CEGO GUIANDO CEGO – ADVERTÊNCIAS SOLENES
C. J. Jacinto
A controvérsia de Jesus Cristo no capítulo 15 de Mateus, relativa aos judeus e à tradição, atinge um ponto culminante no versículo no versículo 14, Jesus profere uma declaração que se estabelece como um princípio espiritual orientador para a alma sábia. Ele afirma que, quando um cego guia outro cego, ambos cairão em um abismo.
A passagem "Um cego guiando outro cego" ilustra a ironia da liderança espiritual defeituosa, conforme Jesus a empregou para criticar os mestres que, apesar de uma posição religiosa em evidencia, guiavam seus seguidores por caminhos de perdição. Essa advertência, proferida no contexto específico da época de Cristo, mantém sua relevância para a atualidade. A questão central, que ressoa em nossos dias, é: quem guia sua alma em direção à eternidade? Essa pergunta exige uma reflexão cuidadosa, pois confiar a direção da alma a um líder espiritual "cego" assemelha-se a embarcar em um ônibus conduzido por um motorista sem olhos. As consequências de tal escolha, no que diz respeito à eternidade, podem ser catastróficas. Você já considerou essa possibilidade?
No décimo sexto capítulo do Evangelho de Lucas, encontra-se a parábola do Rico e do Lázaro. No versículo 23 desse mesmo capítulo, Jesus descreve que, no sofrimento do inferno, o rico ergueu os olhos e viu Abraão e Lázaro em seu seio. Considero que muitos daqueles que, na eternidade, forem conduzidos por guias cegos, seja diante do trono branco no Juízo Final, seja na perdição eterna, erguerão seus olhos e compreenderão que, durante toda a jornada de sua vida espiritual, foram liderados por guias destituídos de visão, quando não percebe que se est´sendo guiado por um cego, também está cego.
Consideremos
a importante advertência do apóstolo Pedro em sua segunda epístola, capítulo 2,
versículo 2, onde ele adverte: "E também houve entre o povo falsos
profetas, como entre vós haverá também falsos mestres, os quais introduzirão,
dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de negarem o Senhor que
os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão
as suas condutas desregradas, por causa dos quais o caminho da verdade será
blasfemado."
Com isso, podemos compreender que falsos profetas e falsos mestres introduzirão
heresias que conduzem à perdição. Pedro prossegue: "E muitos seguirão as
suas dissoluções”, sendo eles guias cegos, e sendo guiados por cegos. E, dessa
maneira, ambos cairão na perdição.
Desejo também destacar a importante advertência de Paulo aos cristãos da Galácia onde adverte; mesmo que nós ou um anjo do céu anunciasse um evangelho diferente daquele que pregamos, que seja considerado anátema. Paulo reitera essa advertência em Gálatas, capítulo 1, versículos 8 e 9, reforçando sua exortação contra qualquer um, inclusive um anjo, que pregue um outro evangelho que seja anátema. A maldição recairá sobre aqueles que pregam e sobre os seguem um evangelho diferente.
Diante das inúmeras advertências presentes nas Escrituras, tanto as proferidas por Cristo quanto pelos apóstolos, é prudente questionar a conduta daquele que guia sua vida espiritual e busca conduzi-lo à eternidade. Se o líder espiritual não aborda esses assuntos com rigor e seriedade, isso pode indicar uma falta de responsabilidade. O líder, encarregado da obra, é chamado a lutar pela fé que foi confiada aos santos e a pregar a Palavra de forma fiel e completa, como um obreiro aprovado que não se envergonha e que maneja corretamente a Palavra da verdade. Se seu líder não adverte severamente contra falsos profetas, há a possibilidade de estar sendo conduzido por um líder que, por sua vez, pode estar em erro e em cegueira espiritual. Note o comportamento de tal líder, se ele acha que tudo o que diz Senhor, Senhor, vai entrar no Reino de Deus, ele está em oposição ao que Cristo ensinou! Tome cuidado! Sua alma corre perigo de perdição eterna.
Se ele não o advertir sobre assuntos tão sérios, é relevante observar o trecho de 2 Pedro, capítulo 2, versículo 1 e 2, onde Pedro enfatiza que surgirão falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias de perdição. Onde esses falsos mestres aparecerão? Entre vós. Podemos compreender claramente a advertência de Pedro, pois, assim como outrora houve falsos profetas no meio do povo de Deus na antiguidade, da mesma forma, haverá falsos mestres entre vós atualmente. Isso indica que os cristãos podem ser seduzidos e enganados por falsos profetas, e os verdadeiros líderes advertirão com seriedade a respeito dessa situação com todo o rigor e cuidado.
Seu líder o está guiando para a compreensão da obra da cruz? Ele fala com seriedade, promovendo uma reflexão solene, com o objetivo de levá-lo a confiar plenamente na obra consumada e perfeita de Cristo na cruz?
Reafirmo com veemência: ele age dessa maneira com frequência? Ele está conduzindo você a uma completa dependência de Cristo, o Salvador, que morreu na cruz do Calvário? Ele está praticando tal conduta? Sua pregação é enfática com relação a obra perfeita de Cristo e a gravidade do pecado?
Que terrível destino aguarda a alma que deposita sua fé em um guia cego, que prega um evangelho deturpado, conduzindo seus seguidores a uma confiança vã e a uma crença errônea! Estes, ensinando aos cegos que a salvação é alcançada por meio de méritos pessoais e que a redenção pode ser obtida fora de Cristo, difamam o Espírito Santo, ao afirmarem que a religião ou a instituição são capazes de salvar, em vez de Cristo. Negam a exclusiva redenção que reside em Cristo Jesus, à eficácia do sangue divino derramado na cruz, a justificação pela fé e os ensinamentos dos apóstolos dentro do Novo Testamento.
Muitos invalidam os mandamentos de Deus por meio das tradições e doutrinas de homens. Afirmam que a salvação reside em sua organização religiosa, negando que a salvação se encontra em uma pessoa divina que cumpriu a justiça de Deus Pai satisfazendo ao Deus Todo-Poderoso quando morreu na cruz em morte expiatória e substitutiva. Ao pregar a salvação pelas obras, ensina-se que os pecados podem ser expiados por meio de ações humanas, que os pecados do homem podem ser lavados e purificados usando os trapos de imundícia que são considerados suficientes e eficientes para purificar uma alma pecadora. Apelam para ritos, tradições, cerimonialismos, regras, dias santos, sábados, superstições, crendices etc, como meios de se alcançar graça salvadora, mas Paulo adverte: “Não pelas obras de justiça que houvesses feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo”(Tito 3:5 veja também Efesios 2:8 e 9) Recentemente, ouvi alguém declarar que estava "lutando por sua salvação". Essa perspectiva enfatiza o esforço humano como condição para alcançar a salvação, através de suas próprias ações. Milhões de evangélicos compartilham essa crença. Trata-se de uma heresia, uma situação em que "cegos guiam cegos" Somos chamados para lutar contra isso (Judas 1:3) A salvação não é uma conquista humana, o esforço e o zelo religioso não apagam pecados de ninguém, o suor fedorento do esforço religioso não tem poder de apagar pecados. Isso pertence a Cristo, todos os méritos salvíficos pertencem a Cristo e ao sangue que Ele derramou na cruz. Isso é escândalo para uns e loucura para outros, mas para os que não são cegos espirituais é o poder de Deus para a salvação para todo aquele que crê em Cristo conforme diz as Escrituras, e não conforme diz a tradição, a religião ou a filosofia.
Somos resgatados integralmente pela obra de Cristo, e não por nossos próprios méritos. Aqueles que confiam em suas próprias capacidades incorrem em autossuficiência e, por fim, perecerão. Depositam sua fé em si mesmos como meio de alcançar a salvação, confiar em instituições, em boas obras, em ritos e cerimônias, é seguir outro evangelho, a salvação pertence exclusivamente a Deus ,embora Cristo tenha declarado ser Ele, e não nós, o caminho, muitos não crêem nisso, mesmo confessando serem “cristãos”, sejamos cientes da voz do Espirito: “A salvação pertence ao Senhor” (Jonas 2:9) e não aos homens, nascer de novo não se efetua por boas obras! nunca! Cristo foi claro acerca dos regenerados: “Os quais não nasceram do sangue (humano) nem da carne (humana) nem da vontade do homem (méritos, ações, boas obras) mas de Deus” (João 1:13) É obra de Cristo e não resultado dos esforços humanos.
Diante do exposto, torna-se necessário reiterar que todo líder cristão encontra em Cristo seu modelo fundamental. Ao declarar em João 10:2, "Eu sou o bom pastor", Jesus estabelece o padrão para aqueles que lideram, pastoreiam, orientam e conduzem outros aos caminhos da eternidade. Essa liderança implica responsabilidade pela alma daqueles que confiam a ela sua orientação. Um cristão que tem discernimento vai ser liderado por um ministro que tem discernimento.
Essa responsabilidade se estende particularmente aos pregadores. A pregação de um evangelho distorcido pode levar muitos à perdição. Em contrapartida, a pregação fiel às Escrituras, que proclama a justificação pela fé e a confiança na obra redentora de Cristo na cruz, guia os ouvintes com segurança em direção às moradas celestiais.
Observamos, portanto, que um líder bíblico e ministro fiel às Escrituras influencia, de certa forma, o destino daqueles sob sua orientação e liderança. Ele é o provedor, o pastor, mas, acima de tudo, o protetor.
Em diversas passagens bíblicas, como em Mateus 7:15, Jesus adverte sobre os falsos profetas, que se aproximam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Um líder cego, que carece de discernimento espiritual, não consegue enxergar a verdadeira natureza desses falsos profetas. Eles podem se apresentar como ministros de justiça, falar sobre Cristo, salvação e bênçãos, mas o fazem fora do contexto do verdadeiro Evangelho. Assim, não podem conduzir adequadamente as pessoas aos caminhos celestiais se seus próprios conceitos sobre o Evangelho são equivocados.
Diante dessas considerações, é possível afirmar que o indivíduo que demonstra preocupação genuína com a sua jornada espiritual tenderá a exercer discernimento na escolha de seus líderes e a igreja que deve frequentar. A ausência de critérios sólidos nesse aspecto pode conduzir à ruína, arrastando o seguidor na direção daquele que propaga a perdição. É, portanto, lamentável confiar a outrem a condução da própria alma sem a devida avaliação e critérios.
Essa é uma verdade inquestionável. Por isso, exorto a todos os cristãos a estabelecerem critérios fundamentais para avaliar o tipo de liderança que os orienta, instrui e guia rumo à eternidade. Um líder cujo destino é a danação jamais poderá conduzir alguém à salvação. O princípio espiritual é claro: "Se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova." A ingenuidade não servirá como justificativa no dia do juízo.
É imperativo seguir um líder e um pregador fundamentado nas Escrituras, se o desejo é peregrinar neste mundo com fidelidade ao Evangelho e em esperança de vida eterna. Caso contrário, a queda é inevitável. Portanto, a escolha criteriosa dos líderes espirituais, com base em seus ensinamentos e conduta, é de suma importância, afirmo ser fundamental.
Portanto, depreende-se, de maneira concisa e inequívoca, que confiar a alma, a essência do ser, a alguém inadequado para orientá-la na jornada para a eternidade, pode acarretar sérias conseqüências eternas. Diante disso, exorto, com fervor e afeto, que se examine atentamente a natureza do evangelho que se ouve e a liderança espiritual que guia a alma. Essa avaliação é crucial, pois poderá ser fonte de bênçãos se o ministro for fiel às Escrituras, a Jesus Cristo e à proclamação e ensino do Evangelho. Contudo, será motivo de grande infortúnio, uma tragédia, se o ministro for um falso profeta, que se disfarça de servo da justiça com o único propósito de enganar e conduzir à perdição eterna. Ao despertar para essa realidade, como o rico na parábola de Lázaro, poderá ser tarde demais para escapar daqueles que, como lobos vorazes, visam a destruição da alma ao invés da salvação dela. Você tem discernimento para enxergar esses fatos?

