A tentação se manifesta externamente, mas a verdadeira batalha reside no
interior de cada coração. Quando Cristo orou, "Pai, afasta de mim este
cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua", Ele ensinou
que a superação da vontade própria é alcançada por meio do sofrimento. O
caminho para a vida eterna, através da regeneração, consiste em viver em
conformidade com uma vida crucificada. A antítese disso é a busca por prazeres
terrenos, seguida da condenação eterna.
A humildade de Cristo é o exemplo supremo, pois a pretensão de um homem em ser
divino é um ato de arrogância. Sendo um ser mortal, Cristo se tornou humildemente
servo quando o Verbo se fez carne, representando uma descida, um caminho
diametralmente oposto ao caminho de Satanás, que almejava ascender ao trono.
Cristo desceu de seu trono.
Se Cristo não habitar em nosso interior, não seremos capazes de discernir a
essência maligna do pecado, que se disfarça sob uma falsa aparência de beleza.
Somente um evento transcendental, que envolve todo o nosso ser, pode dar um fim
definitivo à tentação: o encontro com Cristo e a vivência com Ele, dependendo
inteiramente d'Ele como nosso padrão de existência. Permanecer em dependência
divina, através do poder do Espírito Santo, é essencial para alcançarmos a
vitória sobre todas as tentações. A vigilância constante é um imperativo, a
sobriedade espiritual, um dever fundamental. Muitas vezes, o caminho que evita
o pecado envolve sofrimentos temporários, enquanto o destino do pecado é sempre
o sofrimento eterno. Deus molda nosso caráter; a verdadeira espiritualidade
exclui o orgulho. A permanência na dependência de Deus é um processo que não
isenta da dor, mas permite a experiência dela.
Se os olhos se afastarem do brilho enganoso da atração do pecado, que estejam
fixos nas glórias celestiais. Por fim, lembremo-nos das palavras do Senhor
Jesus em Mateus, capítulo 16, versículo 24: "Se alguém quer vir após mim,
negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me". Isto é, Cristo nos
convida a segui-lo rumo à glória celestial, através das dificuldades, pois o
caminho oposto, o caminho para a condenação eterna, é apresentado com todas as
facilidades.
A Deus, toda a glória. Amém.
C. J. Jacinto
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