CRISTO: O LOGOS




C. J. Jacinto

Nas Sagradas Escrituras, particularmente no Novo Testamento, encontramos diversos títulos atribuídos a Jesus, os quais revelam aspectos fundamentais de seu caráter, autoridade e missão. Propomos, neste estudo, uma análise acerca do título conferido a Ele nos livros de João e Apocalipse: o "Verbo de Deus" — ou, como registrado no original grego, o “Logos”.

 Este é o mesmo termo presente em João 1:1, que declara: "No princípio era o Verbo". A palavra “Logos”, da qual derivamos sufixos em termos técnicos contemporâneos — como em "biologia", o estudo da vida, ou "teologia", o estudo sobre Deus —, possui uma densa carga filosófica dentro do contexto histórico do Novo Testamento. A filosofia grega clássica dedicava-se a investigar as questões fundamentais da existência, buscando compreender a verdade última que sustenta a realidade. Nesse sentido, a Bíblia apresenta o Deus Triúno como a realidade última e o fundamento de todas as coisas. Ao longo do tempo, à medida que os filósofos gregos refletiam sobre questões existenciais, cunharam o termo "Logos" para descrever uma realidade última. Esse conceito passou a ser compreendido como o princípio que conferia vida e significado a toda a criação; contudo, no pensamento grego, o Logos era visto estritamente como uma força impessoal.Ao chegarmos ao primeiro capítulo do Evangelho de João, observamos o apóstolo realizar uma transição que seria impensável para a filosofia grega. Em vez de uma força impessoal, o Logos é identificado com Cristo, revelando-O como um Logos pessoal. Assim, o Novo Testamento confere ao conceito grego uma interpretação definitiva. Esse Logos encarnou-se como ser humano e manifestou a glória de Deus, conforme evidenciado em todo o contexto inicial do livro.  O Logos, portanto, é apresentado como um Deus pessoal, cuja revelação encontra suas raízes no Antigo Testamento. João, movido pelo Espírito Santo, transmite essa verdade de forma direta e indireta. Ao iniciar seu Evangelho com a expressão "No princípio", o apóstolo estabelece um paralelo intencional com o primeiro capítulo de Gênesis. Mais adiante, ele afirma categoricamente: "O Verbo era Deus". Dessa forma, o Logos que confere significado e propósito a todas as coisas está longe de ser um princípio impessoal; pelo contrário, trata-se de Jesus Cristo, o próprio Deus do Universo.

 

 

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