O CAMINHO DO CRESCIMENTO ESPIRITUAL
C. J. Jacinto
Através da regeneração, vivenciamos
a vida espiritual, transcendendo nossa condição natural para nos tornarmos espirituais. Essa experiência deve ser
constante, pois a regeneração nos proporciona justificação, santificação e
consagração. É imperativo nutrir e fortalecer essa transformação interior,
permitindo que ela cresça e se manifeste com intensidade. A vida espiritual, em
sua plenitude, vai além do mero conhecimento intelectual; ela envolve força,
vigor, amor, progresso, alegria, satisfação e felicidade, abrangendo também
nossas vontades e desejos. Jesus veio para oferecer vida em abundância, a vida
eterna, uma existência superior que podemos desfrutar a partir do momento em
que o aceitamos como nosso Salvador. Essa vida espiritual, a verdadeira vida
que Cristo oferece, é a única que perdura na eternidade, impactando não apenas
nossa própria vida, mas também a vida daqueles que nos cercam. Essa vida
espiritual resplandece, guiando-nos a viver em conformidade com a vontade de
Deus. Contudo, é fundamental compreender que a vida espiritual exige ação e
consciência. Ela necessita de cultivo, pois o desenvolvimento espiritual
depende de determinadas condições para prosperar. O crescimento em graça e em
conhecimento são elementos desse progresso. Similarmente ao cuidado do corpo
físico, a vida espiritual também demanda atenção. É preciso utilizar os meios
necessários para atender aos requisitos que impulsionam o progresso espiritual.
Essa prática não deve ser esporádica, mas constante, tornando-se um hábito
diário. Os principais instrumentos ou métodos para esse fim serão abordados.
Adotando uma analogia com o corpo, percebemos que para a manutenção e o avanço
da vida espiritual, são necessários uma nutrição adequada e uma boa respiração.
Precisamos de exercício espiritual, como ensinou Paulo: "Exercita-te na
piedade". Devemos estar atentos a isso, pois ao falar sobre boa alimentação,
três aspectos principais merecem consideração. A palavra de Deus,
essencialmente, é o alimento primordial, pois edifica a estrutura para que
estejamos espiritualmente saudáveis. A palavra de Deus é, portanto, o alimento
da alma.
A oração é de suma importância para a
vida espiritual. Alguém já afirmou que a oração é como a respiração da alma. De
fato, a oração constitui o elemento vital para o desenvolvimento espiritual.
Por isso, a prática da oração e a busca pela comunhão com Deus devem ser
constantes em nossa vida, e não esporádicas. Diariamente, em todo lugar,
devemos não apenas dedicar tempo à oração em particular, mas também manter
nossa mente e coração voltados para uma vida de oração contínua. Deus conhece
nossos pensamentos; portanto, podemos nos comunicar com Ele por meio deles.
Meditar em Cristo, refletir sobre Deus, dialogar com Ele em pensamento, torna a
oração uma atividade interna e constante, consolidando uma comunhão duradoura.
Além do estudo, dedicamo-nos à meditação na
Palavra de Deus. Não apenas o estudo, mas também a meditação, como evidenciado
em passagens como o Salmo 119 e o Salmo 1. Nestes trechos, lemos que o homem
espiritual medita na lei do Senhor dia e noite. Essa prática envolve guardar,
ponderar e internalizar a Palavra de Deus em nossos corações, refletindo sobre
os mandamentos, as declarações, as promessas e os ensinamentos de nosso Senhor
e Salvador Jesus Cristo. Meditar na Palavra de Deus é, portanto, ouvir
constantemente a voz do Espírito Santo, o que é de suma importância para a vida
espiritual. A meditação e a nutrição com as verdades espirituais são o alimento
de nossa alma, e, ao nutrirmos nossa fé com elas, tornamo-nos mais espirituais.
Quanto mais nos dedicamos à Palavra de Deus e à meditação, maior será nossa
nutrição espiritual, o que nos proporcionará vigor. Essa nutrição sólida, como
afirma o autor aos Hebreus, nos permite experimentar crescimento espiritual e
força para enfrentar os desafios diários. Em Hebreus 5:13-14, lemos que aquele
que se alimenta de leite ainda é inexperiente na palavra da justiça, sendo como
uma criança. O alimento sólido, porém, é para os maduros, que, pela prática,
têm os sentidos exercitados para discernir o bem e o mal.
O discernimento espiritual, portanto, é uma
capacidade concedida àqueles que se nutrem do alimento sólido. Estes são
aperfeiçoados pela obra consumada e perfeita de Cristo na cruz, e sua perfeição
não reside na ausência de erros ou falhas, mas na vivência em completa
dependência da misericórdia e graça de Deus. Graças ao hábito de consumir
alimento sólido, seus sentidos são exercitados para distinguir o bem do mal.
Assim, apenas o homem maduro, aquele que alcançou um certo grau de maturidade,
graça e conhecimento, possui a capacidade de discernir espiritualmente. Esta é
a característica de um homem espiritual.
Desejo ainda ressaltar que a igreja é um
corpo do qual o cristão é membro. Portanto, apresento outro princípio
espiritual a ser considerado: a importância da comunhão com os irmãos na fé,
aqueles que foram regenerados. Devemos cultivar essa comunhão, participando
ativamente de um grupo de pessoas com as quais compartilhamos laços fraternais,
quer estejam próximas ou distantes. A manutenção dessa comunhão nos integra ao
corpo de Cristo, impedindo o isolamento. Este é um princípio vital, pois, assim
como um membro físico recebe nutrição de outras partes do corpo, na vida
espiritual, ao mantermos comunhão com pessoas santas, aprendemos com sua
santidade. Ao convivermos com pessoas eruditas e piedosas, adquirimos
conhecimento e sabedoria. A conexão com o corpo de Cristo nos possibilita
conhecer e receber os benefícios provenientes de outras partes. Este princípio
espiritual jamais deve ser negligenciado. Não existe um cristão que, como
membro amputado, esteja desconectado do corpo de Cristo. Todos nós necessitamos
de um grupo de pessoas com quem possamos manter uma comunhão constante, a fim
de receber os benefícios espirituais que Cristo concede através delas. Este
princípio também não pode ser negligenciado.

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