Cristãos Devem dar Credibilidade aos Videntes Esotéricos?



 

 

É legítimo questionar a credibilidade dos videntes contemporâneos? Ao utilizar o termo "vidente", refiro-me a um grupo específico inserido nos campos do esoterismo, do espiritualismo e do ocultismo, que alega prever o futuro por meio de métodos supostamente sobrenaturais ou paranormais, como a leitura de búzios, cartas, bolas de cristal, além da interpretação de sonhos e revelações. É notável que inúmeras pessoas recorram a essas práticas em busca de orientação existencial ou de previsões acerca de seu destino, sendo que, na maioria dos casos, tais serviços são explorados com fins lucrativos e visando à notoriedade.

Anos atrás, houve um acentuado reavivamento da literatura de Nostradamus e de suas supostas profecias. Em decorrência da Guerra do Golfo, milhões de exemplares foram comercializados, acompanhados por extensas e minuciosas coberturas em jornais, revistas, rádio e televisão, consolidando um verdadeiro renascimento ocultista. Tudo isso fundamentado em interpretações de suas centúrias, as quais eram manipuladas através de esquemas preconcebidos, distorcendo fatos para que se ajustassem a eventos da realidade contemporânea.

Recordo-me nitidamente da popularidade que tais escritos alcançaram na transição entre 1999 e o ano 2000. Contudo, assim como surgiram, tais obras desapareceram das livrarias e bancas de jornais. O fenômeno deveu-se ao sensacionalismo que impulsionou o interesse pelas centúrias e à frustração de profecias que não se concretizaram na virada do milênio. Em suma, o mercado explorou exaustivamente esse nicho, capitalizando sobre a curiosidade humana a respeito do futuro e movimentando vultosas somas com a venda de livros e periódicos.
Durante a Copa do Mundo de 1998, diversos tarólogos e numerólogos falharam em suas previsões sobre o campeão; enquanto alguns apontavam a Alemanha ou a Argentina, a França acabou por conquistar o título. Episódios semelhantes ocorreram na época do trágico acidente dos Mamonas Assassinas, quando houve quem profetizasse, erroneamente, que eles sobreviveriam ao desastre aéreo. Da mesma forma, previu-se a Terceira Guerra Mundial para 1984, projetou-se 1993 como o melhor ano da carreira de Ayrton Senna — que, infelizmente, faleceu naquele período — e antecipou-se um governo excelente para Fernando Collor. A lista de equívocos estende-se, inclusive, a certos grupos e líderes religiosos que, em alto e bom som, declararam datas específicas para o retorno de Jesus.

 É notável que, diante de tantas falhas e falsas profecias, novos videntes continuem a surgir, estabelecendo datas e previsões como se o histórico de erros não servisse de lição. Segundo o apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 14:1-4, o verdadeiro objetivo da profecia é edificar, consolar e exortar a igreja.

 Em contraste, as profecias humanas contemporâneas freqüentemente semeiam desespero, vergonha, tristeza e decepção. Sabemos que as profecias bíblicas se cumprirão no tempo determinado e que qualquer revelação genuína proveniente do Senhor se concretiza cabalmente. Contudo, quando a fonte é estranha ou ligada ao ocultismo, devemos orar e jamais dar crédito. É importante considerar que, por vezes, forças espirituais contrárias buscam credibilidade junto aos homens, podendo revelar acidentes a videntes para, posteriormente, manipular os acontecimentos a fim de que tais previsões se realizem.


Passagens bíblicas que condenam a pratica de adivinhação e ocultismo:

 

Deuteronômio 18:10-12: Proíbe práticas de adivinhação, feitiçaria e consulta a médiuns.


Levítico 19:26: Proíbe práticas de adivinhação e a observação de astros.


Isaías 47:13-14: Critica os astrólogos e os que confiam em suas previsões.


Jeremias 10:2: Advoga contra seguir os costumes das nações, incluindo a astrologia.


 

C. J. Jacinto

0 comentários:

Postar um comentário