A PROCLAMAÇÃO CORRETA DO EVANGELHO DA GLÓRIA DE CRISTO




 


C. J. Jacinto

 

 

A mensagem central, presente na epístola aos Romanos, capítulo 10, versículo 15, é clara: "E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz, dos que anunciam coisas boas!" Paulo, ao escrever, ecoa a profecia de Isaías, capítulo 52, versículo 7.  Mais tarde, em sua segunda carta a Timóteo, capítulo 2, versículo 15, Paulo oferece uma exortação: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade". A expressão "maneja bem" deriva do verbo grego “orthotoméo”, que significa "cortar retamente e com exata precisão", indicando exatidão e clareza na exposição da Palavra. Em 2 Pedro, capítulo 3, versículo 16, encontramos: "Como em todas as suas epístolas, nelas falando acerca destas coisas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os indoutos e instáveis torcem, como também as outras Escrituras, para sua própria perdição." A advertência ressalta a importância de interpretar as Escrituras com cuidado e discernimento. Um dos temas fundamentais da doutrina cristã, que exige uma exposição precisa e correta, é a justificação pela fé.

 O Evangelho, mensagem de salvação, significa "boas novas". Biblicamente, é definido como a obra expiatória vicária do Filho de Deus, abrangendo sua encarnação, vida perfeita, morte, sepultamento e ressurreição física e literal. Este evento constitui o fundamento da justificação pela fé, independentemente das obras, conforme atesta 1 Coríntios 15:1-4. Todos os que creem nesse Evangelho, invocando o Senhor, o Filho de Deus, alcançarão a salvação. O Evangelho é obra exclusiva do Filho, não resultante dos esforços humanos. É crucial não confundir o sacrifício de Cristo com as ações humanas. Em conformidade com os ensinamentos de Cristo, o Evangelho se fundamenta unicamente no sangue derramado por Ele em favor de toda a humanidade. Em suma, o Evangelho provém unicamente de Cristo, não da ação humana. Contudo, o efeito do Evangelho manifesta-se na crença, no arrependimento e na subsequente obediência do indivíduo. A prática da fé e a obediência não são meios para alcançar a salvação, mas sim a consequência natural da salvação recebida, evidenciando a transformação do crente em uma nova criatura em Cristo, conforme Paulo expõe claramente em 2 Coríntios, capítulo 5, versículo 17. Em consonância com Romanos 10:15, "Como pregarão, se não forem enviados?", a pregação do Evangelho emerge como um padrão intrínseco ao evangelismo, representando uma forma primária de proclamar as Boas Novas. Todos os cristãos são convocados a abraçar a doutrina, defender a fé e engajar-se na evangelização. A proclamação do Evangelho constitui uma responsabilidade universal, embora não seja a única. O crescimento na graça e no conhecimento, conforme 2 Pedro 3:18, também se manifesta como um imperativo. Adicionalmente, somos chamados a defender a fé, o que implica na aplicação da apologética em nossas vidas, conforme 1 Pedro 3:15 e Judas 1:3. Portanto, a proclamação do Evangelho, o crescimento espiritual e a defesa da fé cristã distinguem um cristão genuíno de um cristão apóstata e de um cristão nominal.

Em Romanos, capítulo 1, versículo 16, o apóstolo Paulo declara que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação. É o instrumento divino designado para a redenção da humanidade. O Evangelho demonstra uma poderosa influência na vida dos crentes e, ao longo da história da Igreja, tem exercido um impacto significativo sobre indivíduos e sociedades. Contudo, observa-se uma distinção entre a prática do evangelismo conforme os princípios bíblicos e as abordagens modernas. Atualmente, alguns cristãos empregam metodologias e conceitos não respaldados pelas Escrituras em suas atividades evangelísticas, como a sugestão de que a fé individual é a causa da regeneração espiritual. A regeneração espiritual é causada pela atuação do Espírito Santo na vida do pecador que se arrepende de seus pecados. Trata-se de uma ação divina no coração humano, não sendo o homem capaz de promover sua própria regeneração. A regeneração é concedida pela fé, sendo o Espírito Santo de Deus o agente que a realiza no coração do crente. Esse processo é comumente denominado "novo nascimento". O evangelismo, em sua essência, assemelha-se à prática dos apóstolos. A análise cuidadosa do livro de Atos dos Apóstolos revela os métodos empregados pelos apóstolos e pela igreja cristã primitiva na evangelização e na proclamação do Evangelho. Observa-se, com frequência, uma disparidade significativa entre essas práticas originais e as manifestações contemporâneas do evangelismo. É crucial refletir sobre essa divergência, pois a apresentação atual do Evangelho, em alguns casos, demonstra-se simplificada e superficial, podendo conduzir a conversões genuínas. A responsabilidade de apresentar as Escrituras com precisão, perante Deus e o Espírito Santo, é imensa. Os evangelistas cristãos, que anunciam a Boa Nova, devem possuir um sólido conhecimento bíblico para evangelizar de forma eficaz, compreendendo integralmente o Evangelho a fim de apresentá-lo com exatidão. Um Evangelho incompleto, superficial ou deturpado não é, em absoluto, o Evangelho. Conforme a epístola aos Gálatas, capítulo 1, versículos 8 e 9, tal mensagem representa um evangelho diferente, que, em vez de trazer bênção, acarreta condenação. Ao examinar o Novo Testamento, compreendemos que o Evangelho, na sua essência, revela a obra redentora de Deus em favor da humanidade, realizada por meio de Jesus Cristo. A doutrina central do Evangelho reside na pessoa de Cristo e em sua atuação em nosso benefício. Não se trata de uma colaboração, na qual Cristo inicia a obra e nós a completamos. O Evangelho não necessita de complementos humanos para ser eficaz; a obra de Cristo é completa em si mesma. Cristo consumou uma obra perfeita e suficiente através do sacrifício na cruz do Calvário. É exclusivamente por meio dessa obra, sem qualquer adição humana, que o Evangelho se manifesta em sua pureza original. Qualquer tentativa de adicionar algo a essa obra representa uma adulteração do Evangelho. Jamais se deve misturar o esforço humano com o sacrifício de Cristo, pois isso constitui uma profanação.
 Mediante a cruz, Cristo realizou uma obra finalizada e plenamente perfeita, capaz de conceder a salvação completa a todos que se aproximam dele com fé.

 Compreendo que a morte de Cristo constitui o alicerce da justificação, e somente ela. A leitura atenta de Romanos, capítulo 4, versículos 4 a 8, Romanos, capítulo 5, versículo 1, e Efésios, capítulo 2, versículos 8 a 10, demonstra que a justificação do cristão, ou seja, a justificação do pecador, é alcançada independentemente das obras realizadas por este, mas unicamente pela obra redentora de Cristo. Acredito firmemente que a salvação, conforme o Evangelho autêntico, é alcançada por meio da confissão: confessamos Cristo com a boca e cremos em nosso coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos. Conforme Paulo expõe em Romanos, capítulo 10, essa verdade deve ser constantemente relembrada. Ao mencionar a confissão de Cristo como Senhor, Paulo cita Joel, capítulo 2, versículo 32, onde se fala da confissão ao Deus do Antigo Testamento. Portanto, confessar Cristo com a boca, proclamá-lo como Senhor, é reconhecer sua divindade. A crença na divindade de Cristo, portanto, é um fundamento essencial para a salvação.

 De forma alguma colaboraremos com ações que complementem a obra redentora de Cristo na Cruz do Calvário. Considerar tal pensamento equivale a uma heresia. Conforme as Escrituras, em passagens como Efésios, capítulo 2, versículos 8 a 10, as boas obras são o resultado da salvação, e não um meio para alcançá-la. O apóstolo Paulo é explícito em sua epístola a Tito, capítulo 3, versículos 5 e 6, ao afirmar que a salvação não se dá por obras de justiça praticadas por nós, mas pela misericórdia de Deus, mediante a lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que Ele derramou abundantemente sobre nós por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador. Observamos, mais uma vez, a ênfase de Paulo em que a regeneração e a renovação provêm do Espírito Santo, sendo uma ação divina no coração humano. O homem não contribui para sua própria salvação, pois esta é alcançada exclusivamente por meio da obra completa e perfeita que Jesus Cristo realizou na cruz do Calvário. Este é o Evangelho da graça de Deus, o Evangelho que deve ser proclamado.

 

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