atemporal, há doutrinas falsas que Cristo odeia! Essas são doutrinas
que causam tropeços e quedas e não edificação! (Veja também Apocalipse 2:14)
Devemos
ficar atentos, encontramos outra passagem do apóstolo Paulo, em 2 Timóteo,
capítulo 2, versículos 17 e 18, na qual ele adverte severamente contra falsas
doutrinas propagadas e ensinadas por Himeneu e Fileto. Estes, hereges que se
infiltraram na igreja de Éfeso, disseminavam ensinamentos perigosos e
destrutivos. Paulo compara a doutrina desses dois indivíduos a uma gangrena,
uma enfermidade contagiosa que corrói a carne até atingir os ossos,
alastrando-se por todo o corpo. Consideremos, portanto, a gravidade dessas doutrinas
perniciosas que se introduziram na igreja por meio de dois falsos
mestres,contaminados pela filosofia grega e o gnosticismo. A advertência de
Paulo ressalta o poder corrosivo de certas doutrinas heréticas, que provocam
ruína espiritual e devastação. Analisemos o contexto da atuação de Himeneu e
Fileto, bem como a influência doutrinária que exerciam, a qual resultava em
prejuízo espiritual para os cristãos daquela igreja. Tudo indica que Himeneu e
Fileto pertenciam a uma corrente herética do protognosticismo. Essa corrente,
influenciada pelo dualismo grego, considerava o corpo material como maligno e
corrupto, enquanto a alma e as coisas espirituais eram tidas como supremamente
boas. Conseqüentemente, defendiam que a ressurreição possuía apenas um
significado espiritual simbólico. Adotavam, portanto, uma abordagem alegórica
na interpretação das Escrituras, especialmente no que se refere à escatologia.
Himeneu e Fileto, influenciados por essas correntes heréticas, abandonaram o
literalismo escatológico concernente a ressurreição do corpo, ela foi substituída
por uma abordagem alegórica, e isso corrompeu a doutrina da ressurreição.
Portanto, depreende-se que essa doutrina era danosa e perniciosa. Esses dois
falsos mestres, em desacordo com a interpretação tradicional, reinterpretaram
as profecias sobre a ressurreição, adotando uma abordagem simbólica alterando o
significado da apalavra de Deus. Essa postura representou um prenúncio do
modernismo e de interpretações não literais, evidenciando uma rejeição aos
princípios fundamentais e à crença na ressurreição literal, conforme
explicitamente ensinada nas Escrituras. Dada a interpretação simbólica e
alegórica da escatologia defendida por Himeneu e Fileto, influenciada pelo
pensamento grego e gnóstico, eles consideravam a matéria e o corpo
inerentemente maus. Em consequência, propunham um tipo de antinomianismo, no qual
o pecado e a degradação do corpo eram vistos como algo positivo dentro de sua
visão deturpada do conceito de vida espiritual e escatológico. A ressurreição já
aconteceu, remete a uma espécie de “protopreterismo”.
Falando
acerca desse assunto, me faz lembrar de Judas, capítulo 1, em versículo 4, onde
está escrito, porque se introduziram furtivamente alguns os quais já antes
estavam escritos para este mesmo juízo, homens impios, que convertem em
dissolução a graça de Deus e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso,
Jesus Cristo. Cristãos que se guiam pela Bíblia devem estar vigilantes contra
falsos profetas e falsos mestres.(E até mesmo devem estar atentos com relação a
falsas versões das Escrituras) e Ensinamentos heréticos, muitos deles, podem
causar danos espirituais profundos, sendo, portanto, perigosos e potencialmente
destrutivos. A seriedade das advertências de Paulo sobre essa questão ressalta
a importância dessa vigilância. Em outra parte, Paulo aborda assuntos
similares, e adverte contra os que são contrários a sã doutrina (I Timóteo 1:10)
Nós somos chamados a perceber aqueles que causam dissoluções e escândalos contra
a doutrina saudável e bíblica (Romanos 16:17)
Outro ponto relevante a ser considerado
encontra-se em 2 Pedro, capítulo 2, versículos 1 e seguintes, onde o apóstolo
Pedro escreve sobre a existência de falsos profetas entre o povo, e adverte
que, da mesma forma, haverá falsos mestres entre os fiéis. Estes introduzirão,
de modo dissimulado, doutrinas perniciosas, negando o Senhor que os resgatou,
atraindo sobre si mesmos a destruição iminente. Muitos seguirão seus caminhos
desregrados, e é crucial atentar para a gravidade que Pedro atribui às
doutrinas de perdição. Elas podem contaminar e devastar uma congregação
inteira. Todo o cristão bíblico não deve buscar ouvir pregadores que falem o
que o coração do velho homem deseja ouvir, mas tão somente pregadores
comprometidos em falar aquilo que Deus deseja ensinar.
Observe que Pedro declara que esses falsos
mestres, que introduzem furtivamente heresias destrutivas, enfrentarão uma
ruína repentina. Portanto, não apenas aqueles que adotam essas doutrinas
corruptas sofrerão as consequências, mas também aqueles que as propagam
compartilharão de conseqüências devastadoras, um destino trágico.
Em face das advertências encontradas nas
Escrituras, conforme se observa no estudo da Palavra de Deus, Paulo, em sua
epístola a Tito, no capítulo 3, versículo 10, instrui sobre a conduta a ser
adotada diante de um herege: após uma ou duas admoestações, deve-se evitá-lo. O
cristão recebe, portanto, um conselho inspirado pelo Espírito Santo, através da
escrita do apóstolo Paulo, a fim de que se evitem completamente os falsos
mestres, os falsos profetas e aqueles que propagam doutrinas de perdição e
ensinamentos não alinhados à ortodoxia cristã.
Da mesma forma que Himeneu e Fileto,
muitos propagam heresias cuja natureza é destrutiva e corrosiva. Essa realidade
exige atenção e não pode ser ignorada. Como demonstrado por meio das
Escrituras, há diversas advertências contra doutrinas destrutivas e corrosivas,
que visam corromper a alma daqueles que buscam a verdade. Portanto, devemos
estar vigilantes, pois essas advertências não foram dadas para serem
negligenciadas. Ignorá-las é desconsiderar a voz do Espírito Santo. É preciso,
pois, estarmos atentos a qualquer forma de ecumenismo ou unidade que se baseie
unicamente no amor e na camaradagem, em detrimento da fidelidade doutrinária à
Palavra de Deus. No seio de grupos que negligenciam a sã doutrina, surgem
doutores e falsos mestres que, sorrateiramente, introduzem suas doutrinas
corrosivas com o propósito de destruir. Atualmente,
vivenciamos uma época de considerável ausência de discernimento. A maioria dos
cristãos demonstra pouco interesse por essa questão. Contudo, Jesus Cristo, no
Evangelho de Mateus, capítulo 7, versículo 15, adverte: "Acautelai-vos dos
falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas, interiormente, são
lobos devoradores." Percebe-se a constante ocorrência de disfarces, como
Paulo menciona em 2 Coríntios, capítulo 11, versículo 14: "E não é de
admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz." Seus
ministros, por conseguinte, também se apresentam como ministros de justiça. Há,
portanto, um constante engano, através do qual aqueles que carecem de
discernimento espiritual não conseguem identificar a verdadeira natureza por
trás das aparências falsificadas. Muitos indivíduos são iludidos precisamente
por essa carência de discernimento, pois sua visão não é suficientemente
penetrante para perceber, de forma clara, que por trás de uma aparência de anjo
de luz pode estar um demônio. Consequentemente, heresias de perdição são
disseminadas, corroendo inúmeras vidas.
É lamentável a situação atual, na qual
pessoas são enganadas e levadas por toda sorte de doutrina, por não estarem
firmes no caminho do Senhor. A Palavra de Deus não serve como bússola,
orientação e estabilidade na verdade para que possam se manter seguros. Vivemos
em tempos de grande apostasia

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