QUANDO O ENCANTO DO ENGANO SE QUEBRA NO INFERNO


  

QUANDO O ENCANTO DO ENGANO SE QUEBRA NO INFERNO

 




C. J. Jacinto

 

 

Em Lucas, capítulo 16, versículos 19 a 31, Jesus apresenta a parábola do rico e de Lázaro. Esta passagem bíblica, de grande importância, expõe de maneira clara a condição pós-morte, tanto para os justos quanto para os injustos. O texto, freqüentemente objeto de debate entre crentes e críticos, revela, nas próprias palavras de Jesus, o significado e a relevância da doutrina da vida após a morte, conforme ensinada por Ele, nos evangelhos e em todo o Novo Testamento. A narrativa oferece profundas lições a serem compreendidas. Minha reflexão se concentra no homem rico anônimo retratado por Jesus, que desfruta de uma existência opulenta e luxuosa, entregue a uma satisfação plena. Seduzido pelo encanto do materialismo, ele se entrega a uma vida de esplendor e conforto, permanecendo alheio às questões da vida após a morte. Este homem secular, iludido, encontra-se cativado pela ilusão do brilho material, pela busca incessante do conforto e pela satisfação do ego. Contudo, a vida chega ao fim abruptamente. Esta é a lei estabelecida pelo Senhor desde o princípio, após a queda: "Tu és pó, e ao pó retornarás." (Genesis 3:19) Para o homem secular, contudo, a morte parece um evento distante, algo que sempre acontece aos outros, mas nunca a ele. Chega, porém, a sua hora.

No capítulo 16, versículo 23, Jesus descreve que o homem rico, após a morte, despertou em sofrimento. Encontrava-se no Hades, atormentado. A punição era a consequência de sua incredulidade e de uma vida sem arrependimento. Anteriormente, havia se deixado iludir pela sedução do engano; contudo, o encantamento se desfez. Ali, naquele lugar de tormento, onde seria julgado pelos seus pecados, experimentava a doutrina da danação eterna, o lugar dos ímpios após a morte. Nas Escrituras Sagradas, o seu destino é o lago de fogo eterno, conforme descrito nos últimos capítulos do livro do Apocalipse. (Apocalipse 19:10, 20:10 e 15)

 Nos primeiros capítulos de Gênesis, observa-se que Eva foi seduzida pela persuasão sutil da serpente, que a induziu ao pecado da desobediência. “A mulher sendo enganada caiu em transgressão” (I Timóteo 2:14) O discurso da serpente, carregado de encanto, cativou Eva e, por conseqüência, Adão, levando-os a consumir o fruto proibido. A fala da serpente, dotada de um poder mágico, encantou-os com grande astucia (II Coríntios 11:3). Desde então, percebe-se a grande força sedutora do engano. ( Leia atentamente II Tessalonicenses 2:9 e 10 para ver a eficácia do poder sedutor e encantador de satanás)

  A falsidade e o erro têm a capacidade de iludir as pessoas, que se tornam presas dessa ilusão. (Apocalipse 13:14) Essa fascinação se desfaz, seja por meio da pregação profunda e verdadeira do Evangelho, seja pela morte, quando a pessoa percebe a realidade da sua condição se estiver miseravelmente perdida. É nesse momento que o encanto do engano se rompe, revelando a verdade real, como ocorreu com o homem rico. “Porque estou atormentado nesta chama” (Lucas 16:25 compare o uso punitivo do tormento em Apocalipse 20:10)

É notável, com certa ironia, como frequentemente nos recordamos dos encantadores de serpentes do Oriente Médio, que, ao som de uma flauta, conseguem hipnotizar e controlar esses répteis. Contudo, na Bíblia Sagrada, a situação se inverte: é a serpente que encanta os seres humanos, induzindo-os a um estado de fascínio profundo e duradouro. (Apocalipse 12:9) Reafirmo, portanto, de maneira clara, que esse encantamento somente se desfaz mediante a atuação de pregadores cheios do Espírito Santo, que utilizam a Palavra de Deus como instrumento de transformação e purificação. A pessoa, do início ao fim de seu engano, permanece cativa de uma visão distorcida da realidade, conduzindo-se a um entorpecimento contínuo. Grande parte da humanidade encontra-se sob o efeito desse terrível encantamento, o encantamento da serpente, o encantamento do engano, o encantamento da mentira.

O outrora abastado agora se vê em desespero. A verdade, antes negligenciada, revela-se em sua totalidade. Suas ilusões desvaneceram-se, e o encanto que o envolvia se dissipou. Desiludido, confronta a realidade. As palavras que outrora ridicularizara e desacreditara ressoam agora em sua mente. Após uma vida de descrença, suponho que, jamais imaginou a existência de um inferno, uma punição eterna, um lugar de tormento perpétuo. Considerava tal conceito impossível, incompatível com a bondade divina. Nutriu essa visão durante toda a sua vida, assim como muitos ateus e incrédulos ainda o fazem atualmente, sob o mesmo modo de pensar. Conforme demonstraremos ao longo deste artigo, o poder do engano exerce um fascínio sobre as pessoas, a ponto de ser difícil compreender como alguém pode se prostrar diante de uma imagem de escultura e associá-la à mãe de Jesus ou mesmo a Deus. Essa atitude, em certa medida, pode ser atribuída ao engano. O encanto da ilusão, do erro e da heresia turvou-lhe a percepção, impedindo-o de enxergar a realidade.

 Analisemos atentamente essa passagem, a ruptura da ilusão, a ilusão do homem rico. Conforme Jesus relata no versículo 23, no inferno, o rico, em meio aos tormentos, ergueu os olhos e avistou, ao longe, Abraão e Lázaro em seu seio. No versículo 24, o rico suplica, dizendo: "Pai Abraão, tem compaixão de mim e envia Lázaro para que molhe a ponta do dedo na água e me refresque a língua, pois sofro muito nestas chamas." Nessas palavras, revela-se a percepção direta e inequívoca de uma realidade que ele jamais poderia ter imaginado: a morte e o tormento eterno. Ali estava aquele homem, e naquele momento a ilusão se desfez; não há como negar a existência de Deus, a vida após a morte e a perdição eterna quando o pior dos ímpios entra no outro lado da vida. Tais realidades se apresentam agora em sua forma mais crua. Não há abstração nesse texto; é uma narrativa concreta que, ao ser lida, deveria causar profunda reflexão, pois o homem, naquela situação, encontrava-se irremediavelmente condenado.

 Analisemos, portanto, as formas de convicção que se manifestam com freqüência em nossos tempos. Inicialmente, consideremos a postura e o estado de espírito dos ateus. Atualmente, a militância neoateísta apresenta uma grande proeminência. Os ateus, muitas vezes, exibem uma postura de orgulho, procurando se apresentar como intelectuais, atribuindo à razão o papel de guia para a sua existência e para a compreensão da eternidade. Eles se colocam em uma posição de superioridade intelectual e acadêmica. A razão, desde a Revolução Francesa, continua sendo exaltada e reverenciada pelos ateus e por aqueles que depositam na ciência sua principal fonte de crença. “Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim ao os caminhos da morte” (Provérbios 16:25)

Em consequência, adotam uma postura marcadamente humanista, confiando em seus próprios juízos e critérios para avaliar verdades transcendentais. Dessa forma, assumem uma postura negacionista, rejeitando a existência da alma, do inferno, da vida após a morte, de Deus, do Evangelho e da necessidade da salvação através da obra consumada e perfeita de nosso Bendito Senhor Jesus Cristo. Este é o cerne da questão. No entanto, a crença encantada de cada ateu que, ao morrer, experimenta a realidade no Hades, assim como o rico na parábola bíblica, o encantamento da incredulidade se quebra  naquele momento. Ali mesmo naquele primeiro minuto ao morte, deixam de ser ateus para acreditar na realidade do inferno, na vida após a morte e na existência de sua própria alma. Contudo, essa compreensão surge tardiamente. O encantamento se desfaz, mas a condição alcançada é irreversível.
Não podemos nos deter neste ponto, pois ainda há aspectos a serem explorados dentro da temática da ilusão encantada  do engano. Abordamos a questão dos esotéricos e espiritualistas nas suas variadas formas. A maioria deles, certamente, nutre a esperança de realizar grandes feitos em vida, visando a obtenção de uma boa reencarnação e uma existência futura, de modo que toda a sua existência é orientada por essa crença. Tudo se concentra na busca por uma nova encarnação com bons karmas, que lhes proporcionem a oportunidade de uma evolução espiritual posterior. Contudo, ao observarmos o rico no lugar de tormento, constatamos que ali não há evolução espiritual, nem sistema kármico, tampouco a roda da reencarnação. Trata-se, simplesmente, de um ciclo que se encerra. Uma porta que se abriu e se fechou. Um lugar de onde a única saída é para o Lago de Fogo. “Está posto um grande abismo entre nós e vós” (Lucas 16:26) Essa é uma realidade difícil de ser assimilada nos dias atuais, pois o homem se encontra fragilizado espiritualmente para compreender uma doutrina tão impactante quanto a do inferno eterno. Contudo, essas são as palavras de Jesus, o absoluto que se encarnou, Deus que se fez homem, trazendo para nós uma história que deve ser valorizada, refletida e proclamada como advertência a todos os homens. Nesse contexto, cada pessoa que acredita na reencarnação, na evolução espiritual, como defendem e ensinam o esoterismo, o ocultismo e o espiritualismo, está sujeita à uma grande e devastadora desilusão. O encantamento do engano será desfeito, a ilusão se romperá, pois naquele dia, ao cruzarem os portais da morte, quando seus olhos se abrirem e virem que estão em chamas, o encanto dessa falsa esperança se dissipará, restando apenas a verdade nua e crua: a punição eterna. O inferno existe. “E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27)

Prosseguindo com a análise, observamos que um grande número de pessoas professa e acredita, sem base bíblica, na possibilidade de reconciliação após a morte. Muitas delas nutrem a crença no purgatório, conduzindo suas vidas sob a égide dessa ilusão. Trata-se da idéia, por vezes considerada encantadora, de que mesmo aqueles que professam a fé cristã adulterada, aos moldes de um “outro evangelho” (Gálatas 1:8) ao morrerem, passarão por um período no purgatório. Lá, em um processo de purificação por fogo, seriam expurgados os pecados considerados não capitais, com a expectativa de que, após essa purificação, adentrarão o paraíso.

 Essa crença, frequentemente, é mantida com convicção e esperança por milhões de corações encantados que esse mentira mágica. A possibilidade de reconciliação pós-morte, nesse lugar inexistente nas Escrituras – o purgatório – implicaria em sofrimento através do fogo, com o objetivo de sofrer para supostamente apagar os pecados e, assim, alcançar a vida eterna. Adicionalmente, acredita-se que missas, esmolas, orações e boas ações realizadas por outros, em memória do falecido, ou mesmo a simples luz de velas, no Dia de Finados, contribuiriam para a libertação dos infelizes enganados desse lugar.
 Contudo, ao morrer, essas pessoas encontrarão a mesma situação do rico na parábola bíblica. Diante das chamas eternas do Hades, a ilusão que as sustentava – a falsa esperança de alcançar a vida eterna após a morte, como se o sacrifício de Cristo na cruz fosse incompleto e necessitasse do fogo do purgatório para ser aperfeiçoado – será desfeita. Este é um engano colossal, que inevitavelmente se confrontará com a realidade crua e definitiva, pois não há purgatório. Existe o Hades, e após o Hades, o Lago de Fogo.  “A morte e o inferno (No grego. o Hades onde o rico estava) deram os mortos que ele havia, e forma julgados...e a morte e o inferno (Hades) foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte” (Apocalipse 20!3 e  14) Depois da morte é o juizo (Hebreus 9:27) É a condenação, não a restauração seja por reencarnação ou por purgatório

 Contemplemos, por mais um instante, aqueles que, de certa forma, advogam a crença no sono da alma. Imaginam eles que, ao findar a existência terrena, a alma adormece na sepultura, permanecendo inconsciente e alheia à vida pós-morte. Acreditam fervorosamente que essa é a condição do ser humano após a morte, e, por conseguinte, muitos daqueles que nunca professaram genuína fé em Cristo, que jamais O reconheceram como o caminho, a verdade e a vida, e que não se converteram a Ele nem O serviram segundo o Evangelho autêntico, não foram, em essência, cristãos segundo a Bíblia, sentirão o impacto do desmantelamento do encantamnto da mentira chamada de “sono da alma” e nesse sentido, para muitos  aniquilacionistas e universalistas, o choque emocional será são terrível quanto ao rico  “E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos” (Lucas 16:23), o rico viu, sentiu, percebeu, entendeu, calculou, lembrou, pediu, e se emocionou, mas era tarde demais, para o leitor, ainda há tempo! Converta-se a Cristo, Creia em Cristo, Confie em Cristo, Siga a Cristo.

Para aqueles que sustentam a crença no sono da alma, o momento da transição, quando deixarem esta vida para ingressar na outra, será de súbita surpresa e espanto. Aquilo que conceberam como sono revelar-se-á, na verdade, um pesadelo, pois as chamas da aflição se apresentarão diante de seus olhos. Estarão conscientes, cientes de toda a situação, de toda a tribulação e de todas as aflições, inclusive lembrando-se de cada aspecto de suas vidas, e recordando que muitos outros compartilham o mesmo engano, o de que a alma repousa na sepultura após a morte. Ali, a ilusão se dissipará, o erro será desfeito, pois diante deles estará a realidade crua: chamas atormentadoras diante de todos os perdidos.

 Aqueles que jamais abraçaram o Evangelho e que nunca aceitaram a Cristo como Salvador, nunca se arrependeram de seus pecados e nunca se converteram ao Evangelho crendo que, caso não fossem salvos e redimidos, estariam no Hades em tormentos, aguardando o julgamento eterno para, posteriormente, serem lançados no lago de fogo, testemunharão a terrível verdade: a punição eterna existe, o encanto do engano se quebra totalmente lá. As mais notáveis testemunhas da existência do juízo divino serão aqueles que a negaram quando viveram neste mundo!

Há, ainda, indivíduos em situação mais lastimável, pois sustentam a crença de que o ser humano é unicamente um corpo biológico, desprovido de alma. Equiparam o homem a animais, como cavalos ou bois, considerando que a morte representa a extinção completa, a dissolução no pó, sem qualquer vestígio de consciência ou vida após a morte. Essas pessoas, ao ingressarem na eternidade, confrontarão a magnitude dessa realidade, percebendo que suas convicções eram ilusórias, um engano fatal. O feitiço dessa ilusão, que moldou seus pensamentos e crenças sobre a natureza humana, será quebrado. Aqueles que negam a existência de uma alma imortal e pregam a visão do homem como um mero ser biológico, ao abrirem os olhos na eternidade, assemelhar-se-ão ao rico da parábola, compreendendo, com desespero, o erro absoluto de suas convicções. Levarão estes, um choque de realidade, pois com o quebrar do encanto do engano, perceberão com toda a intensidade após a morte, aquilo que insistiam em negar em vida.

 Desejo, ainda, reiterar a respeito daqueles que, embora nutram a crença na vida após a morte, fundamentam sua esperança na própria capacidade e conduta: as boas obras. Consideram que, por serem pessoas de bem, honestas e integras, Deus não as condenaria ao sofrimento eterno. Depositam sua confiança em suas ações e méritos, acreditando que a prática de boas obras lhes garantirá o perdão e a vida eterna. Vivem seguras e felizes confiando em suas próprias obras como moeda de troca para comprar a vida eterna, fazem isso muitos ditos cristãos, confiando no esforço próprio como meio de alcançar o céu em puro desprezo pela morte de Cristo na cruz.

Contudo, essa perspectiva não condiz com o cerne do Evangelho. Este não se fundamenta na capacidade humana de alcançar a salvação, pois tal intento é inatingível. O Evangelho proclama a salvação através do sacrifício de Cristo na Cruz do Calvário. Portanto, nossa confiança não deve residir em nossas boas obras ou méritos, mas sim na obra redentora, completa e perfeita, realizada por Cristo. Nossas obras são coisas corruptíveis, não possuem poder de auto-redenção, somos comprados pelo precioso sangue de Cristo, nossas boas obras são corruptíveis (contaminadas) mas o precioso sangue de Cristo é incontaminado (I Pedro 1:18 e 19)

 Aqueles que confiam nas obras para alcançar a salvação, no momento em que a morte os alcançar e, após, no Hades, constatarão a desilusão, assim como o homem rico na parábola. A verdade se revelará, mostrando que suas ações não foram suficientes para garantir a salvação eterna. A essa altura, será tarde demais, pois terão negligenciado a fé na obra de Cristo na Cruz, preferindo a autoconfiança. Essa postura, baseada na autossuficiência, constitui um grave pecado, pois implica em desmerecer o sacrifício de Cristo.

 Há alguns dias, assisti a um documentário sobre hindus que creem no poder sagrado das águas do rio Ganges. Alguns deles se submetem a um ritual de morte, falecendo próximos ao rio. Seus corpos são então cremados, e as cinzas são lançadas no Ganges, acreditando que isso lhes garantirá o paraíso e o fim do ciclo de reencarnação. Imagino a sinceridade dessas pessoas em suas crenças, embora considero-as equivocadas. A doutrina hindu as teria conduzido a esse erro. Creio que, na eternidade, elas reconhecerão essa falha. Ali, compartilhando a experiência do homem rico da parábola, enfrentarão tormentos e decepções, pois as águas do Ganges não possuem o poder de purificar os pecados. A purificação, segundo o Evangelho de Jesus Cristo, reside no sangue de Jesus. “O Sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (I João 1:7) Imagino a desilusão dessas pessoas no instante após a morte. Enquanto, neste mundo, rituais de cremação e lançamento de cinzas no Ganges são realizados em seu favor, elas enfrentarão a realidade da eternidade, percebendo a futilidade dessas ações. O sofrimento do juízo as aguarda. encantamento do engano será quebrado.

 A morte, desde sempre, representou um enigma que instigou a curiosidade humana. Essa fascinação se manifesta, por exemplo, na religião egípcia antiga, com suas múmias e faraós divinizados. Encontramos reflexos dessa busca em textos antigos como o Livro Tibetano dos Mortos, que descreve os processos de purificação e a jornada para o reino dos mortos, com suas luzes e rituais complexos que visam proporcionar uma experiência transcendente após a morte. No entanto, esses rituais e informações divergem substancialmente do Evangelho.
 Ao analisar a descrição do estado do rico, observamos a presença de uma espécie de luz. Essa luz permite que ele veja, observe, distinga formas, sinta e se lembre. A narrativa sugere uma situação reveladora, com uma luz que expõe sua condição, incluindo o desespero e a percepção de chamas. Essa clareza revela a verdade crua.

 Portanto, não é surpreendente que muitos relatem experiências de quase-morte com um túnel de luz. A experiência do rico também indica que ele não estava em trevas, mas sim em uma situação de discernimento, vivenciando sua condição de maneira vívida.
 Minha análise se concentrará na descrição de Jesus sobre o evento envolvendo o rico e Lázaro. Especificamente, examino a condição do rico após sua vida de opulência terrena. Suas crenças equivocadas, estilo de vida e perspectivas futuras estavam distorcidas. De maneira semelhante, grande parte das religiões contemporâneas apresenta um evangelho deturpado e esperanças infundadas. Jesus afirmou, em João 14:6: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, a não ser por mim." Ele proferiu essa declaração de forma exclusiva. Independentemente de discordâncias, Jesus Cristo se apresenta como o único caminho para o Pai, sem qualquer outra alternativa. Da mesma forma, Paulo declara que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens.

 Essas verdades se somam: crenças equivocadas conduzirão as pessoas a uma dolorosa percepção quando a ilusão de suas convicções for desfeita pela realidade da perdição, pois não confiaram integralmente em Cristo, mas em algo além Dele. Muitos crêem, com sinceridade, que Maria é mediadora e que, em certas circunstâncias, pode conduzir alguém ao céu por ser co-redentora. Contudo, tal ideia não encontra respaldo nas Escrituras; trata-se de uma fantasia, uma fábula sedutora.
 Caso não se creia em Cristo como o único caminho, não haja conversão, arrependimento dos pecados e seguimento de Cristo em vida, não O encontraremos na vida por vir. É fundamental compreender isso, por mais que essa mensagem possa ser politicamente incorreta ou dissonante no contexto atual, em meio a púlpitos superficiais e pregadores temerosos que relutam em proclamar a verdade, pois seus interesses se concentram em aplausos, fama, prestígio e, acima de tudo, dinheiro.

 Todavia, afirmo a verdade fundamental: todo aquele que não tiver o nome escrito no livro da vida será lançado no lago de fogo. Sem crença, arrependimento, conversão, abandono dos pecados, novo nascimento e aceitação de Cristo como Senhor e Salvador, sem uma genuína experiência de regeneração, não haverá salvação. A ilusão se desfará se não houver fé em Cristo, e pode ser tarde demais ao se revelar a farsa da descrença, o diabo usa a sua indiferença as coisas espirituais como arma para destruir você. Ele encanta apostatas, seduz com idéias que parecem tão boas, mas são sementes de desobediência e engano, essa é a feitiçaria do diabo: “Não vá a igreja, não adore, não leia a bíblia, não estude os evangelhos, não participe da escola Dominical, não cultue, não ore, não se congregue, não leia bons livros escritos por homens piedosos” suas sugestões encantadoras são quase infinitas, e se nas fabulas, o canto da sereia encanta, na vida real, o encantamento vem pelas sugestões do diabo

 Com o intuito de aprofundar minha exposição, considerando a situação aflitiva daquele homem rico, atormentado pelas chamas, desejo abordar uma questão crucial: a condição espiritual de muitos frequentadores de igrejas evangélicas que, embora presentes em seus templos, jamais experimentaram o novo nascimento.

 Essas pessoas, muitas vezes, nutrem crenças que divergem da verdadeira essência do Evangelho. Podem acreditar na regeneração batismal, na salvação condicionada ao cumprimento de rituais, como o dízimo, ou na mera posse de um cartão de membro ou certificado de batismo, ou profissão de fé meramente formal. Acreditam, equivocadamente, que sua filiação a uma instituição religiosa lhes garante a salvação. Tais indivíduos, na realidade, podem ser considerados crentes nominais, distanciados da genuína experiência da fé e da transformação operada pela regeneração. Crêem nos discursos superficiais dos pregadores modernos que confirmam a salvação até do mais ímpio dos seres humanos, desde que estes sejam fieis dizimistas e façam parte da estatística da membresia. Abraçam a religião, confiando nas palavras desses  pregadores que, por vezes, não transmitem a mensagem autêntica do Evangelho. Embora possuam vínculos formais com a igreja, como o cartão de membro, e sejam incentivados a práticas como ofertas, dízimos e frequência aos cultos, essas ações, por si só, não garantem a salvação.

 A condição para a entrada no Reino de Deus é o novo nascimento, a aceitação de Cristo como Senhor e Salvador, a crença em seu sacrifício pelos pecados e a vivência coerente com essa fé. (João 3:3 Hebreus 6:1 Provérbios 4:25 Colossenses 3:1 Romanos 6:4 e 12:2 etc) Essa transformação deve permear a totalidade da existência, resultando em uma vida de testemunho da morte e ressurreição de Cristo, e da mudança que a conversão ao Evangelho promove.  Se alguém está em Cristo, nova criatura é” (II Coríntios 5:17)

 São essas evidências que atestam a vivência um homem que aderiu ao verdadeiro Evangelho, distinguindo-a das falsas religiões, que, por vezes, se disfarçam sob a aparência de igrejas evangélicas. Um homem regenerado é um cristão bíblico, que defende os fundamentos da fé e tem comunhão com a Verdade.

 Tenho abordado com honestidade o poder de sedução do engano, que cega as pessoas. De fato, esta é a estratégia do diabo. Paulo menciona que o deus deste século, na perspectiva dos descrentes, obscurece a luz do Evangelho. Ele também afirma que Satanás se disfarça como um anjo de luz. Impressionante, uma transfiguração satânica que atrai as pessoas a um brilho enganoso, levando-as a acreditar em uma aparência angelical falsa. Muitos estão obscurecidos por uma cegueira intelectual, cativados e quase subjugados por esse engano sedutor, que impede o ser humano de compreender sua própria condição espiritual. É angustiante perceber essa realidade. O homem rico da passagem de Lucas, capítulo 16, versículos 19 a 31, simboliza aqueles que hoje vivem sob o jugo do engano, aprisionados por ele.

 Como se observa no livro de Apocalipse, um sistema babilônico, a Babilônia, a religião dos mistérios, conseguiu enganar todas as nações, de modo que estas, e todos sob seu domínio, estão intoxicadas por um êxtase pernicioso, tornando-se indiferentes à sua situação. (Apocalipse 18:1 a 4) Essa constatação é profundamente perturbadora. Freqüentemente nos questionamos sobre a indiferença de muitos perante a realidade do inferno. A explicação reside, talvez, no fato de que, segundo sua própria compreensão, há uma ilusão, uma espécie de encantamento que os torna insensíveis. “Nos quais o deus deste século cegou os entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (II Coríntios 4:4)

 Que Deus, através de seu Santo Espírito, possa abrir os olhos de muitos através desta mensagem, proclamada neste artigo, publicado livremente para que aqueles que estão sob esse feitiço possam, o mais rápido possível, despertar desse sono profundo e perceber sua condição espiritual antes de deixarem este mundo.

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