A teoria da Terra Oca é objeto de
crença por parte de muitos esotericos, os quais sustentam a existência de
passagens secretas que conduziriam ao interior do planeta. Há quem defenda que
tais regiões seriam habitadas por civilizações avançadas e que as entradas para
este mundo subterrâneo estariam localizadas em pontos específicos, como a
Antártida ou em formações montanhosas de caráter místico, a exemplo do Monte
Shasta, na Califórnia ou em regiões amazônicas. Diante de tais conjecturas,
resta o questionamento: haveria algum fundamento de veracidade nessas
alegações?
Embora a ufologia direcione o olhar para o
cosmos em busca de mundos habitados — sustentando uma crença ainda amplamente
difundida na existência de seres extraterrestres —, surge uma perspectiva
alternativa e notavelmente mais exótica: a teoria dos seres intraterrestres.
Sob a hipótese da "Terra Oca", defende-se não apenas que o interior
do nosso planeta é habitado, mas que nele prosperam civilizações altamente
avançadas. Resta, contudo, o questionamento: haveria fundamento biblico em tais
alegações? Na década de 1990, li obras do autor brasileiro Trigueirinho, cujos
escritos sintetizavam elementos do esoterismo e da teosofia com a crença na
existência de civilizações intraterrenas.
O autor sustentava a tese da coexistência de mundos
paralelos, habitados tanto por seres extraterrestres quanto por populações
intraterrenas. Suas narrativas exploravam com frequência o misticismo em torno
de Shambala, de Erks e dos mistérios das regiões amazônicas, áreas que ele
descrevia como pontos de encontros e conexão para tais povos. Além disso,
Trigueirinho afirmava manter comunicação constante com essas supostas entidades
vindas de civilizações intratarrenas.
A crença na teoria da Terra Oca não teve origem no esoterismo, mas sim no meio
científico. O astrônomo britânico Edmund Halley, em 1692, foi um dos
precursores ao defender a viabilidade dessa hipótese. Posteriormente, em 1818,
o militar norte-americano John Cleves Symmes Jr. popularizou a ideia, que foi
reforçada anos mais tarde por Richard Byrd, ao sugerir que a abertura para esse
interior desconhecido estaria localizada na Antártida. Contudo, foi por
intermédio da Sociedade Teosófica que o conceito alcançou maior difusão na
sociedade. Entre os anos de 1964 e 1967, a obra "A Terra Oca", de
autoria de Raymond Bernard, foi amplamente divulgada em escala global,
inclusive no Brasil, consolidando ainda mais o tema. Além disso, durante a
Segunda Guerra Mundial, o conceito foi adotado e defendido por membros do
regime nazista, notadamente por aqueles vinculados à Sociedade Thule. A teoria
da Terra Oca amplia consideravelmente a perspectiva sobre a existência de seres
não convencionais integrados à nossa realidade. Atualmente, a ufologia moderna
considera plausível a existência de objetos submarinos não identificados,
supostamente tripulados por seres de origem extraterrestre que habitariam
regiões subaquáticas nos oceanos do planeta.
Atualmente, muitos adeptos do esoterismo sustentam a crença na existência de
civilizações intraterrenas. Segundo essa perspectiva, os fenômenos de objetos
voadores não identificados que emergem dos oceanos seriam evidências que
corroboram tal hipótese. Embora essa teoria seja amplamente difundida como uma
explicação alternativa para a origem dos óvnis e de seus tripulantes, ela
permanece como uma ideia exótica. Contudo, é possível analisar o tema sob a
ótica bíblica, a qual, em certa medida, apresenta indícios que poderiam ser
relacionados a essa temática, ainda que não da forma como os esotéricos e
alguns ufologos propõem ou defendem.
No Antigo Testamento, especificamente no livro
de Números, capítulo 16, observa-se que a rebelião de Coré, Datã e Abirão
resultou no juízo divino. Conforme o relato bíblico, a terra se fendeu e os
tragou vivos, conforme descrito nos versículos 31 a 33: "Assim que acabou
de dizer todas essas palavras, a terra debaixo deles se fendeu. A terra abriu a
sua boca e os tragou com as suas casas, bem como todos os homens que pertenciam
a Corá e todos os seus bens. Eles e tudo o que lhes pertencia desceram vivos ao
abismo; a terra os cobriu, e pereceram do meio da congregação." No
versículo 36, o termo traduzido para o português como "abismo"
corresponde ao hebraico “sheol”, que designa o mundo inferior, a morada dos
mortos, transcendendo o significado comum de sepultura. Trata-se de um local
associado ao juízo, evidenciando uma crença explícita, presente no próprio
Antigo Testamento, de que o “sheol” estaria situado nas profundezas da terra. O
relato de Números confirma essa concepção, ao descrever que Datã, Coré, Abirão
e seus familiares desceram vivos a esse lugar, conforme atesta a Escritura.
Portanto, o livro de Números corrobora a ideia de que, no Antigo Testamento,
prevalecia a crença em um domínio subterrâneo destinado aos espíritos. Embora
essa noção sugira a existência de um lugar no interior da Terra onde se
preservaria algum tipo de existência — distinta da vida biológica convencional
—, é fundamental ressaltar que essa perspectiva bíblica difere integralmente
das teorias defendidas por esotéricos e teosofistas acerca de um "mundo
interior". Em Apocalipse 9:1-3, encontramos uma passagem que corrobora o
tema que estamos abordando. O texto relata: "O quinto anjo tocou a sua
trombeta, e vi uma estrela que do céu caiu na terra. Foi-lhe dada a chave do
poço do abismo, e ele abriu o poço do abismo. Do poço subiu fumaça, como a
fumaça de uma grande fornalha, e o sol e o ar escureceram com a fumaça do poço.
Da fumaça saíram gafanhotos sobre a terra, aos quais foi dado poder, como o que
têm os escorpiões da terra. Nesta passagem, o termo grego “Abyssos”, sob uma
perspectiva exegética histórico-gramatical e literal, alinha-se ao conceito
veterotestamentário de que o interior da Terra serviria como lugar de
confinamento para espíritos aprisionados. A coerência interna das Escrituras
confirma o ensino de que diversas entidades caídas habitam as regiões
subterrâneas, e não apenas os domínios celestiais, conforme descrito em Efésios
6:10-18. O relato de Apocalipse 9, ao descrever a abertura do poço do abismo e
a ascensão de seres assemelhados a gafanhotos para atormentar a humanidade,
reafirma que tanto o Antigo quanto o Novo Testamento sustentam a ideia de um
abismo subjacente à Terra, habitado por seres espirituais. Da mesma forma,
encontramos no livro de Judas, capítulo 1, versículo 6, o relato sobre os anjos
que não preservaram sua dignidade original, mas abandonaram sua própria
habitação; estes foram retidos em trevas e sob prisões eternas, aguardando o
juízo daquele grande dia.
Em 2 Pedro 2:4, lê-se que Deus não poupou os anjos que pecaram, mas,
lançando-os no inferno, entregou-os às cadeias da escuridão, reservando-os para
o juízo. Nesta passagem da Segunda Epístola de Pedro, a expressão "cadeias
de escuridão" refere-se ao Tártaro, descrito como uma esfera abissal de
punição e confinamento. Observa-se uma profunda correlação entre este texto e
as descrições contidas no nono capítulo do Apocalipse e no décimo sexto
capítulo do livro de Números. Desta forma, a Bíblia sustenta a existência de um
lugar abissal de retribuição abaixo da superfície terrestre — não se tratando
de uma civilização avançada ou de um paraíso perdido, mas estritamente de um
local de detenção e trevas destinado a seres espirituais caídos, estruturado em
diferentes níveis de confinamento. Portanto, as Escrituras apontam para a
realidade de que, nas regiões inferiores da Terra, existem lugares reservados
ao aprisionamento de tais entidades. Diversas outras passagens das Escrituras
corroboram esse mesmo princípio. É fundamental atentar para estas referências:
Salmos 55:15; Salmos 63:9-11; Eclesiastes 9:10; Jó 7:9-10; e Provérbios
9:18. Notavelmente, ao lermos a passagem de 1 Samuel 28, na qual Saul
consulta uma médium para invocar o espírito de Samuel, observamos no versículo
13 que a mulher avista entidades subindo da terra, descrevendo-as como “deuses que
sobem da terra”. Notamos no texto bíblico a ideia de que a médium invocava
espíritos vindos do subsolo, provenientes de um abismo.
Outra passagem interessante está em Lucas 8:26-39, no relato sobre o
endemoninhado gadareno. Nos versículos 30 e 31, quando Jesus pergunta o nome da
entidade que dominava aquele homem, a resposta é “Legião”, pois muitos demônios
haviam entrado nele. O texto acrescenta que eles “rogavam-lhe que os não
mandasse para o abismo”. Percebe-se em ambos os textos (1 Samuel 28 e Lucas 8)
a ideia explícita de um lugar subterrâneo no planeta onde entidades ou demônios
estão confinados — um local para o qual eles próprios temem ir. Trata-se de um
conceito claro nas Sagradas Escrituras: a Bíblia afirma a existência de uma
habitação espiritual nas profundezas da Terra. Qualquer pessoa que creia na
veracidade bíblica e faça uma exegese correta chegará a essa conclusão. Diante
disso, apresento a seguir o meu parecer e conclusão sobre o tema.
A ideia de que o centro da Terra abriga civilizações avançadas, "terras
ocas", paraísos subterrâneos ou entidades benevolentes é absolutamente
infundada do ponto de vista biblico. As Escrituras não corroboram tais
conceitos; ao contrário, apontam para a existência de um abismo interior onde
habitam espíritos caídos e consciências em estado de confinamento. É
imprescindível esclarecer que não se trata de uma utopia ou de uma sociedade
desenvolvida, mas de prisões espirituais e lugares de juízo.
Tais abismos, contudo, possuem uma dimensão de
acessibilidade. A prática do espiritualismo e de invocações ocultistas busca,
justamente, estabelecer contato com essas entidades — sejam demônios ou de
supostos espíritos desencarnados. Esse fenômeno é evidenciado em passagens como
1 Samuel 28, na qual a mediunidade é utilizada para trazer à tona entidades que
emergem das profundezas. Essa dinâmica de abertura de abismos conecta-se
perfeitamente às profecias de Apocalipse 9, bem como às advertências presentes
em Judas 1:4 e 2 Pedro 2:4, que descrevem a natureza desses seres cativos. Ademais,
relatos como o dos endemoniados gadarenos, narrados em Mateus 8 e Lucas 8,
demonstram que tais espíritos detêm a capacidade de transitar entre o mundo
físico e o abismo. Em suma, a evidência bíblica confirma a existência de um
habitat nas profundezas da Terra, não como um refúgio para civilizações
extraterrestres, mas como um local de confinamento e detenção para forças
espirituais rebeldes. Nesse cenário em que se relatam contatos com supostos
seres intraterrenos ou manifestações oceânicas — fenômenos que levam esotéricos
a crer na existência de civilizações subterrâneas —, depara-se, na verdade, com
uma ardilosa estratégia de engano espiritual. Conforme registrado em Apocalipse
12:9, o sistema demoníaco atua de forma sistemática para ludibriar a
humanidade. Nesse sentido, a passagem de 2 Coríntios 11:14 é essencial para a
compreensão das táticas empregadas por Satanás e seus agentes: "E não é de
admirar, pois o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito,
portanto, que os seus ministros se transfigurem em ministros de justiça, cujo
fim será conforme as suas obras". Ao analisar a exortação de Paulo,
percebe-se que a menção aos "ministros de Satanás" não se limita aos
falsos profetas ou ensinadores humanos. Em uma acepção mais ampla e objetiva,
essa categoria abrange os espíritos caídos e entidades demoníacas que, sob o
comando do adversário, operam disfarçados para induzir ao erro. Portanto,
fenômenos associados à mediunidade, ao espiritualismo e às manifestações
ocultistas presentes na ufologia não passam de uma trama sofisticada. Tais
artifícios visam enganar os incautos — aqueles que carecem de discernimento
bíblico, desconhecem a revelação das Escrituras ou deliberadamente rejeitam a
Palavra de Deus, a única que descortina a verdadeira natureza deste mundo
caído.




