Judeus, Gentios e Igreja no Evangelho de Mateus


 Três Povos, Um Deus: A Distinção entre Judeus, Gentios e Igreja no Evangelho de Mateus segundo Robert Govett

Série| Teologia Bíblica · Escatologia · Hermenêutica


"Mas há, além da 'Igreja', outros dois povos reconhecidos por Deus: 'os Judeus' e 'os Gentios' (1 Co 10.32). Esses três corpos hão de ser encontrados, ao fim, nos seus respectivos lugares no milênio, ou 'reino dos céus'." — Robert Govett, The Jews, the Gentiles, and the Church of God in the Gospel of Matthew (1869)


Introdução: Um Problema Hermenêutico Urgente

Um dos erros mais persistentes na história da interpretação cristã consiste em tratar as Escrituras como se fossem um bloco homogêneo, sem distinguir a quem cada porção se dirige. Robert Govett (1813–1901), teólogo britânico formado no Worcester College de Oxford e pastor independente em Norwich por décadas, identificou com precisão cirúrgica esse equívoco já em 1869. Em sua obra The Jews, the Gentiles, and the Church of God in the Gospel of Matthew, ele denunciou dois erros opostos que, combinados, produzem confusão doutrinária: de um lado, os que descartam os Evangelhos com o grito — "Isso é judaico!" — retirando assim de si mesmos o magistério de Cristo; de outro, os que aplicam à Igreja tudo o que foi dito a Israel, e ao Israel tudo o que foi dito à Igreja.

Govett era um intérprete rigorosamente literal e dispensacionalista. Sua produção intelectual influenciou diretamente G. H. Pember, D. M. Panton e, indiretamente, toda uma tradição de exegese que distingue os propósitos de Deus para cada um dos três grandes grupos éticos e redemptivos da Bíblia: os Judeus, os Gentios e a Igreja de Deus.

O objetivo deste artigo é expor sistematicamente as linhas-mestras do argumento de Govett, demonstrando sua consistência hermenêutica e sua importância para a compreensão do Evangelho de Mateus.


I. O Fundamento Paulino: Três Corpos Distintos

O ponto de partida de Govett é um versículo muitas vezes lido de passagem: "Não sejais motivo de tropeço, nem para judeus, nem para gregos, nem para a igreja de Deus" (1 Co 10.32). O apóstolo Paulo, ao redigir essas palavras, não está simplesmente listando grupos étnicos. Ele está estabelecendo uma tripla distinção ontológica e redentora que organiza toda a história do governo de Deus com a humanidade:

Os Judeus — o povo da aliança sinaítica, herdeiros das promessas territoriais e nacionais feitas a Abraão, Isaque e Jacó, possuidores dos oráculos divinos (Rm 3.2) e depositários da glória terrena do reino messiânico.

Os Gentios — as nações fora da aliança mosaica, que na era milenária serão incorporadas ao reino de Deus em sua dimensão terrena, subindo periodicamente a Jerusalém para adorar (Zc 14.16).

A Igreja de Deus — o corpo espiritual de Cristo, que começou a ser formado quando o Espírito Santo desceu em Pentecostes para testemunhar do Filho ressuscitado e ascendido. A Igreja não é judia nem gentia, mas um novo corpo (kainós ánthrōpos, Ef 2.15) reunido de ambos.

Para Govett, confundir esses três corpos é o mesmo que misturar vinho novo em odres velhos — precisamente a imagem que o próprio Senhor Jesus usou em Mateus 9.17.


II. O Reino em Dois Andares: O Duplo Aspecto do Reino dos Céus

Um dos aportes mais originais de Govett é a sua doutrina do reino em dois compartimentos: o terreno e o celestial. Essa distinção, ele argumenta, está embutida no próprio vocabulário do Evangelho de Mateus.

Mateus, diferentemente dos outros evangelistas, usa repetidamente a expressão basileia tōn ouranōn — "reino dos céus" — em oposição às "basiléias da terra" (cf. Dn 2.44). Esse contraste não é acidental. O reino de Deus possui uma dimensão terrena e uma celestial, e cada uma corresponde a um dos dois povos de Deus.

2.1 As Duas Descendências de Abraão

Govett encontra o prefiguramento mais claro desse dualismo na tipologia abraâmica. Deus prometeu a Abraão duas sementes: uma "como a areia do mar" (a glória terrena, prometida a Israel pelos profetas do Antigo Testamento, cf. Jr 31) e outra "como as estrelas dos céus" (a glória celestial, oferecida a Israel por Jesus e, diante da rejeição nacional, transferida aos crentes da Igreja, cf. Fp 3.10–15; Hb 4.11).

As duas esposas de Abraão — Agar e Sara — tipificam esses dois povos, como Paulo mesmo o faz em Gálatas 4.21–27. Agar representa o povo da aliança da lei, com sua herança terrena; Sara, o povo da promessa, com sua herança celestial (hē anō Ierousalēm, "a Jerusalém que é do alto", Gl 4.26).

2.2 Moisés e os Dois Templos

Govett acrescenta que essa dualidade foi sinalizada ao próprio Moisés: ele foi chamado ao alto para contemplar o templo celestial e, a partir dele, construir cópias terrenas (Hb 8.4–5; 9.23–24). O tabernáculo no deserto era uma sombra do original celestial. Do mesmo modo, o reino milenário terá seus dois andares: Israel em gloria terrena, debaixo dos céus; a Igreja em glória celestial, acima dos céus — ambos, porém, sob o único senhorio de Cristo.


III. A Estrutura do Evangelho de Mateus: Sete Divisões Reveladas

Para demonstrar como o Evangelho de Mateus distingue metodicamente esses três povos, Govett propõe uma divisão heptamórfica do texto — sete seções ordenadas pelo conteúdo teológico, não pela mera cronologia narrativa:

Seção

Capítulos

Conteúdo Central

I

1–2

Jesus nasce como Rei dos Judeus

II

3–12.45

O reino proclamado; Israel testado e achado faltoso

III

12.46–13

O reino em mistério (profético): o tempo da Igreja

IV

14–16.12

O arauto do reino é morto; sem arrependimento

V

16.13–20.28

O reino em mistério (prático): regras para a Igreja

VI

20.29–25

O Rei apresentado a Jerusalém; a Segunda Vinda

VII

26–28

O Rei rejeitado, morto, ressuscitado

Essa estrutura não é arbitrária. Govett a demonstra com dois tipos de evidência interna: (a) a distribuição do título "Filho do Homem" (huios tou anthrōpou), que aparece sete vezes na seção II (Israel), duas vezes na III (transição), dez vezes na V (Igreja) e sete vezes na VI (retorno a Israel) — uma simetria que só faz sentido se as divisões forem reais; e (b) a distribuição das citações proféticas do Antigo Testamento, que seguem rigorosamente o padrão das sete divisões.


IV. A Igreja no Evangelho de Mateus: Nem Judia Nem Gentia

Govett enfrenta de frente o argumento dos que dizem que Mateus é "um Evangelho judaico" e, portanto, não se aplica à Igreja. Sua resposta é tripla.

Primeiro, a palavra ekklēsia ("Igreja") aparece três vezes em Mateus — e somente em Mateus, entre os quatro Evangelhos (Mt 16.18; 18.17 [duas vezes]). Na primeira ocorrência, o Senhor anuncia sua construção futura; nas duas seguintes, reconhece sua existência e autoridade. A Igreja está, portanto, prefigurada e fundamentada no próprio Evangelho de Mateus.

Segundo, os "discípulos" (mathētai) de Jesus nos Evangelhos formam a mesma categoria que os "discípulos" no livro de Atos — após a descida do Espírito Santo. O Espírito não revogou o que Cristo ensinou antes da ressurreição. Pelo contrário, Jesus mandou que se fizesse discípulos de todas as nações, ensinando-os "a guardar tudo quanto vos ordenei" (Mt 28.19–20). O Sermão do Monte, portanto, é parte integrante das ordenanças de Cristo para a sua Igreja.

Terceiro, a própria tipologia dos odres em Mateus 9.17 é reveladora. Jesus não misturou sua doutrina nova com os ritos antigos de Israel. Ele criou novos odres (batismo, Ceia do Senhor, assembleia dos discípulos) para conter o vinho novo do Evangelho — ao mesmo tempo que os odres velhos (sábado, circuncisão, sinagogas, festas) continuaram funcionando para Israel. Ambos coexistiram durante o período do Atos dos Apóstolos. A vinda da Igreja não absorveu Israel; Deus não abandonou seu povo terreno.


V. A Parábola dos Operários: Israel e a Igreja Contrastados

Nenhuma passagem de Mateus ilustra mais vividamente a distinção entre judeus e a Igreja do que a Parábola dos Trabalhadores da Vinha (Mt 20.1–16). Govett oferece uma interpretação que vai muito além do uso devocional corrente.

O dono da casa é Deus Pai; o mordomo que distribui o pagamento é o Filho. Os operários contratados de manhã — com uma convenção explícita de um denário por dia — representam Israel sob a aliança do Sinai: um povo com promessas explícitas e condicionais, que conhecia os termos do contrato (Êx 19.5–6; Dt 28). Os operários contratados à hora undécima, sem acordo prévio, mas confiando simplesmente na bondade do dono, representam a Igreja: chamada tarde, sem a mediação da Lei, dependendo exclusivamente da graça soberana do Mestre.

O escândalo dos primeiros — "fizeste-os iguais a nós, que suportamos o peso do dia e o calor!" — reproduz a queixa que Israel, em seu ciúme natural, faria diante da elevação da Igreja. A resposta do Mestre é decisiva: "Amigo, não te faço injustiça. Não ajustaste comigo por um denário? Toma o que é teu e vai-te. Quero dar a este último tanto quanto a ti. Não me é lícito fazer o que quero com o que é meu?" (Mt 20.13–15).

O argumento teológico de Govett é lapidar: Deus é plenamente justo com Israel (cumpre cada cláusula da aliança sinaítica), mas não está limitado pela justiça na forma como trata a Igreja. Com a Igreja, ele opera segundo a lógica da bondade — que supera a justiça sem violá-la. Israel é testemunha da justiça de Deus; a Igreja é testemunha da sua misericórdia.

Quanto ao pagamento em si — o denário —, Govett o identifica com a vida eterna, não com a glória milenária. A vida eterna é dada gratuitamente a todo crente; mas a glória do reino milenário é um prêmio (brabeion, Fp 3.14) conquistado pela obediência e pelos sofrimentos padecidos por amor a Cristo.


VI. O Mistério do Reino: A Era da Igreja Segundo as Parábolas de Mateus 13

A seção III da estrutura de Govett — as Parábolas do Reino em Mateus 13 — é de importância decisiva, pois descreve a condição do reino durante a ausência do Rei. Essa é uma situação anômala: um reino cujo rei foi rejeitado e está entronizado no alto, enquanto aguarda o momento do retorno.

Govett observa que Jesus mesmo anunciou que ia revelar "coisas ocultas desde a fundação do mundo" (Mt 13.35). Isso confirma que a era da Igreja — o tempo do mistério — não estava nos horizontes dos profetas do Antigo Testamento. Os profetas viram o reino em sua manifestação gloriosa, não em seu estado de mistério. Como Paulo afirma em Efésios 3.5, o mistério "não foi dado a conhecer aos filhos dos homens nas outras gerações".

Portanto, diz Govett, é um erro de interpretação — o mesmo que Jesus repreende implicitamente ao falar do "escriba instruído no reino dos céus" (Mt 13.52) — confundir as profecias veterotestamentárias sobre o reino manifesto (para Israel) com as revelações neotestamentárias sobre o reino em mistério (para a Igreja). Ambas são verdadeiras; ambas devem ser mantidas; mas são distintas e não intercambiáveis, como figos secos do ano anterior e figos frescos recém-colhidos: cada tipo tem seu lugar e sua função na mesa do Mestre.


VII. Israel no Evangelho: A Figueira e o Seu Futuro

Seria um equívoco concluir que Govett, ao distinguir a Igreja de Israel, estaria descartando Israel do propósito de Deus. Pelo contrário. Sua tese central é que a presença da Igreja não cancela o futuro de Israel. O abandono da nação durante a era presente é temporário e providencial — como o cativeiro babilônico foi temporário, mas não final.

Govett recorre à tipologia da mulher com fluxo de sangue e da filha de Jairo (Mt 9.18–26). A mulher — imunda por doze anos, tentando em vão ser justificada pelas obras — representa Israel buscando justificação pelo caminho errado. Quando ela toca a orla da veste de Jesus e é curada, Israel por fim é justificado pela fé. A menina de doze anos, morta e ressuscitada em segredo diante de apenas sete testemunhas, representa a ressurreição da Igreja. A justaposição é eloquente: "O que será o recebimento de Israel senão vida dentre os mortos?" (Rm 11.15).

O futuro de Israel é terreno: território, cidade, templo, sacerdócio renovado (Ez 44), casamentos e filhos (Jr 33.11; Sl 128.3) — tudo o que os profetas descrevem com riqueza de detalhes para a era milenária. O futuro da Igreja é celestial: ressurreição, corpo glorificado, governo sobre as nações, "a Jerusalém que é do alto" (Gl 4.26; Hb 12.22).


VIII. Implicações Hermenêuticas e Práticas

A distinção entre os três corpos — judeus, gentios e Igreja — não é um mero exercício acadêmico. Ela tem consequências hermenêuticas e práticas de primeira ordem:

1. O Sermão do Monte é para a Igreja. Govett defende vigorosamente que o Sermão do Monte (Mt 5–7) não é um código de ética judaica, nem é exclusivamente para um futuro remanescente judeu da Grande Tribulação. É a carta magna da vida do discípulo de Cristo — a regra do Filho do Pai celestial, dada a filhos de Deus que buscam o reino. As Bem-aventuranças são um contraste deliberado com as bênçãos mosaicas (Dt 28): onde a Lei prometia prosperidade terrena, o Evangelho promete recompensa celestial; onde a Lei exigia direitos, o Evangelho exige graça; onde a Lei prometia honra diante dos homens, o Evangelho prevê rejeição.

2. O reino de Deus não é apenas espiritual. Os que descartam o reino de Deus como algo "judaico" ou "apenas terreno" incorrem no erro oposto: perdem a dimensão concreta, geopolítica e histórica do governo de Cristo sobre a terra. O reino tem dois andares — e ambos são reais.

3. A distinção entre Israel e a Igreja preserva a integridade dos dois. Quando a Igreja se apropria de todas as promessas de Israel, ela perde seu caráter celestial e específico. Quando Israel é descartado em favor da Igreja, a fidelidade de Deus às suas alianças incondicionais (Gn 15) é posta em xeque.

4. Os julgamentos e prêmios do reino são graduados. Nem todos os israelitas entrarão no reino milenário em glória — apenas aqueles que, em fé, aceitaram o Messias. Nem todos os cristãos entrarão na glória celestial do reino — apenas os que, em obediência, caminharam na via estreita que Cristo prescreveu. O prêmio (brabeion) é distinto da salvação (sōtēria).


Conclusão: A Riqueza da Distinção

Robert Govett escreveu num momento em que a teologia britânica estava sendo sacudida pelo fermento liberal e pelo revivalismo moralista. Sua contribuição foi ir na direção oposta: aprofundar a distinção bíblica entre os propósitos de Deus, em vez de nivelá-los. Ao fazê-lo, ele forneceu instrumentos interpretativos que tornam o Evangelho de Mateus mais claro, não menos — um Evangelho que fala à Igreja sobre seu Mestre e Senhor, sem eliminar o futuro de Israel nem o destino dos povos das nações.

A distinção entre judeus, gentios e Igreja não é um esquema importado sobre o texto bíblico. Ela é, como Govett demonstrou com paciência e erudição, o tecido do próprio texto — visível nas sete divisões de Mateus, na distribuição do título "Filho do Homem", nas parábolas do capítulo 13, na tipologia dos odres e das sementes de Abraão, e na Parábola dos Operários. Quem aprende a enxergar esses três corpos passa a ler a Bíblia com outros olhos — os olhos do escriba instruído no reino dos céus, que "tira do seu tesouro coisas novas e velhas" (Mt 13.52).


Referências Bibliográficas

Fonte Primária:

  • GOVETT, Robert. The Jews, the Gentiles, and the Church of God in the Gospel of Matthew. Londres: James Nisbet & Co., 1869. Reimpresso por Schoettle Publishing Co., Miami Springs, FL, 1989. Disponível em: Internet Archive.

Obras Relacionadas de Govett:

  • GOVETT, Robert. Govett on Romans. Miami Springs: Schoettle Publishing, 1981.
  • GOVETT, Robert. Entrance Into the Kingdom. Miami Springs: Schoettle Publishing, 1978.
  • GOVETT, Robert. The Apocalypse Expounded by Scripture. Miami Springs: Schoettle Publishing, 1981.

Teologia Bíblica e Distinção de Dispensações:

  • DARBY, John Nelson. The Collected Writings of J. N. Darby. 34 vols. Kingston-on-Thames: Stow Hill Bible and Tract Depot, 1971.
  • PEMBER, G. H. The Great Prophecies of the Centuries Concerning Israel and the Gentiles. Londres: Hodder & Stoughton, 1895.
  • PANTON, D. M. The Judgment Seat of Christ. Miami Springs: Schoettle Publishing, 1984.
  • LANG, G. H. The Parabolic Teaching of Scripture. Grand Rapids: Eerdmans, 1956.
  • SCOFIELD, C. I. Rightly Dividing the Word of Truth. Philadelphia: Philadelphia School of the Bible, 1908.

Hermenêutica e Escatologia:

  • WALVOORD, John F. The Millennial Kingdom. Grand Rapids: Zondervan, 1959.
  • PENTECOST, J. Dwight. Things to Come: A Study in Biblical Eschatology. Grand Rapids: Zondervan, 1958.
  • FRUCHTENBAUM, Arnold G. Israelology: The Missing Link in Systematic Theology. Tustin, CA: Ariel Ministries, 1992.
  • RYRIE, Charles C. Dispensationalism. Rev. ed. Chicago: Moody Press, 1995.

Comentários ao Evangelho de Mateus:

  • TOUSSAINT, Stanley D. Behold the King: A Study of Matthew. Portland: Multnomah Press, 1980.
  • BLOMBERG, Craig L. Matthew. New American Commentary, vol. 22. Nashville: Broadman Press, 1992.
  • CARSON, D. A. "Matthew." In: GAEBELEIN, Frank E. (ed.). The Expositor's Bible Commentary, vol. 8. Grand Rapids: Zondervan, 1984.

Artigo baseado nas ideias centrais de Robert Govett, conforme desenvolvidas em sua obra de 1869 sobre o Evangelho de Mateus. A obra encontra-se em domínio público e está disponível gratuitamente no Internet Archive.

 

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