O Padrão Divino do Vestir: Modéstia, Pudor e Santidade
C. J. Jacinto
Em Gênesis 3, a Bíblia nos mostra que a primeira preocupação de Deus após
a queda foi com a condição moral e a dignidade de Adão e Eva. Diante da nudez,
o ser humano tentou confeccionar coberturas parciais e frágeis com folhas de
figueira. Deus, porém, interveio e fez para eles túnicas. No hebraico, a
palavra utilizada é katonet, que designa uma veste comprida. Este é o padrão do
Senhor: roupas que cobrem e protegem, um princípio que ecoa até o Apocalipse
(Ap 1:13; 6:11).
Do Tabernáculo à Igreja Moderna
Esse modelo de vestimenta não foi um fato isolado; ele se tornou o princípio
regulador para as vestes do sumo sacerdote em Êxodo 28. Hoje, essa distinção se
estende a todos nós, cristãos, pois fomos chamados para ser o "sacerdócio
real" (1 Pedro 2:9). Não é Usos e Costumes, é Doutrina: A forma como nos
apresentamos diante de Deus e do mundo não é uma mera convenção social ou
cultural passageira; trata-se de um princípio espiritual diretamente ligado à
modéstia e ao temor a Deus. O Significado de Katastole e Aidos: Quando o
apóstolo Paulo exorta em 1 Timóteo 2:9 que as mulheres se vistam com
"traje honesto", o termo grego utilizado é katastole (veste digna e
comprida). Esse vestir deve ser acompanhado de aidos (pudor), que reflete a
reverência e o zelo em não expor a intimidade e a sensualidade do corpo.
O Alerta para a Igreja Atual
Infelizmente, essas verdades têm sido amplamente negligenciadas por grande
parte da igreja moderna. O que testemunhamos hoje é uma sutil imitação do
comportamento mundano dentro dos templos, onde o sensualismo e o erotismo
muitas vezes ditam as regras. A Bíblia constantemente nos exorta a não nos
conformarmos com este século, como lemos em Romanos 12:1-2. É inegável que o
sensual e o erótico têm predominado na sociedade moderna e, infelizmente, essa
decadência moral tem influenciado bastante a igreja. Vemos em artistas
seculares, novelas e filmes uma forte tendência ao erotismo e à sexolatria.
Essa é uma questão que precisamos ponderar com muita gravidade. Afinal, expor o
corpo e as partes sensuais aos olhos alheios provoca desejos impuros e acende a
concupiscência nos corações carnais. Infelizmente, isso tem predominado no
cristianismo moderno. Além do esmaecimento da distinção entre os sexos no
contexto atual, o império do sensual tem sido uma moléstia espiritual que
degrada a imagem da santidade que os cristãos deveriam refletir ao mundo."
No entanto, em total oposição ao modelo bíblico que deveríamos imitar,
destacam-se os atores de novelas e de filmes seculares de Hollywood, que
promovem o adultério, a sensualidade, o erotismo e outros tipos de pecados. Diante
disso, quem realmente deve ser a nossa referência no que diz respeito a uma
vida de piedade? Homens mundanos ou as santas mulheres e homens piedosos de
Deus, que se vestiam com modéstia e pudor?
Desde o pós-guerra, observamos o
crescimento progressivo da moda unissex, a qual, em seus primórdios, era
veementemente repudiada pelas denominações cristãs. No entanto, essa tendência
consolidou-se gradualmente no meio eclesiástico, sendo hoje encarada com
naturalidade. É notório que gerações anteriores de cristãos se escandalizariam
diante do comportamento e da extravagância que marcam a igreja contemporânea.
Nesse contexto, devemos buscar nossa orientação e modelo de vestimenta no
exemplo dos santos do passado. As mulheres piedosas de outrora vestiam-se com
modéstia e pudor, estabelecendo um padrão que permanece relevante para a
atualidade. Ao examinarmos passagens como 1 Timóteo 2 e 1 Pedro 3, descobrimos
os princípios espirituais que devem nortear a nossa conduta. O cinema e a
televisão moldaram a sociedade em que vivemos e, até certo ponto, têm
influenciado profundamente o comportamento dos cristãos modernos. Steve
Gallagher, renomado escritor cristão e autor do livro Contaminados com a
Babilônia, escreveu um capítulo específico sobre a doutrinação da televisão na
sociedade. Hoje em dia, esse problema tornou-se ainda mais grave com o advento
da internet.
Sei que este tema é desconfortável para muitos líderes e pastores atuais que
afrouxaram as rédeas e têm medo de pregar a verdade em seus púlpitos. Eles
hesitam em orientar os cristãos a se separarem do mundo e a minimizarem a
influência que a cultura secular exerce sobre suas vidas. É imperativo
reconhecer que atravessamos tempos de crescente adversidade, um cenário que
tende a se agravar tanto no âmbito secular quanto no eclesiástico. Os padrões
morais outrora estabelecidos como norma são, atualmente, vistos como arcaicos;
nesse contexto, aqueles que defendem o pudor e a modéstia a partir do púlpito
correm o risco de serem rotulados como legalistas, inclusive por seus próprios
pares na fé. A decadência moral e a enfermidade espiritual deste mundo caído têm,
de fato, contaminado não apenas os fiéis, mas também a liderança cristã. Jamais
devemos perder essa realidade de vista.
Nós precisamos voltar a proclamar
as verdades fundamentais do Evangelho, inclusive para promover a nossa
identidade de santos em um mundo caído, conforme lemos em Filipenses 3:15.
Todavia, estamos vivendo tempos difíceis. Nós somos chamados a ser o templo do
Espírito Santo. Paulo foi muito claro quanto a isso em 1 Coríntios 6:19-20.
Esse templo, que somos chamados a ser, deve promover a glória e a santidade de
Deus. Ele deve ser sacro, pois essa é a característica de um templo divino:
expressar sacralidade, e não erotismo. A qualidade da nossa piedade também é
realçada e identificada pelo nosso modo de vestir e pelas escolhas que fazemos.
Essa é uma parte essencial da doutrina cristã, assim como a cobertura do
tabernáculo o era no passado. Hoje em dia, fala-se, prega-se e ensina-se pouco
sobre o assunto, e essa omissão compromete a postura dos cristãos modernos.
Nossa identidade como noiva de Cristo não pode ser negociada, tampouco baseada
em uma imitação profana. Figuras seculares e pessoas com valores mundanos não
são padrões morais a serem imitados. Isso é óbvio e claro. Não se engane com
falsos discursos: é muito melhor viver em santidade e ter a aprovação aos olhos
do Senhor do que viver sem poder espiritual apenas para receber a aprovação do
mundo.
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