Recentemente, um vídeo que circulou
nas redes sociais gerou ampla polêmica em torno de uma cerimônia conduzida por
um arcebispo em Catânia, na Itália. No registro, o religioso apresentava ao
público o crânio de Santa Ágata, padroeira da cidade e figura amplamente
venerada por sua intercessão contra as erupções do vulcão Etna.
O crânio seria o cadáver insepulto de uma mártir chamada Ágata, que remonta ao
ano 250 d.C. A Itália possui dezenas de crânios e corpos inteiros de cadáveres
insepultos aos quais são atribuídos sinais supostamente sobrenaturais. Eles são
alvo de veneração por parte de católicos italianos e de fiéis de várias partes
do mundo, que viajam para adorar esses corpos
Crânios e Relíquias Famosas na Itália
Entre os cadáveres e crânios mais famosos preservados na Itália, destacam-se:
São Valentim: Um crânio conservado em Roma.
São João Batista: Cabeça/crânio mantido na Igreja de São Silvestre em Capite,
em Roma.
Santa Catarina de Siena: Sua cabeça foi retirada (roubada) de Roma e levada
para a cidade de Siena para fins de veneração.
Corpos ou partes de corpos não sepultados são denominados relíquias sagradas,
elementos centrais no rito de veneração que tem sido uma prática fundamental do
catolicismo romano durante séculos, servindo como pontos focais para a devoção
da fé católica.
Contudo, ao longo da história, tais práticas
originaram uma vasta gama de objetos de veneração que, sob a ótica do bom
senso, podem ser considerados insólitos ou extravagantes. Este artigo propõe
uma breve abordagem sobre o tema, explorando as relíquias mais inusitadas e
controversas que a Igreja Católica venerou no passado e que, em certos casos,
ainda venera e a exposição biblíca que condena o uso de partes de cadáveres insepultos
para fins ritualísticos e culticos. O objetivo é analisar o quanto tais
tradições se distanciam dos ensinamentos da Bíblia Sagrada e do Novo Testamento,
evidenciando a natureza do absurdo e do sinistro em elementos que transcendem a
lógica da sã doutrina.
A Idade Média foi um período marcado por uma intensa proliferação de relíquias,
muitas delas de origens duvidosas ou de natureza singularmente insólita. A
crescente demanda por objetos sagrados fomentou a criação e a veneração de
itens que, sob a ótica contemporânea, desafiam qualquer lógica. Tais artefatos,
frequentemente dotados de um caráter perturbador e sombrio, refletem uma faceta
complexa da espiritualidade obscura do catolicismo romano da época; prática que
passaremos a analisar através dos exemplos a seguir.
A relíquia do Santo Prepúcio de Nosso Senhor Jesus Cristo é considerada um dos
artefatos mais controversos e singulares da cristandade. Supostamente,
tratava-se do fragmento de pele removido durante a circuncisão de Jesus. A
crença em sua existência e em suas propriedades sagradas era tão difundida que,
durante a Idade Média, cerca de 31 igrejas europeias reivindicavam a posse da
relíquia — muitas vezes de forma simultânea. Um dos espécimes mais notórios
esteve em Calcata, uma pequena vila italiana, onde era anualmente conduzido em
procissão pelas ruas até o seu desaparecimento em 1983, sob suspeita de furto.
A mística em torno do objeto era tamanha que Santa Catarina de Sena chegou a
afirmar que portava o prepúcio invisível de Cristo como um anel de casamento.
Trata-se de um fenômeno que transita entre a devoção espiritual, a
excentricidade histórica e o que leva qualquer homem de bom senso a considerar
tais praticas um absurdo teológico.
Onde encontramos nas Escrituras respaldo para ta veneração dessas “relíquias” absurdas?
O apóstolo Paulo as ensinou? Pedro as ensinou? Cristo as ensinou? Algum dos
apóstolos as recomendou ou praticou? Não. Trata-se de um claro distanciamento do
Evangelho apresentado pelo Novo Testamento. Tais venerações e idolatrias
surgiram no âmbito do catolicismo romano, carecendo de fundamentação bíblica ou
qualquer respaldo apostólico.
Outra relíquia notável, ainda que peculiar, é o suposto leite da Virgem Maria.
Durante a Idade Média, a veneração por gotas desse leite materno tornou-se um
fenômeno de grande alcance. Inúmeras igrejas por toda a Europa, incluindo as
catedrais de Chartres e Oviedo, alegavam preservar frascos contendo o fluido
sagrado.
Embora a autenticidade de tais relíquias fosse
impossível de comprovar, a convicção em seus poderes milagrosos — especialmente
no que tange à fertilidade — impulsionava constantes peregrinações. Atualmente,
a Gruta do Leite, em Belém, permanece como um local de devoção; segundo a
tradição, uma gota do leite da Virgem teria caído ao chão, tornando a rocha
branca. Fiéis continuam a visitar o santuário, onde recolhem o pó resultante da
raspagem da pedra, na esperança de alcançar a fertilidade por intercessão
divina, ilustrando a profundidade e a complexidade das práticas de veneração de
reliquias no catolicismo romano.
Outra relíquia notória por sua natureza fantasiosa e improvável é o
"Suspiro de São José". Por se tratar de um objeto imaterial, sua autenticação
é intrinsecamente complexa. O artefato consistia em um frasco que,
supostamente, conteria o hálito de São José, exalado durante suas jornadas de
trabalho ou repouso. Inventários de relíquias medievais, com destaque para os
registros da Catedral de Blois, na França, mencionam o item, que é hoje
amplamente considerado um dos exemplos mais excêntricos e inverossímeis da
história da veneração religiosa. Mas lembre-se, essas práticas supersticiosas
operam sob a demanda de controle religioso, usando a credulidade e a ignorância
como um meio de promover coisas fantásticas para ganhar credibilidade e manter
pessoas cativos numa ilusão espiritual.
Se você acredita que existem
limites para as superstições e os desvarios cometidos em nome da religião na
Idade Média, engana-se; a existência de relíquias conhecidas como "penas
do Espírito Santo" ilustra bem essa realidade. A veneração desses objetos
constitui um exemplo notável de como a interpretação literal de símbolos
religiosos pôde conduzir à criação de relíquias bizarras. Supunha-se que tais
penas teriam se desprendido da pomba que representava o Espírito Santo, seja no
episódio da Anunciação ou no Batismo de Jesus. Diversos inventários de igrejas
medievais mencionam esses itens, sendo um dos exemplares mais célebres aquele
guardado na Catedral de Bayeux, na França. Embora hoje sejam compreendidas como
fraudes ou equívocos resultantes da supressão das metáforas, tais relíquias
foram, outrora, integradas à liturgia e ao culto oficial da Igreja Católica
Romana.
Ainda há mais: entre as relíquias particularmente singulares, destacava-se o
rabo do jumento montado por Jesus durante sua entrada em Jerusalém, no Domingo
de Ramos. Tal objeto foi preservado por séculos na Abadia de Charreau, na
França. A veneração de uma parte tão mundana de um animal, associada a um
evento bíblico, evidencia a busca excessiva por objetos tangíveis de fé e o
fervor espiritual extremo da liderança católica e dos próprios fiéis. É
lamentável que tal prática tenha sido articulada no seio de uma instituição que
se autoproclama a igreja de Cristo; trata-se de um verdadeiro despropósito. Ultrapassando
os limites da apostasia e do ridículo!
Seria cômico, não fosse trágico, contemplar a
natureza ilimitada da superstição humana. É desconcertante constatar que
indivíduos dotados de cerebro chegaram a prostrar-se e venerar o rabo de um
jumento, sob a mera suposição de que este seria o animal montado por Jesus
Cristo em sua entrada triunfal em Jerusalém. Embora tal relato pareça um
absurdo completo, trata-se de um fato histórico documentado.
Há algumas relíquias católicas bastante famosas e ativamente veneradas
atualmente:
O Sangue de São Januário (San Gennaro): Padroeiro de Nápoles, na Itália, tem
seu sangue conservado em um frasco. O líquido permanece seco na maior parte do
tempo, mas liquefaz-se — de forma supostamente milagrosa — três vezes ao ano.
Esse evento gera grande devoção e expectativa entre os napolitanos, pois
acredita-se que a falha na liquefação presagia desgraças para a cidade.
A Língua de Santo Antônio de Pádua: O renomado pregador viveu entre 1195 e
1231. Cerca de 32 anos após sua morte, durante a exumação de seu corpo, sua
língua foi encontrada intacta, enquanto o restante do corpo já havia se
decomposto. O fenômeno foi interpretado como um sinal da santidade de suas
palavras. Hoje, a relíquia está exposta permanentemente em um relicário de ouro
na Basílica de Santo Antônio, em Pádua, na Itália.
Outra relíquia polêmica é a cabeça —
juntamente com um polegar — de Santa Catarina de Siena. A cabeça mumificada de
Catarina de Siena é uma relíquia macabra, porém profundamente venerada.
Exposta na Basílica de San Domenico, em Siena, na Itália, a história de como a
cabeça chegou ao local é tão dramática quanto a própria relíquia: após a morte
da santa em Roma, seus seguidores a decapitaram e contrabandearam sua cabeça
para a sua cidade natal. Até hoje, a peça é venerada como um objeto sagrado.
Isso, na prática — assim como o caso de Santa Ágata —, constitui uma prática
de necrolatria, isto é, o culto a cadáveres.
A prática de venerar relíquias, tal como foi
apresentada aqui — até mesmo as mais absurdas, sejam elas históricas ou
contemporâneas —, está muito longe de ser considerada uma prática de sã doutrina.
A Bíblia não dá nenhuma ordem e não apoia tais práticas. Trata-se apenas de um
desvio claro das Sagradas Escrituras e da ortodoxia. Adorar ou venerar
prepúcios, o 'suspiro de São José' ou, ainda, crânios de cadáveres insepultos
são práticas que assustariam e teriam a total reprovação de Nosso Senhor Jesus
Cristo e do apóstolo Paulo, caso fossem testemunhas oculares de tais
aberrações.
A Ordem Divina de Sepultar os Mortos
Em Gênesis 3:19, após pronunciar todos os
juízos sobre Adão e Eva por terem desobedecido, estabelece-se que a
consequência decorrente da queda é a morte. Portanto, eles viveriam um período
sobre esta terra e morreriam. No versículo 19 do capítulo 3 de Gênesis, é
ordenado: 'Tu és pó e ao pó retornarás'. Aqui está, de modo implícito, a lei
dada pelo Senhor de que todo cadáver deve ser sepultado, ou seja, deve voltar
ao pó. O princípio do sepultamento dos mortos foi plenamente compreendido e
observado pelos santos do Antigo Testamento. Ao examinarmos Gênesis 23:3-6,
19-20, observamos que Abraão solicita um local apropriado para sepultar Sara.
Da mesma forma, em Gênesis 35:29, lemos que, após expirar, Isaque foi sepultado
por seus filhos. Em Gênesis 50:1-13, José providencia o sepultamento de seu pai
com profundo luto, cumprindo os ritos conforme o costume. Fica evidente,
portanto, que os fiéis do Antigo Testamento compreendiam a natureza da ordem divina.
O sepultamento era considerado uma honra e um ato de respeito e dignidade para
todos aqueles que caminhavam segundo os preceitos do Senhor. Ao analisarmos o
primeiro livro de Samuel, capítulo 31, versículos 12 e 13, observamos que os
homens de Jabes resgatam os corpos e lhes conferem sepultura. Tais atos são
descritos como corretos, pois alinham-se à ordem universal estabelecida pelo
Senhor no Antigo Testamento: visto que Adão e Eva deveriam retornar ao pó,
todos os seus descendentes devem, da mesma forma, ser sepultados.
A Prática do Sepultamento no Novo Testamento e a Repulsa à Veneração.
Vemos perfeitamente no Novo Testamento que os santos homens do Senhor
procederam dessa mesma maneira. No capítulo 5 de Atos dos Apóstolos, naquele
fato memorável em que Ananias e Safira cometeram um delito contra o Senhor e
expiraram, os discípulos tomaram os seus corpos e os sepultaram, conforme lemos
em Atos 5:6-10.
O mesmo ocorreu em relação a
Lázaro: em João 11, vemos que Jesus foi até o sepulcro e de lá chamou Lázaro,
que estava sepultado. Encontramos também o relato sobre a sepultura de João
Batista em Mateus 14:1-12. Vale notar que, em Mateus 11:11, Jesus exalta João
Batista como um dos maiores entre os nascidos de mulher. Todavia, quando ele
foi degolado, os discípulos tomaram o seu corpo juntamente com a sua cabeça e
os sepultaram.
A cabeça de João Batista nunca foi
venerada pelos apóstolos, e nenhum deles jamais instruiu que ela ou seu crânio
deveriam ser preservados para rituais ou veneração na igreja. Tal prática é
completamente inexistente nas Escrituras e, mais do que isso, é absolutamente
antibíblica. Realizar ritos, cerimônias ou prestar veneração a cadáveres
insepultos constitui uma aberração e um pecado à luz do texto bíblico.
Agora adentremos a questão dos cadáveres insepultos no Antigo Testamento. A
falta de sepultamento era sempre relembrada como um sinal do juízo de Deus. Sob
a ótica do Antigo Testamento, da lei mosaica e dos ensinamentos dos profetas,
era uma grande vergonha ter partes do corpo e os ossos expostos sem a devida
sepultura. Lemos isso claramente em Deuteronômio 28:26 e também em Jeremias 8:1-2,
onde há inclusive uma profecia sobre corpos sendo lançados sem sepultura e
ossos expostos ao sol, sem que haja quem os ajunte ou sepulte. A ausência de
sepultamento é apresentada consistentemente como consequência de um castigo por
causa da rebelião contra o Senhor. Como observamos nessas e em outras
passagens, não enterrar um cadáver ou deixar exposta a estrutura óssea era
encarado como manifestação do juízo divino. A Bíblia Sagrada estabelece como
princípio fundamental que os mortos devem ser sepultados.
Ao analisarmos o contexto do Antigo
Testamento, observamos a cultura egípcia, na qual os faraós eram objetos de
veneração. Após a morte, esses governantes eram divinizados, e a crença egípcia
sustentava que a preservação de seus corpos por meio da mumificação era indispensável
para que o espírito do faraó pudesse exercer sua função mediadora entre os
deuses e os homens.(Aqui temos uma crença similar ao oficio dos “santos” no
catolicismo)
Embora os egípcios não utilizassem os corpos mumificados de seus faraós para
fins de veneração direta, a preservação dos restos mortais possuía um caráter
cerimonial e litúrgico essencial para a manutenção de suas crenças. Ao
observarmos diversas culturas, tanto antigas quanto contemporâneas, o culto aos
ancestrais e, notadamente, a veneração de ossadas revelam-se práticas comuns
entre tribos da Nova Guiné, de Camarões, das Ilhas Marianas e, inclusive, entre
os celtas da Gália. Frequentemente, tais rituais consistiam em exaltar os
restos mortais de figuras consideradas heroicas no contexto daquelas
sociedades. Contudo, não encontramos nas Escrituras qualquer recomendação, por
parte de Jesus Cristo ou de Seus apóstolos, que endosse a pratica de culto e
veneração as relíquias, principalmente de restos mortais. Pelo contrário, tanto
o Antigo quanto o Novo Testamento sustentam que, após a Queda, estabeleceu-se a
ordenança de que o homem, ao morrer, deveria retornar ao pó — princípio que
fundamenta a tradição do sepultamento. Certos apologistas católicos
descontextualizam o relato de 2 Reis 13:20-21, que descreve o milagre ocorrido
quando um cadáver foi lançado sobre os ossos do profeta Eliseu. Tais defensores
utilizam essa passagem para justificar a veneração de ossos, crânios, línguas e
dedos de cadaveres, sugerindo que a passagem bíblica é uma prova para
justificar essas superstições, é fundamental distinguir entre uma descrição
histórica de um evento singular e uma prescrição normativa. O texto trata de um
milagre único, sem qualquer precedente ou repetição em todo o Antigo
Testamento, não constituindo, portanto, uma regra ou mandamento. Não há, na
narrativa, qualquer ordem implícita para que restos mortais sejam exumados e
transformados em objetos de veneração; na verdade, o próprio contexto bíblico
em questão não registra tal prática.
Tentar realizar uma exegese de baixa
qualidade, valendo-se de uma hermenêutica cujos pressupostos são
fundamentalmente equivocados, é um procedimento temerário. Poderíamos, por
analogia, concluir que devemos aplicar lama nos olhos de todos os cegos que
encontrarmos, apenas porque Jesus o fez ao curar um cego de nascença? A
narrativa bíblica em questão é descritiva e singular; trata-se de um evento
específico que não se repete nas Escrituras. Da mesma forma, não há registro de
que o povo de Israel tenha erguido santuários ou promovido procissões para
venerar os restos mortais de Eliseu. Essa tentativa de justificar práticas
controversas por meio de uma exegese distorcida revela que certos apologistas e
teólogos romanistas ignoram a reverência devida ao texto sagrado, manipulando
passagens para fundamentar práticas que a Bíblia, em seu contexto e rigor
exegético, não corrobora. Aqueles que deturpam a Palavra de Deus para validar
doutrinas contrárias às Escrituras demonstram falta de temor a Deus e ao
Espírito Santo. Tal conduta assemelha-se à estratégia utilizada pelo
adversário, que, desde o Gênesis até a tentação de Cristo no deserto, recorre
ao uso distorcido das Escrituras para promover seus próprios argumentos.
C. J. Jacinto
Bibliografia
https://historycollection.com/worlds-grossest-catholic-relics/
https://en.wikipedia.org/wiki/Chapel_of_the_Milk_Grotto
https://elhistoricon.blogspot.com/2016/09/las-reliquias-mas-extranas-de-la.html
https://epicpew.com/7-weird-and-wonderful-catholic-relics/
https://jfpenn.com/religious-relics/
https://catholictalkshow.com/top-10-strangest-catholic-relics/

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