O Textus Receptus e os Padres da Igreja Primitiva: Uma Análise Didática


  

O Textus Receptus e os Padres da Igreja Primitiva: Uma Análise Didática

 

Introdução

Na escolha de uma versão da Bíblia, muitos leitores modernos priorizam a facilidade de leitura, sem considerar a base manuscrita por trás da tradução. No debate acadêmico e teológico sobre o texto do Novo Testamento, duas principais tradições manuscritas se destacam: o “Texto Crítico”  (base de versões modernas como a NVI ) e o “Textus Receptus”  ou "Texto Recebido" (base da tradição da King James Version - KJV e de outras Bíblias históricas como a Revista e Corrigida da Sociedade Biblica Trinitariana).

Atualmente se infiltrou dentro das igrejas evangélicas o que chamo de relativismo das versões bíblicas. Parafrases, traduções polemicas e até versões ecumenistas são consideradas como versões bíblicas autenticas, mesmo que seja evidente erros, contradições e amputações de textos, todavia são consideradas como versões bíblicas coerentes, o que seria uma contradição;

 

1. O Que é o Textus Receptus?

O termo “Textus Receptus” (latim para "Texto Recebido") refere-se à sucessão de textos gregos impressos do Novo Testamento que começaram com a edição de Erasmo de Roterdã em 1516 e culminaram na edição de Elzevir em 1633. Esse texto pertence à família dos manuscritos conhecidos como “Tipo Textual Bizantino” (ou Majoritário), que representa a vasta maioria dos manuscritos gregos sobreviventes (mais de 90%).  Críticos modernos, que defendem o Texto Crítico (baseado em manuscritos mais antigos, mas em menor número, como o “Codex Sinaiticus” e o “Codex Vaticanus*), frequentemente argumentam que o tipo textual bizantino não existia ou não era conhecido antes de meados do século IV. O artigo em análise refuta essa ideia, apresentando citações diretas dos primeiros escritores cristãos.

 

 2. Evidências Patrísticas: O Textus Receptus nos Primeiros Séculos

Para provar a antiguidade das leituras do Textus Receptus, o autor analisa passagens específicas que são omitidas ou alteradas no Texto Crítico moderno, mas que aparecem claramente nos escritos dos Padres da Igreja dos séculos II e III.

Abaixo estão os principais exemplos didáticos extraídos do artigo:

A. A Doxologia do Pai Nosso (Mateus 6:13)

-A Leitura: "Pois teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém."

- O Problema Crítico: O Texto Crítico omite esta frase.

- Evidência Patrística:  A frase é citada integralmente na  Didaqué (ou “Ensino dos Doze Apóstolos”, datado entre 70-120 d.C.) e no  “Diatessarão”  de Tatiano (século II), provando que essa doxologia fazia parte do texto grego aceito nos primeiros séculos. Isso prova de forma definida que a doxologia era conhecida entre os primeiros cristãos e fez parte de um documento oficial da igreja. a didaquê, que era usado como manual de discipulado e instrução doutrinaria, isso é uma evidencia colossal a favor do texto majoritário.

 

B. O Chamado "ao Arrependimento" (Mateus 9:13 e Marcos 2:17)

- A Leitura: "não vim chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento."

- O Problema Crítico: As palavras "ao arrependimento" são omitidas no “Codex Sinaiticus” e em  muitas versões modernas.

- Evidência Patrística: A “Epístola de Barnabé” (pós-70 d.C.) e  “Justino Mártir” (100-165 d.C.), em sua “Primeira Apologia”, citam a passagem incluindo a palavra "arrependimento", alinhando-se a 96% dos manuscritos gregos. Então, temos novamente evidencia que apontam para o texto majoritário como uso corrente entre apologistas, o que apresenta a sua importância na defesa da fé.

 

C. A Confissão do "Bom Mestre" (Mateus 19:16-17)

- A Leitura: "Bom Mestre, que bem farei...?" e a resposta "Por que me chamas bom? Não há bom senão um, que é Deus."

- O Problema Crítico: O Texto Crítico altera ou omite essas frases, mudando a dinâmica da passagem.

- Evidência Patrística: Hipólito (170-236 d.C.) e Orígenes  (185-255 d.C.) citam a passagem exatamente como no Textus Receptus. Isso é crucial, pois mostra que o texto já existia nessa forma antes das supostas corrupções associadas ao gnóstico Marcião (falecido por volta de 160 d.C.).

 

 D. "Muitos são Chamados, mas Poucos Escolhidos" (Mateus 20:16)

- A Leitura: A frase completa no final da parábola.

- O Problema Crítico: Omitida no Texto Crítico grego e em versões modernas.

- Evidência Patrística: Irineu de Lyon (130-200 d.C.), em sua obra fundamental “Contra as Heresias’, cita essa frase sem reservas, demonstrando que ela era considerada Escritura sagrada no século II.

 

E. O Cumprimento da Profecia na Crucificação (Mateus 27:35)

- A Leitura: "para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançaram sortes."

- O Problema Crítico: O Texto Crítico encerra o versículo em "lançando sortes", omitindo a referência profética.

- Evidência Patrística: Tertuliano (160-230 d.C.), o primeiro autor cristão de língua latina, cita a frase completa. Isso prova que a antiga versão latina (Vetus Latina), traduzida do grego por volta de 150-175 d.C., já continha essa leitura do Texto Recebido.

 

 F. "Oração e Jejum" (Marcos 9:29 e Mateus 17:21)

- A Leitura "Esta casta não pode sair com coisa alguma, senão com “oração e jejum”."

- O Problema Crítico: "E jejum" é omitido ou relegado a notas de rodapé.

- Evidência Patrística: Além do Diatessarão de Taciano, Orígenes, em seu tratado Sobre o Jejum, faz alusão direta a esse ensinamento de Jesus, pressupondo que seus leitores conheciam o texto completo.

 

G. "Curar os Quebrantados de Coração" (Lucas 4:18)

- A Leitura:  A inclusão da frase "para curar os quebrantados de coração" na citação de Isaías por Jesus.

- O Problema Crítico:  Omitida no Texto Crítico.

- Evidência Patrística: Citada por Irineu (século II) e por Pedro de Alexandria (falecido em 311 d.C.), confirmando sua presença no texto grego da época.

 

 H. A Confissão do Eunuco Etíope (Atos 8:37)

- A Leitura: "E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus."

- O Problema Crítico:  O versículo é completamente omitido no Texto Crítico, aparecendo apenas como nota de rodapé em versões modernas.

- Evidência Patrística: Irineu  cita explicitamente essa confissão de fé no século II. Além dele, Cipriano de Cartago (c. 250 d.C.) e  Pôncio, o Diácono, também fazem referência ao texto, mostrando que ele era conhecido tanto nas tradições gregas quanto latinas muito antes da compilação dos grandes códices do século IV.

 

 Conclusão

 A narrativa de que o Textus Receptus é um texto "tardio" ou "corrompido". Ao rastrear citações bíblicas nos escritos dos Padres Pré-Nicenos (Didaqué, Justino Mártir, Irineu, Tertuliano, Orígenes, entre outros),  entendemos que o argumento dos opositores não se sustentam:

 

1. As leituras do Textus Receptus eram amplamente conhecidas e aceitas nos séculos II e III, muito antes da produção do *Codex Sinaiticus  (século IV), que é a base principal do Texto Crítico moderno.

2. A omissão dessas passagens em manuscritos alexandrinos  (como o Sinaiticus) reflete, uma tradição textual minoritária e, em alguns casos, influenciada por correntes heterodoxas (como o gnosticismo de Marcião), que tendiam a "cortar" ou alterar o texto.

3.  A defesa do Textus Receptus  não se baseia em tradição cega, mas em evidências históricas de que o texto preservado pela maioria dos manuscritos e pela Igreja ao longo dos séculos é o mesmo que estava nas mãos dos primeiros defensores da fé cristã. No mínimo se pode concluir que era um texto que tem suas bases nos primeiros anos da era cristã.

Reflexão para o Leitor

Este estudo convida o leitor a ir além da "legibilidade" superficial ao escolher uma Bíblia. Compreender a história do texto bíblico e como ele foi citado pelos primeiros cristãos oferece uma base mais sólida para avaliar a confiabilidade e a preservação das Escrituras ao longo de dois milênios. Isso nos leva para uma segurança e não para a confusão, versões modernas correspondem as igrejas pós-modernas, caracterizadas por relativismo e apostasia, não admirável então que adotem versões do texto critico.

Adaptações feitas por C. J. Jacinto

 

Fonte:

https://truthwatchers.com/textus-receptus-in-the-early-church-fathers/

 

 

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