JESUS, O SUBSTITUTO POR SEU POVO




 

"Quem os condenará? Pois foi Cristo quem morreu, e ainda mais, quem ressuscitou, está à direita de Deus e também intercede por nós." — Romanos 8:34

Os verdadeiros filhos de Deus não devem viver sob o medo da condenação, porque "agora, pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus". E Deus não deseja que temamos aquilo que jamais nos alcançará. Se você ainda não é cristão, não demore em buscar escapar da condenação, lançando mão de Cristo Jesus. Mas se você já creu verdadeiramente no Senhor Jesus, você não está sob condenação e nunca estará, nem nesta vida nem na que há de vir. Deixe-me refrescar sua memória com algumas verdades preciosas a respeito de Cristo, que mostram que os crentes estão absolutamente livres diante de Deus.

1. A MORTE DE CRISTO – "Cristo morreu"

Os verdadeiros crentes não podem ser condenados, primeiramente, porque Cristo morreu. O crente tem Cristo como seu substituto, e sobre esse substituto o seu pecado foi lançado. O Senhor Jesus foi feito pecado por seu povo. "O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos... Pelas transgressões do meu povo ele foi ferido... Ele levou sobre si o pecado de muitos." (Isaías 53:6,8,12). Agora, nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de sua morte, sofreu a penalidade do nosso pecado e fez reparação à justiça divina. Observe, então, o consolo que isso nos traz. Se o Senhor Jesus foi condenado em nosso lugar, como poderíamos nós ser condenados? Enquanto a justiça subsiste no céu e a misericórdia reina na terra, não é possível que uma alma já condenada em Cristo seja também condenada em si mesma. Se o castigo já foi aplicado ao substituto, não é coerente com a misericórdia nem com a justiça que a pena seja executada uma segunda vez.

Deixo com vocês esta bendita consolação: o seu fiador já quitou a dívida por você e, sendo justificado no Espírito, saiu do sepulcro. Não imponham sobre vocês mesmos um fardo por causa da incredulidade. Não aflijam a consciência com obras mortas, mas voltem-se para a cruz de Cristo e busquem uma consciência renovada do perdão mediante o sangue que purifica.

2. A RESSURREIÇÃO DE CRISTO – "Antes, que ressuscitou"

Em segundo lugar, lembrem-se de que, assim como Jesus é, o seu povo também é, pois são um com ele. Sua condição e posição são figuras da nossa própria realidade. "Que está à direita de Deus." Isso significa amor, pois a mão direita é para o amado. Isso significa aceitação. Quem se sentaria à direita de Deus senão aquele que lhe é querido? Isso significa honra. A qual dos anjos Deus deu o privilégio de se assentar à sua direita? Poder também está implícido. Nenhum querubim ou serafim pode ser descrito como estando à direita de Deus. Cristo, que uma vez sofreu na carne, está em amor, aceitação, honra e poder à direita de Deus. Vejam, então, a força da pergunta: "Quem os condenará?"

Isso pode ser mostrado de duas maneiras. "Quem pode me condenar enquanto tenho um amigo tão influente na corte? Enquanto meu representante está perto de Deus, como posso ser condenado?" Mas, além disso, eu estou onde ele está, pois está escrito: "Ele nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus" (Efésios 2:6). Vocês podem imaginar que seja possível condenar alguém que já está à direita de Deus? A mão direita de Deus é um lugar tão próximo e tão excelso que não se pode supor que um adversário apresente uma acusação contra nós ali. No entanto, é lá que o crente está em seu representante, e quem ousaria acusá-lo?

Se vocês estivessem realmente à direita de Deus, teriam algum medo de serem condenados? Acham que os espíritos brilhantes diante do trono têm algum temor de condenação, embora tenham sido outrora pecadores como vocês? "Não", diriam vocês, "teria perfeita confiança se estivesse lá." Mas vocês já estão lá, em seu representante. Se acham que não estão, eu lhes pergunto: "Quem nos separará do amor de Cristo?" (Romanos 8:35). Cristo está dividido? Se vocês são crentes, são um com ele, e os membros devem estar onde está a cabeça. Até que condenem a cabeça, não poderão condenar os membros. Não é claro? Se vocês estão à direita de Deus em Cristo Jesus, quem os condenará? Que condenem aquelas hostes vestidas de branco que rodeiam para sempre o trono de Deus e lançam suas coroas aos seus pés; que tentem fazer isso, digo eu, antes de lançar qualquer acusação contra qualquer crente em Cristo.

3. A INTERCESSÃO DE CRISTO – "Que também intercede por nós"

Esta é outra razão pela qual o medo da condenação nunca deveria passar pela nossa mente, se de fato confiamos nossas almas a Cristo. Pois se Jesus intercede por nós, ele certamente intercede para que nunca sejamos condenados. Ele não direcionaria sua intercessão para questões menores e deixaria a principal de lado. "Pai, quero que os que me deste estejam comigo onde eu estou" (João 17:24) inclui o perdão de todos os seus pecados, pois não poderiam estar lá se seus pecados não fossem perdoados. Tenham certeza de que o rogo do Salvador assegura a absolvição do seu povo.

Reflitam que a intercessão do nosso Senhor deve ser prevalecente. Cristo não pede em vão. Ele não é um humilde suplicante distante que, com gemidos e suspiros, pede o que não merece; mas, com o peitoral brilhando com as joias que trazem os nomes do seu povo e trazendo seu próprio sangue como uma expiação infinitamente satisfatória ao propiciatório de Deus, ele pleiteia com autoridade inquestionável.

Se o sangue de Abel, clamando da terra, foi ouvido no céu e trouxe vingança, muito mais o sangue de Cristo, que fala dentro do véu, garantirá o perdão e a salvação do seu povo. O pleito de Jesus é indiscutível e não pode ser ignorado. Ele argumenta: "Eu sofri em lugar daquele homem." Pode a justiça infinita de Deus negar esse pleito? "Por tua vontade, ó Deus, eu me entreguei como substituto por estes meus. Não removerás o pecado daqueles por quem eu me coloquei?"

Não é este um bom argumento? Há a aliança de Deus para isso, há a promessa de Deus para isso, e a honra de Deus está envolvida. Quando Jesus intercede, não é apenas a dignidade da sua pessoa que tem peso, nem apenas o amor que Deus tem por seu unigênito, mas sua reivindicação é irresistível, e sua intercessão é onipotente.

Quão seguro é, então, o cristão, pois Jesus "vive sempre para interceder por ele" (Hebreus 7:25). Eu me entreguei em suas mãos amadas? Então nunca o desonre com desconfiança. Confio realmente nele como aquele que morreu, ressuscitou, está à direita do Pai e intercede por mim? Posso permitir-me alimentar uma única suspeita? Então, meu Pai, perdoa esta grande ofensa e ajuda teu servo a ter uma confiança maior, para que, em Cristo Jesus, eu me alegre e diga: "Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Romanos 8:1).

Vão, vocês que amam a Cristo e descansam nele, com o perfume desta doce doutrina em seus corações. Mas, ó vocês que ainda não confiaram em Cristo, há condenação presente para vocês. Vocês "já estão condenados, porque não creram no Filho de Deus" (João 3:18); e há condenação futura para vocês, pois o dia vem, o terrível dia, em que os ímpios serão como palha no fogo da ira do Senhor (Malaquias 4:1). A hora se aproxima. Venha, pobre alma, venha e confie no Crucificado, e você viverá, e conosco se alegrará, pois ninguém o condenará.


Adaptado de um sermão de Charles Spurgeon

 

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