O Homem Interior e a Vida Espiritual

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 O Homem Interior e a Vida Espiritual

C. J. Jacinto

 


 

 

 

Uma das passagens que mais aprecio meditar acerca da firmeza espiritual e da perseverança reside no capítulo 4 de 2 Coríntios. No versículo 16, lemos: "Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia."

 Nesse trecho do Novo Testamento, de autoria paulina e inspiração divina, o apóstolo Paulo faz menção do "homem exterior", que se deteriora, e do "homem interior", que se renova constantemente. Qual, então, a essência desse "homem interior"?

 Neste breve estudo bíblico, meu propósito é apresentar uma compreensão, solidamente embasada nas próprias Escrituras, a respeito da natureza desse homem interior, o qual deve ser renovado dia após dia. Almejo que este estudo possa ser de profunda edificação e bênção para todos os seus leitores.
 Para elucidar a natureza do homem interior, apresentarei duas passagens significativas. Em primeiro lugar, nos deteremos em João, capítulo 3, versículo 3. Nessa passagem, o Senhor Jesus, nosso Salvador, faz a célebre declaração de que "é necessário nascer de novo, pois quem não nascer de novo não pode ver o reino de Deus".

 Subsequentemente, o mesmo apóstolo João, em sua Primeira Epístola Universal, capítulo 3, versículo 9, assevera que "aquele que é nascido de Deus não comete pecado".

 Esta é a característica primordial do homem regenerado, o princípio da regeneração, no qual o Espírito Santo opera a formação de uma nova criatura em nosso interior. Isso se alinha com o que também se observa em 2 Coríntios, capítulo 5, versículo 17, que afirma: "Se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas antigas já passaram, tudo se fez novo."


 Desejo, ademais, sublinhar o contraste delineado nas Escrituras Sagradas, as quais abordam a natureza do "velho homem". Essa figura é apresentada como um antagonista de essência oposta, intrinsecamente adâmica. Tal conceito é explicitado em diversas passagens: em Romanos, capítulo 6, versículo 6, Paulo descreve o "velho homem que foi crucificado com Cristo"; em Efésios, capítulo 4, versículo 22, é mencionada a corrupção do "velho homem pelas concupiscências do engano"; e em Colossenses, capítulo 3, versículo 9, exorta-se ao despojamento do "velho homem e seus feitos".

 Percebe-se, assim, nas Sagradas Escrituras, a existência de um homem regenerado e a imperativa necessidade de despojar, despir e crucificar o "velho homem", em contrapartida ao dever de nutrir o novo homem.

 Analisando o conceito do homem interior à luz das escrituras, conclui-se que ele representa o novo ser, gerado pelo Espírito Santo mediante a regeneração. A posse do homem interior é, portanto, exclusiva de indivíduos regenerados. Prosseguimos agora para outra passagem, em 1 Coríntios, capítulo 2, versículos 14, 15 e 16, onde Paulo discorre sobre o homem natural e o homem espiritual. O homem natural não apreende as coisas do Espírito de Deus, pois lhe parecem loucura; não pode compreendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Já o homem espiritual julga todas as coisas, mas por ninguém é julgado. Pois quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Nós, porém, temos a mente de Cristo.

 Observamos, mais uma vez, a distinção entre o homem natural e o homem espiritual, evidenciando um contraste marcante. O homem natural representa o homem terreno, o homem adâmico, o "velho homem" mencionado em passagens anteriores. O homem espiritual, por sua vez, possui a mente de Cristo, é aquele que nasceu de novo, é espiritual e discerne todas as coisas, essa sendo sua principal característica. Esse homem interior é o homem regenerado. Somente aqueles que nasceram de novo, que realmente creram no Evangelho, que nasceram do alto, podem ser corretamente designados como espirituais, como o novo homem, o homem interior. Sua natureza é celestial, totalmente santa; sua origem é divina, embora não seja divino em si, mas provém de Deus. É uma nova criação, uma criação feita por Deus. Esse processo, na Sagrada Escritura, é denominado doutrina da regeneração: a transformação pela graça de Deus daquele que não nasceu da vontade da carne, nem da vontade dos homens, mas da vontade de Deus, como o próprio Senhor Jesus Cristo afirma no livro de João, capítulo 3, onde trata da doutrina do novo nascimento.

Compreendendo o propósito de nossos estudos, propomos analisar uma passagem da Primeira Epístola de Pedro, capítulo 2, versículo 1. Nesse trecho, o apóstolo Pedro distingue as características do homem natural daquelas do homem renovado. No versículo 1, Pedro menciona aspectos do homem anterior à transformação, como fingimento, engano, invejas, murmurações e malícia. Em seguida, ele descreve a condição do homem nascido de novo, que demonstra um desejo ardente, semelhante ao de crianças recém-nascidas, pelo leite espiritual, o qual é racional e isento de falsificações, a fim de crescerem.

 Portanto, a partir das palavras de Pedro, percebemos que o novo nascimento inicia um processo de desenvolvimento espiritual, comparável ao crescimento natural. Ao nascermos de novo, nos assemelhamos a crianças, e a maturidade é alcançada por meio da busca pelo leite espiritual não adulterado. Desejo ressaltar a importância do termo "desejar". A natureza de cada ser é influenciada pelo alimento que o sustenta.

 Em outro momento, o apóstolo Pedro faz alusão à natureza dos animais: a porca que retorna ao lamaçal e o cão que volta ao seu vômito.(II Pedro 2:22) O desejo fundamental do homem regenerado é, então, o leite espiritual não falsificado. Esse alimento espiritual, que o impulsiona em direção ao crescimento, o conduzirá, gradualmente, a desejar o alimento sólido.

 

 Consideremos, inicialmente, a passagem de Hebreus, capítulo 5, versículos 13 e 14. Neles, o autor afirma que aquele que ainda se alimenta de leite não está familiarizado com a palavra da justiça, pois é como uma criança. Observamos, portanto, a distinção que o autor aos Hebreus estabelece entre o estágio inicial após o novo nascimento e o posterior, quando o indivíduo busca o alimento sólido. Este último, conforme o versículo 14, é destinado aos maduros, aqueles que, pela prática constante, desenvolveram a capacidade de discernir entre o bem e o mal. Se você realmente nasceu de novo, esse deve ser seu objetivo, alcançar um nível de maturidade para se nutrir de alimento sólido.

 Assim, o homem espiritual, aquele que nasceu de novo, passa por um processo de crescimento, do leite ao alimento sólido, com um objetivo claro: o discernimento. Paulo, em sua primeira carta aos Coríntios, já havia abordado este tema, conforme mencionado anteriormente. O autor de Hebreus, por sua vez, ressalta que o homem espiritual, o nascido de novo, anseia pelo alimento sólido, pois nele encontra a perfeição, que é em Cristo. "Os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal". Isso significa a experiência de conhecimento espiritual avançado e visão espiritual que lhe permite ver as realidades espirituais da vida cristã e do próprio Senhor Jesus Cristo

 O discernimento espiritual, a percepção aguçada e a maturidade são, portanto, características distintivas do homem que nasceu de novo, que deixou a imaturidade para buscar o alimento sólido.  

 Esta é a principal característica do homem que vive segundo o Espírito, do homem interior, santificado e nascido do alto: um desejo intenso pelo alimento espiritual genuíno. Ele anseia pela Palavra de Deus, busca vivenciar e experimentar uma vida cristã profunda e deseja adorar e servir a Deus.

 Acima de tudo, o cristão genuíno, aquele que nasceu de novo e cujo homem interior se renova diariamente, apresenta uma característica marcante: uma visão de redenção e vida cristã centrada em Cristo, participando das insondáveis riquezas de Cristo, da vida ressurreta e da vida celestial de Cristo.

 O homem terreno, oriundo da fragilidade, contrasta com o homem interior, o qual possui natureza celestial, assemelhando-se a Jesus Cristo. Essa nova natureza, radicalmente distinta da natureza do velho homem, emerge através da regeneração, iniciando um processo de renovação e crescimento espiritual contínuo, que se estende por toda a jornada cristã.

 Tal transformação culminará na glorificação, quando o homem regenerado alcançará a semelhança do corpo ressurreto de Cristo. A nova natureza impulsiona este processo, gerando um novo homem que se fortalece gradualmente, como a luz da aurora que, conforme Provérbios 4:18, brilha intensamente até alcançar o dia perfeito.
 Essa perfeição final é a promessa aos que nasceram de novo, e a renovação diária do homem interior é essencial. Este é um processo inerente à vida daqueles destinados à glorificação, uma lei intrínseca à regeneração, ao crescimento espiritual e à maturidade, que culmina na plenitude da presença de Deus.
 Atualmente, meu foco reside na relevância do crescimento espiritual e em seus mecanismos. Desejo expressar, de maneira inequívoca, minha convicção pessoal de que o indivíduo que verdadeiramente experimentou o renascimento espiritual nutre apreço por valores como a santidade, a consagração, comunhão intima em unidade com o Cristo vivo e ressurreto e com a Palavra de Deus. Estes elementos constituem seu sustento espiritual, promovendo o crescimento e proporcionando o conhecimento essencial para a realização da glorificação, a vida nos novos céus e na nova terra, que é a consumação da redenção.

 Assim, é fundamental compreender que o crescimento espiritual envolve um processo, conforme delineado nas Escrituras. Inicialmente, alimentamo-nos com o "leite racional não falsificado", até atingir um estágio de maturidade que exige uma mudança na dieta, passando ao alimento sólido. Este alimento sólido, em essência, é caracterizado pelas doutrinas e ensinamentos bíblicos, por vezes referidos no Novo Testamento como sã doutrina.

 Como Cristo afirmou na tentação, "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus".
(Mateus 4:4 e Lucas 4:4) A Bíblia Sagrada, desde Gênesis até Apocalipse, inspirada e inerrante, serve como nosso alimento espiritual, fortalecendo-nos, proporcionando discernimento e visão, e nutrindo nosso interior. Portanto, a renovação diária do homem interior é alcançada através da ingestão do alimento sólido.

 Observamos que Pedro expressa um sentimento, um anseio que prevalece sobre uma paixão intensa. Deseja-se ardentemente. Não se trata apenas de um desejo, mas de um anelo profundo. O cristão nutre um desejo fervoroso. Um anseio intenso por estudar as Escrituras, por compreendê-las. Uma profunda vontade de ouvir sermões fundamentados na Bíblia. Um anseio intenso por ouvir pregadores notáveis e homens de grande erudição e santidade. Apreciam as conversas espirituais e buscam avidamente livros. Livros de homens que cultivaram uma espiritualidade elevada e nobre. Homens que, por meio de uma vida consagrada, receberam a revelação dos tesouros celestiais contidos nas Sagradas Escrituras. Sim, homens que se dedicaram à Palavra de Deus, somente à Palavra de Deus. E nos níveis mais profundos encontraram as pérolas mais preciosas, as pedras preciosas espirituais de grande valor e magnitude, e apresentam esse tesouro em seus escritos. Cada vez que um desses livros é descoberto e lido, há satisfação, há saciedade, porque também há uma fome. Crentes e irmãos que se caracterizam por essa fome e sede, por buscar esse alimento que nutre o seu ser interior, que necessita ser renovado diariamente. Nesses escritos, encontram um verdadeiro manancial do qual podem se alimentar com uma abundância celestial de grande intensidade. Há um grande prazer em desfrutar dessas leituras, tanto em nível devocional quanto prático, para aplicá-las em sua própria vida. Assim, esses homens santos e piedosos, cujo interior é renovado dia após dia, enquanto o velho homem é crucificado constantemente, encontram seu deleite na Palavra de Deus, não apenas em suas origens, mas também na Palavra de Deus exposta e explicada por homens santos e piedosos que, por sua vez, também experimentaram a transformação que provém do novo nascimento. O Espírito Santo os guia para que aqueles que têm a oportunidade de ler e estudar a Bíblia Sagrada revelem os mais profundos tesouros contidos na Palavra de Deus, deixando um legado para sua posteridade.

 Nos livros de Levítico, capítulo 11, e Deuteronômio, capítulo 14, versículos 3 a 21, encontramos, no Antigo Testamento, preceitos relativos aos alimentos puros e impuros. Essas regras, presentes na Lei, possuíam um significado profundo e espiritual, delineando o que era apropriado e impróprio para o povo de Deus. Essa distinção aponta para a antiga aliança, da qual, na nova, nos alimentamos de alimento espiritual. alimento solido e leite espiritual não falsificado.


Pedro, por exemplo, menciona o "leite racional não falsificado". Jesus fala sobre o "pão", que representa a palavra de Deus. O autor da epistola aos Hebreus, por sua vez, refere-se ao "alimento sólido". Assim, esses são os tipos de alimento que nutrem o cristão da nova aliança, o homem renascido. Essa é a base de nossa alimentação espiritual, essencial para evitar a contaminação.

 Em 1 Coríntios, capítulo 5, versículos 6 e 7, Paulo aborda a questão da fermentação, empregando-a como uma metáfora para a corrupção. O apóstolo adverte sobre a natureza contagiosa da impureza, que pode afetar tanto o indivíduo quanto a comunidade, enfatizando a importância de se afastar de influências negativas.
 Como também observamos anteriormente, em Atos 17:11, Paulo, em Bereia, pregou aos judeus. Estes, ao ouvirem a mensagem, aceitaram o evangelho. Após aceitarem, examinaram diligentemente as Escrituras e os ensinamentos recebidos, a fim de verificar se a mensagem de Paulo acerca de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo estava em conformidade com o que nelas estava escrito. Desta forma, procuraram confirmar a autenticidade e a pureza da mensagem espiritual recebida. Por essa atitude, foram considerados nobres. Semelhantemente, todo aquele que renasce pelo Espírito, que experimenta a regeneração, manifesta uma característica comum: a nobreza interior.

 Recordando o relato em 2 Reis, capítulo 4, versículos 38 a 41, onde Eliseu preparou um guisado com plantas silvestres, algumas das quais desconhecia serem venenosas. Os homens que o acompanhavam, ao provarem o caldo, perceberam a presença do veneno e gritaram. Diante disso, o profeta Eliseu interveio, adicionando farinha para neutralizar o efeito tóxico.

 Da mesma forma, a pessoa espiritual, nutrida diariamente pela Palavra de Deus, desfruta das bênçãos do alimento sólido. Este conhecimento é profundamente enraizado em seu coração, que representa o centro do seu ser. Ao ouvir e perceber a falsidade do evangelho, a disseminação de heresias e a deturpação das Escrituras, percebe o veneno na pregação. Reconhece a ausência do bom alimento e o rejeita, sentindo a amargura e o perigo.
 Quanto mais o homem interior é renovado pela Palavra de Deus, mais apurado se torna seu discernimento e mais refinado seu paladar espiritual, permitindo-lhe identificar qualquer desvio da Palavra e toda forma de heresia. Sua alimentação espiritual é rigorosa e criteriosa, reconhecendo o bom alimento. Ele não se assemelha ao porco que se deleita na lama ou ao cão que retorna ao seu vômito, mas demonstra o caráter e a natureza da ovelha, daquele é  nascido de novo. Seu alimento é santificado, puro e genuinamente bíblico, tornando-se parte integrante de sua natureza.

 A importância da nutrição espiritual é evidenciada em passagens como 2 Timóteo, capítulo 2, versículos 16 a 18, onde o apóstolo Paulo adverte contra falsos mestres. Ali, lemos: "Evite os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade. A palavra desses homens alastrar-se-á como gangrena; entre eles estão Himeneu e Fileto, que se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição já aconteceu, e assim perturbam a fé de alguns." Paulo, portanto, destaca Himeneu e Fileto como propagadores de falsas doutrinas, ensinando que a ressurreição já havia ocorrido, deturpando a fé dos crentes. Pregadores ruins oferecem alimento espiritual ruim, da mesma forma, escritores ruins entregam leite falsificado.

 De maneira semelhante, em 1 Coríntios, capítulo 15, versículo 33, Paulo adverte que "as más companhias corrompem os bons costumes". Nesse contexto, o apóstolo aborda a questão daqueles que negavam a ressurreição, propagando ideias contrárias à doutrina cristã. Mais uma vez, falsos pregadores, disseminando heresias de perdição tentando seduzir indiferentes e cegos espirituais para o caminho do erro.

 Assim, percebemos que mensagens e ensinamentos que distorcem a Palavra de Deus, sejam em âmbito pessoal ou em livros que propagam falsas doutrinas e heresias, devem ser evitados. Tais ensinamentos, frequentemente originados em indivíduos que carecem da iluminação do Espírito Santo e do discernimento espiritual, ou em situações piores são usados por agentes demoníacos (I Timoteo 4:1) causam confusão e desviam os fiéis da verdade. A exposição a essas influências prejudica o crescimento espiritual e a renovação interior, processos essenciais para aqueles que abraçaram a fé cristã e experimentaram a regeneração.



Voltemos a vida interior do filho de Deus, no seu íntimo, ele encontra alegria e satisfação, nutrindo uma profunda afeição espiritual. Ele busca e anseia por alimento espiritual genuíno, encontrando prazer e plenitude nisso. Insatisfeito com ensinamentos superficiais, ele anela por profundidade. Deseja o alimento sólido e substancial, pois é isso que o nutre, o deleita e o sacia. A presença dessas características indica o desenvolvimento de uma maturidade espiritual progressiva. O indivíduo se torna cada vez mais espiritual, guiado por essa busca e deleite.

 Aprofundar o conhecimento bíblico, compreender os mandamentos divinos e discernir a vontade do Senhor trazem-lhe alegria. Naturalmente, busca uma união mais profunda com o Senhor, que se manifesta na comunhão com Ele e na intimidade espiritual.
 Tudo isso faz parte do homem interior, que cresce continuamente à medida que a natureza antiga se enfraquece e se corrompe gradualmente, seguindo seu curso natural. Os instintos malignos e as paixões devem desaparecer para que o homem interior se fortaleça e se manifeste. Somente através dessa transformação o cristão pode experimentar uma vida cristã profunda e significativa.

No livro de Amós, capítulo 8, versículo 11, encontramos uma profecia que adverte sobre um tempo de fome sobre a terra. Essa fome, porém, não será por alimentos terrenos, mas sim por ouvir a Palavra do Senhor. Contudo, em Provérbios, capítulo 10, versículo 3, reside uma promessa consoladora: os justos não padecerão fome.

 Essa é uma promessa sublime, de que Deus proverá abundantemente àqueles que, regenerados em espírito, O buscam, desejam crescer em graça e conhecimento, e anseiam pelo desenvolvimento constante do seu ser interior. Essa renovação, que se manifesta a cada dia, conduz-nos a um propósito maior: a santidade e a semelhança com Cristo.

 A epístola aos Efésios, no capítulo 4, versículos 11 a 13, nos oferece uma visão clara desse processo. Paulo descreve a diversidade de dons concedidos por Deus – apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres – com o propósito de aperfeiçoar os santos, equipando-os para a obra do ministério e edificando o corpo de Cristo. Essa obra visa a unidade da fé, o conhecimento do Filho de Deus e a estatura da plenitude de Cristo.



As palavras de Paulo são claras e inspiradoras. O Senhor tem dado homens idôneos, que unem erudição e piedade, possuidores de revelação das verdades espirituais contidas na Palavra de Deus, capazes de apresentar as realidades espirituais nela contidas. Essa revelação, esse alimento espiritual, é dado para o aperfeiçoamento contínuo dos santos.

 O aperfeiçoamento, que ocorre dia após dia, é um processo maravilhoso, que nos conduz à plenitude, à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, à estatura completa de Cristo.  

 Assim, o homem espiritual, regenerado, experimenta uma renovação constante em seu interior, centrada no objetivo de se tornar mais semelhante a Cristo. Essa renovação culminará na glorificação do nosso corpo e em nossa transformação completa, que ocorrerá no dia da volta do Senhor. Como Paulo declara, “nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados”. Que Deus nos guie na compreensão dessas profundas verdades.

 

 Outra passagem interessante encotramos em João 6, pois nesse texto Jesus fala acerca do Maná que o povo da antiga aliança comeu no deserto, Cristo se compara ao maná superior, pois Ele é o pão vivo que desceu do céu.

  Jesus afirmou: "Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este, referindo-se a si mesmo, é o pão que desceu do céu, para que todo aquele que dele comer não morra."

 Quão magnífica declaração de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! Ele mesmo declarou: "Porque a minha carne verdadeiramente é comida e o meu sangue verdadeiramente é bebida." Aqueles que se nutrem de Jesus fortalecem-se. É como se essa alimentação espiritual nos unisse a Ele, compartilhando a essência de Seu ser glorificado, da qual também participaremos.
 Quão grandiosas são as promessas que nos aguardam! Adentramos nas palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, quando Ele diz: "Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo." Este pão vivifica o redimido, este pão vivifica todo aquele que nele crê.



Tens te alimentado deste pão? O homem interior se fortalece e cresce com a Palavra, o alimento da Palavra encarnada. Recorda-te disso, pois é imperativo e essencial para nossa vida. Precisamos compreender que a Palavra encarnada é o pão e é a nossa alimentação espiritual. Oh! quão maravilhoso quando um sermão nos leva a Cristo e quando revela mais de Cristo, quão maravilhoso quando Cristo é a nossa sificiencia.

 Assim, encontramos nas Sagradas Escrituras, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, tudo apontando para Cristo. Isso se manifesta claramente em passagens como Efésios, capítulo 1, versículo 10. Tudo aponta para Cristo e consumará em Cristo. A nossa  pregação deve apontar para Cristo e levar outros a ter uma comunhão e conhecimento de Cristo. O livro que lemos deve apontar para Cristo. O artigo que lemos deve apresentar Cristo, deve oferecer Cristo como alimento. A Palavra pregada deve transformar Cristo em pão, para que possamos ser nutridos, crescer e ser renovados diariamente, saciados pela Palavra de Deus, por Cristo pregado e anunciado, que se transforma em pão através da anunciação, da pregação e da exposição da Palavra de Deus, para que possamos experimentar a nutrição diária com esse pão espiritual, que é o Senhor Jesus.

 Inspirados pelo ensinamento de Provérbios 20:27, onde o espírito do homem é comparado à lâmpada do Senhor, compreendemos que a obra divina se manifesta no interior do ser, no âmago da alma, onde ocorre o renascimento espiritual. Em Romanos 8:16, Paulo também declara que o Espírito Santo testemunha em nosso espírito que somos filhos de Deus, ou seja é o Espirito Santo quem testifica ao nosso homem interior acerca das realidades do Evangelho. Consequentemente, o homem regenerado possui a base para receber vida, discernir as realidades espirituais e perceber o invisível. Por isso, ele é capaz de compreender as Escrituras, lendo-as e apreendendo as verdades espirituais nelas contidas.
 Para o homem espiritual, a Palavra de Deus, desde Gênesis até Apocalipse, é essencial como o pão. Ele se alimenta desse nutriente espiritual, fortalecendo-se ao ler e meditar nas Escrituras, pois elas são o seu alimento espiritual.

 Em Romanos 7:22, Paulo também se refere a esse homem interior, que se deleita na lei de Deus. Essa é a característica fundamental: o homem espiritual anseia por ouvir sermões espirituais, ler obras espirituais e dialogar sobre temas espirituais. Ele busca artigos que alimentem sua fé e se satisfaz com o alimento sólido da Palavra. Ele não se interessa por assuntos superficiais, vãos ou desprovidos de valor espiritual. Ele não se alegra com a distorção da Palavra, mas sim com sua proclamação fiel.
 Essa é a marca distintiva do homem interior, deseja ser conciso, até repetitivo, aquele que foi regenerado tem sinais de vida. Um dos sinais evidentes de sua regeneração é o amor incondicional, profundo e prazeroso pela Palavra de Deus. Ele deseja ouvir a Palavra pregada, receber os ensinamentos divinos, e buscar o conhecimento da sã doutrina, dos mandamentos e das Escrituras. Ele nutre uma fome constante por elas.

 Finalmente, podemos concluir sobre o tema do homem interior, o homem regenerado. Em Efésios, capítulo 3, a partir do versículo 16 até o versículo 17, Paulo escreve: "para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, por meio do seu Espírito, no homem interior, e que Cristo habite no coração de vocês, pela fé, estando arraigados e alicerçados em amor." Observamos que o homem interior tem um objetivo claro: o Espírito Santo opera através da nutrição espiritual, o alimento espiritual que recebe através da Palavra e de Cristo, conduzindo a uma plenitude e a um resultado maravilhoso. Qual é esse resultado? O versículo 17 de Efésios, capítulo 3, declara: "para que Cristo habite no coração de vocês, pela fé, estando arraigados e alicerçados em amor." Que enraizamento profundo! Isso nos remete a João, capítulo 15, onde Jesus se descreve como a videira verdadeira e seus seguidores como os ramos. Aqueles que permanecem ligados a Ele darão frutos. Assim, a pessoa regenerada, cujo homem interior é renovado diariamente, alimentado pela Palavra de Deus, nutrido pelo pão do céu, também frutificará. O homem interior alcança a maturidade, a estatura completa de Cristo, atingindo um nível espiritual de profundidade que o capacita a produzir e a oferecer alimento espiritual aos outros e aos redimidos. Essa é a história dos santos em todos os tempos: ao abrir um livro com um sermão de um homem regenerado, encontramos alimento, pois ele recebeu e ofereceu alimento celestial. Esse é o princípio da vida espiritual, a vida da ressurreição de Cristo em nós: aquele que recebe essa vida de ressurreição, esse poder espiritual, esse alimento espiritual, e é nutrido por ele, também alimenta os outros, partilhando das coisas espirituais. É assim que funcionam as coisas de Deus, a nível espiritual. Que o amado leitor possa ser um daqueles que não apenas recebe alimento espiritual, mas também o oferece aos outros. Assim, vemos que o homem regenerado, aquele que tem seu interior renovado dia após dia, desfruta de todas essas bênçãos. Embora o tema não esteja esgotado, peço que Deus abençoe a cada um de vocês, que leem e ouvem sobre este tema tão precioso, e que sejam ricamente abençoados por meio destas palavras.

 

 

A Igreja A Política A Guerra Espiritual

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A Igreja

A Política

A Guerra Espiritual

 


 

 

 

No livro de Efésios, capítulo 6, dos versículos 10 ao 12, Paulo nos instrui e admoesta com as seguintes palavras: "Finalmente, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais."
 Outra passagem que demanda uma análise pormenorizada é a que se encontra em 2 Timóteo, capítulo 2, versículos 4 e 5, na qual Paulo igualmente instrui: "Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida a fim de agradar aquele que o alistou para a guerra. E, se alguém também milita, não é coroado senão militar legitimamente."

 Atualmente, estamos envolvidos em um conflito de alcance global e natureza estratégica, no qual potências anticristãs demonstram uma acentuada ascendência sobre o cenário mundial. Essa situação configura um perigo extremo para a Igreja do Senhor, visto que representa um assalto direto e incessante de forças demoníacas contra a Igreja de Cristo.

 Ainda assim, mesmo diante da percepção de que as sombras se projetam como um horizonte ameaçador contra a Igreja, a maioria das manifestações e abordagens equivocadas insistem em um combate que ignora a verdadeira natureza do inimigo, pressupondo que este seja meramente carne e sangue, ou que não se consiga discernir a dimensão real do confronto.  

 Identificam os adversários como figuras políticas ou líderes que promovem e defendem ideologias anticristãs, falhando em enxergar além dessa superficialidade. Devemos não atentar apenas para os fantoches, mas para o palco de onde se articula as projeções políticas e religiosas mundiais, só os que possuem um verdadeiro discernimento bíblico podem enxergar essas realidades invisíveis ao mundo secular. (II Corintios 4:4)

 Contudo, o apóstolo Paulo adverte que nossa luta não se trava contra a carne e o sangue. O cristão bíblico necessita de discernimento para perceber as manobras orquestradas por agentes humanos, os quais não são senão fantoches manipulados por uma força espiritual muito superior. O objetivo comum dessa força é atacar a Igreja do Senhor e os valores judaicos cristãos. De fato, a Igreja de Cristo tem sido alvo de ataques ao longo de toda a história e isso se acentuará nos últimos dias. Por outro lado, em regiões e países onde o cristianismo é inóspito, como os islâmicos, a perseguição é implacável, resultando na morte diária de muitos cristãos por causa de sua fé. Enfrentamos uma luta diária, em maior ou menor grau, dependendo do contexto cultural, político e religioso, a igreja padece mais ou menos perseguição, e chegará o tempo em que o cristianismo bíblico será intolerável em qualquer lugar.


  Observamos o surgimento de um cenário político, que se manifesta no horizonte, com uma projeção que consideramos ameaçadora para aqueles que valorizam e defendem os princípios judaico-cristãos tradicionais, as verdades e virtudes fundamentais que sustentaram a civilização ocidental. Essas bases estão sendo erodidas, e a Igreja, em certa medida, testemunha a deterioração dessas estruturas. Contudo, parece não compreender a amplitude do conflito, reduzindo-o a uma questão que pode ser resolvida por meio do processo eleitoral e da confiança em figuras políticas, geralmente associadas à direita. Essa postura, de envolvimento político na expectativa de alcançar a vitória nesse embate espiritual, afigura-se um equívoco com potenciais consequências severas para a Igreja.
 Com efeito, a solução para os desafios que enfrentamos não reside unicamente na esfera política. A crença de que a vitória será alcançada através da eleição de representantes, embora importante, não é suficiente para resolver as complexidades da situação atual. A Igreja, em seu propósito equivocado, não triunfará apenas sobre a oposição, pois a questão é mais profunda do que aparenta. É imperativo que transcendamos a dimensão política e a polarização que divide as nações e o mundo. Devemos compreender que a batalha que travamos é, em essência, espiritual. A influência de fatores como eleições e a atuação de políticos, independentemente de suas inclinações ideológicas, não são a solução integral. A corrupção, infelizmente, permeia diferentes espectros políticos, minando a confiança na liderança humana. Jamais devemos ser indiferentes quanto a isso, a política segue a ordem do pragmatismo e do maquiavelismo, e isso é generalizado.


 A Bíblia nos adverte sobre a confiança excessiva nos homens. (Jeremias 17:5) A política, por si só, não resolverá os problemas do mundo, uma vez que o sistema político, em muitos casos, é afetado pela corrupção, mesmo nos sistemas que afirmam defender alguns valores judaico-cristãos e se identificam como conservadores.

 Ao analisar mais a fundo, percebemos que muitos daqueles que se apresentam como defensores desses valores não refletem um cristianismo bíblico autêntico. Portanto, não podem ser considerados verdadeiros combatentes na defesa do Evangelho.  

 Somente um cristão nascido de novo, guiado pelo Espírito, estará verdadeiramente preparado para participar dessa batalha espiritual e alcançar a vitória.

  A maioria, senão a totalidade, dos evangélicos que se dedicam à política com o objetivo de proteger a igreja ou promover valores cristãos, e que se autodenominam conservadores, aderem, na realidade, à doutrina do dominionismo. Essa teologia postula que os governos e todos os setores da sociedade devem ser subjugados pela igreja para que esta exerça controle sobre o mundo. Observo uma semelhança com o sistema do Sacro Império Romano-Germânico, que, durante a Idade Média, detinha influência e domínio sobre a maioria dos reis europeus, com a liderança eclesiástica exercendo um poder político considerável. A ideia subjacente seria a de estabelecer um reino de Deus na Terra, conquistando o mundo para Cristo, ou seja, implantar o Reino de Deus neste plano terreno um reino político/religioso forjado pelas mãos dos homens ecumênicos, uma tragédia!

 Durante a Era das Navegações e Descobertas, historiadores reconhecem que a motivação central dos reinos de Portugal e Espanha residia na conquista de novos territórios, acompanhada pela missão de converter populações consideradas não cristãs ao catolicismo. A expansão do reino de Deus, o domínio sobre povos e terras, e o estabelecimento de controle governamental sobre as áreas recém-descobertas e conquistadas eram elementos cruciais. A história demonstra claramente que a expansão de um império religioso foi o principal fator impulsionador dessas explorações.

 Novamente, observa-se a emergência da tendência de buscar a hegemonia mundial, visando o governo e o controle da igreja sobre todos os aspectos da sociedade. Essa ambição, que almeja estabelecer um reino messiânico e uma nova era, se manifesta através do esforço humano direto, em detrimento da atuação espiritual. A visão reducionista que prevalece, sugere que o envolvimento profundo da igreja na política e com figuras políticas seria o caminho para essa conquista. Essa abordagem representa um perigo e um equívoco.


Essa tendência demonstra que se emprega o poder humano para combater o poder humano, intensificando a polarização já presente no mundo ocidental. Embora se reconheça a responsabilidade do cristão na escolha de seus representantes políticos, é crucial compreender que essa é apenas uma parte limitada da questão. É preciso atentar para o que ocorre nos bastidores políticos e para as estratégias de alguns políticos que, com frequência, utilizam argumentos religiosos para disfarçar seus interesses pessoais.

 É imperativo discernir esses aspectos. Nossa luta não é contra seres humanos. Caso a luta se concentre em indivíduos, ela se desvia do caminho correto. Portanto, se a atuação não estiver em conformidade com os princípios bíblicos, ela não reflete o ideal cristão. Revela, em vez disso, a ausência de discernimento espiritual.
 As passagens de João capitulo 15 versículo 18, e 1 João capítulo 3, versículo 13, indicam que o mundo nutre aversão por nós. Portanto, podemos concluir que existe um inimigo comum, o mundo, que se opõe a Jesus Cristo e à sua igreja. Essa é a declaração de Jesus sobre a atitude do mundo em relação aos seguidores do Senhor. A bíblia diz que não devemos amar o mundo e nem o que nele há, sua política e seus sistemas de governo estão inclusos, mas há um movimento cristão político/religioso que quer ganhar o mundo que o Espirito Santo manda não amar (I João 2:15)

 Quais são os elementos que fundamentam, em essência, os sistemas mundanos? Podemos obter insights a partir da leitura de 2 Timóteo, capítulo 2, versículo 4, onde Paulo aborda a temática da guerra espiritual: "Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar aquele que o alistou para a guerra." Adicionalmente, em 1 Timóteo, capítulo 6, versículo 10, Paulo adverte: "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males." Os sistemas políticos deste mundo frequentemente se dedicam aos afazeres da vida secular. A política, em sua essência, busca formar indivíduos afeiçoados aos bens materiais amantes de prazeres, do poder, da fama e do dinheiro. Diante disso, a Igreja deve manter-se vigilante, a fim de obter discernimento para lutar o bom combate da fé.

 Retomando o tema em questão, consideremos o que as Escrituras revelam, sob a inspiração do Espírito Santo, sobre este assunto. Em 2 Coríntios, capítulo 10, versículos 3 a 5, lemos: "Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Pois as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas. Destruímos raciocínios (sofismas) e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento à obediência a Cristo."

 Com efeito, Paulo é bastante explícito, não apenas em Efésios, capítulo 6, mas também nesta passagem, conforme mencionado anteriormente. Inegavelmente, travamos uma luta, uma batalha acirrada. Essa batalha se intensifica agora, mais do que em qualquer outro período da história. Assim como a igreja nasceu em meio a uma intensa batalha espiritual, os últimos dias também serão marcados por esse tipo de conflito. Trata-se de uma batalha espiritual de grande intensidade na qual não há posição neutra. Ou lutamos com diligência, com a postura correta, discernindo e compreendendo as coisas de forma adequada e aplicando os princípios bíblicos relevantes. Caso contrário, não estamos engajados na luta de forma legítima.
 Considerando que Paulo afirma que nossa luta não é contra seres humanos, e que as armas de nossa batalha não são terrenas, é imperativo discernir o foco adequado e a verdadeira natureza da luta espiritual. Devemos, portanto, alinhar nossa conduta aos princípios bíblicos para enfrentar o conflito espiritual com as ferramentas corretas e em uma postura apropriada. Este é um princípio fundamental que não pode ser negligenciado. Contudo, observa-se que, em certa medida, a igreja contemporânea tem se envolvido em conflitos de maneira inadequada, depositando esperança e confiança em figuras e líderes políticos. Essa prática representa um desvio significativo dos ensinamentos bíblicos sobre a guerra espiritual. Se reduzirmos nossa postura a uma militância reducionista, envolvendo apenas a área política, não estamos militando legitimamente, estamos laborando em erro.


 Os sistemas políticos globais atuais tendem ao pragmatismo, com poucas exceções. A maioria dos políticos demonstra essa característica. Adicionalmente, a política, em conjunto com as estruturas de poder, frequentemente se revela injusta em diversas esferas. Portanto, é crucial que evitemos nos envolver em conflitos de maneira equivocada sendo cúmplices diretos desses problemas que se caracterizam os governantes atuais no mundo. Dificilmente encontraremos um político que represente integralmente os valores judaico-cristãos e os princípios bíblicos. Muitos são motivados por interesses próprios, outros buscam o domínio, e a pragmática é uma constante, o oposto é extremamente raro.

 Diante disso, não se sugere que os cristãos devam se abster de escolher líderes políticos sérios, íntegros e com boa reputação. Tal possibilidade existe. No entanto, essa não deve ser a principal estratégia para nossa batalha espiritual. A confiança não deve ser depositada em homens. A essência da luta espiritual, da qual participamos nestes tempos finais, não é definida ou vencida pela eleição de figuras políticas de preferência ou pela participação em processos eleitorais embora isso possa ter alguma importância, ela não é em hipótese alguma a regra apresentada pelas Escrituras.

 A igreja contemporânea, em grande parte, concentra-se quase exclusivamente nesse aspecto, acreditando que a eleição de seus representantes, frequentemente pragmáticos, solucionará os problemas e as ameaças do espírito anticristão que emerge de ideologias extremistas e anticristãs, eles crêem que isso conferirá vitória sobre a guerra espiritual e garante a vitória da igreja que está ameaçada neste mundo. Essa é uma ilusão. A história demonstra que o envolvimento excessivo da igreja com a política pode resultar em consequências trágicas a longo prazo.

A razão para isso reside no fato de que, lamentavelmente, a maioria daqueles que se autodenominam cristãos contemporâneos carecem de discernimento e não compreendem que nossa luta não é contra seres humanos, ou seja contra a carne e o sangue. As armas que empregamos não são terrenas, mas sim espirituais e poderosas em Deus e não nos governantes que simpatizamos e em casos mais extremos estão sendo venerados. Consequentemente, Paulo se refere a sofismas, ideias equivocadas e doutrinas anticristãs que, com frequência, estão intrinsecamente ligadas a movimentos religiosos e políticos. Essas fortalezas de pensamento são destruídas por meio de métodos distintos daqueles frequentemente apresentados pela igreja moderna como o modelo de batalha espiritual. Essa abordagem não bíblica é, portanto, equivocada.

 Como ponto de partida, propomos uma abordagem fundamentada na Palavra de Deus. Acreditamos que a Bíblia Sagrada deva ser considerada a autoridade final sobre este tema. Somente ao nos dispormos a examinar o que as Escrituras revelam, estaremos aptos a enfrentar as questões em pauta de maneira adequada. Caso contrário, corremos o risco de não alcançar o resultado desejado.

 Começaremos pelo livro de Ester, onde se narra a história da rainha Ester. No contexto dessa narrativa, um homem chamado Hamã, oficial de grande importância no reinado de Assuero, monarca da Pérsia, conspirou para destruir os judeus. Por influência de Hamã, Assuero emitiu um decreto que condenava todos os judeus à morte. Diante dessa ameaça, a rainha Ester intervém, buscando salvar seu povo. Ela colocou em risco a própria vida para tentar salvar o povo de Deus.

O livro descreve uma batalha espiritual. Hamã é retratado como agindo sob influência demoníaca, seu ódio se evidenciou quando seu orgulho foi ferido por Mordecai, por trás desse ódio pode ser visto uma clara influência demoníaca, evidenciando a crença de que o ódio aos judeus, creio que o anti-semitismo, tem raízes espirituais. Desde o início, essa foi a dinâmica do diabo.

 Quais armas a rainha Ester utilizaria para iniciar esse confronto? Ela convocou seu povo para um período de jejum de três dias. Essas foram às armas espirituais que a rainha Ester empregou para entrar e vencer essa batalha. Um acesso ao Trono da graça, além das interverencias e manipulações políticas dos homens como Assuero e Hamã estava um Deus Supremo, Todo-Poderoso Majestoso e Soberano no Trono celestial e Ester tinha conhecimento disso! Era a Ele que deveriam os judeus recorrerem.

Analisamos também a trajetória de Daniel. Arrancado de sua terra natal durante o reinado de Nabucodonosor, foi conduzido à Babilônia, onde se tornou um cativo. É importante considerar que a Babilônia era um centro de ocultismo. Nas escrituras, o pensamento babilônico está intrinsecamente ligado à idolatria, a qual Paulo associa a demônios. Portanto, o contexto espiritual em que Daniel se encontrava era marcado por uma intensa batalha espiritual. O segredo para vencer essa batalha era oração e consagração.

 O que observamos em Daniel? Primeiramente, ele evitou a contaminação espiritual. Rejeitou a comida oferecida pelo rei, que incluía carnes sacrificadas a ídolos, optando por uma dieta vegetariana para não se contaminar com aquelas iguarias associadas a ritos idólatras.

Além disso, identificamos em Daniel uma característica peculiar e própria de um homem piedoso e com visão espiritual: a oração constante. Ele orava pela manhã, ao meio-dia e à noite, demonstrando uma vida dedicada à oração. Foram essas as armas que Daniel utilizou para enfrentar o ambiente espiritual adverso e vencer a batalha, mantendo sua fé inabalável diante da desconstrução espiritual que o cercava em seu cativeiro.

A vitória de Daniel foi alcançada por meio da oração e da recusa em se contaminar com as iguarias associadas à idolatria, praticando um jejum de abstenção das coisas que poderiam lhe trazer contaminação espiritual. Essas foram as armas de Daniel, a base de sua batalha. Esse mundo invisível atuando e influenciando o sistema político no contexto cultural de Daniel pode ser visto com a leitura de Daniel 10:13: “Mas o príncipe do reino da Persia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da pérsia”. Havia um conflito espiritual que estava além dos conflitos sociais que envolviam todo aquele contexto cultural em que Daniel estava envolvido, pense nessa possibilidade hoje em dia!

 Consideremos a vida de Jesus Cristo. Ele nasceu, viveu e foi até a cruz em um contexto político de opressão. Observamos que Jesus não se envolveu em atividades de campanha política ou propaganda. Sua atuação visava a libertação espiritual e a proclamação do Reino de Deus. Ele sabia fazer a distinção e usava uma linha que demarcava os fatos: “Meu reino não é deste mundo” (João 18:36)

 Jesus dedicava-se à oração constante e profunda. Ele buscava momentos de recolhimento, frequentemente passando noites em oração. Essa prática espiritual era fundamental em seu ministério. Durante o dia, pregava o Reino, curava e ensinava; à noite, orava, jejuava e intercedia. Ele mantinha comunhão com o Pai.
 Ao analisar os evangelhos, percebemos a posição de Cristo diante do conflito espiritual. Em seu ministério, Jesus confrontou forças espirituais malignas, manifestas por meio de possessões demoníacas. Para combater esse poder invisível e os enganos, Jesus utilizava a Palavra de Deus. A oração e a intercessão eram suas armas, com as quais passava longas horas, clamando a Deus incessantemente. Essa era a essência da vida de Jesus era assim que ele enfrentava o sistema político e religioso vigente na sua epoca.

 Atualmente, qual é a postura da igreja em geral e de sua liderança em relação a esta questão? Observa-se uma crescente participação política, por vezes caracterizada como ativismo, que parece priorizar a atuação política em detrimento de outros aspectos. Há relatos de que o púlpito tem sido utilizado para propagar ideologias políticas específicas, o que tem gerado controvérsias. Essa crescente participação política levanta a questão de sua compatibilidade com os ensinamentos bíblicos, uma vez que as Escrituras não ordenam explicitamente a participação em militância política.

 Em contrapartida, a Bíblia instrui os fiéis a utilizar as armas espirituais, conforme descrito por Paulo, e a se posicionar contra tendências contrárias aos princípios cristãos. Essa postura, alinhada com a missão de ser "sal e luz" no mundo, implica em manter-se firme nos valores cristãos e em usar as ferramentas espirituais adequadas para a batalha da fé, dentro de um contexto espiritual e bíblico, sem ceder às influências da modernidade e do mundo secular e acima de tudo, sem se envolver com o ecumenismo que abre caminho para o universalismo, que por sua vez será uma força que oporá aos cristãos que sejam fieis aos preceitos bíblicos.

 Da mesma forma, não somos convocados a participar de manifestações e organizar comícios, agindo como cabos eleitorais de políticos com certas orientações e influências cristãs aparentes, que, de alguma forma, parecem atender aos anseios da igreja. Sem dúvida, creio que, em certa medida, devemos apoiar políticos que demonstrem coerência, integridade e que não sejam movidos por pragmatismo ou maquiavelismo, mas que genuinamente busquem promover os valores do Reino de Deus por meio da política. Nesse caso, podemos, a título pessoal, defender e até mesmo votar nesses indivíduos. Cumprir com responsabilidade nossa cidadania, mas não ultrapassar os limites, não somos chamados a militância política, somos chamados a militância do evangelho.



Contudo, considero que essa situação é extremamente rara nos dias atuais. É difícil encontrar lideranças políticas que não sejam pragmáticas. Quero enfatizar o pragmatismo, pois essa corrente, com origem demoníaca, contaminou não apenas a política moderna, mas também, de maneira geral, a liderança a cristandade. É por isso que observamos essa união entre as tendências religiosa e política, em busca de um objetivo comum. Porque parecem que elas se encaixam em suas posturas e pontos de vista.


Contudo, essa postura não encontra respaldo nas Escrituras. Apesar de ser legítimo que um cristão exerça seu direito ao voto, escolhendo um candidato de sua preferência, sua atuação deve se limitar a isso. A esfera de atuação do cristão e sua batalha espiritual são distintas, conforme explicarei a seguir.

 Compreendemos que a Igreja do Senhor e os cristãos redimidos necessitam de uma compreensão que vá além da realidade física, percebendo a influência do mundo espiritual invisível, que permeia os múltiplos sistemas existentes. Essa visão deve transcender a compreensão meramente terrena, considerando a ação desse mundo espiritual.

 Essa perspectiva é ilustrada na Primeira Epístola de Timóteo, capítulo 4, versículo 1, onde Paulo adverte: "Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios".

 Reconhecemos que esses ensinos de demônios e espíritos enganadores se manifestarão por meio de falsos profetas e doutores. Paulo, ao analisar a questão, identifica a origem e a influência subjacentes, que utilizam a palavra desses indivíduos para disseminar doutrinas demoníacas, as quais serão acolhidas por pessoas suscetíveis a esses enganos, atuando no âmbito religioso para desviá-las da verdade.

 Essa dinâmica se assemelha à atuação no mundo físico, influenciada pelas potestades e pelas forças espirituais deste século. A própria Escritura, ao referir-se a Satanás como o "deus deste século", evidencia que este utiliza seus agentes para promover ideologias contrárias aos princípios cristãos.

Qual é a função da Igreja? E qual a responsabilidade do cristão? A atuação deve espelhar a dos profetas Daniel e Ester, que, como nós, precisavam empregar as armas espirituais. A Igreja do Senhor deve manter-se em oração e vigilância constantes, com os cristãos unidos, orando, dedicando noites à oração, à vigília, à súplica e à intercessão. As armas que utilizamos não são materiais, mas espirituais e poderosas em Deus. Em vez de depositar nossa confiança nos governos terrenos, devemos confiar plenamente no Senhor. Visto que essa batalha é espiritual, somente a venceremos nesse âmbito. Portanto, a ação mais eficaz provém do cristão que se dedica à oração, ao jejum e à intercessão, buscando a presença de Deus em humildade, pedindo misericórdia e autoridade para que os poderes espirituais da maldade sejam subjugados. Isso só é possível com uma Igreja desperta, que ora, e com cristãos que praticam os ensinamentos bíblicos. Como mencionado anteriormente neste estudo, não se trata de uma guerra física, mas espiritual. Devemos lutar com nossas armas espirituais. No entanto, a Igreja do Senhor, nestes últimos dias, tem se dedicado à oração e ao jejum? Pelo contrário, ela se encontra freqüentemente envolvida com o materialismo, festas dançantes, entretenimento, musica egocêntrica, palestras motivacionais e o pior, escândalos, luxúria e idolatria e veneração cega a lideres carismáticos.

 Portanto, devemos buscar a compreensão das verdades espirituais para evitar a advertência proferida por Pedro em sua primeira epístola, capítulo 2, versículo 8: "Tropeçam, porque são desobedientes à palavra". De maneira semelhante, em Hebreus, capítulo 11, versículo 27, observamos a firmeza do herói da fé, como se visse o invisível. A visão espiritual determinará nossa postura diante da realidade da guerra cultural e espiritual que se manifesta globalmente e avança rapidamente, representando desafios para a igreja no futuro, caso não haja um despertar espiritual.

Contudo, nossa luta não é contra seres humanos. Os verdadeiros inimigos operam em um plano espiritual, manipulando eventos e influenciando as ações humanas. A igreja, os cristãos, possuem acesso a esses inimigos espirituais e dispõem de armas espirituais poderosas em Deus. Por isso, a oração, o jejum, o clamor e a vigilância são essenciais, mantendo-nos na presença de Deus em constante oração.

 Acima de tudo, a igreja não deve centralizar sua atenção nos acontecimentos políticos e governamentais. Nossa prioridade deve ser clamar "Maranata, Maranata", aguardando o retorno do Rei dos Reis, o Senhor dos Senhores. Ele é o líder justo e incorruptível que um dia governará com justiça sobre todo o universo, governando com equidade, justiça e perfeição. Nosso verdadeiro Rei e Senhor está assentado à direita de Deus nas alturas, e a Ele devemos recorrer, nEle devemos depositar nossa confiança e fé.

 Concluindo esta análise, desejo reiterar e relembrar os mesmos textos que serviram de ponto de partida, mencionados inicialmente, em especial a passagem de Efésios, capítulo 6. Destaco a existência de uma arma espiritual, a espada do Espírito. Ao observarmos o relato de Mateus, capítulo 4, versículos 1 a 8, sobre a experiência de Jesus Cristo, percebemos um conflito, uma batalha com uma entidade espiritual. Essa experiência foi real e factual, ocorrida em um tempo e espaço definidos. Jesus enfrentou Satanás, que lhe ofereceu os reinos deste mundo.

 Sob outra perspectiva, o relato de Lucas, capítulo 4, versículos 1 a 11, descreve a mesma oferta de reinos a Jesus, pois, por um período histórico determinado na economia divina, esses reinos estavam sob o domínio de Satanás. Contudo, conforme Apocalipse, capítulo 11, versículo 15, esses reinos pertencerão um dia a nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Assim, as Escrituras demonstram claramente a capacidade de uma entidade espiritual e pessoal de influenciar as pessoas, oferecendo poder, glória, riqueza e os tesouros deste mundo.

Essa dinâmica se manifesta também no sistema político, que frequentemente atrai seus seguidores com promessas similares. Todos nós, com discernimento e consciência, compreendemos que a política muitas vezes oferece glória, poder terreno, fama e riquezas. Diante disso, é perceptível a ilusão e o engano que se instauram. Muitos cristãos, inclusive, podem ser afetados por essa tentação, negligenciando a dimensão espiritual da batalha.

Jesus Cristo demonstrou a importância crucial desse aspecto ao confrontar o diabo com a Palavra de Deus, a espada do Espírito. Portanto, que também empunhemos a espada do Espírito, conforme os ensinamentos bíblicos, dedicando-nos à oração, ao jejum e à intercessão, buscando a graça divina e perseverando em orações e vigílias, guiados pelas orientações bíblicas.

 Diante da iminência da batalha espiritual que se apresenta, é imperativo que nos consagremos e santifiquemos, a fim de obter a vitória e estarmos preparados para a volta de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Confrontados com a crescente oposição e as tendências contrárias aos ensinamentos cristãos, que podem gerar grandes aflições, precisamos estar munidos com as armas espirituais necessárias. É fundamental que permaneçamos firmes no Evangelho, dedicados à santificação, à consagração, e imersos na oração e na intercessão. A comunicação com o reino celestial deve ser constante e abundante.

 Este é o momento de orar e conclamar a igreja à oração. É chegada a hora de nos equiparmos com as armas espirituais adequadas. Nossa luta não se restringe ao plano terreno; é uma batalha espiritual contra as forças do mal que atuam nas esferas celestiais.
 A negligência desta realidade, ou a falta de determinação em combatê-la, nos conduzirá a desvios e equívocos, configurando um cenário de apostasia. Convém lembrar que o atual movimento evangélico político, em grande parte, adota uma postura ecumênica e aberta a interpretações heterodoxas e doutrinas questionáveis, como a teologia do domínio.

 Portanto, que sejamos sóbrios e vigilantes. Empenhemo-nos na guerra espiritual por meio da oração, da busca da presença de Deus, do jejum, da consagração, da intercessão e do clamor constante, implorando a Deus que nos conceda graça e socorro em tempo oportuno, perante o seu trono.

 

Um grande numero de jornalistas e o sistema midiático associado a eles, estão exercendo uma militância anticristã feroz, cujo objetivo não é outro a não ser manipular a opinião publica e prestar serviço ao pai da mentira.”

 

“A missão da militância ideológica anticristã é lutar com todas as forças para enganar a sociedade e reformular o pensamento das pessoas”

 

“Não podemos nos colocar numa ladeira escorregadia de concessões para ver caindo ao lado dessas concessões, verdades fundamentais da fé cristã”

 

                                         C. J. Jacinto

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