A Heresia da Auto-Estima
C. J. Jacinto
A psicologia moderna possui raízes
em correntes filosóficas notadamente anticristãs, cujo propósito é analisar e
moldar o comportamento humano. Em virtude dessa natureza, muitos cientistas
contemporâneos questionam o rigor acadêmico da disciplina, não a considerando
como uma ciência autêntica. Todavia, apesar de tais críticas, a psicologia tem
alcançado ampla influência na atualidade, apresentando uma compreensão sobre as
emoções, os sentimentos e o amor que diverge substancialmente dos princípios
bíblicos. A psicologia moderna tem conferido uma ênfase excessiva ao
amor-próprio, o que pode ser interpretado como uma inclinação ao egocentrismo
ou à egolatria. Tal exaltação do valor pessoal, ao transcender as diretrizes
bíblicas acerca da natureza humana, torna-se um ponto de atenção crítica. Ao
privilegiar a autoestima de forma desmedida, a psicologia acaba por endossar
uma perspectiva fundamentalmente divergente dos princípios cristãos.
Ao examinarmos a Epístola de Tiago, capítulo 4, versículos 9 e 10, observamos
que a inspiração do Espírito Santo nos oferece orientações que frequentemente
divergem dos paradigmas da psicologia moderna. O texto sagrado nos exorta:
“Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em
pranto, e o vosso gozo em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos
exaltará”. Depreende-se, portanto, que, à luz das Escrituras, o caminho para a
verdadeira cura emocional não reside na exaltação do próprio ego, mas no
exercício da humildade. A mensagem do Evangelho convida o homem a reconhecer
sua miséria e a gravidade de seus pecados. Compreendemos, assim, que a natureza
adâmica, destituída da graça, encontra-se morta em seus delitos, resultando em
uma condição espiritual devastadora que demanda, impreterivelmente, o
arrependimento.
Em vez de recorrermos a esquemas de autoajuda
para solucionar nossas crises, a instrução apostólica nos conduz a um processo
de contrição diante do Senhor. É somente ao reconhecermos nossas fragilidades e
nos humilharmos perante a Sua presença que podemos experimentar uma cura
profunda e genuína.
Ao meditarmos no Salmo 119:71, lemos o
testemunho do salmista: "Foi-me bom ter sido afligido, para que aprendesse
os teus estatutos. Melhor é para mim a lei da tua boca do que milhares de ouro
ou de prata". Com isso, percebemos que a tristeza, a humilhação e a
aflição podem ser processos dolorosos, porém necessários, por meio dos quais
Deus trabalha em nossa vida para nos revelar a dimensão de Sua grandeza e misericórdia.
Ao meditarmos no Salmo 119:71, lemos o testemunho do salmista: "Foi-me bom
ter sido afligido, para que aprendesse os teus estatutos. Melhor é para mim a
lei da tua boca do que milhares de ouro ou de prata". Com isso, percebemos
que a tristeza, a humilhação e a aflição podem ser processos dolorosos, porém
necessários, por meio dos quais Deus trabalha em nossa vida para nos revelar a
dimensão de Sua grandeza e misericórdia.
A Bíblia não nos instrui a buscar a autoglorificação nem a cultivar um amor
excessivo por nós mesmos. Observemos, por exemplo, o que está registrado na
Epístola de Tiago, capítulo 4, versículos 13 a 16: "Atendei, agora, vós
que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e
negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a
vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por um instante e logo se
dissipa. Em vez disso, deveríeis dizer: Se o Senhor quiser, viveremos e faremos
isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes
pretensões. Toda ostentação semelhante a essa é maligna."
A natureza humana é corrompida por um pecado fundamental: o orgulho. Nesse
contexto, a autoestima frequentemente atua como um mecanismo para inflar ainda
mais essa vaidade. A Bíblia Sagrada não proíbe o amor-próprio, mas estabelece
que sua medida deve estar estritamente alinhada aos preceitos divinos. Ao
ordenar que amemos ao Senhor de todo o nosso coração, alma e entendimento, e ao
próximo como a nós mesmos, Jesus Cristo redefine a prioridade de nossos afetos.
Portanto, o amor intenso que deve ser cultivado em nosso interior é,
primariamente, o amor a Deus, e não uma exaltação de nós mesmos. Em Mateus 16:24-25, Jesus instrui os seus
discípulos afirmando: "Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo,
tome sobre si a sua cruz e siga-me; pois aquele que quiser salvar a sua vida,
perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á". Com
estas palavras, o Senhor enfatiza a necessidade de o ser humano renunciar ao
seu ego, ao orgulho e ao amor-próprio excessivo, visto que a centralização em
si mesmo pode tornar-se um obstáculo ao seguimento de Cristo. As Escrituras
reiteram constantemente a importância da humildade e do reconhecimento de
nossas fragilidades. Sob essa perspectiva, a disposição em submeter-se a sofrimentos
temporários, em nome da fidelidade ao Senhor, conduz à promessa de uma glória e
alegria sublimes na vida eterna. Em
passagens como Romanos 12:3, observa-se a crítica do apóstolo Paulo ao excesso
de ênfase no "eu". Somos exortados a reconhecer nossa total dependência
de Deus, compreendendo que o verdadeiro amor não deve inflar o ego, mas servir
como combustível para uma devoção genuína ao nosso Senhor e Salvador, Jesus
Cristo. Torna-se evidente que a autoexaltação, praticada em detrimento do amor
a Deus e ao próximo, configura-se como um estado de declínio espiritual, e não
de saúde. Sob uma perspectiva prática, é preciso discernir que a psicologia
secular busca centralizar o ego e as necessidades emocionais sob um prisma
meramente humanista. É notável que as principais vertentes psicológicas ignoram
as Escrituras como alicerce fundamental para o desenvolvimento de seus
conceitos. Tais teorias fundamentam-se em uma sabedoria puramente terrena e
natural, alheia à revelação divina, fato que, por si só, justifica um estado de
constante vigilância por parte dos cristãos.
Observamos, portanto, que em passagens
como Mateus 22:37-38 e Mateus 16:24-26, a ênfase atribuída à valorização de si
mesmo é considerada, à luz bíblica, equivocada. Os ensinamentos cristãos
estabelecem que o amor deve ser direcionado primeiramente a Deus, seguido pelo
amor ao próximo. O autonegar-se, o exercício da humildade e o carregar da
própria cruz constituem princípios fundamentais para a vida cristã autêntica.
Nesse sentido, depreende-se que a doutrina contemporânea da autoestima, com seus
fundamentos psicológicos, revela-se incompatível com a fé cristã bíblica.
0 comentários:
Postar um comentário