O Perenialismo ou a Filosofai Perene
defende a idéia de que há verdades centrais comuns a todas as grandes tradições
religiosas, creio o oposto, as grandes religiões mundiais operam sob a ótica adâmica
de tentar resolver o problema do pecado com folhas de figueiras, ou seja,
salvação pelas obras, todas labutam em erros: a salvação pelas obras. Quanto
mais o tempo avança para o fim, mais o cristianismo bíblico fica só na questão
fundamental e a absoluta de que a justificação é somente pela fé e realizada
por Cristo através de uma obra consumada e perfeita na cruz.
Há alguns anos, deparei-me com a
obra “A Filosofia Perene”, de Aldous Huxley. Trata-se, sem dúvida, de um livro
singular, que articula com clareza uma perspectiva próxima ao ecumenismo,
guardando estreita semelhança com os postulados de Helena Petrovna Blavatsky e
a Teosofia. Assim como Huxley — cujo legado intelectual permanece como um marco
para a humanidade —, Blavatsky exerceu uma influência profunda sobre o
pensamento esotérico e espiritualista contemporâneo, o que torna imperativa uma
análise detida sobre a filosofia perene apresentada pelo autor. Aldous Huxley
consolidou-se como um dos principais expoentes do misticismo psicodélico,
defendendo essa perspectiva em sua obra de 1954, “As Portas da Percepção”. É
notável a correlação entre essa faceta de Huxley e seu célebre romance
distópico, “Admirável Mundo Novo”. Nesta obra, o autor projeta uma sociedade
futura na qual a tecnologia e a submissão por meio de substâncias psicotrópicas
são intrinsecamente ligadas, traçando um cenário apocalíptico que guarda
semelhanças inquietantes com as trajetórias da sociedade contemporânea.
Dessa forma, Huxley apresenta-se como um profeta místico para uma nova era, tão
aguardada pelo mundo contemporâneo. Sua filosofia perene sustenta que as
grandes religiões compartilham um núcleo comum e podem coexistir
harmoniosamente, respeitando a integridade de cada tradição. Em última análise,
a mensagem de Huxley ressoa com o pensamento de Blavatsky, ao afirmar que
existe uma unidade subjacente em todas as religiões mundiais, composta pelas
verdades essenciais que as unem.
A filosofia perene, conforme postulada por Aldous Huxley, fundamenta-se na
premissa de que existe uma verdade metafísica universal, intrínseca e eterna,
compartilhada pelas grandes tradições religiosas e místicas da humanidade, a
despeito de suas divergências formais em termos de dogma, ritual ou contexto
cultural. Huxley sistematizou e popularizou essa concepção em sua obra
homônima, publicada em 1945. O livro compõe-se de uma antologia de textos de
sábios e místicos provenientes de vertentes distintas — como o hinduísmo, o
budismo, o taoísmo, o cristianismo (com ênfase na tradição católica), o
islamismo e o sufismo —, acrescida de comentários analíticos do próprio autor.
Para Huxley, o propósito fundamental da existência humana reside na
identificação com o Eu eterno. Em diversas tradições e escolas esotéricas, este
conceito corresponde ao "Eu Superior", cuja busca culmina no
conhecimento unitivo do fundamento divino. Tal perspectiva guarda notável
afinidade com o pensamento de Plotino, principal expoente do neoplatonismo, cujas
premissas convergem, sem dúvida, com as teses centrais da Filosofia Perene. Determinados
movimentos esotéricos e sociedades secretas parecem corroborar essa mesma
premissa. A Maçonaria, por exemplo, manifesta uma aceitação abrangente de
diversas vertentes religiosas, alicerçada em uma concepção notadamente abstrata
e subjetiva da divindade. Embora a instituição estabeleça como requisito a
crença em um ente supremo, este é designado como o "Grande Arquiteto do
Universo". Trata-se de um termo ambíguo que permite a convergência de
interpretações diversas, adequando-se a qualquer tradição espiritual, seja ela
o hinduísmo, o taoísmo ou o cristianismo.
Para além da própria figura de Aldous Huxley, essa corrente tradicionalista e
universalista congrega expoentes de grande renome na atualidade. Entre eles,
destaca-se o Dr. Huston Smith, falecido em 2016, cuja influência permanece
determinante em nossos dias, e Ken Wilber, autor de relevo que defende não
apenas os princípios do perenialismo, mas uma abordagem evolutiva da
consciência. O rol de intelectuais dedicados à defesa da filosofia perene
inclui, ainda, nomes proeminentes como Frithjof Schuon, Martin Lings, Titus
Burckhardt e William Stoddard, entre outros. Adicionalmente, a vertente
compreende influências significativas de pensadores como Julius Evola e
Aleksandr Dugin.
O que temos então na filosofia
perene, proposta por Adolf Zussley, não é outra coisa senão a afirmação de que
por baixo das diferenças superficiais de todas as principais religiões do
mundo, existe uma mesma verdade eterna sobre a natureza última da realidade e o
destino do ser humano. Seus defensores atuais continuam a promovê-la tanto em
versões mais rigorosas e tradicionais, quanto em abordagens mais abertas e
contemporâneas, mas no entanto a filosofia perene se trata de um universalismo,
se trata de um tipo de abertura para um ecumenismo onde a verdade ela não é
mais absoluta, ela é relativa, de modo que simplesmente tentar fazer com que
todas as religiões tenham uma essência em comum com relação a. A plano de
salvação, por exemplo, e a relação com o Senhor Jesus Cristo diferem de modo
abissal, incompatível com a fé cristã. O cristianismo apresenta na sua teologia
doutrinas que não existem e não podem ser encontradas em nenhuma outra religião,
de modo que nós podemos ver e perceber através da pessoa e a obra consumada de
Jesus Cristo na Cruz do Calvário e a maneira como Deus lida com o pecado,
ficando o cristianismo completamente isolado e não é qualquer tipo de
associação e ideias com qualquer tipo de doutrina fundamental das outras
religiões. A filosofia perene, conforme proposta por Aldous Huxley, postula
que, sob as disparidades superficiais das principais religiões mundiais, reside
uma verdade atemporal acerca da natureza última da realidade e do propósito da
existência humana. Embora seus defensores contemporâneos a promovam por meio de
vertentes tanto tradicionais quanto abertas, tal corrente caracteriza-se como
um universalismo que sugere uma perspectiva ecumênica, na qual a verdade deixa
de ser absoluta para tornar-se relativa.
Contudo, a pretensão de atribuir uma essência comum a todas as religiões é
incompatível com a fé cristã. O cristianismo sustenta doutrinas singulares que
não encontram paralelo em qualquer outra tradição religiosa. Por intermédio da
pessoa e da obra consumada de Jesus Cristo no Calvário, bem como pela forma
como a divindade trata o pecado, o cristianismo estabelece uma distinção
absoluta, tornando inviável qualquer tentativa de harmonização com os dogmas
fundamentais de outros sistemas de crença. Na realidade, essa é uma noção de
longa data. A expressão "filosofia perene" foi cunhada pelo humanista
renascentista Agostinho Steuco em 1540. O termo remetia à existência de um
núcleo de sabedoria comum a todas as religiões e ao esforço da Escola
Neoplatônica, liderada por Marsilio Ficino, em sintetizar tal saber em uma
filosofia transcultural. É esse conceito que Aldous Huxley aborda em sua obra.
Embora se argumente que rudimentos dessa corrente possam ser encontrados no
conhecimento tradicional de diversos povos ao redor do mundo e que suas formas
plenamente desenvolvidas estejam presentes em todas as grandes religiões, tal
premissa é equivocada e destituída de veracidade. Este movimento, portanto, é
desprovido de veracidade. Trata-se de uma falsidade, em total desconformidade
com os princípios do Evangelho. Jesus Cristo afirmou categoricamente ser o
caminho, a verdade e a vida, estabelecendo que ninguém chega ao Pai senão por
intermédio d'Ele. Os apóstolos, ao longo de seu ministério, proclamaram de
forma contundente que não há salvação em nenhum outro, pois não existe sob o
céu outro nome dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos. O apóstolo
João, por sua vez, registra que a lei foi dada por Moisés, enquanto a graça e a
verdade vieram por meio de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
A partir destas declarações do Novo Testamento, depreende-se que a verdade não
se encontra nas religiões pagãs — fossem elas gregas, egípcias ou orientais. No
contexto das Escrituras, tais práticas foram integralmente rejeitadas. O
apóstolo Paulo nunca pregou uma filosofia perene, e tampouco Jesus se referiu a
ela; o universalismo, portanto, é essencialmente anticristão. Ao analisarmos
passagens como 1 João 4:1-6, observamos que o apóstolo nos confere o critério
para discernir a verdade: a necessidade de provar os espíritos para distinguir
o espírito da verdade do espírito do erro. Durante suas viagens missionárias
pela Grécia, o apóstolo Paulo dedicou-se à pregação do Evangelho, plenamente
convicto da falsidade das religiões que o cercavam. Em Segunda Timóteo 1:10,
ele declara de forma sucinta e categórica que a vida e a imortalidade foram
trazidas à luz por meio do Evangelho. Da mesma forma, Jesus referiu-se ao
Espírito da Verdade — o qual guia os fiéis a toda a verdade —, ressaltando que
o mundo, imerso em suas próprias crenças, é incapaz de recebê-lo, a menos que
se converta ao Evangelho. Portanto, quando Aldous Huxley e outros defensores da
filosofia perene buscam apresentar uma verdade abstrata e subjetiva, operam sob
a inspiração do erro, uma vez que o Espírito da Verdade não os conduziu à
revelação de que existe apenas um caminho, uma verdade e uma vida: Jesus
Cristo, e somente Ele.
A filosofia perene, com seu viés universalista, configura-se como um mecanismo
de transformação global voltado à instituição de uma religião única e
universal. Sob o pressuposto de que todas as crenças compartilham uma verdade
comum, deslegitima-se a necessidade da pregação do Evangelho, promovendo-se a
convergência religiosa fundamentada no perenialismo e em seus desdobramentos,
como o ecumenismo. Percebe-se, portanto, que tal processo é estruturalmente
falacioso. O apóstolo Paulo apresenta severas advertências contra essa
modalidade de universalismo, que substitui a salvação exclusiva por meio de
Cristo Jesus por experiências místicas e obras humanas. O apóstolo enfatiza que
aquele que pregar um evangelho distinto — ainda que fosse um anjo do céu —
incorreria em maldição; sendo assim, tal juízo recai com ainda maior rigor
sobre homens mortais. Ademais, a Segunda Epístola a Timóteo (4:4) profetiza que
muitos se desviariam da verdade, voltando-se a fábulas. É precisamente nesse
âmbito que a filosofia perene se enquadra: como uma narrativa destituída de fundamento
na revelação divina.
As grandes tradições religiosas do mundo, em sua maioria, estruturam-se sobre a
premissa da salvação por meio das obras. Ao examinarmos o hinduísmo, ou o
islamismo — que refuta veementemente a encarnação de Cristo —, constatamos que
a maior parte das doutrinas globais nega a divindade encarnada de Jesus. Diante
desse cenário, torna-se imperativo aplicar um discernimento rigoroso para
distinguir se uma crença provém do espírito da verdade ou do espírito do erro. Observa-se,
com clareza, que as religiões tradicionais divergem fundamentalmente do
Evangelho, posicionando-se em oposição aos seus pilares centrais. O
cristianismo distingue-se de todo o sistema religioso global tanto por sua
antropologia quanto por sua soteriologia. Ao proclamar Cristo como o único
Salvador, o cristianismo permanece singular ao afirmar que a justificação
ocorre exclusivamente pela fé, decorrente da obra redentora de Cristo em favor
do homem, e não por méritos humanos. Esta é uma verdade absoluta e inegociável
do Evangelho. Portanto, a filosofia perene revela-se um equívoco doutrinário,
uma construção infundada e essencialmente anticristã.
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