A Heresia da Reencarnação


 



Entre os versículos freqüentemente citados pelos proponentes da doutrina da reencarnação, destacam-se Mateus 16:13-14 e Marcos 8:27-28. Analisemos o conteúdo desses trechos: "Tendo Jesus chegado à região de Cesareia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: 'Quem dizem os homens que eu sou?' Responderam eles: 'Uns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas'."

 Para os defensores da reencarnação, estes trechos, apresentados por dois evangelistas, são freqüentemente interpretados como evidências da crença judaica na reencarnação. Contudo, é crucial ressaltar que tal interpretação não comprova a existência da reencarnação nos moldes atualmente difundidos em diversos círculos espiritualistas. A seguir, apresentarei os argumentos que sustentam essa afirmação.

 Inicialmente, cumpre ressaltar que não é correto afirmar que os cristãos e judeus, no contexto do Antigo Testamento, bem como nos livros de Mateus e Marcos, compartilhavam a crença de que a perspectiva judaica, especialmente a daqueles que aguardavam o Messias, envolvia o retorno de profetas, por meio da reencarnação, os profetas do Antigo Testamento eram visto com particularidades integradas ao próprio ser pessoal e sua identidade e personalidade  indestrutível. A utilização desse trecho como prova de reencarnação por espiritualistas constitui uma interpretação exegética equivocada, ou melhor: uma eisegese.
Qual a natureza da reencarnação? A reencarnação, em essência, descreve o processo em que um indivíduo vive uma vida, subseqüentemente falece e, em seguida, renasce em um novo corpo. Este ciclo, dentro da perspectiva reencarnacionista, é impulsionado por um processo de autotransformação e expiação. No âmbito do espiritualismo, a reencarnação está intrinsecamente ligada à ideia de evolução, tanto do ser individual quanto do cosmos, abrangendo todas as criaturas, com ênfase no ser humano. É importante ressaltar que, na reencarnação, o indivíduo não retorna com o corpo físico original, nem com a mesma personalidade ou identidade. Em vez disso, a nova encarnação traz supostamente  consigo alguns fragmentos da personalidade anterior, (As suas Açoes)  possivelmente algumas memórias, mas manifesta-se como um novo ser. Por exemplo, sob a ótica da reencarnação, Napoleão Bonaparte não retornaria com o mesmo nome, características físicas ou perfil. Ele reencarnaria em um novo corpo, com uma nova identidade, completamente distinto do antigo Napoleão Bonaparte.

 A ressurreição proposta pelas Escrituras ao contrario traz de volta todo o ser integral, a pessoa completa. O texto de Mateus e Marcos apontam exatamente isso!

 Ao analisar detidamente os textos bíblicos mencionados, torna-se evidente que a resposta à pergunta de Jesus, registrada pelos discípulos, indicava diferentes interpretações sobre sua identidade. Alguns identificavam Jesus como João Batista, outros como Elias ou um dos profetas. A crença popular, nesse contexto, relacionava o retorno de Elias a uma ressurreição literal, do mesmo Elias do Antigo Testamento, em sua totalidade: corpo, personalidade e características. Este fenômeno, portanto, não se configura como reencarnação, mas sim como ressurreição. É exatamente o que diz o texto.

 Na ressurreição, a identidade individual é restaurada, incluindo o perfil e a integralidade do ser. A ressurreição de Elias, ou de qualquer profeta, implicaria no retorno completo de sua individualidade, o que não se assemelha à reencarnação. A ressurreição do corpo, nesse sentido, representa a reintegração do corpo original sob novas condições de ou não e da personalidade original do indivíduo.

 A expectativa da época, conforme sugerido pelos textos, era que Elias, Joao Batista ou um dos profetas retornaria em sua forma integral por meio da ressurreição, e não por reencarnação, pois esta última não possibilitaria o retorno de Elias ou quaisquer dos outros profetas em sua identidade completa e original.
Portanto, os defensores da reencarnação, ao buscarem nas escrituras sagradas apoio para suas crenças, incorrem em duplo equívoco. Inicialmente, erram em sua abordagem histórica, visto que a crença na reencarnação não era proeminente entre os judeus da época de Jesus, constituindo mais uma idéia de origem pagã do que parte integrante do judaísmo do período do Novo Testamento. Além disso, cometem um erro exegético, interpretando inadequadamente os textos sagrados. Diante disso, a eles se aplica a de Jesus: "Errais por não conhecer as Escrituras" (Mateus 22:29) E cristo apontou essa acusação para os que não criam na ressurreição.  

 

C. J. Jacinto

 

 

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