DOIS PEREGRINOS
Havia dois peregrinos
no campo, os dois eram sonhadores, o primeiro desejava possuir uma estrela,
todas as noites, contemplava cada uma delas no alto de um monte. O brilho de
cada astro, encantava os olhos daquele homem, também havia outro peregrino que
sonhava em ter uma lâmpada. Apreciava os pirilampos que brilhavam no vale das
relvas e sustentava o exímio sonho de possuir uma lanterna. Certo dia, o primeiro
começou a construir uma escada, e após longas horas de labor, perdeu-se na
escuridão da noite, e pelo espaço flutuou até a mergulhar no universo infinito.
O outro conseguiu uma lanterna, realizou seu sonho, e saindo com a lâmpada acesa, pode peregrinar pelos campos e veredas,
e durante a noite podia caminhar tranquilamente e conhecer os picos mais altos
de todas as montanhas, e lá de cima podia contemplar a imensidão celestial e
todos os aglomerados de galáxias e estrelas que havia no universo. Eis a lição
da historia, muitas vezes sonhamos com as coisas que não podemos possuir, pois
elas não cabem dentro da nossa existência, pois somos limitados em nossas
posses. Por outro lado, ainda assim podemos ter o suficiente para conduzir a
nossa vida pela felicidade através da posse das coisas que podemos desfrutar e
enriquecer nossos sentimentos. O homem que desejava a lâmpada acesa, teve por
fim um caminho infinito para contemplar aquilo que não pode possuir, e possuir
aquilo que era possível para contemplar todas as demais coisas que o coração pode
apreciar. A vida é feita de pequenas coisas que podemos ter e nada fora disso
nos possibilita uma posse real, porém é certo que a partir do momento que
entendemos de que nada nos adianta ter um mundo totalmente escuro. Antes, porém
é melhor ter uma luz acesa nas mãos, pois assim durante todo o percurso, nossos
olhos terão um caminho aberto pela luz. De certa forma, a grandeza das coisas
mais excelsas no universo, não podem ser de posse de um homem só, pois é necessário
que todos os outros homens também tenham o
direito de contemplar e admirar as coisas grandes e sublimes e belas.
Clavio J. Jacinto
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