O primeiro versículo da Bíblia é incomparável por sua sublimidade e
abrangência, sua natureza é declarativa e não demonstrativa, afirmativa e não
argumentativa, histórica e não filosófica. Nesse versículo não há qualquer
tentativa de provar o ser de Deus, ele é o fato que não pode ser provado e
sobre ele são construídas todas as demais coisas, somente o insensato dirá não
há Deus. (William Graham Scroggie - O Descortinar do Drama da Redenção -Volume
I pagina 32)
A afirmação "No princípio, criou Deus os céus e a terra" pode ser
interpretada como a declaração inaugural da Bíblia. Trata-se de uma afirmação
concisa que estabelece, no cerne da revelação e da estrutura teológica das
Escrituras Sagradas, que um Deus onipotente, no início de tudo, trouxe à
existência o universo e tudo o que nele existe. A manifestação do poder criador
desse Deus, conforme revelado nas Escrituras, é a origem de todas as coisas.
A narrativa de Gênesis sobre a criação não se configura como uma asserção
científica, mas sim teológica. A teologia precede a ciência, pois esta última
se desenvolve a partir da realidade criada. Sem a ocorrência da criação, não
haveria possibilidade de disciplinas como biologia, arqueologia ou qualquer
outra ciência. Portanto, toda ciência fundamenta-se na criação, que, por sua
vez, emana do Criador. A teologia, que aborda a natureza divina e a
manifestação de seu poder, é, portanto, anterior à ciência. A ciência é
posterior, enquanto a teologia explora a essência de Deus e sua ação criadora. A
declaração inicial "No princípio, criou Deus os céus e a terra"
possui, dessa forma, uma natureza teológica, da qual derivam todas as áreas do
conhecimento, incluindo a filosofia e as diversas ciências.
A afirmação de que um ser onipotente criou o universo de forma instantânea e milagrosa, conforme narrado na Bíblia, constitui uma proposição teológica. A ciência, por outro lado, busca explicar a origem do universo e suas estruturas através de teorias como a do Big Bang, que postula um processo de expansão e evolução. Acreditar que um agente onipotente seja o responsável pela criação, em comparação com a complexidade da explicação científica, pode levar a uma compreensão mais profunda e abrangente, transcendendo a nossa capacidade de observação limitada pelo racionalismo. Nesse sentido, seria necessária uma revelação, como a que Deus concedeu a Moisés, conforme registrado no livro de Gênesis: "No princípio, Deus criou os céus e a terra."
Vamos pensar com calma, reforçando a idéia: Considerando
a complexidade e a vastidão do universo, o fato de uma criação realizada por um
agente onipotente pode ser vista como uma explicação que transcende a
capacidade humana de compreensão e observação limitada pelo racionalismo e
pelos efeitos da queda. A revelação divina, como a encontrada no livro de
Gênesis, oferece uma perspectiva sobre a origem do universo, propondo que
"No princípio, Deus criou os céus e a terra." Essa narrativa
proporciona um conhecimento que pode ser considerado profundo e amplo. Que
profunda reflexão se encontra na declaração inicial das Sagradas Escrituras! Na
nota de rodapé da Bíblia de Estudo ACF, somos remetidos a esse versículo. Ele
descreve o ato divino, instantâneo e milagroso, pelo qual Deus originou o
universo. Desta forma, o relato da criação em Gênesis contrapõe-se ao ateísmo,
ao panteísmo, ao politeísmo e à teoria da evolução. Essa afirmação é
consistente, pois o primeiro versículo das Escrituras proclama que todas as
coisas foram criadas por um agente onipotente e onipresente, conforme revelado
nas Sagradas Escrituras, de Gênesis a Apocalipse.
Todas as formas de descrença e, em certa medida, as divergências em relação à
teologia expressa em Gênesis 1:1 são resultado da Queda. O racionalismo ateu
limita-se à percepção do mundo físico, incorrendo em uma redução da realidade.
Esse reducionismo é consequência da Queda, que afetou a capacidade de
compreensão humana, tornando necessária a revelação divina para alcançar a
verdade. Dessa forma, a afirmação "No princípio, Deus criou os céus e a
terra" apresenta-se como a declaração mais sublime nas páginas do Antigo
Testamento.
No seu Comentário Bíblico Popular Sobre o Antigo Testamento, o Dr. William
MacDonald aborda o primeiro capítulo e o primeiro versículo de Gênesis. Ao
analisar a afirmação "No princípio, criou Deus", MacDonald ressalta
que essas palavras iniciais da Bíblia estabelecem o fundamento da fé. A crença
nessa premissa fundamental permite a aceitação de toda a Escritura. Gênesis,
portanto, apresenta o relato autêntico da criação, oferecendo significado e
propósito a pessoas de todas as gerações. O conteúdo do livro transcende a
capacidade humana de compreensão. Em vez de argumentar pela existência de Deus,
o texto a assume como um fato estabelecido.
Assim, compreendemos que Gênesis 1:1 ressoa como um eco, um profundo eco que se propaga ao cerne da humanidade. O homem, em sua condição de criatura dotada de intelecto, é capaz de apreender essa ressonância, esse chamado, essa proclamação cósmica dirigida a ele. Gênesis se apresenta como um livro, uma revelação destinada ao ser humano; não às árvores, nem às rochas, nem às aves, nem aos répteis, nem a qualquer outra criatura, mas sim ao homem, criado à imagem e semelhança de Deus, e, por conseguinte, detentor da capacidade de compreensão. Negar essa mensagem clara equivale a negar a própria identidade, a razão de ser, a lógica inerente à consciência e à inteligência humanas.
A negação de Genesis 1:1 é um caminho aberto para o oposto, quando a filosofia chega a Feuerbach, o que o ocorre é uma espécie de transhumanismo ontológico, pois a filosofia revestida do racionalismo humanista acaba transferindo para o homem a natureza divina. Para Feuerbach o conceito de Deus parece ser “arquetípico”, e transfere para o homem a criação da divindade, como um reflexo de si mesmo, e inverte o conceito: “No principio criou Deus...” para “O homem criou um deus...”
Na mensagem que fez eco cósmico, o Criador Onipotente fez todas as coisas, de
maneira notável, podemos observar, ao longo da narrativa bíblica, a partir do
princípio estabelecido em Gênesis 1:1, uma progressiva revelação cujo cerne nos
conduz a uma consumação. Desta forma, identificamos os temas da criação, da
queda, da redenção e da restauração. Ao chegarmos ao livro de Apocalipse,
constatamos que o Deus que, no princípio, criou os céus e a Terra, também, nos
últimos dias, na consumação de todas as coisas, criará novos céus e nova Terra.
Concluímos, portanto, que todo o universo e a história, abrangendo tempo,
geografia e eventos históricos, estão sob o controle daquele Deus soberano que
se manifestou no primeiro capítulo e versículo do livro de Gênesis, confiando a
Moisés a responsabilidade de dar início à narrativa abrangente conhecida como o
Drama da Redenção encerrando-se sob a responsabilidade do apóstolo João.
"Em Deus reside a prova da realidade absoluta. Negar sua existência
constitui-se em refinada ilusão."
C. J. Jacinto.

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