C. J. Jacinto
Em sua notável obra "O Mundo Espiritual", Clarence Larkin argumenta que as Escrituras abundam em referências ao sobrenatural. A compreensão dos ensinamentos bíblicos sobre o mundo espiritual apresenta-se como um antídoto ao materialismo predominante na sociedade contemporânea. Atualmente, o mundo espiritual coexiste com o mundo natural, estando ambos interligados. O véu que separa a dimensão física, ou seja, os céus, é povoado por seres espirituais.
Francis Schaeffer, em sua obra magnífica obra "Verdadeira Espiritualidade", observa que ao empregar o termo "sobrenatural", é crucial cautela. Na perspectiva bíblica, o sobrenatural não é menos comum no universo do que aquilo que convencionalmente entendemos como natural. A razão para qualificá-lo como "sobrenatural" reside no fato de que, em geral, ele se encontra além de nossa percepção sensorial. Do ponto de vista da cosmovisão judaico-cristã, a realidade assemelha-se a uma laranja dividida em duas metades: uma parte acessível à visão e outra, normalmente, invisível.
Até recentemente, dediquei-me à pesquisa de fenômenos paranormais, com foco especial na ufologia. Nesse contexto, deparei-me com diversos pesquisadores renomados que se dedicaram ao estudo aprofundado dessa temática, incluindo a Dra. Carla Turner e o psicólogo norte-americano John Mack. Constata-se que esses estudiosos conduziram investigações rigorosas e se empenharam em compreender as manifestações do sobrenatural relacionadas a extraterrestres e abduções. Mais tarde também encontrei outros pesquisadores que abordaram com seriedade a existência de um mundo espiritual, entre eles C. D. Broad entre outros. Considera-se prudente, sob uma perspectiva ponderada, reconhecer a autenticidade desse fenômeno, embasada em relatos consistentes e pesquisas sérias. A presente análise visa, portanto, elucidar essa questão de maneira clara e objetiva. Usando como base, o que a bíblia ensina de forma muito clara: a existência de um mundo sobrenatural e espiritual, um céu literal habitação divina com seus anjos, arcanjos, querubins e o Deus Triúno, bem como um paraíso habitação dos salvos na atuação dispensação bem como uma atmosfera (Ou talvez além dela) infestado de principados, potestades, hostes espirituais da maldades sob o comando de Satanás.
A crença em Deus, inerentemente, conduz à crença no sobrenatural e no mundo espiritual. A afirmação de Jesus, conforme o Evangelho de João, capítulo 4, de que "Deus é Espírito",(Veja João 4:24) fundamenta essa afirmação. Consequentemente, a existência de Deus implica a existência de um mundo espiritual. Dessa forma, todo teísta professa a crença em uma realidade espiritual, decorrente da fé em um Deus soberano, misericordioso, onipotente, onisciente e onipresente que reside nesse âmbito bem como a crença em seres angelicais. O mundo físico, como relatado nos primeiros capítulos de Gênesis, é concebido como criação desse Deus que habita o mundo espiritual, sendo, portanto, um produto da realidade espiritual.
O mundo espiritual, como disse Clarence Clark, é um testemunho de toda a Bíblia. A interação entre o mundo espiritual e o mundo físico pode ser analisada sob diversas perspectivas. Este artigo não visa ser exaustivo, pois a realidade da existência de um mundo espiritual, conforme descrito na Bíblia Sagrada, não requer uma profusão de provas ou citações. Apresentarei, portanto, alguns exemplos que demonstram a confirmação bíblica da existência de um mundo que transcende o físico, com realidades próprias. Este mundo, embora distinto, possui uma existência que se manifesta de forma diferente da experiência terrena. A Bíblia, portanto, aponta e confirma a existência desse mundo espiritual.
Apresentarei, a seguir, alguns exemplos. Desejo demonstrar, por meio de evidências presentes tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a realidade do mundo espiritual. No livro de Números, capítulo 16, a partir do versículo 30, podemos observar que Datã Coré e Abirão foram tragados vivos pelo abismo da terra, sendo lançados nas profundezas de um mundo interior. O contexto sugere que eles foram levados ao mundo dos mortos, pois a terra os engoliu. Assim, fica evidente que o Antigo Testamento já apresenta a existência de um mundo espiritual, um lugar para onde os mortos daquela dispensação são destinados.
No primeiro livro de Samuel, capítulo 28,
observa-se que Saul buscou auxílio da médium de En-Dor. Esta médium invocou o
espírito de Samuel. A natureza precisa da entidade sobrenatural que se
manifestou não é o foco desta análise. A médium descreveu a presença de
múltiplas figuras espirituais que ela identificou como “deuses”, indicando uma
manifestação do mundo espiritual. Assim, através da prática do ocultismo e do
espiritismo pela médium de En-Dor, espíritos se manifestaram, e um deles se identificou
como sendo o espírito de Samuel.
Ademais, no livro de Êxodo, capítulo 3, versículos 1 a 7, Moisés, no deserto,
testemunhou a manifestação de um anjo no meio de uma sarça ardente. A
intensidade luminosa era semelhante a um fogo, porém a sarça, aparentemente
seca, não se consumia, revelando uma experiência sobrenatural. No livro de
Gênesis, capítulo 28, versículo 12, encontra-se a narrativa da escada de Jacó,
que ligava o céu à terra, com anjos ascendendo e descendendo. Esta escada
simboliza uma conexão, uma ponte, entre o mundo material e o mundo espiritual.
Ao analisar Gênesis, capítulo 32, versículos 1 e 2, e posteriormente, os versículos 22 a 32, notamos uma dimensão simbólica que sugere a existência de um plano espiritual interconectado ao mundo terreno. A narrativa descreve uma luta entre Jacó e um ser angélico no vau de Jaboque. Essa interação entre um ser humano e uma entidade celestial evidencia a possibilidade de comunicação e influência entre os domínios espirituais e físicos.
Adicionalmente, no capítulo 28 de Gênesis, a visão da escada de Jacó apresenta um símbolo poderoso dessa conexão. A escada, que se estende da Terra ao céu, e pelas quais anjos ascendem e descendem, ilustra a ligação entre os planos terreno e celestial. Essa experiência proporcionou a Jacó uma percepção da realidade espiritual que permeia e influencia o mundo material. A narrativa sugere que, por trás da aparente solidez do mundo físico, existe uma dimensão espiritual ativa e presente.
Adicionalmente, outros exemplos podem ser mencionados, tais como a manifestação da glória do Senhor no Tabernáculo, o Espírito Divino que pairava sobre as águas primordiais, e a demonstração da glória, do poder e da presença de Deus no Monte Sinai. Tais eventos constituem evidências notáveis da existência do mundo espiritual.
A presença angélica foi proeminente durante o nascimento e a ressurreição de
Jesus, e novamente manifestou-se por ocasião de sua ascensão, conforme
registrado em Atos, capítulo 1. Observamos também a participação angélica no
evento da transfiguração, quando Moisés e Elias apareceram no Monte da
Transfiguração, conforme descrito em Mateus, capítulo 17, versículos 1 a 9.
Adicionalmente, a Epístola aos Hebreus, capítulo 1, versículos 13 e 14,
menciona os anjos como servidores daqueles que herdarão a salvação.
A existência do mundo espiritual decaído é inegável. A Epístola de Judas, capítulo 1, versículo 9, relata a disputa entre o arcanjo Miguel e Satanás sobre o corpo de Moisés. Em 1 Pedro, capítulo 5, versículo 8, o apóstolo adverte sobre a atuação de Satanás sobre o mundo, comparando-o a um leão que ruge em busca de presa. Pedro também, em sua primeira epístola, capítulo 3, versículos 18 a 20, menciona espíritos rebeldes aprisionados. Na sua segunda epístola, capítulo 2, versículo 4, Pedro alude a anjos que foram destituídos de sua habitação. Paulo, em 1 Timóteo, capítulo 4, versículo 1, menciona espíritos enganadores. O próprio Jesus Cristo, em Mateus, capítulo 12, versículos 24 a 30, reconhece a existência de um reino de Satanás. Paulo, em 2 Coríntios, capítulo 4, versículo 4, identifica Satanás como o deus deste século. Em Efésios, capítulo 2, versículo 2, Paulo o descreve como o príncipe da potestade do ar. Em Efesios capitulo 6 versículos 10 a 18 o apóstolo ainda aborda a realidade dessa batalha espiritual, note neste texto que Le cita a realidade física (carne e sangue) e então descreve acerca da batalha espiritual que cada verdadeiro cristão está envolvido.
Conclusão. A partir da análise bíblica, evidencia-se a doutrina da existência de um mundo espiritual. A Bíblia apresenta esta realidade de forma inequívoca, revelando que esse mundo espiritual é habitado por diversas entidades, incluindo anjos, a divindade, querubins e serafins, além das almas dos falecidos que alcançaram a salvação. Paralelamente, a Escritura também demonstra a presença de seres decaídos de natureza maligna, assim como a condição espiritual daqueles que não obtiveram a salvação. (Veja Lucas 16:19 a 32).
Os indivíduos, ou grupos de indivíduos, que restringem sua crença ao mundo material, conhecidos como materialistas, são essencialmente seres humanos em estado natural, desprovidos da compreensão das questões espirituais.(Veja I Corintios 2:14) Consequentemente, não conseguem distinguir entre as dimensões material e espiritual, apegando-se unicamente à primeira. Possuem sabedoria mundana, instintiva e, por vezes, influenciada por forças negativas, tornando-se incapazes de apreender a realidade espiritual (Veja Tiago 3:15).
Paralelamente, existem aqueles que professam a crença no mundo espiritual, porém de forma deturpada. Sem discernimento e sem a iluminação do Evangelho em seus corações, não conseguem reconhecer a natureza maléfica de certas entidades, como aquelas que se apresentam sob a aparência de bondade. (Aliens, mestres guias, almas desencarnadas, duendes, divindades, mestres ascensionados etc.) Devido à ausência dessa capacidade de discernimento, freqüentemente ignoram a verdadeira identidade dos espíritos, tornando-se suscetíveis ao engano por parte dessas entidades, cuja habilidade, algumas delas possuem um elevado grau de sofisticação em manipular a própria identidade e ate mesmo manipular circunstancias para enganar com requintes de sofisticação, como transfigurações angelicais (II Coríntios 11:14) e com anúncios de fatos que corroboram a identidade seguido de palavras que confirmam isso, que o leitor abra a bíblia e leia Atos 16:16 a 18 e note a declaração do espírito adivinhador: “Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus altíssimo”. Note o teor das declarações, elas parecem tão verdadeiras quanto a crença confessional de um demônio acerca do monoteísmo (Tiago 2:19) Mas trata-se de engano sofisticado que vai persuadir até mesmo homens naturais cujo intelecto pode ser refinado e avançado.

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