CRISTO EXALTADO
C. J. Jacinto
O Livro do Apocalipse é, indubitavelmente, é uma das obras mais cristocêntrica das Escrituras Sagradas. Nenhum outro texto bíblico exalta tão proeminentemente a pessoa e a natureza de Jesus Cristo. Embora existam outras passagens significativas no Novo Testamento, o Apocalipse se distingue por sua singularidade. No seu primeiro capítulo, revela de maneira vívida uma manifestação de Cristo, o Cristo Glorioso, que se apresenta a João na ilha de Patmos. O apóstolo João registra, com ênfase, toda a revelação que recebe do Cristo Glorioso, conforme detalhado no livro do Apocalipse.
Compreendamos a relevância do livro de Apocalipse para a estrutura do Novo Testamento. Por ser o último livro da Bíblia, é notável que, entre alusões e citações explícitas do Antigo Testamento, encontremos aproximadamente quinhentas passagens que a ele se relacionam.
Costumo
denominar a revelação do próprio Cristo, conforme registrada pelo apóstolo João
no livro do Apocalipse, como a Gloriosa Cristofania. Nela, Cristo é apresentado
de forma específica, com todas as suas características, expandindo-se ao longo
do livro como uma revelação não apenas do fim dos tempos, mas principalmente da
pessoa de Cristo: sua natureza, personalidade, ações e soberania, bem como seu
triunfo sobre todo o cosmos. No Apocalipse, Jesus é apresentado simbolicamente
sob diversas formas, inferindo-se seu triunfo sobre o mundo físico e
espiritual. Por meio da ressurreição, Cristo conquista ambos os reinos,
tornando-se absolutamente triunfante sobre todas as coisas. Inicialmente,
examinemos Apocalipse, capítulo 1, versículos 10 a 16, a descrição da gloriosa
aparição de Cristo ao apóstolo João. Essa visão evoca a lembrança da aparição a
Paulo no caminho de Damasco, conforme registrado em Atos, capítulo 8. Contudo,
é importante compreender que, neste trecho, são revelados detalhes da própria
glória de Cristo, com João delineando o perfil completo do Cristo ressurreto e
triunfante.
Analisemos alguns aspectos deste texto. Inicialmente, ele se refere a
"Filho do Homem", conforme apresentado no capítulo 1, versículo 13.
Essa designação evoca diretamente as profecias de Daniel, especificamente no
capítulo 7, versículo 13, e nos capítulos 10, versículos 5 e 6. A clara
interpretação é que, no contexto do livro de Daniel, o "Filho do Homem"
é o Messias que se encarnaria. A encarnação, portanto, refere-se à assunção da
natureza humana. É fundamental compreender que Jesus foi um homem perfeito, e
sua encarnação é uma doutrina essencial e inegociável na fé cristã. Essa
confissão é de tamanha importância que serve como um critério de discernimento
espiritual, como podemos observar em passagens como 1 João, capítulo 4,
versículos 1 a 6.
A afirmação
a seguir: A cabeça e os cabelos eram alvos como a lã e a neve. Isso simboliza
sua eternidade e sabedoria. Nesse contexto, a brancura dos cabelos representa a
eternidade de Cristo, que existe desde a antiguidade. Além disso, denota
sabedoria, visto que em passagens como Provérbios, capítulo 16, versículo 31,
os cabelos brancos são associados à sabedoria. Assim, conforme Colossenses,
capítulo 2, versículo 3, em Cristo estão ocultos todos os tesouros da sabedoria
e do conhecimento.
Sua voz ressoava como o fragor de muitas
águas, qual o rugido dos mares, ou como o ímpeto das torrentes que se
precipitam após copiosa chuva, provenientes dos rios que descem das montanhas.
Tal sonoridade simbolizava grande autoridade, uma voz que inspirava temor e
profundo respeito. Observamos e discernimos nessa expressão a autoridade
suprema de Cristo sobre os homens, a natureza e toda a criação.
As pernas,
com sua força radiante, demonstravam a firmeza dos passos daquele que é Rei dos
reis e Senhor dos senhores, que veio a este mundo para redimir a humanidade do
pecado, da morte e do juízo final, assumindo sobre si a condenação que cabia a
todos os pecadores. Esse Cristo caminhou resolutamente em direção à cruz e,
após a crucificação, ressuscitou triunfante, assentando-se à direita do trono
de Deus. Ele retornará glorioso, com os pés firmes em sua missão, inabalável em
sua luta e em sua vitória. Firme em sua jornada até a cruz, e firme em seu
retorno triunfal.
Em sua mão direita, ele detinha sete estrelas, simbolizando sua plena
autoridade sobre todas as esferas e poderes, sobre os anjos, e sobre todas as
autoridades estabelecidas na Igreja, as quais estavam sujeitas a seu controle e
governo.
De sua boca emanava uma espada de dois gumes, afiada, conforme descrito no
versículo 16 do capítulo 1. Esta imagem encontra paralelos em Apocalipse
19:11-15, em Efésios 6:17 e em Hebreus 4:12. A espada de dois gumes que saía de
sua boca simboliza sua palavra dotada de autoridade, conforme o próprio Cristo
declarou que sua palavra seria o critério de julgamento para os descrentes,
conforme João 12:48. Essa "espada" representa a palavra e a ordem de
Cristo, que, proferida com precisão, penetra profundamente e produz impacto
significativo.
Seu semblante resplandecia como o sol em seu máximo fulgor, irradiando força e luz. Essa imagem se harmonizava com seus olhos, que assemelhavam-se a chamas de fogo. Tal descrição evoca a figura de Cristo, dotado de onisciência e capaz de discernir profundamente todas as coisas. Podemos estabelecer paralelos com outras passagens do Apocalipse, como o capítulo 2, versículo 18, e o capítulo 19, versículo 12. Nesta representação, manifesta-se a Sua onipotência e onisciência, expressas por olhos penetrantes que tudo alcançam. Seu rosto revela a plenitude de Sua glória infinita.
Retomemos agora o livro do Apocalipse, em sua integralidade, que revela a pessoa e a glória de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Como mencionado, no capítulo 1, versículo 13, Ele é denominado "Filho do Homem", mas essa é apenas a introdução. A revelação de Cristo se inicia aqui. Primeiramente, é apresentada a sua humanidade perfeita. A natureza de Cristo, sendo 100% Deus e 100% Homem, será elucidada conforme analisamos essa progressiva revelação, que observamos no livro do Apocalipse. No capítulo 5, versículo 5, Ele é chamado de "Leão da tribo de Judá", e na mesma passagem, "Raiz de Davi". Nesses títulos, ainda se evidenciam as características da natureza humana de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Em Apocalipse 13 e 14, ele é descrito como o princípio da criação de Deus. Em Apocalipse 1:8, ele é declarado como o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o último, conforme também se observa em Apocalipse 1:17. Em Apocalipse 2:18, ele é denominado o Filho de Deus. Em Apocalipse 11:15, é referido como o Ungido. Em Apocalipse 1:8 e 4:8, ele é chamado de o Todo-Poderoso. Em Apocalipse 3:7, ele é descrito como o Santo e a Verdade, e também é identificado como a Verdade em Apocalipse 19:11. Por fim, em Apocalipse 3:14, ele é chamado de o Amém.
Em
Apocalipse, vislumbram-se diversos aspectos da obra salvífica de Cristo. Ele é
revelado como Aquele que nos ama, conforme Apocalipse 5. No mesmo livro, é
descrito como Aquele que vive para sempre (Apocalipse 1:18), e como Aquele que,
tendo morrido, ressurgiu para a vida (Apocalipse 1:18, 2:8). A narrativa também
apresenta Cristo e Seu retorno glorioso, prometido em Apocalipse 1:7. Ele é a
"Estrela da Manhã", conforme Apocalipse 22:16, e o Senhor, o Deus
Todo-Poderoso que reina, conforme Apocalipse 1:6, comparado com Apocalipse
20:4.
Diante disso, considerando Jesus como o Alfa e o Ômega, Ele é Aquele que ampara
Sua Igreja com a mão direita. A Igreja, portanto, encontra-se segura, protegida
pelo Senhor, conforme se observa em Apocalipse 1:16. Ademais, em Apocalipse
2:1, Ele caminha entre as igrejas, e em Apocalipse 17:14, luta ao lado daqueles
que foram regenerados.
Estabelece-se também uma relação com o mundo, pois Ele é descrito como o governante dos reis da terra, como consta em Apocalipse 1:5 e 5:14. Ratifica-se, então, em Apocalipse 17:14 e 19:16, que Ele é o Senhor dos senhores e Rei dos reis. Desse modo, o livro de Apocalipse revela-se, em sua essência, profundamente cristocêntrico, expondo uma multiplicidade de características da pessoa, da obra e da natureza de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Este é um estudo conciso. Convido o leitor a aprofundar-se no livro de Apocalipse, dedicando-se ao estudo da revelação acerca de Nosso bendito Senhor e Salvador Jesus Cristo.
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