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Livro Gratis: O Outro Evangelho da Salvação Pelas Obras

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O OUTRO EVANGELHO DA SALVAÇÃO PELAS OBRAS E A SUA OPOSIÇÃO A SOTERIOLOGIA BIBLICA

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Encontram-se falsos profetas nos círculos mais ortodoxos, que fingem ter um amor fervoroso pelas almas, mas enganam fatalmente multidões quanto ao caminho da salvação. Tais, rebaixaram deliberadamente o padrão da santidade divina e adulteraram o Evangelho para torná-lo palatável à mente carnal. (Arthur Pink)

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome”(João 1:12)

 

 

 

 

 

 

 

A seguinte advertência é encontrada na segunda epístola universal do apóstolo Pedro. Com uma solene advertência, ele escreveu:


“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.”
 Lemos isso em 2 Pedro, capítulo 2, versículo 1, na versão Corrigida e Fiel da Sociedade Bíblica Trinitariana.
Acompanhando essa leitura, desejo também fazer menção do mesmo texto na versão LTT — Literal do Texto Tradicional —, na qual podemos ler:

 “Mas houve também falsos profetas no meio do povo, como também no meio de vós haverá falsos professores mestres, os quais encobertamente ao seu lado trarão para dentro heresias de perdição, negando até mesmo ao Deus e Senhor, havendo pago a compra deles, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.”


Note o que o Apóstolo Pedro fala: ele diz que se introduzirão entre vós. Não se trata de algo externo à Igreja, mas sim interno, ou seja, dentro do próprio cristianismo. Ocorre a infiltração de falsos mestres cujo ensino herético central é negar o Senhor que os resgatou.
​Devemos entender claramente nessa declaração — conforme podemos associar nas versões Corrigida e Fiel e LTT, ambas oriundas do Textus Receptus (o texto recebido) — que o entendimento claro é este: esses falsos mestres, embora se identifiquem como cristãos, negarão o Senhor que os resgatou.

 Portanto, trata-se de um falso ensino que envolve diretamente a redenção e a obra que Cristo realizou na cruz do Calvário. Também lemos em Atos 20:29: "Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho;"
Através das palavras de Paulo, registradas por Lucas no capítulo 20, versículo 29 do livro de Atos dos Apóstolos, vemos uma dura advertência que precisamos levar muito a sério. Paulo declara que, após a sua partida, infiltrar-se-iam no meio da comunidade "lobos ferozes" que não poupariam o rebanho.

 O apóstolo expõe de modo muito explícito que a igreja sofreria um ataque por parte de hordas de falsos mestres. Comparados a lobos devoradores, estes opositores não teriam compaixão do rebanho, infiltrar-se-iam no meio da igreja e arrastariam consigo uma boa parcela de fiéis.
​Ao associar esta descrição de Paulo em Atos aos ensinamentos do apóstolo Pedro, nota-se claramente que uma das doutrinas fundamentais da fé cristã é a justificação pela fé, fundamentada na obra perfeita e consumada que Cristo realizou na cruz do Calvário. A centralidade da salvação pertence inteiramente a Cristo, e não aos homens. Negar esta verdade é enveredar pelo caminho daqueles que renegam o próprio Senhor que os resgatou.
Agora vamos ler I Pedro 5:17: "Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;"

 Aqui, o apóstolo Pedro apresenta o diabo como um leão que ruge buscando a quem possa devorar. Note que há uma associação muito clara entre a figura de linguagem da ação do diabo como um animal predador e a dos próprios falsos mestres.

 Essa associação é pertinente à ideia e ao assunto que estamos abordando, pois tanto Paulo quanto o próprio apóstolo Pedro falam acerca desses lobos vorazes e devoradores. Existe, portanto, uma ligação muito íntima entre a ação do diabo e a dos falsos mestres, visto que ambos se comportam como predadores que atacam o rebanho. Isso é assustador.

 Qualquer pessoa que leia, estude, pesquise e creia na Bíblia, e não se sinta alerta quanto a essa associação, é simplesmente insensível e ignora a autoridade das Escrituras ao abordar este assunto. Devemos tomar muito cuidado pois, além de essa linguagem ser radical, ela nos ensina que se trata de um tema que aborda ameaças espirituais perigosíssimas.

 Quando Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, faz as suas advertências — como lemos em 2 Pedro 2:1 —, precisamos observar com atenção o seu posicionamento. Ele adverte sobre a 'heresia de perdição', que, dentro do contexto, está associada a negar o Senhor que os resgatou.
​O que isso significa exatamente? Podemos entender claramente que negar o resgate ou a redenção consiste, acima de tudo, em crer que alguém pode obter a salvação por meio do próprio esforço. Essa é a idéia implícita na oferta de Caim: obter aprovação divina pelo esforço humano. Essa é a idéia implícita na construção da Torre de Babel: alcançar o céu pelo esforço próprio – Essas idéias estão todas explicitas em todas as religiões mundiais: a salvação pelas obras e por ultimo, a declaração final do humanismo  sua forma pós-moderna; o transhumanismo; alcançar a imortalidade, a vida eterna mediante o potencial humano que se manifesta no avanço da ciência.  O homem universal ou adâmico confia nas obras como uma forma de auto-redenção. Isso está enraizado no sistema religioso do homem caído.

 

“O legalismo é o ensinamento de que os pecadores são salvos (justificados, santificados e aceitos por Deus) com base em suas próprias obras de obediência à lei. O legalismo é tão prejudicial à alma humana quanto o hinduísmo, o mormonismo e o ateísmo! Não somos salvos pela nossa obediência à lei de Deus (Romanos 3:20; Gálatas 2:16; Efésios 2:8-9). Não somos santificados pela nossa obediência à lei de Deus (Gálatas 3:1-3). Nossa herança celestial não é, em hipótese alguma, conquistada ou merecida pela nossa obediência pessoal à lei de Deus (Apocalipse 7:9, 10, 14). A salvação é, em sua totalidade, somente pela graça. Os crentes não estão, em nenhum sentido, sob o jugo da lei” (Rm 6:14-15; 7:4; 8:1-4; 10:4; Gl 5:1-4, 18; I Tm 1:9-11). (Don Fortner)

De certa forma, no contexto cristão, crer nos méritos próprios para a salvação, representa uma tentativa de misturar o suor do pecador com o sangue de Cristo. Assim, pressupõe-se que a obra consumada por Jesus na cruz do Calvário não seria suficiente, exigindo a cooperação humana e as boas obras como complemento. Caso contrário, sem a adição dessas obras, o sacrifício de Cristo seria considerado insuficiente. Na pratica essa teologia, faz exatamente isso. Sendo o sangue de Cristo insuficiente, a eficiência do suor dos méritos do pecador seriam mais eficazes e necessárias, pois só com a adição deles, a redenção seria potencialmente eficaz. Mas a declaração de Hebreus 9:22 não afirma isso, mas para muitos é o oposto da declaração de Hebreus, sem derramamento do suor das boas obras, não haverá redenção.

 Assim, os mestres mencionados pelo apóstolo Pedro simplesmente seguem o caminho de Caim. No capítulo 4 do livro de Gênesis, notamos a existência de duas ofertas. Uma delas representa um sacrifício de aceitação, pois há sangue sobre o altar. Abel demonstra de forma sucinta que o derramamento de sangue é necessário para essa aceitação divina — e sem derramamento de sangue não há remissão de pecados, como atesta o autor da Epístola aos Hebreus. (I Pedro 1:9 Apocalipse 1:5 Hebreus 13:20 etc.)
​ Caim, por outro lado, apresenta o resultado do seu próprio esforço e dos seus frutos sobre o altar. Desta forma, enquanto o altar de Abel é caracterizado pelo sangue derramado, o altar de Caim representa o suor derramado. Temos aqui a origem da auto-redenção através do próprio esforço, que foi precisamente o que Caim tentou alcançar
​ Conheço muitos pregadores, igrejas e pastores que fazem exatamente isto: abordam a salvação colocando toda a ênfase no esforço próprio — Não faça isso, não faça aquilo. Se fizer, será salvo; se não fizer, não será salvo. É regra sobre regra. Eles possuem um altar, uma oferta, uma crença, possuem uma doutrina, uma convicção, liturgias, mas não a suficiência do sangue, negar que o sangue divino seja suficiente é negar a eficácia da obra consumada e perfeita de Cristo na cruz, geralmente o legalismo desenvolve uma teologia anti-Calvario, a ênfase nunca será sobre o que Cristo fez de forma definitiva e absolutamente eficiente, mas no esforço próprio, na confiança nas boas obras, sobre o altar dessa teologia antropocêntrica é ofertado perante Deus uma oferta de suor fedorento, como se ele tivesse o poder de reconciliar o homem com Deus. Após a queda, Adão e Eva coseram folhas de figueira e fizeram para si aventais para resolver o problema decorrente do pecado: a nudez. (Genesis 3:7) essa foi a primeira tentativa do pobre pecador buscar aproximação e a aprovação divina, eles confeccionaram sua roupa insuficiente, e o Senhor não ordenou que eles matassem um animal para usar a pele para se vestirem, foi o Senhor que procurou os dois que se esconderam, a iniciativa da busca partiu do Senhor, bem como matar o animal, foi uma obra divina, o primeiro estilista foi Deus quem fez as túnicas de pele, o homem não contribui com nada e Deus rejeitou em absoluto a cobertura de folhas de figueiras que eles fizeram, e nesse momento podemos entender a intensidade da declaração de que sem derreamento de sangue não há remissão de pecados, pois a morte daquele animal e a túnica de pele que serviu como cobertura, apresentam uma obra que foi feita exclusivamente pelo Deus triúno e apontava para a obra redentora perfeita de Cristo na cruz do Calvário.

“Na justificação somos completamente passivos, completamente receptivos a salvação, repito, não é por obras, não acontece por causa do esforço moral ou por se adquirir um conhecimento ou se cultivar uma experiências mística” (Gene E. Veith JR)


​Não estou dizendo que o bom comportamento, a doutrina e uma vida piedosa não sejam necessários. Não é isso que estou a questionar. Tudo isso é fundamental e deve ser abordado no seu devido contexto. Contudo, em relação à salvação, não somos salvos por aquilo que fazemos, mas sim por aquilo que Jesus fez. Boas obras possibilitam ganhar coroas e galardões, elas tem um papel como evidencia da regeneração, leia Efesios 2:8 e 9 e então não perca de vista o seu contexto imediato, os versículos 9 e 10. (Romanos e Efesios emitem a luz necessária para compreendermos passagens como Tiago 2:24)

 

“O legalismo envolve buscar o perdão de Deus, a justificação diante de Deus e a aceitação por Deus através da obediência a Ele. O legalismo é, em essência, substituir a obra consumada de Jesus pelas minhas próprias obras. O legalismo é a autoexpiação e o ápice da arrogância. É viver como se a cruz de Cristo fosse desnecessária ou insuficiente.” (CJ Mahaney)

 


​Mas diante da base pelo qual surgiu a reforma protestante, a justificação pela fé, sob o anátema do concilio de Trento sobre todos os que não crêem na eficiência do suor das boas obras, ainda assim, conheço muitos que focam somente nas nossas obrigações, como se elas fossem o fundamento da salvação. Dessa forma, se a pessoa deixa de fazer algo, perde a salvação, pois esta dependeria única e absolutamente da obra humana. Esses são falsos mestres que estão a negar, na prática, o Senhor que os resgatou. É a voz do romanismo e da contra-reforma que se infiltrou nos púlpitos e contamina a fé de milhões.

  E nada pode ser tão trágico, porque você não vai encontrar nas Escrituras que é justificado pelas obras que faz. Deus não aceita as suas obras; elas são consideradas como trapos de imundícia, pois não há justo, nem um sequer. (Isaias 64:6 e Romanos 3:10)


​Todavia, as pessoas acabam sendo enganadas por esses falsos discursos e por esses falsos mestres que, embora empunhem e citem a Bíblia, fazendo menção dela em suas mensagens, na prática abordam a questão da salvação pelo esforço humano, e não por aquilo que Cristo fez. Na verdade, eles dão uma superênfase no suor: “Faça, faça penitências, faça isso e faça aquilo, acompanhe todo o ritual da igreja ou do movimento, esforce-se para se salvar, guarde dias e festas, dê o dizimo etc”.


​Muitos neopentecostais e pentecostais o seitas protestantes controversiais e legalistas cederam a esse falso evangelho, dando uma superênfase às obras, observação da lei mosaica e de sistemas de princípios morais rígidos como necessários para a salvação. É possível encontrar muitas seitas e movimentos que fazem justamente isso: criam todo um sistema legalista para que a pessoa cumpra todas as regras e, assim, mereça a salvação de acordo com o que faz. Estes negam o Senhor que os resgatou. Se a morte e o sangue de Cristo não são suficientes, então o sacrifício de Cristo torna-se impotente, precisando do acréscimo do suor do esforço humano, e isso é categoricamente uma negação de que “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espirito Eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” (Hebreus 9:14)

 

“O legalismo também pode ser descrito como falso cristianismo, pois é essencialmente isso que ele é. Usa linguagem cristã e termos bíblicos. Soa evangélico. Adora usar frases como "evangelismo", "fundamentalismo", "literalismo bíblico" e outras semelhantes. Parece cristão, soa cristão, mas enfaticamente não é o verdadeiro cristianismo. É uma farsa espúria, uma imitação do cristianismo, uma contrafação vazia e oca da coisa real. É um fardo pesado para a vida espiritual que cria uma sensação de cativeiro e culpa. É uma fraude repugnante e nauseante aos olhos dos outros. Deus o descreve nas Escrituras como um fedor em suas narinas. Isso é o que o legalismo realmente é (Ray Stedman).


​Praticamente, a obra consumada e perfeita de Cristo é minimizada e muitas vezes nem sequer é abordada. Toda a ênfase é dada ao esforço do homem, e não à obra que Cristo realizou na cruz do Calvário. Quando se trata da cruz, da teologia da cruz e da redenção, há uma enorme superficialidade no entendimento deles. E quando é abordado o tema de que Cristo morreu por nós para nos resgatar, em vez do esforço próprio, muitos deles chegam a rejeitar essa teologia sã, porque já abraçaram o que foi promovido pelos falsos mestres. Quando ainda pior, zombam e desprezam a doutrina biblicamente sólida da obra consumada e perfeita de Cristo na cruz.


Voltamos à análise de Atos, capítulo 20, versículo 29, que já mencionei anteriormente, onde Paulo faz advertências acerca de lobos que não poupariam o rebanho. Pois muito bem, olhemos para o contexto de Atos, capítulo 20, versículo 28. Neste contexto, encontramos a declaração explícita de que a Igreja foi comprada pelo próprio sangue divino; ou seja, a redenção foi um ato efetuado pelo derramamento do sangue de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

 No entanto, esses lobos — que, como podemos observar no contexto, não poupariam o rebanho e que Pedro também mencionaria em sua epístola — afirmam exatamente o contrário. Eles dizem, de forma categórica (embora por meio de clichês e neologismos), que o sangue de Jesus Cristo não é suficiente para a redenção, sendo necessário o esforço e o suor humano para complementar e, assim, garantir que a obra de Cristo seja consumada.
​ Desta forma, eles fazem um acréscimo: negam a suficiência da redenção na cruz e sustentam que é necessário que o homem trabalhe pela sua própria salvação, concluindo aquilo que Cristo supostamente não teria concluído no Calvário. Seguindo essa heresia, conclui-se eles atribuem um fracasso ao poder remidor do sangue divino e imaculado de Cristo, caso não seja misturado com o suor das boas obras, e deixo aqui um adendo, nem devem ser consideradas como “boas obras” o que profana o sangue do Salvador, relegando a insuficiência faz ultraje ao espírito da graça;

 Veja bem: não é apenas naquela passagem clássica de Efésios 2:8-9 que lemos que a redenção e a salvação são adquiridas unicamente através daquilo que Cristo fez por nós, e não do que nós fizemos. O texto de Paulo em Efésios é muito explícito.

 Quando olhamos para outras passagens — como Tito 3:5, onde Paulo diz: «não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia nos salvou pela lavagem da regeneração e renovação do Espírito Santo» —, vemos a mesma verdade. Em Romanos 5:8-9, lemos que somos justificados pelo sangue de Cristo — não pelo sangue de Cristo misturado ao esforço das nossas boas obras ou ao nosso suor.

 Da mesma forma, em Efésios 1:7, lemos que temos a redenção pelo Seu sangue e a remissão das ofensas segundo as riquezas da Sua graça. Fica claro que a redenção ocorre pelo sangue de Cristo — não por um sangue misturado ao suor dos pecadores, mas tão somente pelo sangue de Cristo. Isso também é corroborado em passagens como Colossenses 1:14, 1 Timóteo 2:6, Hebreus 9:12 e muitos outros textos das Escrituras
Nisto consiste a mensagem do evangelho: que Cristo morreu pelos nossos pecados. Nós somos pecadores; todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Estamos falidos, mas Cristo vem e morre pelos nossos pecados.
​O Senhor nos chama ao arrependimento, a crer e a seguir a Cristo. Entendemos que isso é o evangelho. Ora, em 1 Pedro 1:18-20 está escrito: “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de cordeiro sem defeito e sem mácula.” Não meus amados irmãos, o suor do esforço religioso humano não tem poder de remir espiritualmente um pobre e miserável pecador.


​Veja bem: nem ouro, nem prata podem nos remir, muito menos o nosso próprio suor. Em 1 João 2:2 também está escrito: “Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não apenas pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.” E em 1 João 4:10 lemos: “Deus enviou seu Filho para ser a propiciação pelos nossos pecados.”

 Essas e outras passagens são suficientes para mostrar que a obra de Cristo foi um verdadeiro sacrifício. Pelo seu sangue, ele obteve perdão, paz, redenção e remissão de pecados para aqueles por quem morreu.

 A questão é: você deve crer. A obra realizada e consumada por Cristo na cruz do Calvário tem o poder de remir aqueles que reconhecem que são pecadores se arrependam de seus pecados e creem em Cristo. Todavia, deve ser dito com toda certeza e clareza: Cristo fez tudo sozinho por nós. Não há nada a acrescentar à obra que Jesus realizou na cruz do Calvário. O que você deve fazer e crer e viver debaixo dessa confiança que produz verdadeira esperança. Pensar que nossas obras podem complementar ou concluir aquilo que Jesus Cristo fez é uma blasfêmia, é anátema, é outro evangelho.

 Em Romanos 3:23-24, Paulo afirma: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus". Olhe a ênfase de Paulo: que há em Cristo (Na sua obra redentora) e não em, nós mesmos!


​Somos justificados gratuitamente; não há nada que possamos pagar, pois o nosso suor vale muito menos do que o ouro ou a prata. Além disso, essa justificação ocorre pela redenção que há em Cristo Jesus, e tão somente Nele.
​ Quando abrimos a Epístola aos Gálatas, vemos que há ali um problema sério: a igreja da Galácia caiu no legalismo. Paulo escreve no capítulo 1, versículo 6: "Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho". Ele prossegue no versículo 7: "O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem trastornar o evangelho de Cristo". No versículo 8, declara: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema". E reforça no versículo 9: "Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo: se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema". Os cristãos da Galacia, abandonaram a doutrina da salvação pela graça e começaram a observar regras e leis do Antigo Testamento como necessarias para salvação, isso estava levando eles para um antropocentrismo extremo, pois é exatamente isso o que ocorre, quando coloco minha confiança na eficiência da obra de Cristo, tenho paz e esperança, quando coloco a confiança em meus próprios esforços tenho desespero, confiar em Cristo me leva para a humildade, confiar em mim mesmo para o orgulho e hipocrisia, não é de admirar que quanto mais legalista é um sistema religioso, mas hipócritas ele produz! bendito seja o Deus de nossos Senhor Jesus Cristo pelo Evangelho da graça de Deus que se sustenta pela obra consumada e perfeita de Cristo na cruz.

 

“ O legalismo leva os crentes a pensarem que Deus os aceita com base em suas ações. A licenciosidade leva os crentes a pensarem que Deus não se importa com o que eles fazem. Ambos os erros têm consequências espirituais terríveis.” (Bryan Chapell)


​Assim, percebe-se o ponto central: a igreja da Galácia começou a acreditar que era preciso complementar a obra de Cristo, como se o que Ele realizou na cruz não fosse suficiente. Ao colocar a observância da lei como uma necessidade complementar — criando uma adição ao Evangelho —, eles negavam a suficiência da obra consumada e perfeita de Cristo na cruz. Por essa razão, tal atitude foi considerada por Paulo como anátema.
 No livro de Gálatas, capítulo 2, versículo 16, São Paulo fala de forma muito evidente e clara: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.”
​Ora, se a própria lei — a qual Paulo afirma ser santa — não pode salvar ninguém, imagine as supostas boas obras humanas, que não chegam nem aos pés da lei. A lei foi dada por Deus, enquanto as obras são praticadas pelos filhos de Adão. Se a lei concedida por Deus a Moisés não tem o poder de salvar, por que se pensaria que as obras praticadas pelos homens possuem esse poder?
​ Isso não seria arrogância e orgulho? Equivale a dizer que Cristo realizou uma obra imperfeita e sem poder suficiente para salvar, a menos que alguém a complemente com os seus próprios esforços, misturando o seu suor ao sangue de Jesus. Na verdade, isso nada mais é do que adulterar o Evangelho. Pretender misturar o esforço humano ao sangue puro e imaculado do Senhor Jesus é o mesmo que poluir o Seu sangue e corromper a mensagem evangélica.
 Quando você acredita na insuficiência da obra de Cristo na cruz do Calvário — achando que ela não foi perfeita o suficiente para salvar qualquer pecador que crer — e pensa que precisa adicionar as obras poluídas pelo suor do homem caído, você está profanando o sangue da aliança.
​Ouça a advertência do autor aos Hebreus, no capítulo 10, versículo 29: “De quanto maior castigo julgais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?”

 Se você colocar o seu suor fedorento e poluído junto com o sangue de Jesus para tentar alcançar a salvação, você está profanando esse sangue. O sangue divino de Cristo, sozinho, derramado na cruz do Calvário, foi suficiente para salvar cada pecador que se arrependa e creia em Cristo.

 Hoje em dia, muitos pregadores legalistas dão ênfase a si mesmos e ao esforço humano no que diz respeito à salvação. Eles acreditam que chegarão ao céu por esforço próprio, julgando que o suor das suas obras é suficiente e tem um poder igual — ou até superior — ao sangue de Cristo. Para eles, como o sangue de Cristo por si só não os pode salvar, seria necessário misturá-lo ao seu próprio suor para obterem a salvação.

 Esta teologia maligna apresenta o suor do pecador como sendo mais eficiente do que o sangue de Cristo isoladamente. Isso não é uma blasfémia? Não podemos dar uma superênfase à nossa própria obra, como se ela fosse a promotora da nossa salvação. Ninguém entrará no céu dizendo: “Senhor, estou aqui porque mereço, porque fiz o meu melhor; portanto, entrei no céu pelos meus próprios esforços.”


​Isso é o espírito de Babel. O povo de Babel queria alcançar os céus através de um esforço monumental, erguendo tijolo após tijolo até chegar ao trono de Deus. O homem que se esforça por si mesmo para chegar ao céu representa Babel. Na verdade, o homem só chega ao céu através de Cristo, que veio ao mundo e morreu pelos pobres pecadores. “ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (João 14:6) esta é uma afirmação categorica de Cristo, é uma afirmação exclusivista. Tão certo que não existe outro caminho a não ser através de Cristo, também não existe outro meio eficiente de salvação, a não ser através da obra consumada e perfeita de Cristo.


​Se o púlpito da sua igreja não está cheio destas verdades — de que somos salvos pelo que Cristo fez —, se do púlpito não ecoa constantemente a obra consumada e perfeita de Cristo na cruz, e se a sua igreja não prega sobre a justificação pela fé exclusivamente através do sacrifício do Calvário como obra suficiente e eficiente, fuja! Você está diante de um anátema. Não importa quão refinadas sejam as obras defendidas e quão profundamente religioso seja todo o cerimonial, Qualquer pessoa que coloque a sua obra ao mesmo nível e altura do sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário está a praticar um anátema. É Paulo que afirma isso num contexto em que os Galatas queriam alcançar a justificação pela pratica de observação de ritos, cerimônias, dias santos e um sistema de ética e comportamento.

 Acredito que o exercício da piedade e as boas obras devem ter o seu lugar na vida cristã. Elas são evidências e resultados do fruto da salvação. Somos salvos pela obra consumada e perfeita de Cristo na cruz; as nossas boas obras simplesmente existem para a glória de Deus não para minimizar a grandeza infinita do sacrifício de Cristo na cruz.
​ A obra que Cristo realizou na cruz do Calvário deve ser a ênfase da mensagem da salvação. Podemos ler essa harmonia entre o que Deus fez por nós e o resultado de nossa reação e resposta mediante a fé, única e exclusivamente na obra consumada de Cristo. Lemos isto claramente em 1 Pedro 2:24: “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas pisaduras fostes sarados.”


​Observem a expressão: “pudéssemos viver para a justiça”. Essa justiça pela qual podemos viver é o resultado de o Senhor ter levado em seu corpo os nossos pecados. Não tentem inverter o ensino do Evangelho: as boas obras só são aceitas diante de Deus quando realizadas como frutos da obra redentora de Cristo. Quando lemos Tiago 2:24, a justificação pelas obras descrita ali não pode ser arrancado do seu contexto, pois essa justificação não é para a salvação, é a justificação da própria fé “Creu Abraão em Deus, e isso foi-lhe imputado como justiça” (Tiago 3:23) ele creu e suas obras foram justificadas pela sua fé, ele não obedeceu e depois creu, ele creu e depois obedeceu, portanto a fé vem antes e o resultado depois,(Veja Hebreus 11:17) veja bem, temos todo o novo testamento para iluminar esse texto de Tiago, cujo contexto aponta para a fé de Abraão e a sua reação mediante a sua fé. “Porque se Abraão foi justificado pelas obras, tem que se gloriar, mas não diante de Deus” (Romanos 4:2) Então Paulo conclui definitivamente “Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efesios 2:9) A salvação pertence ao Senhor e não a nós, glória seja dada ao Deus Triúno, agora e para todo o sempre! Todo cristão bíblico professará “O SENHOR JUSTIÇA NOSSA” (Jeremias 23:6)


​Pedro é muito claro quanto a isso no capítulo 2, versículo 24 da sua primeira epístola. As obras são importantes, contudo, não são agentes de salvação e não possuem poder salvífico. O que pode nos salvar e purificar dos nossos pecados é tão somente o sangue que Jesus Cristo derramou na cruz do Calvário. Ele tem esse poder e eficácia por ser um sangue divino — nem sangue de animais, e muito menos suor humano, têm esse poder.

 

 

“Qual é a melhor proteção contra falsos ensinamentos? Sem dúvida, o estudo regular da Palavra de Deus, com oração pedindo o ensino do Espírito Santo. A Bíblia foi dada para ser lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (Salmo 119:105). Aquele que a lê corretamente jamais poderá errar gravemente. É a negligência com a Bíblia que torna tantas pessoas presas fáceis para o primeiro falso profeta que ouvem. Eles querem nos fazer crer que "não são instruídos e não pretendem ter opiniões formadas". A pura verdade é que são preguiçosos e ociosos na leitura da Bíblia e não gostam do trabalho de pensar por si mesmos. Nada fornece tantos seguidores para falsos profetas quanto a indolência espiritual sob o manto da humildade.” (J. C. Ryle)

 

“A salvação é completa; envolve justificação, santificação e glorificação. Pela graça, mediante a fé, Deus justifica os crentes num ato instantâneo. Ou seja, Cristo morreu pelo seu povo para que a pena pelos seus pecados fosse paga e a sua justiça lhes fosse imputada. Eles são declarados justos diante de Deus quando crêem. Uma vez justificados, Cristo os salva do poder dos seus pecados através do processo contínuo de santificação. Na santificação, os cristãos tornam-se cada vez mais semelhantes a Jesus Cristo. Mas um processo contínuo nunca termina, e o objetivo final só é alcançado com a morte. Na morte, os cristãos são glorificados; então, tornam-se completamente perfeitos pela primeira vez.” (Jay Adams)

Características do Culto Pós-Moderno

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Que culto é este? (Êxodo 12:26)

 

1- A reunião não é solene – é recreativa, não é espiritual, é emocional, síntese psicológica de comportamentos, auto-estima, o ambiente torna-se uma praça de lazer, teologia superficial e musica com ambiente psicodélico. Quem sai quebrantado, teologicamente esclarecido, edificado na fé apostólica e mais disposto a batalhar pela fé que foi dada aos santos, nessas reuniões?

2- A reunião é antropocêntrica – Uma super ênfase sobre personagens, a satisfação pessoal, o sentir-se bem, uma busca pela felicidade e pela identidade de grupo. Um artista se apresenta informal, canta, prega, não há especificamente um rebanho, mas uma platéia, a mensagem deve ser genérica e relativa, pautada na satisfação humana e não Divina, no que o homem deseja ouvir e não na força profética do que DEUS deseja falar. É humanismo com roupagens cristãs. Quem sai mais piedoso, santo, reverente e temente a Deus dessas reuniões?

3- A reunião é psíquica – A força e a carga psíquica substitui a espiritualidade, é a emoção que se busca, por isso a superênfase na musica melodramática muitas vezes induzindo pessoas a tratar a DEUS como um namorado. Cenários sintéticos, por isso mesmo, a maioria não consegue discernir que as emoções que estão sentido, não é espiritual, mas é puramente psíquico-emocional, torcedores num estádio, jovens numa danceteria, religiosos em santuários pagãos e idolátricos, esotéricos meditando ou cantando e usando psicodélicos também conseguem atingir picos de êxtases de alegrias místicas, mas não estão experimentando verdadeira espiritualidade. Não há liturgia formal, mas o movimento do corpo, o assobio, as palmas, urros, danças, como explicado acima, a solenidade é substituída pelo ambiente de clube. Quem sai mais perspicaz dessas reuniões? Quem recebe mais discernimento espiritual?

4- A reunião é informal – caracterizadas por uma atmosfera de amplitude projetada para viagens emocionais supra-reais ou causar impactos visuais. E uma técnica antiga, só que inversa, pois a religião como sistema universal, usa  a arquitetura desproporcional com símbolos sacros para impressionar e estremecer o expectador, mas a religião pós-moderna se aproveitou da tecnologia para substituir o cenário, usando luzes coloridas, bandas de rock, fumaça, danças, glamour e todos os aparatos necessários para a diversão grupal. Lamentável! Quem sai mais firme em Cristo e quem consegue viver na pratica do Evangelho depois dessas reuniões?

5- Não é protestante, nem evangélica e nem conservadora. Não há um “Sola Scriptura” com solidez, não há uma teologia da graça com polidez, há uma deformação no conceito de pecado, pois é minimizada a importância de arrependimento, o pecado nunca é visto sob a ótica de um DEUS santo, justo, misericordioso mas também punitivo pois não tolera o pecado. A mensagem do drama da cruz, a voraz violência do Calvário contra o FILHO DE DEUS por causa de nossos pecados é transformada em algo tão ambíguo, que a cruz foi transformada em um símbolo de amor e não de juízo e maldição. O que se observa é um movimento de fantasias, um melodrama pós-carismatico, um modismo seguindo a tendência do pós-modernismo, é a religião light, para muitos, uma válvula de escape emocional para outros, um anestésico para a consciência, a fim de tentar iludir a si mesmo, agora sou crente...

 

 

 

A resposta bíblica

 

Romanos 12:1–2

ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sejais conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus

Efésios 5:19

Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração

I João 2:15

Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.

Levítico 10:1

E OS filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e ofereceram fogo estranho perante o Senhor, o que não lhes ordenara.

João 4:23

Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem

Atos 2:42

E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.

Romanos 16:17

E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles.

Tito 1:9

Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes.

I Coríntios 1:18

Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.

II Timóteo 4:3

Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo coceira nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências

 

C. J. Jacinto

                               

 

 

CRISTO A VERDADE CENTRAL DA DINÂMICA DO EVANGELHO.

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CRISTO A VERDADE CENTRAL DA DINÂMICA DO EVANGELHO.

 


C. J. Jacinto

 

 

 

A célebre passagem de Jesus, registrada no Evangelho de João, capítulo 8, versículo 32, exige uma profunda reflexão para que possamos compreender a fundo o ensinamento de Cristo. Em João 8:32, lemos: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará".

 No breve ensaio filosófico de J. A. Medeiros Vieira, intitulado "Filosofia à Verdade como busca da natureza humana", apresenta-se uma definição sobre a natureza do conhecimento da verdade. O autor postula que os critérios para se alcançar a verdade se fundamentam no critério da evidência. Essa evidência pode ser alcançada tanto através do raciocínio discursivo, que envolve uma análise cuidadosa e aprofundada, quanto por meio da intuição, que se manifesta de forma imediata no interior do sujeito. Independentemente do método, a evidência é considerada o caminho essencial para a descoberta da verdade.

 A perspectiva cristã bíblica sustenta que a verdade é imutável, tendo sido revelada. Como expresso na Epístola de Judas, capítulo 1, versículo 3, a fé foi dada de uma vez por todas, sendo, portanto, definitiva. Essa verdade fixa e completa encontra-se contida nos 66 livros da Bíblia.

 Ademais, entende-se que a revelação divina, embora progressiva na economia de Deus, progrediu do Antigo Testamento para o Novo Testamento, ou seja, da Antiga Aliança para a Nova Aliança. Desta forma, o desenvolvimento e a frutificação da verdade ocorreram após sua germinação no Antigo Testamento. A verdade se manifesta plenamente no Novo Testamento, embora suas raízes se encontrem no Antigo Testamento.

 Assim, a verdade é una e se completa por meio da Nova Aliança, de modo que nos 66 livros da Bíblia encontramos uma verdade fixa, revelada por Deus. A Bíblia Sagrada, portanto, é a palavra de Deus.

 Durante seu ministério terreno e ao longo de sua vida, Jesus enfrentou oposição à sua mensagem. Inicialmente, foi rejeitado como a personificação da verdade, como o Messias. Posteriormente, sua divindade foi negada, e ele foi rejeitado como Filho de Deus e como o Verbo. Essa rejeição não se limitou à sua pessoa, mas também se estendeu aos seus ensinamentos, que foram, em grande medida, negligenciados. A verdade, portanto, manifesta-se em um conceito unificado. No Novo Testamento, e particularmente no Evangelho de João, a verdade é apresentada tanto como uma pessoa quanto como um conjunto de ensinamentos. Conseqüentemente, a verdade é personificada em Cristo e está intrinsecamente ligada aos seus ensinamentos.

 A. T. Robertson, no seu magnífico “Comentário do Texto do Novo Testamento Grego” afirmou: “A verdade é uma das marcas de Cristo, Jesus afirmará ante Tomé ser a personificação da verdade, para os discípulos era um aprendizado executando a vontade de Deus, está é uma liberdade que somente Cristo dá”

 A compreensão da experiência e do conceito de verdade exige atenção ao contexto da declaração em João, capítulo 8, versículo 32. No versículo 31, lemos: "Jesus dizia aos judeus que haviam crido nele: ‘Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos.’" Portanto, a verdade que liberta e o conhecimento da verdade estão ligados a um princípio: permanecer na palavra de Cristo. Ao nos aprofundarmos na palavra de Cristo e permitirmos que ela penetre em nós, estabelecemos um relacionamento de obediência e orientação espiritual com aquele que é a Verdade. Jesus é o caminho, a verdade e a luz; quem o segue não caminha nas trevas. Assim, aqueles que cultivam intimidade, relacionamento e comunhão com o Senhor estão aptos a discernir a realidade espiritual e a reconhecer a verdade contida nos ensinamentos de Cristo. A verdade proclamada está intrinsecamente ligada à pessoa que a proferiu.
 Portanto, é imprescindível compreender que a experiência da verdade que proporciona a liberdade reside na constância em Cristo e na fidelidade à sua palavra. Essa é a essência do cristianismo bíblico, que se fundamenta na revelação divina, na encarnação do Verbo. Essa é a plenitude da revelação de Deus, manifestada em seu Filho, que veio ao mundo para transmitir a verdade. Não se trata apenas de um conceito abstrato, mas da verdade personificada, da verdade prática que liberta e transforma, transcendendo a mera filosofia. É uma verdade pessoal, celestial e progressiva nas paginas do livro sagrado.

 Após a partida dos apóstolos, o conceito bíblico de verdade original gradualmente esvaziou-se de seu sentido. Ela se fundiu com idéias e conceitos filosóficos gregos, notadamente de Aristóteles e, em especial, de Platão entre outros, além da influencia pagã. Desse modo, a verdade foi convertida em um sistema ritualístico, um conjunto de cerimônias adotadas como se fosse parte integrante do cristianismo genuíno, embora representasse um desvio. Reduzir o cristianismo a uma filosofia ou a mais uma religião é, em essência, um equívoco. O cristianismo é a verdade por essência, natureza e fundamento. Contudo, Cristo  não é uma verdade abstrata ou subjetiva, mas uma verdade concreta e objetiva. Ela se centraliza em uma pessoa, em uma figura histórica que faleceu e ressuscitou literalmente, que está assentada à direita de Deus literalmente e que retornará literalmente. Esta é a essência da história. Portanto, o cristianismo se inicia a partir deste ponto, pois não é possível compreender o cristianismo sem considerar Cristo como uma pessoa histórica, divina e  Salvadora. A compreensão da verdade fundamental do cristianismo bíblico reside nesse cerne.

 Quando a verdade, conforme revelada na Bíblia e nos ensinamentos de Cristo, que expressam Sua própria pessoa, é deturpada e passa a ser propriedade de uma organização humana ou instituição, observa-se, em certa medida, um sinal claro de apostasia. Este processo ocorreu na história do cristianismo, e a própria Reforma Protestante não conseguiu se libertar completamente dessa visão equivocada. O cristianismo, de acordo com o Novo Testamento, está fundamentado em uma pessoa, e não em uma instituição.

 Portanto, evidencia-se que a verdade não se constitui em uma instituição, nem em um conjunto de cerimônias ou sistemas ritualísticos e sacramentais. A verdade persiste como uma pessoa, cujos ensinamentos se encontram intrinsecamente relacionados a essa figura divina. Essa é a base da verdadeira libertação espiritual, o libertador é uma pessoa não uma instituição ou um conjunto de idéias religiosas.

 No mesmo capítulo, no versículo 44, Jesus apresenta outra perspectiva. Ele acusa os judeus, como se observa: "Vós sois do diabo, vosso pai, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando profere mentiras, fala do que lhe é próprio, pois é mentiroso e pai da mentira."
 Dessa forma, enquanto Cristo é apresentado como a personificação da verdade, o diabo é retratado como a própria personificação da mentira. Ele não é apenas o mentiroso, mas também a origem e a fonte de toda a mentira.
 O contraste estabelecido é fundamental para a compreensão da declaração de Cristo sobre a libertação. Entendemos que Jesus fala da libertação do poder e do domínio do pecado, pois todo pecado teve início com uma mentira. O diabo desenvolveu essa mentira, utilizando a Palavra de Deus de forma indevida, interpretando-a de maneira equivocada, em desacordo com os princípios dados a Adão. Assim, o diabo distorceu a palavra de Deus, iniciando sua ação de mentiroso e pai da mentira desde o princípio.

 A afirmação de Jesus em João 8:32, sobre a verdade, ressoará por todo o Novo Testamento, estabelecendo o princípio de que Cristo é a Verdade. Essa perspectiva se manifesta em passagens como Efésios 4:21, onde Paulo declara: "a verdade está em Jesus". Essa posição é consistente em todo o Novo Testamento. A verdade, não reside em uma instituição, em um conjunto de dogmas, doutrinas humanas, cerimônias, rituais, sacramentos ou qualquer organização religiosa. A verdade, acima de tudo, é uma pessoa, e isso é reiterado por Paulo: "a verdade está em Jesus". Paulo direciona a verdade para uma pessoa, não para uma instituição. A base sobre o qual repousa a libertação do pecado para a salvação eterna é crer em Cristo e na sua obra consumada, “Quem crer nele não é condenado, mas quem não crê já está condenado” (João 3:18) A ordem, o imperativo fundamental é crer para não ser condenado, crer numa pessoa, não é obras cerimonialistas institucionalizados para oferecer como produto religioso de caráter salvifíco. “Crê no Senhor Jesus e será salvo tu e a tua casa” (Atos 16:31)

 Permitir-me-ei realçar um ponto. Quando uma denominação ou igreja enfatiza a divindade de Jesus Cristo, reconhecendo-o como o único e suficiente Salvador, aquele que, mediante sua obra consumada, aceitável e perfeita, cumpriu integralmente a justiça divina, e que no seu caráter doutrinário mais puro, coloca a salvação como uma ação puramente divina e não humana, e quando essa instituição centraliza sua teologia em Cristo, renunciando à pretensão de ser a própria verdade, mas reconhecendo Cristo como a verdade absoluta e a instituição como um meio de apresentar Cristo como o caminho e a verdade da vida, tal instituição, sem sombra de dúvida, demonstra sua fidelidade à autoridade de Cristo como a verdade.

 A verdadeira Igreja de Cristo se distingue por sua representação fiel de Cristo. Ela O manifesta, O proclama e O apresenta em sua pessoa, por meio de suas ações e testemunho. A Igreja encarna o corpo místico de Cristo, expressando sua vida e presença. Ela é, portanto, a representante confiável da pessoa histórica, divina, ressurreta, gloriosa e salvífica de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Como expressão do corpo de Cristo, a Igreja é a manifestação da verdade, sendo, nas palavras de Paulo, coluna e sustentáculo da verdade, através de sua teologia, confissão de fé e testemunho e defesa dos fundamentos da fé cristã.

 Permito-me apresentar o que não corresponde à verdade. A verdade, como já expus e reafirmo, transformou-se, desde a morte dos apóstolos, em um construto filosófico, um conjunto de dogmas, rituais, cerimônias e sacramentos que excluem a suficiência salvífica de Cristo e a perfeição de Sua obra consumada. Essa teologia, que se afastou completamente das raízes apostólicas do Novo Testamento, propaga, atualmente, um evangelho falso, por causa da sua natureza apostata, que se afastou da doutrina dos apóstolos do Novo Testamento.

 Analisemos, por paradoxo irônico, um livreto de José Comblin, publicado pela Paulus, editora católica, intitulado "O Que é a Verdade". Nesta obra, o autor, em sua tentativa de elaborar uma composição teológica e definir a verdade, expõe de forma clara o cerne da questão que busco abordar. Observa-se que Comblin, na página 74 do livreto, afirma que a Verdade se manifesta essencialmente na celebração dos sacramentos. Conseqüentemente, a função primordial da Igreja Católica é celebrar os sacramentos, levando alguns católicos a considerar os sacramentos como elementos essenciais para a salvação.  O Concilio de Trento determinou a salvação pelos sacramentos, e isso coloca nas mãos de uma instituição a dinâmica da operação salvifica, a justificação pela fé que é o resultado da crença de que Cristo foi o responsável pela salvação através de uma obra consumada, perfeita, aceitável perante Deus para cumprir e satisfazer a justiça divina deveria ser considerada como anátema, e assim fez aquele concilio antibíblico!

 Percebe-se nessas palavras um desvio do foco da pessoa de Cristo, de Sua obra redentora consumada e da justificação pela fé, em favor da crença nos sacramentos, como o batismo, como meio de salvação. A salvação, assim, é deslocada da pessoa divina para rituais, contrastando com o sacrifício de Cristo. Essa abordagem minimiza a obra perfeita que Jesus Cristo realizou na cruz do Calvário. Não importa o que as cerimônias litúrgicas façam com o nome de cristo e com trechos dos evangelhos. O que se faz nesse deslocamento de foco, nada mais é do que profanar o sangue da aliança (Hebreus 10:29)

 Derivado desse sacramentalismo, que deturpa o Evangelho, surge uma confiança que não se fundamenta na obra redentora de Cristo na Cruz do Calvário. No entanto, em todas as Escrituras, e especialmente no Novo Testamento, a mensagem apostólica enfatiza a fé em Cristo. A crença em Cristo é o ponto central. Essa ênfase é perceptível em diversas passagens bíblicas. Os apóstolos, como registrado no livro de Atos, afirmaram: "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo, tu e a tua casa". Essa foi a resposta dada àquele que buscava a salvação. Contudo, o sacramentalismo desvia o foco da salvação da pessoa de Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, para obras, rituais, cerimônias e sacramentos, considerados necessários ou mesmo essenciais para a salvação. Essa é uma deturpação do Evangelho.

 

 Será que minha interpretação está correta, ou minhas palavras carecem de solidez? Meus argumentos são frágeis e desprovidos de embasamento? Para elucidar essa questão, retomarei o livro de José Comblin, na página 75, onde ele apresenta a seguinte afirmação: "A principal preocupação dos missionários (católicos) era, acima de tudo, o batismo. Os doze franciscanos que evangelizaram a Nova Espanha conseguiram batizar quatro milhões de indígenas em vinte anos."

 José Comblin, ressaltou que os missionários consideravam a evangelização secundária, pois o batismo era prioritário, assegurando aos indígenas batizados a salvação eterna.

 Prosseguindo, o autor também menciona em outros trechos que os missionários, diante da dificuldade em converter os adultos, voltavam seus esforços para o batismo de crianças que faleciam precocemente. Acreditavam, dessa forma, garantir a salvação das almas infantis, uma vez que os adultos resistiam à conversão.

 Observamos, através dessas descrições, que o foco principal da atividade missionária católica residia na administração do batismo, em detrimento da conversão através da pregação do Evangelho. A ênfase, portanto, recaía menos sobre a promoção da fé em Cristo Jesus, como Senhor e Salvador, e mais sobre a participação nos sacramentos. Essa abordagem, que negligenciava a necessidade de arrependimento, crença e profissão de fé, sugeria que o batismo, por si só, garantiria a salvação, independentemente da vivência dos ensinamentos cristãos. Consideramos essa prática uma lamentável distorção da mensagem evangélica.

 Observamos, portanto, que uma instituição propõe a salvação através de ritos próprios, dogmas e sacramentos, alegando possuir o poder de redimir as pessoas, utilizando, por exemplo, a água batismal como instrumento salvífico para aqueles que são batizados por missionários ou sacerdotes católicos. Essa prática diverge dos ensinamentos do Evangelho, especialmente do Novo Testamento. A pregação de Paulo e os ensinamentos de Cristo enfatizaram a fé em Jesus como Senhor e Salvador. Logo, esta prática representa um desvio do Evangelho original, no qual a figura de Cristo é secundarizada, levando os fiéis a acreditar que o cerimonialismo, o ritualismo e o sacramentalismo são os meios para alcançar a salvação, mediante a adesão a esses ritos. Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação (Romanos 10:8 a 10 veja também João 17:20)

 O clamor do Novo Testamento foi desviado, ignorado e praticamente substituído por um sacramento exteriorizado com poder mágico.

 Como, pois invocarão aqueles que não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão se não há quem pregue?(Romanos 10:14) A resposta para esse clamor foi ignorada, pois não importou mais a pregação do Cristo crucificado, nem na realidade da sua pessoa, pois agora o sacramento do batismo resolve o problema do ímpio, sem precisar crer em Cristo, “batize-a” em serie, num processo de cálculos numéricos infinito; milhões, mesmo sem crer, confessar, se arrepender e crer, o ritual professado no Concilio de Trento faz isso de forma mágica, e aos que procedem assim são chamados de “missionários”. Um absurdo!

 

E quanto à ordem de Cristo:


Portanto ide, fazei discípulos ( Primeiro o discipulado e a formação espiritual solida) de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; (A ênfase de Cristo nos seus ensinamentos práticos e obvio)e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. (Mateus 28:19 e 20).