https://drive.google.com/file/d/1GXreBxT92M8LtEFMPgGGqycQOswsYly_/view?usp=sharing
Expondo Erros, Mostrando Verdades Bíblicas
https://drive.google.com/file/d/1GXreBxT92M8LtEFMPgGGqycQOswsYly_/view?usp=sharing
Este é o mesmo termo presente em João 1:1, que
declara: "No princípio era o Verbo". A palavra “Logos”, da qual
derivamos sufixos em termos técnicos contemporâneos — como em
"biologia", o estudo da vida, ou "teologia", o estudo sobre
Deus —, possui uma densa carga filosófica dentro do contexto histórico do Novo
Testamento. A filosofia grega clássica dedicava-se a investigar as questões
fundamentais da existência, buscando compreender a verdade última que sustenta
a realidade. Nesse sentido, a Bíblia apresenta o Deus Triúno como a realidade
última e o fundamento de todas as coisas. Ao longo do tempo, à medida
que os filósofos gregos refletiam sobre questões existenciais, cunharam o termo
"Logos" para descrever uma realidade última. Esse conceito passou a
ser compreendido como o princípio que conferia vida e significado a toda a
criação; contudo, no pensamento grego, o Logos era visto estritamente como uma
força impessoal.Ao chegarmos ao primeiro capítulo do Evangelho de
João, observamos o apóstolo realizar uma transição que seria impensável para a
filosofia grega. Em vez de uma força impessoal, o Logos é identificado com
Cristo, revelando-O como um Logos pessoal. Assim, o Novo Testamento confere ao
conceito grego uma interpretação definitiva. Esse Logos encarnou-se como ser
humano e manifestou a glória de Deus, conforme evidenciado em todo o contexto
inicial do livro.
C. J. Jacinto
Uma das doutrinas mais complexas presentes no
romanismo é a tese de que, mediante a consagração realizada por um sacerdote, o
pão e o vinho se tornam, literalmente, o corpo e o sangue de Jesus Cristo. Tal
conceito de transmutação de elementos evoca as práticas alquímicas,
aproximando-se do que alguns classificam como ocultismo ou rito mágico. Esta
interpretação da transformação física seria, supostamente, fundamentada na
instituição da Ceia pelo próprio Cristo. No entanto, ao proferir as palavras
"isto é o meu corpo, que é dado por vós" e "isto é o meu
sangue", Jesus não estabeleceu um ato sacrificial repetitivo a ser
realizado por sacerdotes, nem instituiu a reiteração do sacrifício do Calvário.
É hermeneuticamente impossível extrair essa perspectiva do texto bíblico
original. Tais interpretações constituem, portanto, construções humanas que não
encontram respaldo no contexto ou no sentido literal das Escrituras.
Diante desse
adendo, percebe-se que a capacidade de transubstanciar a matéria — o pão e o
vinho em corpo e sangue — carrega implicações éticas, morais e espirituais
profundas. É necessário compreender que, por meio desse ritual celebrado
diariamente em escala global, consolida-se uma “super” elite sacerdotal que se
coloca em patamar superior aos leigos, os quais, por sua vez, permanecem
relegados a uma condição que não lhes permite ascender aos níveis mais elevados
da iniciação religiosa. Essa elite, descrita por Afonso de Ligório, Doutor da
Igreja, em sua obra “A Selva” (A Dignidade do sacerdote), sustenta a premissa
de que o sacerdote detém um poder singular sobre o divino, sendo por vezes
designado como o "criador do Criador". Tal entendimento fundamenta-se
na crença de que, pelo rito da missa e pela consagração, o Filho de Deus se
encarna novamente na matéria inerte. Assim, a liturgia é compreendida como a
repetição contínua da encarnação e do sacrifício de Cristo, no qual Ele é,
simbolicamente, crucificado a cada consagração realizada sobre o altar. Jesus
nunca instituiu algo dessa natureza, e é impossível extrair a ideia dos
Evangelhos desse sistema de continuidade de encarnação e sacrifício “incruento”
Onde, nas
Sagradas Escrituras, encontramos o relato de que, durante a Santa Ceia, Cristo
teria instituído o sacrifício da missa? Em que passagem se sustenta a
interpretação de que, ao partirem o pão e partilharem o vinho, o Senhor e os
apóstolos compreenderam que, a cada repetição daquele ato, uma nova encarnação
e um novo sacrifício estaria sendo realizado, reiterando o que foi consumado de
uma vez por todas no Calvário?
Ademais, onde
se lê a determinação de que, sempre que o pão e o vinho forem consagrados por
um sacerdote — sob a égide de uma hierarquia clerical —, ocorrerá uma
transubstanciação, transformando os elementos, de modo literal, no corpo e no
sangue de Cristo? Apresente-nos o fundamento bíblico, mediante uma exegese
rigorosa, que conduza a tal conclusão.
As Escrituras
são inequívocas quanto a este tema. No livro de Hebreus, capítulo 10,
versículos 10 a 14, o autor sagrado estabelece: "Temos sido santificados
mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez por todas. Ora, todo
sacerdote se apresenta diariamente, ministrando e oferecendo muitas vezes os
mesmos sacrifícios, que nunca podem remover pecados; mas Cristo, tendo
oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra
de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por
estrado dos seus pés. Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre
quantos estão sendo santificados".
Dessa passagem,
depreende-se claramente a natureza equivocada da missa e da doutrina da
transubstanciação. O texto bíblico diferencia o ministério sacerdotal do Antigo
Pacto, que exigia sacrifícios contínuos, da obra de Cristo, que ofereceu um
sacrifício único e definitivo. Desde a Sua ascensão, Cristo permanece sentado à
destra de Deus. Portanto, a ideia de que Ele se encarna novamente em um
elemento consagrado por um sacerdote é teologicamente infundada e contrária à
soberania do sacrifício perfeito de Jesus. Cristo permanece glorificado junto
ao Pai e somente será visto e tocado em Sua segunda vinda triunfante.
Permita-me retomar a figura de Afonso de
Ligório. A Igreja, ao tratar deste tema, recorre frequentemente a tais doutores
em detrimento das Escrituras Sagradas, as quais, de fato, silenciam sobre o
assunto. Pelo contrário, passagens como a da Epístola aos Hebreus que mencionei
refutam categoricamente a natureza de sacrifício ritual atribuída à missa.
Observemos,
contudo, o que sustenta este pretenso doutor da Igreja Católica:
A dignidade do sacerdote seria avaliada pelo
poder que detém sobre o corpo real e místico de Jesus Cristo. Segundo essa
doutrina, pela fé, ao serem pronunciadas as palavras da consagração, o Verbo
Encarnado seria compelido a obedecer e a manifestar-se sob as espécies
sacramentais. Afirma-se que, em resposta à ordem do sacerdote — *Hoc est corpus
meum* —, o próprio Deus desceria ao altar, atendendo a qualquer chamado e
tantas vezes quantas for convocado, submetendo-se inteiramente ao arbítrio de
mãos humanas, ainda que estas sejam as de seus inimigos. Segundo o autor, o
sacerdote poderia, então, transladá-lo, guardá-lo no tabernáculo, expô-lo no
altar, conduzi-lo para fora do templo ou, até mesmo, consumir sua carne e
oferecê-la como alimento a terceiros.
Tais palavras
de Afonso de Ligório revelam uma grave deturpação teológica, na qual Cristo, o
Senhor, é reduzido a uma posição de submissão absoluta às ordens sacerdotais.
Onde se fundamentaria tal premissa nas Escrituras? É impossível extrair essa
concepção do relato em que Jesus institui a Santa Ceia. Tratam-se, portanto, de
construções doutrinárias destituídas de base bíblica e que, por sua natureza,
incorrem em grave desonra à soberania divina.
Este trecho foi extraído da obra “A Dignidade e
os Deveres do Sacerdote”, de Afonso de
Ligório, um clássico amplamente consultado pelo clero católico e cuja citação
completa consta no Apêndice A.
Fundador da Congregação do Santíssimo
Redentor, Afonso de Ligório foi canonizado em 1839 e proclamado Doutor da
Igreja em 1871 — título conferido a apenas 33 teólogos na história. Nesta
passagem, o santo disserta sobre o mistério da transubstanciação, por meio da
qual, mediante as palavras proferidas pelo sacerdote, o pão se transforma no
próprio Cristo, que permanece submisso à mediação ministerial. Devemos observar atentamente essa
citação extraordinária de Ligório, pois ele afirma que um padre possui um poder
divino e real: ao proferir as quatro palavras no ritual da missa e da
consagração, Deus deve obedecê-lo, quer queira ou não. Isso pode parecer
exagero, mas leia novamente e tente interpretar suas afirmações de uma maneira
menos perturbadora. Se ainda houver dúvidas, consulte as obras de Afonso de
Ligório a respeito desse assunto e examine o contexto em que essas declarações
foram feitas.
Cada leitor que crê nessas doutrinas tão
estranhas ao Novo Testamento, não devem levar em conta os conselhos de guias
espirituais católicos, por exemplo, a ordem de
obedecer cegamente aos líderes do catolicismo, como Josemaría Escrivá, que em
seu livro Caminho (Pensamento 941) assim orientou aos seus leitores! Que
tragédia se você for guiado por um cego espiritual, pois, como diz a Bíblia,
quando um cego guia outro cego, ambos caem no abismo.
Pode parecer inverossímil o que tenho exposto a
respeito dos ensinamentos de Afonso de Ligório; contudo, transcreverei o texto
da obra “A Selva ou A Dignidade do Sacerdote” — facilmente acessível na
internet, inclusive em língua portuguesa —, a fim de que o leitor possa, por si
mesmo, analisar o conteúdo e formar sua própria conclusão.
Atente-se ao teor das idéias de Afonso de
Ligório:
Por isso, os sacerdotes são chamados de pais de
Jesus Cristo. Tal é o título que São Bernardino lhes confere, pois são a causa
ativa pela qual Ele Se torna presente na hóstia consagrada. De fato, o
sacerdote pode, de certo modo, ser chamado de ‘criador do seu Criador’, visto
que, ao proferir as palavras da consagração, Ele traz Jesus ao sacramento,
conferindo-Lhe uma existência sacramental e apresentando-O como a vítima a ser
oferecida ao Pai Eterno. Assim como na criação do mundo bastou que Deus dissesse
‘faça-se’ para que tudo fosse criado — ‘Ele falou e foram feitos’ —, também
basta que o sacerdote diga ‘isto é o meu corpo’ para que o pão deixe de sê-lo e
se torne o corpo de Jesus Cristo. O poder do sacerdote, segundo São Bernardino
de Sena, equivale ao poder da Pessoa Divina, pois a transubstanciação do pão
requer tanto poder quanto a criação do mundo.
Se tais afirmações
não configuram uma blasfêmia, questiono-me o que poderia sê-lo. A arrogância
que emana dessa passagem é verdadeiramente espantosa. O texto retrata o
sacerdote romano como uma figura dotada de poder sobrenatural e divino,
equiparando-o ao próprio Criador. Assim como Deus, ao proferir o "haja
luz", viu a luz surgir, o sacerdote, ao pronunciar palavras sobre o pão,
reivindica a capacidade de transformá-lo na carne de Cristo. Essa analogia
eleva o sacerdote a uma condição de divindade, uma interpretação apresentada
com clareza nos escritos de Afonso de Ligório — ensinamentos que, cumpre notar,
jamais foram proferidos por Cristo ou pelos apóstolos.
Tal
doutrina não encontra eco no ensino apostólico; ao contrário, enquadra-se
precisamente na advertência contida em Gálatas 1:8-9, onde o apóstolo Paulo declara
que, ainda que um anjo desça do céu pregando um evangelho diferente, seja ele
anátema. É notável que, para sustentar tais conceitos, Ligório e outros autores
omitam as Escrituras, já que não há nelas respaldo para noções desta natureza.
Em vez de basearem-se na autoridade bíblica, recorrem a outros supostos
doutores e santos da Igreja que, a exemplo de Ligório, demonstram a mesma
negligência para com a fundamentação escriturística. As teses atribuídas a
Santo Afonso de Ligório revelam uma interpretação teológica controversa, ao
sugerir que a morte de Jesus Cristo não teria sido estritamente necessária para
a redenção da humanidade. Segundo esse raciocínio, uma única gota de sangue ou
uma breve oração do Redentor, por possuírem valor infinito, seriam suficientes
para salvar incontáveis mundos, reduzindo o propósito do sacrifício na cruz,
primordialmente, à instituição do sacerdócio.
Tais
afirmações, acessíveis a pesquisadores, levantam questionamentos profundos
quanto à conformidade desses ensinamentos com a tradição apostólica. É notável
o contraste entre essa visão e o que se depreende da doutrina bíblica,
especialmente ao analisar a natureza do sacrifício eucarístico no catolicismo
romano. A crença de que o sacerdote possui a prerrogativa de renovar, a
encarnação e o sacrifício de Cristo repetidas vezes de forma incruenta —
conferindo ao clero um papel que muitos consideram alheio à ortodoxia cristã —
representa, para os defensores da sã doutrina, uma distorção fundamental da
mensagem bíblica. A permanência de tais dogmas permanece como um ponto de grave
divergência e estranhamento para aqueles que pautam sua fé estritamente nas
Escrituras.
Por
que a comparação entre Jesus e o deus romano Mitra não resiste a uma análise
séria da história
Se você navega há algum
tempo por debates sobre religião na internet, provavelmente já esbarrou em
alguma versão desta afirmação: "Jesus é apenas uma cópia de deuses pagãos
mais antigos, como Mitra". A ideia costuma vir acompanhada de uma lista
impressionante de coincidências — nascimento virginal, doze discípulos, morte e
ressurreição, uma refeição sagrada com pão e vinho — como se o cristianismo
tivesse simplesmente copiado e colado a biografia de um deus persa e trocado o
nome para Jesus.
O argumento soa poderoso
à primeira vista, justamente porque poucas pessoas têm tempo ou acesso às
fontes primárias para verificá-lo. E é exatamente aí que mora o problema:
quando alguém efetivamente vai aos documentos históricos e à arqueologia, a tal
semelhança entre Cristo e Mitra desmorona peça por peça.
Este texto foi escrito
para isso: apresentar, de forma clara e acessível, por que a tese de que
"Cristo é uma versão remodelada de Mitra" não se sustenta
historicamente — e por que, quando existe alguma influência entre as duas
tradições, ela provavelmente correu no sentido inverso ao que os críticos do
cristianismo costumam sugerir.
Antes de entrarmos no
mitraísmo propriamente dito, vale entender o contexto maior em que essa comparação
costuma aparecer. Há um esforço antigo e persistente para desacreditar a pessoa
de Cristo e a mensagem do evangelho, que geralmente segue duas frentes.
A primeira tenta atacar
diretamente as evidências históricas de Jesus e a confiabilidade do Novo
Testamento. Quando essa linha de ataque não convence — e ela raramente
convence, dado o volume de evidências históricas, arqueológicas e documentais a
favor da existência de Jesus —, os críticos partem para teorias mais criativas,
algumas chegando a níveis bastante exóticos. Livros que exploram essas teses
vendem bem, o que só reforça o quanto esse tipo de conteúdo sensacionalista
encontra público disposto a comprar afirmações extraordinárias sem exigir
evidências à altura.
Dentro dessa segunda
frente, a tentativa mais radical não é apenas questionar detalhes da vida de
Jesus, mas negar que ele tenha existido como pessoa histórica. Segundo essa
visão, os autores do Novo Testamento teriam pegado elementos de religiões de
mistério da época e costurado uma história fictícia em torno de um
"messias mítico". E, entre todas as religiões citadas nesse tipo de
argumento, o mitraísmo romano é, de longe, a favorita dos críticos.
Aqui já começa o primeiro
grande problema para quem defende a tese da cópia: não sobrou nenhum texto
sagrado escrito pelos próprios mitraístas. Tudo o que sabemos vem de duas
fontes indiretas — relatos de autores de fora do culto (muitas vezes
tendenciosos ou mal informados) e os vestígios arqueológicos deixados pelos
templos mitraicos, espalhados por boa parte do antigo Império Romano.
Esses templos costumam
ter formato de caverna e trazem, quase sempre, a mesma cena central: o deus
Mitra matando um touro. O culto era exclusivamente masculino, e seus membros
compartilhavam refeições rituais que simbolizavam, de alguma forma, o sangue e
o corpo do animal sacrificado.
É a partir desses
vestígios arqueológicos — interpretados, às vezes, de maneira bastante livre —
que surgem as afirmações de que Mitra teria nascido de uma virgem em 25 de
dezembro dentro de uma caverna, teria tido doze discípulos e teria ressuscitado
três dias após ser sepultado. A lista de "coincidências" é longa e,
confessemos, impressionante à primeira leitura. O problema é que quase nada dela
resiste a uma checagem cuidadosa das fontes.
Todo o argumento de que o
cristianismo copiou o mitraísmo depende de uma premissa simples: a de que o
mitraísmo é mais antigo que o cristianismo. Se essa premissa cair, o argumento
inteiro cai junto — e é exatamente isso que acontece quando olhamos para a
pesquisa acadêmica mais recente sobre o tema.
Durante décadas,
praticamente tudo o que se sabia sobre o mitraísmo vinha de um único estudioso,
o belga Franz Cumont, que dominou o campo do fim do século XIX até meados do
século XX. Cumont defendia que existia um único culto a Mitra, contínuo e
praticamente inalterado, desde sua origem no Irã antigo até a versão praticada
em Roma séculos depois.
O problema é que essa
visão está ultrapassada há mais de cem anos. É verdade que existia um deus
iraniano chamado Mitra, com registros que remontam a cerca de 1400 a.C. Mas
esse Mitra persa tinha pouquíssimo em comum com o deus romano do mesmo nome,
além do nome parecido e de alguma ligação com o sol — algo, aliás, comum a
muitos deuses da Antiguidade. E há um detalhe decisivo: não existe nenhuma
evidência de que o Mitra iraniano tenha matado um touro, justamente a cena que
define e identifica o Mitra romano em toda a sua iconografia.
Quando os principais
especialistas mundiais em mitraísmo se reuniram no início da década de 1970, no
Primeiro Congresso Internacional de Estudos Mitraicos, o consenso que emergiu
foi outro: os romanos simplesmente pegaram emprestado o nome de um antigo deus
iraniano e alguns detalhes periféricos, e construíram, a partir disso, uma
religião essencialmente nova, com características próprias.
Na prática, isso
significa que existem duas religiões distintas que compartilham apenas o nome
"Mitra": uma antiga e persa, outra tardia e romana. E essa distinção
resolve boa parte do debate.
Uma vez que separamos
essas duas tradições, duas conclusões ficam evidentes. A primeira é que não
existem semelhanças relevantes entre o mitraísmo iraniano antigo e o
cristianismo — a fonte mais antiga simplesmente não tem o que se compararia à
história de Jesus.
A segunda conclusão é
ainda mais decisiva: mesmo as semelhanças que existem entre o mitraísmo romano
e o cristianismo perdem toda a força como argumento, porque essa versão romana
do culto só se consolidou bem depois do surgimento do cristianismo.
O caminho histórico do
mitraísmo ajuda a entender isso. O culto a Mitra foi se espalhando gradualmente
da Pérsia em direção ao Ocidente após as conquistas de Alexandre, o Grande,
absorvendo pelo caminho elementos de outras tradições — como práticas do culto
frígio a Átis e Cibele, na Ásia Menor, e simbolismo astrológico originado na
Grécia. A primeira representação conhecida de Mitra como "matador de
touro" surge em Pérgamo, já no século II a.C., época em que o culto pode
ter chegado aos romanos por meio dos piratas da Cilícia.
Mas a primeira referência
concreta ao culto romano de Mitra só aparece nos escritos do poeta Estácio, por
volta do ano 80 d.C. — ou seja, décadas depois do surgimento do cristianismo. E
não existe nenhum vestígio arqueológico do mitraísmo romano anterior a esse
período. Em outras palavras: a forma de mitraísmo que apresenta semelhanças com
o cristianismo é justamente a que não tem registro algum antes do próprio
cristianismo já existir. Se houve cópia de um lado para o outro, a direção mais
plausível é o contrário do que costuma ser afirmado.
Mesmo deixando de lado a
questão cronológica por um instante, vale examinar os próprios paralelos
citados com tanta frequência — porque, quando observados de perto, eles se
revelam bem menos impressionantes do que parecem em memes e vídeos rápidos da
internet.
Comece pelo nascimento.
Diz-se que Mitra "nasceu de uma virgem", muitas vezes na presença de
pastores, como se fosse um espelho da narrativa do Natal. Mas as evidências
arqueológicas — que datam de cerca de um século depois do período do Novo Testamento
— mostram algo bem diferente: Mitra teria surgido já adulto, brotando de uma
rocha sólida, e os pastores apenas o ajudaram a se libertar quando ele ficou
preso na pedra. Isso está a anos-luz do relato do nascimento de Jesus como
bebê, de uma mulher, em Belém.
Quanto à data de 25 de
dezembro, mesmo que Mitra tivesse alguma associação com esse dia, isso não
abalaria em nada a historicidade de Jesus — porque a Bíblia nunca afirma que
Jesus nasceu em 25 de dezembro. Essa data foi escolhida séculos depois pelos
cristãos, como parte de uma estratégia mais ampla de substituir festividades
pagãs por celebrações cristãs, não como uma tentativa de imitar Mitra.
E a famosa "morte e
ressurreição" de Mitra? Aqui a base é ainda mais frágil: a única fonte que
menciona algo nesse sentido é o escritor cristão Tertuliano, já no final do
século II, que comenta vagamente uma "imagem de ressurreição"
associada ao culto. Mas o próprio Mitra, segundo os registros, não é quem
ressuscita dos mortos. É difícil construir um paralelo sólido sobre uma menção
tão vaga e tardia.
Por fim, a refeição
ritual dos mitraístas, com elementos que lembram o "sangue e o corpo"
de um sacrifício, costuma ser apontada como precursora da Eucaristia cristã.
Mas refeições rituais compartilhadas são um elemento comum a inúmeras religiões
ao redor do mundo, em épocas e culturas completamente diferentes. A simples
existência de uma refeição simbólica não é evidência de que uma tradição copiou
a outra — é apenas evidência de que seres humanos, em contextos religiosos
diversos, tendem a criar rituais parecidos de forma independente.
Há ainda uma diferença
fundamental, quase sempre esquecida nesse debate: o tipo de texto que sustenta
cada tradição. A história de Mitra pertence à categoria de mito de criação —
uma narrativa simbólica, sem pretensão de registrar acontecimentos
verificáveis. Os Evangelhos, por outro lado, se encaixam no gênero da biografia
histórica antiga, com referências a lugares, datas, autoridades políticas e
testemunhas que poderiam, em tese, ser verificadas por seus contemporâneos.
Essa diferença de gênero
literário não é um detalhe técnico sem importância: ela mostra que os primeiros
cristãos não estavam compondo uma lenda simbólica ao estilo dos mitos de
criação greco-romanos, mas registrando o relato de uma vida concreta, apoiado
em testemunhas oculares que continuaram vivas — e continuaram contando o que
viram — por décadas depois dos eventos.
Mitra nunca existiu como
figura histórica; é, por definição, uma personagem mítica. Jesus, ao contrário,
teve seguidores reais que se tornaram fontes primárias da tradição registrada
no Novo Testamento. E o sentido teológico de cada narrativa também diverge por
completo: Mitra "salva" o mundo matando um touro em um mito cósmico;
Jesus, segundo o evangelho, oferece a própria vida em sacrifício para expiar o
pecado humano. São categorias de história e de significado que simplesmente não
se equivalem.
Quando se examina com
cuidado cada ponto da comparação — cronologia, fontes, conteúdo dos relatos e
gênero literário —, a tese de que o cristianismo copiou o mitraísmo perde toda
a sustentação. Os paralelos genuínos são poucos e genéricos demais para indicar
cópia; os paralelos mais chamativos, como o nascimento virgem ou a
ressurreição, simplesmente não existem nas fontes da forma como costumam ser
apresentados nas redes sociais.
No fim das contas, a
ideia de que "Cristo é uma versão remodelada de Mitra" se apoia numa
base acadêmica já superada há mais de um século — a obra de Cumont — somada a
uma leitura seletiva e, muitas vezes, distorcida da arqueologia mitraica. É uma
teoria que soa sofisticada à primeira vista, mas que não sobrevive a um
encontro honesto com as fontes históricas.
Cristo não está associado
a Mitra. E quanto mais se investiga a fundo essa comparação, mais evidente fica
que os verdadeiros paralelos, quando existem, apontam na direção oposta à que
os críticos do cristianismo gostariam.
Texto
elaborado com base em conteúdo apologético sobre mitraísmo e cristianismo
primitivo, com anotações pessoais feitas por C. J. Jacinto e com referências ao
artigo original disponível em
truthaccordingtoscripture.com.
Expiação é uma provisão necessária
introduzida na administração do governo divino, que garante ao infrator um meio
seguro e eficiente de receber justificação, assegurando que um substituto
imaculado tenha sofrido a penalidade para que essa provisão seja garantida a
todos os que crêem que Cristo é o redentor
Se sua opinião é um equívoco, ela também poderá ser a tua mentira de estimação
A mais dura lição que cada Cristão
precisa aprender a qualquer custo é que jamais pode pregar uma moral que ele
não vive.
E ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis;
ele dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos entendidos.(Daniel 2:21) acima
do voto de um cidadão está a vontade de Deus, o Soberano. Seja feita a Tua
vontade assim na terra como no céu. Esse deve ser o primeiro sentimento do
cristão e o que deve prevalecer. E se um sistema se opõe a vontade de
Deus, como Ele fez com Nabucodonosor, é expulso do trono pra comer capim
e se exaltar ainda mais será comido de bichos como Herodes.(Leia Daniel 4:29 a
37 e Atos 12:21 a 23) Portanto aqui está a minha confiança plena na Soberania
do Senhor.
O que dá o verdadeiro sentido ao encontro é a busca, e é preciso andar muito
para se alcançar o que está perto. (José Saramago)
é muito fácil celebrar nossas conquistas difícil e permanecermos emocionalmente
equilibrados em nossas derrotas.
Tem sensibilidade com o corpo de Cristo quem faz parte dele, qualquer cristão
que não se opõe aos políticos e sistemas ideologicos que se alinham com
perseguidores e opressores da igreja, nunca sentiram o sofrimento dos
perseguidos porque simplesmente nunca fizeram parte do corpo de Cristo, é por
esse motivo que são insensíveis quanto a isso.
Aquilo que nós cativa nos concede a revelação da nossa verdadeira natureza,
sempre estaremos inclinados a buscar aquilo que se identifica com as nossas
inclinações, isso tanto vale para a piedade quanto pra impiedade.
C. J. Jacinto
A teoria da Terra Oca é objeto de
crença por parte de muitos esotericos, os quais sustentam a existência de
passagens secretas que conduziriam ao interior do planeta. Há quem defenda que
tais regiões seriam habitadas por civilizações avançadas e que as entradas para
este mundo subterrâneo estariam localizadas em pontos específicos, como a
Antártida ou em formações montanhosas de caráter místico, a exemplo do Monte
Shasta, na Califórnia ou em regiões amazônicas. Diante de tais conjecturas,
resta o questionamento: haveria algum fundamento de veracidade nessas
alegações?
Embora a ufologia direcione o olhar para o
cosmos em busca de mundos habitados — sustentando uma crença ainda amplamente
difundida na existência de seres extraterrestres —, surge uma perspectiva
alternativa e notavelmente mais exótica: a teoria dos seres intraterrestres.
Sob a hipótese da "Terra Oca", defende-se não apenas que o interior
do nosso planeta é habitado, mas que nele prosperam civilizações altamente
avançadas. Resta, contudo, o questionamento: haveria fundamento biblico em tais
alegações? Na década de 1990, li obras do autor brasileiro Trigueirinho, cujos
escritos sintetizavam elementos do esoterismo e da teosofia com a crença na
existência de civilizações intraterrenas.
O autor sustentava a tese da coexistência de mundos
paralelos, habitados tanto por seres extraterrestres quanto por populações
intraterrenas. Suas narrativas exploravam com frequência o misticismo em torno
de Shambala, de Erks e dos mistérios das regiões amazônicas, áreas que ele
descrevia como pontos de encontros e conexão para tais povos. Além disso,
Trigueirinho afirmava manter comunicação constante com essas supostas entidades
vindas de civilizações intratarrenas.
A crença na teoria da Terra Oca não teve origem no esoterismo, mas sim no meio
científico. O astrônomo britânico Edmund Halley, em 1692, foi um dos
precursores ao defender a viabilidade dessa hipótese. Posteriormente, em 1818,
o militar norte-americano John Cleves Symmes Jr. popularizou a ideia, que foi
reforçada anos mais tarde por Richard Byrd, ao sugerir que a abertura para esse
interior desconhecido estaria localizada na Antártida. Contudo, foi por
intermédio da Sociedade Teosófica que o conceito alcançou maior difusão na
sociedade. Entre os anos de 1964 e 1967, a obra "A Terra Oca", de
autoria de Raymond Bernard, foi amplamente divulgada em escala global,
inclusive no Brasil, consolidando ainda mais o tema. Além disso, durante a
Segunda Guerra Mundial, o conceito foi adotado e defendido por membros do
regime nazista, notadamente por aqueles vinculados à Sociedade Thule. A teoria
da Terra Oca amplia consideravelmente a perspectiva sobre a existência de seres
não convencionais integrados à nossa realidade. Atualmente, a ufologia moderna
considera plausível a existência de objetos submarinos não identificados,
supostamente tripulados por seres de origem extraterrestre que habitariam
regiões subaquáticas nos oceanos do planeta.
Atualmente, muitos adeptos do esoterismo sustentam a crença na existência de
civilizações intraterrenas. Segundo essa perspectiva, os fenômenos de objetos
voadores não identificados que emergem dos oceanos seriam evidências que
corroboram tal hipótese. Embora essa teoria seja amplamente difundida como uma
explicação alternativa para a origem dos óvnis e de seus tripulantes, ela
permanece como uma ideia exótica. Contudo, é possível analisar o tema sob a
ótica bíblica, a qual, em certa medida, apresenta indícios que poderiam ser
relacionados a essa temática, ainda que não da forma como os esotéricos e
alguns ufologos propõem ou defendem.
No Antigo Testamento, especificamente no livro
de Números, capítulo 16, observa-se que a rebelião de Coré, Datã e Abirão
resultou no juízo divino. Conforme o relato bíblico, a terra se fendeu e os
tragou vivos, conforme descrito nos versículos 31 a 33: "Assim que acabou
de dizer todas essas palavras, a terra debaixo deles se fendeu. A terra abriu a
sua boca e os tragou com as suas casas, bem como todos os homens que pertenciam
a Corá e todos os seus bens. Eles e tudo o que lhes pertencia desceram vivos ao
abismo; a terra os cobriu, e pereceram do meio da congregação." No
versículo 36, o termo traduzido para o português como "abismo"
corresponde ao hebraico “sheol”, que designa o mundo inferior, a morada dos
mortos, transcendendo o significado comum de sepultura. Trata-se de um local
associado ao juízo, evidenciando uma crença explícita, presente no próprio
Antigo Testamento, de que o “sheol” estaria situado nas profundezas da terra. O
relato de Números confirma essa concepção, ao descrever que Datã, Coré, Abirão
e seus familiares desceram vivos a esse lugar, conforme atesta a Escritura.
Portanto, o livro de Números corrobora a ideia de que, no Antigo Testamento,
prevalecia a crença em um domínio subterrâneo destinado aos espíritos. Embora
essa noção sugira a existência de um lugar no interior da Terra onde se
preservaria algum tipo de existência — distinta da vida biológica convencional
—, é fundamental ressaltar que essa perspectiva bíblica difere integralmente
das teorias defendidas por esotéricos e teosofistas acerca de um "mundo
interior". Em Apocalipse 9:1-3, encontramos uma passagem que corrobora o
tema que estamos abordando. O texto relata: "O quinto anjo tocou a sua
trombeta, e vi uma estrela que do céu caiu na terra. Foi-lhe dada a chave do
poço do abismo, e ele abriu o poço do abismo. Do poço subiu fumaça, como a
fumaça de uma grande fornalha, e o sol e o ar escureceram com a fumaça do poço.
Da fumaça saíram gafanhotos sobre a terra, aos quais foi dado poder, como o que
têm os escorpiões da terra. Nesta passagem, o termo grego “Abyssos”, sob uma
perspectiva exegética histórico-gramatical e literal, alinha-se ao conceito
veterotestamentário de que o interior da Terra serviria como lugar de
confinamento para espíritos aprisionados. A coerência interna das Escrituras
confirma o ensino de que diversas entidades caídas habitam as regiões
subterrâneas, e não apenas os domínios celestiais, conforme descrito em Efésios
6:10-18. O relato de Apocalipse 9, ao descrever a abertura do poço do abismo e
a ascensão de seres assemelhados a gafanhotos para atormentar a humanidade,
reafirma que tanto o Antigo quanto o Novo Testamento sustentam a ideia de um
abismo subjacente à Terra, habitado por seres espirituais. Da mesma forma,
encontramos no livro de Judas, capítulo 1, versículo 6, o relato sobre os anjos
que não preservaram sua dignidade original, mas abandonaram sua própria
habitação; estes foram retidos em trevas e sob prisões eternas, aguardando o
juízo daquele grande dia.
Em 2 Pedro 2:4, lê-se que Deus não poupou os anjos que pecaram, mas,
lançando-os no inferno, entregou-os às cadeias da escuridão, reservando-os para
o juízo. Nesta passagem da Segunda Epístola de Pedro, a expressão "cadeias
de escuridão" refere-se ao Tártaro, descrito como uma esfera abissal de
punição e confinamento. Observa-se uma profunda correlação entre este texto e
as descrições contidas no nono capítulo do Apocalipse e no décimo sexto
capítulo do livro de Números. Desta forma, a Bíblia sustenta a existência de um
lugar abissal de retribuição abaixo da superfície terrestre — não se tratando
de uma civilização avançada ou de um paraíso perdido, mas estritamente de um
local de detenção e trevas destinado a seres espirituais caídos, estruturado em
diferentes níveis de confinamento. Portanto, as Escrituras apontam para a
realidade de que, nas regiões inferiores da Terra, existem lugares reservados
ao aprisionamento de tais entidades. Diversas outras passagens das Escrituras
corroboram esse mesmo princípio. É fundamental atentar para estas referências:
Salmos 55:15; Salmos 63:9-11; Eclesiastes 9:10; Jó 7:9-10; e Provérbios
9:18. Notavelmente, ao lermos a passagem de 1 Samuel 28, na qual Saul
consulta uma médium para invocar o espírito de Samuel, observamos no versículo
13 que a mulher avista entidades subindo da terra, descrevendo-as como “deuses que
sobem da terra”. Notamos no texto bíblico a ideia de que a médium invocava
espíritos vindos do subsolo, provenientes de um abismo.
Outra passagem interessante está em Lucas 8:26-39, no relato sobre o
endemoninhado gadareno. Nos versículos 30 e 31, quando Jesus pergunta o nome da
entidade que dominava aquele homem, a resposta é “Legião”, pois muitos demônios
haviam entrado nele. O texto acrescenta que eles “rogavam-lhe que os não
mandasse para o abismo”. Percebe-se em ambos os textos (1 Samuel 28 e Lucas 8)
a ideia explícita de um lugar subterrâneo no planeta onde entidades ou demônios
estão confinados — um local para o qual eles próprios temem ir. Trata-se de um
conceito claro nas Sagradas Escrituras: a Bíblia afirma a existência de uma
habitação espiritual nas profundezas da Terra. Qualquer pessoa que creia na
veracidade bíblica e faça uma exegese correta chegará a essa conclusão. Diante
disso, apresento a seguir o meu parecer e conclusão sobre o tema.
A ideia de que o centro da Terra abriga civilizações avançadas, "terras
ocas", paraísos subterrâneos ou entidades benevolentes é absolutamente
infundada do ponto de vista biblico. As Escrituras não corroboram tais
conceitos; ao contrário, apontam para a existência de um abismo interior onde
habitam espíritos caídos e consciências em estado de confinamento. É
imprescindível esclarecer que não se trata de uma utopia ou de uma sociedade
desenvolvida, mas de prisões espirituais e lugares de juízo.
Tais abismos, contudo, possuem uma dimensão de
acessibilidade. A prática do espiritualismo e de invocações ocultistas busca,
justamente, estabelecer contato com essas entidades — sejam demônios ou de
supostos espíritos desencarnados. Esse fenômeno é evidenciado em passagens como
1 Samuel 28, na qual a mediunidade é utilizada para trazer à tona entidades que
emergem das profundezas. Essa dinâmica de abertura de abismos conecta-se
perfeitamente às profecias de Apocalipse 9, bem como às advertências presentes
em Judas 1:4 e 2 Pedro 2:4, que descrevem a natureza desses seres cativos. Ademais,
relatos como o dos endemoniados gadarenos, narrados em Mateus 8 e Lucas 8,
demonstram que tais espíritos detêm a capacidade de transitar entre o mundo
físico e o abismo. Em suma, a evidência bíblica confirma a existência de um
habitat nas profundezas da Terra, não como um refúgio para civilizações
extraterrestres, mas como um local de confinamento e detenção para forças
espirituais rebeldes. Nesse cenário em que se relatam contatos com supostos
seres intraterrenos ou manifestações oceânicas — fenômenos que levam esotéricos
a crer na existência de civilizações subterrâneas —, depara-se, na verdade, com
uma ardilosa estratégia de engano espiritual. Conforme registrado em Apocalipse
12:9, o sistema demoníaco atua de forma sistemática para ludibriar a
humanidade. Nesse sentido, a passagem de 2 Coríntios 11:14 é essencial para a
compreensão das táticas empregadas por Satanás e seus agentes: "E não é de
admirar, pois o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito,
portanto, que os seus ministros se transfigurem em ministros de justiça, cujo
fim será conforme as suas obras". Ao analisar a exortação de Paulo,
percebe-se que a menção aos "ministros de Satanás" não se limita aos
falsos profetas ou ensinadores humanos. Em uma acepção mais ampla e objetiva,
essa categoria abrange os espíritos caídos e entidades demoníacas que, sob o
comando do adversário, operam disfarçados para induzir ao erro. Portanto,
fenômenos associados à mediunidade, ao espiritualismo e às manifestações
ocultistas presentes na ufologia não passam de uma trama sofisticada. Tais
artifícios visam enganar os incautos — aqueles que carecem de discernimento
bíblico, desconhecem a revelação das Escrituras ou deliberadamente rejeitam a
Palavra de Deus, a única que descortina a verdadeira natureza deste mundo
caído.
O encontro de Jesus com a mulher
samaritana junto ao Poço de Jacó, em Sicar, possui um significado espiritual
profundo e transformador. Historicamente, este poço representava o legado de
Jacó e sua família, ancestrais das doze tribos de Israel; para eles, aquela
fonte não era apenas um símbolo de sustento e prosperidade, mas um elemento
essencial para a sobrevivência.
Conforme narrado no Evangelho de João,
capítulo 4, versículos 19 a 23, a mulher samaritana, ao reconhecer a natureza
profética de Jesus, questionou-o sobre a divergência entre os locais de
adoração: o Monte Gerizim, onde seus antepassados adoravam, e Jerusalém,
indicado pelos judeus. Jesus respondeu-lhe: "Mulher, acredita-me, a hora
vem em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que
não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.
Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em
espírito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim o adorem."
Ao analisarmos o diálogo entre Jesus e a mulher samaritana, identificamos que o
tema central é a adoração. Trata-se de uma adoração fundamentada no
conhecimento, pautada pela sobriedade e pelo discernimento, conforme nos
orienta o Novo Testamento. As Escrituras, ao narrarem a prática dos apóstolos e
a reunião da igreja primitiva desde o livro de Atos, estabelecem o Senhor Jesus
Cristo como o centro absoluto da adoração.
Não há, em todo o Novo Testamento,
qualquer registro de culto ou veneração dirigido a outros personagens, sejam
discípulos ou figuras como Maria. Tal prática é inexistente na igreja
estabelecida e liderada pelos apóstolos, os quais nem a praticaram, nem a
ensinaram.
À luz dessas evidências, compreendemos que a verdadeira adoração, em espírito e
em verdade, consiste em adorar ao Pai, por meio de Jesus Cristo e sob a ação do
Espírito Santo. Ao lermos o Novo Testamento com abertura e reconhecendo-o como
a autoridade máxima para definir nossa vida e devoção, identificamos a essência
do cristianismo: a verdade absoluta de que todo o texto neotestamentário é
profundamente cristocêntrico. Ao examinarmos o Evangelho de João, capítulo 14,
versículo 6, observamos a declaração de Jesus: “Ninguém vem ao Pai, a não ser
por mim”. Este versículo estabelece o papel de Cristo como o único Mediador — o
pontífice que restaura a conexão entre a humanidade e Deus. Portanto, não se deve
atribuir a outrem a função de ponte ou intercessor para alcançar o Criador de
forma concreta. Ao proferir tais palavras, Jesus manifesta um caráter de
exclusividade. Ele afirma, de maneira explícita e direta, a impossibilidade de
acesso ao Pai por qualquer outro meio. Sendo Cristo o único caminho capaz de
reconciliar o homem pecador à presença divina, compreendemos que a totalidade
da vida espiritual depende deste relacionamento: Jesus não apenas nos conduz ao
Pai, mas é Ele próprio o caminho que viabiliza essa comunhão.
A nossa compreensão fundamenta-se no ensinamento bíblico de que Cristo é o
nosso único mediador. Sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Ele possui a
prerrogativa de assentar-se à destra do Pai e interceder por cada um de nós,
verdade esta que é ratificada em cada página do Novo Testamento.
Consequentemente, rejeitar o testemunho do Espírito Santo a esse respeito
equivale a atribuir-Lhe falsidade. Ademais, ao negar a autoridade do Espírito
Santo, manifesta nas Sagradas Escrituras — especialmente no que tange à
exclusividade de Cristo como nosso único e divino mediador —, incorre-se em um
grave erro. Somente Ele possui tal capacidade, por ser, simultaneamente,
verdadeiro Deus e verdadeiro homem, conforme atestam diversos trechos bíblicos,
com destaque para o Evangelho de João, capítulo 14, versículo 6. Aqueles que
renegam essa verdade e não pautam sua vida por ela acabam por atribuir ao
Espírito Santo a pecha de mentiroso; tal postura, portanto, configura uma
blasfêmia equiparável à obra do próprio pai da mentira. Ao erigir imagens e
santuários em veneração a Maria, os católicos adotam práticas que, sob uma
perspectiva bíblica, carecem de respaldo nas Escrituras. Não há, no Novo
Testamento, mandamentos de Cristo ou orientações apostólicas que legitimem tal
conduta. Essa prática conduz o fiel não apenas à prostração diante de imagens
de escultura, mas à reverência excessiva a uma criatura, que as Escrituras
definem estritamente como serva. Existe, portanto, uma distinção entre a Maria
bíblica, reconhecida por sua humildade, e a figura consolidada pela tradição
católica, à qual são atribuídos títulos como "Rainha dos Céus",
"Mediadora" e "Corredentora". Tais designações induzem os
fiéis a atos de invocação, súplica e prostração, gestos que se assemelham ao
culto prestado a divindades pagãs.
A própria Bíblia de Jerusalém, ao descrever a
veneração à deusa Diana pelos efésios, evidencia que, no contexto litúrgico e
ritualístico, os termos "venerar" e "adorar" convergem para
o mesmo propósito. Conclui-se, por essa análise, que a veneração a entidades ou
imagens, quando inserida em um rito de culto, configura-se como prática de
idolatria.
Ao analisar a história do paganismo e das religiões idólatras — como o
hinduísmo, as antigas práticas egípcias e as tradições que circundavam o antigo
Israel —, observamos a utilização recorrente de estatuetas. Tais objetos eram
reverenciados como divindades, protetores e patronos, servindo como
intermediários entre os vivos e os mortos, aos quais se dirigiam súplicas e
diálogos. É possível notar a reintrodução e a adaptação desses conceitos dentro
do catolicismo romano, manifestando semelhanças que não podem ser ignoradas por
um observador atento. A Bíblia, de forma abrangente, posiciona-se frontalmente
contra tais práticas, caracterizando-as como uma falsa espiritualidade; o
apóstolo Paulo, inclusive, equipara o culto aos ídolos à adoração de demônios. Um
grande pensador católico e grande escritor francês, Jean-Claude Bourreau, em um
livro cujo título é Quem é Deus, publicado pela editora Vozes, na página 15,
afirmou, o cristianismo herdeiro do judaísmo dos profetas que derrubavam os
ídolos lutou durante muito tempo contra Baal, mas recuperou em grande dose esta
fé pagã. Podemos dizer que o próprio cristianismo foi repaganizado
Observa-se, com clareza, que muitos sacerdotes, líderes e apologistas católicos
têm omitido de seus fiéis a natureza real das práticas devocionais direcionadas
a Maria. Sustenta-se que o culto, as procissões e as orações prestadas a ela
seriam meramente uma forma de veneração, classificada pelo neologismo
"hiperdulia". Contudo, tal termo parece servir apenas como um
artifício para encobrir a verdadeira natureza desses atos: a adoração. Não se
trata, portanto, apenas de uma homenagem à figura da Mãe de Deus ou de um culto
de honra.
No livro “A Arte de Aproveitar as Próprias Faltas”, de Joseph Tissot (Editora
Quadrante), lemos na página 125 a seguinte declaração: "Por mais doentes
que estejamos, por mais desesperador que pareça o estado da nossa alma, se
quisermos curar-nos, Maria adotar-nos-á como seus doentes; e como não existe
doença espiritual que seja incurável nesta vida, e nenhuma pode resistir ao
tratamento da Todo-Poderosa Mãe de Deus, ela nos curará". Neste trecho, o
autor atribui a Maria o título de "Todo-Poderosa". Se tal qualidade lhe
é conferida, então também deve ser considerada uma divindade, incorre-se em uma
contradição lógica, pois ela é apenas uma criatura e serva. Ser “todo-poderosa”
incorre em ter onipotência, por definição, pressupõe também a onisciência e a
onipresença; portanto, ao conferir a Maria os atributos divinos, o catolicismo
confunde as fronteiras entre a criatura e o Criador. Se tal prática não for
caracterizada como idolatria, perde-se a própria definição de verdade.
Conclui-se, assim, que a doutrina católica propaga um equívoco, ao quais muitos
fiéis, por inocência, acabam por se submeter. A verdade é que a bíblia e os apóstolos
nunca atribuíram á Maria essas virtudes de onipotência, onipresença e onipotência,
pois sem esses atributos, ela nunca poder “Todo-poderosa” e isso nada mais é do
que uma blasfêmia. Qualquer pesquisador sério encontrará esses erros grotescos
na mariologia romanista.
Embora a figura de Maria seja digna de ser imitada por sua santidade e
plenitude, a super ênfase conferida à sua pessoa pelo romanismo carece de
fundamentação bíblica. Em nenhum momento as Escrituras — seja pelo ensino de
Jesus Cristo, da própria Maria ou dos apóstolos — determinaram a confecção de
imagens representativas, tampouco a prática de cultos, venerações ou preces
direcionadas a ela. Maria foi uma serva submissa, escolhida por Deus como
instrumento para a manifestação de Sua graça, poder e misericórdia, mas jamais
foi apresentada como o centro da devoção cristã. A centralidade deve pertencer
unicamente a Deus. Como nos recorda a passagem de Romanos 11:34-36: "Quem,
pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem deu
primeiro a ele para que lhe seja recompensado? Porque dele, por ele e para ele
são todas as coisas. A ele seja a glória eternamente. Amém." A glória
pertence exclusivamente a Deus, e não a Maria.
-- Revisado por Blip ViraTexto
[9/9 18:16] Clavio Jacinto: A Supremacia de Cristo em Filipenses
Muitos católicos desconhecem o que o apóstolo Paulo ensina em Filipenses
2:9-11 sobre a supremacia de Cristo — algo que é amplamente evidente em todo o
Novo Testamento. Nesses escritos, cada doutrina referente à devoção, à
esperança de salvação, à redenção e à via de intercessão é direcionada única e
exclusivamente a Cristo e ao seu senhorio:
"Por isso também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu o nome que é
sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão
nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus
Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai."
Nas Escrituras, esse papel é atribuído tão somente a Cristo. Não há uma única
passagem bíblica que oriente os fiéis a buscarem, implorarem, rezarem, se
prostrarem ou clamarem por Maria, tampouco a pedirem sua intercessão, a fazerem
esculturas para se prostrarem diante delas ou a realizarem cultos e procissões
em sua homenagem.
A Bíblia Sagrada é clara: todo joelho se dobrará e toda língua confessará que
Jesus Cristo é o Senhor. Ele, e somente Ele — e não a sua mãe.
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