Uma Análise do Artigo de Matt Costella
(Batista Fundamentalista) sobre
Ecumenismo e Doutrina
Introdução: A Percepção de
Mudança e o Contexto Ecumênico
Nas últimas
décadas, um movimento significativo em direção à cooperação e ao diálogo entre
protestantes evangélicos e católicos romanos tem ganhado força. Iniciativas
como o movimento Promise
Keepers, cruzadas evangelísticas de Billy Graham com endosso de
arcebispos católicos, e documentos como "Evangelicals and Catholics
Together" (ECT) criaram uma percepção generalizada de que as barreiras
teológicas históricas estão diminuindo . Para muitos, a impressão é que a
Igreja Católica, especialmente após o Concílio Vaticano II, teria se
modernizado e se aproximado das crenças evangélicas, tornando a unidade não apenas
possível, mas desejável.
No entanto, o artigo de Matt Costella,
"Has Roman Catholicism Changed?" (A Igreja Católica Romana Mudou?),
publicado na FOUNDATION
Magazine em 1998, oferece uma perspectiva contundente que
desafia essa noção. Costella argumenta que, apesar da retórica ecumênica e da
aparência de abertura, a doutrina central da Igreja Católica Romana permanece
inalterada em seus pontos fundamentais, especialmente no que diz respeito à
autoridade final para a fé e à salvação.
A Base do
Argumento: A Encíclica Fides
et Ratio
O eixo
central da análise de Costella é a encíclica papal Fides et Ratio (Fé
e Razão), publicada pelo Papa João Paulo II. Longe de ser um sinal de concessão
doutrinária, Costella argumenta que esta carta aos bispos católicos serve como
uma "prova irrefutável" de que o catolicismo romano ainda mantém as
doutrinas não bíblicas que defende desde o seu início . A encíclica
reafirma e harmoniza-se perfeitamente com o Catecismo da Igreja Católica e os
documentos do Vaticano II, que são fontes autoritativas da doutrina católica.
Costella destaca três áreas principais da
encíclica que, segundo ele, demonstram a imutabilidade da doutrina católica:
1. A Eucaristia e a Revelação Sacramental: A encíclica reforça a importância da
Eucaristia como um "caráter sacramental da Revelação", onde Cristo
está "verdadeiramente, real e substancialmente" presente . Para
Costella, esta visão está em completo desacordo com a crença fundamentalista de
que Deus se revelou plenamente através de Sua Palavra escrita (Sola Scriptura)
e que a revelação foi concluída com o fim do cânon do Novo Testamento.
2. A Igreja como Guardiã da Verdade: O Papa afirma que é dever da Igreja
"indicar os elementos de um sistema filosófico que são incompatíveis com a
sua própria fé", pois ela é a "guardiã" da verdade revelada .
Os fundamentalistas, por outro lado, acreditam que a Igreja Católica distorceu
e perverteu a verdadeira mensagem do Evangelho, a qual só pode ser encontrada
nas Escrituras.
3. A Rejeição da Sola Scriptura (Apenas as Escrituras): Este é o ponto central e mais
"surpreendente" do artigo. João Paulo II ataca o que chama de
"biblicismo", uma tendência que "tende a fazer da leitura e
exegese da Sagrada Escritura o único critério de verdade" . O Papa
afirma categoricamente que a "Escritura, portanto, não é o único ponto de
referência da Igreja" e que a "regra suprema da fé" deriva da
unidade entre a Escritura, a Tradição e o Magistério da Igreja. Costella
conclui que esta declaração mostra, sem qualquer dúvida, que a Igreja Católica
"ainda se agarra dogmaticamente à tradição como um meio através do qual
Deus comunica a sua graça salvadora" e "rejeita dogmaticamente a
crença de que somente a Escritura é a única autoridade do crente para a fé e a
prática" .
Ecumenismo:
Uma Decepção Perigosa?
Com base
na evidência doutrinária da encíclica, Costella faz uma crítica mordaz ao
movimento ecumênico. Ele questiona como um cristão evangélico pode
confiantemente se unir a católicos para evangelismo ou crescimento espiritual
após ler tais declarações . Para ele, o movimento ecumênico moderno,
através de organizações como o Promise
Keepers e as cruzadas de Billy Graham, tem "enganado com
sucesso o mundo a acreditar que a Igreja Católica Romana ou mudou sua doutrina
ou sempre foi um caminho aceitável para Deus" .
O autor
argumenta que esses grupos criam uma ilusão de unidade que beneficia apenas a
Igreja Católica. Ao tratar os católicos como "irmãos em Cristo" e
evitar o "proselitismo", os evangélicos estariam, na verdade,
confirmando milhões de pessoas em um sistema que Costella considera um
"outro evangelho", que merece a maldição de Deus (Gálatas 1:9) .
Ele cita o exemplo de uma cruzada de Billy Graham em Tampa, Flórida, que
recebeu apoio total da diocese católica local, justamente porque não tinha a
intenção de "recrutar católicos para se tornarem protestantes" .
A Posição
Fundamentalista: Separação e Fidelidade à Escritura
O artigo
de Costella reflete a posição do Fundamentalismo Bíblico, que defende a
separação de sistemas doutrinários considerados contrários à Bíblia. A
abordagem da Fundamental
Evangelistic Association, para a qual Costella escreve, é
"extrair apenas dos documentos autoritativos da Igreja Católica" para
analisar sua doutrina, evitando interpretações de teólogos individuais .
A
conclusão do artigo é direta e severa: a unidade ecumênica com Roma é alcançada
apenas à custa da verdade bíblica. Costella argumenta que um verdadeiro crente
em Cristo que está na Igreja Católica deve se separar dela, e não permanecer
sob o rótulo de "católico evangélico". Para os fundamentalistas, a
fidelidade à doutrina da Sola
Scriptura é a linha que não pode ser cruzada, e o ecumenismo
que a desconsidera é visto como um movimento perigoso que leva almas à perdição
eterna .
Conclusão:
Mudança ou Continuidade?
A análise de Matt Costella conclui que a
Igreja Católica Romana não mudou em suas doutrinas fundamentais. O ecumenismo,
em sua visão, não é um sinal de reforma católica, mas sim uma estratégia que,
ao disfarçar diferenças profundas, coloca em risco a própria essência do
Evangelho. O artigo serve como um alerta para aqueles que veem o diálogo
ecumênico como um passo positivo, insistindo que a verdadeira unidade só pode
ser encontrada na adesão incondicional à Palavra de Deus, e não em acordos que
sacrificam princípios doutrinários em nome de uma cooperação superficial.
Referência Bibliográfica
Costella, Matt. "Has Roman Catholicism
Changed?" FOUNDATION
Magazine, Nov-Dec 1998. Disponível em: https://www.wholesomewords.org/etexts/costellam/rcchanged.html
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