A Ideologia de Gênero e o Bom Senso
C. J. Jacinto
Um dos pilares da teoria de gênero
fundamenta-se na premissa de que não existe uma determinação natural ou
objetiva para os papéis sociais atribuídos a cada sexo. Sob essa ótica, as
distinções convencionais entre homens e mulheres são interpretadas como construções
sociais — normas historicamente estabelecidas que, particularmente para o
público feminino, restringem as possibilidades de plena realização individual.
Consequentemente, os movimentos de gênero estabelecem como meta principal a
erradicação de tais disparidades e discriminações, conceito definido como
igualdade de oportunidades. Paralelamente, busca-se a igualdade de
representação ou de resultados, que pressupõe a equiparação proporcional da
presença de ambos os sexos em diversos âmbitos da vida social, notadamente no
mercado de trabalho. Contudo, tais premissas mostram-se, sob análise crítica,
equivocadas.
Aqueles que estudam o desenvolvimento humano desde a infância compreendem que
métodos modernos, como a ressonância magnética, permitem analisar a evolução do
cérebro ainda no período pré-natal. As conclusões científicas sobre este tema
são inequívocas: os cérebros de homens e mulheres desenvolvem-se de formas
distintas mesmo antes do nascimento, o que comprova a existência de diferenças
objetivas entre os sexos. Considerando que o cérebro é a estrutura biológica
fundamental para as faculdades mentais e espirituais do ser humano,
depreende-se que a busca por uma igualdade de resultados pode ser incompatível
com a equidade de oportunidades, dada a diversidade dos contextos em que homens
e mulheres estão inseridos na sociedade. Em uma sociedade equilibrada, homens e
mulheres desempenham papéis funcionais distintos, conforme proposto pelas
Escrituras. Essa diferenciação não implica desigualdade na dignidade humana,
mas sim uma complementaridade de funções. Tal realidade é evidenciada pela
aptidão materna no exercício do afeto, do cuidado e da nutrição emocional dos
filhos, enquanto se observa, historicamente, a responsabilidade paterna voltada
ao enfrentamento do trabalho árduo para o provimento e sustento do núcleo
familiar. Estabelece-se, assim, uma ordem de interdependência harmoniosa: os
filhos dependem do cuidado dos pais, a esposa encontra amparo na liderança e
proteção do marido, e este, por sua vez, dedica-se ao dever de prover para o
bem-estar de toda a sua família. O desenvolvimento da personalidade de homens e
mulheres no âmbito da família tradicional fundamenta-se em uma estrutura social
consolidada por realidades concretas, em contraposição às abstrações propostas
pela ideologia de gênero. Cada indivíduo exerce seu papel conforme a formação
de sua própria identidade e as características distintivas do seu sexo, o que
se reflete harmonicamente tanto na estrutura familiar quanto na sociedade. Essa
distinção essencial constitui uma evidência clara, amparada tanto por
perspectivas científicas quanto pelos princípios espirituais e cristãos.
Ignorar esse alicerce é comprometer o fundamento que sustenta uma civilização
segura e próspera. Todo estudante diligente das Escrituras compreende que o
modelo estabelecido por Deus, desde os primórdios descritos no livro de
Gênesis, atribui papéis distintos aos homens e às mulheres na organização da
sociedade e no propósito divino. Ao longo da revelação progressiva, que se
estende até o Apocalipse, observa-se que os homens foram vocacionados a
desempenhar funções fundamentais na transmissão da revelação bíblica,
evidenciado pelo fato de que todos os autores do Antigo e do Novo Testamento
foram homens, bem como pela escolha de doze homens por parte de Cristo para o
apostolado. Tais designações refletem a soberania de Deus em determinar a
aptidão e a compatibilidade do homem para exercer essas responsabilidades
específicas em seus contextos espirituais.
Contudo, essa distinção funcional não
implica, de forma alguma, a inferioridade das mulheres. Elas possuem seu
próprio papel e importância, tanto no âmbito social quanto no espiritual. Deus,
em sua sabedoria, estabelece distinções desde a criação — como a separação
entre luz e trevas, terra e mar — e atribui identidades específicas ao homem e
à mulher, conferindo-lhes designações próprias, como Adão e Eva. Essas
particularidades não são apenas nominais, mas fundamentam-se na estrutura da
própria criação e na narrativa das Escrituras, reafirmando que a distinção de
papéis é uma característica intrínseca à ordem divina estabelecida para a
humanidade. A observação contínua do comportamento humano revela distinções
intrínsecas nas preferências e nos perfis de personalidade entre homens e
mulheres, fenômeno presente em todas as sociedades, independentemente de sua
cultura. Diante disso, a premissa de uma igualdade de gênero absoluta revela-se
incompatível com tal realidade. A estrutura social proposta pela ideologia de
gênero configura-se, sob esta perspectiva, como uma construção utópica que
diverge dos padrões historicamente consolidados para a manutenção da
estabilidade social. A civilização ocidental, por sua vez, serve como evidência
empírica que corrobora a existência e a persistência dessas distinções
naturais.
As descobertas da ciência atual sobre o perfil funcional e genético do cérebro
humano também são interessantes. As diferenças sexuais na estrutura cerebral
são comprovadamente presentes, como demonstrado por qualquer análise e pesquisa
científica a respeito do tema.
A partir dessa análise, é possível constatar essas variações e perceber que
elas existem porque cada cérebro — o feminino e o masculino — foi formado,
desenvolvido e projetado para desempenhar o seu papel na sociedade. Qualquer sociedade cujos cidadãos tenham bom
senso sabe que mulheres e homens são diferentes em sua natureza. Esses aspectos
distintos os tornam diferentes, em vez de um gênero igual. Eles são diferentes
tanto fisicamente — isto é, biologicamente — quanto mental e psicologicamente.
Qualquer pessoa que tenha filhos ou faça parte de um grupo familiar percebe as
diferenças na constituição de meninos e meninas. São diferenças que não são e
nem podem ser determinadas pela educação; diferenças que emanam do âmago da
personalidade de cada um. Deus os fez assim. Toda a estrutura psicológica,
biológica e comportamental, bem como as inclinações, os gostos e os afetos, são
completamente diferentes. Isso pode ser demonstrado na forma como vemos as
coisas de modo natural, tal como é apresentado pelas Escrituras. Contudo, hoje
em dia isso não é suficiente. A Bíblia não é suficiente; os estudos acadêmicos
não são suficientes. A tendência pós-moderna de relativizar — e, portanto,
equalizar — praticamente tudo tomou conta da humanidade a tal ponto que
questões antes impensáveis estão sendo abordadas com bastante seriedade. A
diferença de gênero não só deixou de ser vista como algo natural, mas, em
muitos aspectos, passou a ser encarada como resultado de uma opressão social da
qual a sociedade precisa ser curada. Isso é, no mínimo, um absurdo antibíblico,
anticristão e — por que não dizer? — antissocial. Atualmente, é plenamente
acessível realizar pesquisas e obter informações fundamentadas, bem como
argumentos sólidos, para contrapor a ideologia de gênero. Esse embasamento pode
ser alcançado por meio de fatos empíricos reveladores, que seriam evidentes
àqueles que não se encontram sob a influência desse movimento. É fundamental
compreender que as estruturas sociais foram estabelecidas por Deus desde a
criação, na qual o homem e a mulher possuem papéis distintos e complementares.
Sob essa perspectiva, as tensões e os conflitos sociais derivam da natureza
humana caída e não de preconceitos intrínsecos entre os indivíduos. Quando o
homem e a mulher desempenham, com sinceridade, as funções estabelecidas nas
Escrituras Sagradas, manifesta-se o desígnio divino: a mulher foi criada como
auxiliadora, promovendo um apoio mútuo e um equilíbrio essencial para a
segurança e a estabilidade da sociedade. Compreender esses princípios,
estabelecidos desde o livro de Gênesis, permite reconhecer a importância do
homem e da mulher como seres distintos, cada qual exercendo sua vocação única,
tanto na ordem social quanto no plano divino.
Bibliografia:
https://hbatlas.org/files/nature10523.pdf
https://www.snilek.cz/texts/kdyz-veda-vyvraci-genderovou-ideologii.html
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