Mostrando postagens com marcador Espiritualidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Espiritualidade. Mostrar todas as postagens

As Insondaveis Riquezas de Cristo

0 comentários

                                AS INSONDÁVEIS

RIQUEZAS DE CRISTO

  ✦ 

C. J. JACINTO

────── ✦ ──────

"A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada a graça de anunciar entre os gentios, por meio do Evangelho, as insondáveis riquezas de Cristo." — Efésios 3:8

 

 

 

I. O Apóstolo e a Sua Confissão

Uma das passagens mais sublimes do Novo Testamento encontra-se em Efésios 3:8, onde Paulo, movido pelo Espírito Santo, faz uma declaração de profundo peso teológico e existencial: "A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada a graça de anunciar entre os gentios, por meio do Evangelho, as insondáveis riquezas de Cristo." Em algumas traduções lemos também " riquezas incompreensíveis" — e ambas capturam a mesma realidade: há em Cristo uma superabundância que ultrapassa qualquer cálculo humano.

Nessas palavras, o apóstolo não está usando uma figura de linguagem retórica. O termo original grego — ἀνεξιχνίαστος (anexichniastos) — literalmente descreve aquilo que não pode ser rastreado até o fim, que não admite limites na investigação exaustiva. Estamos diante de um oceano sem margens visíveis. É aqui que Paulo nos convida a mergulhar — não como meros teólogos curiosos, mas como herdeiros redimidos de uma herança imensurável.

✦  Paulo não fala das riquezas de Cristo como algo distante ou abstrato. Ele as experimenta — e as anuncia como verdades que transformam o tecido da existência humana.

────── ✦ ──────

II. O Que São Estas Riquezas?

As insondáveis riquezas de Cristo não se limitam a um único aspecto da salvação. Elas abrangem toda a extensão das consequências temporais e eternas da obra consumada de Cristo na cruz. São riquezas que falam de redenção, perdão, justificação, santificação e glorificação — uma cadeia dourada que vai da graça inicial até a glória final.

O peso teológico aqui é de superabundância espiritual, capaz de abranger todo o sentido existencial de uma pessoa. Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Colossenses 2:3). Isso significa que o crente não busca sentido, segurança ou futuro fora d’Ele — tudo está nele, por ele e para ele.

"Dou-lhes a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as arrebatará da minha mão." — João 10:28

Estas são promessas de garantia. Promessas de segurança, de salvação, de vida eterna, de glorificação. E o que torna tudo isso ainda mais extraordinário é que tais tesouros são concedidos gratuitamente — pela graça, mediante a fé — ao pecador que se arrepende e se converte ao Evangelho.

────── ✦ ──────

III. A Riqueza Forense da Graça

As insondáveis riquezas de Cristo possuem um sentido soteriológico forense de especial magnitude: fomos perdoados e justificados perante o tribunal eterno de Deus. A graça não apenas cobre o pecador e o favorece por misericórdia — ela transborda além de qualquer medida proporcional ao débito humano. Somos ricos não porque merecemos, mas porque Cristo nos enriqueceu.

✦  Ser perdoado quando não merecíamos. Receber vida eterna quando não tínhamos direito a ela. Ter Cristo como luz e vida — isso não pode ser calculado em valores humanos. É uma riqueza que excede toda a capacidade de mensuração.

Em Efésios 2:1-7, Paulo nos revela que Deus é rico em misericórdia — e essa riqueza emana de uma fonte ontologicamente inesgotável. Não se trata de um Deus que distribui graça com parcimônia, mas de um Pai que age a partir de uma abundância que não conhece escassez. Por isso, a forma como essa realidade espiritual se torna experimental é pela fé e pela gratidão.

Paulo ainda nos fala de assentamento celestial, de vivificação, de ressurreição conjunta com Cristo — e de que somos abençoados com toda sorte de bênçãos espirituais nos lugares celestiais (Efésios 1:3). Tudo isso possui valor histórico, temporal e atemporal, que nos leva do agora à eternidade — e pode ser desfrutado hoje pela fé.

────── ✦ ──────

IV. A Totalidade Ontológica da Redenção

Compreendemos, portanto, que as insondáveis riquezas de Cristo constituem uma totalidade ontológica e salvífica, forense e participativa, escatológica — que inclui todos os regenerados de todos os séculos: passado, presente e futuro — no programa redentor do Deus Trinitário.

Há um alcance cósmico: novos céus, nova terra, imortalidade revestida de incorrupção, através de um corpo glorificado. A soma de todas essas coisas nos conduz a um cálculo praticamente infinito — impossível de receber um preço, um valor ou uma medida adequada.

"...para tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra." — Efésios 1:10

Você percebe esse movimento cristocêntrico? Toda a história, todo o cosmos, toda a escatologia se move em direção a Cristo. Todo joelho se dobrará, toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor (Filipenses 2:10-11). Isso é radical. Isso é revolucionário. Este é o movimento da plenitude que Deus estabelece através do seu Filho e de todos os redimidos alcançados pela obra consumada da cruz.

────── ✦ ──────

V. A Esperança dos Santos

Paulo ora para que os crentes saibam "qual é a esperança dos santos, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos" (Efésios 1:18). Não se trata de mero consentimento teológico intelectual. As insondáveis riquezas de Cristo constituem algo muito mais radical e profundo: é a experiência plena de certezas absolutas em nossa posição em Cristo Jesus.

"Agora, pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus." (Romanos 8:1) "Justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo." (Romanos 5:1) Veja quanta riqueza inescrutável pode ser encontrada no Evangelho! O crente regenerado pode desfrutar plenamente dessas verdades já agora, em nosso tempo.

✦  Quanto mais o crente amadurece, quanto mais possui discernimento espiritual, mais vê em sua totalidade o quanto somos ricos em Cristo — e o quanto de coisas maravilhosas, impossíveis de imaginar agora, nos aguardam.

Estas insondáveis riquezas requerem do crente uma disposição de mergulhar mais e mais em Cristo — ter comunhão íntima com Ele, descobrir cada vez mais das grandiosidades que Nele se encontram. Não somente de modo intelectual, mas experimental: pois Cristo morreu, ressuscitou e ascendeu aos céus — e podemos ter comunhão com Ele agora e eternamente.

────── ✦ ──────

VI. Paulo: O Testemunho Vivo

Paulo foi alguém que experimentou de perto a graça de Deus. Ele não merecia o perdão — era perseguidor implacável da Igreja de Cristo. Todavia, usa um superlativo autodepreciativo: "o mínimo de todos os santos". Em sua humildade radical, confessa-se como o menos merecedor, e por isso o mais grato.

Deus revelou a Paulo, pelo Espírito Santo, grandiosidades a respeito de Cristo, de sua obra e dos resultados da redenção. O apóstolo chegou a ser arrebatado ao terceiro céu, onde percebeu, sentiu e compreendeu realidades espirituais muito além da capacidade humana de imaginar. Paulo transcendeu praticamente todas as expectativas — e demonstrou, através de uma certeza absoluta, que o Evangelho consiste de realidades inabaláveis.

Foi com essa certeza que ele marchou para o martírio com firmeza intocável. Para Paulo, o Evangelho não era teoria — era a rocha sobre a qual toda a existência repousava. E essa também deve ser a nossa expectativa: viver de absolutos, ancorados nas insondáveis riquezas de Cristo.

────── ✦ ──────

VII. A Igreja e o Testemunho

O Novo Testamento, mais precisamente as Epístolas de Paulo, nos ensina uma cristologia substancial da qual emana a verdadeira esperança. Deus, por meio de Cristo e do Evangelho, tem a resposta para o sentido existencial de cada ser humano.

Podemos passar por crises — e o mundo pode sofrer colapsos existenciais profundos — justamente porque a Igreja não tem dado testemunho adequado das insondáveis riquezas de Cristo. Não estamos representando Cristo ao mundo da maneira como deveria ser feito. A falha não está no Evangelho. A falha está no nosso testemunho.

✦  O Evangelho não perdeu seu poder. O que pode ter se enfraquecido é a convicção com que o proclamamos e o vivemos diante do mundo.

────── ✦ ──────

Conclusão: Mergulhe nas Riquezas de Cristo

As grandezas de Deus não podem ser medidas. As insondáveis riquezas de Cristo — tudo que Deus tem em Cristo para nos dar — simplesmente não podem ser calculadas nem medidas. Mas podem, e devem, ser descobertas. Muitas dessas riquezas podem ser alcançadas através do estudo das Sagradas Escrituras, principalmente aquelas que revelam os grandes resultados e efeitos que o crente pode obter e experimentar através do que Cristo conquistou no Calvário.

Nossa redenção, nossa libertação, nossa transformação, a garantia da glorificação — coisas que vão além da nossa imaginação — Deus preparou para nós. Essas riquezas insondáveis estão acessíveis a cada um de nós.

Para isso, precisamos nos chegar mais a Cristo.

Ter mais dEle. Estar em Cristo. Viver em Cristo. Mergulhar na sua pessoa e na sua obra — não somente de modo intelectual, mas também experimental — de modo que possamos ter comunhão com a pessoa viva do Senhor ressurreto. Porque Cristo morreu, ressuscitou, ascendeu aos céus — e podemos ter comunhão com Ele agora e eternamente.

 

 

 

Amém.

 

  ✦ 

 

www.heresiolandia.blogspot.com

Milhares de estudos bíblicos para cristãos remanescentes e conservadores

Nossa Identidade Transformadora

0 comentários

 


Romanos 8:29 é um versículo maravilhoso dentro de uma passagem de grande relevância para a vida espiritual do cristão.

“Porque o que dantes conheceu também os predestinou para serem conforme a imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”

Aqui temos o ajuste da vida cristã num processo contínuo até que cada redimido seja perfeito e glorificado, e isso significa sermos idênticos ao padrão divino: O Filho de Deus.

Conforme a sua imagem, no grego “Eikone” Um reflexo como em espelho muito próximo a semelhança, uma alta definição de uma cópia, um design de alta precisão conforme o modelo original; o próprio Cristo Jesus.

Conforme a sua imagem é um processo de identificação, se alguém está em Cristo, nova criatura é, uma posição de identidade onde nos conformamos a imagem do que é perfeito, assim tendo Cristo a mais excelente vida espiritual, nós também teremos. Sua absoluta excelência moral é nosso padrão de conduta.

A base pela qual repousa a nossa identidade é: Ser um com Cristo e ser como Cristo, Ele é o molde do homem regenerado, o Espírito Santo não fará menos, esta “esculpindo” cada cristão para ser conforme a imagem de Cristo, assim, a vida cristã, não é somente ser totalmente de Cristo, e não somente totalmente em Cristo, mas acima de tudo refletir o caráter e a santidade de Cristo, em Atos 11:26 os seguidores do Senhor Jesus Cristo são chamados pela primeira vez de cristãos (Grego: cristianos) ou seja, uma designação sistemática do perfil de um verdadeiro seguidor de Cristo.

 

C. J. Jacinto

 

O QUE É SER CHEIO DO ESPIRITO SANTO?

0 comentários


 

C. J. Jacinto

 

 

 Vamos usar como texto chave a ordem descrita em Efésios 5:18 onde lemos que não devemos nos embriagar com vinho, mas devemos ser cheios do Espírito Santo. Nesse texto entendemos o contraste, enquanto que a embriaguês envolve perda de equilíbrio psicológico, alterações na coordenação motora, alterações no sistema cognitivo, as consequências podem ir além causando demência. O excesso alcoólico altera nosso modo de falar e o nosso comportamento, afetando a coordenação motora. Tudo de modo negativo é a perda de todo equilíbrio, físico, psicológico, cognitivo e espiritual. Porquanto entendemos que isso é contrario ao fruto do Espírito chamado de domínio próprio, (Leia Gálatas 5:20) tenha isso em mente; um cristão cheio do Espírito age oposto de um bêbado ou de um intoxicado! Ter em mente essa verdade mudará toda a nossa compreensão acerca deste assunto tão importante e tão cheio de confusão. Outra verdade bíblica que deve ser apresentada é que um cristão salvo é morada do Espírito Santo desde o dia da sua conversão, se realmente ele foi regenerado, também recebeu o Espírito Santo na hora em que ele nasceu de novo “Recebestes já o Espírito quando crestes?” (Atos 19:2) A regeneração é uma obra do Espírito Santo no coração do homem, ele vem para convencer e também para ficar naquele que se converteu. Entender essa verdade simples, evita muita confusão, portanto deve permanecer como um absoluto das Escrituras. Porém, devo ressaltar de forma bem clara que a habitação do Espírito não é a mesma coisa que ser cheio do Espírito Santo. A ordem de Efésios 5:18 é dada para os crentes de Éfeso, eles já eram salvos e tinham a presença do Espírito Santo, mas a ordem é que deveriam receber um enchimento, um transbordamento, uma plenitude. Não podemos recorrer contra esses fatos, pois é algo irrefutável dentro de uma exegese correta do contexto. Há um exemplo

, Estevão, em Atos 7:55, no momento do apedrejamento, ele estava lúcido, psicologicamente equilibrado, corajoso, seu sistema cognitivo não estava alterado, sua sobriedade era excelente e a sua visão espiritual aguçada, essa é um exemplo de plenitude do Espírito Santo, é um poder prometido aos santos para enfrentarem com coragem, agindo de forma corajosa, falando de forma autoritária contra o engano, o enchimento do Espírito nos dá coragem frente ao martírio e ousadia para testemunhar, pregar e evangelizar, proclamando a verdade com uma disposição ousada frente aos inimigos da fé e toda forma de incredulidade. O Espírito Santo coordena e controla o Cristão, isso significa dar equilíbrio, sustentabilidade, coragem, mansidão (Veja que Estevão perdoa com ternura os seus inimigos que rangiam os dentes de raiva). Outro fato interessante, é o controle das emoções, Estevão estava manso, ele não respondeu violência com violência, nem da sua boca saiu palavras torpes contra seus algozes, em  Atos 6:15 alguns perceberam que Estevão tinha um rosto angelical, em Atos 6:8 ele tinha poder espiritual para convencer os judeus acerca da era messiânica que se estabelecia pela autoridade dos apóstolos.

 

 COMPORTAMENTOS ESTRANHOS NÃO SÃO EVIDENCIAS DE UM  ENCHIMENTO DO ESPIRITO SANTO.

 

Agora quero dispor de verdades com grande amparo das Escrituras, comportamentos bizarros, onde uma pessoa experimenta uma “força” espiritual que promove situações caóticas, desordenadas, promovendo a bagunça, como uma pessoa sob efeito de álcool ou drogas que produzem estados alterados de consciência, que rouba o controle psicológico do indivíduo e induz a comportamentos estranhos, como estivesse se sofrendo uma espécie de demência, não são sinais de um enchimento do Espírito Santo! O Espírito do Senhor não induz ninguém a confusão e nem promove a confusão, não quebra a ordem do culto, não interrompe um pregador que está sob a autoridade de pregar a Palavra de Deus, não induz ninguém a comportamentos bizarros, nem promove ambiguidades. Ser cheio do Espírito Santo é ser controlado pelo Espírito Santo, assim como ser cheio de álcool é ser controlado pelo efeito do álcool. Ser cheio do Espírito Santo é ter menos de nós e mais de Cristo, estude o comportamento de Cristo nos Evangelhos, e você verá o perfil de um homem cheio do Espírito Santo desde o seu batismo até a Sua ascensão! Quanto mais um homem é cheio do Espírito mais ele é controlado pelo Espírito Santo, porquanto também mais santo será seu comportamento, sua linguagem, sua visão espiritual, seu relacionamento social e mais evidente será o fruto que o Espírito Santo produzirá nele, entre os quais o domínio próprio! Ser cheio do Espírito Santo não produz deformações psicológicas e espirituais. Nunca que o Espírito santo produz no redimido efeitos psíquicos descontrolados como uma intoxicação com psicodélicos, nem mesmo produz efeitos produzidos por mantras como êxtases místicos que induz o individuo a uma espécie de sonambulismo consciente, muito parecido com a mediunidade ou as experiências de êxtases que os pagãos experimentavam nas religiões de mistérios. Quanto mais um cristão é cheio do Espírito Santo, mais seu discernimento, sobriedade, entendimento, ousadia em pregar o evangelho, percepção espiritual e autodomínio aumentam. Veja que em Atos 6:3 ser cheio do Espírito está associado à boa reputação. O contrário, sob efeito de entorpecentes, álcool, drogas psicoativas ou um espírito de engano, o que ocorre é o desligamento de nosso senso critico, ofuscando nosso entendimento, corrompendo nosso comportamento, quebrando a ordem e a decência. O Espírito de Cristo nunca age para desligar a nossa consciência critica santificada ou nosso discernimento espiritual. A bíblia dá outro nome, e caracteriza uma pessoa que tem uma espiritualidade caiada, falsa, como cheios de iniquidades, lemos uma série dessas distorções, que muitas vezes se escondem por trás de um entendimento falso sobre uma pessoa espiritual, já que muitos definem a verdadeira espiritualidade como uma pessoa com comportamentos bizarros, místicos, destemperados, descontrolados, exercendo “dons” e recebendo revelações através de locuções interiores etcs. Qualquer um pode observar que onde predomina essas falsas evidencias do enchimento com o Espírito Santo, predomina por trás toda sorte de iniquidades, bem como classificou Paulo: “cheios de toda iniquidade, malicia, fornicação, avareza, inveja, maldade, tais são murmuradores,

contendeiros, invejosos, presunçosos, soberbos, difamadores, irreconciliáveis, sem misericórdia, inventores de males” (Leia Romanos 1:28 a 31) Onde predomina uma falsa espiritualidade, a mesma serve de cobertura para esconder as mais pérfidas iniquidades, os mais terríveis pecados, as mais sofisticadas formas de hipocrisia. Ser cheio do Espírito Santo é o oposto absoluto de tudo isso! Para entendermos a importância de um enchimento com o Espírito Santo precisamos entender os processos dinâmicos da vida espiritual de um redimido, assim como somos santificados em nossa posição em Cristo (Hebreus, 10:10) devemos nos santificar também em nossa vida prática diária (I Tessalonicenses 4:3 a 7) da mesma forma, como recebemos o Espírito Santo quando cremos, devemos também ser cheios do Espírito Santo quando formos pregar, evangelizar, testemunhar, adorar, cultuar e até mesmo quando formos estudar as Escrituras e se possível durante todo o tempo da nossa peregrinação. Creio que uma excelente definição do que seja ser cheio do Espírito Santo esteja em Colossenses 1:9 “Cheios do conhecimento da sua vontade em toda a sabedoria e inteligência espiritual” ou Romanos 15:14 “Cheios de bondade, cheios de todo conhecimento, podendo admoestar-vos uns aos outros” Para concluir, desejo convencer a todos os verdadeiros cristãos, que a frieza espiritual e uma vida fora dos padrões espirituais estabelecidos pelo Senhor nas paginas das Escrituras, também se constitui um grande problema, ser cheio do Espírito é uma ordem dada pelo Espírito Santo, e o perfil de um redimido vivendo nessa plenitude espiritual é demonstrado claramente por intermédio daqueles que experimentaram esse verdadeiro enchimento nas Escrituras.

 

 

 

 

 

 

 

O CULTO VERDADEIRO

0 comentários

 



Gosto muito daquele caso que um ministro americano, o já falecido Dr.  Rufus M. Jones, costumava contar. Ele acreditava na importância do intelecto  na pregação. Porém um membro de sua congregação fez objeção a essa ênfase  e escreveu-lhe queixando-se:

“Quando vou à igreja”, disse em sua crítica,  “sinto-me como se tivesse desenrolando a minha cabeça e a colocando por  sob o assento , pois numa reunião religiosa não tenho necessidade alguma de  usar o que se acha acima do meu colarinho!

“Prestar culto dessa forma, sem fazer uso da mente, certamente é o que  se fazia na cidade pagã de Atenas, onde Paulo encontrou um altar dedicado  “ao deus desconhecido”. Mas essa forma de culto não serve para os cristãos.  O apóstolo não se sentira satisfeito em deixar os atenienses em sua  ignorância. Prosseguiu proclamando-lhes a natureza e as obras do Deus que  cultuavam na ignorância. Pois sabia que somente o culto inteligente é  aceitável por Deus, o culto verdadeiro, o culto prestado por aqueles que  conhecem a quem adoram, e que o amam “de todo o entendimento”.

Os salmos eram o grande hinário da igreja do Velho Testamento, e hoje  em dia ainda são cantados nos cultos cristãos. Neles temos, pois, um meio de  sabermos como deve ser o culto verdadeiro. A definição básica de culto nos  Salmos é “louvar o nome do Senhor”, ou “tributar ao Senhor a glória devida  ao eu nome”. E ao inquirirmos o que significa o seu “nome”, verificaremos  que é a soma total de tudo o que ele é e fez.

Em particular, ele é cultuado nos  Salmos tanto como o Criador do mundo como o Redentor de Israel, e os  salmistas se comprazem em adorá-lo dando uma lista enorme das obras de  Deus, relativas à criação e à redenção.

O Salmo 104, por exemplo, expressa a incontável maravilha da sabedoria e Deus em suas múltiplas obras no céu e na terra, na vida animal e  vegetal, entre as aves, os mamíferos e os “seres sem conta” existentes em  abundância nos mares e grandes oceanos.

O Salmo 105, por outro lado, exalta um outro aspecto das “obras maravilhosas” de Deus, a saber, o tratamento especial que dedicou ao povo da  sua aliança. Narra a história dos séculos, as promessas e Deus a Abraão,  Isaque e Jacó; sua providência para com José do Egito, tirando-o da prisão  para a honrosa posição de grande senhor; seus atos poderosos feitos através de  Moisés e Arão, enviando as pragas e libertando o povo; sua provisão àquela  gente no deserto e o seu poder que fez com que herdassem a terra prometida.  O Salmo 106 repete em grande parte a mesma história, mas enfoca desta vez a  paciência de Deus com o seu povo, que vivia se esquecendo de suas obras,  desobedecendo suas promessas e se rebelando contra seus mandamentos.

O Salmo 107 louva a Deus pelo seu permanente amor, que vem de encontro às necessidades de diferentes grupos de pessoas: de viajantes perdidos no deserto, de prisioneiros desfalecendo em calabouços, de enfermos  à beira da morte, de navegantes apanhados numa grande tempestade. Todos  estes “na sua angústia clamaram ao Senhor e Ele os livrou das suas  tribulações”. Assim, “rendam graças ao Senhor por sua bondade e por suas  maravilhas para com os filhos dos homens!

“Meu último exemplo é o Salmo 136. Aqui o mesmo refrão litúrgico se  repete em cada versículo: “porque a sua misericórdia dura para sempre”. E as  chamadas para render graças ao Senhor por Sua bondade começam com a Sua  criação dos céus, da terra, do sol, da lua e das estrelas, prosseguindo daí com  a Sua redenção de Israel do Egito, e com os reis amorreus, a fim de dar-lhes  Sua terra em herança.

Bastam estes exemplos para mostrar que Israel não cultuava a Deus na  forma de uma divindade distante ou abstrata, mas como o Senhor da natureza  e das nações, como alguém que se revelara através de atos concretos , criando  e mantendo o seu mundo, redimindo e preservando  o seu povo. Israel tinha  bons motivos para adorá-lo pela sua bondade, por suas obras e por “todos os  seus benefícios”.

A estes poderosos feitos de Deus (o Deus criador e o Deus da aliança),  os cristãos acrescentam o ato de Deus mais poderoso do que todos os demais:  o nascimento, a vida, a morte e a glorificação de Jesus; o seu Dom do Espírito  Santo; e a sua nova criação, a Igreja.

Esta é a história do Novo Testamento, e  é por isso que tanto os textos do Velho como do Novo Testamento, juntos,  com uma exposição bíblica, constituem hoje uma parte indispensável do culto  cristão.

Somente quando de novo ouvimos sobre o que Deus já fez encontramo-nos em condições de retribuir-lhe com a nossa adoração e o nosso culto. É  também por este motivo que a leitura e a meditação da Bíblia são uma parte  muito importante na devoção pessoal do cristão.

Todo culto cristão, seja ele  público ou pessoal, deve ser uma resposta inteligente à auto-revelação de  Deus, por suas palavras, e suas obras registradas nas Escrituras.

É neste contexto que, de passagem, se pode fazer uma referência ao  “falar em outras línguas”. Qualquer que tenha sido a glossolalia no Novo  Testamento - se um Dom de línguas estanhas ou a expressão de sons em  êxtase - o certo é que as palavras eram ininteligíveis a quem as proferia. Por  isso mesmo foi que Paulo proibiu falar em línguas em público, se não  houvesse quem traduzisse ou interpretasse; e desencorajou a sua realização ou  devoção pessoal, se a pessoa permanecesse sem entender o que dizia.  Escreveu ele: “Pelo que, o que fala em outra língua, ore para que a possa  interpretar. Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas  a minha mente fica infrutífera. Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas  também orarei com a mente...

“Noutras palavras, Paulo não podia admitir nenhuma oração, nenhum  culto, em que a mente permanecesse estéril ou inativa. Ele insistiu que em  todo culto verdadeiro a mente tem de ser completamente empenhada, de  modo a dar frutos. O prazer dos coríntios para com o culto ininteligível era  algo infantil. Quanto ao mal, disse-lhes para serem como crianças e inocentes  o quanto fosse possível, mas acrescentou: “no modo de pensar, sejam  adultos”.

O culto cristão não será perfeito senão no céu, pois até então conheceremos a Deus como Ele é, e daí somente então teremos condições de adorá-lo de maneira própria

 

Extraido de “Crer Tambem é pensar” de John Stott