Uma Tradição
Antiga e Persistente
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Qualquer pessoa
com um conhecimento básico das Escrituras sabe que a Bíblia fala, em diversas
passagens, da existência de gigantes em tempos remotos. Essa não é uma ideia
isolada ou marginal: ela aparece em livros históricos, poéticos e proféticos,
tecendo um fio narrativo que atravessa boa parte do Antigo Testamento.
O mais conhecido
desses relatos é, sem dúvida, o duelo entre Davi e Golias, registrado em
1Samuel
17. O texto
descreve Golias como um homem de estatura extraordinária — "cuja altura
era de seis côvados e um palmo" (1 Samuel 17:4), o que corresponde a
aproximadamente 2,90 metros. Golias vinha de Gate, cidade reconhecida por
abrigar uma linhagem de gigantes (Josué 11:22), e tinha ao menos quatro irmãos
que, mais tarde, tentaram vingar sua morte atacando Davi (2Samuel 21:15-22)
—o que ajuda a
explicar por que Davi escolheu cinco pedras antes do confronto (1Samuel17:40).
Após vencer o
duelo,Davi levoua cabeça de Golias a Jerusalém(1Samuel17:54) e, diante do rei
Saul, carregou-a como um verdadeiro troféu de guerra (1 Samuel 17:57). Esse
detalhe, aparentemente pequeno, será importante mais adiante: exibir
publicamente os restos de um gigante abatido era, segundo fontes históricas,
uma prática de prestígio na Antiguidade.
O Testemunho dos Historiadores
Antigos
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A confirmação histórica desse episódio bíblico não
vem apenas do texto sagrado. Vários autores da Antiguidade — judeus e cristãos
— registraram, de forma independente, relatos sobre ossadas gigantescas
expostas publicamente.
FlávioJosefo
O historiador judeu Flávio Josefo, em sua obra
Antiguidades Judaicas (século I d.C.), mencionou os gigantes em diversas
passagens. Ao comentar os espias enviados por Moisés a Canaã, relatou que eles
encontraram em Hebrom os descendentes dos gigantes. Em outro trecho, narrou o
confronto de um israelita com um guerreiro filisteu identificado como gigante.
(Antuiguidades Judaicas Volume V) Ao escrever que os
ossos "ainda são mostrados até hoje", Josefo fazia uma afirmação
verificável por seus contemporâneos — algo que um
historiador dificilmente arriscaria caso fosse facilmente desmentido
.
Tertuliano
O apologista cristão-africano Tertuliano, escrevendo
entreofinaldo séculoII e o início do século III, confirmou que ossadas de
gigantes eram, de fato, expostas publicamente em sua época. Ele relatou
que,durante escavações para os alicerces do Odeu em Cartago, trabalhadores
encontraram, apóscerca de quinhentos anos, ossos que ainda preservavam parte de
sua umidade original e cabelos que não haviamperdido totalmente o odor
—umdetalhe macabro que reforçao caráter de testemunho ocular do relato.
Reconhecimentos de Clemente
Um texto atribuído pseudograficamente a Clemente de
Roma, bispo cristão do século I — cuja datação real é debatida entre
estudiosos, variando do século II ao IV —, também menciona gigantes "de
corpos imensos, cujos ossos, de tamanho enorme, ainda são mostrados em alguns
lugares como confirmação". Independentemente da data exata de composição,
o texto reforça a existência de uma tradição amplamente compartilhada sobre
essas ossadas serem exibidas como prova histórica.
— separados por século se por tradições
religiosas distintas —convergemem um mesmo ponto: os ossos de gigantes eram
tratados como troféus públicos, da mesma forma que Davi ostentou a cabeça de
Golias diante de Saul.
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Gênesis 6:4 relata
que os gigantes de outrora "eramos valentes que houve na antiguidade, os homens
denome".Josefo reforça essa ideia ao comparar tais homens aos
que os gregos chamavam de gigantes, motivados pela confiança em sua própria
força.
De fato, os gregos
cultuavam esses seres como heróis. O historiador secular Robin Lane Fox, emsua
obra Pagans and Christians (1986), analisou a obra Sobre os Heróis, de
Filóstrato, que descrevia esqueletos gigantescos encontrados em praias e
promontórios — ossos, segundo o relato antigo, compatíveis comheróis de mais de
quatro metros de altura. Fox observa que esse tipo de achado não era invenção
de Filóstrato, pois práticas semelhantes de consulta a oráculos diante de
ossadas enormes já eram conhecidas em outros santuários, como o de Claros.
Como historiador
secular, Fox atribui esses ossos a fósseis de dinossauros mal interpretados
pelos antigos.É umaexplicação conveniente,mas que exige aceitar que gerações
inteiras de povos antigos
— habituados a
caçar, guerrear e manusear ossadas de animais — não conseguiam diferenciar um
fêmur humano gigante de um fóssil de réptil. Fox mencionaaindaque, durante
obras de alargamento do rio Orontes na Síria, ordenadas por um imperador
romano, trabalhadores desenterraram os ossos de um esqueleto de proporções
descomunais.
O relevante aqui
não é aceitar ainterpretação céticade Fox, mas reconhecer o dado histórico que
ele próprio documenta: a existência generalizada, na Antiguidade,de ossadas de
tamanho excepciona lque eram associadas a heróis e gigantes.
Og de Basã e as Nações de Gigantes
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O Antigo Testamento não se limita a Golias.
Deuteronômio 3:11descreve Og, rei de Basã,como um dos últimos remanescentes dos
refains (gigantes), cuja cama de ferro media nove côvados de comprimento por
quatro de largura — cerca de 4 metros por 1,80 metro. A necessidade de uma
estrutura de ferro sugere um peso corporal muito acima do normal.
Durante a peregrinação de Israel pelo deserto, o
povo encontrou gigantes em diversas ocasiões. Deuteronômio 2:20-21 relata que a
terra dos amonitas — os zanzumins — era habitada por "povo grande, e
numeroso, e alto, como os enaquins". Em Números 13, os espias enviados
aCanaãrelatam ter visto os filhos de Anaque, descendentes dos gigantes, diante
de quem se sentiam "como gafanhotos".
Curiosamente, viajantes muito posteriores também
registraram povos de estatura e força fora do comum. Marco Polo, em suas
viagens a Zanzibar, na costa da atual Tanzânia, descreveu homens robustos e
extremamente fortes, capazes de carregar o equivalente à força de quatro homens
comuns
— um paralelo etnográfico que, embora não seja
evidência direta dos gigantes bíblicos, mostra que relatos de povos de
compleição excepcional não são exclusividade das Escrituras.
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Registros egípcios também parecem apontar para
esses povos. Inscrições em exibição no Museu de Berlim contêm fórmulas de
execração contra os "Iy Aneq", termo que estudiosos associam ao nome
bíblico Anaque ou aos anaquins.
Outro achado notável é umrelevo egípcio que narra
as batalhas do faraó Ramsés II contra os hititas, perto de Cades, incluindo a
captura de dois espiões chasu. Historiadores têm debatido o tamanho incomum
atribuído a esses prisioneiros na representação. Embora os egípcios costumassem
retratar seus próprios faraós com proporções exageradas como símbolo de poder,
é bem mais incomum que atribuíssem esse mesmo exagero a seus inimigos — o que
sugere que os artistas estavam, de fato, retratando adversários de estatura
fora do comum encontrados em Canaã.
Esses registros, somados aos relatos bíblicos,
egípcios e greco-romanos, formam um quadro convergente: povos e indivíduos de
estatura excepcional eram conhecidos e documentados por praticamente todas as
culturas do Oriente Próximo antigo.
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Josué 15:13relata que Calebe recebeucomoherança a
cidade de Hebrom, chamada "cidade de Arba, pai de Anaque" —
evidênciade que o próprio Israel estavaplenamente consciente dahistória desses
gigantes e de seus descendentes. Da mesma forma, praticamente todos os povos e
culturas da Antiguidade registraram, cada um à sua maneira, memórias de homens
de estatura extraordinária.
Diante de fontes tão diversas — bíblicas, judaicas,
cristãs,gregas e egípcias — que convergem para a mesma conclusão, cabe
perguntar por que a historiografia moderna insiste em tratar com tanto
ceticismo um fato tão amplamente atestado pelas fontes antigas.
❦
Este artigo foi adaptado e traduzido a partir do seguinte
material, ao qual o leitor pode recorrer para consultar as fontes primárias
completas (Josefo, Tertuliano, Robin Lane Fox, Marco Polo, entre outras)
citadas no texto original:
Henning,Heath.“GiantsintheBible.”TruthWatchers,26ago.2016.Disponívelem: https://truthwatchers.com/giants-of-the-bible/. Acesso em:3
jul.2026.
TodasascitaçõesbíblicasseguematraduçãoAlmeida(versãotradicionalemportuguês).
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