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Expondo Erros, Mostrando Verdades Bíblicas
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Como o ateísmo
militante se tornou uma religião substituta
C. J. Jacinto
“O assunto sobre a negação
da existência de Deus não é causada por racionalismo. Por trás há um ódio — um
ódio profundo sobre a possibilidade de que de fato Deus exista, e de fato Ele
seja Soberano sobre todas as coisas.” — C. J. Jacinto
I. A Natureza do Problema
Existe um pressuposto amplamente difundido no pensamento secular
contemporâneo: se a religião fosse eliminada do cenário humano, o mundo seria
automaticamente mais racional, mais pacífico e mais justo. Esse argumento,
repetido com fervor pelos novos ateus e por diversas correntes do secularismo
militante, soa convincente à primeira audição. Porém, um exame honesto da
história e da filosofia revela não apenas que tal tese é falsa, mas que ela
encerra uma ironia profunda e reveladora.
O ateísmo, longe de libertar o homem da estrutura religiosa,
frequentemente a reproduz em nova roupagem. O impulso de transcendência, de
pertencimento a uma causa maior, de veneração e de sacrifício — traços
constitutivos da experiência religiosa — não desaparecem quando Deus é
destronado. Eles simplesmente migram para um novo altar.
Este artigo pretende demonstrar, com rigor histórico e fundamento
bíblico, que o ateísmo anticristão carrega em si as sementes de uma nova
religião, e que todo sistema que rejeita o Deus vivo termina, inevitavelmente,
divinizando algo ou alguém em Seu lugar.
II. O Solo Fértil das Falsas Religiões
Toda falsa religião nasce de um terreno específico. Duas condições se
revelam historicamente determinantes para o seu surgimento: um estado coletivo
de incerteza e desesperança, e uma ausência de sentido para a existência.
Quando o horizonte se fecha e o futuro parece opaco, o ser humano não
simplesmente para de crer — ele passa a crer em outra coisa.
O fracasso das religiões organizadas desempenha aqui um papel
catalisador. Não é que o homem abandone a busca pelo sagrado; é que ele
redireciona essa busca para novas estruturas de sentido. Movimentos políticos
totalitários, ideologias materialistas e cultos seculares emergem exatamente
nos momentos em que as instituições religiosas tradicionais perdem sua
autoridade moral e espiritual.
O contexto espiritual de uma nação, portanto, é decisivo. Foi
precisamente o vácuo espiritual da Europa moderna — abalada pelo cientificismo,
pelo niilismo e pela crítica iluminista à fé — que preparou o terreno para os
dois grandes experimentos totalitários do século XX: o nazismo alemão e o
comunismo soviético. Ambos são, em sua essência, religiões políticas seculares.
III. O Comunismo Soviético como Religião Ateísta
A Paradoxo do Sistema Antirreligioso
A doutrina marxista-leninista repudia oficialmente toda forma de
religião. Marx declarou que a religião era o ópio do povo, um instrumento de
alienação a ser destruído na construção da sociedade comunista. E, no entanto,
foi justamente esse sistema — tão ostensivamente antirreligioso — que se tornou
uma das mais perfeitas religiões substitutivas já conhecidas pela humanidade.
Os paralelos formais e funcionais entre o marxismo-leninismo e a
religião organizada são, como reconheceram vários estudiosos, demasiado óbvios
para serem ignorados. Mas o que raramente se discute é o quanto tal semelhança
não foi mero acidente histórico, mas resultado de uma estratégia deliberada e
calculada.
“Lenin era, antes de mais
nada, um manipulador extremamente sagaz, com a penetrante compreensão das
necessidades da psique. Reconhecia a necessidade de adaptação do seu sistema ao
ímpeto religioso do homem, por mais incrédulo que fosse pessoalmente.” — A Herança Messiânica — Baigent, Leigh
& Lincoln
Lenin compreendia que o homem não é apenas um ser racional: é um ser de
fé. Para que seu sistema pudesse se enraizar nas massas, precisaria satisfazer
as necessidades que a religião sempre satisfez — necessidade de sentido, de
pertencimento, de esperança e de salvação. Assim nasceu a religião ateísta.
O Culto ao Líder: Ídolos de Carne e Osso
A morte de Lenin em 1924 ofereceu a Stalin uma oportunidade única de
consolidar o caráter religioso do movimento bolchevique. Com a frieza
calculista de quem havia recebido formação em seminário teológico, Stalin
transformou o funeral de Lenin num ritual sagrado de proporções épicas.
“Stalin se empenhou
sistematicamente em extrair tanto quanto possível o significado religioso da
morte de Lenin. Fez com que ele fosse velado no salão das colunas na Casa dos
Sindicatos. Durante quatro dias o corpo foi mantido ali em exposição, enquanto
dez mil pessoas faziam fila sob temperaturas abaixo de zero para ter a
oportunidade de passar ao lado do caixão. Outros líderes bolcheviques ficaram
pasmos com essa descarada fusão de emoção religiosa.” — A Herança Messiânica — Baigent, Leigh
& Lincoln
O corpo embalsamado de Lenin, exposto permanentemente na Praça Vermelha
como uma relíquia sagrada, é um dos exemplos mais eloquentes da antropolatria —
a adoração do homem pelo próprio homem. Quando o Exército Alemão avançou sobre
Moscou durante a Segunda Guerra Mundial, Stalin mandou transferir o corpo para
os Urais. Um ídolo sagrado não poderia cair nas mãos do inimigo.
Isso é adoração de ícone, inegavelmente. É o culto imperial do
imperador romano, é o culto à personalidade, operando dentro de um estado que
oficialmente negava Deus. O ateísmo não eliminou o impulso de veneração —
apenas trocou o objeto da veneração.
O Lenço Vermelho: Batismo e Iniciação
Nenhum símbolo revela mais claramente a natureza religiosa do comunismo
soviético do que o lenço vermelho dos Jovens Pioneiros. Em meio a juramentos e
compromissos solenes, cada criança iniciada no Partido recebia esse pedaço de
pano como seu talismã mais precioso.
O novo pioneiro era instruído a guardar o lenço, reverenciá-lo,
preservá-lo do toque de qualquer outra pessoa. O pano representava o sangue dos
mártires revolucionários — a nuvem de testemunhas do novo credo secular. O
ritual era explicitamente comparável à primeira comunhão cristã: havia uma
substância simbólica, havia um sangue derramado, havia uma iniciação aos
mistérios do Partido.
Como observou o próprio material de pesquisa que fundamenta este
artigo: postular a presença simbólica do sangue dos mártires naquele pedaço de
pano não é significativamente diferente de postular a presença do sangue de
Cristo no cálice da Santa Ceia. A premissa é essencialmente religiosa — e a
intenção era idêntica: criar um símbolo sagrado, um vínculo transcendente entre
o indivíduo e a comunidade de fé.
Havia ainda toda uma mística de recrutamento, discursos inflamados,
promessas messiânicas de um Estado perfeito onde a humanidade finalmente
alcançaria a felicidade. O Partido era a Igreja. O Estado era Deus. E Stalin
era o sumo sacerdote.
IV. O Diagnóstico Bíblico: Romanos 1
O apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos no século I, forneceu o
diagnóstico espiritual mais preciso que a história conhece para o fenômeno que
estamos descrevendo. Sua análise, registrada no primeiro capítulo da epístola,
é de uma acuidade que assombra pela modernidade.
“Porque as suas coisas
invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua
divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas,
para que eles fiquem inexcusáveis. Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o
glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos, se
desvaneceram e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios,
tornaram-se loucos.” —
Romanos 1:20-22
O ateísmo não é, em sua raiz mais profunda, uma posição filosófica
racionalmente sustentada. É, antes, uma recusa moral. Paulo diz que os homens
conheceram a Deus — a revelação geral da criação é suficientemente clara para
isso — mas escolheram não glorificá-lo. O ponto de partida não foi a dúvida
intelectual: foi a recusa de reconhecer a soberania divina.
O coração insensato que se obscurece não é o coração de quem não teve
acesso à evidência, mas daquele que, diante da evidência, voltou as costas. E a
consequência lógica dessa rejeição é a tolice que se veste de sabedoria:
tornaram-se loucos, dizendo-se sábios.
A história soviética é a ilustração histórica perfeita desse
diagnóstico paulino. Um estado edificado sobre a recusa de Deus, governado por
homens que se proclamavam os iluminados da razão, produziu um dos sistemas mais
irracionais, mais cruéis e mais mitológicos que o mundo já viu. Dizendo-se
sábios, tornaram-se loucos.
V. Nietzsche e o Super-Homem: A Autodivinização Filosófica
O que no comunismo soviético ocorreu de forma institucional e política,
na filosofia de Friedrich Nietzsche ocorreu de forma intelectual e individual.
Nietzsche declarou a morte de Deus — e, ao fazê-lo, abriu caminho para a
entronização do homem em Seu lugar.
O conceito nietzschiano do Übermensch, o Super-Homem, é a expressão
filosófica da autodivinização. Trata-se do homem que supera a si mesmo, que
transcende os limites da condição humana por suas próprias forças, que não
espera salvação de nenhuma fonte exterior. Ele é seu próprio senhor, seu
próprio redentor, seu próprio Deus.
Negar a Deus é sempre um impulso em direção à autodivinização. Essa
dinâmica não é acidente — é lei espiritual. E ela remonta ao princípio de tudo:
foi exatamente isso que a antiga serpente prometeu no Jardim do Éden.
"Sereis como Deus" (Gênesis 3:5). O ateísmo filosófico, em última
análise, é a teologia do diabo revestida de racionalismo moderno.
O Super-Homem de Nietzsche é o homem que acredita poder controlar os
aspectos cruciais de seu próprio destino, superar as crises existenciais por
força própria e dispensar qualquer referência transcendente. É, em resumo, um
semideus secular — um ídolo que caminha sobre dois pés.
VI. A Antropolatria: O Homem como Deus
Feuerbach e a Inversão Teológica
O filósofo Ludwig Feuerbach levou a lógica do ateísmo humanista às suas
últimas consequências. Sua tese central é de uma audácia impressionante: Deus
não criou o homem à Sua imagem e semelhança — foi o homem que criou Deus à sua
própria imagem e semelhança. A religião, para Feuerbach, é simplesmente a
projeção exterior das qualidades humanas idealizadas.
Como registra Urbano Zilles em sua Filosofia da Religião: "Feuerbach
destrona Deus e diviniza o homem. Segundo ele, os amigos de Deus devem
tornar-se amigos do homem neste mundo. Deus é apenas a personificação da
espécie humana."
A consequência prática dessa posição é devastadora: se Deus é apenas o
reflexo idealizado do homem, então o homem é o verdadeiro absoluto. A Bíblia
deve ser reescrita: não "no princípio Deus criou o homem", mas
"no princípio o homem criou Deus". A transcendência é abolida, e o
horizonte humano se fecha sobre si mesmo.
O Cientificismo e os Limites da Razão
O cientificismo — a crença de que a razão científica e empírica é o
único instrumento legítimo de acesso à realidade — padece de uma limitação
constitutiva: ele é incapaz de ir além dos limites que ele mesmo impôs. Fecha a
janela para o transcendente e depois se espanta por não conseguir ver o céu.
A razão natural, quando absolutizada, não ilumina — obscurece. Ela é
aquela que, nas palavras que iluminam o início desta análise, crê no acaso cego
como criador de todas as coisas. Mas atribuir ao acaso cego a capacidade de
criar, organizar e sustentar o universo não é racionalismo — é fé. É fé em uma
força irracional e impessoal, exercida com fervor absolutamente religioso.
Jesus Cristo descreveu com precisão cirúrgica o resultado final desse
sistema: quando um cego guia outro cego, ambos caem na vala (Mateus 15:14). A
razão natural que rejeita a luz de Deus não se torna mais esclarecida —
torna-se mais cega. E essa cegueira coletiva, quando organizada em sistema
político, produz regimes como o soviético, cujas valas foram repletas de
milhões de cadáveres.
VII. O Ateísmo Militante como Fenômeno Religioso
O secularismo moderno não é a ausência de religião. É uma religião
concorrente. Observe-se o comportamento do ateísmo militante contemporâneo — os
chamados novos ateus — e encontrar-se-á exatamente a estrutura que define
qualquer sistema religioso: dogmas intocáveis, profetas reverenciados, ritos de
iniciação, militância fervorosa e intolerância com os hereges.
Os profetas do ateísmo moderno têm nome e sobrenome: Friedrich
Nietzsche, Voltaire, Bertrand Russell, Karl Marx. São reverenciados como
iluminados, citados como escrituras, defendidos com o mesmo fervor com que um
crente defende sua fé. A ironia é irresistível: os homens que proclamam a morte
de Deus constroem, em seguida, um panteão de novos deuses.
Praticamente, no mundo concreto, não existe ateísmo. A partir do
momento em que o homem deixa de crer em Deus, ele passa a crer em si mesmo, em
seu grupo, em sua ideologia, em seu líder. O vácuo espiritual não permanece
vácuo — ele é preenchido, sempre. E o que o preenche raramente é mais racional
ou mais humano do que o que foi expulso.
O homem que abandona o conceito de um Deus que está acima dele acaba
por divinizar a si próprio. Ele passa a adorar sua própria razão como uma luz
que ilumina todas as questões existenciais. Torna-se incrédulo por orgulho
intelectual — e esse orgulho, que se apresenta como libertação, é a mais antiga
das prisões.
VIII. Conclusão: O Altar Inevitável
A tese deste artigo pode ser resumida em uma proposição: o coração
humano é, por constituição, um fabricante de deuses. Calvino já o havia
observado — o coração humano é uma fábrica perpétua de ídolos. Quando o Deus
verdadeiro é rejeitado, outro deus ocupa imediatamente seu lugar: o Estado, o
Partido, o Líder, a Raça, a Razão, o Homem.
O experimento soviético demonstrou isso com uma clareza histórica
brutal: um sistema edificado sobre a negação de Deus produziu um dos mais
elaborados sistemas de culto que o mundo moderno conheceu. Os ídolos tinham
rosto humano, os templos eram mausoléus, os sacramentos eram lenços vermelhos,
e os mártires eram os heróis da revolução.
A mensagem do apóstolo Paulo permanece atual e desafiadora: os que
recusam glorificar a Deus não se tornam ateus — tornam-se idólatras. E a
idolatria do homem moderno, revestida de ciência e filosofia, é mais perigosa
do que a dos antigos, precisamente porque não se reconhece como tal.
Diante desse panorama, a apologética cristã não pode limitar-se a
rebater argumentos filosóficos. Ela precisa expor a estrutura religiosa oculta
do ateísmo militante, revelar os ídolos que se escondem por trás da linguagem
da razão, e proclamar — com a mesma clareza e o mesmo amor do apóstolo — que só
há um altar que não decepciona, só há um Nome ao qual toda joelho se dobra, e
só há um Senhor perante quem o coração humano finalmente encontra o repouso que
sempre buscou.
Referências Bibliográficas
BAIGENT,
Michael; LEIGH, Richard; LINCOLN, Henry. A Herança Messiânica. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira. p. 142-146.
ZILLES,
Urbano. Filosofia da Religião. São Paulo: Paulus.
Bíblia
Sagrada. Romanos 1:20-22; Mateus 15:14; Gênesis 3:5.
Humanismo e Cristianismo
Duas cosmovisões
em colisão — e por que o resultado desta batalha de ideias define o futuro de
toda a civilização.
C. J.
Jacinto
Estudo
Bíblico & ApologéticoCom base no pensamento do Dr. Robert Morey
O
debate entre cristianismo e humanismo não é apenas uma discussão filosófica
abstrata. Trata-se de um confronto real — duas formas radicalmente opostas de
enxergar a vida, o ser humano e a sociedade. Enquanto o cristianismo enxerga o
ser humano como portador de um valor intrínseco derivado da sua condição de
imagem de Deus, o humanismo sustenta uma premissa completamente oposta. Essas
duas cosmovisões produzem culturas, leis e comportamentos radicalmente
diferentes, e compreender esse contraste é urgente.
SEÇÃO
I
Crenças que moldam o comportamento
Em um artigo seminal, o Dr. Robert
Morey argumenta com grande acerto que o humanismo reduz a vida humana a uma
questão de utilidade. Esse ponto de partida teológico e filosófico nos
leva diretamente a uma cadeia de consequências que, quando examinadas à luz das
Escrituras, revelam a profunda incompatibilidade entre as duas cosmovisões.
Concordo inteiramente com o
diagnóstico de Morey e desejo salientar suas ideias, pois elas estão firmemente
ancoradas nas Escrituras. Mais do que isso, quero apresentar alguns princípios
fundamentais da cosmovisão cristã e, assim,
oferecer um diagnóstico histórico e cultural pelo qual possamos compreender a
importância dessa cosmovisão para o estabelecimento de uma sociedade justa e estável.
Aquilo que uma pessoa acredita,
valoriza e considera moral acaba refletindo-se inevitavelmente na sua maneira
de viver — as crenças moldam o comportamento.
PROVÉRBIOS
23.7 · MATEUS 12.37
Seguindo o que ensinam Pv 23.7 e Mt
12.37, entendemos que as crenças moldam o comportamento. Isso vale tanto para o
cristianismo quanto para o humanismo. Uma vez adotada a premissa, seus frutos
inevitavelmente se manifestam na cultura, nas leis e nos relacionamentos.
E aqui chegamos ao ponto mais
polêmico e mais urgente. A Bíblia Sagrada nos ensina que os frutos revelam a
árvore — conforme nos mostra Jo 7.4, Mt
7.16 e a passagem clássica de Gl 5.19-21. O cristianismo bíblico não defende um relativismo moral; pelo
contrário, defende absolutos. E por defender absolutos, o cristão pode — e deve
— fazer juízos morais em conformidade com a Palavra de Deus.
SEÇÃO II
Cultura, leis e formadores de opinião
É lógico concluir que a cultura de uma nação
reflete os valores de seus formadores culturais. Filósofos, artistas,
professores, políticos, juízes, médicos, jornalistas — todos eles determinam o
rumo de uma sociedade. Se essas pessoas abraçam o humanismo e toda forma de
relativismo, conduzirão a sociedade para um fim catastrófico.
A própria história o declara:
civilizações antigas entraram em colapso quando os absolutos foram destruídos.
O que temos visto hoje é um sistema global trabalhando ativamente para a
destruição dos valores judaico-cristãos — a manifestação do humanismo em sua
forma mais literal, estabelecendo o relativismo moral no interior da sociedade
em que vivemos.
DIAGNÓSTICO HISTÓRICO
Culturas
pagãs pré-cristãs codificaram leis antibíblicas — era a cultura da morte.
Práticas como o aborto, o infanticídio e a escravidão eram parte natural das culturas
greco-romana, além da idolatria e da necromancia.
O cristianismo transformou o Império Romano. À
medida que a fé cristã se espalhou, leis pagãs foram substituídas por
fundamentos bíblicos, assentando toda a civilização ocidental sobre valores
cristãos — o que formou uma das maiores civilizações que já existiu sobre a
face da terra.
O que aconteceu foi que, pouco a pouco, desde o
século passado, os cristãos foram recuando. Concentraram-se apenas na piedade
pessoal e abandonaram as profissões formadoras de cultura. Saíram da posição de
formadores de opinião pública, e houve um enfraquecimento do testemunho — de
modo que o cristão atual, com raras exceções, já não é mais o sal e a luz deste
mundo.
Esse recuo tornou-se terreno fértil
para a semeadura do humanismo, do relativismo e do pós-modernismo em nossa
sociedade. Agora, mais do que nunca, quem ocupa os espaços de influência são
pagãos, neopagãos relativistas, ateus e humanistas que fazem militância extrema
para implantar o relativismo moral em contradição direta com os valores
judaico-cristãos.
SEÇÃO
III
O valor intrínseco da vida — a posição
cristã
Voltemos agora à teologia cristã e
ao que a cosmovisão cristã oferece ao mundo. A verdade fundamental é
esta: o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus. Por isso,
toda a vida humana possui valor intrínseco e imutável desde a concepção até a
velhice mais avançada. Esse valor não depende de utilidade, produtividade,
saúde ou desejo dos outros.
A posição cristã ortodoxa preza
pela defesa da criança ainda no útero de sua mãe, assim como pela dignidade do
homem na sua velhice. Não temos uma concepção materialista e meramente
utilitarista do ser humano. Ele não é produto de uma evolução cega — ele é um
ser criado à imagem de Deus, com valor e dignidade intrínseca.
COSMOVISÃO CRISTÃ
A
vida humana tem valor intrínseco e imutável por ser criada à imagem de Deus.
Esse valor não pode ser revogado por nenhuma circunstância — doença,
deficiência, idade ou utilidade social.
COSMOVISÃO HUMANISTA
A
vida é resultado do acaso e do processo evolucionário num sistema natural
fechado. Sem Deus na equação, a vida perde seu valor intrínseco e passa a ter
apenas valor utilitário — vale na medida em que serve a algo.
A partir desta base, como cristãos conservadores,
afirmamos com clareza as seguintes posições morais derivadas da Palavra de
Deus:
POSIÇÕES DA COSMOVISÃO CRISTÃ
ORTODOXA
Somos
absolutamente contrários à experimentação genética em óvulos fertilizados, pois
cada embrião já é portador da imagem de Deus. O aborto é sempre errado, com a
única exceção sendo quando a vida da mãe está em risco real. Todo infanticídio
é errado. A morte por piedade é assassinato, mesmo quando vestida de motivações
compassivas. Não deve haver limite de idade para o acesso a cuidados médicos. A
vida não pertence ao indivíduo — pertence somente a Deus.
SEÇÃO
IV
As dez consequências lógicas do humanismo
Concordo com todos os apologistas, inclusive Morey,
cujos escritos li, que o humanismo parte de uma premissa radicalmente oposta à
visão cristã. Sem Deus na equação, da premissa de que a vida tem apenas valor
utilitário, decorrem dez consequências lógicas e perigosas:
1. Considerações econômicas podem
justificar o término de uma vida que custa caro ao Estado ou à família.
2. A possibilidade de uma vida miserável
torna-se justificativa para interrompê-la.
3. Crianças indesejadas devem ser
abortadas, pois "é melhor não nascer".
4. Gravidez inconveniente pode ser
legalmente encerrada.
5. Responsabilidades sociais superam
direitos individuais — o coletivo pesa mais do que a pessoa.
6. A superpopulação justificaria o
extermínio de vidas consideradas inúteis.
7. Escassez de alimentos e combustível
exigiria términos planejados de vida.
8. Os poucos deficientes e os doentes terminais
devem se sacrificar pelo bem dos muitos.
9. Pessoas em condições miseráveis
"querem morrer" — justificativa que abre as portas para a eutanásia.
10.
"Parasitas
econômicos" — aqueles que não produzem bens ou serviços — devem ser
eliminados.
É preciso entender que nem sempre todo humanista
defende explicitamente cada um desses pontos. Porém, essas conclusões decorrem
de uma lógica e de uma premissa que nega o valor intrínseco da vida. As
sementes já estão plantadas — e podem permanecer latentes dentro das ideias do
humanismo até que o contexto social as faça germinar.
SEÇÃO
V
O caso histórico: Nazismo e Comunismo
Soviético
Quando uma sociedade abandona a
fundamentação cristã do valor da vida, as consequências culturais são
inevitáveis. Para compreender isso, precisamos examinar o contexto em que as
ideias nazistas proliferaram.
NOTA HISTÓRICA
A Alemanha do contexto em que emergiu o nazismo era
caracterizada por protestantismo e catolicismo nominais — uma cultura que
aparentemente parecia religiosa, mas que havia sido abalada pelo modernismo
teológico, pelo evolucionismo e pelo esoterismo. A Igreja Cristã encontrava-se
profundamente enfraquecida, com a fé, a piedade e o fervor de muitos cristãos
destruídos.
Foi dentro desse vácuo que as
sementes do nazismo foram lançadas. O nazismo era, em essência, uma forma de
humanismo: exaltava a raça ariana, buscava a superioridade radical de um povo e
bebeu diretamente das ideias de Friedrich Nietzsche e da teoria da evolução de
Charles Darwin. Tornou-se uma máquina de morte — tendo como lema central a
exaltação de um homem "puro" e considerado quase divino.
O mesmo padrão se reproduz no comunismo soviético.
O secularismo e o ateísmo humanista moldaram o sistema soviético em seu auge.
Stalin estabeleceu um culto à personalidade; o cadáver de Lenin exposto na
Praça Vermelha tornou-se símbolo de um estado humanista secular. Nesse sistema,
o indivíduo era classificado como um ser utilitário ao Estado. Todo homem que
não servia ao sistema era descartado — exemplo claro de humanismo atado a uma
ideologia política anticristã.
Versões mais recentes incluem o movimento transumanista, que deposita ênfase extrema no
potencial humano para vencer os limites naturais e alcançar a imortalidade
através da ciência e da tecnologia. A ciência torna-se uma nova religião
tecnológica — plataforma que ergue o "super-homem" que venceu a morte
e se torna sua própria divindade.
SEÇÃO
VI
Ideias geram culturas — e culturas geram
leis
Uma vez que ideias e crenças têm o poder de mudar
completamente uma sociedade, precisamos compreender as consequências em cadeia
que o humanismo produz:
A CADEIA DE CONSEQUÊNCIAS
O
humanismo, pela negação dos absolutos → leva ao fim da moralidade.
O relativismo → leva
ao fim da verdade.
A ausência de
valores reais → leva ao fim da justiça.
O coletivismo que
substitui o indivíduo → leva ao fim da liberdade.
O que precisamos aprender, ensinar e proclamar do
alto do púlpito é este princípio: ideias geram comportamentos, comportamentos geram
cultura, cultura gera leis.
Mude as crenças e mudará a sociedade — para o bem ou para o mal. O
pós-modernismo e o humanismo nada mais fazem do que conduzir a humanidade para
um fim catastrófico.
Infelizmente, tenho observado não
somente uma indiferença com relação a este assunto, mas uma total inércia
espiritual por parte de muitos evangélicos. Poucos têm gritado e advertido a respeito
das tendências anticristãs que estão se estabelecendo por etapas em nossa
sociedade — e que, mais cedo ou mais tarde, formarão não somente uma força de
oposição ao cristianismo, mas um movimento para criminalizar toda forma de
cristianismo fundamental e bíblico.
CHAMADO À AÇÃO
É hora de a Igreja avançar
Precisamos
de um engajamento corajoso e ousado para proclamar e defender as verdades
bíblicas fundamentais. Isso é uma proteção para nossas famílias, para nossas igrejas, para nossas
congregações. Aqueles que estão à frente do ministério — ministros do
Evangelho, pregadores — devem tomar posições firmes e defender os absolutos da
Palavra de Deus.
O recuo característico de uma Igreja fraca, de
pastores e pregadores tímidos, tem trazido consequências nefastas. Parte da
iniquidade que se prolifera no mundo é consequência da pouca oposição que a
Igreja tem feito frente à apostasia que se alastra. Não podemos mais recuar.
Em que repousam os fundamentos do valor da vida
humana? Somente
na verdade de que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Nenhuma circunstância humana
pode anular esse valor — e nossa tarefa é proclamar isso com toda ousadia, em
todos os espaços que nos forem dados.
C. J. Jacinto
Apologista e estudioso da
cosmovisão cristã. Algumas das ideias apresentadas neste artigo foram
desenvolvidas a partir do pensamento teológico do Dr. Robert Morey, cujos
escritos sobre humanismo e cosmovisão cristã são referência incontornável para
a apologética contemporânea.
www.heresiolandia.blogspot.com
João 5.23 revisitado – um chamado a re-colocar o Filho no trono
“Para que todos honrem o Filho…”
A palavra grega timaō não é mera etiqueta; é o gesto de curvar-se perante o
Soberano. Honrar é reconhecer que a autoridade pertence exclusivamente àquele
que, “sendo na forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus” (Fp
2.6). Quando o culto deixa de ser reverência e se transforma em réplica de
plateia, o Universo inteiro – que “clama com dores de parto” – sente o desvio
(Rm 8.22).
O CULTO QUE SE DESVIA DO PROPÓSITO
O que era adoração tornou-se espetáculo. Os hinos, outrora salmodias que subiam
como fumaça de incenso, agora servem de trilha sonora para celebrar arquétipos
humanos. Os sermões, que deviam ser flechas de teofania, converteram-se em
palestras de autoajuda. O púlpito, antigo lugar da cruz, virou palco de TED
Talks evangélicos. O resultado?
• Humanismo: Cristo é citado, mas não adorado.
• Utilitarismo: Deus vira fornecedor de benesses, não Fonte de beleza.
• Emoção sem temor: arder sem arder-se.
• Glória roubada: homens ocupam o lugar que só o Cordeiro pode ocupar.
Em Apocalipse 3.20, Jesus bate à porta de Laodicéia – não de um bar, mas de uma igreja. A tragédia da apostasia moderna é que o próprio templo o expulsa. Cristo fica lá fora, enquanto dentro ecoam aplausos para quem não é Ele.
A CRUZ QUE DESMONTA O PALCO
A cruz não é ornamento; é explosão. Ela despedaça o ego, desmonta o palco,
silencia o microfone da carne. Onde se prega Cristo crucificado, não há espaço
para performances, pois “o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo”
(Gl 6.14).
• A cruz expõe a profundidade do pecado – e, portanto, a altura da graça.
• A cruz desmascara a falsa espiritualidade – e revela a verdadeira santidade.
• A cruz exige resposta: arrependimento, fé, obediência, expectativa.
Retirar a cruz do centro é retirar o Sol do sistema solar. Tudo vira caos. E o caos, hoje, se chama relativismo moral: “cada um faz o que bem entende aos seus olhos” (Jz 21.25).
A IGREJA QUE ANSEIA PELO NOIVO
A marca dos cristãos bíblicos não é a multidão, mas a expectativa. O verdadeiro
crente respira: “Até quando, Senhor?” (Ap 6.10). Ele não se contenta com
igrejas que parecem shoppings; ele clama pelo Esposo.
• Cristocentrismo: Cristo é o conteúdo, o contexto e o objetivo da
espiritualidade.
• Cruciformidade: cada oração, cada hino, cada pregação cruza os braços e exala: “Não eu, mas Cristo.”
• Santidade: não modismo, mas temor reverente.
• Missão: não autopromoção, mas humildade e quebrantamento para que “Ele cresça”.
UM CONVITE PARA RECOMEÇAR
A boa notícia é que ainda se ouve o som da trombeta. Ainda há tempo de voltar
ao primeiro amor. Como?
Examine o culto: Onde Jesus é menos central, ali se abre brecha para idolatria.
Examine a pregação: Se a cruz é mencionada apenas como pano de fundo, é tempo de levá-la ao centro.
Examine o coração: A glória pertence a Deus; toda outra glória é fogo estranho (Lv 10.1-2).
Examine a esperança: Cristãos que não anseiam pela volta do Senhor estão dormindo noite adentro. Desperte!
Epílogo – A Terra aguarda Romanos 8.19 diz que a criação aguarda “a manifestação dos filhos de Deus”. A Terra não quer show; quer o Filho. E quer vê-lo manifesto em nós. Quando voltarmos ao cristocentrismo e à cruz, não teremos apenas igrejas lotadas – teremos igrejas que fazem o inferno tremer e o céu se regozijar.
Então, curvemo-nos. Em silêncio. Em
temor. Em amor.
E que, desta vez, a resposta não venha do aplauso dos homens, mas do trovão do
Pai: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. A Ele ouvi!”
C. J. Jacinto
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