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Expondo Erros, Mostrando Verdades Bíblicas
Encontram-se
falsos profetas nos círculos mais ortodoxos, que fingem ter um amor fervoroso
pelas almas, mas enganam fatalmente multidões quanto ao caminho da salvação. Tais,
rebaixaram deliberadamente o padrão da santidade divina e adulteraram o
Evangelho para torná-lo palatável à mente carnal. (Arthur Pink)
“Mas,
a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus,
aos que crêem no seu nome”(João 1:12)
A seguinte
advertência é encontrada na segunda epístola universal do apóstolo Pedro. Com
uma solene advertência, ele escreveu:
“E também houve entre o povo falsos profetas,
como entre vós haverá também falsos doutores que introduzirão encobertamente
heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si
mesmos repentina destruição.”
Lemos
isso em 2 Pedro, capítulo 2, versículo 1, na versão Corrigida e Fiel da
Sociedade Bíblica Trinitariana.
Acompanhando essa leitura, desejo também fazer
menção do mesmo texto na versão LTT — Literal do Texto Tradicional —, na qual
podemos ler:
“Mas houve
também falsos profetas no meio do povo, como também no meio de vós haverá
falsos professores mestres, os quais encobertamente ao seu lado trarão para dentro
heresias de perdição, negando até mesmo ao Deus e Senhor, havendo pago a compra
deles, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.”
Note o que o Apóstolo Pedro fala: ele diz que se
introduzirão entre vós. Não se trata de algo externo à Igreja, mas sim interno,
ou seja, dentro do próprio cristianismo. Ocorre a infiltração de falsos mestres
cujo ensino herético central é negar o Senhor que os resgatou.
Devemos entender claramente nessa declaração —
conforme podemos associar nas versões Corrigida e Fiel e LTT, ambas oriundas do
Textus Receptus (o texto recebido) — que o entendimento claro é este: esses
falsos mestres, embora se identifiquem como cristãos, negarão o Senhor que os
resgatou.
Portanto,
trata-se de um falso ensino que envolve diretamente a redenção e a obra que
Cristo realizou na cruz do Calvário. Também lemos em Atos 20:29: "Porque
eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis,
que não pouparão ao rebanho;"
Através das palavras de Paulo, registradas por Lucas
no capítulo 20, versículo 29 do livro de Atos dos Apóstolos, vemos uma dura
advertência que precisamos levar muito a sério. Paulo declara que, após a sua
partida, infiltrar-se-iam no meio da comunidade "lobos ferozes" que
não poupariam o rebanho.
O apóstolo
expõe de modo muito explícito que a igreja sofreria um ataque por parte de
hordas de falsos mestres. Comparados a lobos devoradores, estes opositores não
teriam compaixão do rebanho, infiltrar-se-iam no meio da igreja e arrastariam
consigo uma boa parcela de fiéis.
Ao associar esta descrição de Paulo em Atos aos
ensinamentos do apóstolo Pedro, nota-se claramente que uma das doutrinas
fundamentais da fé cristã é a justificação pela fé, fundamentada na obra
perfeita e consumada que Cristo realizou na cruz do Calvário. A centralidade da
salvação pertence inteiramente a Cristo, e não aos homens. Negar esta verdade é
enveredar pelo caminho daqueles que renegam o próprio Senhor que os resgatou.
Agora vamos ler I Pedro 5:17: "Sede
sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando
como leão, buscando a quem possa tragar;"
Aqui, o
apóstolo Pedro apresenta o diabo como um leão que ruge buscando a quem possa
devorar. Note que há uma associação muito clara entre a figura de linguagem da
ação do diabo como um animal predador e a dos próprios falsos mestres.
Essa associação
é pertinente à ideia e ao assunto que estamos abordando, pois tanto Paulo
quanto o próprio apóstolo Pedro falam acerca desses lobos vorazes e
devoradores. Existe, portanto, uma ligação muito íntima entre a ação do diabo e
a dos falsos mestres, visto que ambos se comportam como predadores que atacam o
rebanho. Isso é assustador.
Qualquer pessoa
que leia, estude, pesquise e creia na Bíblia, e não se sinta alerta quanto a
essa associação, é simplesmente insensível e ignora a autoridade das Escrituras
ao abordar este assunto. Devemos tomar muito cuidado pois, além de essa
linguagem ser radical, ela nos ensina que se trata de um tema que aborda
ameaças espirituais perigosíssimas.
Quando Pedro,
inspirado pelo Espírito Santo, faz as suas advertências — como lemos em 2 Pedro
2:1 —, precisamos observar com atenção o seu posicionamento. Ele adverte sobre
a 'heresia de perdição', que, dentro do contexto, está associada a negar o
Senhor que os resgatou.
O que isso significa exatamente? Podemos
entender claramente que negar o resgate ou a redenção consiste, acima de tudo,
em crer que alguém pode obter a salvação por meio do próprio esforço. Essa é a
idéia implícita na oferta de Caim: obter aprovação divina pelo esforço humano.
Essa é a idéia implícita na construção da Torre de Babel: alcançar o céu pelo
esforço próprio – Essas idéias estão todas explicitas em todas as religiões
mundiais: a salvação pelas obras e por ultimo, a declaração final do
humanismo sua forma pós-moderna; o
transhumanismo; alcançar a imortalidade, a vida eterna mediante o potencial
humano que se manifesta no avanço da ciência.
O homem universal ou adâmico confia nas obras como uma forma de auto-redenção.
Isso está enraizado no sistema religioso do homem caído.
“O
legalismo é o ensinamento de que os pecadores são salvos (justificados,
santificados e aceitos por Deus) com base em suas próprias obras de obediência
à lei. O legalismo é tão prejudicial à alma humana quanto o hinduísmo, o
mormonismo e o ateísmo! Não somos salvos pela nossa obediência à lei de Deus
(Romanos 3:20; Gálatas 2:16; Efésios 2:8-9). Não somos santificados pela nossa
obediência à lei de Deus (Gálatas 3:1-3). Nossa herança celestial não é, em
hipótese alguma, conquistada ou merecida pela nossa obediência pessoal à lei de
Deus (Apocalipse 7:9, 10, 14). A salvação é, em sua totalidade, somente pela
graça. Os crentes não estão, em nenhum sentido, sob o jugo da lei” (Rm 6:14-15;
7:4; 8:1-4; 10:4; Gl 5:1-4, 18; I Tm 1:9-11). (Don Fortner)
De certa forma, no
contexto cristão, crer nos méritos próprios para a salvação, representa uma
tentativa de misturar o suor do pecador com o sangue de Cristo. Assim,
pressupõe-se que a obra consumada por Jesus na cruz do Calvário não seria
suficiente, exigindo a cooperação humana e as boas obras como complemento. Caso
contrário, sem a adição dessas obras, o sacrifício de Cristo seria considerado
insuficiente. Na pratica essa teologia, faz exatamente isso. Sendo o sangue de
Cristo insuficiente, a eficiência do suor dos méritos do pecador seriam mais
eficazes e necessárias, pois só com a adição deles, a redenção seria
potencialmente eficaz. Mas a declaração de Hebreus 9:22 não afirma isso, mas
para muitos é o oposto da declaração de Hebreus, sem derramamento do suor das
boas obras, não haverá redenção.
Assim, os
mestres mencionados pelo apóstolo Pedro simplesmente seguem o caminho de Caim.
No capítulo 4 do livro de Gênesis, notamos a existência de duas ofertas. Uma
delas representa um sacrifício de aceitação, pois há sangue sobre o altar. Abel
demonstra de forma sucinta que o derramamento de sangue é necessário para essa
aceitação divina — e sem derramamento de sangue não há remissão de pecados,
como atesta o autor da Epístola aos Hebreus. (I Pedro 1:9 Apocalipse 1:5
Hebreus 13:20 etc.)
Caim, por outro lado, apresenta o resultado do
seu próprio esforço e dos seus frutos sobre o altar. Desta forma, enquanto o
altar de Abel é caracterizado pelo sangue derramado, o altar de Caim representa
o suor derramado. Temos aqui a origem da auto-redenção através do próprio
esforço, que foi precisamente o que Caim tentou alcançar
Conheço muitos pregadores, igrejas e pastores
que fazem exatamente isto: abordam a salvação colocando toda a ênfase no
esforço próprio — Não faça isso, não faça aquilo. Se fizer, será salvo; se não
fizer, não será salvo. É regra sobre regra. Eles possuem um altar, uma oferta,
uma crença, possuem uma doutrina, uma convicção, liturgias, mas não a
suficiência do sangue, negar que o sangue divino seja suficiente é negar a
eficácia da obra consumada e perfeita de Cristo na cruz, geralmente o legalismo
desenvolve uma teologia anti-Calvario, a ênfase nunca será sobre o que Cristo
fez de forma definitiva e absolutamente eficiente, mas no esforço próprio, na
confiança nas boas obras, sobre o altar dessa teologia antropocêntrica é
ofertado perante Deus uma oferta de suor fedorento, como se ele tivesse o poder
de reconciliar o homem com Deus. Após a queda, Adão e Eva coseram folhas de
figueira e fizeram para si aventais para resolver o problema decorrente do
pecado: a nudez. (Genesis 3:7) essa foi a primeira tentativa do pobre pecador
buscar aproximação e a aprovação divina, eles confeccionaram sua roupa
insuficiente, e o Senhor não ordenou que eles matassem um animal para usar a pele
para se vestirem, foi o Senhor que procurou os dois que se esconderam, a
iniciativa da busca partiu do Senhor, bem como matar o animal, foi uma obra
divina, o primeiro estilista foi Deus quem fez as túnicas de pele, o homem não
contribui com nada e Deus rejeitou em absoluto a cobertura de folhas de
figueiras que eles fizeram, e nesse momento podemos entender a intensidade da
declaração de que sem derreamento de sangue não há remissão de pecados, pois a
morte daquele animal e a túnica de pele que serviu como cobertura, apresentam
uma obra que foi feita exclusivamente pelo Deus triúno e apontava para a obra
redentora perfeita de Cristo na cruz do Calvário.
“Na justificação
somos completamente passivos, completamente receptivos a salvação, repito, não
é por obras, não acontece por causa do esforço moral ou por se adquirir um
conhecimento ou se cultivar uma experiências mística” (Gene E. Veith JR)
Não estou dizendo que o bom comportamento, a
doutrina e uma vida piedosa não sejam necessários. Não é isso que estou a
questionar. Tudo isso é fundamental e deve ser abordado no seu devido contexto.
Contudo, em relação à salvação, não somos salvos por aquilo que fazemos, mas
sim por aquilo que Jesus fez. Boas obras possibilitam ganhar coroas e
galardões, elas tem um papel como evidencia da regeneração, leia Efesios 2:8 e
9 e então não perca de vista o seu contexto imediato, os versículos 9 e 10.
(Romanos e Efesios emitem a luz necessária para compreendermos passagens como
Tiago 2:24)
“O legalismo
envolve buscar o perdão de Deus, a justificação diante de Deus e a aceitação
por Deus através da obediência a Ele. O legalismo é, em essência, substituir a
obra consumada de Jesus pelas minhas próprias obras. O legalismo é a
autoexpiação e o ápice da arrogância. É viver como se a cruz de Cristo fosse
desnecessária ou insuficiente.” (CJ Mahaney)
Mas diante da base pelo qual surgiu a reforma
protestante, a justificação pela fé, sob o anátema do concilio de Trento sobre
todos os que não crêem na eficiência do suor das boas obras, ainda assim,
conheço muitos que focam somente nas nossas obrigações, como se elas fossem o
fundamento da salvação. Dessa forma, se a pessoa deixa de fazer algo, perde a
salvação, pois esta dependeria única e absolutamente da obra humana. Esses são
falsos mestres que estão a negar, na prática, o Senhor que os resgatou. É a voz
do romanismo e da contra-reforma que se infiltrou nos púlpitos e contamina a fé
de milhões.
E nada pode ser
tão trágico, porque você não vai encontrar nas Escrituras que é justificado
pelas obras que faz. Deus não aceita as suas obras; elas são consideradas como
trapos de imundícia, pois não há justo, nem um sequer. (Isaias 64:6 e Romanos
3:10)
Todavia, as pessoas acabam sendo enganadas por
esses falsos discursos e por esses falsos mestres que, embora empunhem e citem
a Bíblia, fazendo menção dela em suas mensagens, na prática abordam a questão
da salvação pelo esforço humano, e não por aquilo que Cristo fez. Na verdade,
eles dão uma superênfase no suor: “Faça, faça penitências, faça isso e faça
aquilo, acompanhe todo o ritual da igreja ou do movimento, esforce-se para se
salvar, guarde dias e festas, dê o dizimo etc”.
Muitos neopentecostais e pentecostais o seitas
protestantes controversiais e legalistas cederam a esse falso evangelho, dando
uma superênfase às obras, observação da lei mosaica e de sistemas de princípios
morais rígidos como necessários para a salvação. É possível encontrar muitas
seitas e movimentos que fazem justamente isso: criam todo um sistema legalista
para que a pessoa cumpra todas as regras e, assim, mereça a salvação de acordo
com o que faz. Estes negam o Senhor que os resgatou. Se a morte e o sangue de
Cristo não são suficientes, então o sacrifício de Cristo torna-se impotente,
precisando do acréscimo do suor do esforço humano, e isso é categoricamente uma
negação de que “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espirito Eterno se
ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das
obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?” (Hebreus 9:14)
“O legalismo também pode ser descrito
como falso cristianismo, pois é essencialmente isso que ele é. Usa linguagem
cristã e termos bíblicos. Soa evangélico. Adora usar frases como
"evangelismo", "fundamentalismo", "literalismo
bíblico" e outras semelhantes. Parece cristão, soa cristão, mas
enfaticamente não é o verdadeiro cristianismo. É uma farsa espúria, uma
imitação do cristianismo, uma contrafação vazia e oca da coisa real. É um fardo
pesado para a vida espiritual que cria uma sensação de cativeiro e culpa. É uma
fraude repugnante e nauseante aos olhos dos outros. Deus o descreve nas
Escrituras como um fedor em suas narinas. Isso é o que o legalismo realmente é
(Ray Stedman).
Praticamente, a obra consumada e perfeita de
Cristo é minimizada e muitas vezes nem sequer é abordada. Toda a ênfase é dada
ao esforço do homem, e não à obra que Cristo realizou na cruz do Calvário.
Quando se trata da cruz, da teologia da cruz e da redenção, há uma enorme
superficialidade no entendimento deles. E quando é abordado o tema de que
Cristo morreu por nós para nos resgatar, em vez do esforço próprio, muitos
deles chegam a rejeitar essa teologia sã, porque já abraçaram o que foi promovido
pelos falsos mestres. Quando ainda pior, zombam e desprezam a doutrina
biblicamente sólida da obra consumada e perfeita de Cristo na cruz.
Voltamos à análise de Atos, capítulo 20,
versículo 29, que já mencionei anteriormente, onde Paulo faz advertências
acerca de lobos que não poupariam o rebanho. Pois muito bem, olhemos para o
contexto de Atos, capítulo 20, versículo 28. Neste contexto, encontramos a
declaração explícita de que a Igreja foi comprada pelo próprio sangue divino;
ou seja, a redenção foi um ato efetuado pelo derramamento do sangue de Nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo.
No entanto,
esses lobos — que, como podemos observar no contexto, não poupariam o rebanho e
que Pedro também mencionaria em sua epístola — afirmam exatamente o contrário.
Eles dizem, de forma categórica (embora por meio de clichês e neologismos), que
o sangue de Jesus Cristo não é suficiente para a redenção, sendo necessário o
esforço e o suor humano para complementar e, assim, garantir que a obra de
Cristo seja consumada.
Desta forma, eles fazem um acréscimo: negam a
suficiência da redenção na cruz e sustentam que é necessário que o homem
trabalhe pela sua própria salvação, concluindo aquilo que Cristo supostamente
não teria concluído no Calvário. Seguindo essa heresia, conclui-se eles
atribuem um fracasso ao poder remidor do sangue divino e imaculado de Cristo,
caso não seja misturado com o suor das boas obras, e deixo aqui um adendo, nem
devem ser consideradas como “boas obras” o que profana o sangue do Salvador,
relegando a insuficiência faz ultraje ao espírito da graça;
Veja bem: não é
apenas naquela passagem clássica de Efésios 2:8-9 que lemos que a redenção e a
salvação são adquiridas unicamente através daquilo que Cristo fez por nós, e
não do que nós fizemos. O texto de Paulo em Efésios é muito explícito.
Quando olhamos
para outras passagens — como Tito 3:5, onde Paulo diz: «não pelas obras de
justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia nos salvou pela
lavagem da regeneração e renovação do Espírito Santo» —, vemos a mesma verdade.
Em Romanos 5:8-9, lemos que somos justificados pelo sangue de Cristo — não pelo
sangue de Cristo misturado ao esforço das nossas boas obras ou ao nosso suor.
Da mesma forma,
em Efésios 1:7, lemos que temos a redenção pelo Seu sangue e a remissão das
ofensas segundo as riquezas da Sua graça. Fica claro que a redenção ocorre pelo
sangue de Cristo — não por um sangue misturado ao suor dos pecadores, mas tão
somente pelo sangue de Cristo. Isso também é corroborado em passagens como Colossenses
1:14, 1 Timóteo 2:6, Hebreus 9:12 e muitos outros textos das Escrituras
Nisto consiste a mensagem do evangelho: que
Cristo morreu pelos nossos pecados. Nós somos pecadores; todos pecaram e
destituídos estão da glória de Deus. Estamos falidos, mas Cristo vem e morre
pelos nossos pecados.
O Senhor nos chama ao arrependimento, a crer e
a seguir a Cristo. Entendemos que isso é o evangelho. Ora, em 1 Pedro 1:18-20
está escrito: “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou
ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos
legaram, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de cordeiro sem defeito e sem
mácula.” Não meus amados irmãos, o suor do esforço religioso humano não tem
poder de remir espiritualmente um pobre e miserável pecador.
Veja bem: nem ouro, nem prata podem nos remir,
muito menos o nosso próprio suor. Em 1 João 2:2 também está escrito: “Ele é a
propiciação pelos nossos pecados, e não apenas pelos nossos, mas também pelos
de todo o mundo.” E em 1 João 4:10 lemos: “Deus enviou seu Filho para ser a propiciação
pelos nossos pecados.”
Essas e outras
passagens são suficientes para mostrar que a obra de Cristo foi um verdadeiro
sacrifício. Pelo seu sangue, ele obteve perdão, paz, redenção e remissão de pecados
para aqueles por quem morreu.
A questão é:
você deve crer. A obra realizada e consumada por Cristo na cruz do Calvário tem
o poder de remir aqueles que reconhecem que são pecadores se arrependam de seus
pecados e creem em Cristo. Todavia, deve ser dito com toda certeza e clareza:
Cristo fez tudo sozinho por nós. Não há nada a acrescentar à obra que Jesus
realizou na cruz do Calvário. O que você deve fazer e crer e viver debaixo
dessa confiança que produz verdadeira esperança. Pensar que nossas obras podem
complementar ou concluir aquilo que Jesus Cristo fez é uma blasfêmia, é
anátema, é outro evangelho.
Em Romanos
3:23-24, Paulo afirma: "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória
de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há
em Cristo Jesus". Olhe a ênfase de Paulo: que há em Cristo (Na sua obra
redentora) e não em, nós mesmos!
Somos justificados gratuitamente; não há nada
que possamos pagar, pois o nosso suor vale muito menos do que o ouro ou a prata.
Além disso, essa justificação ocorre pela redenção que há em Cristo Jesus, e
tão somente Nele.
Quando abrimos a Epístola aos Gálatas, vemos
que há ali um problema sério: a igreja da Galácia caiu no legalismo. Paulo
escreve no capítulo 1, versículo 6: "Maravilho-me de que tão depressa
passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho".
Ele prossegue no versículo 7: "O qual não é outro, mas há alguns que vos
inquietam e querem trastornar o evangelho de Cristo". No versículo 8,
declara: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro
evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema". E reforça no
versículo 9: "Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo
digo: se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja
anátema". Os cristãos da Galacia, abandonaram a doutrina da salvação pela
graça e começaram a observar regras e leis do Antigo Testamento como
necessarias para salvação, isso estava levando eles para um antropocentrismo
extremo, pois é exatamente isso o que ocorre, quando coloco minha confiança na
eficiência da obra de Cristo, tenho paz e esperança, quando coloco a confiança
em meus próprios esforços tenho desespero, confiar em Cristo me leva para a
humildade, confiar em mim mesmo para o orgulho e hipocrisia, não é de admirar
que quanto mais legalista é um sistema religioso, mas hipócritas ele produz!
bendito seja o Deus de nossos Senhor Jesus Cristo pelo Evangelho da graça de
Deus que se sustenta pela obra consumada e perfeita de Cristo na cruz.
“
O legalismo leva os crentes a pensarem que Deus os aceita com base em suas
ações. A licenciosidade leva os crentes a pensarem que Deus não se importa com
o que eles fazem. Ambos os erros têm consequências espirituais terríveis.” (Bryan
Chapell)
Assim, percebe-se o ponto central: a igreja da
Galácia começou a acreditar que era preciso complementar a obra de Cristo, como
se o que Ele realizou na cruz não fosse suficiente. Ao colocar a observância da
lei como uma necessidade complementar — criando uma adição ao Evangelho —, eles
negavam a suficiência da obra consumada e perfeita de Cristo na cruz. Por essa
razão, tal atitude foi considerada por Paulo como anátema.
No livro
de Gálatas, capítulo 2, versículo 16, São Paulo fala de forma muito evidente e
clara: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé
em Jesus Cristo, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados
pela fé em Cristo e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei
nenhuma carne será justificada.”
Ora, se a própria lei — a qual Paulo afirma ser
santa — não pode salvar ninguém, imagine as supostas boas obras humanas, que
não chegam nem aos pés da lei. A lei foi dada por Deus, enquanto as obras são
praticadas pelos filhos de Adão. Se a lei concedida por Deus a Moisés não tem o
poder de salvar, por que se pensaria que as obras praticadas pelos homens
possuem esse poder?
Isso não seria arrogância e orgulho? Equivale
a dizer que Cristo realizou uma obra imperfeita e sem poder suficiente para
salvar, a menos que alguém a complemente com os seus próprios esforços,
misturando o seu suor ao sangue de Jesus. Na verdade, isso nada mais é do que
adulterar o Evangelho. Pretender misturar o esforço humano ao sangue puro e
imaculado do Senhor Jesus é o mesmo que poluir o Seu sangue e corromper a
mensagem evangélica.
Quando
você acredita na insuficiência da obra de Cristo na cruz do Calvário — achando
que ela não foi perfeita o suficiente para salvar qualquer pecador que crer — e
pensa que precisa adicionar as obras poluídas pelo suor do homem caído, você
está profanando o sangue da aliança.
Ouça a advertência do autor aos Hebreus, no
capítulo 10, versículo 29: “De quanto maior castigo julgais vós será julgado
merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da
aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?”
Se você colocar
o seu suor fedorento e poluído junto com o sangue de Jesus para tentar alcançar
a salvação, você está profanando esse sangue. O sangue divino de Cristo,
sozinho, derramado na cruz do Calvário, foi suficiente para salvar cada pecador
que se arrependa e creia em Cristo.
Hoje em dia,
muitos pregadores legalistas dão ênfase a si mesmos e ao esforço humano no que
diz respeito à salvação. Eles acreditam que chegarão ao céu por esforço
próprio, julgando que o suor das suas obras é suficiente e tem um poder igual —
ou até superior — ao sangue de Cristo. Para eles, como o sangue de Cristo por
si só não os pode salvar, seria necessário misturá-lo ao seu próprio suor para
obterem a salvação.
Esta teologia
maligna apresenta o suor do pecador como sendo mais eficiente do que o sangue
de Cristo isoladamente. Isso não é uma blasfémia? Não podemos dar uma
superênfase à nossa própria obra, como se ela fosse a promotora da nossa
salvação. Ninguém entrará no céu dizendo: “Senhor, estou aqui porque mereço,
porque fiz o meu melhor; portanto, entrei no céu pelos meus próprios esforços.”
Isso é o espírito de Babel. O povo de Babel
queria alcançar os céus através de um esforço monumental, erguendo tijolo após
tijolo até chegar ao trono de Deus. O homem que se esforça por si mesmo para
chegar ao céu representa Babel. Na verdade, o homem só chega ao céu através de
Cristo, que veio ao mundo e morreu pelos pobres pecadores. “ninguém vem ao Pai
a não ser por mim” (João 14:6) esta é uma afirmação categorica de Cristo, é uma
afirmação exclusivista. Tão certo que não existe outro caminho a não ser
através de Cristo, também não existe outro meio eficiente de salvação, a não
ser através da obra consumada e perfeita de Cristo.
Se o púlpito da sua igreja não está cheio
destas verdades — de que somos salvos pelo que Cristo fez —, se do púlpito não
ecoa constantemente a obra consumada e perfeita de Cristo na cruz, e se a sua
igreja não prega sobre a justificação pela fé exclusivamente através do
sacrifício do Calvário como obra suficiente e eficiente, fuja! Você está diante
de um anátema. Não importa quão refinadas sejam as obras defendidas e quão
profundamente religioso seja todo o cerimonial, Qualquer pessoa que coloque a
sua obra ao mesmo nível e altura do sacrifício de Jesus Cristo na cruz do
Calvário está a praticar um anátema. É Paulo que afirma isso num contexto em
que os Galatas queriam alcançar a justificação pela pratica de observação de
ritos, cerimônias, dias santos e um sistema de ética e comportamento.
Acredito que o
exercício da piedade e as boas obras devem ter o seu lugar na vida cristã. Elas
são evidências e resultados do fruto da salvação. Somos salvos pela obra
consumada e perfeita de Cristo na cruz; as nossas boas obras simplesmente
existem para a glória de Deus não para minimizar a grandeza infinita do
sacrifício de Cristo na cruz.
A obra que Cristo realizou na cruz do Calvário
deve ser a ênfase da mensagem da salvação. Podemos ler essa harmonia entre o
que Deus fez por nós e o resultado de nossa reação e resposta mediante a fé,
única e exclusivamente na obra consumada de Cristo. Lemos isto claramente em 1
Pedro 2:24: “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro,
para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas
pisaduras fostes sarados.”
Observem a expressão: “pudéssemos viver para a
justiça”. Essa justiça pela qual podemos viver é o resultado de o Senhor ter
levado em seu corpo os nossos pecados. Não tentem inverter o ensino do
Evangelho: as boas obras só são aceitas diante de Deus quando realizadas como
frutos da obra redentora de Cristo. Quando lemos Tiago 2:24, a justificação
pelas obras descrita ali não pode ser arrancado do seu contexto, pois essa
justificação não é para a salvação, é a justificação da própria fé “Creu Abraão
em Deus, e isso foi-lhe imputado como justiça” (Tiago 3:23) ele creu e suas
obras foram justificadas pela sua fé, ele não obedeceu e depois creu, ele creu
e depois obedeceu, portanto a fé vem antes e o resultado depois,(Veja Hebreus
11:17) veja bem, temos todo o novo testamento para iluminar esse texto de
Tiago, cujo contexto aponta para a fé de Abraão e a sua reação mediante a sua
fé. “Porque se Abraão foi justificado pelas obras, tem que se gloriar, mas não
diante de Deus” (Romanos 4:2) Então Paulo conclui definitivamente “Não vem das
obras, para que ninguém se glorie” (Efesios 2:9) A salvação pertence ao Senhor
e não a nós, glória seja dada ao Deus Triúno, agora e para todo o sempre! Todo
cristão bíblico professará “O SENHOR JUSTIÇA NOSSA” (Jeremias 23:6)
Pedro é muito claro quanto a isso no capítulo
2, versículo 24 da sua primeira epístola. As obras são importantes, contudo,
não são agentes de salvação e não possuem poder salvífico. O que pode nos
salvar e purificar dos nossos pecados é tão somente o sangue que Jesus Cristo
derramou na cruz do Calvário. Ele tem esse poder e eficácia por ser um sangue
divino — nem sangue de animais, e muito menos suor humano, têm esse poder.
“Qual
é a melhor proteção contra falsos ensinamentos? Sem dúvida, o estudo regular da
Palavra de Deus, com oração pedindo o ensino do Espírito Santo. A Bíblia foi
dada para ser lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (Salmo
119:105). Aquele que a lê corretamente jamais poderá errar gravemente. É a
negligência com a Bíblia que torna tantas pessoas presas fáceis para o primeiro
falso profeta que ouvem. Eles querem nos fazer crer que "não são
instruídos e não pretendem ter opiniões formadas". A pura verdade é que
são preguiçosos e ociosos na leitura da Bíblia e não gostam do trabalho de
pensar por si mesmos. Nada fornece tantos seguidores para falsos profetas
quanto a indolência espiritual sob o manto da humildade.” (J. C. Ryle)
“A
salvação é completa; envolve justificação, santificação e glorificação. Pela
graça, mediante a fé, Deus justifica os crentes num ato instantâneo. Ou seja,
Cristo morreu pelo seu povo para que a pena pelos seus pecados fosse paga e a
sua justiça lhes fosse imputada. Eles são declarados justos diante de Deus
quando crêem. Uma vez justificados, Cristo os salva do poder dos seus pecados
através do processo contínuo de santificação. Na santificação, os cristãos
tornam-se cada vez mais semelhantes a Jesus Cristo. Mas um processo contínuo
nunca termina, e o objetivo final só é alcançado com a morte. Na morte, os
cristãos são glorificados; então, tornam-se completamente perfeitos pela
primeira vez.” (Jay Adams)
Que culto é este? (Êxodo 12:26)
1- A reunião não é solene – é recreativa, não é espiritual,
é emocional, síntese psicológica de comportamentos, auto-estima, o ambiente
torna-se uma praça de lazer, teologia superficial e musica com ambiente
psicodélico. Quem sai quebrantado, teologicamente esclarecido, edificado na fé apostólica
e mais disposto a batalhar pela fé que foi dada aos santos, nessas reuniões?
2- A reunião é antropocêntrica – Uma super ênfase sobre
personagens, a satisfação pessoal, o sentir-se bem, uma busca pela felicidade e
pela identidade de grupo. Um artista se apresenta informal, canta, prega, não
há especificamente um rebanho, mas uma platéia, a mensagem deve ser genérica e
relativa, pautada na satisfação humana e não Divina, no que o homem deseja
ouvir e não na força profética do que DEUS deseja falar. É humanismo com
roupagens cristãs. Quem sai mais piedoso, santo, reverente e temente a Deus
dessas reuniões?
3- A reunião é psíquica – A força e a carga psíquica substitui
a espiritualidade, é a emoção que se busca, por isso a superênfase na musica melodramática
muitas vezes induzindo pessoas a tratar a DEUS como um namorado. Cenários
sintéticos, por isso mesmo, a maioria não consegue discernir que as emoções que
estão sentido, não é espiritual, mas é puramente psíquico-emocional, torcedores
num estádio, jovens numa danceteria, religiosos em santuários pagãos e
idolátricos, esotéricos meditando ou cantando e usando psicodélicos também conseguem
atingir picos de êxtases de alegrias místicas, mas não estão experimentando
verdadeira espiritualidade. Não há liturgia formal, mas o movimento do corpo, o
assobio, as palmas, urros, danças, como explicado acima, a solenidade é substituída
pelo ambiente de clube. Quem sai mais perspicaz dessas reuniões? Quem recebe
mais discernimento espiritual?
4- A reunião é informal – caracterizadas por uma
atmosfera de amplitude projetada para viagens emocionais supra-reais ou causar impactos
visuais. E uma técnica antiga, só que inversa, pois a religião como sistema
universal, usa a arquitetura
desproporcional com símbolos sacros para impressionar e estremecer o expectador,
mas a religião pós-moderna se aproveitou da tecnologia para substituir o cenário,
usando luzes coloridas, bandas de rock, fumaça, danças, glamour e todos os
aparatos necessários para a diversão grupal. Lamentável! Quem sai mais firme em
Cristo e quem consegue viver na pratica do Evangelho depois dessas reuniões?
5- Não é protestante, nem evangélica e nem
conservadora. Não há um “Sola Scriptura” com solidez, não há uma teologia da
graça com polidez, há uma deformação no conceito de pecado, pois é minimizada a
importância de arrependimento, o pecado nunca é visto sob a ótica de um DEUS
santo, justo, misericordioso mas também punitivo pois não tolera o pecado. A
mensagem do drama da cruz, a voraz violência do Calvário contra o FILHO DE DEUS
por causa de nossos pecados é transformada em algo tão ambíguo, que a cruz foi transformada
em um símbolo de amor e não de juízo e maldição. O que se observa é um
movimento de fantasias, um melodrama pós-carismatico, um modismo seguindo a tendência
do pós-modernismo, é a religião light, para muitos, uma válvula de escape
emocional para outros, um anestésico para a consciência, a fim de tentar iludir
a si mesmo, agora sou crente...
A resposta bíblica
Romanos 12:1–2
ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que
apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que
é o vosso culto racional. E não sejais conformados com este mundo, mas sede
transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual
seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus
Efésios 5:19
Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos
espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração
I João 2:15
Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém
ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
Levítico 10:1
E OS filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um
o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e
ofereceram fogo estranho perante o Senhor, o que não lhes ordenara.
João 4:23
Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros
adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais
que assim o adorem
Atos 2:42
E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão,
e no partir do pão, e nas orações.
Romanos 16:17
E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem
dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles.
Tito 1:9
Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a
doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como
para convencer os contradizentes.
I Coríntios 1:18
Porque a palavra da cruz é loucura para os que
perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.
II Timóteo 4:3
Porque virá tempo em que não suportarão a sã
doutrina; mas, tendo coceira nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme
as suas próprias concupiscências
C. J. Jacinto
CRISTO A VERDADE CENTRAL DA DINÂMICA DO EVANGELHO.
C. J. Jacinto
A célebre passagem de Jesus, registrada no Evangelho de João, capítulo
8, versículo 32, exige uma profunda reflexão para que possamos compreender a
fundo o ensinamento de Cristo. Em João 8:32, lemos: "E conhecereis a verdade,
e a verdade vos libertará".
No breve ensaio
filosófico de J. A. Medeiros Vieira, intitulado "Filosofia à Verdade como
busca da natureza humana", apresenta-se uma definição sobre a natureza do
conhecimento da verdade. O autor postula que os critérios para se alcançar a
verdade se fundamentam no critério da evidência. Essa evidência pode ser
alcançada tanto através do raciocínio discursivo, que envolve uma análise
cuidadosa e aprofundada, quanto por meio da intuição, que se manifesta de forma
imediata no interior do sujeito. Independentemente do método, a evidência é
considerada o caminho essencial para a descoberta da verdade.
A perspectiva
cristã bíblica sustenta que a verdade é imutável, tendo sido revelada. Como
expresso na Epístola de Judas, capítulo 1, versículo 3, a fé foi dada de uma
vez por todas, sendo, portanto, definitiva. Essa verdade fixa e completa
encontra-se contida nos 66 livros da Bíblia.
Ademais,
entende-se que a revelação divina, embora progressiva na economia de Deus,
progrediu do Antigo Testamento para o Novo Testamento, ou seja, da Antiga
Aliança para a Nova Aliança. Desta forma, o desenvolvimento e a frutificação da
verdade ocorreram após sua germinação no Antigo Testamento. A verdade se
manifesta plenamente no Novo Testamento, embora suas raízes se encontrem no
Antigo Testamento.
Assim, a
verdade é una e se completa por meio da Nova Aliança, de modo que nos 66 livros
da Bíblia encontramos uma verdade fixa, revelada por Deus. A Bíblia Sagrada,
portanto, é a palavra de Deus.
Durante seu
ministério terreno e ao longo de sua vida, Jesus enfrentou oposição à sua
mensagem. Inicialmente, foi rejeitado como a personificação da verdade, como o
Messias. Posteriormente, sua divindade foi negada, e ele foi rejeitado como
Filho de Deus e como o Verbo. Essa rejeição não se limitou à sua pessoa, mas
também se estendeu aos seus ensinamentos, que foram, em grande medida,
negligenciados. A verdade, portanto, manifesta-se em um conceito unificado. No
Novo Testamento, e particularmente no Evangelho de João, a verdade é
apresentada tanto como uma pessoa quanto como um conjunto de ensinamentos. Conseqüentemente,
a verdade é personificada em Cristo e está intrinsecamente ligada aos seus
ensinamentos.
A. T. Robertson, no seu magnífico “Comentário
do Texto do Novo Testamento Grego” afirmou: “A verdade é uma das marcas de
Cristo, Jesus afirmará ante Tomé ser a personificação da verdade, para os discípulos
era um aprendizado executando a vontade de Deus, está é uma liberdade que
somente Cristo dá”
A compreensão
da experiência e do conceito de verdade exige atenção ao contexto da declaração
em João, capítulo 8, versículo 32. No versículo 31, lemos: "Jesus dizia
aos judeus que haviam crido nele: ‘Se vocês permanecerem firmes na minha
palavra, verdadeiramente serão meus discípulos.’" Portanto, a verdade que
liberta e o conhecimento da verdade estão ligados a um princípio: permanecer na
palavra de Cristo. Ao nos aprofundarmos na palavra de Cristo e permitirmos que
ela penetre em nós, estabelecemos um relacionamento de obediência e orientação
espiritual com aquele que é a Verdade. Jesus é o caminho, a verdade e a luz;
quem o segue não caminha nas trevas. Assim, aqueles que cultivam intimidade,
relacionamento e comunhão com o Senhor estão aptos a discernir a realidade
espiritual e a reconhecer a verdade contida nos ensinamentos de Cristo. A
verdade proclamada está intrinsecamente ligada à pessoa que a proferiu.
Portanto,
é imprescindível compreender que a experiência da verdade que proporciona a
liberdade reside na constância em Cristo e na fidelidade à sua palavra. Essa é
a essência do cristianismo bíblico, que se fundamenta na revelação divina, na
encarnação do Verbo. Essa é a plenitude da revelação de Deus, manifestada em
seu Filho, que veio ao mundo para transmitir a verdade. Não se trata apenas de
um conceito abstrato, mas da verdade personificada, da verdade prática que
liberta e transforma, transcendendo a mera filosofia. É uma verdade pessoal,
celestial e progressiva nas paginas do livro sagrado.
Após a partida
dos apóstolos, o conceito bíblico de verdade original gradualmente esvaziou-se
de seu sentido. Ela se fundiu com idéias e conceitos filosóficos gregos,
notadamente de Aristóteles e, em especial, de Platão entre outros, além da
influencia pagã. Desse modo, a verdade foi convertida em um sistema
ritualístico, um conjunto de cerimônias adotadas como se fosse parte integrante
do cristianismo genuíno, embora representasse um desvio. Reduzir o cristianismo
a uma filosofia ou a mais uma religião é, em essência, um equívoco. O
cristianismo é a verdade por essência, natureza e fundamento. Contudo, Cristo não é uma verdade abstrata ou subjetiva, mas
uma verdade concreta e objetiva. Ela se centraliza em uma pessoa, em uma figura
histórica que faleceu e ressuscitou literalmente, que está assentada à direita
de Deus literalmente e que retornará literalmente. Esta é a essência da
história. Portanto, o cristianismo se inicia a partir deste ponto, pois não é
possível compreender o cristianismo sem considerar Cristo como uma pessoa
histórica, divina e Salvadora. A
compreensão da verdade fundamental do cristianismo bíblico reside nesse cerne.
Quando a
verdade, conforme revelada na Bíblia e nos ensinamentos de Cristo, que
expressam Sua própria pessoa, é deturpada e passa a ser propriedade de uma
organização humana ou instituição, observa-se, em certa medida, um sinal claro
de apostasia. Este processo ocorreu na história do cristianismo, e a própria
Reforma Protestante não conseguiu se libertar completamente dessa visão
equivocada. O cristianismo, de acordo com o Novo Testamento, está fundamentado
em uma pessoa, e não em uma instituição.
Portanto,
evidencia-se que a verdade não se constitui em uma instituição, nem em um
conjunto de cerimônias ou sistemas ritualísticos e sacramentais. A verdade
persiste como uma pessoa, cujos ensinamentos se encontram intrinsecamente
relacionados a essa figura divina. Essa é a base da verdadeira libertação
espiritual, o libertador é uma pessoa não uma instituição ou um conjunto de
idéias religiosas.
No mesmo
capítulo, no versículo 44, Jesus apresenta outra perspectiva. Ele acusa os
judeus, como se observa: "Vós sois do diabo, vosso pai, e quereis
satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio e não
permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando profere mentiras,
fala do que lhe é próprio, pois é mentiroso e pai da mentira."
Dessa
forma, enquanto Cristo é apresentado como a personificação da verdade, o diabo
é retratado como a própria personificação da mentira. Ele não é apenas o
mentiroso, mas também a origem e a fonte de toda a mentira.
O
contraste estabelecido é fundamental para a compreensão da declaração de Cristo
sobre a libertação. Entendemos que Jesus fala da libertação do poder e do
domínio do pecado, pois todo pecado teve início com uma mentira. O diabo
desenvolveu essa mentira, utilizando a Palavra de Deus de forma indevida,
interpretando-a de maneira equivocada, em desacordo com os princípios dados a
Adão. Assim, o diabo distorceu a palavra de Deus, iniciando sua ação de
mentiroso e pai da mentira desde o princípio.
A afirmação de
Jesus em João 8:32, sobre a verdade, ressoará por todo o Novo Testamento,
estabelecendo o princípio de que Cristo é a Verdade. Essa perspectiva se
manifesta em passagens como Efésios 4:21, onde Paulo declara: "a verdade
está em Jesus". Essa posição é consistente em todo o Novo Testamento. A
verdade, não reside em uma instituição, em um conjunto de dogmas, doutrinas
humanas, cerimônias, rituais, sacramentos ou qualquer organização religiosa. A
verdade, acima de tudo, é uma pessoa, e isso é reiterado por Paulo: "a
verdade está em Jesus". Paulo direciona a verdade para uma pessoa, não
para uma instituição. A base sobre o qual repousa a libertação do pecado para a
salvação eterna é crer em Cristo e na sua obra consumada, “Quem crer nele não é
condenado, mas quem não crê já está condenado” (João 3:18) A ordem, o
imperativo fundamental é crer para não ser condenado, crer numa pessoa, não é
obras cerimonialistas institucionalizados para oferecer como produto religioso
de caráter salvifíco. “Crê no Senhor Jesus e será salvo tu e a tua casa” (Atos
16:31)
Permitir-me-ei
realçar um ponto. Quando uma denominação ou igreja enfatiza a divindade de
Jesus Cristo, reconhecendo-o como o único e suficiente Salvador, aquele que,
mediante sua obra consumada, aceitável e perfeita, cumpriu integralmente a
justiça divina, e que no seu caráter doutrinário mais puro, coloca a salvação
como uma ação puramente divina e não humana, e quando essa instituição
centraliza sua teologia em Cristo, renunciando à pretensão de ser a própria
verdade, mas reconhecendo Cristo como a verdade absoluta e a instituição como
um meio de apresentar Cristo como o caminho e a verdade da vida, tal
instituição, sem sombra de dúvida, demonstra sua fidelidade à autoridade de Cristo
como a verdade.
A verdadeira
Igreja de Cristo se distingue por sua representação fiel de Cristo. Ela O
manifesta, O proclama e O apresenta em sua pessoa, por meio de suas ações e
testemunho. A Igreja encarna o corpo místico de Cristo, expressando sua vida e
presença. Ela é, portanto, a representante confiável da pessoa histórica,
divina, ressurreta, gloriosa e salvífica de nosso Senhor e Salvador Jesus
Cristo. Como expressão do corpo de Cristo, a Igreja é a manifestação da
verdade, sendo, nas palavras de Paulo, coluna e sustentáculo da verdade, através
de sua teologia, confissão de fé e testemunho e defesa dos fundamentos da fé
cristã.
Permito-me
apresentar o que não corresponde à verdade. A verdade, como já expus e
reafirmo, transformou-se, desde a morte dos apóstolos, em um construto
filosófico, um conjunto de dogmas, rituais, cerimônias e sacramentos que
excluem a suficiência salvífica de Cristo e a perfeição de Sua obra consumada.
Essa teologia, que se afastou completamente das raízes apostólicas do Novo
Testamento, propaga, atualmente, um evangelho falso, por causa da sua natureza
apostata, que se afastou da doutrina dos apóstolos do Novo Testamento.
Analisemos, por paradoxo irônico,
um livreto de José Comblin, publicado pela Paulus, editora católica, intitulado
"O Que é a Verdade". Nesta obra, o autor, em sua tentativa de
elaborar uma composição teológica e definir a verdade, expõe de forma clara o
cerne da questão que busco abordar. Observa-se que Comblin, na página 74 do
livreto, afirma que a Verdade se manifesta essencialmente na celebração dos sacramentos.
Conseqüentemente, a função primordial da Igreja Católica é celebrar os
sacramentos, levando alguns católicos a considerar os sacramentos como
elementos essenciais para a salvação. O
Concilio de Trento determinou a salvação pelos sacramentos, e isso coloca nas
mãos de uma instituição a dinâmica da operação salvifica, a justificação pela
fé que é o resultado da crença de que Cristo foi o responsável pela salvação
através de uma obra consumada, perfeita, aceitável perante Deus para cumprir e
satisfazer a justiça divina deveria ser considerada como anátema, e assim fez
aquele concilio antibíblico!
Percebe-se
nessas palavras um desvio do foco da pessoa de Cristo, de Sua obra redentora
consumada e da justificação pela fé, em favor da crença nos sacramentos, como o
batismo, como meio de salvação. A salvação, assim, é deslocada da pessoa divina
para rituais, contrastando com o sacrifício de Cristo. Essa abordagem minimiza
a obra perfeita que Jesus Cristo realizou na cruz do Calvário. Não importa o
que as cerimônias litúrgicas façam com o nome de cristo e com trechos dos
evangelhos. O que se faz nesse deslocamento de foco, nada mais é do que
profanar o sangue da aliança (Hebreus 10:29)
Derivado desse
sacramentalismo, que deturpa o Evangelho, surge uma confiança que não se
fundamenta na obra redentora de Cristo na Cruz do Calvário. No entanto, em
todas as Escrituras, e especialmente no Novo Testamento, a mensagem apostólica
enfatiza a fé em Cristo. A crença em Cristo é o ponto central. Essa ênfase é
perceptível em diversas passagens bíblicas. Os apóstolos, como registrado no
livro de Atos, afirmaram: "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo, tu e
a tua casa". Essa foi a resposta dada àquele que buscava a salvação.
Contudo, o sacramentalismo desvia o foco da salvação da pessoa de Jesus Cristo,
nosso Senhor e Salvador, para obras, rituais, cerimônias e sacramentos,
considerados necessários ou mesmo essenciais para a salvação. Essa é uma
deturpação do Evangelho.
Será que minha
interpretação está correta, ou minhas palavras carecem de solidez? Meus
argumentos são frágeis e desprovidos de embasamento? Para elucidar essa
questão, retomarei o livro de José Comblin, na página 75, onde ele apresenta a
seguinte afirmação: "A principal preocupação dos missionários (católicos)
era, acima de tudo, o batismo. Os doze franciscanos que evangelizaram a Nova
Espanha conseguiram batizar quatro milhões de indígenas em vinte anos."
José Comblin,
ressaltou que os missionários consideravam a evangelização secundária, pois o
batismo era prioritário, assegurando aos indígenas batizados a salvação eterna.
Prosseguindo, o
autor também menciona em outros trechos que os missionários, diante da
dificuldade em converter os adultos, voltavam seus esforços para o batismo de
crianças que faleciam precocemente. Acreditavam, dessa forma, garantir a
salvação das almas infantis, uma vez que os adultos resistiam à conversão.
Observamos,
através dessas descrições, que o foco principal da atividade missionária
católica residia na administração do batismo, em detrimento da conversão
através da pregação do Evangelho. A ênfase, portanto, recaía menos sobre a
promoção da fé em Cristo Jesus, como Senhor e Salvador, e mais sobre a
participação nos sacramentos. Essa abordagem, que negligenciava a necessidade
de arrependimento, crença e profissão de fé, sugeria que o batismo, por si só,
garantiria a salvação, independentemente da vivência dos ensinamentos cristãos.
Consideramos essa prática uma lamentável distorção da mensagem evangélica.
Observamos,
portanto, que uma instituição propõe a salvação através de ritos próprios,
dogmas e sacramentos, alegando possuir o poder de redimir as pessoas,
utilizando, por exemplo, a água batismal como instrumento salvífico para
aqueles que são batizados por missionários ou sacerdotes católicos. Essa
prática diverge dos ensinamentos do Evangelho, especialmente do Novo
Testamento. A pregação de Paulo e os ensinamentos de Cristo enfatizaram a fé em
Jesus como Senhor e Salvador. Logo, esta prática representa um desvio do
Evangelho original, no qual a figura de Cristo é secundarizada, levando os
fiéis a acreditar que o cerimonialismo, o ritualismo e o sacramentalismo são os
meios para alcançar a salvação, mediante a adesão a esses ritos. Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e
no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, saber: Se com a tua boca
confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou
dentre os mortos, serás salvo. Visto que
com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a
salvação (Romanos 10:8 a 10 veja também João 17:20)
O clamor do Novo Testamento foi
desviado, ignorado e praticamente substituído por um sacramento exteriorizado
com poder mágico.
Como, pois invocarão aqueles que
não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão se não há
quem pregue?(Romanos 10:14) A resposta para esse clamor foi ignorada, pois não
importou mais a pregação do Cristo crucificado, nem na realidade da sua pessoa,
pois agora o sacramento do batismo resolve o problema do ímpio, sem precisar
crer em Cristo, “batize-a” em serie, num processo de cálculos numéricos infinito;
milhões, mesmo sem crer, confessar, se arrepender e crer, o ritual professado
no Concilio de Trento faz isso de forma mágica, e aos que procedem assim são
chamados de “missionários”. Um absurdo!
E quanto à ordem de Cristo:
Portanto ide, fazei discípulos ( Primeiro o
discipulado e a formação espiritual solida) de todas as nações, batizando-os em
nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ensinando-os a guardar todas as
coisas que eu vos tenho mandado; (A ênfase de Cristo nos seus ensinamentos
práticos e obvio)e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação
dos séculos. Amém. (Mateus 28:19 e 20).
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