O que é pós-modernismo?
Creio que umas definições mais claras vem de Raimond Saxe, num artigo escrito
num periódico acadêmico publicado por presbiterianos bíblicos de Singapura e é
definido assim:
“Dizem que vivemos na
era pós-moderna, mas esse termo é impreciso. A era em que vivemos agora é a era
moderna, enquanto todas as eras que vêm depois de nós podem ser consideradas
pós-modernas. Não obstante, o que hoje chamamos de pós-modernismo é a condição
em que nos encontramos.
Há muitas maneiras de
se apoderar das idéias incorporadas no pós-modernismo.
Aqui estão algumas
considerações:
O pós-modernismo é um
desejo de ser livre de uma antinomia absoluta final que termina em anarquia. O
homem é igual a Deus. O pragmatismo reina sem absolutos, a independência do
homem se torna primária.
Pós-modernismo é um
desejo de ser livre de responsabilidade. Isso leva para longe da verdade
proposicional. É pensar fora da caixa das Escrituras e leva à rebelião.
O pós-modernismo é um
desejo de ser livre de responsabilidade no futuro. O pluralismo (a crença de
que todos estão certos) e o relativismo (a crença de que tudo está certo)
prevalecem em uma sociedade onde o pensamento pós-moderno é a norma.
E essa é exatamente a
sociedade em que nos encontramos agora. O mundo pós- moderno obscureceu o
sistema de valores judaico-cristão tradicional. O conhecimento objetivo foi
suplantado pela experiência subjetiva. Nossos jovens, e adultos também, foram
submetidos à música cristã contemporânea que abraça uma cultura mundana.”
Do pós-modernismo
surgiu o que chamo de pós-carismatismo, uma tendência que até onde pude
compreender, vem de um grupo musical/organização religiosa, chamada de Hillsong
e outras vertentes do mesmo teor espiritual.
A musica contemporânea
e o pós-carismatismo andam de mãos dadas, trata-se de um neo-evangelicalismo
mais frouxo, moderno, pragmático, humanizado. Mais enfatizado no entretenimento
e emoções do que em teologia solida.
A vida mundana e a
imitação do mundo nunca foi praticada e defendida de forma tão escancarada como
em nossos dias. A vida espiritual de confronto, a austeridade e a mortificação
da carne são avessos ao pensamento pós-moderno e consigo seguem todas as
igrejas com essas tendências anticristãs. A experiência espiritual de Laodiceia
foi uma advertência ignorada. A igreja brasileira de viés carismático abraçou
um legalismo que perdurou por anos, e agora apenas algumas décadas, surgiu um
novo movimento correndo na direção oposta ao legalismo, de certa forma
praticando o antinomianismo, pois essa é a direção que corre o subjetivismo
teológico, o relativismo moral e o pragmatismo.
Essa é uma corrente de
desconstrução, segue a agenda da destruição do cristianismo histórico, seus
fundamentos, como ocorreu muitas décadas anteriores, com a invasão do
pensamento modernista e a alta critica, tentado destruir a bíblia sagrada,
seguindo o mesmo revisionismo satânico que ocorreu no Eden contra a inspiração
verbal da Palavra de Deus.
Claro que precisamos
entender que uma cultura de retórica precisa ser introduzida, coaching e
desconstrução do cristianismo histórico se tornaram evidentes, de um lado,
temos os desigrejados, um movimento revisionista e negacionista, pregando
contra o “sistema” e de caráter anti-instituicional. Por outro lado uma nova
modalidade de pregação, deformada na sua essência, pois enfatiza só o amor de
Deus e não sua Justiça. Não há combate contra o pecado, separação do mundo e
separação de hereges, nada disso é enfatizado. Pregações e mensagens de
auto-estima, humanistas, musicas envolventes, indução a emoções profundas, e
uma das características mais interessantes, a preferência por versões bíblicas
modernas.
“Hoje as Sagradas Escrituras não são promovidas como uma
verdade fundamental a serviço das necessidades dos seres humanos, para lhes
mostrar o caminho da salvação pelo caminho da santidade, mas como um livro que
se trata de fazer negócios, buscar diferentes formas de atrair pessoas a uma
mensagem suavizada e cheia de oferta barata, por isso proliferam, não apenas
muitas versões textos bíblicos ‘descafeinados’ ou ‘mutilados’, mas notas e
estudos são acrescentados ao rodapé que obedecem aos gostos dos consumidores” (Cezar Vidal Manzanares)
Nos últimos anos temos
testemunhado uma nova tendência religiosa evangélica, cada vez mais distante
dos princípios da reforma, a modernização conceitual e teológica, uma inclusão social,
um tipo de igreja que tenha um perfil que agrade os pós-modernos. Por isso é necessário todo um processo e
“glamourização” é uma delas. É necessário desenvolver uma linguagem que possa
projetar status e desenvolver uma plataforma de impacto visual. A igreja sofreu através dos séculos dessa
secularização abandonando a simplicidade que caracterizava o culto e a forma
dos primeiros séculos, onde palavra “Eklesia” nunca significava instituição ou
organização denominacional. Qualquer pessoa que leia o Novo Testamento e as
propostas de Cristo quanto a igreja entenderá com facilidade essa questão. O
impacto da igreja do primeiro século era a mensagem e o testemunho. (Veja I Coríntios
2:4 Atos 1:8 e 2:42 etc.) Parece que o
sinal de uma decadência espiritual deve ser substituídas por formas exteriores,
isso é observado nos intricados e complexos rituais desenvolvidos pelos rabinos
e fariseus na época de Jesus. O poder é
substituído por formas exteriores principalmente de impacto visual e formas de
indução de êxtases e sentimentos, nesse sentido, o pragmatismo se encaixa muito
bem.
Como a igreja do Novo
Testamento era um contraste, um oposto, antítese que deflagrava a religião
judaica com um sistema rígido, um templo magnífico, comportamentos bizarros,
exteriorizados ao Maximo para impressionar, era a religião do impacto visual,
mas a essência era vazia, nula, a complexidade da falência espiritual. Da mesma
forma a igreja do Novo Testamento, dentro do seu contexto histórico, era uma
antítese do paganismo, como vimos em passagens como em Atos 19 e o santuário da
Deusa Diana em Efeso ou em Atos 14:13 no
culto a Júpiter. Os exemplos são infinitos, no culto dos mistérios da
antiguidade, as iniciações de consagração a Deméter e Persefone, prometiam uma
experiência transformadora e transcendente, assim como nos mistérios órficos e
ainda em cultos mais antigos a religião egípcia e o xamanismo revelam de forma
clara que o visual traz impacto e os rituais complexos e em muitos casos, o
consumo de substancias psicoativas e enteógenos que induzem a estados alterados
de consciência, toda essa deflagração de extraordinário poder visual e
emocional para dar um impacto aos envolvidos nos cultos de mistérios.
A religião cristã
pós-moderna rompe com o antigo, rompe com os valores tradicionais, é uma reação
contra algo que parece estar morrendo, mas não é um reavivamento, é uma reação
errada contra algo que não está bem certo: a cristandade tradicional.
Chegamos onde queria chegar, a reação pelo
símbolo! o glamour gera um impacto visual.
A linguagem muda, não temos mais igreja, temos “church” não temos mais oração, agora temos “call” e
por incrível que pareça, a decadência da igreja pós-Novo Testamento se dá por
causa de uma helenização da teologia, pois vimos o platonismo entrar através de
Agostinho, Aristóteles entrando na igreja através de Aquino, o neoplatonismo
através de Dionísio Aeropagita, e a reformulações de ritos pagãos se
transformado em tradição cristã, citando apenas o dia 25 de dezembro como o
nascimento de Cristo como exemplo. Qualquer pesquisador serio não tem
dificuldades em entender esses fatos.
Assim paredes pretas,
ambientes de cultos extrovertidos e exóticos, algo que se inclina a shows e não
a cultos, que tenta pelas luzes coloridas de palco e ambientes poucos
iluminados induzir a imitação de experiências psicodélicas, não deve ser
ignorado. Pois muitos defendem essa tendência apelando para a argumentação de
que o que importa é o tipo da mensagem, pregando o verdadeiro evangelho, então não
importa as cores da paredes e os tipos de luzes para iluminar o ambiente. Esses apologistas ignoram o símbolo reativo
por trás disso. No mundo real, o Evangelho que inclui uma chamada para o
arrependimento, que se dá uma ênfase necessária a mensagem da cruz, a obra
consumada e perfeita de Cristo na cruz, que usa uma boa hermenêutica e a
excelência da exegese saudável para explicar todos os conselhos de Deus, a
exposição fiel das Escrituras dentro do seu contexto, uma exposição capitulo
por capitulo versículo por versículo, que em igrejas de ordem tradicional, já
muito abandonaram, nunca será vista em igrejas pós-modernas. A mensagem da cruz
é uma ofensa negativa para quem deseja viver em sonhos mundanos. Os símbolos por trás de um ambiente de culto
tem muito a dizer sobre o que era uma reunião cristã no Novo Testamento, da
mesma forma que vão reagir com o tipo de mensagem que um pregador prega quando
tem conhecimento das Escrituras e os bereanos são um exemplo claro da reação
alguém de alguns que conhecem as
Escrituras e não desejam ser enganado por quem está pregando.
A simbologia por trás de tudo isso se chama
contemporaneidade pragmática, é um fenômeno
novo, uma tendência, não é uma reação de reformulação do culto e da
doutrina, mas um afastamento de algo que já sofria com problemas sérios,
principalmente entre pentecostais clássicos; a ordem no culto, estrelismo,
culto a personalidade, emocionalismo desenfreado, experiências de êxtases e
descontrole emocional. O suposto reavivamento de Azuza trouxe muitos problemas
de ordem e inovações para dentro das igrejas cristãs.
De fato, as
representações simbólicas funcionam como rituais, não é apenas uma
identificação casual, o símbolo revela um movimento de tendências pós-moderna
com seus elementos de culto, danças, musica contemporânea, pregadores
humanistas. Há mais de uma década, que T. A. McMahon escreveu o artigo “A
Igreja ao Gosto do Freguês” advertindo sobre o emprego de técnicas de
marketing, um sistema operacional tipo mercado religioso, atuando com uma
performance teatral, palcos elevados, holofotes, artistas com perfis
profissionais e todo um atrativo para atrair fregueses. A estratégia do mercado mundano é a atração,
o produto precisa ser atrativo. Assim, é justo que na religião, a concentração de
pessoas estará onde existe um produto ideal que motive as pessoas a estarem lá.
Agora entenda o que é a mensagem de Cristo, ele desmascara o sistema organizado
agonizando debaixo de toneladas de tradições e uma toneladas de aparatos
religiosos que símbolos que identificavam a condição espiritual que se
encontravam. Lemos em João 7:7 Jesus
afirma que o mundo odeia Ele porque Ele testificou que as obras do mundo eram
más. Essa é uma reação de oposição, pois o discurso de Cristo nem sempre foi
atrativo, foi verdadeiro sempre, e a verdade pode ser confortável ou pode ser
uma ofensa e isso de acordo com a condição espiritual de cada ouvinte. Um
sermão bíblico nunca agradará a todos! Não pode ser verdadeiramente cristão um
movimento que tenha o objetivo de agradar a todos, cuja atração seja algo em
torno que corresponda aos anseios do homem perdido, materialista e consumista. Jesus posteriormente afirmou aos seus
seguidores: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que vós, me odiou a
mim!” (João 15:18) Paulo em I Coríntios 1:18 diz que “A palavra da cruz é
loucura para os que perecem, mas para nós que somos salvos, é o poder de Deus”. A muitas reações negativas contra Cristo e
os pregadores da Nova Aliança no Novo Testamento. Não é muito atrativo você pegar
uma bíblia abri-la e durante uma hora fazer uma exposição sobre a doutrina do
inferno num ambiente caracterizado pelo pragmatismo do pós-modernismo. Não é um
bom produto religioso falar sobre a doutrina da separação do mundo, sobre a
devassidão violenta de nossos pecados e a necessidade do arrependimento para
crer no Evangelho, na verdade, em muitos lugares hoje em dia, a pregação
bíblica seria tão ofensiva, que ao invés do amor a verdade, a maior parte dos
ouvintes adaptados aos cultos shows da pós-modernidade nutrirão uma repulsa
contra qualquer tipo de sermão “estraga prazeres” algo que como uma alfinetada,
estoure o ego inflado, o oposto do sermão que infla o ego é o tipo de mensagem
que interessa. A busca por tipos de mensagens que entorpeça a consciência, uma espécie
de “graça barata” algo que possibilite deixar uma pessoa confortável em seus próprios
erros e pecados.
A simbologia por trás de um ambiente religioso
é uma identificação da condição espiritual, como é em uma loja maçônica, numa igreja
católica ou numa mesquita, num templo budista ou xintoísta;
Cristãos bíblicos que não foram levados pela
correnteza do pós-modernismo, não irão manter-se
num ambiente de holofotes e jogos de luzes, efeitos de fumaça, dançarinos, uma
ambiente preparado para um show, sob uma demanda limitada de um violão ou piano
e alguém cantando “a mensagem da cruz”, a reação seria acusações de retrocesso
religioso, seria um antagonismo qualquer coisa que representasse a relevância
do sacro contra o declínio do secular, mas estamos vivendo os últimos tempos, e
as coisas não irão melhorar.
Conclusão: Um lugar de
culto torna-se um santuário, em Ezequiel 8:10 a 18 encontramos um lugar de
culto profanando por elementos estranhos, não autorizado nas prescrições da
antiga aliança, havia naquele ambiente uma contaminação espiritual, os
elementos eram simbólicos, apontavam para a condição dos que estavam realizando
os serviços espirituais no templo na época do profeta Ezequiel.
C. J. Jacinto