Um Reino Inabalavel

0 comentários

 


https://drive.google.com/file/d/1lPb6W9nnlhmSfME8-hv-7UYUI0Xn8dHn/view?usp=sharing

Pecado: sua natureza, essência e implicações teológicas

0 comentários

 



Introdução

Compreender o pecado exige mais do que uma definição moralista ou comportamental. Biblicamente e teologicamente, o pecado é um fenômeno profundo, estrutural e relacional, que envolve a ruptura do homem com o padrão divino, consigo mesmo, com o próximo e, sobretudo, com Deus. Este artigo organiza, de forma didática e rigorosa, o conceito de pecado a partir de seus fundamentos bíblicos, termos originais, tradições teológicas e implicações práticas, preservando a densidade conceitual necessária para um entendimento fiel às Escrituras.


1. A essência do pecado: desvio do padrão divino

A suma e essência do pecado podem ser descritas como um desvio do padrão divino. Não se trata apenas de atos isolados, mas de uma quebra da norma estabelecida por Deus para a vida humana.

Dentro da tradição cristã, há ênfases distintas:

  • No protestantismo clássico, especialmente na teologia da Reforma, o pecado é essencialmente descrença, incredulidade e falta de confiança em Deus.
  • No catolicismo romano, o pecado é frequentemente associado ao orgulho (superbia), entendido como a elevação da criatura contra o Criador.

Essas abordagens não são excludentes; antes, revelam dimensões complementares do mesmo problema espiritual.


2. O conceito hebraico de pecado

2.1 Errar o alvo: o conceito mais antigo

O termo hebraico mais antigo para pecado carrega a ideia de “errar o alvo”, indicando fracasso, desvio e perda do propósito. Esse erro possui uma natureza tripla:

  • Errar contra si mesmo
  • Errar contra o próximo
  • Errar contra Deus

O pecado, portanto, não é apenas vertical, mas também horizontal e interior.

2.2 Pecado como rebelião

Uma terminologia hebraica mais desenvolvida amplia o conceito, apresentando o pecado como revolta ou rebelião contra Deus. Aqui, o pecado assume seu significado pleno:

  • Iniquidade
  • Transgressão

Essa condição gera um homem ímpio, isto é, alguém cuja vida se encontra em desalinhamento contínuo com a vontade divina.


3. O conceito grego de pecado no Novo Testamento

O Novo Testamento aprofunda ainda mais a compreensão do pecado por meio de termos gregos específicos:

  • Hamartía (ἁμαρτία): desviar-se do padrão divino, errar o alvo estabelecido por Deus.
  • Parábasis (παράβασις): ultrapassar limites, ir além das fronteiras fixadas por Deus, violando conscientemente Seus mandamentos.
  • Anomía (ἀνομία): anomalia moral, vida sem lei, rejeição prática da ordem divina.

Esses termos demonstram que o pecado não é apenas ignorância, mas também quebra consciente, desordem moral e rebelião espiritual.


4. Perspectivas históricas da teologia cristã

4.1 Agostinho de Hipona

Para Agostinho, o pecado consiste em tudo aquilo que é contrário aos princípios divinos. Ele compreende o pecado como uma desordem do amor (ordo amoris), onde o homem passa a amar mais a criatura do que o Criador.

4.2 Tomás de Aquino

Tomás de Aquino descreve o pecado como uma espécie de enfermidade moral e espiritual, uma corrupção da reta razão iluminada pela lei divina.

4.3 Martinho Lutero e João Calvino

Para Lutero e Calvino, a descrença é a essência mórbida do pecado. O homem peca fundamentalmente porque não confia em Deus, preferindo apoiar-se em si mesmo.

4.4 O judaísmo

No judaísmo, o pecado é visto principalmente como atos específicos, e não como um estado ontológico de natureza caída. A ênfase recai mais sobre a prática do que sobre a condição interior herdada.


5. O pecado como natureza adâmica

Biblicamente, o pecado não se limita a ações isoladas. Ele é uma natureza inerente ao homem adâmico, que:

  • O faz errar o alvo
  • Produz escolhas erradas
  • Gera decisões equivocadas

Essa condição resulta em iniquidade, conduz o homem à impiedade e o coloca sob reprovação e condenação diante de Deus. Os atos pecaminosos são frutos de uma raiz mais profunda: a natureza caída.


6. Definições bíblicas de pecado

As Escrituras oferecem definições claras e complementares:

  • 1 João 3:4 – Pecado é transgressão da lei.
  • 1 João 5:17 – Toda injustiça é pecado.
  • Tiago 4:17 – Pecado é deixar de fazer o bem que se sabe que deve ser feito.
  • Romanos 14:23 – Tudo o que não provém da fé é pecado.

Esses textos revelam que o pecado envolve lei, consciência, fé e justiça.

O pecado levará o homem mais longe do que ele quer ir, o manterá por mais tempo do que ele quer ficar e lhe custará mais do que ele quer pagar.


7. Classificações do pecado

A. Pecados de comissão

Fazer aquilo que Deus claramente ordenou que não fosse feito.

B. Pecados de omissão

Deixar de fazer aquilo que Deus ordenou que fosse feito.

C. Pecados de presunção

Assumir o controle da própria vida sem buscar a vontade de Deus, inclusive nas chamadas “pequenas decisões” (Salmo 19:13).

D. Faltas secretas ou pecados de ignorância

Pecados cometidos sem plena consciência. Quando o crente anda na luz, esses pecados são cobertos pela graça, desde que haja obediência e confissão sincera (Salmo 19:12; 1 João 1:7).


8. Confissão, abandono e comunhão

A Escritura é clara quanto ao tratamento do pecado:

  • Confissão é necessária para a manutenção da comunhão com Deus (1 João 1:9).
  • Abandono do pecado é indispensável para experimentar misericórdia e restauração (Provérbios 28:13).

A graça não relativiza o pecado; ela o confronta, o perdoa e transforma o pecador.


Conclusão

O pecado, em sua essência, é uma rebelião contra Deus, um desvio do Seu padrão e uma condição profundamente enraizada na natureza humana caída. Compreendê-lo corretamente é indispensável para entender a gravidade da queda, a necessidade da redenção e a centralidade da graça em Cristo. Uma doutrina fraca do pecado inevitavelmente produzirá uma visão superficial da cruz; uma doutrina bíblica do pecado exalta, por contraste, a profundidade da obra redentora de Deus.

 

 

O artigo foi organizado por IA as idéias centrais e conceitos foram rascunhados e as anotações feitas por  C. J. Jacinto. O Artigo mantém todas as idéias centrais que foram rascunhadas e anotadas através de pesquisas pessoais anotadas ao longo dos anos. O ChatGPT atuou como um amanuense apenas organizando minhas anotações para desenvolver um artigo coeso de acordo com as informações enviadas.

 

Ovelhas Lobos e a Teoria da Evolução

0 comentários

Como as ovelhas sobreviveram

 

 

Ao refletirmos sobre a teoria de Darwin, muitas vezes nos perguntamos como as ovelhas conseguiram sobreviver. Darwin afirma que, na "dura luta pela sobrevivência" ao longo de extensos períodos de tempo, apenas os animais mais fortes e ágeis sobreviveram, enquanto os mais fracos e menos habilidosos desapareceram. Após analisarmos atentamente essa teoria, questionamos: como as ovelhas conseguiram sobreviver? Como foi possível que não fossem completamente exterminadas por seus inimigos mortais – os lobos? Afinal, uma loba dá à luz cinco ou seis filhotes por ano, enquanto, no mesmo período, uma ovelha dá à luz apenas um cordeiro. Portanto, a cada ano, são cinco contra um. Além disso, o lobo é dotado de força; possui garras e presas, características que a ovelha não tem. Ademais, o lobo não é mais rápido que a ovelha? Assim, a ovelha não tem esperança de sobreviver fugindo de seu impiedoso perseguidor. Além disso, o lobo vê na ovelha sua maior iguaria e é capaz de devorar um rebanho inteiro em uma única refeição. Então, perguntamos: por que as ovelhas não foram exterminadas ao longo dos anos e eliminadas da face da Terra por completo?

O homem os protegeu! Que homem? Não tinham existido lobos e ovelhas antes do homem? Darwin concorda com a Bíblia nesse aspecto: o homem surgiu na Terra depois de todos os outros animais, o que significa depois tanto dos lobos quanto das ovelhas.

O que pode ser mais fraco, menos agressivo, mais indefeso, mais desarmado do que a ovelha? A abelha é menor, mas tem seu ferrão. O micróbio é invisível, mas ataca com veneno. Compare o lobo com a ovelha. O lobo é um lutador, audacioso, poderoso, ágil; o lobo tem resistência e está bem armado. Como, então, a ovelha conseguiu sobreviver tão perto dos lobos e sem a ajuda de ninguém? E como podemos, diante desse fato óbvio, aceitar como verdade a afirmação de que os mais fortes e ágeis sobreviverão, enquanto os mais fracos e menos ágeis perecerão e desaparecerão na chamada “luta pela sobrevivência”?

Obviamente não podemos. Nossa experiência demonstra o contrário. O caso das ovelhas demonstra o contrário. E toda teoria científica deve ser orientada e corrigida pela experiência.

Portanto, tudo o que podemos fazer é nos apegarmos à nossa velha e boa crença, confirmada pela experiência, de que a Divina Providência governa o mundo, amparando os mais fracos, refreando os mais fortes e, ao mesmo tempo, mantendo aquela maravilhosa harmonia da vida em que tanto os lobos são bem alimentados quanto todas as ovelhas são amparadas. A prova dessa santa e amorosa Providência nos foi dada por nosso Senhor Salvador quando Ele disse que nem um único pardal cairia por terra sem a permissão de nosso Pai (Mateus 10:29).

 

 

fonte: http://www.holy-transfiguration.org/library_en/sc_darwin.html

 

 

 

Gênesis 1:1

0 comentários



 

O primeiro versículo da Bíblia é incomparável por sua sublimidade e abrangência, sua natureza é declarativa e não demonstrativa, afirmativa e não argumentativa, histórica e não filosófica. Nesse versículo não há qualquer tentativa de provar o ser de Deus, ele é o fato que não pode ser provado e sobre ele são construídas todas as demais coisas, somente o insensato dirá não há Deus. (William Graham Scroggie - O Descortinar do Drama da Redenção -Volume I  pagina 32)


A afirmação "No princípio, criou Deus os céus e a terra" pode ser interpretada como a declaração inaugural da Bíblia. Trata-se de uma afirmação concisa que estabelece, no cerne da revelação e da estrutura teológica das Escrituras Sagradas, que um Deus onipotente, no início de tudo, trouxe à existência o universo e tudo o que nele existe. A manifestação do poder criador desse Deus, conforme revelado nas Escrituras, é a origem de todas as coisas.

A narrativa de Gênesis sobre a criação não se configura como uma asserção científica, mas sim teológica. A teologia precede a ciência, pois esta última se desenvolve a partir da realidade criada. Sem a ocorrência da criação, não haveria possibilidade de disciplinas como biologia, arqueologia ou qualquer outra ciência. Portanto, toda ciência fundamenta-se na criação, que, por sua vez, emana do Criador. A teologia, que aborda a natureza divina e a manifestação de seu poder, é, portanto, anterior à ciência. A ciência é posterior, enquanto a teologia explora a essência de Deus e sua ação criadora. A declaração inicial "No princípio, criou Deus os céus e a terra" possui, dessa forma, uma natureza teológica, da qual derivam todas as áreas do conhecimento, incluindo a filosofia e as diversas ciências.

 A afirmação de que um ser onipotente criou o universo de forma instantânea e milagrosa, conforme narrado na Bíblia, constitui uma proposição teológica. A ciência, por outro lado, busca explicar a origem do universo e suas estruturas através de teorias como a do Big Bang, que postula um processo de expansão e evolução. Acreditar que um agente onipotente seja o responsável pela criação, em comparação com a complexidade da explicação científica, pode levar a uma compreensão mais profunda e abrangente, transcendendo a nossa capacidade de observação limitada pelo racionalismo. Nesse sentido, seria necessária uma revelação, como a que Deus concedeu a Moisés, conforme registrado no livro de Gênesis: "No princípio, Deus criou os céus e a terra."

 Vamos pensar com calma, reforçando a idéia: Considerando a complexidade e a vastidão do universo, o fato de uma criação realizada por um agente onipotente pode ser vista como uma explicação que transcende a capacidade humana de compreensão e observação limitada pelo racionalismo e pelos efeitos da queda. A revelação divina, como a encontrada no livro de Gênesis, oferece uma perspectiva sobre a origem do universo, propondo que "No princípio, Deus criou os céus e a terra." Essa narrativa proporciona um conhecimento que pode ser considerado profundo e amplo. Que profunda reflexão se encontra na declaração inicial das Sagradas Escrituras! Na nota de rodapé da Bíblia de Estudo ACF, somos remetidos a esse versículo. Ele descreve o ato divino, instantâneo e milagroso, pelo qual Deus originou o universo. Desta forma, o relato da criação em Gênesis contrapõe-se ao ateísmo, ao panteísmo, ao politeísmo e à teoria da evolução. Essa afirmação é consistente, pois o primeiro versículo das Escrituras proclama que todas as coisas foram criadas por um agente onipotente e onipresente, conforme revelado nas Sagradas Escrituras, de Gênesis a Apocalipse.

Todas as formas de descrença e, em certa medida, as divergências em relação à teologia expressa em Gênesis 1:1 são resultado da Queda. O racionalismo ateu limita-se à percepção do mundo físico, incorrendo em uma redução da realidade. Esse reducionismo é consequência da Queda, que afetou a capacidade de compreensão humana, tornando necessária a revelação divina para alcançar a verdade. Dessa forma, a afirmação "No princípio, Deus criou os céus e a terra" apresenta-se como a declaração mais sublime nas páginas do Antigo Testamento.


No seu Comentário Bíblico Popular Sobre o Antigo Testamento, o Dr. William MacDonald aborda o primeiro capítulo e o primeiro versículo de Gênesis. Ao analisar a afirmação "No princípio, criou Deus", MacDonald ressalta que essas palavras iniciais da Bíblia estabelecem o fundamento da fé. A crença nessa premissa fundamental permite a aceitação de toda a Escritura. Gênesis, portanto, apresenta o relato autêntico da criação, oferecendo significado e propósito a pessoas de todas as gerações. O conteúdo do livro transcende a capacidade humana de compreensão. Em vez de argumentar pela existência de Deus, o texto a assume como um fato estabelecido.

 Assim, compreendemos que Gênesis 1:1 ressoa como um eco, um profundo eco que se propaga ao cerne da humanidade. O homem, em sua condição de criatura dotada de intelecto, é capaz de apreender essa ressonância, esse chamado, essa proclamação cósmica dirigida a ele. Gênesis se apresenta como um livro, uma revelação destinada ao ser humano; não às árvores, nem às rochas, nem às aves, nem aos répteis, nem a qualquer outra criatura, mas sim ao homem, criado à imagem e semelhança de Deus, e, por conseguinte, detentor da capacidade de compreensão. Negar essa mensagem clara equivale a negar a própria identidade, a razão de ser, a lógica inerente à consciência e à inteligência humanas.

A negação de Genesis 1:1 é um caminho aberto para o oposto, quando a filosofia chega a Feuerbach, o que o ocorre é uma espécie de transhumanismo ontológico, pois a filosofia revestida do racionalismo humanista acaba transferindo para o homem a natureza divina. Para Feuerbach o conceito de Deus parece ser “arquetípico”, e transfere para o homem a criação da divindade, como um reflexo de si mesmo, e inverte o conceito: “No principio criou Deus...” para “O homem criou um deus...”


Na mensagem que fez eco cósmico, o Criador Onipotente fez todas as coisas, de maneira notável, podemos observar, ao longo da narrativa bíblica, a partir do princípio estabelecido em Gênesis 1:1, uma progressiva revelação cujo cerne nos conduz a uma consumação. Desta forma, identificamos os temas da criação, da queda, da redenção e da restauração. Ao chegarmos ao livro de Apocalipse, constatamos que o Deus que, no princípio, criou os céus e a Terra, também, nos últimos dias, na consumação de todas as coisas, criará novos céus e nova Terra. Concluímos, portanto, que todo o universo e a história, abrangendo tempo, geografia e eventos históricos, estão sob o controle daquele Deus soberano que se manifestou no primeiro capítulo e versículo do livro de Gênesis, confiando a Moisés a responsabilidade de dar início à narrativa abrangente conhecida como o Drama da Redenção encerrando-se sob a responsabilidade do apóstolo João.


"Em Deus reside a prova da realidade absoluta.  Negar sua existência constitui-se em refinada ilusão."




C. J. Jacinto.