O CONCILIO E A CEGUEIRA ESPIRITUAL


 

O CONCILIO E A CEGUEIRA ESPIRITUAL

 


C. J. Jacinto

 

 

 

O Concílio Vaticano II (1962-1965) foi um divisor de águas no catolicismo romano. Primeiro, desmascara a ideia de que a Igreja Romana é una, pois instigou os sedevacantistas a rejeitar o papado desde aquele Concílio. Os sedevacantistas, por sua vez, revelam que o magistério não é infalível nem confiável, pois rejeitam várias decisões daquele Concílio. Por se tratarem de decisões vindas de um magistério extraordinário, os ensinamentos, via de regra, são considerados infalíveis.

Entre as decisões do Vaticano II (que podem ser observadas nos catecismos da Igreja Católica atualizados) estão as declarações de 1964 com relação às igrejas protestantes. O Concílio, em função do magistério extraordinário, declarou: "Segue-se que as igrejas separadas, embora acreditemos que elas sofram de defeitos, de forma alguma foram privadas de significado e importância no mistério da salvação." (Essa declaração vem do documento Unitatis Redintegratio do Concílio).

O que vimos, portanto, é uma declaração de que as igrejas "oriundas da Reforma" (mencionadas no Capítulo III como "comunhões, nacionais ou confessionais"), os membros batizados nessas comunidades são aceitos como "irmãos" e "cristãos", incorporados a Cristo pelo batismo, com direito ao nome de cristãos, e suas ações litúrgicas são vistas como capazes de gerar graça e acesso à salvação.(1)

Vou adicionar nuance sobre os aspectos declarativos aqui apresentados, com forte ênfase sobre a autoridade dos Concílios realizados por um magistério extraordinário (e não ordinário), cuja autoridade é indiscutível de acordo com o próprio catolicismo. Esses ensinamentos infalíveis e irreformáveis obrigam todos os fiéis católicos à adesão.

Diante desses fatos, simplesmente assumo que não preciso de ecumenismo, nem mesmo defendo esse movimento que promove o sincretismo e serve de alicerce para uma Nova Ordem Mundial. Aliás, católicos que fazem críticas e atacam igrejas evangélicas deveriam simplesmente acatar as decisões do magistério que tanto reverenciam. Pois, se não conseguem se submeter obrigatoriamente às declarações magisteriais de sua própria religião, não possuem qualquer moral para criticar a religião dos outros, uma vez que já falharam em obedecer a quem lhes prestam defesa cegamente.

 

(1)  Veja o documento que declara isso em: https://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decree_19641121_unitatis-redintegratio_en.html

 

0 comentários:

Postar um comentário