C. J. Jacinto
Em Provérbios, capítulo 4, versículo 18,
encontra-se uma passagem que considero especialmente significativa. Ela exerceu
grande influência em minha jornada espiritual desde o início de minha fé. Com o
passar do tempo e o amadurecimento na vida espiritual, percebe-se a relevância
dessa passagem, que afirma: "A vereda do justo é como a luz da aurora, que
vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito." Essa passagem aborda o
progresso espiritual, um processo de amadurecimento que aprimora a visão espiritual.
É
notável o contraste com a experiência humana natural. No âmbito biológico, com
o envelhecimento, os órgãos tendem a declinar, podendo levar a problemas como a
perda da visão na velhice. Essa realidade tem-se manifestado em minha própria
vida, pois, em minha idade, já experimento dificuldades visuais.
No
entanto, a vida espiritual opera de maneira distinta. À medida que recebemos
maior iluminação das Escrituras, nossa visão espiritual se aprimora. Esse
aprimoramento nos permite discernir as realidades espirituais com maior
clareza. Caso um cristão não experimente esse desenvolvimento, com sua visão
espiritual estagnada, sem expansão ou sofisticação, isso pode indicar desafios
em sua vida cristã.
Recentemente,
vivenciei uma experiência que me motivou a redigir este texto. Conversei com um
indivíduo cristão, cuja trajetória demonstra um afastamento da fé. Ele teve
origem em um lar evangélico. Contudo, durante nossa conversa de aproximadamente
dez minutos, percebi que esse irmão se encontrava em um estado de considerável
confusão. Apesar de possuir mais de quarenta anos e ter vivido grande parte de
sua vida na igreja, ele demonstrou, por meio de suas ideias confusas e
doutrinariamente imprecisas, uma ausência de progresso no discernimento
espiritual. A compreensão da fé não pareceu se intensificar em sua vida; ele
permaneceu, em grande medida, na mesma condição de obscuridade. Toda a sua
argumentação girou em torno da salvação pelas obras, do esforço humano e da
aquisição de méritos para alcançar a salvação. Ele nunca compreendeu a
justificação pela fé e nunca confiou plenamente em Cristo como seu salvador.
Jamais percebeu que a obra redentora de Jesus Cristo na cruz do Calvário é
suficiente para garantir a nossa justificação, independentemente de nossas ações.
Essa incompreensão fundamental o afastou das verdades espirituais do Novo
Testamento, o que, em parte, explica sua condição de confusão espiritual. Há
muitos anos, em meus primeiros anos de fé, recordo-me de um colega de trabalho
que enfrentou o desafio de uma doença que gradualmente lhe afetava a visão. Foi
um período de grande sofrimento, e a perspectiva de perder a visão representou
um choque emocional considerável, especialmente por estar na meia-idade.
Consciente da inevitabilidade da cegueira, ele vivenciava uma profunda crise.
Contudo, foi nesse momento de fragilidade que ele encontrou o Senhor Jesus como
Salvador e depositou sua fé Nele. Um dia, em um encontro casual, conversei com
meu amigo. Ele compartilhou sobre sua condição, a perda progressiva da visão e
a proximidade da cegueira física. Conversamos também sobre sua jornada
espiritual. Ele expressou: "Encontrei no Senhor Jesus meu Salvador, creio
no Evangelho, sigo e sirvo a Cristo."
Eu
lhe respondi: "Essa é a maior conquista. Apesar da perda da visão física,
você recebeu a luz da compreensão e do discernimento espiritual. A Bíblia nos
orienta a fixar os olhos em Jesus, o autor e consumador da nossa fé, conforme
lemos em Hebreus, capítulo 12, versículo 2."
Prossegui,
dizendo que a visão espiritual é infinitamente mais valiosa que a visão física,
pois esta se limita às coisas passageiras, enquanto aquela nos conecta às
coisas eternas. Ele, mesmo privado da visão natural, jamais deveria perder
Cristo de vista. Devemos, pela fé, contemplar a Cristo, permitindo que nossa
visão espiritual se aprofunde a cada dia, para que vivenciemos não apenas o
amanhecer, mas uma compreensão plena, como em um dia perfeito.
A questão do conhecimento espiritual se encontra intrinsecamente ligada àquilo
que se convencionou chamar de batalha espiritual. Desde o princípio, o que
causou a queda, senão a ação do diabo, a personificação da mentira, ao induzir
os primeiros seres humanos ao erro? Nesse momento, o engano obscureceu a
compreensão de Adão e Eva, em vez de iluminá-los. Essa oposição se manifesta na
contradição inerente às consequências da promessa da serpente: "Sereis
como Deus." A promessa de conhecimento resultou em engano e ignorância
espiritual, e, desde então, a batalha espiritual tem o engano como seu cerne.
Tudo está relacionado a isso: engano e batalha espiritual. Em consonância, no
Evangelho de João, Cristo se refere ao diabo como o pai da mentira.
Portanto,
compreendemos que, em contraste, o próprio Jesus se apresenta como a verdade,
declarando: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida." Em outra
passagem, no capítulo 17 do Evangelho de João, Jesus Cristo também faz uma
afirmação sobre a verdade: "Santifica-os na verdade; a tua palavra é a
verdade." Assim, a Palavra, a Bíblia Sagrada, que revela Cristo, é a Palavra
de Deus que também revela a verdade. Desse modo, a verdade está intrinsecamente
ligada a Cristo, enquanto pessoa, e à Bíblia Sagrada, como revelação.
Contudo, qual é a implicação disso? A antiga
serpente deturpou a Palavra de Deus para enganar Eva. Essa mesma dinâmica se
repete na tentação de Cristo, conforme registrado no capítulo 4 dos Evangelhos
de Mateus e Lucas. Ali, o diabo, a antiga serpente, faz uso indevido da Palavra
de Deus, distorcendo seu verdadeiro significado para tentar Cristo e induzi-lo
ao pecado e à desobediência.
Percebemos, portanto, que a Palavra revelada,
quando distorcida, pode ser um instrumento para desviar uma pessoa do
verdadeiro conhecimento. Embora paradoxal, essa é uma realidade. Os maiores
hereges e apóstatas sempre deturparam a Bíblia Sagrada, utilizando-a fora de
contexto para justificar seus erros e levar à própria perdição. Eles agem dessa
forma porque reconhecem a autoridade da Palavra de Deus sobre a mente humana, e
a distorção da Palavra torna o engano mais profundo e influente.
Em igrejas fundamentadas na Bíblia, onde pregadores dedicados à verdade
utilizam as Escrituras com métodos, ferramentas e pressupostos corretos,
defendendo os pilares da fé cristã e a sã doutrina, a luz espiritual é
irradiada sobre os ouvintes. Esses pregadores, comprometidos com a linguagem
clara e irrepreensível da Palavra de Deus, promovem o crescimento espiritual. O
oposto, contudo, é o engano espiritual, pois muitos pregadores e falsos
profetas distorcem a Palavra, conduzindo muitos à perdição. Como Cristo
alertou, "quando um cego guia outro cego, ambos cairão no abismo".
Portanto, indivíduos que, mesmo após longo tempo na igreja, carecem de
discernimento espiritual, podem estar em desacordo com o propósito da
verdadeira Igreja de Cristo, que visa instruir seu povo, promovendo a crescente
iluminação espiritual, como a luz da aurora que brilha cada vez mais, até a
chegada do dia perfeito.
Outro aspecto relevante a ser abordado é
o comportamento do coração regenerado. O cristão genuíno demonstra amor pela
verdade. Recentemente, em conversa com um irmão em Cristo, fomos informados
sobre a iniciativa de convidar um diácono, membro de longa data da igreja, para
participar das aulas de ensinamento bíblico. A reação do diácono, apesar de sua
idade e experiência eclesiástica, foi de desinteresse pelas atividades de
estudo e instrução. Essa atitude revela a ausência do amor pela verdade.
Aqueles que verdadeiramente amam o Evangelho anseiam por ouvi-lo e receber seus
ensinamentos. Essa é uma resposta natural do ser espiritual, que busca
constantemente aprofundar seu conhecimento e entendimento. O crescimento
espiritual é um processo contínuo de aprimoramento e iluminação, culminando na
perfeição. Para alcançar essa plenitude, é fundamental cultivar o amor pela
verdade e a paixão por ela. Um indivíduo verdadeiramente espiritual, desejoso
de crescer em graça e conhecimento, valorizará a instrução bíblica e buscará a
orientação de mestres reconhecidos pela fidelidade à exposição das Escrituras.
Na
segunda carta aos Tessalonicenses, Paulo aborda um tema de grande importância e
seriedade. Observo que a passagem em que Paulo declara que Deus enviará uma
"operação do erro" àqueles que não amaram a verdade é particularmente
relevante. Refiro-me àqueles que, tendo ouvido a sã doutrina e os ensinamentos
do Evangelho, não a acolheram com amor suficiente para internalizá-los e
permitir que suas vidas fossem transformadas por eles.
Em outras palavras,
muitos podem ouvir a verdade, mas não a abraçam, mantendo-se indiferentes. Essa
indiferença em relação às verdades espirituais abre uma brecha para a atuação
do engano. No âmbito espiritual, a falta de amor pela verdade, ou a recusa em
amá-la, pode resultar na aceitação da mentira.
Desejo também ressaltar a
relevância daqueles que lideram o trabalho, incumbidos de instruir seus
congregados e a comunidade religiosa. Se as verdades fundamentais da fé cristã
não forem ensinadas, se as verdades espirituais essenciais para a compreensão
da vontade divina e das doutrinas sagradas não forem comunicadas, os fiéis
podem se tornar suscetíveis à influência do engano, em um mundo marcado por
apostasia e pela ausência de líderes espirituais fiéis. Torna-se, portanto,
imperativo que os cristãos demonstrem amor genuíno pelas coisas sagradas e pela
sã doutrina. Igualmente, é crucial que os líderes religiosos estejam dispostos
a se dedicar à pregação do Evangelho genuíno, à exposição fiel das Escrituras e
ao compromisso com os fundamentos da fé cristã.
É fundamental que o cristão busque o conhecimento espiritual, permitindo que a
luz do Espírito Santo e das Sagradas Escrituras ilumine sua mente, a fim de
desenvolver o discernimento espiritual. Constata-se que o mundo contemporâneo
se encontra imerso em trevas espirituais, possivelmente em uma escala sem
precedentes, com o aumento da proliferação de religiões consideradas falsas,
bem como de falsos profetas, falsos cristos e doutrinas heréticas. O avanço
tecnológico, apesar de ter ampliado o acesso ao conhecimento, também facilitou
a disseminação global, em proporções antes inimagináveis, de erros, heresias,
religiões consideradas falsas e falsos profetas. Através dessas plataformas
digitais, esses equívocos são difundidos com grande eficácia. Vivenciamos,
portanto, uma época que exige a busca pela luz espiritual, a qual provém das
Escrituras, da pregação fiel, da doutrina sólida e dos fundamentos da fé,
direcionando-nos para a verdade, enquanto o mundo se afunda na escuridão.
Apresento
agora outro ponto digno de consideração, relacionado ao falso discernimento. É
crucial ter em mente que existem indivíduos que se apresentam como espirituais,
mas que na realidade não o são.
Recordo-me
de um período em que se popularizou a crença de que mensagens subliminares
estavam presentes em rótulos de produtos e embalagens. As pessoas dedicavam
tempo e atenção para detectar mensagens supostamente diabólicas, muitas vezes
encontrando-as em rótulos de refrigerantes. No entanto, essas mesmas pessoas,
capazes de identificar mensagens ocultas em embalagens, podiam sentar-se diante
de um púlpito e ouvir um falso profeta. Este, por exemplo, poderia pregar um
evangelho deturpado, afirmando que a salvação depende do cumprimento de
obrigações financeiras, como o dízimo, em detrimento do foco em Cristo. Em
essência, o foco era transferido da fé em Cristo para a observância de rituais
e preceitos. Assim, a mesma pessoa que conseguia discernir mensagens ocultas em
um rótulo de refrigerante, demonstrava incapacidade de reconhecer a presença de
um falso profeta ou mestre, que ensinava a salvação baseada em obras, em vez da
justificação pela fé na obra redentora de Cristo na cruz.
O
leitor certamente se recorda da frequência com que pessoas distribuem
materiais, como folhetos, com o objetivo de divulgar suas igrejas. Frequentemente,
a recomendação é buscar a igreja evangélica mais próxima da residência. Embora
essa afirmação ainda seja comum, ela pode ser simplista, especialmente quando
confrontada com certas perspectivas cristãs. Algumas pessoas, ao serem
questionadas, afirmam que a denominação específica da igreja não importa, desde
que o indivíduo a frequente. Essa postura, no entanto, demonstra falta de
discernimento.
Atualmente, diversas igrejas apresentam abordagens distintas. Algumas
pregam a teologia da prosperidade, priorizando experiências emocionais
subjetivas em detrimento da pregação expositiva e do ensino bíblico. Outras
adotam doutrinas unitárias ou unicistas, ou ainda, conceitos pós-modernos. Há
igrejas que se destacam por cultos centrados na personalidade, enquanto outras
abraçam ideias liberais e progressistas. Todas essas vertentes, em maior ou
menor grau, podem apresentar ensinamentos que se afastam da verdade bíblica.
Portanto,
a simples frequência a uma igreja evangélica não é suficiente. É imperativo
buscar uma igreja saudável, fundamentada nas Escrituras, comprometida com a
prática e a proclamação da verdade, e que rejeite o pragmatismo ou o
maquiavelismo. A igreja a ser frequentada é aquela que permanece fiel à Palavra
de Deus.
Portanto, é imprescindível
cautela. A questão da doutrina correta reveste-se de grande importância, visto
que Paulo, em suas epístolas, adverte Timóteo de maneira clara sobre os falsos
mestres, citando, por exemplo, Himeneu e Fileto, que disseminavam a ideia de
que a ressurreição já havia ocorrido. Paulo compara essas doutrinas a uma
gangrena que se alastra pelo corpo, corrompendo a carne até atingir os ossos.
Essa analogia, de forte impacto, representa uma advertência veemente contra as
doutrinas que conduzem à perdição e que, de certa forma, ainda hoje são
propagadas em muitas igrejas que se afastaram da fé original.
A
questão da falsidade, manifestada por meio de palavras persuasivas e sutis,
empregadas por falsos mestres que se introduzem na igreja, não é um problema
recente. Na Epístola de Judas, escrita pelo irmão do Senhor, no versículo 4 do
capítulo 1, encontramos uma advertência: "Porque se introduziram alguns
que se fizeram passar por piedosos, os quais, desde há muito, estavam
sentenciados para esta condenação: homens ímpios, que transformam em
libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor
Jesus Cristo."
Percebe-se, portanto, a gravidade da
situação no contexto em que a Epístola de Judas foi escrita. A dissimulação,
utilizada por muitos para se infiltrar nas comunidades cristãs e disseminar
ensinamentos corrompidos que promovem a decadência espiritual, era uma ameaça
real, como evidenciado nos casos de Himeneu e Fileto, mencionados por Paulo em
uma de suas epístolas a Timóteo.
Diante
disso, torna-se imperativo que o cristão, assemelhando-se ao justo, brilhe cada
vez mais intensamente, como a luz da aurora que se manifesta em plenitude.
Assim, ele poderá alcançar uma compreensão clara e um discernimento preciso da
verdade, a fim de exercer cautela e evitar tudo o que é falso.
Ao refletir sobre este tema de tamanha profundidade e importância para a nossa
época, recordo-me da epístola de Paulo aos Efésios, no capítulo 1, versículo
18, onde ele expressa a seguinte oração pelos Efésios: "Por isso, também
eu, tendo ouvido da fé que há em vós no Senhor Jesus e do amor para com todos
os santos, não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas
orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos
conceda o Espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele,
iluminando os olhos do vosso coração, para que saibais qual é a esperança da
sua vocação, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos". Assim,
observamos que a oração de Paulo pede: "iluminados os olhos do vosso
coração". Trata-se de um conhecimento interior, uma visão interior, uma
percepção interna que nos capacita a discernir entre a verdade e o erro. Esse é
o verdadeiro discernimento.
Conclui-se, portanto, a análise da
batalha espiritual, conforme apresentada, com a compreensão de que a progressão
cristã é uma necessidade premente em nossos dias. O crente deve avançar,
desenvolver-se e progredir, assemelhando-se à luz da aurora, que se intensifica
gradualmente até atingir seu ápice.
Em 2 Coríntios, capítulo 4, versículo 4, o
apóstolo Paulo adverte que "nos quais o deus deste século cegou os
entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho
da glória de Cristo, que é a imagem de Deus." Essa é a ação do adversário,
a antiga serpente, Satanás, que visa obstar a visão espiritual.
Em contrapartida, no versículo 6 do mesmo
capítulo, Paulo declara: "Porque Deus, que disse que das trevas
resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações." Trata-se de
uma iluminação interior, essencial para a compreensão e a direção corretas. A
glória do evangelho resplandece sobre o coração quando a mensagem da cruz é
proclamada, ou seja, quando Cristo crucificado é anunciado, e quando a Palavra
de Deus é pregada de forma completa, versículo por versículo. Essa é a marca
distintiva da verdadeira Igreja e o foco da vida de todo cristão genuíno.
Somente aqueles que se dedicam a essa verdade experimentarão a plenitude da
luz, como a aurora em seu esplendor máximo.
Com efeito, importa salientar que, ao abordar
a temática da luz espiritual e da iluminação espiritual, não me refiro às
experiências místicas ou às doutrinas esotéricas, como as encontradas no
gnosticismo ou no movimento quaker, que buscam uma luz interior imanente, como
se essa centelha divina residisse intrinsecamente em nós, independentemente da
revelação divina. Em vez disso, a verdadeira luz espiritual provém
essencialmente da Palavra de Deus e da Sua própria presença. Jesus, conforme
registrado em João 8:12, declarou: "Eu sou a luz do mundo". No Salmo
119:105, lemos: "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os
meus caminhos".
Assim, torna-se evidente que a luz espiritual
que o verdadeiro cristão recebe e que o caracteriza como um cristão bíblico emana
da comunhão com Deus, da presença de Cristo e da Sua Palavra. A Palavra de Deus
serve como lâmpada, e essa lâmpada, acesa por meio da pregação e do estudo
bíblico pessoal, irradia luz para o nosso interior, proporcionando
discernimento. Quanto mais alguém se dedica ao estudo da Palavra de Deus e se
associa a uma igreja bíblica comprometida com a pregação e o ensino da Bíblia,
mais luz recebe e mais se aperfeiçoa, o que se traduz em progresso espiritual. Ao
analisarmos o Salmo 119, versículo 130, a Palavra de Deus confirma o que aqui
se expõe. Ali está escrito: "A exposição das Tuas palavras dá luz e faz
entender os simples". Assim, a exposição da Palavra de Deus proporciona
iluminação espiritual àqueles que a ouvem. Refiro-me a essa iluminação
espiritual que provém da Palavra de Deus, quando ensinada, proclamada e
explicada. O cristão, ao se submeter à explanação, ao ensino, à orientação e ao
conselho da Palavra de Deus, recebe luz crescente e experimenta contínuo
progresso espiritual. Quanto maior o conhecimento da doutrina verdadeira, maior
será sua capacidade de discernir e identificar o engano, a falsidade e a
heresia, fortalecendo-o para confrontar toda forma de erro, bem como
identificar e se manter firme diante da apostasia que se dissemina no mundo. No
âmbito místico e esotérico, é possível observar, a título de exemplo, a
iluminação indutiva, resultante da introspecção ou de práticas espirituais,
como no caso de Siddhartha Gautama, que, em meditação sob uma árvore, alcançou
uma suposta iluminação espiritual. Contudo, essa iluminação não o conduziu à
compreensão da natureza, dos atributos e da graça do Deus revelado nas
Escrituras. Importa salientar que não se trata de anacronismo, pois não me
refiro a Cristo, mas ao Deus que Se revela no Antigo Testamento, por meio de
Abraão, o pai de todos os que creem no verdadeiro Deus. Em Abraão se manifesta
o caminho e a revelação que alcançariam sua plenitude na encarnação de nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo. Conseqüentemente, entendemos que em Cristo se
revela a verdadeira luz, luz de verdadeira luz, na qual a glória, a graça e a
misericórdia de Deus são plenamente manifestadas. Que a Divindade nos conceda a
graça de refletir a beleza da aurora, pois a trajetória do justo assemelha-se à
luz da aurora, que resplandece em intensidade crescente até o dia perfeito. Que
nossos caminhos sejam guiados rumo a uma iluminação cada vez mais profunda das
glórias de Cristo e do Evangelho, a fim de que alcancemos uma compreensão mais
plena da graça, da misericórdia, da redenção, da salvação, da justificação e da
glorificação que emanam de Cristo Jesus, nosso Senhor. Ele, com grandioso
esplendor, revelou-se nas palavras de João 3:16: "Porque Deus amou o mundo
de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê
não pereça, mas tenha a vida eterna." Que possamos ser como aqueles que
trilham o caminho da justiça, em direção àquele cuja face, como testemunhou o
apóstolo João na ilha de Patmos, brilhava como o sol. Que nos dirijamos a
Cristo, que no monte da transfiguração resplandeceu perante Pedro, Tiago e
João. Que nossos olhos sejam iluminados por essa glória celestial que alcança
os homens que outrora habitavam nas trevas. Assim, experimentaremos a grandiosa
revelação que reside nessa luz e através dela, capacitados a discernir o que é
correto do que é incorreto.
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