Afonso de Liguório e a Deificação de Maria: uma Análise Crítica de "Glórias de Maria"
Por Clavio J. Jacinto
Introdução
O catolicismo romano reverencia Afonso de Liguório (1696–1787) como doutor da Igreja e como um de seus maiores teólogos. Sua obra mais célebre, "Glórias de Maria", é até hoje referência da devoção mariana oficial. No entanto, uma leitura atenta dessa obra revela algo teologicamente gravíssimo: Maria é sistematicamente tratada não como um ser humano exaltado pela graça de Deus, mas como uma entidade dotada de atributos exclusivamente divinos — em outras palavras, como uma deusa.
Este artigo apresenta provas documentais extraídas do próprio texto de Liguório, analisa o vocabulário utilizado e demonstra, com base na revelação bíblica, que tal teologia constitui uma forma de politeísmo e idolatria, incompatível com o monoteísmo do Antigo e do Novo Testamento.
1. Quem foi Afonso de Liguório?
Afonso Maria de Liguório foi um bispo, teólogo e fundador da Congregação do Santíssimo Redentor (Redentoristas). Canonizado em 1839 e declarado Doutor da Igreja em 1871, é considerado padroeiro dos moralistas e confesores católicos. Sua doutrina integra o que a Igreja Romana chama de "magistério" — o conjunto oficial de ensinamentos que vinculam a consciência dos fiéis.
Precisamente por sua posição no magistério, os ensinamentos de Liguório não podem ser descartados como opinião pessoal ou desvio isolado. Eles representam uma teologia aprovada, ensinada e difundida por séculos pela instituição romana. É este o peso que torna a análise a seguir ainda mais urgente.
2. O Adjetivo "Divina" e Seu Significado Teológico
A palavra "divina", do latim divinus, deriva diretamente de "divus" — pertencente aos deuses. Não se trata de uma metáfora neutra. Em contexto teológico cristão, o adjetivo "divino" é reservado às Pessoas da Trindade. Aplicá-lo a uma criatura — especialmente de forma sistemática e como atributo — equivale a deificá-la.
O próprio Liguório não desconhecia essa distinção. Em "Glórias de Maria", ele aplica o mesmo adjetivo tanto a Deus quanto a Maria, como fica claro no seguinte trecho:
"Espírito Santo o amor. As três Pessoas divinas" (p. 240)
Neste trecho, "divinas" é predicado exclusivo do Pai, do Filho e do Espírito Santo. No entanto, ao longo de toda a obra, o mesmo adjetivo — "divina Mãe" — é reiteradamente aplicado a Maria, na maioria das vezes sem qualquer delimitação retórica que o diferencie do uso trinitário. Isso não é descuido estilístico; são uma escolha teológica com consequências doutrinárias gravíssimas.
3. Provas Documentais: As Citações de Liguório
A seguir, transcrevemos passagens retiradas diretamente de "Glórias de Maria", com as respectivas páginas, para que o leitor possa verificar por conta própria. O livro encontra-se disponível publicamente no endereço:
https://jovensdacruz.com.br/wp-content/uploads/2019/12/glorias-de-Maria-jovens-da-cruz.pdf
3.1 Maria como Onividente
Onisciência e onividência são atributos comunicáveis apenas a Deus. Liguório, citando S. Epifânio, atribui essa prerrogativa divina a Maria:
"S. Epifânio chama a divina Mãe de onividente, pois, como Mãe desvelada, é (pronta) para atender às nossas misérias na terra e aliviá-las" (p. 128)
3.2 Maria como Todo-Poderosa
A onipotência é atributo exclusivo de Deus (Gênesis 17:1; Apocalipse 19:6). Ainda assim, Liguório escreve:
"Maria é todo-poderosa junto de Deus" (p. 113)
"Convindo, portanto, à mãe o mesmo império que ao filho, com razão Jesus, que é onipotente, tornou Maria todo-poderosa" (p. 114)
Nota: O texto não usa a expressão como hipérbole devocional controlada. O contexto imediato equipara o poder de Maria ao de Cristo de forma direta.
3.3 Maria como Mediadora Universal da Salvação
A Escritura é inequívoca: "Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (1 Timóteo 2:5). Liguório, contudo, distribui essa mediação a Maria:
"Todos os eleitos só se salvam pela mediação dessa divina mãe. E se esta sentença tem a verdade por si (...) dizer então se pode, como necessária consequência, que, da pregação sobre Maria e sobre a confiança em sua intercessão, depende a salvação de todos." (p. 36)
"Desde que não lhe ponhamos obstáculos, alcança-nos essa divina Mãe o paraíso, pela eficácia de suas súplicas e de seu patrocínio. Aquele, por conseguinte, que a serve e conta com sua intercessão, está seguro do paraíso" (p. 143)
"Não é possível que se perca quem com diligência e humildade cultiva a devoção para com a divina Mãe." (p. 85)
3.4 Maria Superior a Todos os Anjos e Criaturas
"Esta Divina Mãe é infinitamente inferior a Deus, mas é imensamente superior a todas as criaturas" (p. 207)
A ressalva "infinitamente inferior a Deus" não neutraliza a deificação; ela apenas institui uma hierarquia entre duas divindades — uma maior (Deus Trino) e uma menor (Maria) — estrutura típica do politeísmo greco-romano, onde havia deuses maiores e menores. Além disso, como provar pelas Escrituras que um ser humano é maior do que Querubins e Serafins? Esse não é o mesmo erro das Testemunhas de Jeová e sua Tradução do Novo Mundo das Escrituras, apresentando em João 1:1 Cristo como um deus, atribuindo inferioridade na divindade de Cristo quando a TNM apresenta Cristo como uma divindade com letra minúscula instituindo hierarquias?
Uma vez que os apóstolos e Cristo nunca ensinaram tais coisas, poderia tudo isso ser evangelho e cristianismo? Não advertiu severamente Paulo acerca da pregação de outro evangelho ou um evangelho diferente do que ele pregou, como sendo um anátema? Não é o Novo Testamento absolutamente cristocentrico? Errou o Espirito Santo ao colocar Cristo como centro absoluto e o movimento de convergência universal? (Efesios 1:10)
3.5 Maria Dotada dos Atributos da Imortalidade e Perfeição
O sistema teológico mariano de Liguório pressupõe ainda atributos como:
• Imortalidade conceitual sobre o corpo físico (A Igreja Católica não determina se ela morreu ou não, essa ambigüidade suponho ser proposital) — Maria; foi assunta corporalmente ao céu;
• Perfeição moral — concebida sem pecado (Imaculada Conceição);
• Poder sobrenatural ativo — atende salva, intercede, realiza milagres.
Todos esses são atributos que a Bíblia jamais confere a Maria. A imaculada conceição, por exemplo, contradiz diretamente Romanos 3:23: "Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus."
4. A Conclusão Inevitável: Politeísmo e Idolatria
Diante das provas acima, a conclusão é incontornável. Ao aplicar sistematicamente a Maria atributos como:
— Onividência (atributo de Deus, Salmos 139:7-12)
— Onipotência (atributo de Deus, Jeremias 32:17)
— Mediação universal da salvação (prerrogativa de Cristo, João 14:6)
— Superioridade sobre toda a criação (prerrogativa de Deus, Isaías 40:25)
...Afonso de Liguório não pratica uma "devoção exagerada". Ele pratica teologia politeísta, revestida de terminologia cristã.
O primeiro mandamento é claro: "Não terás outros deuses diante de mim" (Êxodo 20:3). E o profeta Isaías registra a declaração categórica do Senhor: "Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há Deus" (Isaías 45:5). O Novo Testamento confirma: "Porque há um só Deus" (1 Timóteo 2:5).
A devoção a Maria como apresentada por Liguório não é apenas erro doutrinal; é, nos termos das Escrituras, idolatria — atribuir a uma criatura o que pertence exclusivamente ao Criador (Romanos 1:25).
Considerações Finais
Este artigo não pretende atacar pessoas devotas que, muitas vezes de boa-fé, seguem as orientações da religiosidade popular. O alvo é a teologia oficial que alimenta essa devoção e que foi sistematizada por figuras como Liguório, elevadas ao estatuto de doutores da Igreja.
O homem espiritual, munido da Palavra de Deus, "discerne bem todas as coisas" (1 Coríntios 2:15) e é chamado a examinar toda doutrina à luz das Escrituras (Atos 17:11). As evidências documentais aqui apresentadas falam por si mesmas.
O leitor interessado pode verificar pessoalmente todas as citações acessando o livro "Glórias de Maria" no link indicado acima.
Outros trechos da obra mencionada podem ser analisados onde Liguorio chamada Maria de “divina” nas seguintes paginas: 207, 211, 213, 216, 220, 223, e 229
Para reforçar a posição desse artigo, sugiro a leitura desse pequeno texto de minha autoria abordando o mesmo assunto com outras fontes documentais:
https://heresiolandia.blogspot.com/2025/02/maria-mae-de-jesus-e-o-cristao-biblico.html
Clavio J. Jacinto www.heresiolandia.blogspot.com

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