Infiltração: A tática dos espíritos sedutores para semear o engano espiritual

0 comentários

 Infiltração: A tática dos espíritos sedutores para semear o engano espiritual

 

C. J. Jacinto

 

Uma das principais estratégias utilizadas pelos opositores do Evangelho e pelas hostes espirituais da maldade — conforme o alerta dado pelo apóstolo Paulo em 1 Timóteo 4:1 — consiste na atuação de espíritos enganadores que se valem de falsos mestres para promover a corrupção doutrinária por meio da infiltração. Essa realidade é corroborada pela advertência de Judas, em sua epístola (versículo 4), que descreve como certos homens se introduziram sorrateiramente na igreja; indivíduos ímpios que, destinados à condenação, pervertem a graça de Deus em libertinagem e negam o nosso único soberano e Senhor, Jesus Cristo.
A infiltração é um processo silencioso que ocorre através de pequenas brechas, causando, a longo prazo, danos que comprometem a integridade espiritual de um cristão ou de uma igreja. Esse fenômeno é viabilizado pela concessão de legalidade e pela negligência doutrinária. Tal permissividade decorre da irresponsabilidade de não submeter a vida e a fé exclusivamente à autoridade das Escrituras. Conforme estabelecido na Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus é a única definição para a "Espada do Espírito", não havendo respaldo bíblico para que dogmas ou tradições ocupem tal posição. Como Paulo registrou em Efésios 6:17, a Palavra de Deus é a única e legítima espada na batalha espiritual.
Isso nos remete à parábola do semeador, registrada em Mateus 13:25, que ilustra a sutileza da estratégia do adversário. O texto sagrado revela que, enquanto os homens dormiam, o inimigo se infiltrou para semear o joio no meio do trigo e, logo em seguida, retirou-se. Não há cenário mais danoso para a Igreja do que a negligência espiritual de seus líderes e fiéis. A sonolência espiritual abre precedentes para que o engano seja disseminado, conduzindo os incautos à apostasia profetizada para os últimos dias.

 Devemos considerar atentamente que esta estratégia do adversário possui uma tática que não podemos ignorar, sob hipótese alguma, pois constitui um dos principais meios pelos quais as hostes espirituais da maldade se infiltram no coração do cristão ou no seio da igreja. Essa metodologia consiste na dissimulação: uma essência deturpada ocultada por uma aparência benevolente. Como o próprio Senhor Jesus advertiu em Mateus 7:15, os falsos profetas aproximam-se revestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Seguindo esse princípio, observamos que, em sua estratégia sutil de engano, Satanás transfigura-se em anjo de luz, e seus ministros, em servos de justiça. Portanto, a dualidade entre uma interioridade falha e uma exterioridade impecavelmente simulada é constante. Analisaremos, a seguir, outra passagem das Escrituras para compreendermos a real gravidade de uma situação de engano desta natureza.

 O trecho fundamental para compreendermos a ausência de percepção e a falta de discernimento encontra-se em 2 Coríntios 4:4, onde o apóstolo Paulo afirma: "Nos quais o Deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus". A questão central reside, portanto, na cegueira do entendimento. Embora uma pessoa possa observar a aparência externa de um falso profeta — que se apresenta com a docilidade de um cordeiro —, a percepção de sua natureza interior exige discernimento espiritual. Aqueles que são reiteradamente ludibriados por falsos mestres e manipuladores religiosos padecem de uma cegueira espiritual profunda. Quando o entendimento está obscurecido por essa ignorância, o indivíduo torna-se vulnerável, permitindo que a influência de espíritos enganadores se instale com facilidade. A cegueira espiritual é, em última análise, a condição que viabiliza o engano.

 Desde o princípio, Satanás e seus agentes têm recorrido à sutileza, valendo-se de aparências enganosas para ocultar sua verdadeira natureza sombria. Eles se transfiguram em divindades, alienígenas, anjos ou quaisquer outras entidades, adaptando-se estrategicamente a cada contexto para ludibriar os incautos. Diante disso, o discernimento espiritual torna-se indispensável — uma faculdade que só é alcançada por meio da presença do Espírito Santo e de um conhecimento sólido das Escrituras Sagradas. A Bíblia permanece como o padrão supremo para a detecção de erros; toda doutrina deve ser examinada à luz do texto sagrado, que serve como lâmpada e farol para guiar nossos passos neste mundo de escuridão. É, portanto, no púlpito fiel, onde se preserva a sã doutrina e se interpreta a Palavra com zelo, diligência e rigor hermenêutico, que encontramos a segurança necessária para nortear nossa vida espiritual.


É precisamente por essa razão que o apóstolo Paulo, em 2 Timóteo 2:15, exorta-nos a apresentarmo-nos a Deus como obreiros aprovados, que não têm do que se envergonhar e que manejam corretamente a palavra da verdade. Tal orientação deve ser aplicada por cada um de nós: o compromisso de manejar com precisão e retidão as Escrituras.
Outra passagem de suma importância, a qual devemos estudar, ponderar, analisar, aprofundar, memorizar e, sobretudo, obedecer, encontra-se em 1 João 4:1-6. Nela, o apóstolo João nos exorta a provar os espíritos, a fim de verificar se procedem de Deus. Não se trata de uma sugestão, mas de um mandamento. O discernimento espiritual é essencial para assegurarmos nossa comunhão e obediência Àquele que verdadeiramente possui o Espírito da Verdade. Existem inúmeras passagens no Novo Testamento que advertem acerca da sedução estratégica promovida por meio da infiltração. Em 2 Pedro 2:1, o apóstolo alerta especificamente sobre a presença de falsos doutores no meio da igreja, uma advertência que encontra eco em diversos outros textos bíblicos. Em Mateus 7:15, somos exortados a observar que muitos lobos devoradores se disfarçam de ovelhas, enganando aqueles que carecem de discernimento. Devemos estar atentos a esses riscos, conforme registrado na Epístola de Judas, que descreve como tais infiltrações ocorrem de maneira sutil e imperceptível para aqueles que se encontram em ignorância ou cegueira espiritual. Satanás, aproveitando-se de tais vulnerabilidades, busca continuamente infiltrar-se tanto no coração dos fiéis quanto no seio da assembleia cristã.
Outro princípio fundamental que desejo reiterar é a necessidade de o cristão exercer um discernimento cuidadoso sobre tudo o que ouve e lê. Doutrinas, sermões, livros, artigos, bem como exposições em conferências, seminários, estudos bíblicos, escolas dominicais e interações em redes sociais, devem ser submetidos a uma análise rigorosa. Cabe a todo cristão avaliar se tais conteúdos refletem a verdade bíblica e se permanecem fiéis à sã doutrina. Ao escrever sua segunda carta à igreja de Corinto, o apóstolo Paulo manifestou profunda preocupação, ciente de que a sedução do mundo espiritual era uma realidade que exigia constante vigilância, advertência e enfrentamento. Em 2 Coríntios 11:3, ele adverte: "Mas receio que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, também a mente de vocês seja corrompida e se afaste da simplicidade e pureza que há em Cristo Jesus".  É fundamental notar que um dos objetivos centrais da sedução da antiga serpente — descrita em Gênesis 3 e em Apocalipse 12:9 — é a corrupção da mente. Tratou-se de uma batalha travada no íntimo de Eva, uma influência espiritual que alterou sua percepção, distorceu seu entendimento e a levou a acreditar em palavras contrárias às determinações divinas, induzindo-a à desobediência. Eva, de forma sutil e insidiosa, permitiu que sua mente fosse ameaçada e corrompida sem que percebesse o perigo no momento em que ocorria. Paulo alerta, portanto, que os cristãos de Corinto corriam o mesmo risco de serem iludidos pela astúcia de Satanás, permitindo que seus pensamentos fossem desviados. O fenômeno que ocorreu no Éden não estava restrito àquele contexto; ele ecoava na igreja de Corinto e permanece como uma advertência atual para todos os fiéis.
Estejamos, pois, aptos a permanecer firmes e fiéis, aproximando-nos de Cristo e amando-O de todo o nosso coração, bem como a Sua Palavra. O Espírito Santo, que operou a encarnação de Cristo no ventre de Maria, é o mesmo que inspirou profetas, apóstolos e hagiógrafos na escrita do Antigo e do Novo Testamento. Os apóstolos testificam acerca desse Espírito em 1 João 5:6, que afirma ser Ele aquele que veio por meio de água e sangue — Jesus Cristo — não somente por água, mas por água e sangue. O Espírito é quem dá testemunho, pois o Espírito é a verdade, de modo que o testemunho do Espírito Santo reside nas Escrituras.


CONSEQUÊNCIAS DA MAÇONARIA

0 comentários


Por Micky Mathis

Esta passagem bem conhecida (Gálatas 1:6-10) sempre esteve na vanguarda dos meus pensamentos, especialmente quando estudo com alguém a respeito da Palavra de Deus. Recentemente, fui confrontado com uma pergunta à qual não pude dar resposta: “Um cristão pode ser maçom?” Minha primeira resposta foi: “Ouvi dizer que eles fazem boas obras e patrocinam um circo para crianças em todo o país.” Esta é a resposta típica de alguém que não sabe nada sobre a ordem fraternal. Pedi ao indivíduo que me desse alguns dias para estudar o tema e, assim que minha pesquisa fosse concluída, eu daria uma resposta. Após muito estudo e entrevistas com membros atuais e antigos da Maçonaria, fiquei chocado ao descobrir que a ordem fraternal está em contradição direta com a Santa Palavra de Deus.

Ao longo da pesquisa, descobriu-se que todos que juram o juramento maçônico estão jurando sua lealdade e sua alma a uma ordem religiosa, diferente daquela ensinada no Novo Testamento.

“Maravilho-me de que, tão cedo, vos estejais afastando daquele que vos chamou pela graça de Cristo, para outro evangelho, que não é outro; mas há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu, vos pregue outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema. Como antes vos dissemos, agora de novo também vos digo: Se alguém vos pregue outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema. Pois persuado eu, agora, a homens ou a Deus? Ou busco agradar a homens? Se ainda estivesse agradando a homens, não seria servo de Cristo.” (Gálatas 1:6-10).

Muitos maçons argumentarão que sua Loja Maçônica não é uma instituição religiosa. No entanto, Albert G. Mackey, maçom de 33º grau, escreveu no Lexicon of Freemasonry: “Todas as cerimônias de nossa ordem são prefaciadas e terminadas com oração, porque a Maçonaria é uma instituição religiosa...” (pág. 367). Encorajo todos a estudarem os monitores maçônicos de seus estados. No Tennessee, o manual maçônico chama-se Tennessee Craftsman. Dentro das páginas do Tennessee Craftsman, vocês se familiarizarão com os rituais que o maçom deve passar para subir nas fileiras ou graus. Um grau de particular interesse é o terceiro grau — Mestre Maçom. Para se tornar um Mestre Maçom, ele precisa ser simbolicamente sepultado e ressuscitado em nome de Hiram Abiff. Isso não passa de um batismo, e todo cristão deve saber que há apenas um batismo: “um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (Efésios 4:5). Também encorajo vocês a estudarem e lerem o prefácio de qualquer edição maçônica da Bíblia Sagrada. Nele vocês encontrarão os ensinamentos fundamentais da ordem maçônica.

Infelizmente, quando vocês confrontam o maçom, ele ficará contrariado e dirá que os livros a que vocês se referem não são mais usados nas lojas, e que não é uma religião, ou que sua loja é uma loja cristã. A partir das minhas entrevistas com maçons atuais e do passado, essas alegações são falsas. Muitos entram na Loja Maçônica porque gostariam de fazer parte de algo que ajudará a melhorar sua comunidade. Muito poucos, se algum, já entraram na loja com a intenção de se separarem do Senhor. No entanto, depois que os juramentos de sangue são feitos, pela maneira como se posicionam os pés, fazem sinais com as mãos e falam com a boca, a separação do Senhor é imediata. Perante quem eles juram esses juramentos? O homem que ostenta o título de “Venerável Mestre”. Mateus 6:24 declara: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.” Entristece-me que muitos homens cristãos tenham sido levados à loja, assim como irmãs cristãs à Estrela do Oriente, acreditando que estavam se tornando parte de algo bom, mas em vez disso foram enredados em algo maligno. Diz-se que essas ordens fraternas e/ou maternas são o caminho para a verdadeira luz; no entanto, elas frequentemente se reúnem nas trevas e sempre em segredo. Cristo é a única luz que alguém deve seguir.

Ninguém vos engane com palavras vãs, pois por causa dessas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais participantes com eles. Porque, noutro tempo, éreis trevas, mas, agora, sois luz no Senhor. Andai como filhos da luz (porque o fruto do Espírito está em toda bondade, justiça e verdade), provando o que é agradável ao Senhor. E não participeis das obras infrutíferas das trevas; antes, porém, condenai-as. Porque o que eles fazem em oculto, até mencioná-lo é vergonhoso. Mas todas as coisas que são condenadas se manifestam pela luz, porque tudo que se manifesta é luz. Por isso diz: Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará (Efésios 5:6-14).

Se você é cristão, imploro que você se separe da Loja Maçônica e ore para que Deus perdoe seus pecados. Vá em frente e faça confissão pública deste pecado. Seja aberto sobre este tema com os outros. Esteja disposto a afastar os jovens da Loja e conduzi-los a Cristo. De vários homens que entrevistei, uma história permanece constantemente em meus pensamentos. O homem declarou que a única razão pela qual pediu para entrar na loja foi porque um companheiro cristão, de quem ele tinha grande estima, era maçom. Este homem desde então deixou a loja e deseja nunca ter sido membro. Ele não fazia ideia de que, ao se tornar maçom, um dia chegaria aos Cavaleiros Templários e seria forçado a beber vinho tinto de um crânio humano. Depois daquela noite, ele deixou a loja. Em seus estudos, você aprenderá que os Cavaleiros Templários são a progressão do Rito York da Maçonaria, enquanto o Rito Escocês é o outro ramo dos maçons. E é preciso ser um Mestre Maçom de Terceiro Grau antes de se tornar um Cavaleiro Templário.

Os homens que me confrontaram com a questão ainda praticam a Maçonaria e não desejam falar comigo sobre o assunto. Perdi amigos e irmãos e irmãs em Cristo por ter tomado uma posição contra a Maçonaria. Oro por eles e oro para que vejam o erro de seu caminho e se afastem desta instituição pecaminosa antes que seja tarde demais. Também oro para que não consigam influenciar nenhum outro irmão a entrar na Loja. Há tantas armadilhas neste mundo que Satanás colocou para nos prender. Por favor, não permita que sua filiação à Loja Maçônica leve sua alma ou a de outro jovem que pode olhar para você como exemplo. Sejamos exemplos que não se envergonham de Cristo, mas estão dispostos a viver para Ele. Como Paulo declarou em Filipenses 1:20-21: “Segundo a minha intensa expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, assim também agora, Cristo será magnificado no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.” Não há comunhão maior na terra do que aquela que um cristão compartilha com os demais cristãos. Por que qualquer cristão fiel desejaria ou precisaria de algo mais? “Se dissermos que temos comunhão com ele e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 João 1:6-7). Que Deus o abençoe neste estudo e que você ensine aos outros a verdade sobre a Loja Maçônica e o ajude a mantê-los longe dela e de outras organizações fraternais semelhantes.

Extraido de Think Magazine – Março de 2010

GRITOS DE ALERTA – VI

0 comentários

 

 

C. J. Jacinto

 

 

 

Nas tribulações, somos submetidos ao processo de depuração divina, a fim de que tanto a colheita do Senhor quanto nós mesmos sejamos providos de virtudes, permitindo que Cristo seja glorificado por meio de nossas aflições.


Confie os cuidados de sua alma ao Deus Todo-Poderoso, que entregou Seu Filho unigênito para morrer por ti. Tamanha demonstração de amor deve conduzir-nos a uma entrega absoluta e a uma confiança plena Naquele que sacrificou tudo por nós.


A profundidade do nosso amor pelo Senhor é aferida pela nossa capacidade de perseverar nas aflições e nos sofrimentos, suportados na vida cristã por amor a Cristo.


Cristo é o modelo supremo de humildade, a quem devemos imitar ao longo de nossa peregrinação terrena. Deus contempla a nossa humildade e nos abençoa quando demonstramos disposição para seguir os passos de Seu próprio Filho.



É imperativo compreendermos, de uma vez por todas, que Cristo é apresentado no Novo Testamento como o único enviado para a salvação, constituindo esta uma verdade inegociável. A Bíblia é inequívoca ao apontar Cristo como nosso único e suficiente Salvador, sendo a vontade de Deus que todos os homens creiam Nele e aceitem essa verdade absoluta, visto que, sem Ele, a humanidade permanece irremediavelmente perdida.

Gritos de Alerta - V

0 comentários


 

 

“Vivemos em um período marcado pela fragilidade do espírito humano. O caráter, em muitos casos, tornou-se uma estrutura superficial e vulnerável. Há uma suscetibilidade exacerbada diante de preceitos bíblicos e uma incapacidade notável de assimilar correções, reflexo direto de valores inconsistentes e de uma integridade moral questionável.


“O crescimento espiritual é impossível para quem se alimenta apenas do “leite” espiritual; crescer em graça e em conhecimento exige o alimento sólido da Palavra de Deus.


“O culto racional consiste no sacrifício vivo, santo e agradável que oferecemos a Deus, em santa devoção, amando-O de todo o coração, alma e entendimento. A abnegação é condição indispensável para deleitar-se no Senhor.

"Aqueles que se dizem cristãos, mas não leem nem estudam as Escrituras, e que não estão familiarizados com os ensinamentos contidos nelas, são as pessoas mais suscetíveis à manipulação e ao engano por parte de pregadores que interpretem mal os textos sagrados."



"Vivemos em uma época em que as emoções são excessivamente idolatradas, ao ponto de serem consideradas garantias da veracidade da religião que se está experimentando. Nesses casos, a Bíblia é frequentemente relegada a um papel secundário, sem qualquer importância na orientação e fundamentação das verdades que sustentam o verdadeiro Evangelho."


"Aqueles que realmente amam as Escrituras não estarão satisfeitos diante de um púlpito, a menos que o pregador seja extremamente fiel na exposição das doutrinas sagradas contidas na Bíblia."


“Quanto mais exposição à Bíblia Sagrada, quanto mais pregações temáticas expositivas, quanto mais se pregar os ensinos, os acontecimentos, os aconselhamentos e as orientações contidos nas Sagradas Escrituras, quanto mais um homem se expuser à luz da Palavra, menos confusão encontrará em sua caminhada diária e mais firme estará nos caminhos do Senhor.”


“O crente espiritualmente bem instruído tem capacidade para discernir onde está o erro diante de seus olhos e reage com o zelo e a santidade do Senhor. Jamais podemos permanecer indiferentes perante um falso profeta ou mestre. Devemos rejeitá-los completamente, de modo que nunca nos associemos, estimemos ou sustentemos tais falsos profetas; do contrário, não seremos zelosos pela verdade, mas cúmplices do que Deus condena.” 

 

“A questão fundamental do sentido da vida tem duas perspectivas que devem se abrir para nós mesmos, a primeira é uma relação com Cristo  para se chegar a Deus, através do Seu Filho Unigênito  e a outra é o modo como vivemos essa relação de modo a fazer com que todas as nossas ações estejam convergindo em direção ao propósito eterno de Deus, esse é o meio pelo qual iremos vivenciar e experimentar a verdadeira felicidade ainda aqui nesta vida.”



“Cada homem nasce debaixo da escuridão da potestade das trevas, e somente quando a glória do evangelho resplandece sobre ele, é que enxerga a necessidade de ser redimido por Cristo para o reino de Deus.”



“Duas lógicas do Evangelho, a primeira é que Cristo nunca mereceu a cruz, mas enfrentou ela para que os pecadores que nunca mereceram o céu possam recebê-lo totalmente de graça.”

 

“Constitui-se grande bênção, e é de grande relevância para os nossos dias, que o cristão, ele seja totalmente devotado ao estudo da Bíblia Sagrada para que ele tenha uma virtude comum, a virtude de ser um bereiano. O bereiano é aquele tipo de cristão que ele não é enganado pelos falsos profetas, pois quando o falso profeta subir em cima de um púlpito para pregar erros e heresias, ele estará apto para dizer que aquilo que o falso profeta está ensinando não está de acordo com aquilo que está na Bíblia.”


“Assim, concluímos que é uma bênção meditar, ler, estudar, memorizar as Escrituras, pois isso nos dará a possibilidade de crescer espiritualmente, receber conhecimento espiritual, ter a nossa mente iluminada e, assim, crescer na graça e no conhecimento, para que nós possamos, de maneira correta, ficar firmes nos caminhos do Senhor.”


"A grande necessidade do todo o homem  ė sair da sua identificação com  Adão e com a queda para colocar-se em Cristo e a identificação com a sua morte e ressurreição."

“A graça de Deus nunca foi motivo para tornar o pecado agradável aos redimidos; ela serve, antes, para nos mostrar o quão maligno ele é.”



“Crer na obra consumada e perfeita de Cristo na cruz e na justificação pela fé ė dar a Cristo todas as honras e méritos necessários para a nossa justificação. A redenção que Deus em Cristo oferece ao pobre pecador perdido tem como fundamento unico,  tao somente o que Cristo fez e nao o que podemos fazer. O convite, para entrar e viver o cristianismo bíblico, é crer em Cristo, viver em Cristo e testemunhar acerca da suficiência de Cristo.”


Diante da proliferação de pessoas que se autoproclamam guias espirituais, num contexto marcado pela disseminação de ensinamentos religiosos superficiais e, por vezes, desprovidos de embasamento teológico, a instrução sólida nos fundamentos da fé cristã torna-se uma necessidade premente. É imperativo que os fiéis, especialmente aqueles que buscam um aprofundamento genuíno no Evangelho, sejam nutridos com um conhecimento robusto, capaz de transcender a superficialidade e proporcionar-lhes uma compreensão mais profunda das verdades essenciais da fé.”


Se uma sistema teológico nos conduz para um conhecimento mais perfeito de Cristo (Efésios 4:13 epignosis) se exalta a obra eterna e consumada de Cristo (Hebreus 9:12) Se centraliza a Pessoa Divina de Cristo como o centro onde todas as coisas estão convergindo (Efésios 1:10) e todas as coisas estão se cumprindo (Efésios 4:10) está laborando ao lado do Espírito da verdade e divergindo do espírito do erro.”



“Há um número cada vez maior de falsos cristãos que por motivo injusto de numerar tudo o que existe de equívoco na cristandade, optou por distorcer muitos fatos para justificar a sua rebelião contra as Escrituras.”


“Não te incomodes se alguém atribuir algo maravilhoso ao sobrenatural pois também ha quem atribua a forças cegas algo que seja de uma maravilhosa grandeza, nessa história, pelo menos Deus não ė cego.”

 

 

Livreto Grátis: JESUS CRISTO: CENTRO DA HISTÓRIA

0 comentários

 


JESUS CRISTO: CENTRO DA HISTÓRIA

 

https://drive.google.com/file/d/1Lvq7yg31Lx3pZ7wijrRgq7eCd-7Ky9IL/view?usp=sharing

Livreto Grátis: COMO TER FIRMEZA ESPIRITUAL EM EPOCA DE APOSTASIA

0 comentários





COMO TER FIRMEZA ESPIRITUAL EM EPOCA DE APOSTASIA

 

https://drive.google.com/file/d/1XffWK3Yd7XlxU1D4rh2Rkcn4xeOlA9Zn/view?usp=sharing

Livreto Grátis: Conselhos Espirituais

0 comentários

 




CONSELHOS ESPIRITUAIS

https://drive.google.com/file/d/1Ojo9gzAP3nL8XslM4i4ja9oJyLJUaksy/view?usp=sharing

A PROVIDENCIA SANTA DE DEUS SOBRE OS REDIMIDOS

0 comentários


 

C. J. Jacinto

 

Uma reflexão acerca de Romanos 8:28: "E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito." Este oráculo, contido no oitavo capítulo da grandiosa epístola de Paulo aos Romanos, constitui um profundo consolo. O versículo tem servido como uma fonte de consolo do mártir em seus momentos de angústia, como cajado para sustentar as mãos debilitadas do peregrino e como escudo para proteger o peito daqueles que, na peleja espiritual, enfrentam o intenso calor da batalha.
O apóstolo Paulo inicia sua profunda consolação com uma nota de absoluta certeza, a partir da qual podemos contemplar e compreender a sua declaração. Ele não recorre a suposições, conjecturas ou ambiguidades; não há espaço para possibilidades incertas ou meras expectativas. A gramática da fé, ao tratar do caráter de Deus, não admite o modo subjuntivo, preferindo o indicativo: a linguagem do conhecimento. Trata-se de uma convicção fundamentada em uma percepção intuitiva e absoluta, uma verdade que transcende a nossa experiência e os nossos sentimentos, alicerçada em uma fé inabalável. Paulo afirma: "Sabemos".
Todavia, é imperativo que façamos uma pausa para um exame interior. Acaso possuímos, de fato, tal certeza? Será esta uma verdade autoevidente à natureza humana? Se consultarmos os registros da experiência humana, se indagarmos à carne e ao sangue, a resposta será um inequívoco não. Quando a tempestade investe contra o lar, quando o raio fere o cedro, quando a embarcação é naufragada pelas ondas e o mundo parece ruir, pode o coração natural proclamar que tudo isso contribui para o seu bem? Longe disso; o coração terreno, tal como Jacó outrora, exclama: "Todas estas coisas são contra mim". O olhar do sentido humano percebe apenas a perda, a dor, a tragédia, o sofrimento e a desventura. Contudo, o cristão que deposita sua confiança no Senhor transcende essa visão limitada.
O conhecimento de Paulo repousa sobre um fundamento inabalável: o caráter de Deus. Como aqueles que amam ao Senhor, compreendemos a Sua natureza e as Suas promessas. Reconhecemos que Ele é o Pai Todo-Poderoso e onipotente, cuja sabedoria é infinita e cujo amor é imutável. Pela Sua onisciência, Deus detém o pleno conhecimento do que é melhor para nós; Ele é o soberano regente de nossa existência e de nosso destino. Confiantes no Seu amor incondicional e no Seu controle absoluto sobre todas as coisas, compreendemos que a Sua onipotência atua em nosso favor. Sendo Ele capaz de efetuar o que é mais excelente para cada um de nós, temos a convicção de que os resultados de Sua providência conduzem, inevitavelmente, ao supremo bem. A expressão "aqueles que são chamados segundo o seu propósito" refere-se aos redimidos, adquiridos pelo sangue do Redentor. A arquitetura deste versículo nos oferece a garantia de uma perspectiva divina que transcende o tempo presente, estendendo-se à eternidade. Trata-se de uma visão celestial, de plenitude e convergência. Deus estabeleceu um desígnio soberano para cada um dos que chamou, propósito este que a própria redenção ratifica. Conforme o capítulo 1, versículo 10, da Epístola aos Efésios, caminhamos em direção à plenitude dos tempos, rumo à visão beatífica na qual todas as promessas do Senhor serão consumadas, alcançando o ápice de nossa existência. O coração de Deus e o exercício de Sua vontade repousam sobre aqueles a quem Ele ama; por conseguinte, aquele que ama a Deus deve manter o seu coração inteiramente voltado às Suas promessas. O texto em análise funciona como uma janela que se abre, permitindo-nos contemplar a soberania de Deus e a magnitude de Seu propósito sobre as nossas vidas.
A identificação daqueles que amam a Deus, conforme apresentada em Romanos 8:28, refere-se aos redimidos, aos que atenderam ao chamado do Evangelho. Este versículo estabelece uma doutrina fundamental: a responsabilidade humana. Somos instruídos a amar ao Senhor de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento. Amar a Deus é uma escolha que nos cabe; é um exercício da nossa livre vontade. Devemos, portanto, tomar uma decisão radical que esteja em consonância com o propósito estabelecido pela soberania divina. Embora Deus inicie, planeje e chame, cabe a nós responder. Essa resposta deve ser profunda e deliberada, para que possamos experimentar o processo dinâmico da atuação de Deus conforme o propósito que Ele determinou para nossas vidas desde a eternidade. É imperativo que caminhemos continuamente nessa direção.
 Todavia, um aspecto do versículo merece atenção especial: a afirmação de que todas as coisas cooperam para o bem. Este é um tema central e sublime, que deve ser objeto de profunda reflexão, inclusive para o homem impiedoso. A providência divina, operando de maneira invisível, faz com que todos os eventos concorram para o benefício daqueles que são chamados. Trata-se de uma verdade magnífica, que requer nossa constante meditação, visto que diz respeito à nossa própria existência. Em última análise, a soberania de Deus assegura que todas as circunstâncias cooperem para o nosso bem, não apenas nesta vida, mas também por toda a eternidade.



Podemos observar essa realidade na trajetória de José do Egito, que, após ser vendido por seus irmãos e submetido à condição de escravo, enfrentou uma falsa acusação que o levou ao cárcere. Mesmo cumprindo pena por um crime que não cometeu, José manteve-se alicerçado nas promessas divinas. Sua fé inabalável sustentava a convicção de que Deus permanecia no controle e de que todas as circunstâncias cooperavam para um propósito maior. Essa confiança permitiu que ele se mantivesse firme, mesmo diante de evidências contrárias. O mesmo se aplica à experiência de Daniel. Ao ser retirado de sua pátria e levado à Babilônia, ainda que a situação parecesse desoladora, o agir soberano de Deus estava presente. Tanto a vida de José quanto a de Daniel revelam que o Senhor utiliza as aflições como instrumentos para realizar Seus desígnios. Esses relatos do Antigo Testamento, que transcendem o caráter histórico, evidenciam a soberania divina sobre todas as circunstâncias. Consequentemente, a promessa contida em Romanos 8:28 torna-se extraordinária ao analisarmos como grandes homens de Deus superaram adversidades por meio da presença constante do Criador. Dessa forma, todas as coisas revestem-se de um significado profundo e absoluto, carregando um peso significativo de propósito, soberania e domínio sobre cada fração de segundo, momento e circunstância. O apóstolo não exclui aspecto algum, incluindo, antes, aflições, provações, adversidades, perseguições, calamidades, enfermidades, obstáculos e tensões, entre outros desafios. Na história dos santos, observamos como o Senhor intervém com sua providência; embora seu processo possa parecer incompreensível em um primeiro momento, o decorrer do tempo revela como Deus mantinha o controle, cumprindo seu propósito e glorificando seu nome. Consideremos, agora, a trajetória de Jonas. Teriam a tempestade e o seu subsequente lançamento ao mar ocorrido por mero acaso? De modo algum; foi o Senhor quem enviou um forte vento sobre o oceano, evidenciando Sua soberania. A aparição do grande peixe não foi um evento fortuito, mas uma providência divina preparada para aquele momento. A tempestade, o sorteio realizado pelos marinheiros, o grande peixe, a planta, o verme e o vento oriental — todos esses elementos cooperaram para o bem de Jonas. A tempestade serviu para despertar o profeta; o sorteio, para identificá-lo; o peixe, para resgatá-lo; a planta, para confortá-lo; e o verme, para humilhá-lo. Embora, sob a perspectiva de Jonas, a tempestade representasse a destruição e o grande peixe, a morte iminente, Deus utilizou tais meios para cumprir o Seu propósito. Esse desígnio não se restringiu à vida do profeta, mas estendeu-se aos habitantes de Nínive, alcançando-os com a salvação e afastando-os de sua profunda rebeldia.
 Romanos 8:28 constitui, portanto, nossa carta magna de esperança, preenchendo o vazio de nossos anseios diante da glória futura. É imperativo compreender que não somos joguetes do destino nem vítimas do acaso; repousamos sob a soberana e misericordiosa sabedoria de Deus. Nesse sentido, entendemos que as aflições, perseguições, privações e as duras lutas da vida — fatos que, por vezes, parecem contrariar nossas convicções — nada mais são do que o justo governo divino sobre nossa existência. Devemos aguardar com confiança, pois, no tempo oportuno, revelado será que os propósitos de Deus sempre foram pautados pela sabedoria e justiça. Assim, regozijar-nos-emos ao rememorar as tribulações enfrentadas durante nossa peregrinação terrena. Tal qual a trajetória de José, desde a casa de Jacó até o Egito, compreendemos que nenhuma dificuldade esteve fora do controle divino. Deus tece, minuciosamente, a tapeçaria de seus desígnios, da qual somos fios condutores; estamos inseridos neste grandioso monumento celestial que culminará na consumação de todas as coisas.




VERDADEIRA CONSAGRAÇÃO

0 comentários

 

 

 

Um Discurso Proferido na Convenção para o Aprofundamento da Vida Espiritual, realizada em Ontário, Canadá, na noite de quarta-feira, 26 de outubro de 1898.

A maioria das vidas cristãs fracassa em bênçãos e poder por falta de um trato definitivo com Deus em três pontos: (1) Consagração; (2) Purificação do pecado; (3) Fé apropriadora. Quando a consagração é defeituosa, tentativa, irreal, então a negligência com os pecados menores é habitual; não há mais a resposta de uma boa consciência, o coração não é mantido limpo, a comunhão é impedida, o Espírito de Deus é entristecido, o pulso espiritual bate fraco, a vitalidade espiritual é diminuída. E enquanto a Palavra de Deus, e o testemunho de cristãos que vivem na luz de Deus, trazem constantemente diante da fé as coisas mais preciosas para serem tomadas, e enquanto há um desejo vago de ter essas coisas, não há um ato definitivo de fé que se estenda para dizer: "Eu tomo agora", e então dizer: "Eu Te agradeço que eu tenha." Há uma confiança real em Deus para a salvação, mas não há adição instantânea feita pela fé apropriadora aos tesouros de nossa riqueza espiritual. A vida cristã não é nutrida de dentro de si mesma, mas de cima para baixo. As graças da vida espiritual nascem acima e são enviadas para baixo. São exóticas a este mundo. Não crescem espontaneamente neste clima. Não são indígenas nesta natureza. O crescimento cristão, portanto, é um processo de recebimento incessante pela fé. As almas mais receptivas são as melhor nutridas.

Quero falar-lhes sobre aquilo que é fundamental em toda esta questão de bênção — sobre a Consagração. Isso pode parecer um assunto batido, mas eu, pelo menos, estou fazendo a descoberta de que é precisamente em terreno familiar que encontro o inesperado. Nossa própria familiaridade com a letra das grandes passagens fecha nossos ouvidos para os significados mais profundos delas.

Vamos voltar a Romanos 12:1-2: "Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo" — literalmente, não sejais pressionados no molde deste mundo. Há um certo caminho do mundo e um certo caminho do reino, e os sinais de mundanidade são facilmente discernidos, e os sinais da vida do reino são facilmente discernidos. "Mas sede transformados pela renovação da vossa mente", por aquele novo princípio de vida dado por Deus, "para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." Creio que o pensamento de Deus sobre a consagração é expresso nos dois versículos, e não apenas no primeiro. Não vêem como inevitavelmente, se devemos extrair a doutrina da consagração daquele versículo, devemos chegar à vontade de Deus? Pois a consagração não é uma cerimônia religiosa, não um mero ato passageiro para satisfazer alguma inquietude de consciência. A consagração é a aceitação cordial e irrestrita da vontade de Deus, e não podemos fazer isso até crermos que essa vontade é "boa" e "perfeita" e, portanto, "agradável". Agora olhem por um momento para aquele primeiro versículo. Eu o li por anos como se fosse "Sacrifiquem os vossos corpos." Eu recuava da dor. Eu sabia que sacrifício significava, no fundo do coração, morte. Eu queria viver, não morrer. Ainda não tinha compreendido o princípio elementar da vida vitoriosa, de que é necessário morrer antes de viver. Mas eu concebia a exigência como sendo que eu sacrificasse meu corpo, e eu não sentia capacidade para fazê-lo. Fiquei muito aliviado quando vi que a exortação não era para sacrificar meu corpo, mas para "apresentá-lo" para o sacrifício.

A imagem é tirada da antiga dispensação, onde todas estas coisas eram externas e cerimoniais; significando coisas interiores, mas representando-as por sinais visíveis. O que fazia um ofertante sob o sistema levítico? Ele trazia sua oferta ao sacerdote e o sacerdote fazia o sacrifício. O ofertante dava a oferta ao sacerdote, como representante de Deus. Isso coloca a questão em novo terreno. Certamente, não pedimos nada melhor do que cair nas mãos do Cristo vivo; nada melhor do que Ele tomar nossos corpos e fazer com eles o que Ele quiser. Sabemos que Ele fará a vida sacrificial, mas alegremente entregamos toda a vida a Ele.

Agora, eu paro sobre isso por um momento, pois aqui está uma distinção vital. Se eu devo sacrificar meu corpo, certamente o farei de alguma maneira fanática e mórbida. Tornar-me-ei eremita, ou monge, ou flagelante, ou santo do pilar, como São Simão Estilita. Encontrarei a prova de que realmente estou sacrificando meu corpo ao contemplar sua emaciação, ao abjurar os doces relacionamentos naturais, ao negar aos desejos implantados por Deus seus meios de gratificação designados por Deus. Milhões de almas sérias fizeram essas coisas. Mas se Cristo, como sacerdote, torna minha vida sacrificial, será segundo o doce e salutar padrão dEle — isto é, será sacrifício vicário; será por outros, não por mim mesmo.

O crescimento cristão é por uma série de atos definitivos. Como, de fato, começa a vida cristã? Por um ato definitivo — a apropriação de Cristo. Há mil coisas atraindo um pecador para Cristo. Começou em casa e continuou na escola dominical e na Igreja; o pecado entrou e a consciência despertou e começou a ferir; houve as persuasões da prudência, e o jogo de todos os motivos que trazem os homens a Cristo. Mas houve, finalmente, um passo a ser dado. Tivemos que receber Cristo como Salvador nos termos oferecidos no Evangelho, e quando fizemos isso, estava feito, e passamos para a salvação. Essa é a crise do pecador. Agora, assim como há uma crise do pecador que o traz a Cristo para a salvação, assim há uma crise do santo que o traz a Cristo para uma vida consagrada. Nós estragamos e degradamos o pensamento com nossas intermináveis re-consagrações. A Bíblia não sabe nada sobre re-consagração. A consagração não é algo que se trabalha pouco a pouco. Pouco a pouco podemos chegar ao momento decisivo, mas então é um ato.

Nós a tornamos amplamente cerimonial. Os queridos jovens por todo o mundo estão se "consagrando" a cada mês. Eu frequentemente lhes pergunto se já está feito. Você não corre atrás de um bonde depois que o pegou. Você não está sendo regenerado novamente a cada mês. Alguém está consagrado ou não está; e todos esses exercícios preliminares do coração e da consciência são valiosos apenas na medida em que levam alguém ao ponto onde a apresentação definitiva do corpo é feita. Pensem por um momento nos dois grandes tipos de consagração nas Escrituras. A consagração do Templo para a posse de Deus e a consagração dos sacerdotes para o serviço de Deus. Nesse aspecto, eram semelhantes, que, uma vez feita, não era feita novamente.

Um sacerdote era sacerdote por nascimento, mas não podia servir em suas funções sacerdotais até que o ato de consagração fosse realizado. Assim, todos os que nascem na família de Deus são sacerdotes por título, mas nem todos estão fazendo obra sacerdotal. A consagração do sacerdote era um ato. Uma vez consagrado, ele podia ministrar. Não raramente, após a consagração, ele se tornava contaminado, e suas funções sacerdotais eram suspensas até que a contaminação fosse removida. O remédio não era re-consagração, mas purificação.

Da mesma forma, o Templo, uma vez dado à posse de Deus, era o Templo de Deus. Voltem comigo a 1 Reis, capítulo 8, o relato da consagração do templo de Salomão. Marquem qual é o ato essencial. Os sacerdotes tomam a arca. A arca é o tipo mais abrangente de Cristo no Antigo Testamento; em seus materiais, conteúdo e usos, fala de maneira maravilhosa de Cristo. Quando o tabernáculo foi feito, a arca foi construída primeiro, e tudo o mais era acessório. Tipicamente, os sacerdotes tomaram Cristo. E como vão consagrar o Templo? Levando Cristo para dentro dele. No sexto capítulo de 1 Coríntios, versículo 19, lemos que nossos corpos são templos. O que há de significativo nisso? O Templo de Salomão era dividido em três partes: o pátio, o lugar santo, o mais interior de todos — o Santo dos Santos. Segundo as Escrituras, o homem é igualmente triplo: espírito, alma e corpo. O espírito do homem é aquela parte dele que conhece; sua inteligência, "a candeia do Senhor", é o santo dos santos. A alma — a sede da vontade, dos afetos, dos apetites naturais, da vida do eu, é o lugar santo. O corpo, aquilo que é exterior, é o pátio. O Templo foi modelado segundo Deus; o próprio homem é modelado segundo Deus. O Templo era uma trindade; o homem é uma trindade; Deus é uma trindade.

A consagração do Templo foi realizada levando a arca para dentro dele. Os sacerdotes carregando a arca, passaram pelo pátio; o pátio tornou-se de Deus; era o troná-Lo ali. Passaram para o lugar santo, e significava a mesma coisa. Então para o santo dos santos, e então o ato mais significante de todos, eles "tiraram as varas" pelas quais a arca era carregada durante suas peregrinações. As varas nunca deveriam ser tiradas enquanto Israel estava peregrinando. Tirar as varas, portanto, era uma ação de finalidade. Eles não podiam fazer nada mais para dizer que não iam movê-la mais. A arca ficaria ali. Eles não iam ter uma reunião de "re-consagração". Salomão poderia ter dito: "Esta é uma ocasião gloriosa; vamos repeti-la uma vez por ano, ou uma vez por mês." Se isso tivesse sido feito, toda a glória e o significado teriam se ido. Teria significado que o Templo ainda era deles; que eles tinham algo para re-consagrar.

Se eu me entreguei verdadeiramente a Deus, não tenho mais nada para dar. Não há nada mais paralisante para a vida espiritual do que uma cerimônia da qual todo o significado se foi. Agora marquem o que se seguiu. "E aconteceu que, quando os sacerdotes saíram do lugar santo, a nuvem encheu a casa do Senhor; de tal maneira que os sacerdotes não podiam permanecer ali para ministrar, por causa da nuvem; porque a glória do Senhor tinha enchido a casa do Senhor." Quando eles "saíram", a glória do Senhor entrou. Quando o corpo e a alma foram dados ao Senhor, quando o espírito foi entregue à autoridade do Senhor, não mais para ser desregrado ou centrado no eu; quando isso foi realmente feito, quando as varas foram tiradas, então nós mesmos devemos sair, e quando o fazemos, o Espírito do Senhor enche a casa. Nunca esquecerei uma palavra que ouvi aqui no Canadá uma vez de J. Hudson Taylor. Foi esta: "Sabe, se Ele não é Senhor de tudo, Ele não é Senhor de nada."

Lembro-me de uma jovem dando um testemunho em Portland, Maine, e ela ficava repetindo estas palavras: "É Jesus e eu; é Jesus e eu", e seu pastor se inclinou e me disse: "Se ela pudesse apenas conseguir 'só Jesus', ela poderia fazer tanto pelo Senhor, mas é sempre 'Jesus e eu'."

A consagração é um ato definitivo, e quando realmente realizada, significa isto: "Eu não tenho mais nenhum título em mim mesmo; eu me entreguei ao Senhor, corpo, alma e espírito. Eu sou do Senhor." Isso significa que seu corpo se move sempre em obediência ao Senhor, que não há levantamento da vontade, que não há reafirmação da vida do eu? Não, ainda não. Mas o Senhor está subjugando o território entregue a Si mesmo. Eu o entreguei a Ele para que Ele o subjugue a Si mesmo. Não é de uma vez que o corpo realiza qualquer ato bem. Meu filho [Noel Paul, 9 anos] está aprendendo a escrever, e eu o faço copiar palavras de um título em caligrafia. Ele está na fase da imitação. Ele tenta fazer o "a" igual ao modelo, mas não é igual. Qual é o problema? Há alguma resistência ou relutância nele? Não. Qual é, então, o problema? A mão ainda não aprendeu a obedecer ao que o olho vê e a vontade manda. Quão irrazoável seria de minha parte esperar que ele reproduzisse exatamente o modelo de uma vez! Agora o Senhor está disposto a ter paciência inexaurível conosco, e devemos ter paciência com Ele enquanto Ele nos está subjugando a Si mesmo. Certifiquem-se apenas de uma coisa, de que realmente entregaram o templo a Ele, de que este é um ato sincero e final de sua parte. Mantenham o olho no modelo, vejam o que Ele está tentando fazer e deem-Lhe tempo. Rendam-se, essa é a coisa definitiva para nós fazermos. Vocês estão dispostos a fazê-lo? Não é nosso "culto racional"? Paulo diz: "Rogo-vos, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional."

Vocês notaram que os capítulos 9, 10 e 11 de Romanos são um parêntese? No final do capítulo 8, Paulo suspende o argumento para considerar um ponto, a saber, se tudo isso, até o final do capítulo 8 é verdade, o que se deve dizer sobre Israel, e as promessas distintivas de Deus a Israel? Ele responde a tudo isso nos capítulos 9-11. Então, no início do capítulo 12, ele volta. Notem como o capítulo 8 termina, e então passem para o início do 12. Por essas misericórdias maravilhosas, que tomaram um miserável sob a sentença da lei, e o colocaram ao lado de Cristo em uma união pessoal nunca a ser dissolvida, embora você esteja agora por pouco tempo em um corpo mortal, eu rogo-vos, entreguem esse corpo a Cristo. Não é razoável? Vocês o farão?

Deixem-me dar-lhes alguns testes. Voltem a Lucas 14:25: "E iam com ele grandes multidões; e, voltando-se, disse-lhes: Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo à guerra contra outro rei, não se assenta primeiro e consulta se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? E, se não puder, quando aquele ainda está longe, lhe manda uma embaixada e pede condições de paz. Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo." Não temos aqui as condições da salvação de modo algum. A salvação é gratuita. Custou a Cristo uma soma incalculável, mas não nos custa nada. Não custa nada ser cristão. Mas custa tudo ser discípulo, isto é, um seguidor de Cristo em conformidade com Sua vida e caráter. Vejam o que o discipulado envolve.

O reajuste de todos os relacionamentos humanos com base na nova vida. Cristo não amava sua mãe? Ele lhe deu um lar da Cruz. Mas quando sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora e desejavam falar com Ele, para que o desviassem de Seu propósito de fazer toda a vontade de Deus, Ele disse: "Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?" e estendeu Suas mãos para Seus discípulos e disse: "Eis minha mãe e meus irmãos." Cristo deve estar acima de tudo.

"Renunciar a tudo quanto tem." Deve ele se desfazer de sua propriedade? Ele seria um mordomo infiel se o fizesse. Como deve ele renunciar a ela? Transformá-la em um fundo de confiança. "Eu não possuo mais esse dinheiro; eu sou um mordomo. Senhor, quanto devo gastar com minha família e comigo mesmo? O que devo fazer com o resto? O reajuste da propriedade, os relacionamentos com Cristo acima de tudo.

O que é tomar a cruz e segui-Lo? Há apenas uma Cruz, a de Cristo. Levar a cruz significa que você vai pela Via Dolorosa, até o lugar da caveira, e que estende suas mãos e deixa os cravos atravessá-las. Significa ir à crucificação com Ele. Cristo não se crucificou a Si mesmo, mas sofreu isso. Você Lhe dará seu corpo, sabendo que significa que você não vive mais para si mesmo, mas para Aquele que morreu e ressurgiu? Não passem por exercícios dolorosos. Eles são inúteis. Feliz e alegremente "apresentem" os vossos corpos a Ele. Deixem que Ele torne a cruz real em cada parte de sua vida.


Fonte: Scofield, C.I. The New Life in Christ Jesus (Capítulo VIII — True Consecration), extraído do arquivo digitalizado disponível em archive.org e do Plymouth Brethren Archive.

 

A DINAMICA DO ESTUDO PROVEITOSO DAS ESCRITURAS. (Nova Versão Aprimorada)

0 comentários

 


Há muitos anos atrás li um livretinho de Thomas Wilcox, o titulo era “Mel que Sai da Rocha” uma leitura edificante e impactante sobre a leitura das Escrituras, uma frase memorável daquele livreto cravou no meu coração e desde então por muitos anos, tem sido inspiração para a leitura e estudo diário das Escrituras: “Esquadrinhe diariamente as Escrituras como uma mina de ouro em que manifesta o coração de Cristo” a norma tornou-se parte da minha vida; Todos os dias lendo e o dia todo meditando nas Santas Escrituras.

 

 

“Antes e depois de ler as Escrituras, ore fervorosamente para que o Espírito que as escreveu as interprete para você, o livre da incredulidade e do erro e o conduza à verdade”. (Richard Baxter)

“A leitura atenciosa da bíblia fornece ao crente um ótimo roteiro para o exame de sua vida, do seu coração, de suas intenções e desejos”  (Dr Anibal Pereira Reis em: Crente, Leia a Sua Bíblia!)

“Conhecimento sem devoção é inútil. Devoção sem conhecimento é irracional. Mas o verdadeiro conhecimento de Deus inclui compreender tudo a partir de sua perspectiva e isso é vívido, pessoal e valioso. Teologia é a arte de aprender a pensar os pensamentos de Deus. Seguindo-o é aprender o que Deus ama e odeia e ouvir, pensar e agir de maneira que Deus deseja. Conhecer os pensamentos de Deus é o primeiro passo para se tornar piedoso. Em Hebreus, capítulo 5, versículo 11 até o capítulo 6, versículo 3, ensina que aprofundar o entendimento teológico capacita a pessoa a discernir o bem do mal, exorta os crentes a amadurecer e no conhecimento de Deus. De Deus e dos seus caminhos.” (Introdução a Teologia - Alpha Institute)  

 

“Geralmente pensamos nos métodos de assimilação da Palavra como pertencentes a quatro categorias: ouvir a Palavra ensinada por nossos pastores e mestres (Jeremias 3:15), ler a Bíblia por nós mesmos (Deuteronômio 17:19), estudar as Escrituras atentamente (Provérbios 2:1-5) e memorizar passagens-chave (Salmo 119:11). Todos esses métodos são necessários para uma assimilação equilibrada da Palavra... [Mas] devemos fazer mais do que ouvir, ler, estudar ou memorizar as Escrituras. Devemos [também] meditar nelas (Josué 1:8).” (Jerry Bridges)

 

“Escreva-as na tabua do teu coração” (Proverbios 3:3)

 

Recentemente, durante um estudo bíblico semanal, um dos participantes formulou uma questão profunda: "Como posso alcançar a iluminação e a compreensão das coisas espirituais na leitura das Escrituras?". Esta indagação revela-se extremamente pertinente aos nossos dias, visto que observamos uma escassez crescente de pessoas que possuam tal discernimento. É uma experiência extraordinária abrir as Escrituras e ser alcançado por uma iluminação espiritual que nos permite compreender, com maior profundidade, a riqueza dos ensinamentos sagrados, ver as verdades mais profundas e preciosas se revelarem diante de nossos olhos. Considero o estudo da Palavra um mergulho em um oceano profundo, onde se encontram pérolas capazes de enriquecer nossa jornada espiritual. Contudo, o acesso a esses tesouros exige a observância de certos princípios, os quais gostaria de apresentar a seguir.

 

“Abra a sua Bíblia e sacie-se. Farte-se. Revigore-se. Restaure suas energias espirituais. E sua vida será vitoriosa. E você será um crente em direção ao crescimento na graça. Com passos de gigante, caminhará nas sendas da perfeição. O diabo não o vencerá” (Dr Anibal Pereira Reis em: Crente, Leia a Sua Bíblia!)

 

“Retenha o teu coração as minhas palavras” (Provérbios 4:4)

“Inclina o teu coração ao entendimento” (Proverbios 2:2)


A primeira condição  para o estudo das Escrituras e para a recepção de revelações profundas é a prática do temor, acompanhada de um respeito reverente pela Palavra de Deus. Não manuseamos um livro comum, mas a Palavra de Deus revelada e inspirada; por isso, devemos tratá-la com a máxima preciosidade e profunda reverencia, conferindo ao texto sagrado a dignidade que lhe é intrínseca.


A segunda condição que desejo apresentar é a necessidade de cultivar um amor profundo e inabalável pelas Escrituras. “Busca de todo o teu coração” (Jeremias 23:19) Esse zelo não deve apenas manter-se constante, mas crescer continuamente; sem uma devoção fervorosa aos textos sagrados, o progresso no conhecimento será limitado, impossibilitando o alcance da profundidade espiritual que tanto almeja. Tenha em mente que a conquista de grandes objetivos exige um amor intenso e a disciplina necessária para traduzi-lo em ações e em uma busca incansável. Portanto, estabeleço este como um princípio fundamental: a ausência de um profundo amor pelas Escrituras torna impossível o progresso no conhecimento de seus mistérios, valores e riquezas.

 

“Todos os teus caminhos sejam ordenados” (Provérbios 4:26)


O terceiro princípio que desejo apresentar refere-se à humildade, que se desenvolve progressivamente pelo reconhecimento de nossas limitações e falhas. É essencial manter a consciência constante de nossas fraquezas, dispondo-nos a humilharmo-nos diante da soberania do Senhor e a confessar nossos pecados. Ao ler atentamente as Sagradas Escrituras, perceberemos que elas revelam, inevitavelmente, nossa própria imperfeição. De fato, a Bíblia não pode servir como luz para o próximo sem que, primeiramente, funcione como um espelho para nós mesmos.

“Lembre-se de que não é a leitura apressada, mas a meditação séria sobre as verdades sagradas e celestiais que as torna doces e proveitosas para a alma. Não é o mero toque da flor pela abelha que recolhe o mel, mas sim a sua permanência por um tempo na flor que extrai a doçura. Não é aquele que lê mais, mas sim aquele que medita mais, que se revelará o cristão mais escolhido, mais doce, mais sábio e mais forte.” (Thomas Brooks)


O quarto princípio que gostaria de apresentar refere-se à consagração da sua capacidade intelectual e da sua mente ao Senhor. É permitir que o Espírito Santo dirija e assuma o governo da sua consciência, a fim de que você alcance o discernimento espiritual necessário para glorificar a Deus através da sua vida. Cultivar esse espírito de servidão, mediante a entrega completa da mente e do coração ao Criador, é um requisito fundamental para que Ele, por meio do Santo Espírito, possa atuar em seu entendimento, revelando as preciosas profundezas contidas nas Escrituras. Deus ilumina a mente do homem santo com o propósito supremo de que Ele seja glorificado. Lembre-se sempre de que o caminho da erudição é, essencialmente, o caminho da piedade; ambos são pilares indispensáveis para a formação do verdadeiro homem santo. Portanto, uma mente, uma vida e um coração consagrados proporcionarão a necessária clareza para compreender as verdades divinas.

“A leitura é o lançar da semente no coração. Este disseminar deve ser diário. Com Constancia” (Dr Anibal Pereira Reis em: Crente, Leia a Sua Biblia!)

“Leia a Bíblia com sincera oração, pedindo o ensino e o auxílio do Espírito Santo. Aqui está a rocha na qual muitos naufragam logo no início. Eles não pedem sabedoria e instrução, e por isso encontram na Bíblia um livro obscuro, do qual nada extraem. Você deve orar para que o Espírito o guie a toda a verdade. Você deve suplicar ao Senhor Jesus Cristo que “abra o seu entendimento”, como Ele fez com os Seus discípulos” (JC Ryle)

“Muitas vezes, ao ler [a Bíblia], cada palavra parecia tocar meu coração. Sentia uma harmonia entre algo em meu coração e aquelas palavras doces e poderosas. Parecia-me ver tanta luz manifestada em cada frase, e um alimento tão refrescante ali comunicado, que não conseguia prosseguir com a leitura; freqüentemente me detinha longamente em uma única frase, para contemplar as maravilhas nela contidas; contudo, quase todas as frases pareciam repletas de maravilhas.” (Jonathan Edwards)


O quinto princípio que desejo apresentar é o da constância e da resiliência. Devemos disciplinar nossa vontade para realizar uma leitura atenta, pausada e meditativa, de modo que a mente esteja plenamente engajada no conteúdo estudado. O objetivo é que, ao concluir a leitura ou a pesquisa nas Escrituras, o conhecimento não seja esquecido, mas sim assimilado, tornando-se parte do seu íntimo para o desenvolvimento de reflexões profundas. Ao interiorizar a Palavra, você transforma seu coração em um verdadeiro tesouro espiritual. Esse arsenal de passagens e ensinamentos, consultável a qualquer momento, servirá como combustível para manter vivo o seu fervor e, acima de tudo, como bússola e luz para guiar a sua caminhada diária.


O sexto princípio fundamenta-se na oração do apóstolo Paulo, na qual ele suplica que o Senhor ilumine o entendimento dos efésios para a compreensão das verdades sagradas. Tal prática deve ser constante em nossa vida: sempre que abrirmos as Escrituras, é indispensável rogar humildemente ao Senhor, com fervor e profunda devoção, que ilumine o nosso coração e a nossa mente. Devemos clamar intensamente para que o Espírito Santo nos conduza a toda a verdade durante o estudo da Palavra. O Espírito Santo é o nosso guia supremo. Oração é a porta de entrada para as paginas do livro santo. Andrew Murray no seu magnífico livro “A Vida Interior” escreveu: “A oração e a Palavra tem um centro comum: Deus. A Oração procura Deus, a Palavra revela Deus. Na oração, fazemos os pedidos a Deus; na Palavra Deus nos dá as respostas. Na oração, elevamo-nos aos céus para estar com Deus, na Palavra, Deus vem habitar conosco. Na oração da-mos a Deus; na Palavra Deus se dá a nós” Devemos entender que é nesse intercambio comunhão e oração com o Senhor que a Sua Palavra alimenta e nos dá entendimento e discernimento.


O sétimo princípio que desejo apresentar consiste na tríade: escrever, anotar, revisar e memorizar. Este processo demanda concentração elevada, força de vontade, determinação e longanimidade; é um exercício contínuo de aprofundamento e imersão. Tal prática requer uma dedicação rigorosa e uma constância inabalável para que haja uma crescente familiaridade com o texto bíblico e com os temas estudados nas Sagradas Escrituras. Lembre-se: o domínio do conteúdo exige o uso diligente de papel e caneta, o hábito metódico das anotações, a memorização sistemática e, acima de tudo, um nível profundo e ininterrupto de atenção.


Como um complemento ao sétimo princípio, é fundamental que você adquira o hábito de registrar versículos bíblicos relevantes, elaborar diagramas, realizar análises e promover comparações. Ao transcrever trechos, rascunhar paralelos entre passagens distintas sobre o mesmo tema e realizar apontamentos detalhados, você internalizará a aplicação desse princípio com maior eficácia. Tais práticas — que incluem a investigação minuciosa de textos, a articulação de notas temáticas e a síntese de descobertas — são essenciais para o seu aprimoramento acadêmico e para o desenvolvimento contínuo da sua percepção espiritual.
Para concluir, apresento duas diretrizes adicionais que devem ser consideradas além das que já expus.


Primeiramente, a gratidão. É imprescindível agradecer a Deus por, mediante o Seu Santo Espírito, revelar progressivamente as verdades contidas nas Escrituras. Você tem alcançado crescimento na graça e no conhecimento por meio do processo de leitura, estudo, anotação e meditação que aqui demonstrei. A oração é fundamental, tanto no que concerne ao pedido de auxílio do Espírito Santo quanto ao agradecimento pela assistência recebida.

Em segundo lugar, desejo reiterar uma verdade essencial: não existem "verdades novas" nas Escrituras. O que existe são verdades que, embora presentes, ainda não foram percebidas devido à falta de discernimento. Elas sempre estiveram lá.

 

“Nas Escrituras não existem verdades novas, existem verdades que não foram percebidas, elas estão sempre lá, o que existe é a falta de discernimento para percebê-las.”


A Bíblia.

Certo dia, guiado pelo Espírito Santo, entrei no maravilhoso templo do cristianismo, entrando pelo átrio do Gênesis, desci até as galerias do Velho Testamento, onde os quadros de Noé, Abraão, Moisés, José, Isaac, Jacó e Daniel pendiam das paredes. Passei depois ao salão da música dos Salmos, no qual o Espírito Santo, com rapidez, percorria o teclado da natureza. Parecendo que todas as palhetas e tubos do grande órgão de Deus respondiam a melodiosa arpa de Davi, o suave cantor de Israel. Fui até a câmara da Eclesiastes e ali ouvi a voz do pregador e a estufa de sarom, onde a rosa e o limão. O brilho dos vales com seu odor perfumaram a minha vida. Entrei no Tribunal de Provérbios e depois no Observatório dos Profetas, no qual vi  telescópios de diferentes tamanhos que apontavam a grande distância para os acontecimentos, mas todos centrados sobre a estrela da manhã. Entrei também no Salão das Audiências, Torre dos Reis e alcancei uma visão de sua glória de fixar os quatro pontos cardiais de Mateus, Marcos, Lucas e João. Passei depois aos Atos dos Apóstolos, onde vi o Espírito Santo fazer a sua obra de formação da Igreja Primitiva. Em seguida, dirigi-me a sala de correspondência e vi lá sentados Paulo, Pedro, Tiago e João escreverem as suas cartas. Subi depois à sala do trono da revelação apocalipse e do cume inabalável da torre obtive uma visão do rei sentado no trono em toda a sua glória. (Billy Sunday)

 

A benção do conhecimento bíblico avançado: “O discernimento te guardará e a inteligência te preservará” (Proverbios 2:11)

Fogo em latim é focus, que produz lux, a luz. O fogo produz Scintilla que é  centelha, uma semente  de fervor, o que cintila.  O fogo  é o alimento da lampa, a lâmpada.  Ser luz do mundo é ter a mente iluminada pela gloria do evangelho, é ser incendiado pelas verdades bíblicas. Só quem estuda  as Escrituras e quem recebe verdadeira instrução das Escrituras,  tem essa experiência espiritual na própria alma.”

 

Amém.

A Ideologia de Gênero e o Bom Senso

0 comentários

  

A Ideologia de Gênero e o Bom Senso

 

C. J. Jacinto

 

 

Um dos pilares da teoria de gênero fundamenta-se na premissa de que não existe uma determinação natural ou objetiva para os papéis sociais atribuídos a cada sexo. Sob essa ótica, as distinções convencionais entre homens e mulheres são interpretadas como construções sociais — normas historicamente estabelecidas que, particularmente para o público feminino, restringem as possibilidades de plena realização individual. Consequentemente, os movimentos de gênero estabelecem como meta principal a erradicação de tais disparidades e discriminações, conceito definido como igualdade de oportunidades. Paralelamente, busca-se a igualdade de representação ou de resultados, que pressupõe a equiparação proporcional da presença de ambos os sexos em diversos âmbitos da vida social, notadamente no mercado de trabalho. Contudo, tais premissas mostram-se, sob análise crítica, equivocadas.
Aqueles que estudam o desenvolvimento humano desde a infância compreendem que métodos modernos, como a ressonância magnética, permitem analisar a evolução do cérebro ainda no período pré-natal. As conclusões científicas sobre este tema são inequívocas: os cérebros de homens e mulheres desenvolvem-se de formas distintas mesmo antes do nascimento, o que comprova a existência de diferenças objetivas entre os sexos. Considerando que o cérebro é a estrutura biológica fundamental para as faculdades mentais e espirituais do ser humano, depreende-se que a busca por uma igualdade de resultados pode ser incompatível com a equidade de oportunidades, dada a diversidade dos contextos em que homens e mulheres estão inseridos na sociedade. Em uma sociedade equilibrada, homens e mulheres desempenham papéis funcionais distintos, conforme proposto pelas Escrituras. Essa diferenciação não implica desigualdade na dignidade humana, mas sim uma complementaridade de funções. Tal realidade é evidenciada pela aptidão materna no exercício do afeto, do cuidado e da nutrição emocional dos filhos, enquanto se observa, historicamente, a responsabilidade paterna voltada ao enfrentamento do trabalho árduo para o provimento e sustento do núcleo familiar. Estabelece-se, assim, uma ordem de interdependência harmoniosa: os filhos dependem do cuidado dos pais, a esposa encontra amparo na liderança e proteção do marido, e este, por sua vez, dedica-se ao dever de prover para o bem-estar de toda a sua família. O desenvolvimento da personalidade de homens e mulheres no âmbito da família tradicional fundamenta-se em uma estrutura social consolidada por realidades concretas, em contraposição às abstrações propostas pela ideologia de gênero. Cada indivíduo exerce seu papel conforme a formação de sua própria identidade e as características distintivas do seu sexo, o que se reflete harmonicamente tanto na estrutura familiar quanto na sociedade. Essa distinção essencial constitui uma evidência clara, amparada tanto por perspectivas científicas quanto pelos princípios espirituais e cristãos. Ignorar esse alicerce é comprometer o fundamento que sustenta uma civilização segura e próspera. Todo estudante diligente das Escrituras compreende que o modelo estabelecido por Deus, desde os primórdios descritos no livro de Gênesis, atribui papéis distintos aos homens e às mulheres na organização da sociedade e no propósito divino. Ao longo da revelação progressiva, que se estende até o Apocalipse, observa-se que os homens foram vocacionados a desempenhar funções fundamentais na transmissão da revelação bíblica, evidenciado pelo fato de que todos os autores do Antigo e do Novo Testamento foram homens, bem como pela escolha de doze homens por parte de Cristo para o apostolado. Tais designações refletem a soberania de Deus em determinar a aptidão e a compatibilidade do homem para exercer essas responsabilidades específicas em seus contextos espirituais.
 Contudo, essa distinção funcional não implica, de forma alguma, a inferioridade das mulheres. Elas possuem seu próprio papel e importância, tanto no âmbito social quanto no espiritual. Deus, em sua sabedoria, estabelece distinções desde a criação — como a separação entre luz e trevas, terra e mar — e atribui identidades específicas ao homem e à mulher, conferindo-lhes designações próprias, como Adão e Eva. Essas particularidades não são apenas nominais, mas fundamentam-se na estrutura da própria criação e na narrativa das Escrituras, reafirmando que a distinção de papéis é uma característica intrínseca à ordem divina estabelecida para a humanidade. A observação contínua do comportamento humano revela distinções intrínsecas nas preferências e nos perfis de personalidade entre homens e mulheres, fenômeno presente em todas as sociedades, independentemente de sua cultura. Diante disso, a premissa de uma igualdade de gênero absoluta revela-se incompatível com tal realidade. A estrutura social proposta pela ideologia de gênero configura-se, sob esta perspectiva, como uma construção utópica que diverge dos padrões historicamente consolidados para a manutenção da estabilidade social. A civilização ocidental, por sua vez, serve como evidência empírica que corrobora a existência e a persistência dessas distinções naturais.
As descobertas da ciência atual sobre o perfil funcional e genético do cérebro humano também são interessantes. As diferenças sexuais na estrutura cerebral são comprovadamente presentes, como demonstrado por qualquer análise e pesquisa científica a respeito do tema.


​A partir dessa análise, é possível constatar essas variações e perceber que elas existem porque cada cérebro — o feminino e o masculino — foi formado, desenvolvido e projetado para desempenhar o seu papel na sociedade.  Qualquer sociedade cujos cidadãos tenham bom senso sabe que mulheres e homens são diferentes em sua natureza. Esses aspectos distintos os tornam diferentes, em vez de um gênero igual. Eles são diferentes tanto fisicamente — isto é, biologicamente — quanto mental e psicologicamente. Qualquer pessoa que tenha filhos ou faça parte de um grupo familiar percebe as diferenças na constituição de meninos e meninas. São diferenças que não são e nem podem ser determinadas pela educação; diferenças que emanam do âmago da personalidade de cada um. Deus os fez assim. Toda a estrutura psicológica, biológica e comportamental, bem como as inclinações, os gostos e os afetos, são completamente diferentes. Isso pode ser demonstrado na forma como vemos as coisas de modo natural, tal como é apresentado pelas Escrituras. Contudo, hoje em dia isso não é suficiente. A Bíblia não é suficiente; os estudos acadêmicos não são suficientes. A tendência pós-moderna de relativizar — e, portanto, equalizar — praticamente tudo tomou conta da humanidade a tal ponto que questões antes impensáveis estão sendo abordadas com bastante seriedade. A diferença de gênero não só deixou de ser vista como algo natural, mas, em muitos aspectos, passou a ser encarada como resultado de uma opressão social da qual a sociedade precisa ser curada. Isso é, no mínimo, um absurdo antibíblico, anticristão e — por que não dizer? — antissocial. Atualmente, é plenamente acessível realizar pesquisas e obter informações fundamentadas, bem como argumentos sólidos, para contrapor a ideologia de gênero. Esse embasamento pode ser alcançado por meio de fatos empíricos reveladores, que seriam evidentes àqueles que não se encontram sob a influência desse movimento. É fundamental compreender que as estruturas sociais foram estabelecidas por Deus desde a criação, na qual o homem e a mulher possuem papéis distintos e complementares. Sob essa perspectiva, as tensões e os conflitos sociais derivam da natureza humana caída e não de preconceitos intrínsecos entre os indivíduos. Quando o homem e a mulher desempenham, com sinceridade, as funções estabelecidas nas Escrituras Sagradas, manifesta-se o desígnio divino: a mulher foi criada como auxiliadora, promovendo um apoio mútuo e um equilíbrio essencial para a segurança e a estabilidade da sociedade. Compreender esses princípios, estabelecidos desde o livro de Gênesis, permite reconhecer a importância do homem e da mulher como seres distintos, cada qual exercendo sua vocação única, tanto na ordem social quanto no plano divino.

        

Bibliografia:

https://hbatlas.org/files/nature10523.pdf

https://www.jordanbpeterson.com/political-correctness/the-gender-scandal-part-one-scandinavia-and-part-two-canada/

https://www.psychologytoday.com/ca/blog/sax-sex/201903/new-study-blows-old-ideas-about-girls-and-boys

https://www.snilek.cz/texts/kdyz-veda-vyvraci-genderovou-ideologii.html

 

 

 

Em Cristo

0 comentários

 Cristo, nosso grande e eterno Senhor, é o fim para o qual devemos caminhar e no qual devemos permanecer. Somente a Ele nos uniremos para sempre, em toda a Sua glória e eternidade. Por Ele, e somente por Ele, teremos acesso ao corpo glorificado e à plena contemplação beatífica, quando, nos novos céus e na nova terra, desfrutarmos da eterna comunhão com Deus (C. J. Jacinto)

 

Como Ter Firmeza Espiritual em Tempos de Apostasia?

0 comentários




 

 

É fundamental compreendermos a natureza dos eventos que precedem o fim dos tempos. Comumente, discute-se a manifestação do anticristo e a apostasia que permeará os últimos dias; contudo, devemos atentar para o fato de que, antes do retorno de nosso Senhor Jesus para arrebatar os santos, a sedução do espírito do erro se intensificará e dominará o mundo. Diante dessa realidade, torna-se imprescindível que estejamos preparados. A maneira pela qual devemos nos aparelhar para confrontar, discernir e rejeitar o erro, mantendo nossa fidelidade ao Senhor, é cultivar o amor à verdade. Este é um princípio basilar que devemos internalizar e aplicar em nossa vida nestes tempos finais. Para dar início a este breve estudo bíblico, convém fundamentar a reflexão na primeira epístola de João, capítulo 4, versículos 1 a 6. No versículo 1, o apóstolo exorta os fiéis a não conferirem credibilidade a todo espírito, mas a discernirem se procedem de Deus, visto que muitos falsos profetas se levantaram no mundo. Ao chegarmos ao versículo 3, lemos: "E todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo".
A partir deste texto de João, depreende-se que a ação do espírito do Anticristo já operava desde a escrita da epístola. Conforme o relato em 2 Tessalonicenses, essa sedução se intensificará nos últimos dias, de modo que a operação do erro será significativamente mais acentuada no fim dos tempos do que nos primórdios da Igreja. Compreender esse aspecto é fundamental para que tenhamos uma percepção adequada acerca do contexto espiritual em que vivemos atualmente.
Essa realidade é evidente a todo estudioso dedicado do Novo Testamento, uma vez que diversas passagens corroboram tal ensinamento. Em 2 Pedro 2:1, lemos: "Assim como houve entre o povo falsos profetas, também haverá entre vós falsos doutores, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade". Da mesma forma, lemos em 1ª Timóteo, capítulo 4, versículo 1: "O Espírito diz expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por darem ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios." Em 2 Timóteo 4:3, o apóstolo Paulo adverte que virá um tempo em que os homens não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, movidos por seus próprios desejos, buscarão mestres que lhes agradem, desviando os ouvidos da verdade e voltando-se para fábulas. Iniciamos agora a análise da segunda epístola aos Tessalonicenses, capítulo 2, versículos 8 a 12, que nos relata: "E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda. Aquele cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E, por isso, Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade." Observemos atentamente o versículo 10: "E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem". Nota-se, por essa passagem, que uma das características centrais da superficialidade cristã é a ausência de um amor profundo pela verdade. Tal indivíduo não se encontra fundamentado nas verdades basilares das Escrituras, demonstra aversão a pregações bíblicas e à sã doutrina, optando por uma religiosidade sentimental e superficial, típica do nosso tempo.

Portanto, aquele que é superficial carece de amor à verdade. A profundidade da nossa vida espiritual está intrinsecamente ligada à intensidade do nosso amor pela verdade revelada: a Palavra de Deus. Observe que esse conceito se alinha precisamente à passagem citada anteriormente em 2 Timóteo, capítulo 4. Ao lermos a partir do primeiro versículo, o apóstolo Paulo exorta: "Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas". Portanto, desviar os ouvidos da verdade e rejeitar a sã doutrina é uma característica inerente àqueles que não receberam o amor pela verdade. Consequentemente, falta-lhes a paixão profunda necessária para valorizar a exposição fiel das Escrituras e a pregação genuína da Palavra de Deus. Estejamos, portanto, atentos ao poder da sedução que se manifesta a partir do segundo capítulo de 2 Tessalonicenses, versículo 10, o qual descreve a "sedução da iniquidade" sobre aqueles que perecem. Tal força utiliza-se de múltiplos artifícios para induzir o homem ao erro, conduzindo-o à condenação. Ela se manifesta por meio de um espírito enganoso, valendo-se de estratégias que simulam afabilidade e graça para conquistar o favor de muitos. Sob a máscara de uma pretensa santidade, de uma sabedoria aparente e de uma eloquência notável, essa força se apresenta como detentora de uma espiritualidade superior, quando, na verdade, é apenas um simulacro. Frequentemente, a mensagem central dessa sedução consiste na promessa de riquezas e de paz, ocultando, contudo, a sua natureza iníqua. Diante disso, sustentamos que a solidez de um indivíduo deve estar fundamentada naquilo que Jesus Cristo ensinou em Mateus, capítulo 7, acerca do homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha. Tal prudência, segundo o próprio Cristo, caracteriza-se por ouvir e cumprir a Sua palavra, definindo, assim, o cristão verdadeiramente alicerçado nas Escrituras.
Dessa forma, ao considerarmos a passagem que descreve o engano destinado aos que perecem, compreendemos tratar-se de uma sedução insidiosa e persistente para o mal. É um artifício que distorce a verdade e a sufoca, tal como Jesus advertiu em Mateus 13:22, ao identificar a influência maligna que se interpõe no caminho da fé. Quando o homem ouve a mensagem, mas permite que as preocupações mundanas e a sedução das riquezas a dominem, a palavra é sufocada e torna-se infrutífera. Jamais devemos permitir que a semente da verdade seja asfixiada em nosso interior; ao contrário, ela deve germinar plenamente e produzir seus frutos. Na língua grega, o termo “apate” designa o ato de enganar, iludir, ludibriar ou seduzir. Este conceito descreve algo que, embora apresente uma aparência convincente, nega profundamente a essência do cristianismo ao promover uma falsa impressão da realidade. Trata-se, portanto, de uma sedução ética, moral e espiritual. No contexto de 2 Tessalonicenses, essa influência é manifestada por meio de "sinais e prodígios de mentira", os quais, devido ao seu caráter espetacular e à simulação de feitos extraordinários, suscitam grande espanto nos observadores, sendo, contudo, um mero embuste. O termo “apate” também descreve aquilo que conduz o indivíduo a concepções errôneas ou distorcidas sobre a verdade. Ao correlacionarmos esse conceito com a passagem de 2 Coríntios 11:14, na qual o apóstolo Paulo afirma que o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz, compreendemos como muitos podem ser seduzidos pelo brilho aparente do "espírito do erro". Tal influência leva pessoas a acreditarem que estão vivenciando revelações angélicas ou celestiais, quando, na verdade, encontram-se sob a ação de uma força espiritual profundamente sinistra. Ao analisarmos a advertência do apóstolo Paulo em I Timóteo 4:1, observamos que a adesão a doutrinas de demônios e a espíritos enganadores está intrinsecamente ligada ao fenômeno da apostasia. A apostasia pressupõe o abandono de uma fé previamente professada, ainda que esta tenha sido superficial. Indivíduos que, embora frequentem ambientes eclesiásticos, carecem de um amor genuíno pela verdade e pelas Escrituras, tornam-se vulneráveis à sedução do erro. Essa vulnerabilidade é agravada quando tais pessoas negligenciam o aprofundamento bíblico e a busca por congregações comprometidas com a pregação fiel, seja ela temática, textual ou expositiva. Em vez disso, optam por ambientes influenciados pelo pós-modernismo, onde o cristianismo é diluído por conceitos psicológicos e por uma abertura acrítica ao sobrenatural. Quando alguém, voluntariamente, se priva de um ensino teológico sólido e de uma liderança que genuinamente batalha pela fé que uma vez foi entregue aos santos, essa pessoa se coloca em uma posição de grave risco espiritual. Ao rejeitar o alicerce bíblico, o indivíduo abre espaço para ser seduzido pelo espírito do erro, afastando-se da verdade absoluta das Escrituras. Faz-se necessário, portanto, fortalecer a tese de que devemos cultivar um amor crescente pela verdade. É imperativo que amemos as Escrituras com a devida reverência, conforme exorta o apóstolo Paulo em sua segunda epístola a Timóteo, capítulo 3, versículos 14 a 17: "Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, e que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação pela fé que há em Cristo Jesus. Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." Diante de tamanha magnitude das virtudes espirituais descritas pelo apóstolo, torna-se impossível não devotar um amor profundo à Palavra de Deus. A forma como Paulo delineia os atributos das Escrituras oferece motivos inegáveis para que busquemos a verdade com ardor. Como Jesus afirmou em João 17:17: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade". Ao lermos e amarmos as Escrituras, amamos a própria Verdade, que é Cristo, visto que todo o texto bíblico converge para Ele. O próprio Senhor declarou ser o caminho, a verdade e a vida; logo, amar a Bíblia é amar a Cristo, e amar a Cristo é, intrinsecamente, amar a Sua Palavra.


Consequentemente, aquele que ama a verdade repudia a mentira. É possível observar essa postura em comunidades e cristãos que demonstram zelo pelas Escrituras e compromisso com os valores divinos. Ao dirigir-se à igreja de Éfeso, Jesus afirmou: "Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio". Isso revela a existência de um "ódio santo" — uma aversão necessária ao erro e à falsidade —, característica inerente a todos aqueles que verdadeiramente amam a verdade. Gostaria de tecer algumas considerações. Ao analisarmos a passagem de 1 Timóteo 4:1, na qual o apóstolo Paulo discorre sobre a apostasia, percebemos que o texto é frequentemente utilizado para questionar a doutrina da perseverança dos santos — a ideia de que, uma vez salvo, o indivíduo está permanentemente salvo. Contudo, é fundamental que interpretemos a Bíblia através de seus próprios preceitos.
 A apostasia, em sua essência, consiste no abandono de uma posição de sã doutrina em direção ao erro. Em comunidades que professam a fé, é possível encontrar indivíduos que, embora frequentem o ambiente onde a sã doutrina é ensinada, não a endossam genuinamente, por não terem experimentado uma conversão verdadeira. Para esclarecer essa questão, devemos recorrer a 1 João 2:19. O apóstolo João explica que muitos anticristos, embora tenham integrado formalmente o convívio da igreja, nunca foram, de fato, parte do corpo de Cristo. Como João bem pontua: "Saíram de nós, mas não eram de nós". Eles mantinham apenas uma associação externa, sem o devido compromisso espiritual. Portanto, à luz dessa passagem, a apostasia mencionada em 1 Timóteo 4:1 deve ser compreendida como o afastamento daqueles que, estando entre os fiéis, nunca foram verdadeiramente regenerados. Gostaria de retomar o tema e aprofundar a natureza do engano. A apostasia, conforme delineado em Judas 1:4, opera ao converter a graça de Deus em pretexto para a libertinagem. Trata-se de um movimento espiritual sutil, astuto e dissimulado, cuja eficácia em iludir os incautos e aqueles que não amam a verdade é notável. Ao examinarmos Apocalipse 13:11-18, observamos a característica distintiva desse poder de sedução: a Besta realiza grandes sinais. O sistema movido pelo espírito do erro é profundamente pragmático, fundamentado em prodígios enganosos. Ele induz tanto materialistas quanto metafísicos à crença na falsidade, explorando a inclinação humana por experiências extraordinárias, sinais e sentimentos. Ao fazer descer fogo do céu ou conferir vida a uma estátua, o sistema manifesta autoridade e poder, deixando os espectadores atônitos e suscetíveis a acreditar que contemplam a própria divindade. Embora tais eventos sejam, em essência, fraudulentos, a sedução resultante conduz o mundo à adoração da Besta. Esse cenário ecoa o relato de Apocalipse 12, que descreve como a sedução do adversário foi capaz de arrastar a terça parte dos anjos. A magnitude do poder de sedução do espírito do erro deve, portanto, provocar uma reflexão profunda e solene em nossas vidas.  No contexto de 2 Tessalonicenses 2:10, o apóstolo Paulo adverte que Deus enviará a operação do erro para aqueles que perecem por não acolherem o amor da verdade.
​Essa passagem me recorda um trecho do Antigo Testamento, em Deuteronômio 13:1-4, no qual Moisés orienta o povo de Israel:
​“Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, dizendo: 'Vamos após outros deuses, que não conheceste, e servamo-los', não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o Senhor, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o Senhor, vosso Deus, com todo o vosso coração e com toda a vossa alma. Após o Senhor, vosso Deus, andareis, e a ele temereis, e os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis, e a ele servireis, e a ele vos achegareis.” Vemos aqui que Deus pode permitir que falsos profetas realizem sinais e prodígios. Contudo, devemos permanecer vigilantes: ainda que um falso profeta realize milagres extraordinários, se a sua mensagem induzir ao erro, à falsa doutrina e à apostasia, ele deve ser sumariamente rejeitado.
​Moisés enfatiza que não devemos dar ouvidos a tais manifestações porque o próprio Senhor está nos provando. O propósito da prova é revelar se o nosso amor por Ele é genuíno e integral; se andamos em Seus caminhos, guardamos os Seus mandamentos e nos achegamos a Ele. Nesse sentido, a exortação mosaica aponta para a centralidade das Escrituras. Só podemos temer ao Senhor e cumprir a Sua vontade à medida que conhecemos a Sua Palavra. A voz de Deus soa de forma viva e autoritativa por meio dos 66 livros da Bíblia Sagrada. Afinal, quem ama a Deus ama a Palavra que O revela — e, ao amar a Palavra, ama o próprio Deus que por meio dela Se dá a conhecer
[20/8 09:05] Clavio Jacinto: "O que se pode entender de tudo isso? Eu volto, então, a repetir de forma muito solene e grave, como se estivesse gritando ao seu próprio coração: ame a verdade. Se você não amar a verdade, se você não tiver uma paixão radical pelas Escrituras, se você não estudar, se você não amar a Escola Dominical, se você não for atrás de bons mestres que saibam a respeito das Sagradas Escrituras e façam uma hermenêutica correta, de pregadores e mestres que tenham uma boa base de teologia sólida, pela qual possam lhe transmitir verdadeira confiança; se você não estiver atrás de homens verdadeiramente comprometidos com a fé, com a sã doutrina e com a ortodoxia, isso poderá ser fatal para você.
​O poder da sedução será enorme e se acentuará cada vez mais nos últimos dias. Quanto mais estivermos próximos do arrebatamento da Igreja, mais acentuado será esse engano, de modo que ele entrou, se infiltrou na cristandade e, cada vez mais, tem produzido uma sedução terrível — de modo que muitas pessoas estão sendo arrastadas por essa grande onda de apostasia.
​Mas, todavia, enquanto os ventos sopram, as águas turbulentas da apostasia sopram, e enquanto, muitas vezes, no horizonte, a escuridão do erro e do engano infernal parecem cada vez mais evidentes, todavia aqueles que ouvem... Lembre-se bem, porque Jesus fala isso: ouvir e praticar a Palavra lá em Mateus, no capítulo 7; mas também lá no livro de Apocalipse 1:1 “Bem-aventurados aqueles que ouvem e bem-aventurados aqueles que lêem as palavras desta profecia”. De modo que a Bíblia deve ganhar a sua relevância e todo o teu amor, e deve amá-la de todo o teu coração enquanto professas a fé cristã e estás peregrinando sobre este mundo. Uma consideração final. Recentemente, li o testemunho de uma cristã que, nos primeiros anos de sua caminhada de fé, foi ludibriada por espíritos sedutores. Por meio de um processo de libertação, ela compreendeu que fora manipulada e que uma das principais brechas para esse engano foi a interpretação equivocada das Escrituras, utilizada, sobretudo, para a satisfação do próprio ego. Esse erro teve um alto custo, pois permitiu que ela se envolvesse com o sobrenatural sem observar os critérios bíblicos estabelecidos.
 Embora toda verdade liberte, a mentira aprisiona. A ignorância também é uma forma de cárcere, pois cede terreno às forças espirituais malignas. De fato, o desconhecimento das verdades divinas é uma condição primária para que o engano prospere. A falta de discernimento de muitos cristãos quanto às sutilezas das trevas tem facilitado a ação de Satanás e de seus anjos. O maligno se aproveita, especialmente, da negligência, do desamor e da indiferença para com a Palavra de Deus. Se essas características estiverem presentes em sua vida — se você for indiferente às Escrituras, se não as ama ou não as reverencia, se falha na correta exegese e utiliza o texto sagrado apenas para interesses pessoais em vez de buscar a verdade — saiba que você está abrindo espaço para espíritos enganadores.
Na Segunda Carta a Timóteo, capítulo 2, versículo 15, o apóstolo Paulo apresenta uma exortação fundamental: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”. A expressão “manejar bem” sugere o exercício de um manuseio preciso, diligente e criterioso das Sagradas Escrituras. A "palavra da verdade", à qual Paulo se refere, corresponde à própria revelação de Deus, que exige interpretação fundamentada em pressupostos corretos e ferramentas hermenêuticas adequadas, a fim de evitar desvios doutrinários. É necessário cautela, visto que o testemunho bíblico e a experiência cristã alertam para a ação de espíritos sedutores que, valendo-se de um conhecimento intelectual das Escrituras, buscam enganar os fiéis. O apóstolo Tiago, em sua epístola (2:19), recorda que o reconhecimento intelectual de verdades teológicas — como a unicidade de Deus — não é exclusivo dos fiéis, pois até os demônios crêem e tremem. A dinâmica do engano frequentemente envolve o uso distorcido das Escrituras. Exemplos notáveis disso ocorrem na tentação de Cristo, narrada em Mateus 4:1-11, onde Satanás cita os textos sagrados fora de seu contexto original, e na queda no Éden, descrita em Gênesis 3, na qual a serpente induziu Eva ao erro ao deturpar o mandamento proferido por Deus a Adão. Portanto, a precisão na interpretação é a salvaguarda necessária contra a manipulação da Palavra. É possível compreender que o termo "enganado" está frequentemente associado à condição do incrédulo, conforme atestam as passagens de Tito 3:3 e Efésios 2:1-3. Contudo, é perfeitamente possível frequentar uma congregação, professar uma religião e declarar fé em Deus sem, de fato, ter experimentado a verdadeira conversão ao Evangelho ou o novo nascimento. O apóstolo Paulo, em Filipenses 3:6, ilustra essa condição: antes de seu encontro com Cristo, ele era um homem profundamente religioso, irrepreensível no cumprimento da justiça da lei e rigoroso em suas práticas. Embora possuísse as Escrituras e reconhecesse a existência de Deus, Paulo carecia de um encontro genuíno com o Senhor. Ele vivia sob a égide da religiosidade, mas, sem o arrependimento sincero e o novo nascimento, permanecia, ainda que inconscientemente, em erro.
 Concluímos, portanto, que, ao se referir àqueles que não receberam o amor da verdade para a salvação, Paulo aponta para indivíduos que não permitiram que ela encontrasse lugar em seus corações. A compreensão exata é que eles deliberadamente recusaram a verdade tal como é apresentada nas Escrituras. O problema fundamental residia na escolha pessoal de rejeitar o Evangelho, mesmo tendo a oportunidade de ouvi-lo; tratava-se de um ato consciente e voluntário de repúdio. Eles recusaram, de forma absoluta, acolher a verdade com amor.
 Conforme exorta o apóstolo Tiago, em sua epístola (1:21), devemos receber com mansidão a palavra implantada em nós, pois ela é poderosa para salvar. Diferente disso, os indivíduos descritos por Paulo não abandonaram a impureza moral nem os resquícios de maldade e, consequentemente, não desenvolveram um desejo genuíno pelo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. O propósito deles não era seguir a Cristo, mas buscar uma religião confortável, capaz de satisfazer seus sentimentos e o próprio ego. Frequentemente, essa busca mostra-se em plena oposição à vontade de Deus, a qual nem sempre atende às exigências do ego ou aos desejos da natureza humana corrompida. Seguir a Cristo implica um custo elevado, como o próprio Jesus afirmou: aquele que deseja segui-Lo deve, antes, negar-se a si mesmo. Contudo, observa-se hoje muita religiosidade disfarçada de cristianismo cujo requisito principal é oferecer aquilo que agrada ao ego, em vez de promover o verdadeiro Evangelho, que exige a negação de nós mesmos.
Convido o amado irmão e leitor a atentar para as palavras de Provérbios, capítulo 2, versículos de 1 a 6: "Filho meu, se aceitares as minhas palavras e esconderes contigo os meus mandamentos, para fazeres o teu ouvido atento à sabedoria e inclinares o teu coração ao entendimento; se clamares por conhecimento e por inteligência alçares a tua voz; se, como a prata, a buscares e, como a tesouros escondidos, a procurares, então entenderás o temor do Senhor e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria, e da sua boca procedem o conhecimento e o entendimento." Que o amado leitor possa ponderar profundamente nestes versículos, nos quais Salomão descreve o homem que se inclina a aceitar as palavras do Senhor e a preservar os mandamentos em seu coração. Que este zelo o conduza a um amor genuíno pelas Escrituras, levando-o à leitura diária e diligente, tratando a Palavra com a devida reverência. Da mesma forma, que haja um esforço constante em buscar o ensino de mestres fiéis, capazes de expor com precisão as doutrinas fundamentais do Evangelho. Que Deus o abençoe.