A TEORIA DO BIG BANG E AS ESCRITURAS
Por que a explosão cósmica e a revelação de Gênesis não se
reconciliam
Por C. J. Jacinto
Poucas
ideias científicas conquistaram tanto espaço no imaginário moderno quanto a
teoria do Big Bang. Ensinada nas escolas, repetida em documentários e aceita
sem maiores questionamentos até mesmo por muitos cristãos, ela se tornou a
explicação oficial para o começo de tudo. Neste artigo, quero examinar de onde
essa teoria veio, o que ela de fato propõe e, principalmente, por que ela não
se harmoniza com o que as Escrituras revelam sobre a criação.
Como nasceu a teoria
A
história começa com Georges Lemaître, que sugeriu que o universo teria surgido
a partir de um único ponto denso e quente, a que chamou de “átomo primordial”
ou “ovo cósmico”. Para sustentar a proposta, ele recorreu às equações da Teoria
da Relatividade Geral, de Albert Einstein, e procurou mostrar que o universo
não é estático, mas se encontra em constante expansão.
A
confirmação prática veio em 1929, quando o astrônomo norte-americano Edwin
Hubble comprovou a expansão do universo ao observar que as galáxias estavam se
afastando umas das outras. Já o nome pelo qual a teoria ficou conhecida surgiu
em 1949, criado pelo astrônomo britânico Fred Hoyle. Curiosamente, ele o
empregou de forma irônica, durante um programa de rádio, justamente porque
defendia outra ideia sobre a origem do universo.
Uma ideia parente da emanação
Confesso
que considero a proposta de Lemaître muito próxima da ideia de emanação,
defendida pela cabala mística judaica. Segundo essa doutrina, todo o universo
seria uma emanação do próprio Deus, e essa concepção recebe o nome de monismo.
Em ambos os casos, tudo procede de uma única fonte concentrada, e não de um ato
criador deliberado de um Deus pessoal que existe à parte da sua criação.
Há
ainda outro ponto relevante. Assim como Teilhard de Chardin, Lemaître tentou
reconciliar a teologia católica com o cientificismo que avançava em sua época,
causando impacto sobre a leitura literal do livro de Gênesis.
O que diz a teoria e o que ela não consegue explicar
De
acordo com o Big Bang, há cerca de 13,8 bilhões de anos o universo, concentrado
em um minúsculo ponto que continha toda a matéria, explodiu e depois resfriou
enquanto se expandia. Em seguida, reações foram desencadeadas e interligadas,
criando as primeiras estrelas, as galáxias e tudo o que vemos hoje.
Mas
há uma pergunta que a teoria deixa em aberto: de onde veio esse minúsculo
ponto? Ninguém parece saber. Alguns dizem que ele sempre existiu. Outros
afirmam que ele seria o resultado do colapso de um universo anterior, o que
implicaria que a matéria é eterna. Essa saída, porém, esbarra no nosso
conhecimento da física, especificamente na segunda lei da termodinâmica.
Simplificando, o universo não é eterno no passado, nem será eterno no futuro.
Diante desse impasse, alguns, com considerável audácia, chegaram ao ponto de
declarar que a matéria surgiu do nada.
Uma
coisa é certa: é preciso abandonar o bom senso para aceitar especulações tão
incompreensíveis. Na minha avaliação, nenhuma delas tem credibilidade
científica ou bíblica. O Big Bang é ficção científica.
Gênesis 1:1 e o verdadeiro agente da criação
Enquanto
isso, o primeiro versículo da Bíblia traz uma declaração surpreendentemente
avançada sobre a origem do cosmos. Qualquer pessoa inteligente entende que o
universo é composto de espaço, matéria, energia e tempo. Pois bem: Moisés,
inspirado pelo Espírito Santo, nos revela quem deu início a esse começo. Deus é
o agente da criação.
“No princípio (tempo) criou (energia) Deus (o agente) os céus (espaço) e
a terra (matéria)”.
Lemaître
e, depois dele, os profetas do cientificismo apenas substituíram o agente da
criação. Excluíram Deus e, no lugar dele, colocaram uma espécie de potência
molecular que concentrava todas as coisas num único ponto e que, por um suposto
princípio de ignição, “explodiu”, expandindo o universo e organizando todas as
coisas.
A ordem não nasce do caos
O
cenário do Big Bang especula que um universo maravilhosamente ordenado surgiu
de forma aleatória a partir de uma explosão gigantesca, um verdadeiro
holocausto cósmico. No entanto, nunca se observou uma explosão caótica
produzindo uma ordem complexa que funcione com um propósito. Em outras
palavras, a explosão de uma impressora não produz uma enciclopédia. Um tornado
que atinge um ferro-velho não monta um Boeing 747. Nenhuma construtora reúne
materiais em um ponto e os explode esperando que o resultado seja um prédio. A
ideia é absurda, não é? Além disso, os evolucionistas não conseguem apontar
nenhum mecanismo que permita ao universo começar em um estado arbitrário e
depois evoluir para o seu atual estado altamente ordenado.
Há
também a questão do movimento. Se o Big Bang fosse real, seria de esperar que
toda a energia tivesse sido expelida radialmente para fora do centro da
explosão, de acordo com o princípio do momento angular. Não esperaríamos que o
universo fosse caracterizado pelos movimentos orbitais curvos que observamos
por toda parte, como a revolução da Terra em torno do Sol.
O
mesmo vale para a radiação de micro-ondas, que se acredita ser o calor residual
do Big Bang. Ao tentar medi-la, os cientistas encontraram uma uniformidade
surpreendente, que não condiz com os vazios e as galáxias presentes num
universo tão irregular. Deveria haver uma correlação entre a composição
material do universo, que emite calor, e a temperatura da radiação
correspondente, mas não é isso que acontece. A diferença de temperatura
detectada foi de cerca de 30 milionésimos de grau, o que levou mais de um
cientista a questionar se os instrumentos usados são sensíveis o bastante.
Se
as teorias naturalistas lutam para sobreviver e, na minha visão, não há
evidências do Big Bang, por que tantas pessoas religiosas aderiram às teorias
da evolução em vez de crer na palavra sagrada de Deus?
A Bíblia e o Big Bang: existe concordância?
Existe
alguma concordância entre a revelação de Deus em Gênesis e o modelo do Big
Bang? Não, não há. E pessoas informadas de ambos os lados da questão estão
cientes desse fato. A Bíblia não apoia a teoria do Big Bang, e o modelo do Big
Bang contradiz a revelação de Deus em sua Palavra.
A
Bíblia afirma que todo o universo, incluindo a Terra com seus diversos
organismos biológicos, surgiu durante os seis dias literais da semana da
criação (cf. Gênesis 1; Êxodo 20:11). A teoria do Big Bang, em contraste,
postula eras de tempo. Além disso, a Escritura afirma repetidamente que a
humanidade existe desde o início da criação (cf. Isaías 40:21; Marcos 10:6;
Lucas 11:50; Romanos 1:20).
A
Bíblia registra uma antiguidade humana que remonta a alguns milhares de anos
antes de Cristo, como evidenciam os registros genealógicos da ancestralidade do
Senhor desde Adão, o primeiro homem (1 Coríntios 15:45).
Pense
bem nisso. São cerca de dois mil anos desde o presente até Jesus Cristo, outros
dois mil anos até Abraão e vinte gerações entre Abraão e Adão (cf. Lucas
3:23-38). Mesmo que admitamos algumas pequenas lacunas na narrativa do Antigo
Testamento (cf. Gênesis 11:12; Lucas 3:35-36), nenhum estudante reverente e
responsável da Bíblia tentaria encaixar 20 bilhões de anos nessas 20 gerações.
Em resumo, de acordo com o testemunho de Deus na Bíblia, o universo não pode
ter bilhões de anos.
Conclusão
Em
minha convicção, a teoria do Big Bang carece de validade científica e bíblica.
Ela não encontra respaldo na ciência genuína (cf. 1 Timóteo 6:20) nem na
exegese bíblica responsável (cf. 2 Timóteo 2:15). Não foi uma partícula de
potências concentradas num ponto ínfimo que deu origem a tudo. Foi a palavra de
ordem de Deus que criou todas as coisas: “E disse Deus: haja…”. Toda a
Escritura atesta isso (cf. Isaías 44:24; Salmos 33:6; Neemias 9:6; João 1:3;
Colossenses 1:16-17; Apocalipse 4:11, entre outros textos).
Concordamos,
pela primeira vez, com vários evolucionistas quando afirmam que o modelo do Big
Bang e a Bíblia são irreconciliáveis. Embora saibamos que “pela fé entendemos
que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que aquilo que se vê
não foi feito do que é visível” (Hebreus 11:3), também sabemos que a
evolução cósmica, tal como expressa no modelo do Big Bang, é uma fraude.
Autor: C. J. Jacinto
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