“Antes e depois de ler as Escrituras,
ore fervorosamente para que o Espírito que as escreveu as interprete para você,
o livre da incredulidade e do erro e o conduza à verdade”. (Richard Baxter)
“Conhecimento sem devoção é inútil.
Devoção sem conhecimento é irracional. Mas o verdadeiro conhecimento de Deus
inclui compreender tudo a partir de sua perspectiva e isso é vívido, pessoal e
valioso. Teologia é a arte de aprender a pensar os pensamentos de Deus.
Seguindo-o é aprender o que Deus ama e odeia e ouvir, pensar e agir de maneira
que Deus deseja. Conhecer os pensamentos de Deus é o primeiro passo para se
tornar piedoso. Em Hebreus, capítulo 5, versículo 11 até o capítulo 6,
versículo 3, ensina que aprofundar o entendimento teológico capacita a pessoa a
discernir o bem do mal, exorta os crentes a amadurecer e no conhecimento de
Deus. De Deus e dos seus caminhos.” (Introdução a Teologia - Alpha Institute)
“Geralmente pensamos nos métodos de
assimilação da Palavra como pertencentes a quatro categorias: ouvir a Palavra
ensinada por nossos pastores e mestres (Jeremias 3:15), ler a Bíblia por nós
mesmos (Deuteronômio 17:19), estudar as Escrituras atentamente (Provérbios 2:1-5)
e memorizar passagens-chave (Salmo 119:11). Todos esses métodos são necessários
para uma assimilação equilibrada da Palavra... [Mas] devemos fazer mais do que
ouvir, ler, estudar ou memorizar as Escrituras. Devemos [também] meditar nelas
(Josué 1:8).” (Jerry Bridges)
Recentemente, durante um estudo
bíblico semanal, um dos participantes formulou uma questão profunda: "Como
posso alcançar a iluminação e a compreensão das coisas espirituais na leitura
das Escrituras?". Esta indagação revela-se extremamente pertinente aos
nossos dias, visto que observamos uma escassez crescente de pessoas que possuam
tal discernimento. É uma experiência extraordinária abrir as Escrituras e ser
alcançado por uma iluminação espiritual que nos permite compreender, com maior
profundidade, a riqueza dos ensinamentos sagrados, ver as verdades mais
profundas e preciosas se revelarem diante de nossos olhos. Considero o estudo
da Palavra um mergulho em um oceano profundo, onde se encontram pérolas capazes
de enriquecer nossa jornada espiritual. Contudo, o acesso a esses tesouros
exige a observância de certos princípios, os quais gostaria de apresentar a seguir.
A primeira condição para o estudo das Escrituras e para a recepção de
revelações profundas é a prática do temor, acompanhada de um respeito reverente
pela Palavra de Deus. Não manuseamos um livro comum, mas a Palavra de Deus
revelada e inspirada; por isso, devemos tratá-la com a máxima preciosidade e
profunda reverencia, conferindo ao texto sagrado a dignidade que lhe é
intrínseca.
A segunda condição que desejo apresentar é a necessidade de cultivar um amor
profundo e inabalável pelas Escrituras. Esse zelo não deve apenas manter-se
constante, mas crescer continuamente; sem uma devoção fervorosa aos textos
sagrados, o progresso no conhecimento será limitado, impossibilitando o alcance
da profundidade espiritual que tanto almeja. Tenha em mente que a conquista de
grandes objetivos exige um amor intenso e a disciplina necessária para
traduzi-lo em ações e em uma busca incansável. Portanto, estabeleço este como
um princípio fundamental: a ausência de um profundo amor pelas Escrituras torna
impossível o progresso no conhecimento de seus mistérios, valores e riquezas.
O terceiro princípio que desejo apresentar refere-se à humildade, que se
desenvolve progressivamente pelo reconhecimento de nossas limitações e falhas.
É essencial manter a consciência constante de nossas fraquezas, dispondo-nos a
humilharmo-nos diante da soberania do Senhor e a confessar nossos pecados. Ao
ler atentamente as Sagradas Escrituras, perceberemos que elas revelam,
inevitavelmente, nossa própria imperfeição. De fato, a Bíblia não pode servir
como luz para o próximo sem que, primeiramente, funcione como um espelho para
nós mesmos.
“Lembre-se de que não é a leitura
apressada, mas a meditação séria sobre as verdades sagradas e celestiais que as
torna doces e proveitosas para a alma. Não é o mero toque da flor pela abelha
que recolhe o mel, mas sim a sua permanência por um tempo na flor que extrai a
doçura. Não é aquele que lê mais, mas sim aquele que medita mais, que se
revelará o cristão mais escolhido, mais doce, mais sábio e mais forte.” (Thomas
Brooks)
O quarto princípio que gostaria de apresentar refere-se à consagração da sua
capacidade intelectual e da sua mente ao Senhor. É permitir que o Espírito Santo
dirija e assuma o governo da sua consciência, a fim de que você alcance o
discernimento espiritual necessário para glorificar a Deus através da sua vida.
Cultivar esse espírito de servidão, mediante a entrega completa da mente e do
coração ao Criador, é um requisito fundamental para que Ele, por meio do Santo
Espírito, possa atuar em seu entendimento, revelando as preciosas profundezas
contidas nas Escrituras. Deus ilumina a mente do homem santo com o propósito
supremo de que Ele seja glorificado. Lembre-se sempre de que o caminho da
erudição é, essencialmente, o caminho da piedade; ambos são pilares
indispensáveis para a formação do verdadeiro homem santo. Portanto, uma mente,
uma vida e um coração consagrados proporcionarão a necessária clareza para compreender
as verdades divinas.
“Leia a Bíblia com sincera oração,
pedindo o ensino e o auxílio do Espírito Santo. Aqui está a rocha na qual muitos
naufragam logo no início. Eles não pedem sabedoria e instrução, e por isso
encontram na Bíblia um livro obscuro, do qual nada extraem. Você deve orar para
que o Espírito o guie a toda a verdade. Você deve suplicar ao Senhor Jesus
Cristo que “abra o seu entendimento”, como Ele fez com os Seus discípulos” (JC
Ryle)
“Muitas vezes, ao ler [a Bíblia],
cada palavra parecia tocar meu coração. Sentia uma harmonia entre algo em meu
coração e aquelas palavras doces e poderosas. Parecia-me ver tanta luz
manifestada em cada frase, e um alimento tão refrescante ali comunicado, que
não conseguia prosseguir com a leitura; freqüentemente me detinha longamente em
uma única frase, para contemplar as maravilhas nela contidas; contudo, quase
todas as frases pareciam repletas de maravilhas.” (Jonathan Edwards)
O quinto princípio que desejo apresentar é o da constância e da resiliência.
Devemos disciplinar nossa vontade para realizar uma leitura atenta, pausada e
meditativa, de modo que a mente esteja plenamente engajada no conteúdo estudado.
O objetivo é que, ao concluir a leitura ou a pesquisa nas Escrituras, o
conhecimento não seja esquecido, mas sim assimilado, tornando-se parte do seu
íntimo para o desenvolvimento de reflexões profundas. Ao interiorizar a
Palavra, você transforma seu coração em um verdadeiro tesouro espiritual. Esse
arsenal de passagens e ensinamentos, consultável a qualquer momento, servirá
como combustível para manter vivo o seu fervor e, acima de tudo, como bússola e
luz para guiar a sua caminhada diária.
O sexto princípio fundamenta-se na oração do apóstolo Paulo, na qual ele
suplica que o Senhor ilumine o entendimento dos efésios para a compreensão das
verdades sagradas. Tal prática deve ser constante em nossa vida: sempre que
abrirmos as Escrituras, é indispensável rogar humildemente ao Senhor, com
fervor e profunda devoção, que ilumine o nosso coração e a nossa mente. Devemos
clamar intensamente para que o Espírito Santo nos conduza a toda a verdade
durante o estudo da Palavra. O Espírito Santo é o nosso guia supremo.
O sétimo princípio que desejo apresentar consiste na tríade: escrever, anotar,
revisar e memorizar. Este processo demanda concentração elevada, força de
vontade, determinação e longanimidade; é um exercício contínuo de
aprofundamento e imersão. Tal prática requer uma dedicação rigorosa e uma
constância inabalável para que haja uma crescente familiaridade com o texto
bíblico e com os temas estudados nas Sagradas Escrituras. Lembre-se: o domínio
do conteúdo exige o uso diligente de papel e caneta, o hábito metódico das
anotações, a memorização sistemática e, acima de tudo, um nível profundo e
ininterrupto de atenção.
Como um complemento ao sétimo princípio, é fundamental que você adquira o
hábito de registrar versículos bíblicos relevantes, elaborar diagramas,
realizar análises e promover comparações. Ao transcrever trechos, rascunhar
paralelos entre passagens distintas sobre o mesmo tema e realizar apontamentos
detalhados, você internalizará a aplicação desse princípio com maior eficácia.
Tais práticas — que incluem a investigação minuciosa de textos, a articulação
de notas temáticas e a síntese de descobertas — são essenciais para o seu
aprimoramento acadêmico e para o desenvolvimento contínuo da sua percepção
espiritual.
Para concluir, apresento duas diretrizes adicionais que devem ser consideradas
além das que já expus.
Primeiramente, a gratidão. É imprescindível agradecer a Deus por, mediante o
Seu Santo Espírito, revelar progressivamente as verdades contidas nas
Escrituras. Você tem alcançado crescimento na graça e no conhecimento por meio
do processo de leitura, estudo, anotação e meditação que aqui demonstrei. A
oração é fundamental, tanto no que concerne ao pedido de auxílio do Espírito
Santo quanto ao agradecimento pela assistência recebida.
Em segundo lugar, desejo reiterar
uma verdade essencial: não existem "verdades novas" nas Escrituras. O
que existe são verdades que, embora presentes, ainda não foram percebidas
devido à falta de discernimento. Elas sempre estiveram lá.
“Nas Escrituras não existem
verdades novas, existem verdades que não foram percebidas, elas estão sempre
lá, o que existe é a falta de discernimento para percebê-las.”
Amém.
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C. J. Jacinto
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