A RENOVAÇÃO DO NOSSO ENTENDIMENTO
C. J. Jacinto
Ao analisarmos as palavras do
apóstolo Paulo em Romanos 12:1-2, observamos uma transição fundamental após sua
exposição acerca da misericórdia e da salvação divinas nos capítulos
precedentes. O autor estabelece, então, o modo como o cristão deve responder a
essa graça, proclamando a necessidade de transformação. O termo grego “metamorfoo”
denota uma mudança de forma, uma transfiguração, da qual deriva o vocábulo
português "metamorfose". Trata-se, portanto, de uma transformação
profunda, fundamentada na renovação da mente, que é alcançada unicamente por
meio de um arrependimento genuíno — a “metanoia” —, que consiste em uma mudança
completa de perspectiva e pensamento. Convido-o a examinarmos esta questão com
maior rigor. Não estamos diante de uma análise superficial, mas de uma reflexão
profunda. Em Romanos 12:2, o verbo encontra-se no presente, em voz passiva e
média, denotando um processo de transformação contínua. A ideia central é o
imperativo de permitir-se ser transformado incessantemente. Esta não é uma mera
correção de conduta exterior; trata-se de uma obra que origina-se no âmago do
ser e expande-se para a plenitude da existência. A transformação cristã não se
reduz a um artifício espiritual, mas constitui uma mudança revolucionária,
operada por Deus, por meio do Espírito Santo, em nossa mente e em nosso
coração. Você já experimentou essa realidade? Em 2 Coríntios 3:18, observa-se
que a transformação cristã consiste em uma conformação progressiva à imagem de
Cristo, revelando uma mudança profunda e estrutural. Complementarmente, Romanos
8:29 evidencia que este é o desígnio divino para a nova criatura: aqueles que
foram regenerados ingressam em um itinerário de crescimento espiritual
contínuo, que se aperfeiçoa diariamente. A regeneração não conduz à inércia nem
à estagnação espiritual; ao contrário, estabelece um processo dinâmico de
maturidade e aprimoramento constante. Trata-se de uma experiência funcional e
progressiva, que se manifesta e se renova dia após dia.
A renovação do nosso entendimento representa, portanto, uma transformação
profunda em nosso ser, concretizada exclusivamente por meio da regeneração.
Trata-se de uma obra criadora e profunda em nosso espírito, operada pelo
Espírito Santo. O termo grego “nous” — que abrange mente, entendimento,
percepção, capacidade de discernimento e a própria maneira de conceber a
realidade — é inteiramente transmutado quando vivenciamos o processo de
regeneração e o novo nascimento. Por essa razão, essa renovação não se limita a
uma transformação superficial; ela modifica profundamente o nosso conhecimento
e influencia diretamente nossas escolhas, valores e atitudes. Renovar a mente
significa aprender a contemplar a Deus à luz das Escrituras, a nós mesmos à luz
da graça, o mundo à luz do Reino e as nossas decisões à luz da vontade do
Senhor. É fundamental compreender a distinção entre conformar-se e
transformar-se. O capítulo 12, versículo 2, da Epístola aos Romanos, apresenta
dois caminhos distintos: "não vos conformeis" e "sede
transformados". É importante notar que a concretização de um processo
depende da renúncia ao outro; a transformação do nosso entendimento, portanto,
está intrinsecamente ligada à não conformação com os padrões do presente
século. Devemos compreender que a transformação operada por Deus, por intermédio
do Espírito Santo, ocorre de dentro para fora. Enquanto o mundo exerce pressão
sobre o exterior, Deus atua na renovação interior, evidenciando a distinção
fundamental entre essas duas esferas de influência.
O mundo esforça-se por nos moldar; a
cultura, especialmente a relativista, busca impor suas diretrizes contrárias à
fé sobre o nosso comportamento e a nossa cosmovisão. Observa-se, portanto, a
existência de uma força que nos pressiona à conformidade com vãs filosofias,
com o humanismo secular, o pragmatismo e o maquiavelismo, bem como com toda
sorte de ideologias que atentam contra os valores judaico-cristãos. É evidente
que essa corrente antagônica ao cristianismo pretende instaurar os seus
próprios costumes e valores. Contudo, o apóstolo Paulo exorta-nos
categoricamente a não nos conformarmos com este sistema.
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